Sei que tinha dito que ia postar logo, mas meu pc pegou vírus e acabei perdendo todos os documentos. Hoje ele vai voltar ao normal e PROMETO que posto outro mais tarde.
Se tiver algum erro ignorem, tô pelo pc da faculdade e no meio de uma aula, ai fiz correndo. Se tiver algum problema na formatação do texto volto mais tarde.
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Os mesmos raios de sol que haviam me acordado batiam nas costas largas de Camila. Seu corpo estava folgadamente no meio da cama de casal e seus braços não tão fortes estavam escondidos embaixo do travesseiro, flexionados sobre o lençol branco, causando um lindo contraste pelas linhas pretas e coloridas. O rosto bonito estava de lado e seus lábios cheios e avermelhados estavam entreabertos e curvavam-se em leves sorrisos de vez em quando, o único movimento que seu corpo fazia era o subir e descer de suas costas, num ritmo contínuo e tranqüilo.
Deus, como eu sentia falta de observá-la dormir como uma anja. Sempre quando a olhava dessa forma, todos os nossos problemas pareciam distantes e tudo parecia extremamente certo. Eu sabia que o meu lugar era ao seu lado por mais que tentassem nos separar. Por que eu amo sua forma de sorrir e até mesmo a forma de me irritar.
Aquela pequena garota mimada precisava de minha proteção, do calor dos meus braços, tanto quanto eu precisava daquela certeza que ela me passava por seus olhos amendoados tão intensos e expressivos.
Um lindo abismo de emoções que eu faria qualquer coisa para passar o resto de minha vida olhando.
Suspirei profundamente e sorri com aquela visão tão doce e tão encantadora. Levantei-me lentamente da poltrona e me aproximei de minha pequena adormecida, cobrindo-a melhor com o lençol e depositando um beijo delicado em sua bochecha.
-Eu te amo, Camz. – sussurrei extremamente baixo em seu ouvido, me permitindo olhá-la hipnotizada por mais um tempo. Carinhosamente retirei alguns fios que cobriam seus olhos e os coloquei atrás de sua orelha. – Eu sempre vou cuidar de você, minha pequena princesa.
Arrastei-me para longe dela continuando tentada a ficar ali sentada a observando até que ela acordasse. Segurei a maçaneta e antes de girá-la lhe dei um último olhar, soprando um beijo para ela, mesmo sabendo que ela nem estava olhando. Sorri e finalmente consegui sair do quarto, fechando a porta com cuidado.
Fiquei um tempo ali parada, encarando a madeira, um sorriso quase bobo ao suspirar; mas quando virei para seguir até o salão para iniciar as tarefas diárias, o que eu vi, fez meu coração falhar uma batida.
- Ah... bom dia, alteza. – disse com minhas mãos quase trêmulas com o olhar penetrante que ela me lançou.
- Siga-me conselheira. - senti-me, na hora, nauseada, como se tivesse prestes a vomitar. Ela não esperou resposta, saindo altiva pelo corredor. Caminhava rápido, seus sapatos fazendo estalos na madeira polida. Não pude fazer nada, a não ser segui-la até a sala do quinto andar. A sala de reuniões. – Entre, por favor.
Logo que entrei, a porta se fechou com um estalo e eu fiquei esperando a rainha finalmente chegar até a ponta da mesa, meu coração batendo tão rápido que eu mal conseguia respirar.
- Sente-se. – logo que eu me sentei, tentando ao máximo manter minha postura, ela continuou. Ela sentou-se atrás da mesa, cruzando os dedos e apoiando os cotovelos a mesa elegantemente. Em silêncio, ficou me observando por muito tempo. Por fim, suspirou e se ajeitou na cadeira. – Senhora Jauregui, qual era o seu trabalho?
- Encontrar um homem para que a senhora Camila pudesse casar-se e se tornasse rainha. – respondi prontamente, movendo meus dedos de forma agitada, às minhas costas.
- E a senhora fez isso?
- Sim.
- Não. – sua voz agravou. Eu fiz isso. Eu arranjei todo o casamento dela e do Austin. E o que a senhora fez?
- Mas, mas Camila que não queria, eu... eu não tenho autoridade o suficiente. A senhora é a mãe dela—
- Isso não é desculpa. – ela fechou os olhos, os lábios crispando-se. – Camila tem idade para entender a complexidade da situação, se a senhora tivesse sido firme teria conseguido. – falou tudo rapidamente e abriu os olhos. – O que a senhora fez?
- Eu não estou entendendo, senhora. – disse, balançando a cabeça negativamente.
- Não se faça de burra. Eu sei que a senhora não é.
- A senhora quer que eu diga o quê?
- O que você fez com a minha filha? – ela repetiu, solenemente.
- Eu nunca faria nada a Camila! – retruquei, arregalando os olhos enquanto várias coisas passavam como flash em minha mente. – Não, não estou entendendo.
- Não minta para mim, senhora Jauregui. Eu sei o que você fez.
- Eu não fiz nada. Do que a senhora está falando?
Eu não entendia. Estava já um tanto óbvio que ela sabia sobre nós, mas o que ela estava querendo dizer sobre eu "ter feito" algo para a Camila? Não tinha sentido.
- Você se faz de sonsa, não é? – ela estreitou os olhos claros. – Minha filha era normal!
