REDEMPTION || H.S

By eviljigoku

705K 55.3K 84.5K

❝A crença derradeira é acreditar numa ficção, que você sabe ser ficção, nada mais além disso. A espantosa ver... More

➡ REDEMPTION
➡ TRAILER
➡ ELENCO
PRÓLOGO
1°- CAPÍTULO ✝
2°- CAPÍTULO ✝
3°- CAPÍTULO ✝
4°- CAPÍTULO ✝
5°- CAPÍTULO ✝
6°- CAPÍTULO ✝
7°- CAPÍTULO ✝
8°- CAPÍTULO ✝
9°- CAPÍTULO ✝
10°- CAPÍTULO ✝
11°- CAPÍTULO ✝
12°- CAPÍTULO ✝
13°- CAPÍTULO ✝
14°- CAPÍTULO ✝
15°- CAPÍTULO ✝
16°- CAPÍTULO ✝
17°- CAPÍTULO ✝
18°- CAPÍTULO ✝
19°- CAPÍTULO ✝
20°- CAPÍTULO ✝
21°- CAPÍTULO ✝
22°- CAPÍTULO ✝
23°- CAPÍTULO ✝
24°- CAPÍTULO ✝
25°- CAPÍTULO ✝
26°- CAPÍTULO ✝
27°- CAPÍTULO ✝
28°- CAPÍTULO ✝
29°- CAPÍTULO ✝
30°- CAPÍTULO ✝
31°- CAPÍTULO ✝
32°- CAPÍTULO ✝
33°- CAPÍTULO ✝
34°- CAPÍTULO ✝
35°- CAPÍTULO ✝
36°- CAPÍTULO ✝
37°- CAPÍTULO ✝
38°- CAPÍTULO ✝
39°- CAPÍTULO ✝
40°- CAPÍTULO ✝
41°- CAPÍTULO ✝
42°- CAPÍTULO ✝
43°- CAPÍTULO ✝
44°- CAPÍTULO ✝
46°- CAPÍTULO ✝
47°- CAPÍTULO ✝
48°- CAPÍTULO ✝
49°- CAPÍTULO ✝
50°- CAPÍTULO ✝
51°- CAPÍTULO ✝
52°- CAPÍTULO ✝
53°- CAPÍTULO ✝
ÚLTIMO CAPÍTULO ✝
EPÍLOGO

45°- CAPÍTULO ✝

7.1K 716 1.1K
By eviljigoku

O bar estava calmo, praticamente vazio desde que chegamos. Sean se entreteve com a sinuca, e Harry permaneceu perto do balcão. Eu já havia esclarecido todas as dúvidas em relação ao plano depois de uma longa conversar com Carl e Ross, e por isso não tinha muito o que fazer agora. Todas as medidas necessárias para que o plano entrasse em ação, já estavam sendo tomadas, agora apenas precisamos ser cautelosos e continuar com calma.

Poderíamos simplesmente voltar para o sanatório neste momento, mas antes, precisamos de mais alguma mentira para entregar ao Arthur. E também, aposto que não sou a única que quer estar bem longe daquele lugar, mesmo que isso signifique ficar sem fazer nada em um bar vazio. Qualquer coisa é melhor que o Waverly Hills.

Já faz alguns minutos que estou apenas sentada aqui, tentando me ocupar com alguma coisa. Por isso, não foi difícil me recordar de algo que acabei deixando de lado com toda essa confusão que vivi nos últimos dias, o aviso de Margot e Margaret em relação a minha ligação com Harry. Eu preciso me apressar e quebrá-la antes que eu acabe sendo afetada pelo lado demônio dele, e eu já estou com problemas o suficiente para de me dar ao luxo de acarretar mais um a minha extensa lista.

Eu deveria aproveitar esse momento e tentar dar início a tudo. O plano está decidido e já começamos a por ele em ação, o bar estava calmo, então essa era a hora perfeita.

Encaro o corpo de Harry que estava de costas para mim, enquanto tomo coragem para engolir meu orgulho depois de tudo.

Me levanto e vou em sua direção, me contorcendo por dentro. E durante o curto trajeto até o balcão, tento pensar em alguma desculpa para conseguir, nem que seja uma gota do seu sangue, exigência de Margot e Margaret para a quebra de nossa ligação.

Me sento em um dos bancos altos ao seu lado, sentindo Harry me observar de canto de olho.

Peço a Ross uma bebida bem gelada, pois, sabia que a mesma vinha acompanhada de um pequeno guardanapo no fundo, e isso seria muito útil neste momento.

