- Boa noite, senhorita Steele - cumprimenta Taylor, abrindo a porta do SUV preto, encostado na calçada em frente ao prédio.
- Boa noite, Taylor - ela abre um sorriso - Como vai?
- Bem, obrigado - responde, e dá um raro sorriso para Ana, pois sempre simpatizou com ela - E esse rapazinho, quem é? - ele se dirige ao menino que está segurando a mão da mãe. Teddy sorri, mas esconde o rosto nas pernas de Ana.
- Ele é um pouco tímido - Ana fala e olha para o filho- Diz oi para o Taylor, meu amor.
- Oi - o menino sorri de novo - Eu sou Teddy - ele se apresenta como a mãe ensinou.
- Prazer em conhecê-lo, Teddy - o motorista se abaixa um pouco, sorrindo ele estende a mão para a criança, que retribui o gesto - Eu sou Taylor, e vim buscar vocês para levar ao apartamento do seu pai, você quer ir?
- Sim! - os três riem. Encantado com o menino, Taylor ajuda mãe e filho a entrar no carro, então seguem rumo ao Upper East Side.
Ansioso, Christian anda de um lado para o outro no apartamento, depois de supervisionar o jantar e o quarto do filho, que ficou pronto ainda há pouco, ele agora está na sala de estar, esperando os dois. Para o jantar ele escolheu fettuccine, e de sobremesa crème brûlée, porque durante o lanche esta tarde na casa de Ana, Teddy falou para Christian que essas são suas comidas preferidas, então com a intenção de agradar o filho, esse será o menu da noite. E o quartinho de Teddy ficou perfeito. Há uma cama pequena azul em formato de avião, quando viu que a cama do filho no apartamento de Ana era de carro, ele mandou providenciar um temática também, e há vários ursos de pelúcia, carros, livros, aviões, trens e muitos outros brinquedos. A decoração é em tons de azul e branco. Ele notou que o menino gosta de carros e trens em particular, já que havia vários pela casa e Teddy estava com um camiseta do Thomas O trem e sua cama era de carro, então ele vai gostar certo? É o que Christian espera.
Nervoso ao extremo, ele quase entra em pânico ao escutar que a unidade de segurança do elevador tocou, alguém acabou de entrar com o código para o elevador. Olhando no relógio, ele sabe que Ana e Teddy estão chegando, então rapidamente caminha para a entrada do apartamento para esperá-los.
A porta do elevador abre, revelando as suas duas pessoas favoritas. A boca Christian seca. Anastasia está simplesmente... uau. E Teddy lindo e adorável como sempre, com roupas de frio, ele sorri ao ver o pai, mas não larga a mão da mãe. Ele parece um pouco tímido em relação à sua desenvoltura no apartamento de Ana mais cedo. Talvez seja o ambiente estranho que o deixa inibido.
- Bem- vindos, Anastasia e Theodore - ele os cumprimenta com um sorriso, mas nervoso - Fizeram boa viagem até aqui? - ele se oferece para ajudar Ana a tirar seu casaco, e faz o mesmo com Teddy.
- Olá de novo, Christian. Sim, muito bem, obrigada - Ana sorri amigavelmente, porém nervosa, também.
- Oi, Theodore - ele se abaixa para falar com o filho.
- Oi, papai - o sorriso e olhar que o menino dá, faz o coração de Christian se derreter mais um pouco. Havia amor naquele olhar, amor e admiração incondicional de um filho por seu pai, e obviamente, esses sentimentos são recíprocos, talvez até em maior intensidade. Christian está apaixonado pelo filho, justo ele, que se achava incapaz de amar, até conhecer Anastasia, e depois achou que não seria capaz de amar outra pessoa como ele a ama, mas mais uma vez ele estava errado.
- Eu quero de te mostrar seu quarto, você gostaria de conhecê-lo? - ele estende a mão e passa pelo cabelo do filho.
- Sim - o menino reponde com emoção e abre o maior sorriso. Christian se levanta, pega na mão do filho e olha para Ana.
- Que tal um tour pelo quarto antes do jantar?
- Parece ótimo - Ana responde.
