Fuja.

By GuilhermeLopz

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Lucia Remis desapareceu nas imediações do Internato Primavera. Suas amigas estranharam, pois, todos seus pert... More

Booktrailer, apresentação e cronograma.
Capítulo 1 - O desaparecimento de Lucia Remis.
Capítulo 2 - Assassino de gatos.
Capítulo 4 - Não conte para ninguém.
Capítulo 5 - Segredos.
Capítulo 6 - Invasão de Privacidade
Capítulo 7 - Através da janela.
Capítulo 8 - Festa estranha.
Capítulo 9 - Cave sua própria cova
Capítulo 10 - Baba O'Riley.
Capítulo 11 - Defina errado.
Capítulo 12 - Quem é o psicopata?
Capítulo 13 - Mapas.
Capítulo 14 - Terror ao estilo anos 80.
Capítulo 15 - Revelações.
Capítulo 16 - As três tarefas de Rebecca.
Capítulo 17 - Slow motion.
Capítulo 18 - Vírgula.
Capítulo 19 - Missão Impossível.
Capítulo 20 - Floresta negra.
Capítulo 21 - Julgamento.
Capítulo 22 - Chuva.
Epílogo.

Capítulo 3 - Escritores malditos.

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By GuilhermeLopz


Jornal do dia.

A jovem estudante do internato Primavera continua desaparecida. Seus pais adotivos, Antônio e Cécile abriram um processo contra o internato, eles alegam que o diretor Marcus Adolfo está dificultando a busca da policia por sua filha desaparecida. Os pais suspeitam que a filha foi sequestrada e possivelmente assassinada. O diretor alega que ele está apenas seguindo o protocolo e que em nenhum momento se impôs a vontade da polícia de fazer uma busca mais intensa e detalhada dentro da instituição. O delegado Mauricio Taveira do DHPP também foi incluído nesse processo devido a demora das buscas e também a falta de investigação encima dos suspeitos. O delegado alega que até o momento eles não encontraram nenhum suspeito e que as buscas continuarão sendo feitas.

O desaparecimento de Lucia Remis ocorreu no dia 22 de outubro, desde então a polícia se encarregou de investigar o caso, fizeram uma busca completa na floresta aos arredores do internato e também na mata ao leste da cidade de São José dos Lagos. Até o momento não encontraram nenhuma pista sobre o paradeiro de Lucia. Os próprios alunos da escola se ofereceram para procurar pela colega.

Nós do jornal oficial do internato Primavera estamos abertos para mais informações sobre o caso.

Matéria escrita por: Arthur Silva.



2 de novembro. Quinta-feira.

As aulas voltaram ao normal, a polícia continua rondando pela escola e fazendo perguntas. Tudo parece surreal, sinto como se eu tivesse entrado em um seriado policial com direito a todos os estereótipos e clichês; o diretor vilão, a polícia, o repórter e a mocinha desaparecida. Andei conversando com Arthur nesses últimos dias, ele disse que o diretor está censurando suas matérias e que o proibiu de falar sobre o caso de Lucia, correndo sérios riscos de fechar o jornal da escola e acabar com o sonho dele, é realmente muito estranho tudo isso, até entendo que o diretor esteja fazendo isso por tentar proteger a integridade do internato, mas não deixa de ser suspeito. E Arthur não me contou sobre sua hipótese, o que achei estranho.

