No dia seguinte, acordo com um sorriso do tamanho de um trem, por ver onde dormi, e com quem dormi. Porém ele logo se desfaz quando eu me lembro de que hoje é segunda-feira e o fim de semana tão esperado por mim acabou, eu terei que ir para a escola novamente, e não terei mais que cuidar do meu amor.
Olho para Rê que está deitada em meu peito, dormindo tranquilamente. Mexo em seus cabelos, dou um beijo em sua testa, e assim como das outras vezes, saio de seus braços sem acorda-la, e sorrateiramente saio do quarto para preparar o seu café da manhã, e me arrumar também.
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Depois de mais uma luta com o zíper da minha bolsa, para tirar e colocar minhas roupas usadas, eu preparo o nosso café da manhã, que será mais uma vez frutas, e vou procurar o meu celular pra ligar para Ariel, e saber que prova terá hoje, pois estudarei um pouco, apesar de não gostar muito, enquanto Tinker e Robin não chegam de viagem.
— Emma, você me acordou! — Reclama do outro lado da linha, com a voz manhosa.
— Bom dia pra você também, Ariel. — Murmurei sarcástica. Pude visualizá-la revirando os olhos ao me ouvir.
— Como se você fosse tão educada assim...
— Em fim... Responde logo minha pergunta e você pode voltar a dormir. — Ela resmunga do outro lado e eu sorrio com sua chatice. — Que prova é hoje?
— Sério que você me acordou para falar de escola? Logo você? — Escuto-a resmungar algo, mas não entendo. — Redação e Literatura. — Responde rapidamente. — Agora, tchau Emma. — E sem me dar tempo de resposta, encerra a ligação, desligando na minha cara.
Nem é tão cedo assim. Ariel é muito exagerada, isso sim.
— Redação e Literatura... — Murmuro comigo mesmo. — Redação é Tinker, e Literatura é a Rê... Ótimo! — Jogo o celular e cima do sofá e sigo para a cozinha. — Vou pedir ajuda a ela para estudar, e quem sabe até descubro o que terá na prova... — Pego o nosso café da manhã e sigo para o quarto de Regina.
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Ao adentrar no quarto, coloco os nossos pratos em cima da mesa de cabeceira e pulo em cima da cama para acordar Regina, que assim que sente o movimento na cama, da um grito assustado, mas depois de me ver rindo, começa a rir também.
— Em, você me assustou... — Leva a mão ao coração.
— Desculpe-me... — Peço em tom sério, mas acabo sorrindo. — Preciso de sua ajuda hoje. — Anuncio, entregando-lhe o prato. Ela se ajeita lentamente na cama e o pega. — Hoje é uma de suas provas, e eu queria que você me ajudasse a estudar, enquanto a Tinker não chega e eu vá embora. — Explico enquanto sento-me novamente ao seu lado.
— Você vai embora? — Para de comer e me observa com um olhar triste. — Eu não quero que você vá embora, Em. — Pega em minha mão e a aperta.
Tudo que é bom, dura pouco.
— Você se pareceu muito com uma criança agora... — Digo divertida, fazendo-a rir um pouco. — E sim, eu vou ter que ir embora. — Volto a ficar séria. — Mas se você quiser, quando eu largar, venho aqui te ver. — Ela abre um sorriso assim que me escuta falar.
— Então eu vou esperar. — Sorri e volta a comer. — Vá buscar o seu livro para estudar. Quero que você tire notas boas em minhas matérias. — Da um sorrio e pisca o olho. Levanto-me da cama e saio do quarto para ir buscar o livro que está em minha bolsa.
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Depois de alguns minutos brigando com o zíper, consigo tirar o livro de dentro da bolsa que está lotadíssima, e volto para o quarto. Regina já tinha terminado de comer, e o meu café continuava em cima da mesa de cabeceira. Intacto. Mas no momento eu não estava preocupada em comer, apesar da fome. Só queria aproveitar meus momentos finais ao lado da minha professora preferida.
— Pronto... — Sento-me na cama e abro livro. — Você bem que poderia me dizer o que fez na prova, não é? — Ela olha pra mim com a sobrancelha arqueada, logo ficando séria. — Eu sei que você fez essas provas há tempos. — Acrescento, fazendo-a trocar a expressão de séria, por sorrisos.
— Realmente, já faz tempo que eu fiz a prova, porém, nada disso senhorita. — Nega com a cabeça. — Você vai estudar aqui comigo e vai tirar nota boa. — Bate no livro aberto em cima das minhas pernas. — E nada de filas, ouviu bem? — Indaga totalmente séria, provavelmente para me fazer medo.
