Estava saindo de Oxford, estaria deixando tudo na Inglaterra. Amigos, família, e o chá, nada se comparava ao chá inglês. Eu havia nascido lá e deixar aquele lugar... Não tinha certeza se era mesmo o que eu queria, mas meus estudos na universidade já haviam chegado ao fim, e eu havia ganhado uma bolsa em Yale, era parte do meu futuro, mas como um bom livro já me havia dito; "Usamos o futuro para escapar do presente", e era bem provável que era isto que eu estava fazendo, mas de qualquer forma não queria deixar que meus sentimentos afastassem a grande oportunidade que estava tendo. Não queria me mudar, mas era preciso, pelo menos eu acho. Meus pais também acham que é uma oportunidade incrível e por mais que queiram que eu vá, eu sinto que eles não querem realmente. Enfim, está tudo bem confuso, mas agora estou arrumando minhas malas, vi um porta retrato com a fotografia de minha família, minha mãe, meu pai, meu irmão Donnie, e nosso cão Doctor. Eu era fã de Doctor Who, e fiz com que minha família se tornasse também. Tinha também meu gato, seu nome era Cheshire. Eu estava em dúvida se seria Cheshire ou Marty McFly, pois de volta para o futuro sempre fora um dos meus filmes favoritos, ou ele podia apenas não ter nome algum, pois de acordo com uma de minhas obras favoritas de Neil Gaiman, os gatos sabiam muito bem quem eles eram, e não precisavam de nomes como nós humanos. Acreditava nisso, mas mesmo assim dei um nome ao gatinho cinza, era estranho colocar ração em seu potinho e não ter do que chamá-lo.
Guardei o porta retrato na mochila e desci as escadas, tocando as paredes e observando os velhos porta-retratos. Havia fotos dos meus pais se casando, estavam tão jovens. Fotos do primeiro dia de aula do Donnie, ele era tão pequenino, agora já tinha 16 e estava mais alto que eu, a irmã mais velha. Quando cheguei ao fim da escada, estavam todos lá. Até Cheshire e Doctor. Meus pais vieram até mim e me abraçaram.
- Você vai se dar muito bem em Yale, querida, tenho certeza. – Disse meu pai.
- Sim você foi ótima em Oxford, não esperamos nada menos em Yale. – Disse minha mãe alisando meus cabelos.
Donnie fazia carinho no cachorro sem nos olhar muito. Senti meu rosto ficar vermelho. Eu sei que era difícil para ele. Meus pais esperavam muito de Donnie só porque eu estava indo bem na escola, quer dizer, eles não entendiam que me usavam como exemplo toda hora, não acho que ele me odiasse, só se sentia desconfortável, e eu entendia completamente aquilo, quando tinha a idade dele também não fazia ideia do que queria ser, naquela época tudo era um grande talvez para mim, nada era certeza e tudo poderia dar errado e eu poderia morar debaixo de uma ponte. Foi uma decisão minha me mudar para um colégio interno e começar a trabalhar, para então ir fazer faculdade em Oxford. Pensando hoje, me sentia culpada por ter, de certa forma, abandonado meu irmão naquela época, e me sentia ainda mais culpada agora por estar fazendo isso pela segunda vez. Sabia que iam continuar querendo que ele seguisse meus passos e fosse alguém como eu, mas nem eu gostaria de ser alguém como eu. Eles viviam me dizendo que tudo estava bem, mas eu queria estar morta.
Meus pais finalmente me soltaram do abraço e eu encarei Donnie ainda meio tímida, ele veio até mim e simplesmente me abraçou, eu me senti reconfortada, mas não sabia o que dizer para ele, queria apenas dizer que tudo daria certo para ele, que tudo ficaria bem, mas parecia muito clichê.
- Donnie...
- Para, sem essa coisa de chorar. – Ele disse rindo.
- Ok... – Disse com um leve sorriso.
