(Photograph - Ed Sheeran ♪)
Cora olhava a filha ainda com receio, e nenhuma palavra ainda havia sido dita. O silêncio constrangedor fez com Regina tomasse uma atitude, afinal alguém tinha que iniciar aquela conversa, que fosse ela então.
- Mamãe, se quer dizer algo, diga eu sou toda, ouvidos. - Ela incentivou a Cora. - Eu... Eu... - Cora tentava dizer algo, mas as palavras se perdiam.
A jovem Mills viu uma Cora completamente diferente. Sua mãe sempre fora imponente, destemida e não demonstrava medo em nenhuma situação, mas a mulher a sua frente agora se mostrava relutante e sem saber como começar uma simples conversa.
- Seja o que for apenas diga mamãe, eu não vou brigar com senhora. Esse é o recomeço lembra. - Regina a lembrou.
Cora deu um suspiro profundo, como se estivesse prendendo a respiração por longos minutos.
- Me desculpe querida, é que só não sei por onde começar. Tem tantas coisas para lhe dizer, mas acho que a principal delas é que me perdoe, nosso passado foi complicado eu sei...
- Eu te perdoei Cora Mills. - Regina a interrompeu. - Seja pelo quer que queira ser perdoada. Não precisamos mais perder tempo lamentando o passado mamãe, temos um futuro inteiro pela frente. E há tantas coisas que ainda quero planejar com senhora.
Cora tinha os olhos marejados, não esperava que sua filha aceitasse de volta tão rapidamente em sua vida. E muito menos que perdoasse, mas não faria de rogada, apenas aproveitaria a segunda chance que vida lhe estava lhe dando com a sua filha. Já Regina pensava em sua doença e nas coisas que ela poderia lhe privar e brigar ou afastar sua mãe naquela altura seria egoísmo. Ela tinha recebido tanto mesmo estando em situação tão delicada, mas era hora de dar algo em troca, e melhor coisa que poderia era dar amor àqueles que a amavam e cuidavam dela. E sua mãe fazia parte daquele todo.
- Eu errei tanto com você Regina. - A velha Mills se lamentou. - Deveria ter lhe apoiado mais em suas decisões, e não ter tentando controlar sua vida. Era difícil admitir aquilo tudo, mas Cora sabia que recomeços eram assim. E nada que fosse fácil teria o mesmo valor.
- Mãe, eu já lhe disse que não me importo com o passado. E eu te perdoei por tudo, eu só quero recomeçar.
- Ainda sim eu preciso falar Regina, Killian nunca foi o homem que desejei para sua vida. Só que você o amava e ele te fez feliz, por algum tempo mais fez. E ele te deu filhos maravilhosos, netos aos quais eu amo demais. E por isso sempre serei grata a ele. - Cora fez uma pausa e se aproximou mais da filha. - Quando você foi diagnosticada pela primeira vez, eu deveria ter insistido mais. Eu deveria ter ficado ao seu lado, e não deixado que me afastasse da filha.
- Eu não vou te afastar agora mãe. E você está aqui hoje, temos uma segunda chance. Não podemos apagar as coisas que se passaram, mas posso criar um futuro novo. Anna e Ben te amam e também. - Regina desabafou que tudo estava guardado em seu coração.
Todas as mágoas e tristezas ficaram de lado, quando Cora Mills finalmente tomou coragem e abraçou a filha. Pela primeira vez na vida a velha Mills se sentiu em casa, se sentiu plena e em paz. Regina sentiu como se voltasse a sua infância, onde sua mãe lhe contava histórias e cantaram músicas antigas para que ela dormisse. E por ironia da vida foi o que Cora fez, cantou. Um canto de felicidade, um canto de amor. Amor de mãe.
Emma estava entre duas opções naquele momento. Uma, era ignorar a chamada de sua mãe e retornar mais tarde com uma desculpa qualquer, ou atender e começar uma conversa que ela ainda não estava pronta para ter com Mary. Optou pela primeira e certamente inventaria uma desculpa para não prolongar a conversa.
- Oi, mamãe. - Emma disse assim que atendeu o aparelho.
- Olá para você também Emma Swan, isso são modos de atender sua mãe. - Mary respondeu do outro lado da linha com voz bem irritada.
- Olá mamãe, como vai? Desculpe-me é que não estou em um bom momento.
Mary acabou ficando preocupada e Emma se arrependeu de ter inventado aquela desculpa para a mãe.
- Aconteceu alguma coisa filha? Você e Killian brigaram? - Mary começou a encher Emma de perguntas.
