OH GENTE, QUASE 5 MIL PALAVRAS
SE EU NÃO TIVER MAIS DE 50 COMENTÁRIOS NESTA MERDA, CHEIA DE MOMENTOS ZELLA, EU MANDO-ME DA PONTE MAIS PRÓXIMA OK?
Brincadeira, bem, dedico isto à Guida, só porque ela foi a primeira e única a ouvir pela minha boca o que o Mark ia fazer. Só mesmo porque sim ahahah e pronto, votem, comentem pls, e boa leitura
*
O jogo foi interrompido quando uma das jogadora, a Simone, não se levantou; porém, ao contrário dela, os restantes membros de ambas as equipas levantaram-se, caminhando em passo acelerado na direção da rapariga que não se mexia. Não levaram muito tempo a perceber que ela não estava em condições de jogar: batera com a cabeça, tinha a visão enevoada e tonturas deveras preocupantes. Entramos em desespero. A Simone foi levada para uma saleta qualquer no pavilhão onde os rapazes jogavam, junto da professora Janette.
Em muito pouco tempo, uma decisão teve de ser tomada, algo com que eles nem sequer tinham pensado. A equipa estava toda reunida em volta de uma Perrie agoniada e de um Zayn com os pensamentos a mil à hora, e as raparigas não ajudavam, principalmente as efetivas, que tagarelavam umas com as outras e, ao mesmo tempo, para ninguém em específico sobre o rumo do jogo. Estava 25-24, só precisávamos de um ponto para ganhar, mas eles precisavam de dois, e estavam mais perto de os conseguir, com uma Levantadora experimente.
Mas rapidamente chegaram à conclusão de que a única alternativa... seria eu.
"Bella..." Arfou a Perrie, colocando as mãos nos meus ombros, perante os protestos de algumas das raparigas. "Sabes bloquear, sabes receber, podias saber fazer ambas as coisas melhor, mas não há tempo para isso. Tudo o que peço é que faças a mesma magia que fizeste no teu primeiro treino, que enganes toda a gente, que passes a bola a quem quiseres, estamos a um ponto da vitória. Por favor!"
Eu estava convencida de que não iria pôr os pés naquele campo uma única vez, que o meu empenho e dedicação se expressaria através dos bancos dos suplentes, que esse era o meu único e permanente papel na equipa da escola secundária de Bradford. Pelos vistos, vou ser atirada para o meio da batalha repentinamente, com plena noção de que é um público demasiado grande a olhar para mim, com uma pressão nos meus ombros maior do que qualquer coisa que alguma vez sentira, demasiadas esperanças que não morreram por minha causa.
E, de qualquer das maneiras, eu não era a única a sabê-lo.
"Ela não pode entrar, não quando estamos tão perto de ganhar esta porra!" Resmungou a Maria. "A Alyssa consegue fazê-lo!"
"Devíamos dar uma oportunidade à Bella." Argumentou a Alyssa. "Se perdermos, bem, é rotina. Tentamos para o ano!"
"Não é rotina, há cinco anos que não chegamos assim tão longe, não vamos deitar tudo a perder por causa dela!"
Um tumulto eclodiu. Ao mesmo tempo, toda a gente expressava os seus sentimentos revoltosos e foi necessário um berro do Zayn para cessar tudo isto: "CHEGA!" O árbitro apitou. "Ela vai para o campo, quer vocês queiram, quer não. Ela só tem de passar a bola, é tudo o que é pedido. Bella, campo, Maria, banco. A Annie vai estar no teu lugar agora. A Simone deve voltar daqui a nada, se ela estiver em condições, mudamo-la de novo. Tudo o que tens de fazer é aguentar até a Simone chegar, percebeste? Agora, vocês as seis, campo!"
E eu percebi, desde o tom claramente nervoso ao seu pestanejar constante, que nem mesmo ele acreditava que eu era capaz de fazer alguma coisa, e isso, de verdade, que doeu.
