O sol estava de matar, mas nada que o ar condicionado do carro não fosse capaz de amenizar. Eu havia confiscado o carro de Christopher nos últimos dias, era uma forma de pagamento por ele estar ocupando meu quarto de hóspedes. Era uma quinta-feira e eu havia acabado de sair do trabalho, pensei em parar no restaurante chinês e pegar comida ja que provavelmente la em casa seria impossível encontrar alguma coisa, mas o trânsito estava insuportável. Já eram quase sete horas quando consegui arranjar um estacionamento onde eu conseguisse manobrar. Não que eu fosse uma má motorista, mas ela melhor prevenir do que remediar depois não é?
Então acionei o alarme do carro e apoiei a bolsa sobre o punho esquerdo. Fiz menção de entrar no restaurante mas fui barrada por uma mão grande e forte. Olhei assustada.
- Será que nos podemos conversar?
- O que é que você está fazendo aqui? - fui seca - Você não está me seguindo não é?
- Desculpa - Ed soltou meu braço levando as mãos para os bolsos da calça de alfaiataria - Eu estava de cabeça quente naquele dia....não queria ter agido daquela forma.
- Mas você agiu - me afastei a fim de ficar suficientemente longe - Olha Edward....nós não temos porque conversar, já passou ok? Eu ja esqueci.
- Não, você não esqueceu....se tivesse esquecido atenderia minhas ligações, ou responderia minhas mensagens...ou sei lá. Você está me ignorando!
Suspirei pesadamente.
- Eu estou muito ocupada, tem o trabalho, Christopher la em casa....
- O seu amigo, da sorveteria - olhou insinuante. Eu bufei.
- Eu acho que você está passando dos limites - dei as costas virando para entrar no restaurante mas fui puxada mais uma vez, nessa, com mais força.
- Não me faça de idiota Anahí....você queria o que? Brincar com os meus sentimentos? Me fazer de bobo enquanto eu corria atrás de você?
- Edward me solta - murmurei assustada - Você está me machucando!
- Eu não sou nenhum brinquedo, eu não quero que você ache que pode tirar onda com a minha cara é que tudo ficará bem, pois não ficará, entendeu? - ele apertou ainda mais e eu quase u rrei de dor. Se estivéssemos mais próximos da porta eu gritaria por ajuda, mas ele havia me arrastado para um canto próximo a garagem do prédio vizinho.
- Me solta - resmunguei com um fio de voz, as lágrimas já escorriam pelos meus olhos - Você está louco!
- Nunca mais repita isso - apertou meu rosto com as mãos. Eu senti minhas bochechas rasgarem - Eu amo você.
- Isso não é amor...é obsessão! Me solta pelo amor de Deus - murmuei novamente sentindo a pressão do corpo dele contra o meu na parede. Eu estava nauseada, sentia nojo.
- Agora você vai entender que - e antes que ele pudesse terminar de dedilhar aqueles dedos grandes pelo meu rosto, uma voz masculina e firme soou entre nós.
- O que está acontecendo aqui?
Edward soltou meu rosto mas permaneceu prendendo meus braços. Meus olhos eram aflitos. Alfonso estava ali, e sequer saíam palavras da minha boca. Aquela proximidade toda havia me deixado sem ar.
- E uma briga de casal - ele disse seco - Não percebe que está sobrando?
- Ed, por favor me solta - consegui falar. Alfonso olhou sério.
- Solta ela.
- Eu ja disse que está sobrando aqui, não conseguiu entender ainda?
- E eu já mandei você soltar ela - disse grosso - Vamos, solte ela agora.
Alfonso tinha o olhar firme e sério, Edward soltou meus braços com força me fazendo cair sobre o chão de concreto. Ele virou as costas saindo dali, não sem antes deixar claro que as coisas não ficariam assim, e ao que tudo indicava aquela ameaça não era somente pra mim, e sim, era estendida a Alfonso também.
Eu me deixei chorar abraçada as minhas pernas. Minha calça havia rasgado no joelho e meus punhos chegavam até mesmo a latejar. Alfonso se aproximou, tocando meu rosto de maneira delicada.
- Esta tudo bem? Ele machucou você? - eu neguei, com um manear de cabeça - Olha os seus braços - tocou com os dedos.
- Obrigada - respirei fundo tentado segurar as lágrimas - Se não fosse você chegar....bem se não fosse você chegar eu nem posso imaginar o que teria acontecido - ele enxugou uma lágrima com o polegar e me beijou a face.
- Você sabe que eu vou querer saber mais sobre essa história não é? - suspirei acentindo.
- Eu sei, só não quero falar disso agora...tudo bem? - ele concordou.
- Vem - me ajudou a levantar - Vamos lá pra casa, se seu irmão te ver dessa forma com certeza irá arranjar ainda mais problemas.
- Você está certo - disse meio contrariada.
Alfonso então foi dirigindo e fomos o caminho todo em silêncio. Ele focado na pista e eu fitando a janela entreaberta. Assim que chegamos, ele estacionou e entramos no apartamento dele. Tudo estava em ordem, parecia ter sido organizado a pouco tempo. Eu fui até o banheiro tomar um banho, carregando a toalha branca felpuda que ele me dera, a camiseta branca e o short, ambos dele. Ficariam enormes em mim, mas não haviam outras opções naquele momento, se eu fosse pra casa, Christopher me encheria de perguntas, e eu não estava num momento propício a explicações. Encontrei uma escova de cabelos sobre a pia do banheiro e me pus a escová-los. Estavam úmidos e lisos. Então ajeitei minhas roupas dentro da minha bolsa e fui até a sala. Senti um cheiro de comida maravilhoso, o que fez meu estômago despertar e dar sinal de vida. Alfonso estava na cozinha, um avental branco cobria-lhe da cintura para baixo e ele estava bastante concentrado nos legumes a sua frente.
Foi então que apesar das circunstâncias, pude perceber o quanto as coisas haviam mudado nos ultimos dias, e vendo-o assim, cozinhando, e cuidando de mim, eu começava a me dar conta de que isso tudo seria perfeito se a situação não fosse outra e não houvesse uma terceira pessoa envolvida nisso tudo: Chloe.