Queria que ele pudesse vir comigo, na verdade ele poderia, mas não sabia se ele queria, e parecia errado pedir, quer dizer, ele teria que deixar de lado os amigos dele, e nossa família, como eu fiz. Mas também não sabia se ele era feliz ali. Doía tanto não saber quase nada sobre ele, meu próprio irmão. Queria passar mais tempo com ele.
- Donnie, você podia vir comigo... – Falei quase em um sussurro.
- O quê? – Ele perguntou surpreso.
- Quer dizer... Só se você quiser... Está indo para seu último ano da escola daqui a pouco, e eu estou indo morar em um apartamento lá em New Haven, Connecticut. É perto da Universidade, você podia achar uma escola por lá. E já ia estar morando perto de uma Universidade quando acabar a escola. Ou pode simplesmente ir me visitar nas férias. – Disse.
- Bem... Eu acho que está um pouco em cima da hora... – Ele riu e eu também. – Vou pensar, nas férias eu te visito, e nós conversamos sobre isso, mas agora você tem que ir, se não vai perder o avião.
- Ok. – Disse de novo e o puxei para outro abraço. – Não deixem que digam quem você deve ser, descubra por si mesmo. – Sussurrei em seu ouvido e peguei as malas.
Ele apenas me olhou pensativo e abriu um sorriso, como quem diz obrigado e me ajudou a levar a bagagem.
- Adeus, querida! – Disse minha mãe.
- Tchau, mãe, tchau, pai. – Disse e acariciei Doctor. – Tchau, Doctor, você é o melhor cão de todo o universo e tempo relativo. - Ele latiu concordando e lhe dei um abraço.
Donnie segurava uma daquelas bolsas de animais onde estava Cheshire, ele iria comigo, afinal seria solitário no novo apartamento. Ele me entregou o gato e entrei no carro. Odiava despedidas e decidi que iria até o aeroporto sozinha, mas Donnie insistiu que iria comigo, até porque ele teria que trazer o carro de volta, então concordei.
Ele era menor de idade, mas nossos pais haviam ido a um cartório e arrumaram aquela papelada para que ele pudesse dirigir antes, ele dirigia bem, e já possuía carteira graças a isso.
Liguei o rádio e coloquei nossas músicas, primeiro 21 guns do Green Day, vivíamos ouvindo essa banda juntos.
- Como nos velhos tempos... – Ele disse com um sorriso meio triste.
- Como nos velhos tempos... – Repeti.
***
Depois de Green Day, começamos a escutar Mad World de Gary Jules, essa não era bem a nossa música, essa era a música de Donnie, e ele deixava isso bem claro.
- Então, entre Alex Turner e Lana Del Rey, você prefere a Lana? – Perguntei surpresa, ele nem ouvia muito Lana, mas sempre ouvia Arctic Monkeys comigo.
- A Lana é gostosa. – Disse apenas e deu de ombros.
- ... É, você tem um bom argumento. – Disse e ele riu.
Parei o carro, ele tirou os pés de cima do painel e me ajudou a pegar as malas, ele fez carinho no Cheshire e entregou-o a mim, o voo estava prestes a partir e mostrei rapidamente meus documentos, acenei para Donnie que disse um "vai logo!" e corri para o avião. Cheshire parecia nervoso, ele teria que ir no compartimento de bagagem e isso também me deixava nervosa, o avião em si me deixava nervosa, a única coisa que gostava era a vista, o céu era absolutamente lindo visto lá de cima, e eu com certeza tiraria muitas fotos tumblr nessa viagem. Coloquei os fones, música me acalmava. Assim como cigarros, mas era proibido fumar no avião.
Logo a noite caiu e o céu estava escuro, senti meus olhos pesarem, pensei em Cheshire, meu coração se apertou, mas logo já estava dormindo com os fones no ouvido.
"Não há alívio
Eu vejo você enquanto durmo
E todos estão me apressando
Mas eu consigo sentir você me tocando
Não há libertação
Eu sinto você nos meus sonhos
Dizendo que eu estou bem"
Adormeci ouvindo Lana, Donnie tinha razão, ela era gostosa.