Posicionei-me no lugar da Simone. As adversárias certamente estariam a pensar que tipo de ameaça era eu... mas eu sou tão má que isto provavelmente é um jogo de sete contra cinco, onde eu estaria do lado dela. Servimos. O serviço da Taylor atravessou o campo com uma força quase palpável, cortando o ar e sendo recebido com extrema dificuldade. Pouco tempo depois, a Amy e a Lizzy saltaram para bloquear a bola e o meu nervosismo era tanto, não só por causa da pressão, mas pelo sem-número das pessoas que me observava, que eu não saltei e deixei a bola passar por mim. A Annie recebeu-a mal e a bola saltou para fora do campo.
Entendendo elas que eu não iria fazer grande coisa, apenas limitar-me a passar, começaram a dobrar os seus cuidados. Já íamos nós aos 27-28, com Keighley à frente, e tudo o que eu fizera fora passar a bola. Voltamos a empatar, com um ponto da Maria, mas logo a seguir sofremos um ponto.
Tem sido sempre assim, conseguimos empatar, mas Keighley avançava sempre primeiro. Se empatássemos, lá estavam elas a marcar de novo. Chegamos aos 30-30 e se eu estava cansada, as raparigas à minha volta estariam exaustas. Quando marcaram o trigésimo primeiro ponto, era a minha vez de servir. Não sabia fazer nada de espetacular como a Perrie ou a Taylor. Limitei-me a passar a bola. A Taylor marcou, 31-31. Tudo se foi repetindo até que, aos 35-35, a Amy mandou uma bola diagonal.
Pela primeira vez, nós estávamos em vantagem. 36-35, mais um ponto e ganhávamos. Não. Falhes. Bella.
"Se voltamos a perder a vantagem, eu espanco-te!" Rosnou a Maria.
Servimos. Estavam todas cientes de que era a nossa oportunidade, por isso limitavam-se a bloquear e a passar a bola para o outro lado, esperando o momento certo para atacar. Eu estava entre a Lizzy e a Amy, na linha da frente, e foi do nada que as palavras da Simone me encheram a mente.
Eu não posso atacar, disse-lhe eu.
Não podes ser muito óbvia. Quando a bola vier, não podes dar a entender à outra equipa que é isso que vais fazer, senão eles aproximam-se da rede. Fica sempre na posição de quem vai passar a bola para alguém e, no momento de a passar, não a passes.
Quando a Hayley recebeu a bola, posicionei-me debaixo dela. Olhei para a Amy, tinha de dar a entender que seria ela a atacar. Assim que a bola se aproximou o suficiente dos meus dedos, eu vi as raparigas de Keighley prepararem-se para saltar em frente da Amy, e também ela preparava-se para atacar, fletindo as pernas, pronta para dar o maior salto da sua vida. E toda a gente me observava atentamente... E, no momento exato, tanto a Amy saltou para atacar e duas raparigas de Keighley também o fizeram para bloquear o ataque...
Mas eu limitei-me a dar uma leve pancada na bola com a mão e ela passou por cima da rede, deslizando por ela, e embateu no chão.
O silêncio era tão grande que parecia criar uma espécie de baques secos nos meus ouvidos, como se um monte de mulheres de saltos altos estivesse a descer umas escadas de mármore. Assim que o árbitro assinalou o ponto, marcando a diferença de dois pontos entra Bradford e Keighley, os gritos e aplausos rebentaram.
O grito de guerra foi o da Perrie, que imediatamente se atirou para os braços do Zayn, expulsando a felicidade que ameaçava explodir dentro de si de tanta que era. Nem sequer consegui ficar zangada com aquilo. Depois, a festa prosseguira nas raparigas em campo, nas raparigas nos bancos, na multidão que viera com o intuito de nos apoiar ou cujas equipas se foram perdendo, mas que preferiam a nossa vitória.
Fui abraçada pela Amy, abanada bruscamente pela Lizzy, e a Annie tentou pegar em mim ao colo, apesar de não ter conseguido. Reunimo-nos em campo e a Perrie só não se atirou para cima de mim porque sabia que me atiraria ao chão. Posteriormente, fui congratulada pela professora Janette, que tinha voltado da enfermaria com a Simone mesmo a tempo de ver o último ponto. E ela estava lá, com um saco de gelo na cabeça e um enorme sorriso.
