Menina, maré.

By oiayraa

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Estar perdida nem sempre é sinônimo de adolescência. A vida fica um pouquinho mais difícil quando temos que... More

prólogo
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observação!!!
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By oiayraa

você está linda, filha.

            dou um sorriso diante do resultado em frente ao espelho. minha mãe e eu havíamos passado a tarde inteira me arrumando para o baile da minha escola que começava as 22h.

            o meu vestido era branco, acinturado e rodado. era tomara-que-caia e o decote favorecia o pouco de peito que eu tinha. hidratei os cabelos naquele dia, raspei a perna e fiz as unhas. em nenhum momento parei de pensar em como seria se Alice estivesse ali. teria sido a nossa tarde...

eu sentia falta dela.

            — seu pai vai levar você até à escola. — minha mãe diz. — se divirta, docinho! sorria bastante e tire fotos...

            concordo com um sorriso no rosto e saio pela porta de casa. no caminho, vejo que Lucas havia me mandado mensagem.

            Lucas: "você vai estar em casa que horas?" 

            Lucas: "droga, o baile é hoje, né?"

            Lucas: "eu preciso ver você, Amora."

            marco as mensagens como não lidas e guardo o celular no bojo do vestido. eu o amava, mas eu não podia arruinar a minha noite.

            — boa festa, querida. — meu pai diz, quando estacionamos em frente à minha escola.

            fico parada dentro do carro por um tempo, olhando pela janela as meninas com seus pares, todas princesinhas.

            — estou com medo pai. quero ir para casa. não foi uma boa ideia...

            — o que foi, querida? você não pode voltar agora. você está fantástica!

            dou um sorriso para ele.

            — quer que eu entre com você? — ele pergunta.

            olho para ele e vejo que estava me analisando. assenti com a cabeça.

      
meu pai deu a volta no carro e abriu a minha porta. antes de descer, olho para ele, apavorizada.

            — você consegue. — ele diz, baixinho.

            seguro na mão dele e entro pela porta do ginásio.

            Marcelo estava em uma mesa com os meninos. (Benjamin, Rafael e Miguel.) quando perceberam a minha expressão perdida, todos voltaram os pescoços para mim. incluindo o Rafa.

            quando percebi, o ginásio inteiro estava me olhando.

            — por favor, me diga que eles estão olhando para você, pai. — cochicho.

            meu pai da uma risadinha e beija a minha testa.

            — fique tranquila e aproveite a festa, xuxuzinho. o pai já vai.

            — okay, pai. eu amo você.

            ele da uma piscadinha e sai pela porta de trás do ginásio, me deixando sozinha com os olhares pesados em cima de mim.

            aceno para o Marcelo e ele sorri, me chamando para sentar com eles.

            — você está maravilhosa. — ele diz, quando me vê de perto.

            balanço a cabeça.

            — nem me diga...

            ele da uma gargalhada.

            — ahhhh, você viu como as pessoas estavam te olhando?

            — estavam olhando para o meu pai. ele estava um gato. — brinco.

            — ah, claro.

            damos uma gargalhada.

            — onde está Lorena? — pergunto.

            — em algum lugar com a Alice. — ele responde.

            ele percebe minha indiferença ao falar o nome da Alice.

            — ah, okay. — respondo.

            — vocês ainda estão assim? 

            dou de ombros.

            — pelo jeito...

            ele concorda com a cabeça. dou uma olhada na mesa. percebo que Rafael estava me olhando pelo canto do olho.

            — acho que vou dançar, Marcelo. — digo.

            tudo para sair dali!!!

          
eu dancei uma. duas. cinco. quinze músicas. já não sentia meus pés.

            no meio da festa, acabo trombando com o Benjamin.

            — Ben!!! — falo, e o abraço.

            — como você está bonita, menina! — ele fala. — veio com quem?

            abro os braços diante do nada para enfatizar uma demonstração.

            — vim sozinha.

            ele arregala os olhos, incrédulo.

            — convite foi o que não faltou, não é? — ele provoca.

            — foram até poucos. faltaram opções.

            — de maneiras para se dizer um não? — ele fala.

            dou uma risada e percebo que Alice estava nos observando na mesa detrás. dou um pequeno sorriso para ela, o qual ela, incrivelmente, retribui e desvia o olhar.

            — Ben, eu tenho que ir agora.

            — mas já? eles ainda nem nomearam o rei e rainha do baile.

            — bom, de qualquer modo o meu nome não ia estar lá. e eu estou cansada já...

            ele concorda.

            — okay, morena. foi bom te ver. segunda feira eu te conto tudo...

saio pelas portas do fundo do ginásio, com os sapatos nas mãos. era uma noite de lua cheia. o céu estava bonito...

            meu celular vibra no bojo do meu vestido. atendo a ligação. era o Lucas.

            — oi, Lucas.

            — você está linda com esse vestido.

            sinto meu rosto queimar.

            — como assim? — pergunto, já sorrindo.

            — pode olhar por trás dessa moita... não, pelo outro lado... ahhh, isso... isso.

            encontro o olhar dele, a poucos metros de distância de mim.

            — oi, minha menina. já pode vir me abraçar. — ele fala, ainda na ligação.

            enxugo algumas lágrimas e corro na direção dele.

            Lucas me pega no colo e me rodopia pelo jardim da minha escola. sinto algumas lágrimas e não as seguro. eu estava com saudades dele...

            — como você sabia onde eu estava? Lucas, já são quase 2 horas da madrugada...

            ele sorri.

            — fiquei sabendo que havia uma princesa solitária nesse baile. — ele fala.

            dou um sorriso.

            — eu fui na sua casa, sua mãe me disse que você já estava aqui. então eu vim.

            aperto ele com mais força.

            — coloquei esse terno horroroso que estava no fundo do meu armário e comprei girassóis para você. — ele indica um canteiro do jardim, onde estava o buquê mais lindo que eu já vi.

            levo as mãos à boca, maravilhada.

            — Lucas, eu te amo tanto!!!

            ele me agarra e me beija, tirando meus pés do chão.

        
beijar é bom, mas beijar com saudades... é incrível

            — eu não quero mais esconder nada de você, Amora. eu quero você. quero você de verdade e vim aqui pra te contar tudo. 

            — então me conta, meu amor. eu também quero você, mais que tudo...

            de repente, a expressão no rosto dele era preocupada.

            Lucas me colocou sentada no canteiro, ao lado do buquê. o qual agarrei logo que pude, feliz da vida.

            — Ayra, preciso que ouça tudo com carinho. tirando os meus pais, você será a primeira a saber de toda a verdade... então, peço que considere isso, por favor.

            concordo com a cabeça.

            — eu estou doente. — ele fala. — é por isso que me ausentei dos nossos passeios nos últimos sábados... é por isso que andei distante de você.

            — doente? como? — pergunto.

            Lucas olha para baixo, com um olhar triste, acariciando a palma das minhas mãos.

            — Lucas? — chamo, fazendo com que preste a atenção em mim.

            — eu estou morrendo, Ayra.


                         >>>>>> continua

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