Amores votem, percebo q tem uns leitores anônimos, ai da impressão q vcs não estão gostando da fic ◇_◇
POV. Katharine Moore
Charles, Justin e Mandy foram embora quase 1 hora da manhã. Foi uma noite agradavél e eu consegui, por milagre esquecer de todos os problemas, ou pelo menos o que mais me deixava com dores de cabeça - literalmente - a alguns meses.
- Amanhã eu peço pra Izabel vir limpar. - Minha mãe disse enquanto eu tirava os copos da mesa e levava até a cozinha. - Eu não quero mexer com louças agora a noite.
- Se quiser eu te ajudo. - Sugeri.
- Não precisa, querida. Izabel vem logo cedo e limpa tudo. Vamos descansar.
Assenti, apagando a luz da cozinha e seguindo até o meu quarto.
- Já vai dormir? - Minha mãe perguntou enquanto eu adentrava no meu quarto, seguindo até o meu guarda roupa e pegando um pijama.
- Sim, eu acho que o vinho me deixou um pouco mole.
Ouvi a sua risada um pouco de longe e ela resmungou alguma coisa.
- Eu vou ficar lendo. - Ela disse, parando na porta do meu quarto com um livro em mãos.
- Se precisar de alguma coisa é só gritar, tudo bem?
- Tudo bem, mãe. Hoje eu estou bem, acho que nada fora do controle deve acontecer. -
Falei, tirando o meu vestido e o meu sutiã, e em seguida vestindo meu pijama. Me aproximei da minha mãe e ela beijou a minha testa.
- Assim espero, querida. Boa noite. - Ela disse. - Dorme com os anjos!
- Boa noite. - Falei, me distanciando dela e vendo-a sair da minha porta, entrando no seu quarto. Fechei a minha porta e fui até a minha cama, acendendo o abajur ao lado e apagando a luz do quarto, deitando na cama em seguida.
Apaguei o abajur e fitei o teto, notando os detalhes dos desenhos que decorava o mesmo. Eram estrelas, lua, astronautas, nave espacial etc. Uma diversidade de decorações que brilhavam no escuro, parecido com estrelas em um céu. Fechei os meus olhos por alguns instantes sentindo um pouco tudo rodar, soltei um suspiro devagar e acabei, sem querer, caindo no sono.
Talvez a minha mãe deve ter tido algum intuito por dizer que se eu precisasse de algo poderia lhe chamar. Ou fosse um belo de um azar eu não ter ido dormir na casa do Justin bem naquela noite.
Eu me lembrava de andar em um abismo escuro, era como se fosse um lugar todo preto e que se dava eco. Eu não sabia onde iria parar, eu não sabia nem se quer onde eu estava. Eu apenas andava porque eu sabia que se eu ficasse parada alguma coisa poderia me atingir ou me pegar, então, eu andava sem destino e o medo era quase o meu amigo, se não fosse tão amedrontante.
Pude ouvir um barulho agudo vir do céu, bem em cima da minha cabeça e eu olhei pra cima vendo como se fosse um meteoro pesado cair sob a terra, mas ele não caiu exatamente na terra, ele veio pra cima de mim e mesmo se eu corresse, não daria tempo. Ele caiu sob o meu corpo e uma dor forte se deu na minha barriga, me causando falta de ar no mesmo instante.
Então, eu acordei em um pulo sentindo um peso enorme na minha barriga e com falta de ar também fora do sonho. Aquelas dores eram reais! Tentei gritar pra minha mãe, mas, foi em vão, parecia que as minhas cordas vocais haviam sido tiradas com força e eu não tinha mais voz. Tentei encontrar forças do além pra esticar o meu braço e ser capaz de acender o abajur, mas a minha mão tremia tanto que em instantes, o copo que estava em cima da comoda foi parar no chão e o abajur foi junto. Eu pude ter feito a melhor coisa naquele momento porque em questão de segundos a porta do meu quarto foi aberta e a minha mãe correu na minha direção.
- KATHARINE! - Ela gritava. - O QUE ACONTECEU?
Eu tremia do pé a cabeça, a dor no meu estomago parecia nunca cessar, ela apenas aumentava cada vez mais. Me encolhi na cama e balancei a cabeça negativamente, tentando dizer a ela que eu não conseguia responder, se quer raciocinar. Eu podia sentir algumas gotas de suor escorrerem da minha testa e a minha mãe me levantou da cama, tentando me fazer sentar.
