Era uma Segunda-feira nublada quando Zayn acordou ao ouvir o som de uma garrafa sendo quebrada em sua porta. Quando olhou o relógio, na cabeceira ao lado da cama, percebeu que estava sem pilha e por isso não o despertou antes, seu celular estava descarregado então para ele aquele momento podia ser tanto seis horas da manhã quanto nove. Rapidamente, levantou e trocou de roupa, colocando calça jeans e uma blusa preta totalmente coberta por uma jaqueta da mesma cor. Pegou seu carregador colocando-o no bolso e saindo com o celular na mão para se deparar com Yaser, seu pai, miseravelmente sentado no chão rodeado pelos cacos de vidro da garrafa que havia quebrado na porta do quarto do filho, por estar muito bêbado. Diego, que também é filho de Yaser e irmão mais novo de Zayn, estava ajudando-o a se levantar.
- Não preciso da sua ajuda eu estou ótimo -disse Yaser
Mesmo assim Diego levantou-lhe e disse:
- Claro que precisa, você é um velho bêbado rabugento.
Percebendo o que falou já ia pedir desculpas mas não teve tempo para isso, pois antes percebeu que Yaser tentou socá-lo, o que felizmente não conseguiu fazer, pois acabou caindo de novo. Então antes que Yaser se recuperasse Zayn puxou Diego pelo braço e os dois saíram correndo em direção à porta, só parando quando alcançaram o parque respirando ofegantemente.
- Droga, esqueci meu material - disse Diego - Volta lá e pega pra mim, por favor, ele ficou com raiva de mim não de você
- Sob efeito alcoólico ele tem raiva de qualquer pessoa que respire perto dele - respondeu Zayn - Muito obrigado pela oferta, mas vou recusar. Mesmo que eu concorde no que você disse para ele, não precisava ter falado na frente dele. E além do mais, os professores não fazem nada que preste no primeiro dia de aula, você não vai precisar anotar nada mesmo. Falando nisso que horas são?
- Meu Deus! Já são nove e quarenta e cinco você esqueceu de me acordar!! - disse Diego assim que olhou o relógio que quase nunca saia do seu pulso.
- A pilha do meu alarme acabou justo hoje. E você já tem treze anos ta na hora de aprender a acordar sozinho.
- Já estamos uma hora e quinze minutos atrasados! Se isso for parar no meu registro escolar a culpa vai ser sua
- Até parece que vou me importar.
Diego soltou um suspiro e foi embora correndo dirigindo-se em direção à sua escola. Em seguida Zayn vai andando para sua nova escola enquanto pensa em como todos do seu colégio já devem ter grupinhos de amizade e ele não vai conseguir se encaixar em nenhum. Ele chegou nessa cidade na metade do ano durante o recesso escolar, mudou-se para aqui com a intenção de fazer o segundo semestre do segundo ano do ensino médio no The Celtic High School. E é um ano (e agora uma hora e quinze minutos) atrasado em relação ao resto da turma.
Já era possível visualizar o nome do colégio a sua frente, mas não tinha nenhum aluno ao redor, provavelmente porque estava atrasado e todos já deveriam estar em aula. Adentrou o colégio passando pelo estacionamento que estava cheio de carros que custam mais do que a casa inteira dele. A ida provavelmente levou mais 15 minutos, pois escutou o som do sinal indicando o início da próxima aula. Foi quando a coordenadora o viu e explicou sobre o colégio e as aulas depois de claro lhe dar uma bronca por chegar atrasado. Quando perguntado sobre o motivo do seu atraso, Zayn pensou em dizer que teve que impedir um cara de roubar a bolsa de uma velhinha e depois ajudar a velhinha a atravessar a rua e a acompanhar até em casa por que além de velha ela era cega. Entretanto, ele teve uma leve impressão de que ela não acreditaria nisso, então disse apenas que dormiu demais. Por isso, a coordenadora começou um discurso sobre as normas do colégio e o quanto a reputação da instituição é importante e todo esse falatório demorou mais trinta minutos e ela teve que acompanha-lo até o local de suas aulas. Ele se sentiu muito mal enquanto era apresentado a turma, pois odiava ser o centro das atenções e podia sentir os olhos de todos ao seu redor sobre ele, julgando-o de alguma forma. A sala era organizada em formato de escada, com todas as fileiras formadas por cadeiras em dupla. Zayn procura desesperadamente por uma dupla de cadeiras vazia, achando uma no final da sala. Quando a coordenadora sai da sala os alunos, antes silenciosos, começaram a ficar um pouco barulhentos, cochichando sobre o aluno novo. Para Zayn os degraus pareciam intermináveis, mesmo na verdade sendo poucos, teve vontade de sentar no chão pra que o professor pudesse continuar a falar e todos parassem de o observar. Seu lugar estava apenas a duas bancas de distância quando tropeça no pé de alguém e cai, fazendo com que a turma inteira risse. Ele se levanta para ver quem me o derrubou. O responsável pela queda era Louis Tomlinson que estava tentando segurar as risadas de soberba que queriam escapar.