— Você vai mesmo continuar me ignorando? — Dou um gole no líquido gelado, sem olhar para Harry. — Isso não é um pouco infantil?

Fico em um breve silêncio, esperando por uma resposta que não vem.

— Você nunca muda, não sei por que ainda tento. — Solto um falso suspiro, pegando o copo com o guardanapo e me levantando do banco para ir para longe de Harry.

Finjo um tropeço ao passar perto dele, deixando que meu copo escorregasse de minha mão, em tempo de vê-lo apanhar o objeto com uma agilidade sobrenatural antes que o mesmo caisse no chão, fazendo com algumas gotas da bebida respingassem para fora do copo. Ainda colocando em prática meu plano improvisado, faço um gesto para tomar o copo de sua mão, apertando o vidro e fazendo com que ele se partisse em nossas mãos, causando alguns pequenos cortes não só em mim, como em Harry também.

— Droga! — Resmungo, usando o guardanapo para limpar o meu sangue, passando discretamente sobre a mão de Harry também. — Foi mal, mas isso foi culpa sua por me irritar. — Falsamente o encaro frustrada, antes de sair de perto dele, deixando-o com um olhar desconfiado.

Ele desconfiando ou não, eu já tenho o que queria.

Guardo o guardanapo no bolso de minhas calças, e caminho para fora do bar, dando uma desculpa qualquer para Sean de que precisava tomar um pouco de ar. Ele apenas acena, concentrado demais em seu jogo de sinuca contra uma velha senhora de cabelos vermelhos.

Já do lado de fora, vou direto para o estacionamento onde sabia que Carl estava.

— Ei, Carl! — Chamo o motoqueiro que fumava um cigarro perto dos fundos do bar. — Pode me emprestar seu celular? — Ele assente, tirando o objeto do bolso de seu colete de couro.

Faço uma rápida ligação para Lana explicando que havia conseguido o sangue de Harry, e que era para ela avisar Margot e Margaret para preparem tudo, pois, eu iria acabar com essa ligação hoje mesmo. Minha amiga me informou que retornaria a chamada assim que tudo por lá estivesse pronto.

— Obrigada. — Entrego o aparelho de volta para Carl, me sentando em uma pequena mureta perto dele. — Você pode me levar até o edifício Hazelhills de novo?

— Posso, Ellise. Quando quiser ir é só avisar. — Carl apaga a ponta de seu cigarro no chão, se sentando ao meu lado.

— Certo, só vou esperar minha amiga retornar a chamada. — Digo, e ele assente outra vez.

— Como você tem estado esses dias? Não deve ser fácil descobrir que viveu uma grande mentira esse tempo todo. — Carl coça sua enorme barba branca, me encarando através de seus óculos escuros.

— Está cada dia mais angustiante. Ficar ao redor de todos quando eles sabem mais da minha própria vida do que eu mesma... isso é um saco. — Apoios as mãos na mureta e balanço os pés de forma cansada.

— Com certeza é.

— Mas acho que o pior mesmo é pensar que meus amigos e família veem mentindo para mim, me fazendo acreditar que eu era apenas uma humana. Eles até fingiram que tinham medo dessas coisas de seres sobrenaturais. — Encaro o chão cinza de concreto. — Eu me sinto um pouco rancorosa.

— Fique calma, Ellise. — Carl coloca uma mão sobre meu ombro. — Você não entende agora, mas no mundo sobrenatural também existem as hierarquias, e desobedecê-las gera consequências maiores do que no mundo humano. Tenho certeza que todos eles fizeram isso para o seu bem, um dia, quando você recuperar suas memórias, vai entender. — Ele dá um leve aperto em meu ombro, retirando sua mão em seguida.

— Eu espero que sim, porque já estou cansada de todos me falando isso.

Suspiro, verdadeira.

— Mas, e você, Carl, só luta para destruir o Arthur? — Volto a encarar o motoqueiro.

— Por enquanto, sim. O mundo das criaturas sobrenaturais também é ganancioso como os dos humanos, quanto mais poder você tem mais poder você quer. E eles não se importam em tirar do caminho quem atrapalha, ou se unirem com criaturas que deveriam ser seus inimigos. — Apesar de estar calmo como sempre, eu podia identificar a seriedade em sua voz. — Eu vou fazer uma coisa de cada vez, primeiro quero acabar com o Arthur, aquele cara é a pior criatura que eu já vi, não tem escrúpulos algum. Ele vem causando confusões pra todo mundo por anos, já está na hora disso acabar. — Carl respira pesadamente. — Não podemos fazer tudo de uma vez, mas acabando com Arthur grande parte dos problemas desaparecem. E depois podemos cuidar do resto. Sabe, Ellise, você tem sorte de não se lembrar de nada, o mundo sobrenatural se tornou tão nojento.

