Mais um ano de mudanças. Um ano que Jey achou que as coisas mudariam ao ir para a faculdade. E na verdade, mudaram. Mas não da maneira que ela gostaria. Suas expectativas eram enormes, seus anseios gigantes e sua vontade de mudar o mundo, ilimitada. Apesar disso, Jey sofria de um certo transtorno em mudar da adolescência para a vida adulta, coisa que desejava mais que tudo, mas que quando bateu de frente com a realidade, sentiu-se estupidamente amedrontada.
Era finalmente o primeiro dia de aula, num lugar repleto de pessoas atarefadas e que não olhavam em seu rosto para cumprimentá-la. Jey sentia-se sozinha, queria alguém para conversar e, ao mesmo tempo, desejava que não se aproximassem, já que não saberia como reagir e sobre o que falar. Jey era só mais uma das duzentas ou trezentas meninas de sua idade que procuram um pouco de paz em um momento tão conturbado como a ida à faculdade.
Entrar na sala e não ter quem dizer "Olá" como em sua antiga escola era triste. Triste e solitário. Triste, só. Jey procurava por um semblante amigável nas sessenta faces em sua sala. Não achara ou, talvez, ainda não estive olhando de forma madura para os que ali estavam.
As semanas se passavam e Jey desenvolvera ao longo do tempo uma taquicardia nervosa, que fazia com que ela tomasse calmantes fitoterápicos que sequer faziam efeito para que pudesse amenizar o seu medo de estar na faculdade. Jey não sabia que era uma grande besteira sentir-se assim. Mas ela se sentia, e torcia para que passasse.