- EU VOU... - Ela dizia, parecendo perdida. - EU VOU LIGAR PARA O JUSTIN. EU VOU TE LEVAR PARA O HOSPITAL... É, EU VOU! - Ela dizia um pouco alterada, saindo do quarto em seguida.
Pude sentir um desespero tomar conta de mim e as lágrimas começaram a cair. A minha mãe voltou em seguida com o celular na orelha e pude escutar ela dizendo:
- Ela está passando muito mal, Justin. Eu não sei o que está acontecendo com ela. - Ela se aproximou novamente da cama. - Sim, ela está tremendo muito e a sua boca... Justin, a sua boca está ficando roxa. O que eu faço? - Ela deu uma pausa. - EU VOU LEVAR ELA PARA O HOSPITAL AGORA! - Ela gritou, finalizando a ligação. - Filha... - Ela começou a conversar comigo. - Tenta se sentar, eu preciso da sua ajuda pra ir até o carro.
Senti a sua mão nas minhas costas e ela me sentou na cama novamente, tirando as minhas pernas da cama e entrelaçando o meu braço na sua nuca. Uma de suas mãos estavam na minha cintura e ela começou a andar em direção a saida do meu quarto, passando pelo corredor, pela cozinha, pela sala, abrindo a porta e indo em direção a garagem. Pude ouvir os seus soluços, mesmo um pouco de longe já que a minha audição não estava em perfeito estado, nada do meu corpo estava em perfeito estado naquele momento. Ouvi a minha mãe abrir a porta do carro e ela me colocou sentada no banco, passando o cinto de segurança pelo corpo e fechando a porta em seguida.
Então, mais uma vez, eu apaguei.
[...]
- Eu não sei se ela vai aceitar.
- Mas a gente tem que tentar, senhora Alisson.
- E se não der certo? - Ela perguntou em sussurro.
- Vamos fazer de tudo pra dar certo. - Justin dizia também em sussurro.
Tentei abrir os meus olhos devagar, mas, logo os fechei quando a luz bateu no meu rosto. Me mexi um pouco na cama escutando o barulho irritante dos aparelhos ao meu lado e Justin sussurrou em seguida:
- Será que ela acordou?
Ouvi passos se aproximando da cama e uma mão fazendo carinho na minha.
- Querida? - A voz suave da minha mãe sussurrou. - Você... acordou?
Eu havia morrido, é isso?
Tentei abrir os meus olhos novamente pra garantir que eu ainda estava viva e consegui enxergar Justin, minha mãe e Peter ao redor da minha cama. Eles me fitavam atentos e curiosos. A luz do quarto não estava tão forte, mas a minha cabeça doia tanto que fazia com que qualquer luz fosse capaz de deixar os meus olhos abertos.
- Eu acordei. - Sussurrei com um pouco dificuldade, ouvindo a minha própria voz sair um pouco falhada.
- Oh, glória a Deus! - Minha mãe sussurrou alegre. - Como se sente, querida?
- A minha boca está seca. - Falei, passando a língua nos meus próprios lábios. - O que aconteceu? - Perguntei, abrindo os meus olhos mais uma vez e fitando Justin.
Ele parecia tão cansado. Ele vestia seu famoso jaleco e as suas mãos estavam no bolso do mesmo. Seu olhar era degastado e pude enxergar uma quantidade de olheiras ao redor dos seus olhos. Ele sorriu em seguida.
- Você teve uma pequena falta de ar. - Ouvi Peter dizer, em seguida, o fitei. - E como o câncer está localizado no Lóbulo Frontal do seu cérebro, você teve uma pequena perda por instantes na fala.
- Por isso eu não consegui gritar pra minha mãe. - Falei, sentindo a minha voz sair falhada mais uma vez. - Ela vai voltar ao normal? - Perguntei, me referindo a minha voz.
- Sim. - Peter respondeu. - Posso lhe fazer algumas perguntas?
Assenti e ele relaxou os ombros.
- Você acordou de repente sentindo o que?