- Não mamãe, eu apenas estou cheia de trabalho e sem tempo algum.
- Se for isso então se acalme, e não trabalhe demais. Dê atenção ao seu namorado, Killian é um bom homem. E você sabe como ultimamente está difícil encontrar um bom partido nos dias de hoje.
Swan queria jogar o celular longe, não aguentava quando sua mãe começava com aquele assunto. E às vezes acreditava que ela elogiava Killian demais, se não soubesse o quanto seus pais se amavam, ia jurar que sua mãe nutria sentimentos românticos por Killian Jones.
- Mãe, por favor, não comece com esse assunto. - Emma pediu sem paciência. - Eu estou no meio de um trabalho, será que pode me dizer o motivo dessa ligação? Assim encerramos o assunto e lhe retorno quando tiver em casa.
Mary Margaret percebeu pelo tom de voz da filha que algo estava errado, mas conhecendo o temperamento de Emma tinha certeza que não descobriria nada por telefone. O melhor era não pressioná-la então mudou de tática.
- Querida, eu só queria saber como você está, já que tem quase um mês que não liga para mim ou seu pai. - Mary respondeu calmamente. - Não é nada demais. E daqui alguns dias, eu terei que passar por Nova York talvez lhe faça uma visita.
Emma torcia para que aquela visita não acontecesse afinal sua vida ainda estava uma tremenda bagunça. E seus pais não tinham a menor ideia de que Killian Jones não era mais seu namorado. E o fato mais importante é que ela agora tinha uma namorada, que era a ex-mulher de Jones. Por mais que soubesse que teria que lidar com aquela situação uma hora ou outra, Emma ainda não queria pensar nisso. A saúde de Regina era mais importante que qualquer outra coisa, e ter sua mãe de volta a sua vida naquele momento não era nada bom.
- Mãe, eu só lhe peço que não chegue de surpresa, porque sabe bem que odeio isso. Se for vir me avise. - Emma disse sem saída. Não podia proibir sua mãe de visitá-la, mas podia adiar o máximo que pudesse. Ao menos até conversar com Regina sobre seus pais.
- Tudo bem querida, não lhe farei surpresas e ligarei caso eu resolva lhe fazer uma visitinha. - Mary disse em tom de despedida. - Agora não vou lhe atrapalhar mais. Mande um beijo para meu genro, eu te amo filha.
- Mando sim. Eu também amo você mamãe. Até logo. - Emma respondeu e encerrou a ligação. Sabendo que as coisas iriam se complicar.
- Eu preciso de um banho, café e conversar com a Paige. - Swan murmurou para si mesmo enquanto botava o celular no bolso e voltava a caminhar pelo corredor do hospital.
Califórnia - Los Angeles
Killian ainda estava meio perdido com a atitude de Zelena, e a única coisa que conseguia pensar naquele momento é que aquela mulher era realmente louca.
- Mais o que podia esperar ela tinha esquecido a própria filha em táxi. - Jones murmurou baixinho consigo mesmo. Ele acabou chegando à conclusão que certamente aquele tipo atitudes meio loucas, deveria fazer parte da personalidade da ruiva.
- Você disse algo? - Zelena o questionou chamando sua atenção.
- Não, não... - Killian negou meio nervoso. Não queria que ela achasse que ele a estava julgando precipitadamente.
- Me desculpe pela minha euforia, é que nunca passei uma noite longe de Jessie desde que ela nasceu. - Zelena tentou explicar.
- Tudo bem Senhorita Mcalister. Eu lhe entendo, acredite, tenho filhos e quando tinha a idade da baixinha minha esposa agia da mesma forma.
- Sem formalidades Killian me chame de Zelena. Então acho que me entende um pouco, já que é casado e tem filhos.
- Divorciado na verdade. - Jones respondeu com um sorriso que deixou Zelena encantada.
- Bem acho que isso é uma coisa boa, assim podemos sentar e tomar o café da manhã sem ache que uma esposa furiosa possa aparecer. - A ruiva brincou.
- Acho que sim, Zelena, podemos tomar o café sem grandes surpresas. A não ser que você resolva sair correndo e esqueça Jessie no banheiro.
A piada feita pelo moreno foi bem recebida por Zelena, e ela acabou rindo. Eles se sentaram à mesa mais próxima e pediram o café da manhã variado. A conversa fluiu de forma agradável e natural entre eles, e ambos foram se conhecendo um pouco mais. Killian descobriu que Zelena era terapeuta infantil e mãe solteira. Que Jessie tinha sido fruto de relacionamento relâmpago, e o pai não se interessou muito pela menina. Zelena descobriu que Killian era um advogado focado no trabalho, divorciado, pai de uma menina e menino e havia acabado de sair recentemente de relação que não deu certo.
