Os Doze Dons Do Sol

By MylyhGrace08

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Doze crianças nasceram especiais. As crianças zodiacas. Uma para cada signo, planeta e constelação. Duas dela... More

Prólogo
Parte Um
Capítulo I : Treinando para as próximas Olimpíadas.
Capítulo II: Fugimos da Área mais restrita e segura dos EUA...Ops!
Capítulo III: Começamos a ser rebeldes...
Capítulo IV: Rumo ao Centro da Terra? Ainda não! Primeiro vamos para NY!
Capítulo V :Uma estranha nos oferece uma ajuda
Capítulo VI: Gê estava certo e eu odeio falar isso!
Capítulo VII: Viramos Criminosos e Ótimos Cirurgiãos
Capítulo VIII: Uma madrugada para conversar.
Capítulo IX: A guia vem me visitar no dia de fazer compras
Capítulo X: Somos imãs, por que não?
Capítulo XI: Paramos na Espanha e me apresentam a tourada!
Capítulo XII: Alguém nos esperava
Capítulo XIII: Perdemos o tênis do Sam!
Capítulo XIV: Meu primeiro blecaute fora da A-51
Capítulo XV: Não encoste nela!!!
Capítulo XVI: Agora, somos oito!
Capítulo XVII: Oui, rumo à Paris!
Capítulo XVIII: Um acerto de contas
Capítulo XIX: Alérgica a parentes
Capítulo XX: Às vezes, as coisas dão certo ( para minha sorte)!
Capítulo XXI: Meu Lado reflexivo.
Capítulo XXII: Nessa longa estrada da China, vou caminhando!
Capítulo XXIII: Namastê, Buda!
Capítulo XXIV: O dia que eu tentei matar o Gê.
Capítulo XXV: O Bebê da A-51.
Capítulo XXVI:A A-51 ainda nos procura
Capítulo XXVII: Amazonas e suas grandezas.
Capítulo XXVIII: Lar, doce (e com muitas cobras) lar!
Parte dois
Capítulo XXIX: Nosso dia (super) normal e a proposta de viagem.
Capítulo XXX: Conheço meu inimigo...
Capítulo XXXI: Não é que a vaca foi pro brejo?!
Capítulo XXXIII: Aprendo a diferença entre doutores bons e maus.
Capítulo XXXIV: Não acredito que mentiram para mim!
Capítulo XXXV: Uma viagem em família.
Capítulo XXXVI: Família, voltei!
Capítulo XXXVII: Estão tentando me deixar louca!
Capítulo XXXVIII: O que faço?
Capítulo XXXIX: Esclarecendo as coisas.
Capítulo XL: Isso é uma loucura?
Capítulo XLI: Meu plano não era tão ruim, afinal.
Capítulo XLII: Fizemos um tour pela a A-51
Capítulo XLIII: A decisão final (ou quase isso)
Capítulo XLIV: Isso não é para sempre. Não é um Adeus!
Capítulo XLV: A Energia se foi.
Capítulo XLVI: O Reencontro
Capítulo XLVII: Preciso voltar para casa.
XLVIII: Quem eu realmente era.
Capítulo XLIX: Acerto de contas
Capítulo L: Começo da revanche
Capítulo LI: Eu...sou má?
Capítulo LII: Fria como a neve.
Capítulo LIII: A verdade nua e crua.
Capítulo LIV: Chegou a hora
LV: Por que existimos? Qual é o nosso propósito na Terra?
LVI: Rumo ao conhecimento!
LVII: Uma atitude realmente vale mais que palavras?
LVIII: Eureka
LIX: A grande luta.
LX: Rumo ao hospital
LXI: O fim ou o começo de tudo?
Agradecimentos

Capítulo XXXII: Realmente, retornar ao Setor H era uma droga.

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By MylyhGrace08

Quando finalmente tomei a consciência, sentia que as coisas não estavam favoráveis para mim. Primeiro, eu estava deitada em um lugar muito duro e frio. Segundo, eu sentia que meu corpo estava totalmente adormecido e me sentia uma gelatina ambulante. Se minha vida dependesse da minha força, naquele momento eu morreria.

