Mais um dia no inferno vulgo escola, era assim que Camila Cabello definia o lugar onde estudava.
As mesmas pessoas arrogantes e ignorantes que a discriminavam por ser cubana, os mesmos professores chatos que cobravam demais e ensinavam de menos, o mesmo grupinho de garotas que a empurravam contra o armário, roubavam o dinheiro do lanche e até a jogavam na lixeira, o mesmo inferno diário.
Não era exagero dizer que não tinha amigos naquele lugar, pois - literalmente - ninguém gostava dela. Ninguém a olhava como um ser humano, todos a tratavam pior do que se trata um animal abandonado. Camila era digna de pena.
Caminhou lentamente até seu armário segurando os livros de biologia e química contra o peito, ao abrir a pequena porta de metal após rodar um disco cheio de números - os quais combinados de forma correta formavam uma senha - assustou-se quando um palhaço de brinquedo pulou em sua direção, derrubando os livros no chão.
Não demorou mais que cinco segundos para ouvir as risadas das pessoas que viviam a perturbando. Dinah, Normani, Ally, Troy e Lauren estavam sentados na mureta do chafariz, olhando e apontando em sua direção.
Dinah e Normani namoravam antes mesmo de Camila ir para aquela escola, as duas agiam como se fossem donas do mundo, pisavam em quem tinham que pisar - mais exatamente em quem não tinham tanto dinheiro na conta bancária como elas - sem se importar se sofreriam as consequências depois. Eram as lideres do grupo e comandavam mais o colégio do que o próprio diretor.
Allyson e Troy namoravam há pouco tempo, não eram tão ruins como Norminah - esse era o apelido dado ao casal de garotas pelos demais alunos, assim como Trolly era o apelido do relacionamento entre Ally e Troy - mas não eram santos. Quem quisesse se drogar ou procurar por algo um pouco mais 'alucinante' poderia ir até eles e pedir sem problema algum, contanto que tivesse dinheiro para isso. Eram o casal de traficantes do colégio.
Lauren Jauregui talvez fosse a que menos se encaixava naquele grupo, nunca ria das pegadinhas feitas com a latina, nem mesmo demonstrava ter achado graça, na verdade ela dificilmente demonstrava alguma reação, Camila só havia visto ela sorrir uma vez quando sem querer esbarrou contra o corpo da morena no refeitório e derrubou o celular no chão, já esperava pelos xingamentos e insultos, mas tudo que Lauren fez foi pegar o celular e entregar na mão da latina, que agradeceu com um ''obrigada'' meio sussurrando e recebeu um pequeno sorriso em troca.
Lauren era dona dos olhos mais lindos que Camila já havia tido a chance de ver, a cor clara que hora era verde outrora era azul, e as vezes até mesmo em um tom acinzentado a faziam ter calafrios por toda a espinha dorsal, não sabia dizer se era por se sentir intimidada por pessoas de olhos claros ou se era algo na qual não conseguia - e no fundo não queria - definir. A morena jamais havia a insultado ou rido de sua cara ou origem latina, mas também jamais havia a defendido. A garota era um enigma na qual Camila - talvez - jamais teria a chance de desvendar.
Suspirou e abaixou-se para apanhar os livros do chão, os acomodou no armário pegando em seguida o livro de álgebra, segurou o palhaço de brinquedo e caminhou com ele em direção a lixeira. Teria que trocar sua senha a de novo, seria a terceira vez só naquele mês.
_ O palhaço tem mais utilidade que você. - Dinah insultou ao passar pela latina, empurrando-a contra o lata de lixo. Normani, Ally e Troy riram, Lauren continuou com sua expressão indiferente.
Camila negou com a cabeça e seguiu em direção a sala onde o professor Jefferson daria sua aula de álgebra, talvez todo aquele ódio gratuito tivesse um motivo e talvez um dia a pequena soubesse o porque.
_ Alguém sabe me dizer o porque de termos que parar a conta aqui? - O professor questionou sem obter qualquer resposta. - Senhor Ryan?
_ Porque o X se conformou com o fato de que nem toda tampa tem sua panela. - Caçou fazendo a sala toda rir, ou quase toda, Camila detestava esses tipos de brincadeira.
_ Você é muito engraçado Senhor Ryan, tentarei não achar graça das suas piadas quando for lhe dar nota. - Todos se calaram imediatamente. - Senhorita Amy?
_ Não sei a resposta.
_ Pelo o que notei, ter reprovado por dois anos não fez com que começasse a levar os estudos a serio, não é? - A garota apenas revirou os olhos e deitou a cabeça sob a carteira. - Senhorita Cabello, sabe me responder?
_ O número que está na raiz quadrada não é exato, portanto se tirarmos ele da raiz ou fazer a divisão por MMC sempre dará sobrará um numero.
_ Muito bem Senhorita Cabello, alguns de seus colegas deveriam ser mais aplicados, não é mesmo Amy?