- A baixinha é uma criança incrível. E se o pai não se interessou pelo seu crescimento ele saiu perdendo Zelena. - Killian comentou enquanto bebericava o café.
- E você deve ser um pai incrível Jones. Jessie já te adora e ela não costuma se dar bem com estranhos de cara.
- Eu tento fazer o meu melhor, mas sou humano e comento erro às vezes. - Killian lamentou.
- Todos nós cometemos Killian. - Zel tentou argumentar. - É errando que aprendemos a não falhar mais.
Killian deu um sorriso sem graça e começou a pensar nos filhos e como estariam naquele momento. Esperava que quando voltasse para casa pudesse ser um pai mais presente, e alguém melhor para os filhos. Conviver com a pequena Jessie tinha o feito repensar bastante o seu papel de pai.
- Zelena queria lhe pedir que me deixasse continuar fazendo parte da vida de Jessie. - Jones pediu meio inseguro com medo da reação de Zelena. - Eu não quero perder o contato, quero estar lá caso ela precise um dia.
- Então não perca, podemos manter contato. Nós conhecemos melhor. - Ela sugeriu.
- Está mesmo falando sério Zelena Mcalister?
- Sim, eu estou falando sério, Killian Jones. Ter bons amigos é sempre bom.
O moreno ficou radiante com ideia, ele queria mesmo continuar fazendo parte da vida da garotinha, e ser amigo de sua mãe era uma boa forma disso acontecer.
- É claro que eu aceito. - Killian respondeu empolgado. Jessie se agitou na cadeirinha dando sorrisos e balbuciando coisas incompreensíveis, como se entendesse o que aquilo significa. A pequena estava mesmo feliz, assim como sua mãe por agora ter Killian Jones em suas vidas. Zelena não entendia bem, mas se deixou levar pelo momento e depois seria por conta da vida. O que ela não tinha ideia era que a vida tem maneiras peculiares de nos mostrar a felicidade.
Emma deixou o hospital às pressas, precisa conversar com alguém. E a primeira pessoa que sempre pensava em situações como aquela era Lily Paige sua melhor amiga. Quando chegou ao estacionamento a loira resolveu mandar uma mensagem de texto para Regina explicando que voltaria mais tarde. Assim a morena não ficaria preocupada ou pensaria bobagens. Meia hora depois Emma estava em frente à fundação que Lily trabalhava, e ao entrar não foi difícil encontra-la. Quando Paige deu de cara com Emma, e viu a expressão facial da amiga sabia que algo estava errado.
- Onde foi o incêndio desta vez Swan? - Lily perguntou de forma irônica.
- Por enquanto só na minha cabeça, mas se o problema chegar à Nova York aí sim terá um incêndio florestal na minha vida. - A fotógrafa respondeu tentando fazer uma piada, mesmo que a situação não tivesse a menor graça.
- Por Deus o problema deve ser grande então. - Page concluiu.
- É gigante e atende por Mary Margaret.
Ouvir o nome da mãe de Emma naquela altura não era nada bom. Page conhecia o histórico de comentários homofóbicos disfarçados de Mary, ela mesma tinha presenciado vários em inúmeras festas que Emma tinha dado ao qual a mulher esteve presente.
- Vamos até a minha sala e podemos conversar melhor Swan, me acompanhe. Já sozinhas, na sala de Lily, Emma explicou a situação e seu medo de sua mãe aparecer inesperadamente, em um momento nada favorável de sua vida.
- Eu não posso ter a minha mãe aqui agora, não com minha vida nessa completa bagunça. - Swan confessou se jogando na poltrona à sua frente. - Regina ainda está se recuperando do acidente, acabamos de nos entender com Kill e ainda tem a mãe dela voltando à vida dela.
- Pensa pelo lado bom loira, ao menos pelo que você me contou a mãe dela não é contra a relação de vocês. - Lily argumentou tentando animar a amiga. - Isso é um problema a menos, agora sobre a sua mãe, aí é outra história.
- Eu estou feliz que a Cora é um problema a menos, Regina vai precisar de paz e tranquilidade quando volta para aquele tratamento pesado.