Abri os olhos devagar, adaptando-me a claridade do lugar. Sentei e olhei em volta, observando onde estava. As paredes eram cinzas claro e não tinha uma janela para entrar ar puro. Em cada canto do cômodo, havia uma câmera. Bem na minha frente, havia uma cama de alumínio que estava perfeitamente arrumada com forros brancos e algo dobrado em cima. Olhei para a direita e vi uma porta de vidro, com uma trinca e um painel eletrônico ao lado. Suspirei e olhei na direção oposta, vendo outra porta: um banheiro totalmente branco. Conhecia tão bem o lugar que nem precisava olhar para trás para saber que havia uma passagem celada com fortes grandes. Mesmo assim olhei e deparei com um quarto vazio e totalmente escuro. Tremi, sentindo um arrepio subir pelas minhas costas e se dissipar pelos braços.

Respirei fundo e levantei, incrédula. Eu não acreditava que estava ali novamente. Aquilo parecia ser tão triste, cruel. Um gosto amargo se tornou presente na minha boca e uma única lágrima caiu de meus olhos, escorrendo pela bochecha. Eu não queria estar ali. Poderia estar em qualquer outro lugar, menos ali. Agora que tinha vivido e visto o mundo, sabia como o setor H era sem vida e solitário para uma pessoa. Estar ali fazia qualquer um ficar extremamente triste e sem motivação para continuar. Posso até dizer que impulsionava a pessoa para a depressão.

Balancei a cabeça e limpei a lágrima, respirando fundo. Eu estava ali por escolha própria e tinha um bom motivo. Lá no fundo, sabia que não seria fácil viver ali novamente, mas eu aguentaria se fosse para o bem da minha família. Parei de frente a cama e olhei o que estava dobrado. Era uma muda de roupa branca. Tinha de tudo: uma calça longa, camisa, calcinha e um top. Observei minhas roupas e vi que estava imunda. Estava suja de poeira, ainda úmida e com alguns furos dos dardos que levei.

Bufei, pegando a roupa e indo ao banheiro. Era impressionante como tudo era do jeito que eu me lembrava. Já estava ali. Não ia me fazer mal se tomasse um banho e trocasse de roupa. Estar suja me agoniava. Deixei a roupa em cima da pia e observei o local. Vi uma toalha branca perto do box e alguns produtos estavam disponíveis para mim. Livre-me das minhas roupas cheias de cores e sujeira, entrando no box. Tomei um banho demorado, sentindo que depois que saísse dali, não teria nada para se fazer. Após um bom banho, vesti-me com as roupas novas e limpas. Caminhei até o espelho e penteei meu cabelo, deixando as madeixas longas sobre o branco. Era admirável ver como o tom avermelhado combinava com a cor parda da minha pele e meus olhos totalmente escuros. Olhando-me no espelho, lembrei de fazer aquela rotina anterior, vendo meu reflexo moreno e não ruivo.

- O bom filho a casa torna. - falei, triste.

Sai do banheiro e sentei no chão ao lado da porta. Não tinha ânimo ou força para poder fugir, mas me senti melhor só por estar perto da saída daquela cela. Suspirei e encostei minha cabeça na parede, fechando os olhos.

- Então, você saiu para dar um passeio...- escutei uma voz masculina falar.

Abri os olhos e olhei em volta, procurando pela pessoa.
- Só fui tomar um ar puro. - respondi, tentando ver de onde a voz vinha.

Escutei uma risada e percebi que a voz vinha de fora da cela.
- Percebi. É bom ver que alguém nesse lugar tem um pouco de senso de humor. - confessou ele.
- Por aqui, ninguém nunca conversa. Sempre foi assim. Os doutores não são de muito papo. É novo aqui? - perguntei.
- Fui transferido hoje. Estava em outro setor. Sabe aquele setor responsável pelo armamento?
- Sei. Eu testava as armas.
- Então, eu vim de lá. Lembro-me de você testando algumas coisas.
- Desculpe-me, mas não me lembro de você.
- Você só está ouvindo minha voz e não tivemos a oportunidade de conversar antes.
- São raras as pessoas com quem já falei nesse setor. E o que está fazendo aqui?
- No momento, olhando a parede cinza a minha frente. Fui designado a garantir que não saia daí ou tente. Sinto muito.
- Sem problemas. Eu já esperava por isso.
- Ei, guarda, não fale com ela! - advertiu-o uma terceira pessoa.

Então, escutei alguém digitando a senha para abrir minha porta e levantei-me. Era apenas outro doutor com cara feia. Ele colocou uma bandeja com comida em cima da minha cama e se virou para mim:
- Em uma hora você será levada para a sala de treinamento. Coma e se prepara. - afirmou ele.
- Não tenho como cuidar o tempo sem um relógio. - retruquei, arqueando as sobrancelhas.