"Bem, ao menos ensinei-te alguma coisa."
Só depois de tudo isto é que a realidade me atingiu: eu marquei o ponto da vitória.
No meio de tanta algazarra, tantos abraços e palmadinhas nos ombros uns dos outros, acabei frente a frente com a Maria e a Taylor, festejando, pela primeira vez em cinco anos, a vitória de um torneio. Quando a calma assentou, embora temporariamente, elas calharam de olhar para mim, hesitantes. Depois, encolheram os ombros e a Ás de Bradford estendeu-me a mão.
"Bem vinda à equipa." Apertei a mão dela e, como se fôssemos um detonador, a festa rebentou de novo.
A viagem de regresso foi muito mais agitada do que fora de manhã. Ninguém dormia, ninguém estava calado, ninguém fazia sequer menções de se acalmar. Tudo o que ocupava as nossas mentes era o facto de termos um motivo para continuarmos a treinar: o torneio de Carnaval, a meio de fevereiro.
"Parece que sempre vamos celebrar em casa da Annie, portanto." Comentou o Zayn, ao meu lado no autocarro.
"Tal e qual o plano."
Quando chegamos a Bradford, a maioria das raparigas foi logo embora, em carros que já esperavam por elas. O Zayn também entrou no seu carro e se pôs a milhas, esperando a minha mensagem a informá-lo de que já era seguro vir-me buscar. Fiquei debaixo da paragem de autocarros, o único sítio abrigado da chuva miudinha, com as raparigas do nono ano e a suposta anfitriã da festa de logo à noite.
Assim que a mãe de uma das raparigas do nono ano as veio buscar, mandei uma mensagem ao Zayn, a estourar de impaciência, pois já havia passado uma hora desde que o autocarro nos deixara em frente à escola. Por conseguinte, esperei ainda mais dez minutos pelo Zayn, já a chuva começara a cair ainda com mais intensidade. Mal o carro dele parou na beira da estrada, lancei-me lá para dentro, recebendo logo um beijo.
"Espero que te estejas a desculpar pelos dez minutos que demoraste a chegar." Resmunguei na brincadeira.
"Oh, fui tomar um café ao Caravela e apanhei lá a minha irmã e ficamos a falar." Virei-me para a janela, com o queixo levantado e a tenta passar a imagem de que estava profundamente irritada. "Quando conheceres a Doniya, vais perceber."
Era estranho ouvi-lo falar de uma das irmãs dele. Às vezes esqueço-me de que não sou a única pessoa a ter mais irmãos que sei lá eu bem o quê. Comecei-me a rir e a mentalizar-me de que ia passar o resto do dia com ele, e era tudo o que eu precisava.
E logo que entramos para o corredor através da porta que dava para a garagem, os latidos de um Yasuo ligeiramente encharcado foram ignorados por completo, quando fico encostada entre um corpo quente e uma parede.
"Aquilo foi sorte, ou sabias mesmo o que estavas a fazer?" Perguntou ele quando afastou momentaneamente os seus lábios dos meus.
"Acho que ambos."
"Ainda bem que a Annie se lembrou de organizar uma festa." Desmanchei-me a rir. "Merecemos mesmo celebrar, não achas?"
"Acho, pois." Envolvi o seu pescoço nos meus braços e os seus lábios roçaram de novo os meus.
Tudo bem que sou contra gorduras, e guloseimas, e comida de plástico, e tudo e mais alguma coisa, mas quando o Zayn me oferece uma pizza, é-me impossível recusar; assim sendo, sentamo-nos no seu sofá, com o Yasuo enroscado nos meus pés a dormir, a ver um filme qualquer na televisão e a dividir uma pizza com queijo, fiambre, azeitonas e cogumelos.
Após acabarmos de jantar, o frio começou a acentuar-se ainda mais, então simplesmente nos enrolamos no sofá dele, a ver televisão e a falar de tudo e de nada ao mesmo tempo.