***
Acordei assustada com o som das turbinas e achei que o avião estava caindo, mas a voz do piloto ecoava nos alto falantes alertando que estávamos pousando, eu devia estar com uma cara muito aterrorizada, pois a aeromoça veio até mim perguntando se eu estava bem.
- Sim... É só que eu não costumo voar muito... – Disse dando um sorriso forçado e nervoso.
- Tudo bem, estaremos no chão em alguns momentos. – Ela disse me tranquilizando.
Mas não era só isso, eu havia tido um pesadelo terrível onde uma turbina de avião caía no quarto de Donnie e ele morria esmagado, acho que também sonhei com coelhos, mas isso não fazia sentido algum, só queria sair logo dali e ligar para meu irmão.
Continuei ouvindo músicas, coloquei Metallica bem alto e tentei me acalmar com as batidas da música. Olhei para o céu estava claro e parecia levemente ensolarado, queria ter me mudado para Seattle, lá era frio e nublado sempre, e além disso, foi onde Kurt Cobain nasceu, mas era muito longe da universidade e o único motivo de eu estar me mudando era Yale.
Enfim, finalmente o avião pousou e pude descer, peguei as bagagens e meu gatinho, ele tremia, é, garoto, eu sei como se sente, aviões são terríveis.
Segui meio perdida pelo aeroporto até ver uma plaquinha com meu nome, era uma mulher que trabalhava na faculdade, e como eu era bolsista, estava ganhando moradia e transporte.
- Olá, Senhorita Salazar? – Ela perguntou me encarando.
- Sim, pode me chamar só de Margot. – Disse sem jeito. Algo nela me lembrava estranhamente a Dolores Umbridge, talvez, mas apenas talvez, fosse seu extravagante terno rosa, não pude deixar de rir, eu com o sobrenome de Salazar e ela parecendo a Umbridge, parecíamos ter saído de Hogwarts e parado ali no mundo Muggle.
- Perdão, Senhorita, do que está rindo? – Perguntou a mulher, confusa.
- Hã? N-nada... Só foram muitas horas de voo, estou apenas cansada.
- ... Entendo. – Ela disse me olhando estranhamente. Por que disse isso? Ela deve achar que sou maluca. – Bem... Sou a Senhora Burton. Vou te levar até seu apartamento e mostrar a faculdade, haverá um tour pela cidade com outros novatos da universidade, aqui – Ela disse me entregando um folheto que dizia a data e mostrava adolescentes felizes, tirando fotos da cidade em um ônibus com o teto aberto, mas e se chovesse?
- Certo... – Disse apenas, ainda pensando na chuva.
- Bom, vamos... – Ela disse olhando para Cheshire com um olhar de desprezo.
- Algum problema? – Perguntei.
- Não... Nada. Apenas sou alérgica a gatos. – Ela respondeu começando a andar em frente. Bem, aquilo era um problema.
Ela não parecia apenas ser alérgica a gatos, ela parecia odiá-los. Isso era estranho. Até Dolores Umbridge amava gatos, e ela era uma das pessoas mais detestáveis de Harry Potter. Meu Deus, todo mundo ama gatos! Todo mundo tem que amar gatos! Me questionava se ela era humana.
Saindo do aeroporto, entramos no carro dela que devia pertencer à universidade, tudo estava sendo pago por eles, o que era muito bom. Observava a cidade pela janela do carro, admirada, era tudo novo e diferente, nunca havia deixado a Inglaterra. Cheshire estava em meu colo e de minuto em minuto, ele rosnava e ameaçava arranhá-la.
- Senhora Burton, por favor, me perdoe. Geralmente ele é um amor de gato... Nunca foi assim com ninguém. – Disse envergonhada.
- Tudo bem... – Ela disse apenas continuando a dirigir, sem tirar a atenção da estrada.
