Vale dos Aehmons

By CarolTSales

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®Todos os direitos reservados. Liberado por período indeterminado. (design de capa Debby Scar). Kassia é... More

Apresentação da obra e alguns spoilers
Capítulo 1 parte l
Capítulo 1 part ll - final
Capítulo 2
Capítulo 2 parte ll
Capítulo 2 part lll final
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 4 parte ll
Capítulo 5
Capítulo 5 parte ll final
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 7 parte ll
Capítulo 8
Capítulo 8 parte ll
Capítulo 9
Capítulo 9 parte ll
Capítulo 9 final
Capítulo 10
Capítulo 10 final
Capítulo 11
Capítulo 11 parte ll
Capítulo 11 parte lll
Capítulo 11 final
Aviso antes de capítulo 12
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 13 - a carta...
Capítulo 14
Capítulo 14 final
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 19 final
Capítulo 20
Capítulo 20 parte ll
Capítulo 20 final
Capítulo 21
Capítulo 21 final
Capítulo 22
Capítulo 22 final
Capítulo 23
Capítulo 23 final
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 25 final
Capítulo 26
Capítulo 26 final
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 28 parte ll
Capítulo 28 final
Capítulo 29
Capítulo 29 final
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 33 final
Capítulo 34
Capítulo 35
Capítulo 35 parte ll
Capítulo 35 parte lll
Capítulo 35 final
Capítulo 36
Capítulo 36 parte ll
Capítulo 36 final
Capítulo 37
Capítulo 37 parte ll
Capítulo 37 final
Capítulo 38
Capítulo 38 final
Capítulo 39
Capítulo 39 parte ll
Capítulo 39 final
Capítulo 40
Capítulo 40 parte ll
Capítulo 40 parte lll
Capítulo 41
Capítulo 41 final
Capítulo 41 - o último, ou epílogo...
Glossário e considerações finais.

Capítulo 40 final

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By CarolTSales



    Todos adentraram o quarto e viram Ailin caída no chão ao lado da cadeira com o ombro extremamente ferido e sangue vivo inundava a parte de cima do seu vestido iniciando uma poça ao lado do seu corpo.

— Eu não toquei nela eu juro!

    Danikas sacode Trevon a encará-lo.

— Junte todos que foram curados pelo sangue de Alegra — e como ele não reagia, ela o empurrou com um soco no seu peito — Vai Trevon!

    Isso o fez reagir e ele desapareceu em seguida.

— Deus! Ailin, não...

    Com o susto Kassia havia se virado na cama e todos viram o estrago causado nas suas costas nuas. Centenas de cortes profundos sangravam em abundância e alguns chegavam a deixar ver até os ossos. Ela estava deitada em cima de uma piscina feita com o próprio sangue e implorava a Deus em pânico pela vida de Ailin.

— Eu já disse que não vou desistir sua desgraçada! Ah Deus, Ailin! Deus por favor!

    Jarel solta o ar por entre dentes trincados e ultrapassa os machos seguindo na direção de Kassia, ele põe a palma da sua destra próxima à fronte dela e no mesmo instante ela cai de lado e permanece deitada e inerte com os incríveis olhos úmidos abertos.

— Eu estou tentando Dani, eu juro que estou tentando.

    Lágrimas de sangue banhavam o rosto de Alegra e Danikas a apertou em seus braços acalentando-a.

— O quê que ela está tentando?

— Se acalmar, descobrir uma forma de reverter o processo.

    Trevon aparece nesse instante e a sua expressão é de pesar.

— Os que foram mais feridos não resistiram e os que foram menos, não estão em situação melhor por isso.

    Danikas ampara Alegra quando suas pernas falham em mantê-la de pé e Zhelter segura no pulso de Ferguz segundos antes dele levar a boca meneando a cabeça em negação;

— Vai com calma, rapaz. — num piscar ele puxa uma adaga do bolso traseiro e espeta seu pulso em um corte mínimo, porém suficiente para sangrar, Ferguz o agradece com um aceno antes de levar a boca da sua amada, acariciando seus cabelos com a outra mão.

    Ailin respira com dificuldade enquanto se alimenta de Ferguz e o seu olhar está fixado no leito onde já não consegue mais ver a sua Mäi. Do nada o ferimento anterior em seu ombro começou a sangrar e o olhar aterrorizado da amiga ficaria para todo o sempre gravado a ferro e fogo em sua memória.