***
Doía-me o pescoço e tinha uma perna dormente quando acordei; provavelmente, a perna adormecida foi a razão pela qual acordei. Atrás de mim, estendido igualmente no sofá, estava o Zayn, com os olhos fechados e um respirar demasiado regular para ele estar desperto. A televisão ainda estava ligada e estava a dar um filme de terror qualquer, pois a primeira coisa que vi quando para lá olhei foi um boneco a percorrer uma casa.
A realidade atingiu-me. Está a dar um filme de terror... que horas serão? (eu parei de escrever uns 10 minutos para constatar o facto de a palavra boi ser tótil estranha)
Cautelosamente, mexi-me no sofá para tirar o telemóvel do bolso do casaco sem acordar o Zayn. Eram duas e um quarto da manhã e tinha mais de vinte notificações: três conversas no WhatsApp, uma notificação do Twitter, catorze chamadas não atendidas da minha mãe e oito do Mark. A última chamada não atendida do Mark foi à uma e meia, ou seja, a minha mãe por esta altura já deve ter ligado à polícia e aos bombeiros. Eu não acredito que adormecemos.
Com o dobro do cuidado anterior, tirei o seu braço de cima do meu corpo e arrastei-me pelo pouco espaço restante do sofá para sair; por pouco não pisei o Yasuo, que também dormia. Em seguida, desliguei a televisão, antes que apanhasse outro susto de morte - odeio filmes de terror! - e liguei ao Mark, pois as últimas chamadas eram dele e a minha mãe já devia estar a dormir. Ele não.
Como esperado, ele atendeu.
"Bella, Bella, Bella..." Suspirou, mas algo no seu tom de voz trocista me fez arrepiar. "Como está a ser a tua noite, Bella?"
Porque é que ele não está... assustado... sei lá, eu já nem sei como ele devia estar perante o meu súbito desaparecimento inexplicável. Porque é que ele está tão calmo?
"Ah... desculpa, eu... eu adormeci na casa da Annie."
"E nenhuma rapariga viu o teu telemóvel a tocar umas vinte vezes e te acordou para tu atenderes?" Constatou ele, e eu quase que sentia o sorriso cínico dele do outro lado da chamada.
O que se passa aqui?
"Mark, o que se passa?"
Ele tossiu para clarear a garganta. Vinha aí testamento oral.
"É meia-noite e tu não estás em casa." Começou. "Uma Blythe preocupada com a sua filha Bella decide ligar-lhe para saber se ela vai demorar. O que acontece? A filha não atende. Depois de ligar mais umas dez vezes na próxima meia hora, a filha continua a não atender. Então eu disse, Mãe, relaxa, a Annie é da minha turma, eu ligo-lhe e vejo já o que se passa."
A minha equipa, para além de mim, tem mais doze raparigas, e até mesmo a Perrie seria uma boa ideia, mas eu tive de dizer que a festa seria na casa de uma rapariga QUE ANDA NA TURMA DO MARK E DO HARRY!
"Liguei à Annie, perto da meia noite e cinquenta... perguntei-lhe se ela podia passar-te o telemóvel. Claro que ela ficou confusa e eu disse-lhe, a Bella não está na tua festa? Sabes qual foi a resposta maravilhosa dela? Que festa?" E alagou-se a rir.
Eu estou tramada. Verdadeira, completa, total e profundamente tramada.
"Não havia festa de celebração nenhuma!" Concluiu o Mark, ficando cada vez mais feliz a cada palavra proferida.
Somos cinco irmãos; o Mark passou a sua adolescência de castigo, a Martha é proibida de sair de casa várias vezes, a Catherine e o Peter são mandados para o quarto pelo menos uma vez por semana por terem feito algo de errado. Eu não. Eu sempre fiz tudo direito, eu sempre fui obediente, bem educada, sabia-me controlar, devo ter ficado de castigo umas duas ou três vezes. O maior sonho do Mark é apanhar-me no maior dos sarilhos deste planeta.
E conseguiu.