Os alunos começaram a falar sobre o assunto e quando o mesmo assunto é falado por pessoas diferentes, as histórias começam a se divergir e então começaram a surgir lendas ao redor do desaparecimento de Lucia. Alguns acreditam que ela foi assassinada pelo diretor, que ele a estuprou e guarda seu cadáver dentro da sala de troféus. Outros acreditam que ela fugiu com algum guitarrista de uma banda de rock e que agora está do outro lado do país. Tem os que acreditam que Lucia se matou, algumas pessoas até alegam terem visto o espirito dela vagando pelos corredores. E por último tem o boato em que ela foi assassinada por algum aluno da escola, existem versões em que Lucia foi capturada por quatro alunos daqui e estuprada, depois cada aluno pegou um membro de seu corpo e enterrou em uma área da escola, essa é a versão mais mórbida. Existem também teorias para o gato, mas essas é melhor nem citar. O estranho é que logo após o aparecimento do gato morto começaram a surgir cartazes espalhados por toda escola, cartazes para lembrar os alunos de que é proibido qualquer animal dentro do internato. Mas se eu me lembro bem o próprio diretor tem uma dezena de gatos em sua casa, e sim, o diretor mora dentro da escola, ele tem uma mansão um pouco afastada, vive lá com o filho e alguns empregados. E claro, seus gatos.

Fui para a aula. Os alunos agiam normalmente, os inspetores pareciam mais severos, olhavam para nós como se fossemos detentos. A aula foi cansativa e eu senti sono boa parte dela, dormi pouco, sempre acordo escutando vozes no meio da madrugada, isso se tornou mais frequente. Alguns dias atrás, no final de semana, resolvi falar com Laura sobre isso, ela me lançou um olhar de fúria, percebi que ela odeia sentir medo e disse que não era mais para falar sobre o assunto.

Após a aula, enquanto guardava os cadernos na mochila, percebi que tinha dois livros que precisavam ser devolvidos. Na verdade, já tinham passado do prazo de devolução, me despedi de Nicolas e Arthur dizendo que iria para a biblioteca. Caminhei pelos corredores, estava fazendo muito frio, tive que pegar duas blusas durante a manhã. Vi os cartazes colados nos murais, alguns alertando sobre a semana de provas que estava chegando, sobre clubes de tudo, classificados etc. Mas a maioria era para relembrar que era proibido animais dentro do internato. Passei pelo refeitório, tinha alguns alunos por lá, quando senti o cheiro da comida percebi que não tinha comido nada o dia todo, terrível para uma menina da minha estatura. Alta, magra, quase ruiva e faminta.

A biblioteca fica do outro lado do prédio, no primeiro andar. Passei em frente a sala do diretor, vi dois policias lá dentro conversando com a secretária, tinha certeza que o mais gordinho era o delegado Taveira. Estavam rindo e sobre a mesa vi uma garrafa térmica e ao lado duas xícaras de café. Meu celular apitou, tirei do bolso e vi uma mensagem do Nicolas.

Gata, hoje é o dia de ficaaaar louuuuuuuuuuuuuucos!!!!!!!!!!1!!!!1 acabei d saber de uma fextaaaa maravilhozzza na casa do Lucas, aquele gostosão. Então, topa? Dizzzz que sim por favor. To escrevendo assim porque to cagaaaando kkk.

Ele me assusta as vezes. Não respondi.

Entrei na biblioteca, ela era grande demais, com dois andares cheios de prateleiras e o mais importante de tudo: Livros. Eu me perco aqui, de verdade, parece um labirinto de tão grande. Já passei dias inteiros estudando ou apenas lendo, tem sofás extremamente confortáveis em cada canto, me sinto em um pedaço do paraíso, um universo. As prateleiras são como as galáxias, cada prateleira tem seus planetas, suas constelações, estrelas, asteroides e alienígenas (sim, eles existem). Depois que entrei percebi que o local estava quase vazio, apenas um ou outro aluno explorando as prateleiras e um cara que trabalha lá, estava encima de uma escadinha limpando a poeira de cima de uma estante. Fui até a recepção para devolver os livros, a atendente não estava. Olhei para trás e vi o local aonde Lucia costumava ficar, perto de uma mesinha ao lado da janela, sempre iluminada pelos raios do sol, ela ficava ali por horas em silêncio, lendo.

Toquei o sininho para ver se alguém aparecia.