    Mais do que preocupação, o olhar de sua Mäi era um olhar de amor preocupado, desesperado. O mesmo tipo de amor que ela sentia pelos bebês em seu ventre. Abnegado. Incondicional.

    Impossibilitada de falar pela compulsão lançada por Jarel sobre seus nervos Kassia chama por Ores em pensamento e ele a atende no mesmo instante. O meu sangue, faça Ailin beber meu sangue. Junte os Sions e faça todos os outros beberem também.

    Nem mesmo ela tinha certeza de que daria certo. Agiu por instinto a mentalizar sua energia no sangue derramado e quando as luzes começaram a piscar no quarto imaginou que estava no caminho certo.

    Ores se inclinou ao lado de Ferguz e ele grunhiu quando Ailin soltou o seu pulso. Seus dedos enrugados estavam tingidos do sangue da sua Mäi e ele o passou em seus lábios. Tão logo engoliu sentiu o poder dela correndo em seu corpo e alcançando com um leve ardor a ferida entre seu ombro e pescoço.

    Quem a feriu, Ores?

    Kassia seguiu o olhar de Ores e engoliu com dificuldade sentindo o gosto do próprio sangue.

    Dërhon.

    Ele a ouviu em sua mente e de súbito sabia o que devia fazer, mas Ferguz grunhiu alto e ameaçador com a sua aproximação e Kassia se concentrou em contê-lo pela compulsão.

— Por favor, Ferguz. Permita que eu alimente a mãe dos seus filhos.

    Dërhon se ajoelhou na sua frente e Ferguz trincou os dentes fechando os olhos com força. Isso era o máximo do consentimento que podia dar, e desconfiava que estivesse recebendo algum tipo de apoio pra isso.

    Zarcon havia aconselhado que Danikas levasse Alegra para o quarto, mas ambas se negaram a sair dali. Logo uma dúzia ou mais de Sions começaram a entrar no quarto sob o comando silencioso de Ores e eles traziam copos de cristais vazios em suas mãos direitas ao se aproximar da cama. O último Sion a entrar trazia uma jarra cheia de sangue que foi parar ao lado da jarra com sangue de Zarcon e nesse momento Alegra se soltou do abraço de Danikas e caminhou até a cama ajoelhando-se a ficar de frente para o rosto de Kassia.

    Ambas estavam se comunicando mentalmente e Alegra assentia com o rosto banhado de lágrimas de sangue. Ailin soltou o pulso de Dërhon levando-o a fronte após tê-lo lambido em agradecimento e ele se levantou.

    Orion assentiu na direção de Kassia e Zarcon se deu conta de que ela estava se comunicando também com ele em pensamento e ele o encarou logo depois.

— Preciso de alguém com autoridade a acompanhar meus irmãos junto aos Sions para cuidar dos feridos.

— Eu vou.

    Disseram Danikas e Trevon ao mesmo tempo e Alegra se levantou.

— Eu também irei.

    Orion e Dërhon se encararam por um segundo, Orion assente discretamente engolindo em seco e a população dentro do quarto é radicalmente reduzida. Ferguz auxilia Ailin a sentar de novo na cadeira e ambas não desgrudam o olhar uma da outra deixando bem evidente que se apoiavam mutuamente.

    Jarel estava recostado na parede no canto do quarto e parecia estar com raiva do mundo mediante a sua expressão, Ores se aproximou sem que desse conta e trazia os dedos manchados com o sangue vivo de Kassia.

— Por favor, senhor. É preciso... — ele aponta o seu braço e só então Zarcon percebe que voltou a sangrar. Ele o descobre da manga estendendo-o e o Neimo passa os dedos sobre o ferimento, que se fecha em poucos segundos, como deveria ter acontecido antes.

— Permita-me alertá-lo que ela precisará de ambos, meu rei. É necessário que se alimente e descanse por algumas horas.

— Não vou sair daqui, Ores. Esqueça.

    Senhor, sei o que se passa no coração e mente da menina. Amo-a como se fosse minha filha. Perdoe minha impertinência, mas ela precisará de tudo que puder dispor, tanto físico quanto emocionalmente e o senhor não estará com muito se não se alimentar e descansar. Ela já vai passar por uma grande provação. Sejas piedoso, meu rei.