"Então, quando desliguei a chamada da Annie, decidi ligar-te. Eu tinha de saber onde estavas antes de dizer à mãe, porque se eu lhe dissesse, ela ainda ligava para o 112 ou para o 999 ou, sei lá. MAS TU NÃO ME ATENDIAS TAMBÉM! Mas pus-me a pensar... tu disseste que ias a uma festa que não existia. Tu não desapareceste porque alguém te raptou ou planeava vender os teus rins no mercado negro, tu ias a algum lado e precisavas de arranjar uma maneira de ir a esse mesmo lado." (999 é o número do reino unido para emergências)
É incrível como um rapaz que chumbou no sétimo ano e que trocou de curso no décimo por causa das notas horríveis que obtivera em Economia consegue perceber tudo partindo de um imenso nada.
"Bom... tu foste a algum lado que, provavelmente, os pais não te deixariam ir. Comecei a pensar onde estarias, e depois lembrei-me daquela treta toda que te disse no dia em que te fui buscar ao McDonald's. Não foi muito difícil de perceber que andavas a tentar comer alguém."
"Eu não ando a tentar comer ninguém." Carranquei, interrompendo-o pela primeira vez.
Ele já percebeu tudo. Amanhã, estou feita.
"Ssh, Bella, não estás em condições de me interromper."
Não sei o que dá mais prazer ao Mark, a vagina da Anna ou o facto de me poder lixar até ao fim do secundário. (EU RI TANTO A ESCREVER ISTO)
"Somei 2+2. Não sabes disto, porque a mãe nos matava se te contássemos, mas já não adianta de nada: já toda a gente desconfia que tu não fazes metade daquilo que dizes que vais fazer. Os treinos de vólei, OK, foste a um torneio ontem, marcaste o ponto da vitória, pelo menos os treinos de vólei eram verdade, mas eu desconfio que nem todos eles tenham sido. A cena é: Bella, tu neste período deves ter saído de casa mais vezes do que no resto da tua vida, e não venhas dizer que é por causa da lista. O Harry é da lista, o Harry é da minha turma, o Harry admitiu que trabalharam no Halloween um dia ou outro, e na festa de Natal apenas se juntaram na véspera para atribuir tarefas. No entanto, passavas todas as tardes em casa da Carly, a preparar coisinhas para a festinha. Pois, claro, Bella. A Carly não te disse que a mãe lhe ligou? Achas que o fez porquê?"
Tenho o coração nos pés.
"Num dia desses, a mãe decidiu ir buscar-te a casa da Carly, não foi? Segundo ela, porque estava a chover, mas achas que foi por isso? A cena é que sempre que a mãe tenta descobrir o que se passa, tu arranjas uma desculpa MESMO PERFEITA, e a mãe é tão ignorante que nem percebe que 'tás a mentir, mas eu não sou burro. Eu percebo as coisas, OK? Bella, eu sei perfeitamente que no meio desta história mal contada há um gajo."
Involuntária e automaticamente olhei para o Zayn, deitado no sofá da sua própria sala de estar, com o seu animal de estimação perto de si, aninhado na carpete. E eu, até há pouco tempo atrás, estava ali, com os seus braços à volta do meu tronco, a respirar calmamente para a parte detrás do meu pescoço.
"Então liguei-te uma última vez para ver se tinha sorte. Depois desisti. Mas quando me apercebi disso, quando me apercebi de que havia uma probabilidade de 99 em 100 de estares em casa de um gajo, já era uma e tal e eu fui descansar a mãe e ela já está a dormir. Disse-lhe que tinham planeado à última da hora dormir aí quando algumas das raparigas tinham adormecido, tu incluída. Então a mãe pensa que estás em casa de uma amiga tua, como uma adolescente normal, a dormir com a tua equipa de vólei e foi dormir. Sabes como é a mãe, nem pensou em mais nada. Estava completamente relaxada e foi dormir, tal como toda a casa. Menos eu, claro, estava a falar com a Anna por Skype."
"OK, Mark, já percebi, o que é que queres que eu faça para te calares?"