Era verdade, Cheshire nunca havia sido assim com ninguém, apenas uma vez com Donnie quando estávamos "brigando", ele havia pegado meu celular e ameaçava ligar para um rapaz que eu gostava na época, e eu corri a casa inteira atrás dele, até que me joguei em cima dele e ambos caímos no chão. Eu bati a cabeça na parede e não havia machucado de verdade, mas queria que Donnie se sentisse culpado então comecei a chorar.
- Mar, Mar, você está bem? – Donnie perguntava preocupado. E quando se aproximou de mim, Cheshire o arranhou e rosnou o fazendo ficar pra trás.
Lembro de ter me assustado e rapidamente levantado e parado de chorar, ao ver os dedos de Donnie sangrando, acariciei o gato peguei meu celular e levei Donnie para a sala, onde fiz um curativo em seus dedos.
- Esse gato gosta mesmo de você. – Ele disse, e bem... Nunca mais pegou meu celular.
Lembro do olhar triunfante de Cheshire naquele dia, e hoje ele estava com quase o mesmo olhar como se estivesse desafiando a Burton.
- Chegamos. – Ela disse e desci do carro.
- Uau. É muito bonito. – Disse suspirando ao olhar o edifício.
- Espere até ver lá dentro. – Ela disse com um sorriso misterioso.
A segui enquanto levava algumas malas e o porteiro se ofereceu, levando o resto das bagagens. Pegamos o elevador em silêncio e era tudo muito chique, a universidade realmente deixava seus alunos muito bem hospedados. O elevador parou com um leve barulho de sino e saímos.
- Hã... eu vou ficar com a cobertura? – Perguntei chocada.
- Sim, a universidade trata muito bem seus alunos. – Ela disse orgulhosa com um olhar levemente misterioso.
- Bom, vou deixá-la a sós agora para arrumar sua bagagem e conhecer o apartamento. – Ela disse me entregando a chave. – Está quase na hora de uma reunião. – Ela disse olhando o relógio. – Bem, lembre-se, amanhã de manhã lhe mostrarei a universidade.
- Pode deixar. – Disse com um sorriso amigável e ela se retirou.
- Uau! – Disse novamente. O apartamento era enorme e lindo, possuía uma grande varanda, que me permitia ter uma admirável vista da cidade, os lustres no teto eram enormes, como se eu estivesse em um castelo de uma princesa da Disney, a mesa de jantar também era gigante assim como a cozinha, a TV, o sofá, tudo era enorme! Subi as escadas e possuía três quartos, o principal tinha uma cama de casal enorme onde Cheshire se jogou, e também tinha um banheiro imenso, com uma banheira de hidromassagem. Os outros quartos eram parecidos, todos luxuosos e com suítes. – Parece que vamos nos divertir bastante gatinho. – Disse e Cheshire rolou no tapete.
Era tudo incrível, mas me sentia solitária com todo aquele espaço, não que eu não gostasse, é só que não tinha ninguém para ficar nos outros quartos, queria que minha família estivesse lá, mas eles não poderiam largar tudo, meus pais tinham seus empregos e Donnie a escola.
Estava prestes a tomar um banho, para depois cochilar, quando a campainha tocou, corri para atendê-la acompanhado de Cheshire, que antes mesmo de eu abrir a porta começou a rosnar. Estranhei, mas abri a porta mesmo assim e lá estava a Senhora Burton, devia ter suspeitado.
- Ah... Senhora Burton, aconteceu algo?
- Ah... Perdão por incomodar, senhorita, mas é que pediram para eu entregar a chave do seu carro que a universidade estará oferecendo, eu havia esquecido. Posso entrar?
- Ah... Certo... – Disse e ela fez menção de tirar algo do bolso, mas não havia chave nenhuma, em suas mãos apenas garras enormes e pretas, abri a boca, surpresa, mas não consegui emitir nenhum som. Cheshire pulou em direção dela miando alto e ela o jogou com tudo no chão, vi o sangue de meu gato ser espalhado no chão e ela foi andando em direção a ele com os olhos amarelos, então me coloquei em sua frente. Ele miava baixinho, e estava sangrando.