Teddy pega na mão dos pais, e os três caminham até o quarto. A porta abre e Christian é recompensado com uma risadinha feliz de Teddy e um suspiro de Ana.
- Avião - Teddy grita e larga as mãos dos pais para correr até sua cama.
- Eu não tenho certeza se consigo levá-lo para casa depois que ele viu isso - diz Ana com a voz cheia de apreensão, e orgulho enche o peito de Christian. Sim, ele acertou na escolha do quarto.
- Bem, se você aceitar essa será a casa dele - Christian olha para Ana - De vocês.
Ana não responde e entra no quarto, observando tudo ao seu redor. Realmente é um quarto luxuoso e grande, assim como o restante do apartamento. Ela nota um tablet na parede acima da cômoda.
- É uma placa de controle de ambiente - Christian se aproxima dela - Ele ajusta temperatura, age como monitor babá eletrônica - ele pressiona um dos vários botões - E faz isso - quando ele pressiona, as cortinas abrem automaticamente, revelando o horizonte de Nova Iorque através das enormes paredes de vidro.
Teddy que já está do outro lado do quarto, explorando seus novos brinquedos, corre em direção à janela, deslumbrado, e observa Manhattan abaixo de seus pés.
- Mamãe, papai - ele chama os pais, enquanto aprecia a vista da cidade.
Ana imediatamente caminha até o filho, e com o máximo de conforto que seu vestido proporciona, senta ao lado dele no chão. Christian fica apenas os observando com cara de bobo, enquanto Ana aponta para Teddy os pontos históricos e marcantes da cidade. Ele os ama, e pela primeira vez ele entende o amor paternal incondicional que seus pais sempre demonstraram à ele, apesar de suas dúvidas. Este menino é a coisa mais perfeita do mundo, ele não vê o monstro que Christian vê dentro de si mesmo, e se depender dele, nunca verá. Christian quer o melhor para o filho, e o melhor é os pais juntos, e ele vai lutar para ter isso. Sua família. Reunida. Só os três. Ninguém mais.
- Vem, papai - Teddy chama novamente, e Christian também senta ao seu lado. E lá os três ficaram por mais um tempinho, até Theodore voltar sua atenção ao conteúdo do quarto novamente.
O jantar aconteceu de forma tranquila, mas animado. Depois de um prato de macarrão, dois ramekins de sobremesa, e mais uma hora explorando seus brinquedos, a energia de Theodore finalmente acabou. Com muita insistência, Christian convence Ana a deixar o filho dormir neste apartamento, já que ele adorou tudo, principalmente a cama nova.
Enquanto Ana coloca Teddy na cama e manda mensagem para Aiden para avisar que está tudo bem e que logo vai para a casa, Christian seleciona uma garrafa de vinho e duas taças. Se ele bem lembra, ela é muito mais aberta e corajosa com um pouco de álcool no organismo, não irá embebedá-la para tirar algum proveito, não, ele jamais faria isso, mas ele precisa que ele esteja um pouco mais suscetível hoje, para que eles possam chegar a um acordo.
Já na sala, com duas taças à postos, Christian ouve os saltos de Ana se aproximando, e vira à tempo de vê-la entrar. Ela é realmente bonita. Como tirou o casaco de frio preto e azul quando chegou, agora está com um vestido preto de mangas longas pouco acima do joelho e bota preta de cano curto e salto não muito alto. Ela está linda, formal e sexy na medida.
- Como sempre, você está deslumbrante, Anastasia- Christian lhe dá o sorriso mais encantador, mas sua verdadeira vontade era de beijá-la loucamente. Ana sorri e cora. Algumas coisa nunca mudam.
- O quarto de Teddy é maravilhoso - muda de assunto, constrangida - Obrigada - diz quando Christian lhe entrega a taça - Você não precisava fazer tudo isso... - eles sentam-se de frente um para o outro.
- Eu queria - ele afirma, encerrando a questão - Quando vocês dois se mudarem quero que ambos fiquem confortável.
- Christian... - Ana começa a protestar.
- Eu quero vocês dois aqui, onde eu não vou precisar me preocupar com a segurança durante a semana, claro que se você concordasse em se mudar para Seattle seria mais fácil, mas...
