No Limite

By CVMartins

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Matthew Carter quer recomeçar sua vida depois de vê-la desmoronar por completo. Tímido, Matt faz de tudo para... More

Prólogo [Revisado]
Capítulo 1 [Revisado]
Capítulo 2 [Revisado]
Capítulo 3 [Revisado]
Capítulo 4
Capítulo 5 [Parte I]
Capítulo 5 [Parte II]
Capítulo 6
Há Dois Anos [Bônus]
Capítulo 7
Capítulo 8
Agradecimento
Capítulo 10
No Limite do Desastre
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Desastre [Bônus]
Capítulo 14
Entrevista
Capítulo 15
Capítulo 16
Agradecimento
Vingança I [Bônus Especial 30K]
Vingança II [Bônus Especial 30K]
Vingança III [Bônus Especial 30K]
Capítulo 17
Será Que é Amor? [Sinopse]
Capítulo 18
Redes Sociais
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Quando Éramos Jovens
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
100k, CARALHO
Há um mês [Especial 100k]
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Capítulo 35
Capítulo 36
Capítulo 37
NOTA DE AGRADECIMENTO
Epílogo
ALWAYS
Convite

Capítulo 9 [Especial 3k]

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By CVMartins

"Seus grandes olhos escuros encontraram os meus em meio à multidão. Ele sussurrou 'Vegas' e sorriu, exibindo os grandes dentes brancos cobertos com sangue. Tyler se aproximou da grade para que eu conseguisse ouvi-lo.

- Não se preocupe. - seu sorriso ficou mais gentil. - Já lhe disse que vou cuidar de nós."

As batidas fortes me fizeram saltar da cama, tirando-me do meu sonho. Olhei para cama vazia de Tom e para as janelas, o céu ainda estava escuro e estrelado. Outra batida. Levantei antes que derrubassem a porta do meu quarto e arrastei meus pés pelo piso gelado. Afastei com o pé as roupas que usei na festa da Kappa que ainda estavam caídas próximas à cama.

Bocejei antes de destrancar a porta.

Surpreendi-me com os noventa quilos que desabaram sobre mim, quase nos levando ao chão. O cheiro de uísque embrulhou o meu estômago.

- Ops... Encontrei você, Gracinha. - disse Bryan com um sorriso mole no rosto.

Ele mal conseguia se manter de pé sozinho. Me perguntei como conseguiu chegar aqui nesse estado. Puxei-o para dentro do quarto e coloquei a cabeça para fora para ver se havia mais alguém ali.

- Cuidado, Gracinha. - falou alto.

- Fala baixo. - o repreendi.

- Não me manda falar baixo. - franziu o cenho e cambaleou para trás. - Por que você não falou comigo? O que eu fiz de errado?

- Eu queria voltar para casa, Bry. Nem tudo é sobre você.

Fechei a porta. Não sabia o que fazer com ele. Pensei em ligar para Liam, mas não sabia se ele já havia voltado para casa ou ainda estava na casa da Kappa Sigma.

- O que você está fazendo aqui assim?

Meu celular tocou, mas o ignorei.

- Você está uma gracinha. - fez um beicinho.

- Eu sei, você diz isso o tempo todo. - falei, tentando levá-lo para cama antes que caísse. Mas ele não me acompanhou. - Jesus, Bry. Como você chegou aqui?

Ele não estava dirigindo e provavelmente Liam não o traria aqui nesse estado. Liz não permitiria que o namorado fizesse algo tão estúpido assim.

Meu celular voltou a tocar. Pensei em desligá-lo, mas tinha que cuidar de Bryan primeiro.

- Eu vim... porque tenho que te falar algumas coisas... - as palavras saíram emboladas, quase incompreensíveis. - Você não pode fazer essas merdas com o meu coração. - aumentou o tom de voz novamente. - O que você viu naquele merdinha do Blake? Aquele cara não merece você.

- Por que não? - cruzei os braços e o encarei. - Não sei nem por que estamos tendo essa conversa. Você está bêbado, mal consegue ficar em pé. Você devia estar em casa, Bry.

