Meu celular vibrar de baixo do travesseiro. Levanto, ainda preguiçosa, tomando cuidado para não acordar Chris e desviando dos colchões espalhados pelo quarto.
Segundo o relógio no final do corredor, eram exatamente duas horas da manhã e teria continuado dormindo, se não tivesse reconhecido o número na tela do aparelho.
-Alo?
-Natasha, consegui algumas informações...
-Estou ouvindo.
-Aparentemente as ordens vieram diretamente do presidente, e pude monitorar uma conversa de um cassino particular nas regiões de Las Vegas. E adivinha quem era o convidado especial? Dylan!
-Você tem o vídeo?
-Claro, já mandei no seu celular.
-É só isso?
-Infelismente sim.
-Obrigada pela ajuda Mônica! Fico te devendo uma.
-Fico feliz em poder ajudar. Já sentia falta dessa adrenalina correndo nas veias.
-Tchau, qualquer coisa é só me ligar!
Desligo a chamada, recebendo o vídeo por sms. Nele, mostrava claramente a figura dos dois conversando em um local pouco movimentado. Dylan estende uma maleta ao presidente, e imediatamente reconheço o conteúdo transparente, o soro.
Agora sim as peças pareciam se encaixar, provavelmente o presidente estava negociando a sobrevivência de sua família. E em troca, ficaríamos por fora das mídias e não conseguiríamos interferir na liberação da arma biológica. Talvez seja por isso que ele autorizou as vacinações nas ruas. Dylan armou tudo perfeitamente! Era um passe de mestre nos fazer fugitivos, assim, dificilmente impediriamos os seus planos.
Desço até a sala, batucando essa ideia na cabeça. Se o plano de nos tornar fugitivos aconteceu agora, então a data da liberação da bomba estava próxima.
Caminho até a cozinha, e encontro Simon debruçado sobre o computador. Ele deve ter passado horas observando as câmeras da cidade.
Observo a tela do computador e meu coração acelera ao ver um caminhão de soldados passarem pela entrada da cidade.
-Droga! Simon! Acorda!
Ele pula, sonolento.
-O que foi Natasha?
-Eles estão vindo!
Subo as escadas, correndo até o quarto para despertar as meninas. Sem acender as luzes, começo a procurar minhas malas enquanto gritava.
-Acordem! Eles estão vindo! Rápido!
-Deixa de brincadeira Natasha. - resmunga Mariana.
-Não estou brincando, um caminhão de soldados está vindo pra cá.
A notícia às assusta e em menos de cinco segundos, o quarto estava uma loucura. Diogo deu a ordem de que ninguém acendesse a luz, isso só chamaria a atenção de que estávamos acordados. Mas a falta de claridade dificultava ainda mais a organização.
Desço as escadas, carregando minha mochila até o carro. Todos e inclusive Chris já estavam lá. Não houve tempo para sequer pegar nossas malas e trocar de roupa. Um carro só, para dez pessoas, tornava o espaço de locomoção minúsculo dentro do veículo. Por sorte, eu era a motorista.
Acelero na direção contrária dos soldados, mas por conta do peso, o carro não se locomovia com tanta rapidez. No meio do caminho, deixamos Chris na casa de James. Ela não poderia seguir com nós. Mais um fugitivo só aumentaria a chance de sermos presos. E quanto a sua segurança, ela diria que esteve passando um tempo na casa do irmão, e não sabia que ocupavamos a sua casa.
A fuga foi mais simples do que esperava, não houve empecilhos e muito menos soldados como barragens. No entanto, não poderíamos ficar tanto tempo naquele carro, o espaço era pequeno e os meus amigos já começavam a reclamar.
Encosto o carro bem adentro na mata e apago os faróis.
-Por que paramos? - questiona Diana.
-Não temos lugar pra ficar na cidade e vocês não podem continuar nessa posição o tempo todo. Desçam e descansem.
-Vamos dormir no meio da mata? - indaga Anne, já do lado de fora do carro.
-Tem ideia melhor? - questiono irônica.
-Por mim tudo bem, não ligo de dormir aqui. - diz Alfie.
-Nem todo mundo é caipira Alfie. - provoco.
-Eu durmo no banco traseiro! - grita Sara.
Reviro os olhos, vendo uma discussão começar. Eles não decidiriam tão cedo onde dormiriam.
Caminho mais adentro da mata, talvez tivesse alguma árvore aconchegante que me permitisse dormir, longe daquela bagunça.
Como suspeitava, aquele lugar estava cheio de árvores. Subo de vagar, tomando cuidado para não escorregar na madeira lisa do tronco. Ao todo, ela era bem grande, e me permitia uma boa vista do carro e das luzes da cidade.
Não foi tão difícil alcançar o topo da árvore. Quando criança, costumava fugir durante a noite e passar as madrugadas observando as estrelas no alto da árvore da pra praça lá perto. Com o tempo, fui perdendo a vontade de sair nesse horário, e acabei me esquecendo de como as estrelas são bonitas.
Estreito os olhos, observando de longe a confusão que ainda acontecia por conta dos lugares.
(...)
-Não aguento mais de tanta fome! - reclama Sara.
-Não temos onde ir. E muito menos de pijama. - explica Alfie, apontando para suas roupas.
-Vou buscar algumas roupas. - digo, entrando no carro.
-Eu vou junto! - diz Mari.