- Quem você pensa que é para atrapalhar meu caminho - disse Zayn e nesse momento todos, inclusive o próprio Louis, pararam de rir e ficaram com uma expressão de surpresa no rosto.
- Você tem dois olhos devia aprender a usá-los - disse Louis que tinha substituído a expressão de surpresa por uma de superioridade.
- Ah, desculpa, eu pensei que isso aqui era o segundo ano não sabia que era a quinta série onde idiotas ficam colocando a perna no meio do caminho, para o outro cair. Talvez eu esteja na sala errada.
Antes que o Louis pudesse me responder o professor interveio e disse:
- Zayn você está na sala certa agora, mas da próxima vez que se atrasar sua entrada não vai ser permitida. Não quero ter que reclamar novamente, então vá para o seu lugar pretendo continuar com minha aula.
Louis tinha um sorriso vitorioso no rosto pelo apoiou recebido pelo professor.
Zayn finalmente chega a sua banca que fica de costas à parede e percebe que tem uma tomada ao seu lado. Quando tem certeza de não estar mais sendo observado ele coloca seu celular para carregar e fica o resto da aula ocupado em não prestar atenção no que o professor fala, ele nem lembrava qual matéria ele ensinava. Até que escuta o som do sinal indicando que estava na hora do intervalo. A porta foi aberta e o som de chuva sendo abafada pela gritaria dos alunos adentrou a sala. Zayn continua sentado pensando se deveria enfrentar o dilema de submeter-se ao convívio social e ir pro refeitório. Sua barriga faminta emite sons lembrando-o de que não tinha comido nada o dia inteiro e põe fim ao terrível dilema. Chegando ao refeitório ele esbarra num menino forte.
- Olha por onde anda, idiota. - fala o menino
- Não adianta reclamar Liam, esse ai deve achar que os olhos são só de enfeites - Diz alguém atrás de Zayn.
Zayn se vira e descobre que o alguém é Louis Tomlinson. Ele passa por Zayn esbarrando propositalmente no seu ombro
- Mas, vou te dar uma trégua aposto que você deve estar com fome.
Em seguida Louis pega uma das bandejas da mesa mais proxima e vai com ela em direção do Zayn
- Eu não quero nada que venha de você - fala Zayn
Mas assim que termina de falar isso Louis finge tropeçar e joga a bandeja em cima do Zayn melando o rosto e a roupa dele de salada, condimentos, batata frita e algumas outras coisas indefinidas.
- Oops, não estou conseguindo controlar meus pés hoje, é uma pena - diz ele sarcasticamente
Todos começaram a rir, mas Zayn nem teve tempo para se importar com isso, pois sentiu seu celular vibrar e ao olhar na tela tinha uma mensagem que dizia:
"Já estou chegando!!"
Ele sai de lá sem olhar pra trás mesmo escutando Louis o chamando de covarde. Na verdade ele não estava fugindo de nada apenas mal podia esperar para ver uma pessoa especial. Ele vai ao banheiro limpa o rosto e lava sua jaqueta que é de couro então a sujeira sai rápido. Ele veste-a de novo dessa vez puxando um pouco a manga e deixando o zíper aberto. Em seguida vai para a frente do colégio, onde fica o estacionamento. Seu redor esta cercado por uma longa e alto murro de pedras. E para seu desapontamento a porta está fechada, mas ele está determinado a não deixar que isso o impeça de sair. Consegue ver um meio de escapar através de um galho de árvore que poderia ser seu apoio para subir o murro e é isso que ele faz, mas na hora de descer acaba escorregando na madeira molhada e caindo de costas no chão, mas pelo menos está do lado de fora do colégio. Respira fundo e sente a água bater contra seu corpo. Repara em cada gota de chuva, todas elas eram grandes, pesadas e quente fazendo suas roupas ficarem encharcadas e começarem a grudar na pele dele. Continua ali qualquer noção de tempo que pudesse existir totalmente perdida. À medida que sua respiração fica estável, a intensidade da chuva aumenta. Ele usa o resquício de força de vontade que lhe resta e se levanta. Olha para baixo e percebe que seu pé já estava submerso pela água da chuva que foi acumulada ao redor. As poças d'Água no chão refletiam pedaços do céu. Zayn se senti como as pedras num riacho que atrapalham o curso da água, assim como elas ele estava ali só preenchendo o espaço vazio. Olha para frente e vê uma garota observando-o e sua esperança é renovada assim que reconhece quem estava olhando. Nesse momento singelo ele entende o que querem dizer quando falam que existe uma calmaria depois da tempestade. Ela estava lá por ele então ele tinha certeza que ainda tinha chances de ficar tudo bem.