- NÃO! - ele agarrou meus dois braços, me assustando. Seu hálito tinha um cheiro forte de uísque. - Diz que você não gosta de mim.

- Eu gosto de você, Bry. - afastei as mãos dele e o abracei. - Mas agora você precisa dormir.

- Eu preciso de você! - sua boca tocou o meu pescoço.

Fiquei atônito. O arrastei até a cama e o deixei cair sentado. Os olhos cálidos brilhavam na escuridão, fixos nos meus. Sua camisa estava aberta no tórax, mostrando os músculos e as tatuagens.

- Podemos conversar amanhã? - perguntei envergonhado pela forma como ele me encarava.

- Porra, Gracinha. O que mais eu preciso fazer para que você perceba que estou de quatro por você?

Engoli em seco.

Uma enxurrada de emoções me invadiu. Minhas mãos estavam suando. Eu não podia dizer nada, Bryan estava bêbado e poderia se arrepender de qualquer coisa que tenha dito.

- Você vai... estar melhor de manhã. - falei, atropelando as palavras.

- Eu não mereço você. - pegou em minha mão, entrelaçando nossos dedos. Ele falava devagar, deixando cada palavra fluir sem embolar uma na outra. Uma onda de calor invadiu meu corpo e meu coração disparou. - Eu estou todo ferrado, Gracinha. Você é uma boa pessoa. Não sou nada do que você imaginou na vida.

- Cala a boca, você não sabe de nada. - forcei um sorriso para esconder meu desconforto.

Eu não podia negar para mim mesmo que sentia algo a mais por Bryan. Meu coração disparava por ele, meu corpo reagia a cada vez que me tocava. Todos a nossa volta já haviam percebido que o que há entre nós é mais do que amizade. Talvez eu estivesse assustado demais para aceitar. Eu não era o tipo de pessoa que ele achava que eu era. Ele mal sabia o quão ferrado eu estava, e o quanto eu lutava para mudar isso todos os dias.

- Você está acabando comigo. - ele levou minha mão até seus lábios e depositou um beijo na palma da minha mão.

- Você pode dormir na minha cama. - disse, mudando de assunto. - Amanhã você volta para casa.

Ele queria protestar, mas não o fez. Bryan chutou suas botas para longe e se encolheu no canto da minha cama. Olhei no relógio digital do meu celular, já se passava das quatro da manhã. Deitei ao lado de Bryan, que me puxou e colou seu corpo ao meu, afundando o rosto no meu pescoço. Cobri seus braços com os meus e fiquei em silêncio.

Meu coração ainda batia forte contra o meu peito. As palavras de Bryan estavam enchendo minha mente. Pensava como seria ao acordamos. As coisas não seria como antes, eu me lembraria de cada palavra, aquele sentimento estaria escancarado para nós dois.

Em pouco tempo, a respiração de Bryan ficou regular e pesada. Eu tentei dormir também, mas já havia perdido o sono. Permaneci encarando a parede cinza coberta com pôsteres ao lado da cama de Tom. O meu celular tocou, mas eu ignorei. Logo depois ouvi som da notificação de mensagem recebida. Peguei o telefone sobre o criado mudo ao lado da cama e vi uma ligação perdida de Luke e várias de Liz. Não queria falar com Luke, então não perdi meu tempo em verificar a mensagem que eu sabia que era dele. Enviei uma mensagem para Liz e coloquei o celular de volta sobre o criado mudo.

O sol começou a invadir o quarto pelas frestas da cortina. Já se passava das oito da manhã e minha cabeça estava estourando por conta do álcool e da noite mal dormida. Empurrei devagar o braço de Bryan e pulei da cama. Meus pés tocavam o chão gelado enquanto eu caminhava até o monte de roupa emaranhada no chão e as colocava no cesto de roupa suja. Terminei de desabotoar sua camisa, com cuidado, e a tirei de seu corpo e a joguei junto com as minhas roupas dentro do cesto.