A mais velha da turma limitou-se a mostrar o dedo do meio para o professor, sendo retirada da sala em seguida e mandada para conversar com o diretor. Tal atitude resultaria apenas em mais uma das diversas suspenções que a garota tinha na ficha escolar e possivelmente outra perca de ano letivo.
''Faltam 15 dias para o Baile de Outono.'' a enorme faixa presa no corredor anunciava, todos os dias os números iam diminuindo, no dia anterior estava no 16, hoje no 15, amanhã no 14 e assim por diante, até chegar o dia em que a maioria dos alunos ansiavam.
Camila não iria ao baile, isso era fato. Ninguém iria convidar a latina por saber que se fosse com ela ou visto ao seu lado também seria humilhado pelo resto da vida acadêmica.
Algumas meninas gritavam pelos corredores comemorando por terem sido convidadas a irem ao baile com tal garoto que jogava em um dos times do colégio, já os garotos faziam planos entre si para transar com a companheira após - ou até mesmo durante - a festa.
Camila olhava a todos e sentia uma pontada de inveja, mesmo sabendo que a maioria ali eram pessoas fúteis que olhavam apenas para o próprio umbigo, no fundo desejava poder ter apenas um dia em que poderia ser fútil e comemorar um convite inesperado junto com as amigas.
_ Hora de me passar o dinheiro do lanche, vaca. - A voz de Normani soou atrás de si no exato momento em que fechou a porta do armário. Não adiantaria resistir, de uma forma ou de outra o dinheiro ficaria com elas.
_ Isso é tudo o que tenho hoje. - Disse entregando o dinheiro na mão da garota de pele negra, a mesma contou as notas de dólares e sorriu satisfeita.
_ Parece que alguém aprendeu a não esconder o dinheiro da gente. - Caçoou. - Por ter nos dado uma boa grana, não vamos te jogar na lixeira até o fim da semana. - Camila expirou aliviada. - Mas ouse esconder a grana de nós novamente, que irá parar no lixão.
_ Hoje é a Lauren quem fica com um pouco mais da grana. - Ally avisou revirando os olhos.
O dinheiro foi distribuído entre eles na frente da latina, a morena de olhos claros ficou com cinco colares a mais que os outros.
_ Nos vemos amanhã, vaca. - Normani se despediu arrogante e caminhou ao lado da namorada, sendo seguida por Ally e Troy, Lauren caminhava mais lentamente atrás.
O estomago de Camila roncou avisando o quanto necessitava de comida, a pequena suspirou mas agradeceu internamente, passaria o dia com fome, mas não teria que voltar para casa fedendo a comida estragada por ter sido chocada no latão de lixo.
Olhou para o corredor e notou que Lauren estava bem distante dos casais de amigos, prestou um pouco mais de atenção em seus movimentos e percebeu que ela guardava um papel no bolso de trás da calça, estava afastada, mas não longe o suficiente para a latina não percebesse que ao tentar guardar o dinheiro no bolso, deixou cair uma nota.
A mais velha apressou o passo ao ser chamada pelos companheiros, quando Camila julgou que eles já estavam longe o suficiente, correu até a nota de dólar no chão e a pegou. Dez dólares, era todo o dinheiro que havia ficado com Lauren, já que a mesma tinha recebido cinco dólares a mais. Questionou se ela não teria deixado a nota cair propositalmente, mas tratou de afastar os pensamentos ao se dar conta de que a qualquer momento uma delas poderia voltar para procurar o dinheiro. Resolveu comer fora do colégio para evitar encontrar com qualquer um daquele grupo.
_ Sofia, cheguei. - Anunciou fechando a porta do pequeno apartamento.
Camila e Sofia Cabello dividiam um pequeno apartamento perto do centro da cidade. Dificilmente tinham contato com os pais, pois tudo o que lhes interessavam estava relacionado ao trabalho.
_ Que bom que chegou. - A mais velha apareceu na sala retirando a blusa social. - Poderia me ajudar com o jantar? Na ultima vez o macarrão ficou duro. - A mais nova assentiu com um sorriso no rosto. - Vá se trocar e venha me ajudar.
Camila foi para o quarto praticamente arrastando a mochila no chão.
A diferença de idade entre as irmãs eram de quatro anos, Sofia tinha vinte e Camila 16.
Após trocar-se e colocar uma roupa na qual julgou ser confortável, foi para a cozinha ajudar com o jantar.
_ Como foi no escritório hoje? - Questionou interessada enquanto secava a mão no pano de prato.
_ O mesmo de sempre, papeladas e mais papeladas, o diretor me pediu para fazer um relatório das despesas do mês e entrega-lo até amanhã.
_ Então vai passar mais uma noite acordada? - A mais velha resmungou um ''sim'' enquanto experimentava o molho da macarronada. - Está com muito sal?
_ Está na medida certa. - Pegou o pacote de macarrão e entregou a mais nova quando a mesma pediu a massa com um gesto de mãos. - Fiz uma entrevista para aquele cargo de assistente que te falei.
_ E a pessoa foi bem?
_ Acho que dará conta do recado, apesar de ter quase a sua idade. Refrigerante ou suco natural?