"Ah, então admites que estás em casa de um gajo qualquer, é isso?"
"Talvez." Anuí e ele riu ainda mais alto do outro lado da chamada. Isso, retardado, acorda a casa toda. "Mark, o que é preciso fazer para..."
"Nada. Absolutamente nada."
Algum centauro invisível acabou de disparar uma seta em direto no meu coração. Não podia fazer nada, ele ia chibar-me aos meus pais.
"Eu não vou falar disto a ninguém, se falar é só com a Anna. Só quero que me digas quem é." Pediu o meu irmão, mais sério e... compreensivo?
Ele está a aceitar... esconder isto?
"Eu não... eu não posso dizer quem é." Murmurei.
"Disseste-me isso da última vez que eu te perguntei. Pensei que não me querias dizer porque talvez eu o conhecesse e tinhas medo que eu mandasse bocas ou assim, mas pelos vistos estás com ele. Quem é, Bella?"
"Mark, eu não posso dizer!" Guinchei e logo ouvi movimento.
O Zayn acordou. Fiz-lhe sinal para esperar e ele apenas franziu as sobrancelhas, arregaçando a manga do seu casaco para ver as horas no relógio.
"Porquê!" Balbuciou ele, quase que indignado. "Eu não vou gozar com um gajo, se é isso que pensas."
Suspirei.
"Espera lá..."
Mas que...?
"Tu não me contas porque é uma Ela e não um Ele? BELLA, EU NÃO ME IMPORTO." (RINDO LITROS PORRA XD)
Revirei os olhos. Ainda há pouco tempo concordamos que eu gostava de um gajo, que estava em casa de um gajo, e ele pergunta se é uma gaja e não um gajo...?
"Mark..." Gaguejei. "Eu nem sei o que responder a isso."
"Bella, eu acabei de te salvar o couro." Reclamou, claramente irritado.
"Eu sei, e agradeço imenso por isso, não imaginas o quanto, mas eu não te posso mesmo dizer quem é." Acho que, com isto, o Zayn percebeu o que se estava a passar. "Por favor, Mark, esquece isto."
Conseguia sentir uma enorme guerra entre ser uma boa pessoa, ou uma má pessoa. Por fim, ele bufou e acabou por concordar em parar de insistir: "OK, OK, mas quero pormenores amanhã, tipo, fodeste com ele, houve por aí apalpanços ou..."
"Mark, Mark... Para. Apenas dormimos, OK? E eu agora tenho de ir."
"Oh, sim, estás muito ocupada, claro." E, de novo, desmanchou-se em gargalhadas. "A gente conversa amanhã, Bellinha." E desligou.
Eliminei todas as notificações, mandei uma mensagem à mãe a pedir desculpa por ter adormecido e que estaria em casa perto das oito ou nove e guardei o telemóvel no bolso. Depois de um longo suspiro e a pensar no quão perto está a bomba de rebentar, virei a cabeça para a minha direita, vendo o Zayn sentado no sofá com as costas completamente curvadas para chegar ao dorso do seu cão de estimação, afagando-lhe o pêlo.
"O teu irmão... sabe que estás... aqui?"
Resumi a nossa conversa, e também ele ficou ligeiramente assustado quando lhe contei que o meu irmão tinha percebido tudo; felizmente, o Mark percebeu tudo menos a parte crucial. Poderei confiar nele? Poderei dizer-lhe o que se passa, quem é o gajo, o motivo pelo qual eu escondo esta relação de beijos acidentais? A Perrie já sabe. Se o Mark souber, já são dois a saber. Quantos mais... pior.
Levemente abatida, sentei-me no colo do Zayn, de frente para ele, uma perna de cada lado da sua cintura e encostei a minha cabeça aos ossos abaixo do seu pescoço; rapidamente o meu corpo é rodeado pelos seus braços.
"É quase Natal e eu não te comprei nada." Murmurei. Faltavam apenas seis dias para se abrirem os presentes e concluirmos que passamos mais um ano a iludir as crianças que acreditam no Pai Natal.