    Golpe baixo Ores. — mas estava ciente de que o Neimo tinha razão.

    Zarcon aponta o quarto dos bebês com um breve aceno e Orion não discute, ciente de que era o mais longe que seu rei conseguiria estar da menina que havia cativado seu negro coração.

— Mandarei servi-lo lá agora mesmo, meu rei.

    Ores se inclina em reverência e desaparece em seguida. Zarcon não consegue sair do lugar e mentalmente conclama a Guardiã em busca de respostas. As jarras de cristal explodem em cima da mesa e tanto seu sangue quanto o de Arthorm viram cinzas num piscar de olhos.

    Kassia entrefecha os olhos se concentrando para não ganir de dor e Ailin ameaça levantar, mas Ferguz a impede. Seus olhos estão secos e levemente opacos e ela volta a olhar para sua Mäi que pede desculpas em pensamento e logo tudo escurece adormecendo seus sentidos.

    Movido pela compulsão, Ferguz levanta a sua amada em seu colo, mas logo pisca voltando a si e Ailin começa a se debater em seus braços. Ferguz a solta e ambos se comunicam mentalmente, ele balança a cabeça assentindo envergonhado e desaparece.

    Ailin se ajoelha ao lado da cama e tomando o cuidado de não tocar na amiga ao ver o terror estampado em seus olhos, ela lamenta baixinho;

— Por Mahren Mäi, Kassia. Não sabe o quanto sofri ao acreditar que estava morta todos esses meses? Sei que quer me poupar, mas não vou sair daqui ou fechar os olhos pelo que sofreu por mim, por todas nós.

    Kassia fecha os olhos derramando mais lágrimas e Zarcon sente o chamado persistente de Dërhon em sua mente.

    Zarc, tem que vir ou tirar Alegra daqui antes que ela surte de vez.

    Zarcon recebe as imagens dos corpos dos soldados feridos e mortos e envia as imagens das jarras de sangue explodindo sobre a mesa.

    Caralho, meu! Porque está acontecendo essa merda toda? Isso aqui está parecendo um mar de sangue e eu também não estou cicatrizando! Alegra não para de chorar lágrimas de sangue e Danikas já quebrou alguns pescoços aqui. Já perdemos a conta de quantos mortos e o monte de corpos na arena só faz aumentar!

    Zarcon leva a mão na fronte e só se dá conta de que estava caindo quando Orion o ampara segurando-o pelos ombros.

— Não está funcionando para os outros.

    Zarcon balança a cabeça afirmando. Era tarde demais para muitos deles.

— Ah merda.

    Jarel. Tem que me soltar. Eu preciso fazer alguma coisa!

    Não estou te prendendo, K, só o que fiz foi amenizar a sua dor.

    Kassia tenta se mexer e nenhum dos seus músculos funciona, sua visão já debilitada começa a falhar ao mesmo tempo em que começa a ver claramente pelos olhos das suas irmãs de raça, de Ferguz e Trevon, dos irmãos de Orion e até de Dërhon. Tantos mortos, tantos feridos...

    Kassia sente Orion subir na cama pelas suas costas e ele aproxima a mão retirando-a rapidamente ao sentir a energia que emana do seu corpo como se o tivesse queimado. O cheiro de carne queimada retira sua suposição. Ele havia sido queimado seriamente. Ela viu pelos olhos de Ailin a mão em carne viva, mas mesmo assim ele puxou o cobertor para encobrir o seu corpo antes de se afastar.

— Não sei o que fazer para te ajudar, K.

    Ajude seus irmãos, salve o máximo que puder. É o que pode fazer por mim, Orion.

    Orion desaparece. Pouco tempo depois Zarcon segue ao chamado de Ores, mas ele segue primeiro ao quarto de Arthorm e vê a Sion batizada de Sara ajoelhada no canto do quarto observando os bebês com seus brinquedinhos, na cama vê Arthorm deitado de barriga para cima com os olhos abertos e sem foco. Suas palmas estavam queimadas e seu corpo tremia de leve a cada cinco segundos. Zarcon também observou que seu pulso já não sangrava, mas não havia cicatrizado e cambaleou com uma terrível dor a latejar em suas têmporas. Ores o auxiliou a chegar ao quarto dos bebês, onde a mesa havia sido posta para ele e seus olhos fixaram no copo duplo com o líquido vermelho vinho e espesso ao lado do prato.