- Não, Christian – ela continua firme – Nem uma coisa nem outra, eu tenho meu apartamento e eu vou continuar morando nele. Você não pode me obrigar a fazer nada. Se o que te preocupa é a segurança do prédio, você pode contratar um segurança para ficar lá.
- Isso pouco adiantaria - quando a imprensa souber de Theodore e todo o resto, vai cair matando, o que compromete a segurança de mãe e filho e apavora Christian - E outra coisa, onde a segurança ficaria? Não acredito que haja espaço para segurança lá - ele omite sua preocupação para persuadir Ana.
- Tem um apartamento no primeiro andar que o segurança pode ficar...
- Nada disso. Olha, eu não posso mudar o que aconteceu, e sei que sua relutância é por causa do meu antigo comportamento, mas tenho direito de ficar puto se você não quiser mudar pra cá por causa disso. Você impôs os seus termos e vontades e eu concordei, mas você não abriu mão de nada pra se adaptar a mim. Precisamos encontrar um meio – termo - o rosto de Christian estava carregado de frustração - Você precisa ceder pelo menos um pouco.
- Eu já disse que concordo com a segurança.
- Não é o suficiente - sua voz afiada de raiva - Você continua a mesma teimosa de quando eu te conheci - senão pior ainda, porque agora ela não é mais aquela tímida menina de vinte e um anos, e sim uma mulher, até onde parece, bem decidida.
- Sim, e você tentou apenas espancar isso para fora de mim - ao perder a paciência, suas palavras foram duras, e pegaram Christian desprevenido. Ela parece lamentar pelo que falou, e toma um gole de vinho enquanto decide se pede ou não desculpa pelas horríveis palavras.
- Você nunca vai me perdoar por isso, não é?! - ele se levanta, agora bravo e chateado - Eu te machuquei, eu sei, e eu passei os últimos três anos me arrependendo disso, mas isso não lhe deu o direito de esconder meu filho de mim, você sabe disso - se ela quer briga, ela vai ter - Ele tem quase três anos e está só agora está me conhecendo, isso é fodido para todos nós - ele quase rosna.
- E não podemos desfazer nada disso, Christian - ela se levanta - Foi o que aconteceu e eu nunca vou parar de lamentar o meu erro, eu era jovem e insegura , eu tive medo e evitei meu problemas, e eu sinto muito, mas não podemos mudar o que aconteceu.
- Sim. nós podemos - ele se aproxima de Ana, desesperado para que ela ceda um pouco - Eu posso aprender a ser um pai, nós vamos mudar o nome dele e então podemos nos mudar para Seattle e esquecer tudo isso que já aconteceu.
- Não é assim que funciona, Christian, não importa o que fizemos, não podemos atirar isso em Teddy, ele vive comigo aqui praticamente toda sua vida, a vida dele é aqui. Você não pode, infelizmente, apagar tudo isso, não importa o quanto queremos fazer isso, você precisa entender isso, Christian - sua voz é de súplica, com a esperança que ele entenda que ela não está sendo egoísta e mesquinha, está apenas pensando no bem do filho.
- Você é que quer ficar aqui - ele explode - Você quer manter seu emprego, sua vida atual, seu namorado! É por isso que você não quer se mudar para Seattle, onde nós três pertencemos - eles encaram um ao outro, fumegando de raiva, tentando a todo custo provar cada um o seu ponto de vista.
- Eu não sou um brinquedo para você brincar como quiser, Grey - ela está irada com a insinuação dele - Eu tenho trabalhado pra caramba para fazer uma boa vida para meu filho e eu, e você não tem o direito de chegar aqui e me dizer para largar tudo! Eu lamento minhas escolhas, mas você não pode usá-las contra mim para conseguir o que quer. Tem sido longos dias de merda e você não pode apenas concordar em deixar as coisas como estão? Eu não quero impedir você de estar presente na vida de Teddy, é tão difícil de entender isso? Você não pode apenas uma vez na sua vida deixar de querer controlar tudo?