Vi a surpresa em seus olhos. Aposto que não esperava que o respondesse. Logo em seguida, ele fechou a cara e falou:
- Então, coma e espere. - e saiu, fechando a porta.

Neguei com a cabeça.
- Que cara chato! - falou o guarda.
- Ele pediu para não falar comigo. Não vai obedecer? - questionei.
- Eles dizem o que tenho que fazer, não com quem tenho que falar. Percebi que todo mundo aqui tem um certo medo de você e a tratam diferente. O que você fez para estar nessa situação? Qual crime?

Olhei para frente, sentindo uma onda de tristeza me invadir.
- O pior dos crimes: nasci especial. Para todos aqui, nem sou humana. - respondi, olhando minha bandeja. Tinha uma boa porção de comida: arroz, salada e um bife de frango. Do lado tinha uma torrada e uma maçã. Para acompanhar, um copo de suco.
- E você é? Digo, humana? - perguntou novamente.

Senti-me no chão e arrumei a comida para poder comer.
- Passei tanto tempo aqui, que chegava a pensar como eles e acreditava que era um ser, mas não humano. O tempo que passei fora me fez percebe que não tem como ser mais humana quanto já sou. Tenho ossos e sangue. Possuo sentimentos, inteligência e qualquer coisa que você ou eles podem sentir. Sou diferente, mas não o suficiente para ser tratada assim, como um alienígena. - respondi, dando a primeira colherada.
- Acabei de perceber que tenho um dos piores trabalhos do mundo... - retrucou o guarda.

Engoli a comida da minha boca e perguntei:
- Hum? Como assim?
- Era para eu estar lá fora, lutando contra os vilões e não aqui, vigiando uma inocente. Já parou para pensar em como tudo isso é triste?
- Penso nisso desde o segundo em que acordei.

O guarda não falou mais nada e aproveitei para terminar de comer. Quando estava brincando com as sementes da maçã, escutei passos no corretor. Recolhi a bandeja do chão e preparei-me para quem quer que fosse. A porta se abriu e o Dr. Estevan passou por ela. Respirei fundo, sentindo uma raiva enorme.

- Vejo que já está bem e podemos continuar esse projeto. Sabe bem o porquê de estar aqui. Você é um monstro que nós, do governo, temos que ficar de olho. É um ser abominável. - falou ele.
- Olha quem fala.- retruquei.
- Você está achando que pode dirigir a palavra a alguém como eu? Eu sou uma pessoa importante aqui dentro. Mando em tudo. - afirmou ele, jogando uma caixa na minha cama.
- Então por que está aqui, dando-me essa apresentação ridícula? A visita de qualquer outro doutor seria melhor que a sua. Você pode ser alguém, mas estou aqui a mais tempo e por um bom motivo. Não queira descobri-lo. - alertei-o.
- Suas palavras não me causam medo. Não significam nada para mim assim como você. Não é uma celebridade como as outras pessoas cegas desse setor acham que é. Para mim, você não passa de mais um projeto que em qualquer hora vai acabar e me dar paz. - falou ele, seco.

Não sei dizer como cheguei tão perto dele e com a bandeja nas mãos, empurrei contra seu peito.

- Já conheci pessoas más, mas como você... estou realmente decepcionada. Saia da minha cela!- ordenei.
- Você não pode ord...- começou a dizer, mas foi interrompido com o chute que dei na bandeja, empurrando com uma força enorme.

O Dr. Estevan bateu contra a parede do corredor e caiu no chão. Ele levantou do chão com dificuldade. Eu estava com tanta raiva que joguei o prato, copo e talheres em sua volta. O garfo ficou preso na parede enquanto o restante havia debulhado ao seu redor.

Bufando, falei:
- Não sou alguém que deveria provocar. Da próxima vez que nos virmos, não fale comigo ou me dirija o olhar ou outras coisas sairão quebrados e não serão os objetos. Mova um dedo na minha direção e prometo que nosso encontro não será amistoso. - afirmei, quase grunhindo.

Vi ele levantar e me olhar por uma última vez antes de trancar a porta e ir embora. Eu odiava ser daquele jeito, forçar e dar ênfase no meu dom, mas aquele homem... Ele me tirava do sério; do racional. Ele despertava o pior em mim e gostaria muito de poder bater nele até minha raiva passar. Fiquei triste e nem foi por causa de suas palavras, mas por ter sido alguém violento. Eu não era daquele jeito. Não era o monstro que falara, mas naquele momento fui alguém que não gostei de ser, de ver ou ouvir.