O cara que estava limpando a estante olhou para mim, ele desceu da escada e foi até o outro lado do balcão. Eu já tinha visto ele por ali algumas vezes, mas ele está sem crachá, então não sabia como se chamava. Ele era bonito, os cabelos presos em um coque, castanhos. Os olhos castanhos também, usava óculos de grau ao estilo Clark Kent.

-Desculpe se atrapalhei, não sabia que estava sozinho.

-Sem problemas, eu nem tava fazendo nada mesmo.

Sorri e ele também sorriu, tinha um belo sorriso, a barba  espessa e negra, ele cheirava bem. Coloquei a mochila encima do balcão e peguei os dois livros, passei para ele.

-O morro dos ventos uivantes. - Ele abriu o livro e olhou a etiqueta, depois foleou algumas páginas e colocou de lado. - Esse tem uma multa de três reais.

Dei o dinheiro. Ele pegou o outro livro e fez o mesmo.

-Viagem ao fim da noite. - Virou o livro para ler a sinopse. – Gostou? Dizem que ele é ótimo. Bukowski fala que Céline teve apenas um livro bom.

-É maravilhoso.

-Escritores malditos e suas obras amaldiçoadas. Esse não tem multa, você leu a tempo.

Ri novamente. Ele parecia um pouco mais velho, talvez uns dezenove anos? Não é aluno daqui, disso eu tinha certeza. Pensei em perguntar o nome dele, mas fiquei com vergonha.

-Vai pegar mais algum livro? - Ele perguntou.

-Não sei, vou dar uma olhada.

-Fique à vontade.

E foi o que fiz. Comecei a caminhar pela biblioteca a procura de algo para ler, ele voltou aos deveres, estava limpando as prateleiras agora. Não consegui parar de olhar para ele. Peguei um livro que chamou minha atenção, Clube da Luta, nem sabia que tinham esse tipo de livro na biblioteca. Fui procurar o atendente. Ele estava colando um cartaz no mural da biblioteca, era sobre a Lucia.

Fui até o atendente para falar com ele, era o momento ideal.

-Ela vinha bastante aqui, não é mesmo? - Apontei com o olhar para o cartaz que ele colava.

Ele virou o rosto em minha direção, estava com o braço direito estendido sobre o mural. De relance vi o anúncio de um clube de estudos, formado por um grupo de nerds, o nome da representante é Maria. O atendente colocou os outros cartazes encima de uma mesa, ao lado de uma garrafa de café.

-Já perdi as contas de quantos cartazes colei. Se ganhasse uma moeda para cada um, eu estaria rico. - Ele parecia averiguar se estávamos em uma área segura, como o robocop. – Porque a pergunta?

-Só curiosidade.

Senti uma pontada em minha garganta, como fui idiota. Ele me encarou por um tempo. Então disse:

-É, ela pegava muitos livros aqui.

Tentei ler o nome dele no crachá, mas lembrei que ele estava sem, é meio estranho olhar para o peito de um desconhecido. Pelo menos me sinto muito desconfortável quando olham para os meus peitos.

-Você falava bastante com ela? - perguntei.

São perguntas estranhas mesmo, confesso. Eu já estaria nesse exato momento me abandonando, deixaria Rebecca simplesmente falando sozinha, em seu mundo da lua. Mas ele foi educado e respondeu:

-Bastante. Ela era divertida. - Ele sorriu e então olhou para o nada por algum tempo.

-Não conhecia esse lado dela.

Na verdade, eu conhecia sim.

-Você é amiga dela? - Ele parecia realmente interessado em minha resposta, seus olhos brilhavam.

-Não, éramos apenas colegas.

-Interessante. - Ele se virou em direção ao mural e começou a ajeitar os cartazes.