A raiva entre os dois só cresce, e Christian está tão desesperado e irritado, que apela para sua segunda opção. Ele sabe que não deveria fazer isso, mas sua raiva é tão grande, que as palavras saem sem controle de sua boca.
- Eu posso tirar a custódia de Theodore de você, você sabe disso - ele diz com frieza - Com minhas conexões, não seria difícil - sim, ele poderia fazer isso, muito facilmente na verdade, com o dinheiro que ele tem, é possível, até o final do mês ele poderia levar o filho para Seattle, e tê-lo só para si, os dois viveriam do colo do luxo, poderia contratar as melhores babás, e não gastaria todo fim de semana em um avião. Sim, ele poderia fazer isso. Mas ele faria?
Silêncio ensurdecedor se estabelece, e os olhos de Ana se enchem de medo. Seu maior medo está se materializando, mas o medo é logo substituído por um olhar de ódio que Christian nunca viu antes, nem mesmo quando ele a puniu com o cinto.
- Seu filho da puta - sua voz sai cheia de ódio e rancor. Isso pode virar uma enorme briga
- MAMÂÂÂÂE - a briga é interrompida pelo grito desesperado de Theodore. Sem pensar, os dois saem correndo em direção ao quarto dele. Como corre mais rápido, Christian chega primeiro ao quarto e encontra o filho aos gritos com o rosto vermelho e banhado de lágrimas.
Ele se aproxima da cama para pegar o filho e tentar acalmá-lo. Ele pode cuidar do filho também, não apenas Anastasia.
- Theodore, filho, está tudo bem - tenta assegurar ao filho, enquanto passa as mãos por seus cabelos, como Grace fazia quando ele era pequeno. Mas não está funcionando, Teddy se debate no colo do pai, gritando seus lamentos incoerentes. Christian se desespera, sem saber o que fazer.
- Teddy, bebê, está tudo bem, é só um sonho. Mamãe está aqui. Papai está aqui. Foi apenas um sonho, meu amor - de repente Ana está ao seu lado, esfregando as costas do filho. Ela pega a bolsa que deixou perto da cama do filho, e tira de lá o ursinho marrom.
- Joe - Teddy funga, pega o ursinho e lentamente se acalma com a visão mãe. Sem olhar para Christian, Ana pega o filho no colo.
- Sim, meu amor, é o Joe, seu favorito - ela continua embalando o filho e dando leves beijos em sua cabeça - E o Joe quer que você saiba que é apenas um sonho ruim, não é real, ele vai protegê-lo de todos os pesadelos, tá bom?
- Obrigado, Joe - Teddy se acalma com as palavras reconfortantes da mãe. E enxugando as lágrimas do filho enquanto ele se agarra bem ao ursinho, Ana o coloca de volta na cama, mas fica ao seu lado.
- Conta historinha, mamãe - ele pede em meio aos, agora cessantes, soluços.
- Qual você quer? "A fazenda do colorado" ou o "Astronauta maluquinho"?
- E se eu escolher "A fazenda do colorado"?
- Então nos seus sonhos... - ela continua acariciando os cabelos dele - Viajará para as planícies do colorado para cuidar do gado.
- Mas eu não quero matar os índios, e lá tem índios - ele questiona lembrando das histórias.
- Não tem que matar os índios querido - ela segura o riso.
- E se eu escolher a do astronauta?
- Significa que viajará para a lua e dirigirá lá um carrinho bem legal que tem uma bandeira vermelha atrás.
- Acho que escolho o de astronauta.
- Boa escolha - ele ri - Oh, meu Deus! Ele vai para a lua - Ana brinca e então pega um ursinho que está na cama - E quem vai dormir com o Teddy hoje? Joe ou esse macaquinho triste?
- Macaquinho triste - eles riem.
Ana conta a história do astronauta enquanto Teddy se agarra aos dois ursinhos, o macaco e seu inseparável Joe. Na metade da história Teddy adormece, mas ela continua. Christian que está sentado uma cadeira de balanço, os observa ternamente.