- Socorro! – Gritei.
- Ninguém vai vir te ajudar! – Ela gritou e arranhou meu rosto. Cheshire começou a miar loucamente, como se gritasse por socorro, mas estava ferido e mal conseguia se levantar, e se ele pudesse, só queria que ele corresse daquele lugar.
- Por favor, alguém! Me ajuda! – Foi quando olhei para a porta e havia um garoto lá, devia ter uns 13 ou 14 anos e apenas observava tudo. – Ei, chame ajuda, por favor! – Gritei.
- Ei, querido, venha cá, não tenha medo. – Ouvi Burton chamar e o garoto veio até ela com as grandes unhas crescendo.
Voltei meus olhos para Burton e seus olhos estavam amarelos, ela começou a pressionar suas enormes garras contra minha cabeça.
- Teremos um delicioso banquete, querido! – Ela disse de forma assustadora.
Comecei a gritar de dor e sentido sangue escorrendo em meu rosto, tentei socá-la e chutar, mas ela parecia nem sentir. Minha visão foi ficando turva e pensei estar delirando quando ouvi gritos e passos correndo, até que perdi completamente a consciência.
***
- Droga! – Gritou Dean entrando no apartamento.
- Winchesters! – Disse Burton.
- Quem é você e como sabe quem somos? – Dean perguntou nervoso com a faca prata em mãos.
- Ora... Não é difícil adivinhar quem é, quando matou minha mãe na minha frente! – Gritou o garoto que estava do lado de Burton.
- E-esse, é o filho da Amy? – Gaguejou Sam, ele ainda lamentava pela morte da amiga.
- Você me disse para esperar e quando estivesse mais velho, para ir matá-lo, bem aqui estou. – Disse o garoto avançando em Dean.
- Jacob, espere! Ainda não está forte o bastante! – Gritou Burton, mas o garoto estava cego pelo ódio e correu em direção a Dean, acertando um golpe em seu peito o rasgando.
- Dean! – Gritou Sam indo ajudar o irmão, mas Burton entrou na frente.
- Acho que não! – Disse Burton acertando um golpe no rosto de Sam.
- Quem é você? Por que está com ele? – Perguntou Sam.
- Depois que seu irmão matou a mãe de Jacob ele ficou desolado, e cego pela vingança, precisava de ajuda. E eu? Bem eu queria que nossa espécie crescesse, porque graças a caçadores miseráveis como vocês, nós Kitsunes, estamos acabando. Comecei a caçar mais, alimentando nós dois, e o ensinando a caçar, hoje ele ia aprender a como abrir a cabeça de alguém e comer a parte mais deliciosa do cérebro, as glândulas pituitárias, é claro. Mas vocês estragaram tudo! – Gritou Burton e correu, atacando Sam, que rapidamente a atacou de volta, fincando a faca em seu peito.
- Burton! – Gritou o garoto, correndo para perto do corpo de Burton, que havia caído no chão. Mas Dean rapidamente o segurou e, virando o garoto para si, o acertou no peito com a faca de prata, vendo o olhar do garoto morrer, de encontro com o seu.
- Dean... – Chamou Sam. – A garota.
Dean rapidamente se focou de volta no trabalho, enquanto Sam checava o pulso da menina.
- Ela ainda está viva. Temos que levá-la a um hospital. – Disse Sam a pegando no colo e levando ao Impala.
Dean pegou o corpo de Jacob, desceu e o colocou no porta-malas, voltou para pegar o corpo de Burton e colocar lá também, o garoto era pequeno e tinha espaço para os dois, depois Dean os queimaria, ou enterraria. Voltando para o apartamento, ouviu um miado e logo olhou para um montinho de pelo rastejando até ele, o gatinho sangrava.
- Ei... – Chamou Dean. – Eu não havia te visto. Esses monstros te machucaram feio, né... – Ele disse e largou o corpo de Burton, ele daria um jeito nela depois. Pegou o gatinho e desceu do edifício.