Resolvi ir a farmácia comprar aspirina para minha dor de cabeça. Vesti uma camiseta, jeans velhos e meus tênis. Peguei meu telefone e cobri Bry antes de sair. Algumas poucas pessoas circulavam pelos corredores do dormitório. Cumprimentei um grupo de garotas que entravam no prédio, vestidas com roupas curtas e brilhantes; provavelmente retornando da festa na Kappa.

Peguei meu celular enquanto esperava pelo meu pedido na cafeteria. Abri a mensagem enviada por Luke.

"Desculpe por te magoar. Jantar amanhã à noite?"

"Quer dizer, essa noite?"

Guardei o celular no bolso por não saber como respondê-lo. Não estava com raiva de Luke, mas não me sentia mais confortável em sair com ele depois dessa noite. O garoto da cafeteria me entregou os dois copos com o líquido fumegante e uma pequena caixa. Sorri e o agradeci, mas ele fez pouco caso e se virou para trazer o pedido de outro cliente.

Quando abri a porta do quarto, encontrei Bryan sentado na cama, com a cabeça entre as mãos e os músculos tensionados. Ele não percebeu a minha presença, ou estava muito mal para fazer qualquer movimento com a minha chegada. Repousei meu copo com café na escrivaninha e fui até ele. Hesitante, toquei sua cabeça, o fazendo levantar o olhar para mim.

- Trouxe café. - disse, lhe entregando o copo.

Ele sorriu e agarrou o copo com as duas mãos.

- Aqui. - lhe entreguei uma aspirina. - Vai ajudar.

- Obrigado, Gracinha. - ele jogou o comprimido na garganta e o engoliu com a ajuda do café. Bryan fez uma careta logo após a golada no copo e olhou para mim. - Sem açúcar?

- Vai ajudar com a ressaca. - sorri. - E você precisa de um banho. Quase vomitei com o seu cheiro essa noite.

- Não está tão ruim. - disse ele, cheirando as axilas. - Você até dormiu agarradinho a mim.

Deixei a toalha ao seu lado, junto com os produtos para a sua higiene.

- Eu te levo até o banheiro. - falei, tomando mais um gole do meu café. - Já estava me esquecendo. - lhe entreguei a caixa com alguns bolinhos.

- Obrigado. - e devorou um bolinho com uma mordida.

- Como você chegou aqui? - mordi um pedaço de bolinho, enquanto Bryan colocava o terceiro na boca.

- Obriguei um dos calouros a me trazer.

Revirei os olhos, torcendo para que não fosse o garoto que Liam e Liz obrigaram a me trazer em casa. Ele ficaria bastante chateado.


Aproveitei a pouca movimentação no dormitório para levar Bryan até o banheiro comunitário. Ele ficou apenas de cueca na minha frente e deixou sua calça de lado. Ninguém podia saber que eu permiti alguém que não é morador usar as instalações do dormitório. Mas, por sorte, ninguém entrou. Entreguei a Bryan uma camiseta minha e uma calça. Eram as maiores que eu tinha, deveria servir.

- Estou parecendo um palhaço com isso. - Bryan olhou para calça que não chegava a sua canela. Segurei o riso. - Não posso ir para casa vestido assim.

- Por que não liga para o Liam te buscar? - perguntei, disfarçando minha enorme vontade de rir dele.

- Vou ser motivo de piada para ele o resto da vida. - falou zangado.

- Então você vai ter que esperar suas roupas secarem.

Ele suspirou e colocou um dos braços em torno de mim, enquanto voltávamos para o quarto.

- Bry? - abri a porta e deixei que ele entrasse. - O que você tinha para me contar?

- Tenho.

Ele me encarou desconfortável, coçou a cabeça, bagunçando seus fios de cabelo. Esperei que Bryan começasse a falar ao passo em que ele caminhava de um lado ao outro dentro do quarto. Ele pegou seu celular sobre a cama e começou a digitar, pouco tempo depois ele sentou ao meu lado sobre o colchão e segurou minha mão.