Carl parecia ser alguém com vontade de fazer a diferença, mas se isso já era difícil no mundo humano, quem dirá no sobrenatural onde o poder é muito maior.

— Espero poder te ajudar nisso. — Falo sincera, recebendo um sorriso em resposta.

O toque alto do celular de Carl, Black Sabbath, Iron Man, logo preenche o silêncio dos fundos do bar. Ele retira o aparelho que guardou no bolso de seu colete de novo, encarando o visor que piscava com um número desconhecido para ele, mas não para mim.

— É a sua amiga? — Carl pergunta e eu afirmo, e ele me entrega o celular.

Falo brevemente com Lana, que me informa sobre tudo já estar pronto, e que eu não precisaria me preocupar com alguém para servir de sacrifício, pois, Margot e Margaret já tomaram conta de tudo. Eu apenas preciso levar o sangue de Harry.

— Podemos ir agora? — Pergunto, entregando o celular de Carl.

— Vamos nessa. — Ele se levanta da mureta, e eu faço o mesmo.

Voltamos para o estacionamento, seguindo em direção a sua motocicleta, onde ele coloca um capacete e me entrega o outro.

— Carl, eu sou uma das garotas que mais andou na sua motocicleta? — Pergunto, ao subir na garupa.

— Não, mas é a mais especial, boneca. — Ele acelera sua máquina assim que passo os braços ao redor de seu tronco.

***

A motocicleta de Carl já estacionava em frente ao edifício Hazelhills. Eu realmente adorava andar com o motoqueiro, eu tinha uma sensação de liberdade.

— Quer que eu espere você?

— Não precisa se preocupar. Você já me trouxe até aqui.

— Vamos lá, Ellise. Eu vou visitar minha garota pelas redondezas, e depois volto para te buscar. — Ele acelera sua motocicleta outra vez assim que desço e te entrego o capacete extra.

— Tudo bem então. — Dou risada ao me recordar da primeira vez que peguei carona com ele, foi exatamente assim que ele agiu. — Nos vemos daqui a pouco. — Aceno para Carl, antes de me virar e seguir para dentro do edifício.

Converso rapidamente com Harvey, o porteiro gentil, e ele acaba liberando minha passagem, mas pede que eu tome cuidado.

Vou direto para as escadas, subindo muitos lances, o que me deixou bastante cansada quando cheguei ao meu antigo andar.

No corredor, paro um pouco para recuperar meu fôlego, já avistando Lana do lado de fora do apartamento.

— O que está fazendo aí? — Pergunto, atraindo a atenção de minha amiga.

— Você chegou.

— Por que está do lado de fora? — Me aproximo dela.

— Margot e Margaret não me deixaram entrar no apartamento delas, falaram que ninguém que não esteja envolvido nisso pode atrapalhar.

— Entendi. Eu vou lá entregar isso. — Retiro do bolso de minhas calças o guardanapo sujo de sangue.

Lana assenti, e se escora na parede ao lado da porta.

— Elas estão no apartamento de Margot. — Minha melhor amiga aponta para a porta branca quando me vê indecisa em qual deveria bater.

Me viro para o número de Margot, dando algumas batidas na porta, que logo é minimamente aberta mostrando apenas um pequeno pedaço do rosto de Margot.

— Você trouxe? — Ela pergunta, não mostrando o que tinha dentro de seu apartamento.

— Sim. — Levanto o guardanapo sujo no ar, e ela coloca sua mão para fora, o pegando. — Não vai me deixar entrar? — pergunto, confusa.

— Não. Fiquei aí fora. — Sem mais e nem menos, ela simplesmente fecha a porta na minha cara, me fazendo virar totalmente confusa para Lana, que dá de ombros.

— Talvez só o sacrifício possa ficar com ela. — Lana diz, se virando para entrar no apartamento.

— E quem elas arrumaram como sacrifício? — Entro no apartamento atrás dela, fechando a porta em seguida.