— Sim senhora. — Coloco a mão na testa em forma de continência.
Regina pega o livro de mim e começa a passar as páginas, à procura do assunto, até que para e olha pra mim com uma expressão confusa.
— Quais assuntos estão dando? — Pergunta-me séria, e logo eu me lembro de que ela teve o problema do esquecimento e provavelmente não lembra nem o assunto que colocou na prova.
Ainda bem que eu sempre presto atenção nas suas aulas.
— Os movimentos europeus da vanguarda. — Só lembro-me do assunto, porque é da matéria dela. Se fosse de outro professor, eu não me lembraria de nada.
— Certo. — Volta a folhear as páginas, à procura do assunto. E eu, por um segundo, acabo me perdendo em sua beleza. Fico encarando-a enquanto ela está absorta no livro. Só volto a prestar atenção quando escuto sua voz: — As vanguardas europeias foi um movimento cultural que começou no século XX. — Começa explicando, porém eu quase não consigo prestar atenção. Minha atenção entra numa grande briga, entre prestar atenção no que diz, e prestar atenção em sua boca se mexendo enquanto fala. — Os movimentos culturais desse período, responsáveis por uma série de manifestos, são: Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo, chamados de vanguardas europeias. — Gesticula com as mãos, e eu presto atenção em todos os movimentos que faz com as mesmas e a boca. — Você não precisa se lembrar de todos. É dica que eu dou. Marque alguns, os mais fáceis, e quando você observar esses mesmos, na questão, saberá que aquela é a resposta.
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Depois de passarmos uma hora estudando, mas sem eu conseguir dar cem por cento de atenção a tudo que ela falava, consegui relembrar um pouco o assunto, e se a prova estiver fácil como o assunto está, tirarei uma nota boa e sem precisar filar. Afinal, meu amor é uma ótima professora, e por mais que eu não tenha dado total atenção, algumas coisas eu prestei atenção e entendi muito bem. Acredito que com isso, eu consigo uma nota agradável.
E para redação, eu não estudei porque provavelmente será uma redação qualquer para fazermos.
Após encerrarmos o momento estudos, guardo o livro em cima da bolsa mesmo, e vou para a cozinha tomar o meu café.
Após lavar os pratos que sujei, tomo um banho rápido e volto para o quarto para conversar um pouco com Rê, antes de eu ir embora.
— Em, de que horas você vai embora? — Pergunta-me com voz manhosa. Estávamos abraçadas, assistindo CSI.
— Assim que Tinker chegar. — Respondo abraçando-a mais forte.
— Você virá mesmo, mais tarde? — Solta-me do abraço e me olha com cara de cachorrinho pidão. Até parece que precisa!
— Eu prometo que venho. — Vejo sua expressão de triste mudar para alegre e meu coração bate mais forte. — Agora eu preciso me arrumar para ir à escola, daqui a pouco o Robin e a Tinker, chegam. — Levanto-me da cama em um pulo, aproveitando que estava com coragem, e vou para a sala, procurar na bolsa, o meu uniforme da escola. Se eu chegasse lá sem ele, a diretora me mataria e me estrangularia depois. Ela já não gosta de mim, e se me ver desobedecendo as ordens da escola, aí é que eu me ferro mesmo.
Depois de lavar o rosto e os pés e colocar meu uniforme, que até que não é feio, escovo os meus dentes, arrumo o meu cabelo em um rabo de cavalo, guardo as minhas coisas na minha bolsa e volto para o quarto.
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Minutos mais tarde, Robin e Tinker chegam. Agradecem-me várias vezes por eu ter cuidado da Regina, e eu aviso a Tinker que no fim do dia voltaria para ver como ela está.
Saio da casa da Rê e vou às pressas para a minha casa.
Assim que chego, sem perda de tempo, abro a bolsa, retiro todas as roupas que tem dentro dela, pego alguns livros do dia, e saio correndo novamente, para ir para escola, pois se eu fosse andando, acabaria me atrasando. E, bem... Eu não queria problemas com a diretora que me ama tanto.
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Ao chegar à escola, logo na entrada, parei para conversar com MM (Mary). Ela me perguntou como a Regina estava, disse que estava morrendo de saudades de nós duas, pois desde o acontecimento ninguém mais tinha nos visto, e depois de me dá um abraçado apertado, libera-me para eu seguir meu caminho até a minha classe.
Ao chegar ao meu destino, encontro Ruby e Killian novamente preparando filas para as provas.
— Ei loira... — De forma exagerada, Ruby se joga em meus braços, quase nos levando ao chão. — Eu estava morrendo de saudades de você...