- Prefiro te mostrar. - encarou minha boca, piscou duas vezes e abaixou o olhar. - Você deve estar me achando um idiota depois de ontem.

- Por que acharia isso? - me aconcheguei em seus braços. - Só é estranho para mim. Não sei direito como sinto em relação a nós.

- Vou entender se você disser que não sente nada por mim. - havia mágoa em sua voz, o que cortou meu coração.

- Eu sinto. - falei e levantei a cabeça para poder olhar em seus olhos. - Eu só... Não sei se eu conseguiria te fazer feliz.

- Você já me faz feliz! - sussurrou, afundando o rosto no meu pescoço.


Passamos o dia trancados no quarto. Não tínhamos muito que fazer além de assistir alguns filmes antigos e jogar conversa fora. Não voltamos a falar sobre o Bryan ter se declarado bêbado para mim, o que me deixou um pouco aliviado. Poderia resolver isso em outra hora. Talvez eu devesse deixar Bryan de fora da bagunça que era minha vida. Tinha medo de arrastá-lo para o meio de tudo que eu queria enterrar. Ou ele seria mais um passo para o meu recomeço. Ainda não podia afirmar nada.

Recebi uma resposta de Liz no meio da tarde.

"O Bry está com você? Fiquei tão preocupada, ele estava furioso no jardim da Kappa, querendo ir atrás de você."

"Ele dormiu aqui. Conversamos mais tarde."

"Você vai me deixar esperando? L"

"Sim. *-*"

As noites em Tucson começaram a ficar mais frias com aproximação do outono. Era um alivio depois de um dia inteiro de calor. Vestindo um cardigã por cima da camiseta e com jeans, esperava por Liam, junto com Bryan do lado de fora do dormitório. Quando o Dodger parou em frente à entrada, entramos sem delongas. Consegui lavar e secar as roupas de Bryan, depois de ele reclamar por quase uma hora que não iria ser visto com as minhas roupas curtas em seu corpo.

- Você viu o que te mandei? - perguntou Bryan, enquanto Liam acelerava pelas avenidas da cidade.

- Aham. - respondeu Liam, mantendo os olhos na rua a sua frente. - Você tem certeza de que quer fazer isso? - ele olhou para mim por um instante e balançou a cabeça.

- Já devia ter feito isso antes. - respondeu Bryan. - O que foi? Até parece que é um grande segredo, Liam. Só não queria essa merda entre nós antes.

- E por que quer agora? - Liam estava preocupado com algo, como nunca o virá antes.

Bryan não respondeu, apenas olhou para mim no banco traseiro e deu um leve aperto em minha perna. Seja lá o que for, estava me deixando curioso. Detestava quando alguém falava de mim como se eu não estivesse por perto. Principalmente quando era algo que eu desconhecia.

Acompanhei os meninos até o apartamento para que Bryan pudesse trocar de roupa. Liz estava deitada no sofá, com um micro short e uma blusa que deixava seu piercing no umbigo exposto. Ela levantou assim que me viu e me arrastou para cozinha ao mesmo tempo em que Bryan ia até o seu quarto.

- Quero saber de tudo. - ela disse sem esperar que eu me sentasse em uma dos bancos próximo ao balcão.

- Ele apareceu bêbado no meu quarto, quase não conseguia se manter de pé. - Liam se aproximou de nós. - Fiquei assustado, era madrugada e não tinha ideia de como ele chegou lá.

- Ele ficou puto quando você saiu sem falar com ele, pensando que ele pudesse ter feito algo de errado. - falou Liz.

- Tentamos segurá-lo, mas depois de bêbado, Bryan fica impulsivo. - completou Liam. - Ele me pediu para levá-lo, mas como eu recusei, ele pediu para um dos calouros.

- Ficamos preocupados com você. Ele estava agressivo com todos que chegavam perto dele. Achei que fosse brigar com Liam, principalmente depois que ele quase bateu em um garoto na festa. - olhamos em direção ao quarto dele, antes de Liz continuar. - Te liguei várias vezes, mas você não me atendia, então resolvemos ir até o dormitório.