— Eu não sei, Ellie. Elas não me contaram muitas coisas sobre isso. — Lana se joga no sofá da sala. — Eu apenas fui dar o seu recado, e como elas não me deixaram participar de nada, eu fiquei aqui. Mas escutei o barulho de uma porta sendo aberta, elas pareciam conversar com alguém. Eu sai pra ver quem era, mas já tinham entrado, foi a hora que você me viu ali fora.

— Que estranho. — Me sento no sofá ao seu lado.

— Eu não sei, não entendo muito bem como funcionam essas coisas de rituais. Talvez elas só estejam seguindo o indicado.

— É, você deve ter razão. — Acabo dando de ombros também. — E como estão as coisas aqui fora?

— Difíceis. — Lana bufa, se sentando sobre os pés em posição de índio. — É desesperador ficar do lado de fora sem poder te ajudar. Preciso esperar até que você saia para poder fazer alguma coisa. — O descontentamento era claro em sua expressão.

— Mas você não está se encontrando com o pessoal do bar agora?

— Sim, mas mesmo assim. Você é minha melhor amiga e está nessa situação horrível. Tudo que eu faço parece pouco para te ajudar. — Ela me olha tristemente.

Me aproximo mais de Lana, a abraçando de lado, sentindo-a repousar sua cabeça em meu ombro.

— Não se preocupe, Lana, eu sei que você está tentando o seu melhor.

— Eu sinto tanto a sua falta, Ellie. Quando você sair do sanatório definitivamente precisamos morar juntas outra vez. — Sua voz era séria, me fazendo rir.

— Claro que vamos. Nem tivemos tempo de aprontar.

Ficamos algum tempo daquele jeito, apenas esperando que Margot e Margaret terminassem esse ritual de uma vez, mas a única coisa que conseguimos, foi ouvir um alto e agudo grito desesperador vindo do lado de fora. Um grito que fez todo meu corpo gelar.

Lana se desencosta de meu ombro rapidamente, me olhando assustada.

— Essa era a voz do Connor? — Meu coração salta ao escutar suas palavras, pois, foi exatamente o que eu pensei.

— Lana, você falou com ele hoje? — Me levanto do sofá, sendo seguida por minha amiga.

— Sim, ele disse que ficaria preso na biblioteca o dia todo tentando procurar mais pistas, por isso não falei nada pra ele sobre o ritual. — Ela responde em tempo de outro grito preencher o lado de fora.

Olho exasperada para ela, antes de nós duas sairmos correndo em direção a porta, seguindo diretamente para o apartamento de Margot, dando várias batidas na porta e gritando para que ela abrisse, neste momento, sem nem nos importar se os vizinhos ouviriam.

Mais alguns minutos de desespero batendo na porta foram o suficiente para que Margot finalmente a abrisse, nos mostrando mãos ensanguentadas.

— Terminamos. — Margaret surge atrás de Margot.

— Está feito, Ellinora. Sua ligação com Harry foi quebrada, você não corre mais riscos agora. — Margot completa.

Sem esperar por um convite, passo pelas duas, entrando apressada pelo apartamento e seguindo até à sala onde encontro um pentagrama desenhado sobre o chão de madeira, algumas velas ao redor, e um corpo sujo de sangue ao centro.

Um corpo desacordado. O corpo de Connor.

Meus olhos se arregalam, meu corpo inteiro se arrepia, e meu coração parece querer rasgar meu peito. Totalmente desacreditada da cena que vejo, corro até o corpo de Connor, afastando todas as velas que estavam perto. Pego sua cabeça a colocando sobre meu colo, encaro seu rosto, vendo uma pequena quantidade de sangue escorrer por seu nariz.

— O que é isso?! — Igualmente desesperada, Lana é a próxima a entrar em cena, correndo para perto de mim.

— Connor! — Chamo exasperada enquanto começo a chacoalhar seu corpo. — Vamos, Connor! Acorde logo! — Dou leves tapinhas em seu rosto, o vendo reagir.

— Ele está vivo! — Lana me olha com um misto de desespero e felicidade.

Connor se mexe em meu colo, abrindo os olhos lentamente, revelando suas íris totalmente brancas.

— E-Ellie? — Ele pergunta com dificuldade, enquanto seus olhos passeiam por diferentes direções.

Ele não estava me enxergando.

— Por que você fez isso, seu idiota?!

Já não consigo conter a vontade de chorar que foi me assolando aos poucos.

— Me desculpe... — Seus olhos continuam sem direções, ele não podia controlar.

— Por que você está pedindo desculpas? — Pergunto, em meio ao choro afobado.

