Hanks rapidamente pegou a chave do carro em cima da mesa da área de serviço, deu um beijo na esposa, no Kevin e depois caminhou para a garagem.
Na frente do ex- cunhado hesitou:
— Pode ficar à vontade Anthony. Não demoro!!
— Muito obrigado, Hanks!! Amanhã será a minha vez. Se Deus quiser encontrarei uma casa por aqui também.
— Com certeza você encontrará. Quando se coloca Deus na frente meu caro amigo, tudo segue do jeito que ele quer e acaba dando certo.
— Deus te ouça!! — Hesitou rindo.
Megan foi a primeira a entrar no carro, em seguida Dark, Tommy no banco de trás e por último Hanks. Ele ficou comovido em ver o pequeno Kevin chorando, mas infelizmente ele não poderia levá-lo. Até porque ele não tinha planos de demorar.
Hanks Campbell ligou o carro e tirou da garagem dando a macha ré. Depois seguiu debaixo daquela forte chuva pela rua Olavo Bilac, depois pela rua Princesa Isabel, na quadra V do Cia II.
A chuva estava muito forte, mal dava para ver as placas de vendas através dos vidros embaçados. Não havia nenhuma placa de venda ou aluga-se na rua Princesa Isabel, Visconde de Barbacena e nem na rua Arco Verde. Hanks então fez à volta próximo ao campo no final da rua Arco Verde e subiu a ladeira, passando pela enorme amendoeira na entrada, seguindo pela rua Vila Rica até chegar na entrada do bairro. Ele virou para à direita, descendo a Av. Elmo Serejo de Farias até chegar no largo, onde lá no alto à esquerda ficava o cemitério da cidade (São Miguel).
Hanks seguiu virando para à direita, entrando numa rua chamada "Riacho Doce", que começa ao lado direito da funerária, de frente para à entrada do bairro do Ponto Parada e Coroa da Lagoa. Depois de mais alguns metros, finalmente Megan vislumbrou uma placa de aluga-se na avenida de casas, localizada no meio da rua, atrás de uma pequena igreja de frente para um pequeno lago com 4 árvores nas beiradas. Megan desceu do carro e foi verificar se a dona da avenida que morava na casa em cima da igreja estava lá, porque precisava pedir informação.
Hanks deixou o carro e em seguida acompanhou a irmã até a frente da igreja, onde ficou esperando alguém aparecer na sacada do primeiro andar, enquanto Megan estava tocando a sirene. Os meninos preferiram ficar dentro do carro, porque não queriam se molhar, apesar que a chuva já não estava forte assim.
Megan e Hanks estavam com guarda-chuva, agora olhando uma senhora que rapidamente apareceu na sacada. Ela era negra, cabelos crespos, curtos e grisalhos. Usava óculos e aparentava ter mais de 50 anos.
A senhora olhou para baixo e fez um gesto não verbal, pedindo para que eles esperassem um pouco que ela já estaria descendo. Megan e Hanks encostaram no portão, do lado direito da igreja e ficaram esperando a senhora descer. Após ela ter descido, eles ficaram conversando sobre o valor e a fiança, mas Megan rapidamente pediu para ver a casa.
Eles foram conduzidos para o outro portão à esquerda da igreja, onde já se avistava a pequena avenida de casas. A senhora abriu o portão e levou eles para conhecerem a casa do meio, a única que não estava alugada.
A casa era simples, com apenas três cômodos, uma sala enorme e uma pequena cozinha de frente ao banheiro. O piso era vermelho, daqueles de xadrez bem antigo feito com bisnaga. A porta e a janela eram de madeira e o telhado não era de telha vermelha.
Dark estava conversando com o primo que não acreditava que eles iriam se mudar e sair da casa dele em alguns dias. Mas, estava altamente feliz, porque a tia recomeçaria uma vida digna por perto. Enquanto a chuva engrossava e caia mais forte, eles conversavam sobre as condições da rua que não era asfaltada e estava cheia de poças de lama.
Megan e Hanks apontaram no portão da avenida. Ficaram conversando com a senhora, que entregou a chave rapidamente e eles se despediram sorrindo. Enquanto eles caminhavam conversando de volta para o carro, dava-se para notar a cara de felicidade de Megan que já estava abrindo a porta.
— Consegui meninos!! A casa é simples, em conta e era exatamente o que precisávamos para recomeçar a vida filho. Eu já até dei a fiança. — Hesitou alegremente, sorrindo enquanto passava a mão na cabeça do filho.
— Graças a Deus!! Agora só falta me matricular na escola mais próxima até eu aprender a andar na cidade.