- Como estava tudo em silêncio, pensamos que ele tivesse mudado de ideia, ou já estivesse tudo bem entre vocês. - Liam sorriu para mim. - Eu avisei que ele faria merda. - disse Liam, se referindo a uma conversa que tivemos há meses.

- Ele estava um pouco alterado, mas consegui convencê-lo a dormir.

- Bryan queria se declarar. - um sorriso do gato da Alice surgiu no rosto de Liz. - Não esconda nada.

- Liz. - a repreendi. - Não aconteceu nada.

Liam franziu as sobrancelhas.

- Por mais que eu goste do Bryan, se você realmente entrar nessa, pode não ser fácil.

- O Matt está acostumado. - Liz beijou o namorado.

O barulho na porta do quarto de Bryan fez com que mudássemos para um assunto qualquer. Saímos assim que Bryan apareceu na sala, com jeans rasgados e uma camiseta. Ele me envolveu com um braço enquanto descíamos as escadas até o estacionamento. Fui até o Dodger de Liam, mas Bryan disse que não iríamos com eles.

- Vamos com o meu carro.

Não perguntei para onde íamos. Ele disse que preferia me mostrar, então resolvi que era melhor acreditar nele.

Chegamos a uma área mais afastada da cidade, onde só víamos prédios abandonados e alguns armazéns fechados. Não havia sinal de casas naquela área da cidade, ou de qualquer pessoa além de alguns vigias nos armazéns. Entramos em uma rodovia pouco iluminada. Olhei para Bryan que mantinha o olhar a sua frente.

Uma forte luz se destacava ao longe, ficando mais intensa à medida que nos aproximávamos. O som de vozes e música foi ganhando forma até que pude identificar que era um grupo de pessoas reunidas em meio a vários carros. Em cima de uma caminhonete vermelha, um cara alto e magro, com o rosto encoberto por seu boné, chamava atenção de todos. Os olhares se voltaram para o Mustang de Bryan. As pessoas foram ficando eufóricas, assoviando e acenando em nossa direção, enquanto passávamos no meio da multidão.

- Vamos quebrar algumas regras hoje, Gracinha. - Bryan piscou para mim.

Paramos junto aos outros carros, que iluminavam com os faróis as dezenas de pessoas em torno da caminhonete vermelha. Ela era a única ali e se destacava de todos os outros carros.

Andei atrás de Bryan, observando enquanto todos o cumprimentavam e davam tapinhas em suas costas. Um cara ofereceu cerveja a ele e garotas com roupas minúsculas tentavam chamar sua atenção. Eu me senti deslocado por estar vestindo um cardigã e usando a touca para cobrir minha cabeça.

- Bem-vindo ao Porão, Gracinha. - Bryan falou grudando a boca no meu ouvido.

- O que essa gente toda está fazendo aqui? - sussurrei em seu ouvido.

Nossos amigos surgiram atrás de nós, acompanhando os passos de Bryan.

- Estão aqui para assistir ao racha de carros. - ele falou tranquilamente, se aproximando da caminhonete vermelha.

- Isso não é ilegal? - meus olhos estavam quase saltando das órbitas.

- Só se te pegarem! - ele sorriu e foi de encontro ao cara da caminhonete.

Olhei para Liz e suas roupas e deduzi que minha amiga já sabia de tudo isso. Eu não conseguia acreditar que ela estava frequentando lugares como esses. E pelas minhas costas. Liam andava próximo de nós o tempo todo, mantendo um braço nos ombros dela.

Limpei minhas mãos suadas no meu jeans. Uma estranha sensação de estar sufocando tomou conta de mim. Recuei um passo, querendo fugir dali e acabei trombando em Liz logo atrás de mim. Ela agarrou minha mão, demonstrando estar assustada quando notei o suor em minha mão.

Bryan cumprimentou o cara em cima da caminhonete, e eles pareciam se conhecer muito bem. Permaneci em silêncio, evitando os olhares das pessoas a nossa volta e que pareciam maravilhadas com a presença de dele.