— P-Por tudo. — Ele volta a fechar os olhos, respirando com dificuldades. — Eu... Eu queria poder te ver uma última vez.

— Connor, não precisa me pedir desculpas. Só abra os olhos, por favor. — Suplico desesperada, vendo Lana agarrar a mão de Connor, mas diferente de antes, ele não reage.

Connor respira por alguns segundos de forma dificultosa com muitos chiados — parecia doloroso demais — antes de cair em um silêncio longo e pesado. E nesse momento eu podia quase sentir sua vida indo para longe, eu pude sentir o calor de seu corpo se apagar.

— Não... — Sussurro para mim mesma, não acreditando no que acabou de acontecer. — Por favor, não. — Me inclino sobre seu corpo, o abraçando. — Connor, acorde. Por favor, acorde. — Choro sem uma esperança, sentindo Lana me abraçar.

Fico o que parece uma eternidade chorando sobre o corpo de Connor, não tendo nenhum tipo de estrutura para consolar minha melhor amiga, que também estava em um estado lastimável.

***

Me afasto de Connor, colocando seu corpo sobre o chão gelado.

O observo sem acreditar que ele havia morrido, que nunca mais veria seu rosto corado e tímido.

— Por que ele fez isso? — Seco as últimas lágrimas em meus olhos, tentando respirar fundo.

— Ele fez isso porque se sentia culpado. — Margot entra na sala, ou já estava, não sei, não prestei atenção.

— Culpado pelo quê? — Me levanto do chão.

— Por tudo, Ellinora. Connor tentou te ajudar no passado e não conseguiu, e desde então, ele vem se culpando por uma das piores coisas que te aconteceu. — Margaret explica, ficando ao lado de Margot. — Ele estava desesperado por te ver nessa situação, por te ver sofrendo de novo. E foi por isso que Connor se ofereceu como sacrifício alguns dias atrás, ele sentia que precisava te ajudar de alguma forma, e morrer por você foi o mesmo que acabar com essa culpa que o consumia. — Ela finaliza com pesar.

— E vocês aceitaram isso? — Pergunto inconformada.

— Essa era a vida dele, uma decisão que só Connor poderia tomar.

— Eu nunca pensei que ele chegaria a esse ponto. — A voz baixa de Lana, soa atrás de mim, me fazendo encará-la. Ela tinha um olhar atônito enquanto se mantinha ao lado do corpo morto. — Eu falei tantas vezes que ele não tinha culpa de nada. — Ela leva as mãos até o rosto.

— Essa merda de passado... — Sinto minha respiração acelerar ao me ver no meio desse caus. — Essa porcaria de passado! Tudo de ruim que está me acontecendo é por coisas que eu nem ao menos me lembro! — Grito desesperada, caindo de joelho. — Eu não aguento mais isso. — Apoio as mãos sobre o chão de madeira, vendo minhas lágrimas escorrerem de meu rosto até o assoalho.

— Vocês precisam se recompor. O mundo não vai facilitar as coisas. O amigo de vocês se foi em prol do plano, não deixem que a morte dele seja em vão. As coisas só vão piorar daqui para frente e chorar não vai adiantar nada. — Margot diz duramente, como se o nosso luto fosse algo errado nesse momento.

Qual o problema dela? Connor estava morto!

— Nós duas fizemos o que pudemos para ajudar. Acabamos com essa ligação, que foi criada quando te trouxemos de volta a vida, já que morreu pelas mãos de Harry. E por sinal, o que fizemos é mais uma quebra de regra. Nos metemos no que não devíamos, matando um anjo caçador. — Margot continua.

— Nós seremos responsabilizadas por tudo que fizemos até agora, não vamos mais poder ajudar. Teremos que ir embora, e por isso vocês precisam ser fortes, estão sozinhas de agora em diante. — Diferente de Margot, Margaret tenta ser um pouco mais consoladora, o que não ajuda em nada nesta atual situação.

— Como vocês podem ver, todos estão se sacrificando e dando tudo que podem para ajudar nesse plano, então façam ele dar certo.

Ficamos por ali até que tudo se acalmasse. As duas tentaram nos explicar tudo que poderia acontecer agora, e que precisamos honrar todas as escolhas feitas até o momento. Lana optou por não informar mais ninguém sobre a morte de Connor, já que a morte de mais um anjo caçador poderia causar grande confusão, ainda mais porque Margot e Margaret iriam assumir toda culpa disso com a Ordem sobrenatural dos anjos caçadores, e isso me assustava cada vez mais.

