Nós chegamos em um pátio e paramos as motos. Desci da garupa e resolvi sentar em um dos bancos da praça.
A gente não era muito normal, isso eu podia afirmar. Era uma da manhã e estávamos sentados no banco da praça com uma arma na mão querendo achar o irmão gêmeo maluco de Lucca.
- Gente. - diz Lucca e senta ao lado meu e do meu irmão. - Me desculpem... Sinceramente. Eu meti vocês nessa roubada.
- Que isso Lucca? Nós que quisemos lhe ajudar. - falo.
- Pois é cara. E também. Seu irmão levou meu vídeo game e eu quero ele de volta. - diz Jack.
- Vocês podem ir pra casa, vou dar um jeito no Lucas e pego seu vídeo game de volta. No máximo amanhã te devolvo. - fala Lucca ele parecia estar meio abatido mas não estragava sua simpatia radiante.
- Não mesmo. A gente vai te ajudar. - falo.
- É mano. Estamos juntos nessa. E nem adianta falar que não precisa porque precisa sim. - fala Jack e bate nas costas de Lucca em um gesto de amizade.
Eu nunca tinha percebido como Jack podia ser legal quando ele se esforçava.
Aquilo tudo foi muita loucura.
Lucca se afastou para avisar a mãe onde as meninas estavam e o que havia acontecido. Nesse tempo meu irmão se virou para mim.
- Obrigado Hazel... Você salvou a minha vida hoje. - ele disse e olhou para minha boca. - Sua boca ta sangrando um pouco ainda... Tá doendo muito?
- Não, nem ta doendo. - falei e dei um sorriso.
Ele deu um pequeno sorriso e me abraçou, ficamos um tempo abraçados, esses momentos assim, eram quase impossíveis de acontecer.
Até que Lucca chegou.
- Gente se vocês não quiserem encontrar o... - diz ele e eu o interrompo.
- Nós vamos. - digo.
Nos levantamos e começamos a andar até a moto.
- Gente. - fala Jack e olhamos pra ele. - Não queria estragar o momento filme de ação mas e essa arma. Ninguém aqui tem direito a porte de arma tem?
Eu e Lucca se olhamos.
- Eu não posso deixar a arma aqui. - fala Lucca. - Vamos levar caso algo aconteça...
- Lucca...Nāo vamos matar ninguém. - falo.
- Oh louco! O cara ta doidão mesmo! - diz Jack. - Vai sair tacando tiro em geral.
Lucca o olha e depois me olha.
- Só vou ameaçar. - diz Lucca e sorri pra mim.
Eu sorrio meio sem saber o que falar.
- E eu vou vo-mi-tar. - diz Jack e entra no nosso meio. - Vamos logo.
Nós percorremos aquele bairro inteiro a procura de Lucas, Lucca ficava cada vez mais preocupado, mesmo não dizendo.
- Olha aquela mulher... Eu já vi ela em algum lugar. - falo quando vejo uma senhora parada no ponto de ônibus.
Paramos as motos lá perto da senhora (dessa vez eu dirigi). Ela nos encarou com seus olhos cinzentos e sorriu.
- Problemas crianças? -diz, seus dentes eram um pouco tortos, mas nada que incomodasse a visão de um rosto enrugado porém misterioso.
- Boa noite... - falo. - Por acaso você viu um menino que é bem igual esse aqui.
- Ah gêmeos! Caso de família, vai com calma com seu irmão... Ele pode vir a causar problemas.- diz a mulher me fazendo ficar com medo.
- Você o viu? - diz Lucca um pouco impaciente.
- Foi por ali seu gêmeo... - diz e aponta com seu dedo ossudo na direção.
Agradecemos e subimos nas motos novamente, nós viramos à direita e ficamos mais algum tempo, naquela escuridão, a rua mal iluminada e silenciosa.
Até que enfim conseguimos visualizar Lucas saindo de um prédio que parecia abandonado, tão velho e acabado.
Ele parecia sério.
Nós fomos com a moto até ele e paramos na sua frente o assustando.
- Ou! Você quer me matar filho da... - ia dizendo ele até que percebe quem somos. - Ah.
Ele fica olhando para nós.
- Acho que já perceberam que não sou o amiguinho de vocês né? - diz Lucas e da um sorriso irônico.
- Lucas por que você fez... - ia dizendo Lucca.
- Você sabe que meu nome é Maxon por que insiste em me chamar pelo meu primeito nome? - diz ele. - Por que fica mais parecido com você?
- Desculpa... Maxon. Por que você está fazendo isso? - fala Lucca.
Maxon suspira, não parecia querer dar explicações, da um sorrisinho de lado, e um olhar que estava me dando um pavor naquele escuro.
Me ajuda Deus.
- Eu me ferrei ta legal? Eu não sou Lucca. O filho perfeito que sabe jogar futebol americano muito bem. - diz Maxon Lucas.- Sou só Maxon, o filho que ninguém sabia que existia.
Maxon gargalha irônico, dava medo, dó, surpresa.
- Se é sobre isso ainda, saiba que a mamãe não tem nenhuma preferência. - diz Lucca.
- Não só ela como nosso pai né? - diz Maxon. Ele usava calça preta e blusa preta.
-Quem são aqueles caras? - diz Lucca.
- Ah, vocês se encontraram com ele? - diz Maxon.
- Sim. - falo.
- São meus amigos. O Castiel deve ter gostado de você. Ele tem queda por ruivas. - fala Maxon ou Lucas sei lá. - Olha. Não vou mentir, por você até eu tenho...
- Cala a boca! - falamos eu, meu irmão e Lucca juntos em sincronia.
- Ah que lindos. Coro Infanto Juvenil? - fala Maxon.
- Sim. - digo. Pera... o que?