Eu gostava do meu anonimato, de passar despercebido pelas pessoas. Consegui isso quando me mudei para o Arizona, porém, agora parecíamos estar nos centros das atenções.

Já estava prestes a correr quando Bryan me chamou, estendendo a mão para pegar a minha.

- Quero te apresentar uma pessoa. - disse, olhando para o cara com uma pele bronzeada, músculos estirados, olhos cor de mel e nariz achatado. - Esse aqui é o Gracinha. Gracinha, esse é o Marcus.

- Gracinha? - perguntou Marcus, me examinando de cima a baixo.

--- Matt. - disse sem graça e ainda entrando em pânico. - Matt Carter.

Os olhos de Marcus se estreitaram. Apertei sua mão rapidamente e a soltei, recuando um pouco.

- Carter? - ele parecia intrigado. Marcus ficou pensativo. - Vai apostar em Bryan hoje, Carter?

- Apostar? - olhei de Marcus para Bryan, que ficou pálido.

- Preciso te explicar algumas coisas. - sussurrou Bryan para mim. - Ele não vai apostar, Marcus. Não vou deixar você tirar grana do meu garoto.

Meu garoto?

Bryan me puxou de volta ao Mustang, onde podemos ficar um pouco mais distantes das outras pessoas. Seu semblante estava apreensivo. Minha cabeça já havia processado todas as informações, mas eu queria ouvi-lo.

- Acho que você já percebeu o que está rolando aqui. - falou um pouco receoso de se aproximar de mim.

Enrolei a barra da minha blusa entre os dedos.

- Há quanto tempo? - perguntei, olhando para o chão. - Há quanto tempo você faz isso?

- Um pouco mais de um ano. - falou Bryan enfiando as mãos no bolso do seu jeans. - Um pouco antes de entrar para faculdade. Eu não tinha grana e não queria mais depender do meu pai. Já conhecia o Marcus de alguns lances da minha adolescência.

- Isso é uma droga, Bry! - suspirei. Minha cabeça estava girando.

- É, sim. - tomou coragem para acabar com a distância entre nós. - Mas não posso abandonar isso agora, ainda tenho que terminar a faculdade. Poder construir minha vida.

- É melhor você sair disso - disse, apontando a nossa volta - o mais rápido possível. Agora me arruma uma cerveja. Preciso estar bêbado para conseguir assimilar tudo isso.

Nós dois rimos. Bryan beijou meu rosto e me arrastou de volta para a caminhonete de Marcus.

As coisas pareciam normais pelo Porão. Que idiota daria um nome desses a um encontro de rachas de carros? Bryan era uma celebridade. Ele ganhou praticamente todas as corridas que fizera, o que deixava Marcus bastante satisfeito com o seu desempenho. Por quase meia hora ficamos encostados, jogando conversa fora, com música alta e algumas brigas que logo eram apartadas.

- Por que não me contou sobre isso? - sussurrei no ouvido de Liz.

- Eu juro que não sabia. - deu de ombros. - Parece que o Bryan fez o Liam não contar a ninguém. O que é uma merda. Eu sou namorada dele! O que ele estava pensando ao me esconder algo assim?

- Esse tal de Marcus não para de me encarar. - disse, incomodado.

- Você é uma gracinha. - Liz bebericou a sua bebida, encolhendo um ombro.

- Vai se ferrar. - revirei os olhos, o que a fez rir.

Alguns minutos depois todos abriram uma grande roda. E a empolgação entre todos ficou visivelmente maior.

Bryan se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido.

- Fique perto de Liam. - ele deslizou o polegar pela minha bochecha. Por um instante pensei que ele iria me beijar, mas apenas sorriu nervoso. - E nem pense em se aproximar daquela pista.

- Ok, pai.

Ele bateu com a ponta do dedo no meu nariz e sorriu.

- Isso é sério. Não quero que se machuque.

- Não sou tão frágil. - pisquei para ele.