Vi mais um anúncio, era sobre uma garota desesperada a procura de um namorado que a amasse da mesma maneira que ela o amaria. As pessoas publicam cada coisa assustadora em murais, existe o tinder hoje em dia para isso. Meus olhos desceram de encontro ao rosto do atendente, ele me olhava agora. Limpou as mãos no avental e falou:

-Sabe, Lucia gostava muito daquele gato, ela chamava ele de Salem, igual o gato da Sabrina.

Eu não sabia que o gato era de Lucia, não havia sido comprovado nem nada.

-Quem é Sabrina? - perguntei inocentemente.

-É uma personagem de um seriado dos anos 90.

Silêncio. Ele me fitou esperando que eu falasse algo, senti o nó voltando aos poucos em minha garganta, não posso deixar a conversa morrer. Mas o atendente não aguentou o silêncio constrangedor e perguntou:

-Nunca assistiu Sabrina? É uma série sobre bruxas, elas moram em uma casa e tem um gato que fala, o Salem.

-Nunca assisti.

Ele sorri e olha para os cartazes colados no mural, um deles é sobre o gato. Aquele da campanha maluca do diretor. Proibido gatos e quaisquer animais de estimação dentro do campus. Estranho ele ter citado os gatos como um item a parte. Percebi que o atendente balançava a cabeça negativamente, de uma maneira sutil.

-Ficaram colando essas merdas.  - Ele olhou para o cartaz e eu também olhei. - Não é um absurdo? Uma pessoa some e eles colam cartazes. Como se fosse resolver alguma coisa.

No cartaz tinha um desenho de um gato lambendo a pata traseira e um X enorme no centro da imagem.

-Eu vi os cartazes.

Cheguei a falar com Arthur sobre os cartazes, mas ele estava muito preocupado com o jornal, a matéria que publicou hoje lhe causou grandes problemas com a diretoria. Lembro que ele me disse: Melhor não ficar questionando o porquê dos cartazes. Pode acabar descobrindo algum plano demoníaco do diretor, ele com certeza tá escondendo algo. Eu confesso que ri um pouco disso, me lembra muito Scooby-Doo.

-Esse cara, o diretor. - O atendente quase sussurrava agora. - Ele é muito estranho. Veio aqui duas vezes já.

Pensei em olhar para trás para ver se alguém estava por perto, mas senti que isso era errado de se fazer, não sou uma espiã.

-O que ele veio fazer aqui?

Ele segurou um pouco a voz, então fez um sinal para que eu o seguisse. Caminhamos entre as fileiras de livros e estantes, fomos até a sessão de filosofia e sociologia, aonde não tinha nenhum aluno fuçando nos títulos ou dormindo em algum canto. Ele deu uma última olhada nas duas direções do corredor e falou:

-Isso fica entre nós, desconhecida. - Senti vontade de rir do comentário, mas ele continuou. - Na primeira vez que veio aqui, foi para olhar o cadastro dela, queria qualquer tipo de informação. E ele veio junto com dois policiais. A segunda vez ele veio falar comigo. Dessa vez ele veio sozinho. Eu tava fechando a biblioteca, arrumando umas estantes e pegando os livros jogados. Ele ficou me encarando com aquela cara de fantasma, logo de cara tomei um susto.

-E o que ele disse?

Ele estava prestes a dizer, mas então decidiu tomar outro rumo na conversa, talvez por desconfiança, o que é obvio. Me perguntou:

-Desculpe a pergunta, mas você é do jornal da escola?

-Eu? Não.

-Não é amiga da Lucia, nem trabalha no jornal. Porque tem tanto interesse nisso?

Porque eu me importo com ela, Lucia é minha amiga. Mas eu disse:

-Eu apenas me preocupo com ela. Parece loucura, não é?

Sim Rebecca, parece loucura. Talvez eu esteja ficando louca mesmo. Meu estomago roncava alto, tão alto que o atendente pode ter ouvido. Senti minhas pálpebras pesadas.

-Acho que parece sim. - Ele me encarou seriamente. - Você tá bem?

-To sim.

-Parece pálida.

-É fome.