— É bem fácil Dark. Daqui a alguns dias você aprenderá rapidinho. — Disse Tommy.
— É minha irmã!! Te desejo um bom recomeço e que você seja muito feliz morando de volta com os seus filhos. Não há nada mais importante que tá perto da nossa família. Eu imagino como você deve estar se sentindo longe de Joe e da família que construiu. — Hanks falou isso enquanto dirigia saindo da rua.
— Obrigada meu irmão!! Não está sendo nada fácil, mas pra mim o mais importante é não desistir. Uma hora as coisas darão certo.
— Concordo plenamente!! — Hanks.
Dark ficou aéreo pensando, porque agora ele estava realmente sentindo que a mudança na sua vida estava apenas começando. A sensação sobre a curiosidade do que a cidade preparava para a sua vida era nova, mas, não conseguia controlar a ansiedade. "Será que foi a melhor coisa que nós fizemos?" "Será que realmente conseguiremos reconstruir as nossas vidas e sermos felizes longe da cidade grande?" Minha mãe nasceu e se criou em Salvador, com certeza ela nunca pensou em sair da cidade natal. — Pensava calado olhando a chuva cair através da janela.
Hanks Campbell virou para à direita, saindo da rua Riacho Doce e seguindo pela Av. Elmo Serejo de Farias sentido centro da cidade. Mas, rapidamente virou para à direita novamente e subiu uma ladeira asfaltada que dava acesso à Escola Municipal Edilson Freire até a rua Princesa Isabel.
Após seguirem toda rua Princesa Isabel e passado pela praça, eles entraram na rua Olavo Bilac e rapidamente chegaram em casa.
Ao descer do carro, Megan hesitou olhando para Kendra na área de serviço:
— Consegui alugar a casa Kendra. Amanhã mesmo irei até Varzedo buscar o meu filho. — Hesitou com o semblante feliz.
— Parabéns!! Agora só falta organizar as coisas as poucos. A casa era bonita? — Falou curiosa.
— É bem simples, mas dá para me organizar por enquanto. Assim que tiver tudo pronto ansiosamente esperarei a sua visita.
— Com fé em Deus!! Pode deixar que irei. Estou muito feliz com esse novo progresso na sua vida.
— Obrigada!!
Dark ficou feliz quando escutou a notícia, pois estava morrendo de saudades do irmão e não via a hora de revê-lo. Ele começou a procurar o pai pela casa, enquanto Hanks saía do carro em direção à área de serviço.
Anthony não estava na casa, então Dark deixou Tommy brincando com Kevin no sofá e foi para a laje. Mas, logo percebeu que o pai não estava por ali, apenas Kurt estava na laje, terminando de pintar o quadro.
Dark se aproximou e hesitou:
— Kurt, você sabe para onde foi o meu pai?
— Ele saiu pra procurar casa para comprar. — Hesitou encarando o primo bem sério.
— Obrigado!! Sabe dizer o nome do lugar que ele foi?
— Foi para o Tanque do Coronel.
— Hum!! Onde fica isso? É longe daqui?
— Não!! É logo ali. Sabe onde fica o início da rua Olavo Bilac?
— Sim!! — Hesitou curioso.
— Então... Quando você sai da Olavo Bilac não tem uma ladeira à esquerda?
— Tem!! Eu já havia reparado nela antes.
— Quando você sobe ela, tem duas ruas. Se você virar para à esquerda, irá se deparar com a rua da Alegria, mais conhecida como a ladeira da quadra VII. Mas, se você decidir virar para à direita e continuar caminhando por uma rua reta ao invés de descer a ladeira da quadra VII, no final você verá logo uma linda fazenda bem no alto do pequeno morro. Embaixo do morro tem um rio chamado Tanque do Coronel. Ele é bem grande, quase tem o formato de uma cruz, com águas verdes bem escuras e é cercado de vegetações.
— Nossa!! Pelo que você está me dizendo deve ser bem lindo lá. As árvores, a fazenda e a cor do rio.
— Mas, ele não é confiável. A história daquele rio é bem macabra. O meu pai mesmo disse que todo ano ele leva alguém. Já morreram muitas pessoas afogadas lá. Reza a lenda que aquele rio era um cemitério de escravos da fazenda, onde muitos deles eram torturados antes de morrerem. Essa história fica mais real porque até hoje existem vários troncos espalhados no fundo do rio. Alguns bem visíveis, como é o caso da parte do centro dele, onde tem um tronco enorme na ponta da parte de cima da cruz com um pneu bem no topo. Muitas pessoas tomam banho lá e na prainha, onde também tem um tronco.
(Gostaram do Capítulo? Então... Votem e comentem!):D