- Emma, o que quer que eu diga? Porque sinceramente eu não tenho ideia do que lhe dizer, mas também não quero lhe dizer que as coisas serão fáceis. E se quer um conselho não minta para Regina, conte a ela sobre sua mãe e a possibilidade gigantesca de Mary não aceitar a relação de vocês.
- Se você queria me apavorar, conseguiu Lily Page.
A verdade era que Page estava sendo realista, quando Emma queria achar a saída mais fácil. Só que naquela situação não havia saída fácil, ou ela enfrentava sua mãe ou tudo viraria uma bola de neve.
- Emma eu estou sendo realista, você conhece bem a mãe que tem e por isso está se sentindo dessa forma. As coisas não vão ser fáceis, mas pense que vale a pena lutar por aquilo que nos faz feliz. E Swan, eu nunca em todos esses anos que te conheço já te vi tão feliz.
- Falando dessa forma parece fácil Lily. - A fotógrafa disse cabisbaixa.
- Mas não é loira. Você precisa mostrar a sua mãe em primeiro lugar que está feliz. E que os pais querem ver os filhos felizes, Emma. Ela não precisa aceitar sua relação, mas ela tem que respeitar, porque a vida é feita de decisões e todas geram consequências. Às vezes boas, outras nem tanto. E uma hora você tem que decidir Swan, se quer ser feliz ou agradar aos outros. Mesmo que esses outros sejam os seus pais. - Lily concluiu e deixou Emma pensativa. A realidade por trás daquelas palavras era a mais pura verdade. Não dava para agradar a todos, nem mesmo se fossem seus pais. No caso de Emma, a sua mãe já que David era bem mais flexível que Mary.
- Acho que eu preciso arrumar uma forma de contar a Regina então. -Swan disse se levantando da poltrona onde estava deitada.
- Esse é o primeiro passo Swan, e eu tenho certeza que a Rainha do gelo vai reagir bem. - Lily brincou.
- Ela não é mais Rainha do gelo há muito tempo Page.
- Para mim sempre vai ser Swan, afinal não conheço o lado quente da Mills só você.
Emma caminhou na gargalhada e jogou uma almofada na amiga. Lily sempre a fazia se sentir melhor, as conversas fáceis e momentos compartilhados faziam alguém muito especial para Emma. E definitivamente ela era mais que uma simples amiga, Swan a considerava a irmã que nunca teve.
Dois dias depois Regina teve alta e Emma quis preparar um ambiente tranquilo para o retorno da namorada.
- Com calma meu amor, sem fazer muito esforço. - Emma pediu enquanto apoiava Regina nos braços.
- Swan eu não sou feita de cristal, pare com essa neurose. Eu posso andar e não vou quebrar se caminhar um pouco. - Regina reclamou.
A morena adorava todo cuidado que Emma tinha com ela, mas às vezes a loira exagerava.
- Eu só estou cuidando de você. - A fotografa se justificou abrindo a porta para que pudessem entrar.
-Nossa minha casa está inteira e arrumadinha. - Regina comentou assim que entrou em casa.
- Nós limpamos tudo, e mantemos tudo organizado. - Ben informou orgulhoso assim que viu a mãe.
- Que bom macaquinho, eu estou orgulhosa de vocês. Agora venha dar um abraço na mamãe.
O garotinho correu em sua direção e se jogou em seus braços.
- A Emma fez tudo direitinho, mamãe, ela até deu bronca na gente como você faz.
- A senhorita Swan está ficando responsável. - Regina disse olhando para a namorada.
-Eu sou responsável, ok. - A loira se defendeu. - Agora coloque o pestinha no chão que vou te levar para quarto.
- Ei eu não sou pestinha. - O garotinho protestou. - Só às vezes.
Emma riu e pegou Regina no colo, que mesmo protestando acabou se deixando levar pelo momento. Anna assistia a cena do pé da escada feliz, sua mãe estava de volta e sua família uma vez mais completa.
Algumas horas depois Regina estava deitada a cama lendo um livro, mas a inquietude de Emma a estava incomodando. Ela conhecia Emma o suficiente para saber que a loira queria lhe contar algo.
- Emma, eu não aguento mais esse climão. Você tem algo para me contar? - Mills se pronunciou deixando o livro de lado.
A fotógrafa foi pega, de surpresa pela pergunta, mesmo sabendo que uma hora aquela conversa teria que acontecer. Esperava que fosse em um momento mais propício, mas viu que não teria alternativa naquele instante.
- Bem, na verdade não... Quer dizer sim... - A loira gaguejava tentando começar a responder da melhor forma.