Não sei sobre quem está no topo, mas com certeza não são criaturas piedosas, já que minha falta de memória se deve a eles.

Lana também decidiu fazer um enterro para Connor na manhã seguinte, ele pelo menos precisa de um descanso digno depois de tudo que fez. Prometo a ela dar um jeito de tentar sair amanhã, já que quero me despedir uma última vez.

Queria poder ficar com a minha melhor amiga, pois sei que ela também está sofrendo, mas acabo tendo que voltar, ainda estou presa ao Waverly Hills.

Me despeço de Lana e vou ao encontro de Carl, que não demora ao chegar, e acabo desabafando com ele, que tenta me consolar a todo custo. Agradeço toda sua ajuda quando retornamos ao bar, e logo vou ao encontro de Sean e Harry que questionam o meu sumiço. Com a cabeça cheia de coisas, acabo ignorando os dois e pedindo para voltar de uma vez ao sanatório.

Eu só precisava ficar sozinha por um momento.

E ao retornarmos ao Waverly Hills, e notando meu estado, Sean toma a frente e inventa uma desculpa qualquer para Arthur, nos safando de suspeitas. Depois peço para conversar a sós com Arthur, o convencendo de me deixar sair no dia seguinte, com a desculpa de que quando matei os caras do galpão, eles deixaram escapar que poderia haver outros deles por ali. E temendo que o anterior se repetisse, Arthur acabou agendando minha saída para o dia seguinte.

Saio da sala de Arthur com um peso a menos nas costas, pois, pelos menos conseguiria ir ao enterro de Connor.

Sem a escolta de qualquer guarda volto para a solitária, encontrando Harry parado ao lado de minha cela, já usando seu uniforme.

— Carl nos contou o que aconteceu com seu amigo. — Ele cruza os braços, me encarando seriamente.

— E o que você quer? — Pergunto, me aproximando dele, sem cabeça para qualquer coisa neste momento.

— A culpa é sua, se você tivesse ficado quieta no seu canto nada disso teria acontecido, e seu amigo ainda estaria vivo. — Ele fala sem pestanejar, fazendo meus olhos marejarem.

— Por que você vai fazer isso comigo agora? — Pergunto, sentindo as lágrimas quentes escorrerem.

Espero mais algumas palavras duras, mas sendo completamente instável como é, Harry vem ao me encontro, me envolvendo em um abraço.

— Porque você precisa entender a consequência de suas ações, Ellinora. — Ele fala calmamente, me fazendo chorar mais ainda.

— Mamãe. — Escuto a voz de Madeline, o que me faz afastar rapidamente Harry.

Me viro em tempo de vê-la entrar na solitária com Ethan ao se encalce.

— Oi, querida. — Limpo meu rosto, tentando disfarçar todo meu sofrimento.

— O que foi, mamãe? — A pequena garotinha se aproxima, me olhando preocupada com seus grandes olhos.

— Todos estão fazendo tarefas, Sean chegou a pouco tempo, então Made pediu para vir te ver. — Percebendo a situação, Ethan se explica sem jeito. — Eu vou deixar vocês a sós. — Ele acena, antes de se virar e sair.

— Mamãe? — Made segura a barra de minha blusa, me olhando tristemente enquanto agarra seu ursinho.

— Ela vai ficar bem, Madeline. Só está cansada. — Harry se aproxima da garotinha, a pegando no colo. Ela me encara por mais alguns segundos, antes de assentir.

— Não se preocupe, Made. — Afago seus cachinhos, antes de me separar dos dois, saindo outra vez.

Eu não quero ficar perto dela assim, talvez eu só fique mais emotiva. Vou trocar de roupa e ficar algum tempo no banheiro até que eu me recomponha. Como Margot disse, preciso honrar as escolhas feitas, e preciso me preparar para o pior que virá daqui para frente.

Continue Reading

You'll Also Like

197K 23.9K 70
"Todas as lendas são reais", bem, eu, Harry gostoso Potter, a pouco tempo descobri que nem todas, mas em sua maioria sim. Em suma, o sobrenatural nos...
94.6K 3.2K 28
Um grupo de oito adolescentes vive sob as regras rígidas do Internato Crossfield, um lugar de muros altos, freiras vigilantes e segredos enterrados. ...
49.4K 2.7K 26
Nefferttary Halla, crescida e criada em um orfanato, com um sonho de ser alguém mais mesmo com esse sonho, que está longe de acontecer, ela sente com...
Wattpad App - Unlock exclusive features