Arregalei os olhos. Parecia que ela havia me dado um tapa, mesmo que suas mãos continuassem imóveis e ela não tenha se movido nem por um segundo. A rainha tinha me chamado de anormal por eu ser gay. Eu não passava de um anormal aos seus olhos por que eu amava sua filha mais que minha própria vida. Anormal.
- Camila é normal. – foi tudo o que eu consegui responder, com a voz sufocada, segurando os braços da cadeira, paralisada.
- Você a tornou anormal. Ela era uma garota normal que gostava de garotos. Gostava não, gosta!
- Anormal? Não há nada de anormal em se apaixonar, desculpe senhora. Anormal é o que a senhora está fazendo!
- Apaixonar? Como ousa dizer que minha filha se apaixonou por uma... mulher!?
- Como ousa a senhora querer que sua filha se case com alguém que ela mal conhece, ser infeliz, tudo por que a senhora quer que ela cuide do reino já que não é capaz disso!
- Não fale comigo deste modo. – ela retrucou calmamente apesar de seus olhos brilharem em fúria. – A senhora é uma simples conselheira real. O que eu decido a respeito do futuro do meu reino ou da minha filha não lhe diz a respeito.
- Me diz respeito sim! – me levantei, sem deixar de encará-la, uma de minhas mãos espalmadas sobre a superfície da mesa. – A senhora vai fazer a Camila infeliz... Ela é só... Ela é só uma garota perdida, ela não pode com tudo isso ainda. Entenda o problema, senhora, você está acabando com a vida de sua própria e única filha!
- E quem vai fazê-la feliz? Uma... sapatão como você? – ela estreitou os olhos, pegando um papel virado e batendo-o na mesa.
Novamente, foi como um tapa. Não só por suas palavras, cheias de preconceitos e duras como pedra, mas pelo foto que estava ali, naquele papel desvirado, de nós duas. Camila e eu estávamos na piscina, naquele mesmo dia em que pegamos resfriado. Ela estava em meu colo, seu rosto escondido em meu pescoço e dava para ver nitidamente minha expressão maliciosa.
Eu nunca havia sentido tanta vergonha em minha vida. Estava me sentindo como se não valesse absolutamente nada e se eu encostasse em alguém, eu poderia torná-lo anormal, como eu era. Mas como... aquela foto tinha ido parar ali? Estávamos só nós duas e... não, o barulho e logo em seguida...
- Austin. – foi tudo o que eu sussurrei.
Meus olhos estavam se anuviando pelas lágrimas, ma de jeito nenhum eu ia deixá-lo cair ou demonstrar o quão forte ele havia me atingido. Ele tinha avisado : "Afaste-se dela". É claro que ela faria algo do tipo, mas o que mais me machucava era que Camila não tinha a menor idéia de que ele não valia nada. Para ela ele era o doce Austin, aquele que gostava dela do jeito que ela era e que ia ajudá-lo em tudo. E era óbvio que ele só estava se aproveitando de tudo isso.
- Você estragou a vida da minha filha. – ela disse visivelmente enojada. Era simplesmente horrível ouvir aquele tom de voz dirigido a mim. Era um tom de voz de quem se dirige à um cachorro de rua pulguento que fica te seguindo. Era o tom de voz de ódio enrustido, camuflado pela educação de anos. Uma voz fria e gélida de alguém que não ousava encostar em alguém como eu.
- Não, eu não estraguei a vida dela. – sussurrei, balançando a cabeça negativamente de forma febril. Eu tentava me convencer com minhas próprias palavras. Eu não tinha a obrigado a nada, eu não podia ter simplesmente estragado a vida dela. – Não, não.
- Estragou. Estragou. Ela está assim por que acha que está apaixonado por uma mulher. Camila é nova, influenciável. Ela está mal assim por sua causa. Ela é, como a senhora mesmo disse, uma garota perdida. Claro que essa situação toda deve tê-la deixada confusa em relação à suas preferências, mas nada que não possa ser devidamente cuidado – ela pausou. – Senhora Jauregui, olhe para sua rainha.
Não, não é por isso que Camila me ama. Não é, não é, não é.
Ergui meus olhos para fitá-la, trêmula ,mas firme porque por mais que ela quisesse me humilhar, eu não deixaria que ela percebesse que estava conseguindo.
- O que a senhora quer?
- Quero que a senhora saia do meu país. Já arrumei tudo e a senhora irá voltar para a Inglaterra, sem passagem de volta. – ela falava tudo calmamente, sem mover nenhuma parte do corpo além da boca. – Como eu não quero que a imprensa fofoque sobre a sua retirada repentina, então sua viagem será agendada para depois do casamento, daqui a um mês. – ela pausou, os orbes claros se estreitando. – Eu quero que a senhora saiba que ninguém nunca me decepcionou tanto quanto a senhora. Eu sinto nojo pelo o que você fez a minha filha. Você é o tipo de pessoa que não merece nada além de pena e repulsa. A senhora me envergonha.
Não me importava suas palavras, por que naquele momento ela não estava apenas tirando minha dignidade.Ela estava tirando o meu bem mais precioso, o motivo de meus sorrisos e minhas noites mal dormidas. Estava me separando da única pessoa que havia conseguido amar com todo o meu ser, com toda minha alma. A minha Camz. A minha pequena Camz, que eu nunca mais iria ver.