Sentei na cama e olhei para o chão, segurando os dedos das mãos. Não demorou muito tempo para outro doutor voltar. Ele parou de frente a porta e antes de digitar a senha, ele olhou para o lado e disse:
- Sei que anda falando com o Projeto Touro, mas para o seu próprio bem, recomendo que isso não se repita. São regras do setor. - falou ele, como se eu não tivesse ali.

Aquilo também me magoou, mas eu tinha que ser forte até arrumar uma oportunidade de sair dali. O doutor digitou a senha e entrou.

- Coloque o conteúdo da caixa e siga-me. - orientou-me.

Sem dar muita importância, obedeci. Reparei que o que tinha dentro da caixa era um bracelete metálico com uma tela pequena preta. Apertei o botão do lado e o vi ligar. Sem muita vontade, caminhei até o doutor e sem trocarmos uma palavra, ele me orientou pelo setor. Mesmo som de máquinas, mesmas pessoas de branco, mesmos dias que desperdiçavam minha vida. Eu não queria que minha família se arriscasse, mas ao mesmo tempo queria que meus amigos me tirasse dali. Pensei que morrer ali seria a pior coisa para alguém; para mim.

Estava tão perdida nos meus pensamentos que não reparei que havíamos chegado na sala de treinamento. O doutor olhou em sua prancheta e disse:
- Essa é a sua nova sala de treinamento. O bracelete que está usando serve para enviar informações em tempo real para o sistema. Não o tire até tudo ter acabado. No canto superior da sala, tem um vidro. Estaremos ali, avaliando. - afirmou ele.

Apenas assenti. O doutor abriu a porta e deu passagem para mim. Estava impressionada com a dimensão da sala. Tinha muitos equipamentos. Tinha uma esteira, pesos, uma corda que ia até o teto. Também tinha uma pista para correr, uma quadra de basquete e uma bola. Tinha sacos para pancada e uma piscina bem grande. Na parede a minha frente tinha uma programação e a palavras " Corrida", "box" e "esteira" estavam marcadas. Acho que era minhas atividades do dia. Lembro do dia que haviam me comunicado sobre aquela sala e como eu havia achado incrível. Agora, eu só queria voltar para minha cela e ficar lá quieta por anos. Contudo, eu sentia que eles não me deixariam em paz.

- Pode começar. - disse uma voz no alto-falante.

Eu não queria e não ia fazer. De repente, tive a ideia mais insana da minha vida. Peguei os tênis que estavam na pista e joguei dentro da piscina. Observei-os afundar. Sorri, achando aquilo engraçado. Peguei os pesos e repeti o processo, jogando um a um. Com meu dom ativado, puxei a corda do teto e senti pedaços do material cair em minha volta. Sem me importar, joguei a corda também. Eu sabia que isso irritaria todos naquela sala, mas continuava a jogar tudo dentro da piscina. Foi a bola, a tabela da cesta, os sacos de pancada e até a esteira para dentro da piscina. Por último, tirei o tal bracelete joguei também.

- Tre-eino finalizado por hoje. - anunciou a voz.

Sorri com a vitória e me dirigi a porta, esperando-a ser aberta para sair. O doutor que me buscara, foi o mesmo que me levou de volta cela. Eu achei que poderia estar bravo, mas a pessoa que me deparei estava sem expressão. Assim que ele digitou a senha, desabei na minha cama, desativando minha marca. Lembro de passar pelo corredor e ver o guarda que troquei algumas palavras. Ele realmente parecia jovem. Estava sentado em uma cadeira, brincando com o crachá em seu pescoço. Mesmo sentado, eu poderia apostar que era maior que eu. Tinha cabelos castanhos claro um pouco bagunçados e caiam sobre seus olhos escuros; rosto era redondo e claro, com bochechas fartas. Parecia uma boa pessoa, mas que infelizmente estava condenado àquele serviço.

Estava quase cochilando, quando voltou a falar.
- Terminou rápido. - confessou ele.
- Na verdade, eu destruí a sala. Eles não tiveram outra opção a não ser me mandar de volta.- respondi, acomodando-me melhor na cama. - Irei dormir. Assim, não prejudico seu serviço e minha sobrevivência nesse local.
- Tudo bem. - e fez silêncio.

Eu estava tão angustiada que fiz do sono meu único refúgio.

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