— Deixa de exageros... — Sento-me na cadeira, colando minha bolsa no chão e já tirando meus cadernos, para dar uma revisada final. — A gente se falou todos os dias, no final de semana.
— Ah Emma... Não é a mesma coisa nos falarmos pelo celular e passarmos o final de semana inteiro, juntas não é? — Faz bico e cruza os braços.
Depois de muito conversarmos e repassarmos todo o assunto, o sinal toca, e quem entra na sala é o Sr. Gold, já com expressão de poucos amigos.
Assim que se sentou na cadeira, vi que estava com as provas na mão. Ou seja, ele quem aplicaria a prova, o que significa: nada de filas.
Para minha sorte, eu estudei muito bem, e não precisarei das tais. Então estou bem tranquila quanto a mim. Já os meus amigos... Infelizmente eu não posso ficar tranquila também.
— Ei loirinha, hoje é o velho que aplicará a prova, então não vai da pra fazer os esquemas. —Eu assinto com a cabeça enquanto Ruby sussurra no meu ouvido. — Então libera espaço aí para eu, Killian e Ariel ver, tá bom? — Assinto novamente e me viro para frente.
— Quem der um pio, sairá da sala e levará um zero na prova. — Avisa Gold, e logo em seguida, começa a entregar as provas.
Quando ele falou para ninguém dá um pio, a minha vontade foi de fazer ''pio'' só para zoar, porém eu não queria levar um lindo zero na prova, justamente de Regina, então me segurei e fiquei calada.
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Durante toda a prova, Gold ficou de olhou em Ruby.
Acho que ele deve ter escutado ela falando algo para mim.
Devido ao seu grande olho em cima da minha amiga, infelizmente não deu para ela olhar para a minha prova em nenhum momento, sendo assim, deixando Killian e Ariel sem respostas, fazendo então, todos derem chutes nas questões.
Horas mais tarde, por conta da falta de alguns professores e por está em época de provas, a coordenadora resolvera nos liberar mais cedo. O que causou uma grande gritaria, e por pouco ela não cancelou a decisão.
Assim que sai da escola, despedi-me dos meus amigos e fui correndo para a casa de Regina. Queria aproveitar que larguei cedo para ficar mais tempo com ela.
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Quando chego à casa da minha professora, apenas Tinker estava, pois Robin estava trabalhando e só chegaria à noite.
Aproveitando que eu estava por lá, Tinker pediu-me mais uma vez para ficar com Regina. Ela queria dar uma passada na escola e na casa dela, para organizar algumas coisas.
Sem pestanejar, eu aceitei seu pedido, é claro, e depois de alguns minutos de conversa, ela se foi.
Após fechar a porta da sala e finalmente ficar sozinha, vou correndo para o quarto, falar com o meu amor, pois desde que cheguei ainda não tinha ido lá. Tinha ido tomar uma água, tinha ido ao banheiro, e ficado na sala mesmo, conversando com Tinker.
Ao chegar ao cômodo do meu amor, bato na porta para avisar a minha chegada, e entro.
Regina estava assistindo algum filme romântico, pois estava com os olhos marejados. E ao olhar para tela, pude ver um casal se beijando ao som de uma música que parecia ser romântica.
— Oi Rê... — Sento-me na cama.
— Você realmente veio... — Funga e abre um sorriso, aproximando-se devagar para me abraçar.
— Eu disse que viria... — Retribuo o abraço e beijo-lhe a cabeça. — Que tal irmos lá pra fora respirar um pouco de ar fresco? — Indago animada. — A tarde está linda... — Acrescento, vendo-a assentir ao meu pedido. — Vou dá uma olhadinha se está tudo limpo e já venho te buscar. — Ela me mostra o dedo positivo como resposta, e então eu saio do quarto.
Ao chegar do lado de fora, tenho a sensação de estar sendo vigiada. Olho para os lados, mas não vejo ninguém. Continuo caminhando até a macieira, e com uma vassoura que tinha perto, varro o local, para poder trazer Regina.
Enquanto estou varrendo, escuto barulhos de passos. Meu coração se acelera, pois sei que não é coisa da minha cabeça. Viro-me rapidamente e faço a vassoura de escudo. Novamente não havia ninguém por ali. Não em minhas vistas. Porém antes que eu pudesse voltar a varrer, sinto algo batendo muito forte na minha cabeça, fazendo-me cair logo em seguida.
A última coisa que eu vi antes de desmaiar foram os olhos claros de Neal em cima de mim, e o seu sorriso de maníaco.