Observei enquanto Bryan se aproximava de seu Mustang. Fiquei curioso em saber o que aconteceria depois. Nunca vira algo parecido, apenas na TV, e não tinha ideia do que aconteceria. Liam nos explicou que Marcus era responsável por organizar os encontros e avisar a todos que sabiam sobre eles. Ele também conseguia os pegas para o Bryan e recebia as apostas.

- É uma boa grana! - diz Liam.

- Você já fez isso? - perguntei, sem tirar os olhos do carro preto que agora estava pareado com um azul. - Disputou algum pega?

- Nunca fiz isso. - ele sorriu. - Não é minha praia, Matt.

- Eu te mato se um dia fizer. - disse Liz com um olhar mortal para o namorado.

Um som agudo chamou nossa atenção. Marcus estava no meio da pista, acompanhado de uma garota que usava um short tão curto que não teria dificuldade nenhuma de ver o seu útero. As pessoas abriam mais espaço entre os carros, ocupando os dois lados da estreita rodovia. Levando um megafone a boca, Marcus começou a discursar.

- Senhoras e senhores, bem-vindos a mais uma noite no Porão. - disse ele, arrancando alguns assovios de sua plateia. - Antes de dar início a mais uma incrível disputa, gostaria de lembrar que as apostas estão encerradas. - ele ergueu um leque de dinheiro. - E lembrá-los que é extremamente proibido interferir no resultado. Se alguém fizer algo que atrapalhe essa incrível corrida - ele olhou a sua volta - vou garantir que ganhe uma estadia na UTI de um maravilhoso hospital. Estamos entendidos?

Liam sussurrou algo sobre Marcus ser um babaca.

- De um lado temos Holden Condor. - ele anunciou apontando para o carro azul. O ronco do motor ecoou pelo extenso vazio ao nosso redor. Uma garota a beira da estrada deu um gritinho agudo. - Desse lado temos uma lenda. - Marcus esperou ate que os gritos de euforia diminuíssem. - Ele, Bryaaaan Collinnns - Marcus estendeu as últimas sílabas do nome de Bryan.

Senti meu coração apertado ao ouvir o barulho do motor do Mustang. Estava apreensivo, entretanto queria ver mais. Mas Liam me parou antes que eu pudesse sair do meu lugar.

A garota que estava ao lado de Marcus ficou no meio da pista e ergueu um pedaço de tecido, que me parecia uma calcinha. Marcus iniciou a contagem e quando chegou a três, a garota rodou o tecido entre os dedos e o soltou. Os carros passaram por ele em alta velocidade. A cada segundo Bryan ganhava mais velocidade, andando par a par com Holden Condor. Em questão de segundos eles sumiram do nosso campo de vista. Ainda era possível ouvir os motores, mas as luzes dos faróis ficaram cada vez mais fracas e então eles se tornaram apenas um barulho distante.

As pessoas vibravam ao meu redor, até mesmo Liz parecia animada com o que estava acontecendo. Mas eu me desliguei dos sons. Enquanto todos mantinham o foco na rodovia, ele estava me encarando, de costas para o círculo de pessoas atrás dele, com o rosto completamente sujo e ensanguentado. Quando ele sorriu na minha direção, eu deixei seu nome escapar da minha boca, como um sussurro. 'Tyler'. Algo se acendeu dentro de mim, me impulsionando para frente. Precisei empurrar as pessoas a minha frente, para conseguir vencer o espaço entre nós. Liz gritou algo para mim, mas a ignorei e continuei.

Dedos se fecharem no meu cotovelo, me forçando a virar antes que eu chegasse ao meu irmão.

Assustei-me ao ver o olhar de reprovação de Liam. Seu rosto de garoto contorcido em uma carranca e sua boca formando uma linha rígida. Com alguns centímetros a mais do que eu, Liam me encarava de cima. Ele me puxou para que voltássemos.

- O que pensa que está fazendo? - gritou Liam.

Olhei novamente na direção de Tyler. Ele ainda me encarava.