Anastasia é mãe, e ela ama seu filho e seu filho a ama. Teddy precisa dela, ele merece alguém que o ama para cuidar dele, não uma babá desconhecida. Ele teve a prostituta drogada tirada dele, e isso quase o destruiu. Ele não pode imaginar o quão horrível teria sido se tivessem tirado dele uma mãe tão maravilhosa como Ana. Ele não poderia tirar isso de seu filho... ele não ousaria. Ele ama os dois demais para fazer isso.
Assim que termina a história e vê que o filho firmou bem o sono, Ana se levanta devagar e olha para Christian, com o medo ainda visível. Era uma ameaça vazia ou ela deve se preparar para uma guerra?
- Eu não vou tomá-lo de você - Christian sussurra, com medo que o filho acorde novamente.
Eles saem do quarto, e as lágrimas seguradas, agora de alívio, escorrem pelo rosto de Ana, e antes que ela perceba, está abraçando Christian, que retribui com vontade. Enquanto ela chora de alívio, ele enterra o rosto em seus cabelos e inspira seu suave perfume. Ela tem o mesmo cheiro... cheiro de Ana. Sua menina perfeita. Bem. não mais sua, mas ele vai fazer o possível para reverter isso.
- Obrigada, Christian - ela se afasta para olhar para ele - E me desculpe por tudo...
- Nós dois contribuímos para essa bagunça, Ana, e você está certa eu não posso desfazer e apagar o passado. Mas eu quero estar no futuro de vocês.
- Nós temos que fazer isso acontecer, juntos ... o que significa que ambos temos que parar de se irritar um com o outro, mas principalmente com nós mesmos - eles chegam na sala e sentam-se novamente - Eu tenho estado tão brava comigo mesma , me odiando por tudo o que fiz. Odiava que você me machucou, mas também odiava que eu tinha te deixado e não voltado mais. Me odiava por não ter usado a palavra de segurança, por me preocupar em ser apenas o que você queria... então me odiava por ter ficado grávida e depois por não ter te contado, e fiquei tão brava quando te contei e você questionou a paternidade e então chega de repente e exige que eu mude de cidade... eu não posso fazer isso Christian, eu não serei uma boa mãe se eu o fizer e muito menos se eu ficar segurando toda essa raiva e culpa dentro de mim... nós apenas precisamos deixar isso para trás.
- E eu me odiei por machucar você, Ana, por trair sua confiança, sempre falei que só iria até onde você aguentasse, eu sabia que você não estava pronta para aquilo, mas eu fui egoísta. Também me odiava por deixar você pensar que eu não queria você se você não gostasse de toda aquela merda com brinquedos e chicotes... - passa a mãos pelos cabelos, frustrado - Eu me odiei por não ter dado o mais como deveria. Também fiquei com raiva de você por não ter usado a palavra de segurança e não me deixar cuidar de você depois, fiquei com raiva por deixá-la sair e depois com raiva que você não queria falar comigo e que não me deixou falar tudo o que eu queria aquele dia no bistrô... E depois ficava com mais raiva por não ir atrás de você, mas eu achei que estava fazendo o que era melhor para você - ele pega as duas mãos de Ana nas suas, e as beija, então as segura em seu colo - Pensei que você estivesse melhor sem mim, e agora tenho raiva de mim por não ter te procurado, você era jovem demais para toda essas merdas... E eu tenho raiva que você escondeu isso de mim.
- Eu sei que nada justifica, mas eu sempre quis te contar, quando eu tive o Teddy então... – faz uma pausa - Quando ele nasceu tudo o que eu queria era contar para você, queria que você estivesse ali e me abraçasse, compartilhasse aquele momento, aquela enorme felicidade, e eu sofri muito com isso, quando eu estava sozinha à noite eu queria .... - ela chora seu sofrimento e arrependimento - Queria você comigo. Eu chorei por você, e eu odiei você por ser como era, odiei que você não me amava, e odiei a mim ainda mais por não ser como você queria, por ter me afastado de você, por me colocar nessa situação... por te amar... - essa últimas palavras, pegam Christian de surpresa. Ela o amava, mesmo depois da punição?
- E por que então você não falou nada para mim, Ana? Uma ligação, Ana, apenas uma ligação e eu iria correndo atrás de você.