- Eu não acordei de repente. - Falei. - Eu tive um pesadelo e senti dores na barriga com falta de ar. Então eu acordei e nada tinha acabado, era como se a dor tivesse realmente entrado no meu pesadelo. - Eu disse e Justin me olhava atento, já a minha mãe tinha seus olhos arregalados. - Mas eu não consegui gritar, então eu derrubei um copo sem querer, o abajur e a minha mãe acordou, eu acho.
- O que você sentia além disso? - Peter perguntou.
- Eu tremi muito. - Falei. - E sudorese também.
- Como você se sente agora?
- Cansada. - Soltei um suspiro pesado e ele assentiu.
- Do que vocês estavam conversando? - Perguntei.
- Não era nada, querida... - Minha mãe respondeu e Justin a fitou.
- Claro que era. - Falei, rindo fraco. - Antes de me verem acordada, vocês falavam sobre algo que talvez eu não aceitasse.
É sobre a cirurgia, Kath. - Justin disse dessa vez. Lhe fitei. - Estávamos pensando em fazer a cirurgia em você rapidamente, mas queríamos saber se você topa.
- O que está acontecendo? - Perguntei.
- O câncer está crescendo, começando a interferir outros lugares do seu cerebro. - Ele me fitava. - E tem chance dele passar por outras partes do seu corpo.
- E o tratamento?
- Eu lhe disse que o tratamento não é 100% garantindo, ele só vai prolongar a sua vida, mas nada de cura.
- A cirurgia então, continua sendo a melhor solução? - Perguntei.
- Sim. - Justin respondeu, abaixando a cabeça em seguida.
- Mas você não precisa fazer, querida... - A minha mãe disse e eu revirei os meus olhos, fitando Peter e Justin em seguida.
- Tudo bem, vamos fazer a cirurgia.
Justin que antes estavam de cabeça abaixada, me fitou um pouco surpreso.
- Isso é sério? - Ele perguntou.
- É! - Falei, dando os ombros.
- Katharine, você não tem medo? - A minha mãe interferiu. - Você sabe os riscos que pode correr com essa cirurgia?
- E você sabe os riscos que eu posso correr por não fazer ela? Mãe, me poupe! - Falei, me alterando. - A escolha é minha. Não existe mais medo quando tem uma maldita doença te comendo por dentro. Eu estou apostando em todas as cartas, o que vier eu topo. Eu só quero sair dessa maldita cama sã e salva.
- Não fale ass...
- Pra você é fácil. - Falei, lhe cortando. - Pra quem me vê assim, tudo é fácil. Você não tem o dia contado pra ser enterrada, e se tem, você não está ciente disso. A sua morte pode ser hoje, amanhã, mas tudo está bem porque não é uma maldita doença que te faz lembrar disso a cada instante. - Olhei para o Justin e pude ver algumas lágrimas escorrendo pela sua bochecha, o mesmo acontecia com a minha mãe. - Eu aceito fazer a cirurgia, o quanto antes melhor.
- Tudo bem. - Justin sussurrou. - Vamos providenciar tudo, talvez amanhã pela manhã você já entre na sala de cirurgia.
- Que horas são? - Perguntei, olhando pra janela e vendo que mesmo com a cortina, dava pra notar uma pequena luz entrando na fresta da cortina por conta do sol.
- 15:02. - Justin disse, olhando para o seu relógio.
- E que horas eu cheguei aqui?
- 03:15h da manhã. - Minha mãe respondeu, limpando as suas lágrimas em seguida.
- Eu fiquei desacordada até agora? - Perguntei e Peter assentiu. - Eu perdi o dia todo em uma cama desacordada? - Perguntei novamente e todos assentiram. - Ótimo! - Mordi meus lábios e senti uma lágrima escorrer.
- Kath, você está bem? - Ouvi Justin sussurrar e lhe fitei.
- Estou, amor. - Falei, abrindo um pequeno sorriso. - A unica coisa que me dói é saber que eu estou morrendo, que mais uma vez essa doença me deixou na cama o dia todo e quando há solução pra isso tudo, eu tenho que ouvir de vocês que existe o medo. A unica pessoa que deve sentir medo aqui sou eu, porque eu quem vou morrer. - Deixei que as lágrimas voltassem a cair. - Eu que vou partir e vocês vão continuar aqui na terra, vivendo as suas vidas como se nada estivesse acontecido.