- Tá se achando muito engraçado Lucas... - diz Lucca.
- É Maxon que droga, é difícil para as pessoas me chamarem pelo meu segundo nome? - diz Maxon. Então o nome dele era Lucas Maxon... Como seria o de Lucca?
- Ou! - chamou Jack assustando todos, principalmente Maxon. - Cadê meu vídeo game?
- Eu vendi. - fala Maxon como se nada tivesse acontecido.
- VOCÊ O QUE!? EU VOU TE MATAR SEU DESGRA... - ia dizendo Jack, mas eu tive que o segurar e o jogar no chão pra ele não bater em Maxon.
- Você não devia ter feito isso... Você sabe quais são as consequências mano... -ia dizendo Lucca.
- Mano? Nem meu irmão você pode ser. Só porque a gente tem o mesmo sangue não quer dizer que... - ia dizendo Maxon.
- Isso é só uma expressão. - falo sem paciência.
-Ata. - diz ele. - Eu sabia disso mas ele não tem direito de me chamar de mano.
- Então... Maxon. Por que fez isso? - diz Lucca. - Por que pegou esse dinheiro emprestado, roubou o vídeo game do Jack?
Ouço Jack tossir por querer, e olho pra ele com um olhar mortal.
- Eu precisava da grana. - diz ele.
- Pra que? Droga? - fala Lucca. - Porque se for isso vamos...
- Não é droga. - diz Maxon e resolve abrir o jogo, suspira. - Eu queria viajar, sair daqui e desaparecer.
- Por que não disse isso pra mamãe? - fala Lucca.
- Porque ela ia querer que eu voltasse para aquela clínica de gente doida... Aquilo parece manicômio. - diz Maxon.
- É só um Centro de recuperação... - diz Lucca. - Depois do que você fez achei mais que justo...
- Porque você não é o filho que foi pra lá. É um lugar horrível, cheiro de gente doente. Tudo esquisito. Eu não posso mais ir em festas... Nem ter amigos normais, enquanto você está aqui, festas... Gatas... - Maxon aponta pra mim. - Eu não tenho nada. E por isso eu peço que não interfiram.
- Você sabe que está bem longe de conseguir todo dinheiro pra uma boa viagem ne? - diz Lucca. - E como vai pagar aqueles caras, eles tem arma.
- Eu não vou pagar. Assim que conseguir o dinheiro, vou sair fora daqui e pronto. - diz Maxon e sorri. - Se você quiser te levo comigo.
Ele olha pra mim e eu fecho a cara.
- Não mexe com minha irmã. - fala Jack. -Olha aqui cara. DUAS PALAVRAS: VÍDEO GAME
- Duas palavras: Não, já vendi. - fala Maxon.
- São três palavras. - falo.
- Que seja tudo a mesma coisa! - diz ele.
- Três são três. Dois são dois. São coisas diferentes. Nesse ponto concordo com a lontra. - diz Jack.
- Ah viu!? - grita ele nos assustando. - Vocês sempre são os melhores, e Maxon o burro.
- Ninguém precisa ser inteligente pra saber isso. - falo.
- Lu... Quero dizer:Maxon. Por favor para com essa ideia louca, você sabe o prejuízo que iria causar aqui, esses caras iam ir lá em casa pegar esse dinheiro. - diz Lucca.
- Olha irmão. - diz Maxon e sorri. - Me desculpa mas... O problema é seu. Eu sempre fui o filho mais odiado, minha mãe sempre teve muito dinheiro e nunca dava um real para mim. Acho que chegou a hora de eu construir minha vida fora daquele lugar.
- Você pode construir conosco. Pode sei lá, morar lá em casa de novo. - fala Lucca.
- Como se nossos pais fossem aceitar. Da um tempo Lucca, eu vou ir embora hoje tá bem? - diz Maxon. - Eu não quero ficar nem mais um minuto nessa cidade que me odeia.
- Maxon... - diz Lucca enquanto seu irmão se afastava.
- Se você quiser vir comigo da tempo. Quer vir? - fala ele pra mim e ri.
Ele vai embora rápido e a gente nem vê mais.
- Ele foi mesmo... - diz Lucca.
- Sinto muito Lucca, deixa ele, talvez a vida dele melhorará em outro país conhecendo amigos novos... - falo.
- Torço que sim. Apesar de ele ser desse jeito eu o amo muito sabe? E aquilo que ele disse...Era verdade meus pais sempre gostaram mais de mim. - fala Lucca e abaixa a cabeça.
- Meu vídeo game! - exclama Jack triste. - Droga.
Nós vamos embora.
Chego na frente de nossa casa e desmonto da moto, vejo Jack fazendo o mesmo, Lucca apenas tira o capacete.
- Obrigado pessoal, vocês me ajudaram muito hoje... Sei que foi um pouco louco, mas obrigado. - diz Lucca e da um sorriso.
- De nada conta com a gente. - falo.
- Nem sei como posso agradecer vocês... - disse Lucca.
- Não precisa... - Eu ia dizendo.
- NÃO PRECISA!? - grita Jack assustando a mim e a Lucca.- Eu quero um vídeo game novo POR FAVOR.
- Jack! - chamo a atenção do meu irmão.
- Cara. - diz Lucca. - Eu tenho dois PlayStation 4 lá em casa eu te arrumo um tá?
- ISSO valeu cara. - diz Jack feliz. - Te amo você é um cara bacana, sempre torci para seu sucesso.
- Vou lá boa noite pra vocês. - diz Lucca. - Ah gente! Amanhã vocês podem ir na festa tá? Vai bombar.
Nós entramos pra nossa casa, tomei um banho e caí na cama, eu hibernei.
Olá gente como 6 tão?
Eu to bem *-*
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