- Emma pare de enrolar e vá direto ao ponto. - Regina pediu impaciente.
- Bem, é que não sei uma forma de começar esse assunto Regina.
- Que tal pelo começo Swan.
- É sobre minha família. - Emma revelou finalmente.
Mills ficou confusa, não sabia muito a respeito da família de Emma, mas não entendia o que poderia ser de tão grave para deixar a namorada tão nervosa.
- Alguém está doente Emma? Se for, saiba que eu estarei aqui para te apoiar.
A fotógrafa começou a andar de lado para outro, demonstrando estar ainda mais nervosa e deixando Regina mais angustiada.
- Não, Regina, é que eles ainda não sabem sobre nós. Eu não tive tempo de contar com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. E minha mãe me ligou hoje dizendo que quer vir me visitar.
- Amor, eu já passei da fase de temer a sogra se for isso que te aflige, fique tranquila. - Regina tentou acalmar a namorada.
Emma acabou rindo da forma como Regina tinha falado.
- Não é tão simples assim morena. Minha mãe é um pouco complicada.
- Emma eu não sei como é o temperamento da sua mãe, mas seja como for isso não vai me afastar de você, amor. Eu te amo e estou disposta a tudo para preservar a nossa família.
As últimas palavras de Regina encheram o coração da loira de paz. "Nossa família" não apenas lhe soava bem, lhe fazia muito bem. Ela tinha uma família independente de tudo, pessoas as quais poderia contar fosse, para o que fosse então não havia o que temer.
- Minha mãe é uma mulher bem tradicional, do tipo conservadora, ela não aceita bem relações homoafetivas, esse é o problema Regina. Eu e ela já tivemos grandes problemas por causa disso. Ela já constrangeu amigos queridos meus, com comentários idiotas e homofóbicos e acabei me afastando dela com o passar dos anos. Evito suas visitas o máximo que posso. E não quero te expor a isso, não agora que você precisa de paz. Além, é claro de eu não ter contado a ela que terminei com Killian, e ela meio que venera ele.
Regina respirou fundo e deu a Emma um olhar compreensivo, como se quisesse lhe passar segurança.
- Amor vem cá. - Ela pediu dando um tapinha na cama. Emma atendeu ao seu pedido e sentou ao seu lado na cama. Mills se virou de frente para a namorada e lhe tomou o rosto entre as mãos, e lhe beijou os lábios de forma lenta e suave. Um beijo cheio de amor e carinho. - Emma eu estou pouco me lixando para o que sua mãe vá pensar sobre nós. - Regina confessou baixinho ainda com os lábios próximos aos de Emma. - Já renunciei a coisas demais na minha vida só para agradar aos outros. E eu não vou abrir mão da minha felicidade só porque pessoas ignorantes não aceitam que amor é só amor.
De repente as palavras de Lily Paige faziam ainda mais sentido para a fotografia. E Regina parecia pensar da mesma forma.
- E você é minha felicidade Swan. As únicas pessoas no mundo que me deixariam com receio de algo, são seus maiores fãs. - Regina se referiu aos filhos. - O resto é apenas o resto, meu amor. Emma queria chorar, ela não conseguia achar palavras para expressar o que sentia naquele momento, mas tinha certeza que era felicidade.
- Você não existe Mills. - Emma disse e envolveu a namorada em um abraço forte.
- Essa frase é minha Swan. - A morena protestou. - E não é só você que pode cuidar de mim, eu também posso cuidar de você mesmo que seja só às vezes, Emma.
- Eu acho que sou muito sortuda, Mills.
- Sim, você é muito sortuda por ter uma namorada linda. E que está disposta a brigar até com a sogra por você. - Regina zombou.
- Nossa, além de convencida, é brava essa minha namorada hein.
- Muito brava. - A morena enfatizou. - E sua mãe não me conhece Swan. Se ela quiser guerra vai ter que se preparar.
Todas as preocupações da loira se dissiparam e o clima ficou ameno, não havia mais o que temer. Se Regina estava disposta a enfrentar o mundo por ela, Emma estava disposta a ir além mesmo que isso significasse bater de frente com sua mãe e seus conceitos antiquados.
- Não queria ser a minha mãe então. - Emma disse começando a fazer cócegas Regina. A morena começou a gargalhar e aquele som era música para a loira.
- Eu te amo. - Emma declarou.
- Eu te amo mais. - Regina respondeu.
Ambas esqueceram o motivo pelo qual a conversa se iniciou e logo estavam aos beijos matando a saudades dos dias que haviam ficado longe.