- Ei, cadê a kitsune? – Perguntou Sam ao ver o irmão entrar no Impala.
- Depois pegamos. Toma, segura aqui. – Disse deixando o gato no colo de Sam.
- O quê? Da onde veio esse gato? – Perguntou Sam, confuso.
- Estava no apartamento, deve ser da garota. Eles não perdoaram nem o bichano!
- É... – Disse Sam olhando para a ferida do gatinho, que miou. –
- Ei, Sam... – Disse Dean ligando o carro.
- Que foi?
- Saving cats, huting things, the family business. – Disse o irmão rindo.
- Cala a boca e dirige logo. – Disse Sam olhando preocupado para a garota que estava deitada no banco de trás.
- Credo, que mau humor. – Disse Dean ligando o carro. – Então nós vamos primeiro pro hospital, ou pro pet shop procurar um veterinário? E como vamos dar o gato pra ela depois? – Perguntou Dean.
- Hã... Eu não sei. – Respondeu Sam. – Que tal levarmos ela e o gato pra casa do Bobby, lá chamamos o Cass e ele cura os dois. Acho que aguentam até lá, não foram feridas muito profundas, disse abrindo o porta-luvas e enfaixando o gato.
- Ok... – Disse Dean de desagrado, mas realmente não sabia o que fazer, nunca tinha animais de estimação envolvidos.
Dean começou a dirigir, ligando o carro e após algumas horas de viagem, começou a tocar Green Day no rádio, 21 guns.
Margot começou a se sentir consciente, sua cabeça doía como se tivesse levado um tiro, mas permanecia viva, a música tão conhecida por ela tocava alto e ela levantou. Então percebeu estar em um carro. Ouviu um miado muito conhecido, era seu gato.
- Cheshire?! – Gritou ela e o gato pulou do banco da frente para o de trás, lambendo o rosto de sua dona. – O-o que esta acontecendo? – Perguntou ela nervosa, gaguejando.
- Ei, calma... – Disse Sam se virando pra ela. – Eu sou Sam e esse é meu irmão Dean. – Ele disse apontando para o irmão mais velho, que deu um sorriso e piscou pelo retrovisor.
- Tá, mas por que eu estou aqui? – Perguntou Margot se sentando e sentindo tudo girar, colocou a mão na cabeça. – E a Burton ela... Ela tinha garras enormes!
- Você se lembra... Isso é bom. Bem, ela era uma Kitsune.
- Kitsune? – Perguntou a garota confusa. – Isso não é raposa em japonês?
- Hã... Sim. – Respondeu Sam.
- Como sabe disso? – Perguntou Dean, confuso.
- Eu gosto de raposas... E de Anime.
Dean arqueou as sobrancelhas, dando uma expressão de quem diz "faz sentindo".
- Ok. – Continuou Sam. – Mas Kitsunes são criaturas que comem o cérebro das pessoas, eles só tem o nome de "raposas" porque são rápidos. E é por isso que você está com esses cortes na cabeça.
- Ok... Isso é muito estranho, o que vocês são? Policiais ou algo assim? – Perguntou Margot.
- Não... Nós somos irmãos, e caçamos monstros. – Respondeu Dean.
Sua cabeça parecia girar mais do que antes, mas não tinha como duvidar deles, afinal ela havia visto as unhas gigantes de Burton e seus olhos amarelos.
- Estamos indo para um hospital? – Perguntou Margot colocando a mão no ferimento do gatinho deitado em seu colo. – Ou a um veterinário?
Dean arqueou as sobrancelhas de novo.
- Era isso que eu também estava me perguntando.
- Nenhum dos dois - Respondeu Sam. - Vamos levá-los pra casa do Bobby. Lá chamaremos um amigo que pode curar vocês.
- Hã... Quem é Bobby? – Perguntou Margot.
- Um bom amigo nosso, é como um pai. - Disse Sam.