O atendente sorriu novamente, ele me deu muitos sorrisos. Ele olhou para o relógio que fica bem no topo do segundo andar da biblioteca, forçou a vista para enxergar os ponteiros, então olhou para mim e retirou o avental. Não sei o nome ainda.

-Deve ser isso. - Ele tirou a camiseta de dentro da calça jeans, soltou os cabelos castanhos, eles caíram sobre os ombros, ondulados e brilhosos. - Quer comer algo?

Foi um convite inesperado, mas eu realmente estava com fome. Senti vontade de dizer não, talvez pela desconfiança, mas ele depositou muita confiança em mim até agora. Então eu aceitei.

Ele tinha um gol 2008 bem conservado, estava parado no estacionamento dos funcionários perto do prédio da enfermaria. Fomos até a lanchonete mais próxima, fica a quatro quarteirões do internato.

Ele estacionou o carro do lado de fora. Atravessamos a rua e entramos na lanchonete. Já fui ali algumas vezes, normalmente depois de alguma festa que frequentei com Nicolas. O caixa já me conhece, cansou de me dar cantadas idiotas. Ele tinha cara de fumante e não parecia muito com um adolescente padrão, lembrava mais um assassino daqueles road-movies.

-O que vai comer? - perguntou o atendente da biblioteca.

-Cheeseburguer com batatas e um refrigerante grande.

-Um milk-shake, por favor. - Ele pediu.

O atendente com cara de assassino apenas assentiu e fez os pedidos pela tela do computador. Sentamos em uma mesa aos fundos, o local não estava muito cheio.

-Não vai comer nada? - perguntei para ele enquanto me ajeitava no sofá.

-Depois que assisti super size me, não consigo engolir um pedaço sequer desse troço.

Filme sensacionalista.

Ali fora do campus senti um alivio dentro do peito, parecia que eu precisava daquilo mesmo, de tomar um ar fresco e almoçar com um desconhecido.

A comida chegou. Ele tomava o milk-shake olhando pela janela e eu comia o hambúrguer tentando me sujar o menos possível, o que é quase impossível já que o cheddar sempre escorre pelo pão e cai sobre minha roupa, isso é fatal. Só que por um milagre não me sujei muito, estava a duas mordidas de acabar meu hambúrguer.

-Você acredita nas histórias que estão contando? - perguntei. Bebi um pouco de refrigerante pelo canudo.

Ele ainda olhava pela janela, e respondeu minha pergunta:

-Fala sobre as teorias bizarras? As pessoas são criativas, deveriam escrever romances policiais. Mas pra falar a verdade eu não sei se acredito, é tudo muito estranho, essa coisa de desaparecimento.

Ele desviou o olhar da janela e agora me olhava. Eu estava a apenas uma mordida de terminar meu delicioso hambúrguer. Quando terminei de mastigar, bebi mais um pouco de refrigerante e disse:

-Esse tempo todo e eu nem sei seu nome.

-Quanta falta de cordialidade. - Ele encostou o milk-shake no porta-guardanapos. - Meu nome é Pedro.

Suguei mais refrigerante e senti um arroto subindo a procura de ar fresco. Segura isso, Rebecca.

-Rebecca.

-Agora que sei seu nome e compartilhamos a mesma mesa para uma refeição, podemos confiar loucamente um no outro.

-Como nos filmes de aventura.

-Exatamente.

Nós dois rimos. Pedro já havia terminado seu milk-shake e eu já tinha dado a mordida de misericórdia em meu hambúrguer.

-Tome cuidado com quem fala Rebecca. Eu te trouxe aqui porque o diretor me proibiu de falar sobre o assunto com qualquer pessoa. Também acho estranho esse negócio todo que tá acontecendo, o diretor do nada aparece e começa a fazer perguntas sobre uma garota desaparecida. - Ele estava sério agora, a cabeça curvada para frente, sussurrando. – Ele perguntou sobre tudo, nos mínimos detalhes, queria saber de qualquer merda. Eu por acaso tenho a porra de uma bola de cristal? Ele procurou a pessoa errada, eu só a conhecia ali na biblioteca, não ficava reparando no que ela fazia, em quantas vezes ia ao banheiro, puta merda.