— De quem é o sangue?

— Parte é da menina e parte foi ofertada de bom grado pelas demais fêmeas que habitam este mundo, meu rei. Todas tem a menina em alta conta e desejam participar do seu reestabelecimento.

    Zarcon levanta o copo observando o líquido escuro e denso dentro dele e o leva a boca com desconfiança de que não adiantaria, e não estava enganado.

    O gosto rico e levemente metálico era o mesmo, mas as sensações em seu organismo não aconteceram como se era esperado, não houve o aquecimento das suas veias e a dormência nos membros começou de baixo para cima antes que tomasse seus braços ele se deixou cair na cama pedindo água.

    Ores atendeu prontamente e Zarcon engoliu em curtos goles com estômago revirado. Não demorou nada para que colocasse fora todo sangue ingerido em espasmos violentos, e a solicitude de Ores com a porra do balde na frente da sua cara o deixou realmente irritado e grato ao mesmo tempo! Já não havia mais nada para vomitar, mas seu estômago teimava que havia e imaginou que conseguiria virá-lo do avesso quando uma cópia quase exata de Kassia toma forma na porta do quarto e até teria acreditado ser a mesma pessoa se não estivesse ciente da sua presença no quarto ao lado.

    Ores se afastou e a cópia idêntica se aproximou abaixando-se de joelhos ao seu lado mordendo o próprio pulso a oferecê-lo. Zarcon sentiu suas presas se pronunciarem no instante que sentiu o cheiro e pensou em recusar, mas sua natureza não deu a mínima aceitando o que foi ofertado mais rápido do que ele pudesse enunciar.

    Quem é você?

    A cópia lhe sorri e ela tem presas levemente pronunciadas para frente, de um jeito que lhe pareceu encantador.

    O alimento certo? — ela responde também mentalmente de bom humor.

    E o alimento certo não tem um nome?

    Se tudo der certo, terei. Gosto de Kenia com K. Me lembra momentos felizes. Talvez venha tatuado logo abaixo de onde emergirá o meu Onigeun para não haver dúvidas. Ainda estamos negociando.

    Zarcon sente todas as reações certas conforme o sangue dela entra em seu organismo e ele sente um beliscar suave e continuo na ponta da sua orelha, mas quando olha na direção do braço livre ela puxa a mão com o sorriso nos lábios rosados.

    Desculpe. É uma compulsão minha.

    Estava bom.

    Seu sorriso se abre mais em perguntar;

    Posso continuar então?

    Por favor.

    Ela volta a segurar na ponta da sua orelha como se houvesse ganhado na loteria enquanto ele se alimentava dela e momentos depois ela o solta em mesmo tempo que ele solta seu pulso.

    Melhor?

    Grato, Kenia.

    Então. É assim que será a nova era. Sangue direto da fonte, de preferência do sexo oposto da mesma espécie. Não é legal?

    Nada de Miellens.

    Sexo oposto com certeza, porém, o sangue ainda será mais fraco.

    Se não for direto da fonte...?

    Ela sorri abertamente e pequenas covinhas aparecem em suas bochechas rosadas ao sugerir;

    Uma senhora indigestão como sobremesa?

    Como a que eu tive aqui.

    Pior, com certeza. Principalmente depois de avisados.

— E porque ainda estamos conversando em pensamento?

— Pensei que fizesse parte do protocolo.

    Sua voz tinha um timbre um pouco mais agudo que a de Kassia.

— Você me lembra muito de alguém, Kenia.

— Imagino que sim, mas se tudo der certo terei olhos azuis, claros como céu de verão.

    O seu corpo começa a oscilar e Zarcon pode ver a parede por trás dela.

— Tenho que ir agora. Meu corpo físico foi animado com a energia da nossa Guardiã somente para essa missão.

— Vou te ver de novo?

— Espero muito que sim. — ela responde com empolgação juvenil.

— Eu, não fiquei excitado. — e também não sabia por que precisava ter deixado isso claro, mas ela o brindou com outro sorriso aberto, e isso o deixou ainda mais constrangido.

— Não posso dizer que isso me deixa triste. Fique bem, meu rei.

    Em um redemoinho suave ascendente todas as moléculas dela se espargem no ar até que não há mais nada visível dela no quarto, mas a lembrança do sorriso aberto permanece em sua mente.

☼   


(Até breve...)

Carol Sales.

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