- Me solte, Liam. - tentei soltar meu braço, mas ele aumentou o aperto.

- Não é seguro! - ele apertou ainda mais o braço, o que mais tarde viraria uma mancha rocha. - Essas pessoas vão te esmagar antes que você chegue lá.

Em torno de nós a multidão explode em um alvoroço, entoando o nome de Bryan.

- Bryan Collins. - a voz de Marcus se destaca entre as outras.

Viro em direção ao círculo. Não vejo mais Tyler, mas entre as pessoas algo me chama atenção. Com um sorriso presunçoso revelando suas covinhas, o rosto iluminado pela luz dos faróis sobre ele, criando uma sombra por sua barba feita. A camiseta preta em seu corpo se molda aos seus músculos. Os traços de suas tatuagens se estendem por todo seu braço direto e parte do esquerdo, cobrindo seus músculos rígidos e a pele bronzeada que brilhava com o suor.

Bryan estava comemorando, enquanto um grupo de pessoas o cercava. Então seus olhos encontraram os meus a certa distância da multidão. Cada pedaço de mim começou a se agitar por ele, uma estranha sensação como se tivesse algo vibrando dentro do meu corpo.

- E aí, garoto dos carros. - Liz pelo menos parecia estar se divertindo com aquilo. - O que você estava tentando fazer? Entrar para corrida?

- Ouvi dizer que é uma boa grana. - respondi envergonhado.

- Isso foi uma tentativa de suicídio. - Liam explodiu.

- O que demais poderia acontecer? - puxei meu braço para que ele me soltasse.

- O que poderia acontecer com você entre dezenas de bêbados sedentos para que o seu favorito ganhe? Quando o racha acaba, isso aqui vira uma bagunça. Alguns satisfeitos com o resultado, outros nem tanto. - sua expressão era dura, como eu nunca vi desde que nos conhecemos.

- Só vamos sair daqui. - disse Liz me puxando para caminhar ao lado dela.

Recusei a bebida que minha amiga me ofereceu. Ficamos próximo ao Dodger de Liam, esperando por Bryan, o que não demorou muito. Ele olhou diretamente para Liam, que se virou e entrou em seu carro. Bryan me puxou para junto dele.

- Você está bem? - seu tom de voz revelava sua preocupação.

- Ele tentou invadir a rodovia. Foi isso que aconteceu. - gritou Liam de dentro de seu carro. - Foi uma péssima ideia trazê-los aqui!

- Eu não sou uma criança, Liam. Consigo cuidar de mim. - falei, me virando para entrar no Mustang de Bryan.

- Então você precisa se cuidar melhor! - Liam deu partida em seu Dodger e arrancou, levantando uma nuvem de poeira.

Bryan me encarou do lado de fora do carro, esperando alguma explicação melhor para toda aquela discussão. Mas eu não queria falar sobre aquilo. Não no meio de uma rodovia escura.

- Vamos para casa. É muita informação para um dia. - falei, deixando minhas costas baterem no estofado do banco.


Retornamos para o dormitório depois que recusei o convite de Bryan para ir até o seu apartamento ou ao Burn. Depois de explicar o que aconteceu e pedir a Bryan que me deixasse ficar sozinho, ele não pareceu muito satisfeito, mas aceitou o meu pedido e foi embora depois de pedir desculpas pela explosão de Liam.

Havia tanta coisa para processar, que passei mais uma noite sem dormir. Bryan gostava de mim e participava de rachas em estradas afastadas e mal iluminadas. Vi meu irmão em meio a um monte de pessoas. A sensação de desconforto que não me deixava desde que Bryan me explicou o que era o Porão.

- O que está acontecendo comigo? - sussurrei, encarando o teto.


Como prometido. Capítulo adiantado. Hehehe' Obrigado mais uma vez a todos que estão acompanhado, tem votado, comentado e adicionado a estória a lista de leitura.


Não esqueçam de clicar na estrelinha e deixar sua opinião sobre a estória nos comentários.

Em breve, novidades... Aguardem *-*


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