- Eu liguei. Christian, uma vez, quando eu estava de quase cinco meses de gestação eu liguei para você, no seu celular - Christian olha confuso para ela - Eu pensei em mandar email, mas achei que ligação era melhor, mas ...
- Você nunca ligou, Ana, eu nunca recebi essa ligação.
- Eu imaginei que não - desvia o olhar - Quando eu liguei quem atendeu não foi você e sim uma mulher, chamada Madi ou Mavi, algo assim - Christian arregala os olhos - Ela atendeu e disse que era sua namorada e perguntou se eu queria deixar um recado, o que naturalmente eu não deixei.
- Ana, ela não era minha namorada, ela mentiu...
- Eu sei, eu percebi na hora que ela estava mentindo, era claro para mim que ela era uma submissa.
- Então por que você acreditou nela e não me ligou de volta?
- Acredite, era o que eu mais queria, mas não podia, eu não podia fazer isso com você, eu achei que você estava feliz, se tinha passado tão pouco tempo e você já estava com outra, alguém que podia oferecer aquilo que você queria, precisava, e eu não podia, ainda mais grávida - diz com a voz embargada - Eu queria que você fosse feliz.
- Eu nunca estive feliz sem você, Ana, e eu acho que nós fizemos a mesma coisa porque o motivo de eu não ter te procurado durante todo esse tempo, foi por achar que você estava melhor sem mim. E eu me odeio que eu não o fiz porque agora eu não sei como ser o pai que o meu filho merece.
- Christian - Ana aperta as mãos dele - É difícil, mas você está indo muito bem, Teddy adora você, e eu vou te ajudar, nós só precisamos ajustar nosso acordo e ver o que melhor funciona.
- Eu sinto muito por não ter te procurado antes, Ana - sua voz é cheia de arrependimento sincero.
-Parece que entramos em um acordo silencioso para fazer um ao outro sofrer - eles riem fracamente e ela suspira - Mas vai haver essa mágoa para sempre, você vai me odiar e nunca vai me perdoar por completo e não espero que perdoe, e isso parte meu coração, realmente me mata, porque ele me transformou - se refere ao filho - Você me transformou e sempre serei grata por isso, você me deu o bem mais precioso que se pode dar à uma pessoa, um filho.
- Eu nunca seria capaz de odiar você, Anastasia, mesmo com toda a raiva, eu nunca conseguiria odiar a pessoa que me deu tantos momentos bons, e me deu agora o meu filho - ele se aproxima mais um pouco dela - Mas eu culpo você, culpo por fazer e achar que sabia o que era melhor para mim quando o melhor para mim era você - ele olha intensamente para ela, tentando mostrar mais uma vez seu amor, porque mesmo no meio de toda essa bagunça, ele a ama, e a quer de volta, mesmo que ainda não ache um jeito de falar isso para ela. Ana suspira com essas palavras. Talvez aquele antigo amor, que ela achava que tinha acabado com o tempo, esteja começando a ressurgir.
- E eu vou me culpar para sempre por ter feito isso, por esconder de você e de todos.
Christian fica em silêncio por um tempo, refletindo as palavras de Ana, então fala:
- Você faria uma coisa por mim, Anastasia? - ela acena - Você perdoaria à si mesma? Você é uma boa pessoa e uma mãe incrível, realmente maravilhosa, e isso compensa qualquer coisa que você tenha feito. Acredite nisso.
Ana chora e eles abraçam. Tudo finalmente colocado para fora, anos de angústia, sofrimento, arrependimento e ressentimento. Talvez agora eles possam seguir em frente e criar o filho juntos.
- Obrigada por me entender - ela se desvencilha de Christian, desviando o olhar. Ele apenas sorri.
- Vamos terminar nosso vinho, precisamos conversar mais um pouco e você pode me falar mais sobre Theodore, quero saber tudo sobre ele e depois, se quiser, pode ir dormir.
- Eu não vou dormir aqui, Christian.
- Por quê? - ele a encara com o rosto sério novamente.
Ana suspira. Logo agora que as coisas começaram a se acertar, lá vem mais um assunto que pode virar briga.