"Oh, sim, eu estou profundamente zangado com isso." Brincou.
Decolei a minha testa do seu corpo e olhei-o nos olhos. Tal como os dele refletiam a sua alma, também os meus refletiam a minha. Porém, não tenho a certeza se ele sabe ler o meu olhar para perceber o que me vai na alma, por isso mais vale dizer-lhe.
"Eu tenho um enorme mau pressentimento sobre este Natal." Confessei e logo as suas mãos partiram para as minhas, agarrando-as firmemente. "Para ser sincera, o Natal em minha casa é quase sempre desastroso, mas nunca foi por minha causa. Não sei se este ano..."
"O que se passa, Bella?"
Amaldiçoa-me os pensamentos reparar no que se está a passar: eu, uma aluna no meu último ano do liceu, no colo de um professor cujo emprego lhe fora apenas atribuído este ano. Está tanta coisa em jogo, as nossas carreiras, os nossos futuros, as nossas vidas. E eu estou a arriscar tudo por ele, e ele está a arriscar tudo por mim, e a qualquer momento tudo se pode despedaçar...
E eu tenho um pressentimento de que esse momento está próximo.
"Na véspera de Natal no ano passado, a minha mãe descobriu que a Martha tinha perdido a virgindade aos 14. Há dois anos, descobrimos que a irmã do meu pai tinha cancro da mama, há uns quatro anos atrás, o Mark fugiu de casa para ir visitar a Anna a Londres e só lá apareceu três dias depois, há seis anos, um dos bebés que a minha mãe teve morreu no parto..."
"Um dos...?"
"O Peter... ele tinha um gémeo. Éramos para ser seis e não cinco. Aconteceu." Prossegui. Ele nem sequer sabia o que dizer, eu conseguia ver isso nos seus olhos castanhos. "Eu tinha sete meses quando a minha mãe descobriu que o meu pai a traía. Era Natal, pelo que me disse a minha mãe uma vez, o Mark fez três anos duas semanas depois."
"Espera, espera..." Interrompeu ele, mais confuso do que eu perante o teste de Alemão do Harry. "O teu pai deixou a tua mãe? Quem é o homem que..."
"O meu padrasto." Ele arqueou as sobrancelhas, demasiado admirado.
Toda a gente reage assim. O Harry tinha sete anos quando soube e perguntou como era possível eu ter dois pais. A Carly e a Miranda, no sétimo ano, ficaram um bocado desconfortáveis e disseram que lamentavam, mas disseram-no totalmente perplexas... porque haveria ele de reagir doutra maneira?
"A Martha, a Catherine e o Peter são filhos de um, eu e o Mark de outro." Disse, abafando uma gargalhada. "Vivíamos em Londres, depois de o meu pai deixar a minha mãe, a minha mãe alugou um apartamento qualquer e procurou um segundo trabalho. Era mãe solteira com duas crianças... depois foi despedida e foi... complicado. Conheceu o meu pai no dia em que o Mark fez três anos, ele estava a acabar o curso de medicina. Casou uns meses depois de ter a Martha em novembro, mudamo-nos para a terra Natal do meu padrasto, Bradford, e começamos uma vida aqui. A família da minha mãe está toda em Londres. Mas estamos bem agora, por acaso. Muito bem até."
Fez-se silêncio. Nunca tinha dado todos os permonores de uma só vez a alguém. O Harry foi percebendo as coisas sozinho: se eu vivia em Londres e, de alguma maneira, acabei em Bradford, e apenas a família do meu pai cá estava, ele percebeu que me mudei para aqui por causa do meu pai. Anos mais tarde é que lhe contei porque é que o meu pai biológico se separou da minha mãe. Nem a Carly nem a Miranda sabem o porquê de eles se terem separado, não sabem pelo que a minha mãe passou quando esteve meses sozinha na capital do país, com duas crianças bebés para alimentar e educar... e aqui estava o Zayn, a sugar todos os detalhes sem sequer mos ter pedido.