- E como ele é?
- Velho e bêbado. – Respondeu Dean e Sam riu.
- Não foi como eu pensei, Bobby parece um nome gentil e fofo. – Disse Margot.
- As aparências enganam... – Comentou Dean e seguiram viagem ao som de Stairway to heaven.
***
Margot acabou adormecendo de novo, ou talvez desmaiado, ela não sabia muito bem, mas acordou com Sam a chamando e com a luz do dia, ela pôde perceber o quão lindo os dois irmãos eram e sentiu seu rosto corar, segurou seu gatinho no colo e seguiu Dean pelo ferro velho até a porta de uma velha casa.
- E ai, Bobby? – Disse Dean entrando na biblioteca, onde Bobby estava sentado em sua mesa lendo um livro velho, com uma garrafa de Whisky barato.
- Olá, idiotas! - Disse Bobby ao ver os rapazes. - Quem é essa? – Perguntou ao ver uma pequena garota segurando um gato atrás de Dean.
- Ei, não precisa se esconder. – Dean disse saindo da frente da garota. – Essa é a Margot. – Ele disse a apresentando com um sorriso. – A salvamos de um Kitsune.
- Kitsune, é... Bem isso explica a cabeça sangrando... Mas por que não a levaram pra um hospital? Sam! – Bobby gritou do nada os assustando. – Não vai me dizer que deixou seu irmão engravidar a garota!
- O quê?! – Gritou Dean. – Que isso, Bobby. – Disse Dean e Sam começou a rir.
Margot sentiu sua cabeça doer e tombou ameaçando cair.
- Acho que é uma boa hora pra chamar o Cass. – Disse Sam parando de rir.
- É, tem razão. Cass, precisamos de você. – Chamou Dean e o anjo apareceu atrás dele, o assustando.
- Cara! Espaço pessoal, lembra?
- Desculpe, Dean... – Lamentou o anjo abaixando a cabeça.
- Tudo bem, Cass... Só ajuda a garota e o gato dela. – Disse Dean e Castiel assentiu, tocando a testa de Margot que rapidamente se sentiu melhor.
O anjo pegou o gato no colo e removeu o curativo que Sam havia feito tocando a ferida do bichano que reclamou, mas logo ficou curado. O anjo permaneceu com o gato no colo o acariciando enquanto todos o encaravam confuso.
- Hã... O que é quê você fez? E como? – Perguntou Margot, confusa e muito surpresa.
- Eu sou um anjo do senhor. – Castiel disse apenas.
- Um anjo? – Margot disse dando uma leve risada. – Sério? – Ela perguntou olhando para os outros.
- Pois é... Eu também não acreditava. – Disse Dean dando de ombros.
- Ok... – Ela disse olhando para o chão, pensativa até que emitiu um barulho, assustada, como se lembrasse de algo muito importante que não havia feito, e chamou atenção de todos na sala.
- O que foi? – Perguntou Dean, assustado.
-Você tem um celular ou um telefone? Preciso ligar para o Donnie! – Disse ela, desesperada, havia prometido ligar para o irmão e lembrou o sonho estranho que teve com ele.
- Sim, toma. – Disse Dean entregando rapidamente seu celular para a garota, que discou rápido os números e foi para outra sala.
- Ah... – Suspirou Dean, olhando para Sam.
- Que é? – Perguntou o irmão confuso.
- Tem namorado... – Disse Dean, chateado.
Sam apenas riu
- Não pode ver um rabo de saia... – Comentou Bobby.
- Qual é, Bobby! Ela é bem gata.
Castiel apenas acariciava o gato e observava tudo com sua expressão confusa de sempre.
***
- Donnie! – Disse Margot aliviada pelo irmão ter atendido.
- Margot? Mudou o número do seu celular? – Ele perguntou confuso.
- Não... é que houve um acidente e esse cara, ele me ajudou e eu pedi o telefone dele emprestado, você está bem?
- Sim, eu estou ótimo, mas e você? Como assim sofreu um acidente? – Ele perguntou, confuso.