-Não, eu vou sozinha. Volto rápido.
Volto a estrada, sem esperar por protestos e alto convites e dirijo até o forte. Preparei aquele lugar não só para me isolar, como também para qualquer tipo de situações, e as muitas roupas que Sara insistia em compra para mim, todas paravam naquele local. Por isso, roupas e armas era o de menos.
Retiro dos armários roupas femininas, algumas maiores, que talvez servissem para os meninos, e armas. São nessas horas que agradeço o meu robe de colecionar essas coisas.
Aproveito também para tomar um banho, e acessar meus computadores. Precisava falar com a minha mãe, e eles poderiam garantir que ninguém monitorasse a conversa.
-Alo?
-Sou eu.
-Você está bem?
-A conversa não está sendo vigiada mãe.
-Ainda bem, preciso saber como você está. Eu e o seu pai estamos preocupados!
-Estamos bem mãe...
-A OSCU está um caos, o presidente parece ter enlouquecido!
-Isso tudo é obra do Dylan! - rosno.
-Como?
-Consegui imagens dos dois fazendo uma reuniãozinha!
-São imagens concretas?
-Aham.
-Ótimo! Então podemos...
-Não da mãe. - interrompo. - Não vamos conseguir tirar ele do poder com apenas um vídeo, isso só serviria pra deixar você e o papai em perigo!
-Tem razão.
-Agora eu tenho que ir...
-Esta bem filha, se cuida viu!
-Pode deixar mãe.
Coloco tudo o que precisamos no carro, e volto à estrada. Minha barriga roncava de fome. E Infelizmente, comida era a única coisa que o meu galpão não tinha.
Desço do carro, sobre o olhar dos meus amigos.
-Onde esteve?
-Buscando roupa, não disse? Estão no carro.
Diana e Anne se animam, vasculhando cada centímetro do veículo a procura das roupas.
-Tem armas aí também! - aviso.
-Onde conseguiu isso? - questiona Mariana. - E seu... Cabelo... Você tomou banho?
-Onde não importa. O importante é que está tudo aqui. E quanto a vocês meninos... Não sei se as roupas que estão ali vão servir...
Sinto meu celular vibrar.
-Eu?
-Natasha. Sou eu, sua mãe.
-Aconteceu alguma coisa mãe? Acabamos de nos falar.
-Sim. Colocamos um agente espião dentro da OF e descobrimos que a bomba será lançado em três dias!
-E onde nós entramos?
-Precisamos que vocês nos ajudem. Não sabemos onde exatamente ela sera lançada e isso dificulta as coisas. Varios de nossos melhores agentes estão sendo levados para alguns pontos mais famosos do mundo. Mas precisamos de vocês nas principais suspeitas.
-Isso não é perigoso?
-Seria tudo clandestinamente.
-Coloca no viva-voz! - exige Sara.
Obedeço a ordem.
-Eles estão te ouvindo! - digo. - Minha mãe quer nossa ajuda pra parar a bomba. Será daqui três dias.
-Sim, só preciso da confirmação de vocês.
Olho para os meus amigos, ninguém parecia se opor a ideia, portanto, tomei o silêncio como um sim.
-Estamos nisso desde o começo, não vai ser agora que vamos sair. - digo confiante.
-Esta bem, entro em contato. Agora eu tenho que ir.
A chamada é desligada, e o nosso foco volta para às roupas e armas. Cada um se equipou com o que tinha, e logo, ja estávamos prontos para pensar em uma maneira mais adequada de nos escondermos. Afinal, minhas costas ja doíam com uma noite no meio da mata, e não sabíamos exatamente por quanto tempo seríamos considerados procurados pela lei.
(...)
Ouvimos os gritos de Anne e Diana, que saíram minutos antes para provar roupas um pouco mais adentro na mata. Impressionante como até nesses lugares elas insistem em estar bem arrumadas.
Diogo, e Alfie correm na direção, mas são freados.
-Ei! Eu vou!
-Mas e se...
-Elas estão trocando de roupa!
Os gritos insistiam, cada vez mais altos. Corro, desviando dos espinhos dos pequenos arbustos do local e seguindo o som dos gritos.
Meus olhos atinge o alto da árvore, onde Anne e Diana se abraçavam temerosas enquanto olhavam um esquilo roendo um pedaço de... Madeira?
-Isso é sério?! - indago.
-É um rato!
-Tira ele daqui!
-É um esquilo topeira! E ele não faz nada!
-Ele estava nos perseguindo!
-A claro! O " esquilo perseguidor". - digo sarcástica, tratando de espantar o roedor.
-O rato já foi? - questiona Diana.
-O Esquilo já foi. - digo frisando a palavra esquilo.
-E como descemos? - pergunta Anne.
-Do mesmo jeito que subiram: usando as pernas e os braços.
-É muito alto! - grita Diana.
-E eu com isso?! Tchauzinho. Ah! E antes que me esqueça: esquilos também sobem em árvores. - digo, ouvinso seus gritos voltarem com toda força.
Caminho rindo até os meninos, que por sua expressão, pareciam preocupados.
-O que aconteceu? Por que está rindo? - indaga Alfie.
-Calminha Kansas, é só um esquilo.
-E por que elas continuam gritando?
-O Esquilo não está mais lá, fiquem tranquilos. - digo, dando dois tampinhas no seu ombro.