"A minha família não tem... assim tantos... escândalo." Confidenciou. "Quer dizer, o maior problema que tivemos foi estarmos constantemente a mudarmos de casa até chegarmos aqui, até uma escola que tinha poucos alunos, estava eu no sétimo ano com dez. Pronto, outra religião e tal... por acaso, nem nota muita diferença entre eu e os outros. Como é que eu explico, a minha mãe é inglesa, cristã, e tudo o resto. Nós celebramos o Natal e a Páscoa e outro grande problema que temos às vezes é quando uma tradição de o meu pai vai contra uma tradição da minha mãe e vise-versa, mas já nos entendemos. Deram-me liberdade a mim e às minhas irmãs de seguirmos o caminho que quisermos. Claro que, como crescemos aqui, estamos mais virados para o lado da minha mãe e isso..."
"Quando é que decidiste que estavas mais virado para o lado da tua mãe?" Perguntei.
Ele passou a mão pelo queixo. Deve ser algum tique dele, está sempre a fazê-lo.
"Tinha 14 anos e estava numa visita de estudo. Embebedei-me. Gostei. Na noite seguinte, embebedei-me outra vez, gostei. Quando o meu pai soube que eu bebi, passou-se mesmo." E riu. "Depois lembrou-se que eu era livre de decidir e levou mais ou menos um ano a aceitar isso. A segunda maior dor de cabeça dele foi a minha irmã mais nova, a Waliyha. Descobriu que ela tinha um namorado com 13 anos. A terceira maior dor de cabeça..."
Abriu o casaco e desceu a manga, exibindo a tatuagem da Perrie.
"Eu tinha 15 anos quando fiz esta merda e tanto o meu pai como a minha mãe..." Nem precisou de continuar. Se fosse o Mark a tatuar a Anna aos 15 anos... "Quarta maior dor de cabeça: eu de novo. Tinha 14 anos, chegou aos ouvidos dos meus pais que o filho deles foi apanhado por uma funcionária a ter relações sexuais com uma rapariga. Nem me lembro do nome dela."
14 anos... como... como assim?
"Disseste à Daisy que tinhas perdido entre os 15 e os 18, na aula de apresentação." Relembrei.
"Se dissesse que tinha sido dos 15 para baixo, ainda começavam a circular rumores de que o tinha feito com 12."
"Qual é a vossa paranoia!?" Inquiri, fingindo uma indignação, mas não contendo a gargalhada. "O Mark aos 14 fê-lo com a Anna, a Martha, também aos 14, fê-lo com não sei quem, nem sequer me atrevi a perguntar quando se soubesse isso no Natal, o Harry fê-lo com não sei quem também aos 14!"
"Bella, 14 é um ótimo número, devias ter experimentado."
Semi-cerrei os olhos, largando as suas mãos e cruzando os braços: "Como eu te diria se isto fosse uma conversa no facebook: LOL."
Soltei umas quantas gargalhadas, esquecendo inteiramente aquele mau pressentimento que me roía os neurónios. Não me adianta desfazer-me em pensamentos sobre o que poderá vir ou não a acontecer quando o que está a acontecer agora mesmo é muito melhor do que isso. O seu nariz roçou no meu ao mesmo tempo que a minha gargalhada ecoava pela sala de estar.
"Um dia, tens de conhecer os meus pais. Eles não gostaram da Perrie, eles odiaram a Madison, acho que é altura de lhes mostrar alguém de quem possam vir a gostar."
Um dia, quando não formos mais um professor e uma aluna, porque senão... o que iriam eles dizer? O filho deles a namorar... uma das suas alunas...
"Ora essa, Zayn. Queres-lhes dar uma nova dor de cabeça?"
OK, QUASE 5000 PALAVRAS, DESCULPEM A DEMORA, MAS 5000 PALAVRAS COMPENSA TUDO
UM CAPÍTULO BASICAMENTE DE ZELLA MOMENTS
COMENTEM E VOTEM
ESPERO QUE A ESCOLA TENHA COMEÇADO BEM E... PRONTO... VEMO-NOS EM BREVE <3
nÉEH!