- Ah... Nada, depois eu te conto tudo com calma, o importante é que está tudo bem. Você ta bem mesmo, né?
- Estou sim. Mas, Mar...
- Não. Mais tarde eu te ligo. Tá tudo bem, sério.
- Promete?
- Sim, eu prometo, irmãozinho.
Margot desligou o telefone e voltou para a biblioteca onde todos estavam.
- Obrigada. – Disse Margot entregando o celular de Dean.
- Hum. Como foi a conversa com seu namorado? – Ele perguntou.
- O quê? – Margot perguntou com o rosto vermelho.
- Dean! – Disse Sam repreendendo o irmão. – Isso é pessoal.
- É, pare de ser um idiota. – Reclamou Bobby.
- O quê... Só fiz uma perguntinha! – Comentou Dean.
- Do que vocês estão falando? Donnie é meu irmão!
- Ah... – Disse Sam.
- Então... Você está solteira? – Perguntou Dean, se aproximando.
- Dean! - Repreendeu Sam.
- Pare de ser um idiota! - Reclamou Bobby.
E a discussão recomeçou.
Margot caminhou até Castiel pegando seu gato
- Obrigada por cuidar do Cheshire.
- Ele é um bom gato. - O anjo disse.
- Cheshire? O que é você a Alice? - Perguntou Bobby. -
- Bem, digamos que sou fã da obra de Lewis Caroll. Nasci ouvindo os contos dele, até porque era na Inglaterra.
- Hum, então você é Inglesa. - Disse Dean.
- Sim, eu acabei de me formar na universidade de Oxford e me mudei para Connecticutt porque ganhei uma bolsa para Yale, mas então aquilo aconteceu... - Margot disse apontando para sua cabeça.
Sam e Bobby olhavam admirados para a garota, Yale e Oxford.
- O que você estava cursando?
- Eu estudo Astronomia e astrofísica, sabe, toda essa coisa de espaço e tempo.
- Ah, sei. Tipo o cara da cadeira de rodas? - Perguntou Dean comendo um salgadinho, sabe-se lá da onde ele arranjou aquilo.
- Stephen Hawking, Dean, o nome dele é Stephen Hawking. - Disse Sam, impaciente.
- É esse mesmo. - Concordou Dean.
- É... Bem, eu estava indo me aperfeiçoar nisso em Yale, e terminar de estudar artes e animação, também cursei isso em Oxford.
- Hum, melhor você parar de falar nas suas faculdades senão o pequeno Sam aqui se apaixona. - Disse Dean.
Margot sentiu o rosto corar e Sam deve ter notado, pois logo disse:
- Ele tá só brincando. - E olhou bravo para o irmão.
- Que é? - Argumentou Dean contra o olhar do irmão. - Ele é o garoto Stanford!
- Sério? É uma ótima universidade, espero ir pra lá depois de cursar Yale.
Houve um grande silêncio...
- Então... Quando vão me levar pra casa? - Perguntou Margot. -
- O quê? - Perguntou Dean. -
- Logo... - Disse Sam. - É que acabamos de chegar e dirigimos bastante, você devia dormir um pouco pra garantir que está bem, e o Cheshire também parece estar bem cansado.
- Certo... - Concordou Margot com certo desagrado, ela queria pelo menos estar com seu celular.
Sam levou Margot até o quarto que ela ia ficar e lá continuaram suas conversas sobre universidades, e Sam a questionava sobre perguntas complexas sobre tempo e espaço e discutiam filmes cults, enquanto Dean os encarava do lado de fora do quarto.
- Nerds... - Dizia ele dando um gole em sua cerveja.
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Olá, pessoas, espero que gostem dessa fic, eu estou escrevendo com uma amiga, então vamos assinar nas notas. Nós vamos postar os caps todo sábado, só postamos o primeiro no domingo por causa de uns problemas aí, aproveitem. Não esqueçam de votar e comentar.
From Saturn