Pedro olhou para trás, o atendente assassino olhava diretamente para mim. Idiota. Continuei a prestar atenção em Pedro, ele aproximou um pouco mais a cabeça de mim.

-Vou te contar algo, mas prometa que não sai daqui.

-Eu prometo.

-Eu sou mesmo um idiota, conto as coisas para primeira pessoa que aparece na minha frente. - Ele balançou a cabeça e sorriu, senti uma pontada de incomodo com essa frase. – Semana passada, no mesmo dia que o gato apareceu morto, eu tinha acabado de fechar a biblioteca, era tarde, quase noite. Eu fui até o saguão pronto para ir embora, mas então senti uma vontade fóda de mijar. - Pedro abriu a boca hesitante como se tivesse falado um palavrão, revirou os olhos e continuou. – Vontade de fazer xixi. Então fui ao banheiro do primeiro andar, aquele perto do laboratório de química. Tava escuro e o faxineiro tinha terminado o expediente. Entrei no banheiro e fui direto a uma das cabines, não gosto de usar o mictório, acho meio estranho mijar, quer dizer, fazer xixi ao lado de outros caras. Na hora que fechei a porta da cabine ouvi a porta do banheiro se abrir, foi tipo com tudo. Escutei dois caras conversando, eles tavam bem excitados, frenéticos, falavam de coisas sem sentido nenhum, peguei a conversa fora de contexto também. Eu os ouvi falando do gato, Salem. Eles ligaram a torneira e escutei o barulho de metal. Um deles não parava de falar sobre como aquilo ia dar merda. Eu tava cagado de medo, eles deveriam ter uma arma ou algo do tipo.

Senti meus pelos da nuca se arrepiarem, minhas mãos suavam e o hambúrguer parecia prontíssimo a se espalhar pelo chão da lanchonete.

-Você não viu o rosto deles? Não tentou tirar uma foto ou algo do tipo?

-Tá maluca? Eles iam acabar comigo! Eu esperei eles irem embora, então esperei por mais uns cinco minutos e deixei a cabine, fui até a pia e vi sangue lá, tinha um rastro de sangue. Eu segui o rastro.

Meu coração palpitava. Meu corpo estava frio como metal congelado.

-E então? - Engoli seco, não sentia saliva nenhuma.

-Então eu fui embora. Como disse, era arriscado demais, eles deviam estar armados.

-Porque não chamou a polícia?

Pedro hesitou, ele voltou a olhar para a janela, olhou para trás, para frente, para os lados, coçou os cabelos.

-Não quero me envolver nisso.

Percebi então que ele estava com medo, parecia arrependido de ter me contado essa história.

-Fica tranquilo, não vou contar para ninguém.

Ele assentiu.

Quando deitei para dormir aquela noite, percebi que meu coração ainda estava acelerado. O que vai acontecer daqui para frente?

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Olá meus queridos e queridas, tudo bem com vocês? =) 


Esse capítulo foi mais leve, não acharam? É só para preparar vocês para o que vem a seguir.  Não se esqueçam de votar e comentar, por favor.  Esse gato está trabalhando duro para poder responder todos os comentários que estou recebendo e ele só recebe o salário por meio da quantidade de votos que cada capítulo recebe, então melhor ajudarem o pobre animal a sustentar seus filhotes.

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Aliás, queria agradecer a todos que estão acompanhando a história, já passou dos mil views e no momento que estou publicando esse capítulo, alcançou a posição número 19 no ranking de Mistério/Suspense. Estou muito feliz com isso e o objetivo é crescer cada vez mais!


Até a próxima! 

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