_ Suco natural. - Respondeu de imediato. - Mamãe ou o papai ligou?
_ Sim, disseram que estão viajando a negócios e perguntou se precisamos de dinheiro, o mesmo de sempre.
_ Não disseram quando voltam? - A resposta foi dada por uma negação com a cabeça. - Então deve ser importante.
_ Sempre é. Como foi a escola hoje?
_ O mesmo de sempre, aulas chatas, professores insuportáveis e alunos irritantes.
_ Parece que não mudou muito desde a época em que eu estudava. Já decidiu qual profissão vai seguir?
_ Estava pensando em jornalismo ou talvez gastronomia. - Deu de ombros mexendo na panela com agua fervente.
_ Seria bom ter uma cozinheira na família, sair um pouco dessa tradição de advogados e empresários. - Camila sorriu de canto - Mas sabe que mamãe irá surtar quando saber que não pretende fazer direito, não sabe?
_ De qualquer forma ela nunca apoia as minhas escolhas. - Sofia automaticamente parou de sorrir e olhou triste para a irmã, no fundo sabia que era verdade, ao contrário dela, seus pais nunca a apoiavam em suas escolhas. - Vamos fazer maratona de filmes hoje?
_ Estava pensando em fazer uma de desenhos hoje. - A latina sorriu animada, já fazia semanas que ambas não tiravam um tempo para fazer qualquer coisa juntas.
_ O macarrão já está pronto.
As duas comiam animadas sentadas no sofá da sala de TV enquanto riam de qualquer cena boba mostrada nos desenhos.
_ Alguém já te convidou para o Baile de Outono? - Perguntou com a boca cheia de macarronada, fazendo a irmã se engasgar e tossir compulsivamente. - Como sei disso? Sempre acontece na mesma época do ano.
_ Acho que já estou satisfeita. - Colocou o prato quase vazio em cima da mesa de centro.
_ Ninguém te convidou? - A menor negou. - E você quer que alguém especial te convide?
_ Tanto faz, no final dessas festas tudo acaba em sexo mesmo. - Deu de ombros e se levantou do sofá. - Vou dormir, amanhã tenho prova de química.
_ Qual é o nome da pessoa Kaki? Quero saber o nome dela pra ter certeza de que ela te merece.
_ Sof, não tem ninguém ok? Nem ele e muito menos ela. - Sofia sabia da opção sexual de sua irmã, e apesar de achar que era apenas uma fase que logo passaria - já que ela mesma teve uma fase dessas - a respeitava, e mesmo que não fosse apenas uma fase, não cabia a ela julgar o que era ideal para a irmã ou não. - Boa noite.
_ Boa sorte amanhã na prova, amo você. - Camila jogou-lhe um beijo e que foi ''pego'' no ar pela irmã pouco antes de entrar no quarto e fechar a porta.
Após chegar na escola e ir em direção ao armário para guardar alguns matérias - dessa vez sem levar um susto por alguma brincadeira de mau gosto - a latina foi até a cantina do colégio e comprou um achocolatado e barrinha de cereal, havia acordado atrasada e para não perder a primeira aula saiu sem tomar café da manhã.
_ Chocolate com morango não é o seu sabor favorito Ally? - A voz inconfundível de Normani se fez presente atrás de si.
_ É sim, amo qualquer coisa que tenha esse sabor. - A barrinha de cereal foi retirada da mão da menor sem que ao menos pudesse abrir a embalagem.
_ Lauren, quer um achocolatado?
_ Estou satisfeita com o meu café da manhã, Mani.
_ Deu sorte vaca latina, minha amiga não está com sede o suficiente para tomar seu achocolatado.
_ Mas estaremos com fome o suficiente quando formos pegar o seu dinheiro do lanche. - Dinah avisou e saiu de mãos dadas com Normani, sendo seguidas pelos outros três.
O café da manhã de Mila se limitaria a um achocolatado de 300ml.
_ Já ia me esquecendo. - Normani apareceu em sua frente fazendo-a levar um pequeno susto. - Troy terá prova de química junto com você hoje, e para o bem de seu rosto cubano, é bom ele não levar bomba.
Camila olhou por cima do ombro da morena e viu Troy sorrindo com os braços cruzados, Allyson o abraçava pela cintura, Dinah estava ao lado de Lauren que parecia alheia a tudo.
_ Tentarei passar o máximo de respostas possíveis. - Normani pareceu ssatisfeita.
_ Continue cooperando vaca latina, talvez um dia seja retribuída. - Deu dois tapinhas na bochecha da morena e se retirou dali.
Camila se virou e abraçou o próprio corpo, olhando para cima em uma fraca tentativa de conter as lágrimas, o único questionamento em seus pensamentos era: quando esse inferno acabaria?
Voltou até seu armário em passos lentos, havia esquecido de pegar o livro de inglês. Um envelope preto caiu aos seus pés quando a pequena porta foi aberta, Mila abaixou-se para pegar e antes de abri-lo olhou na frente e verso em busca de qualquer identificação.
''Boa sorte na prova...'' - J.
Estava escrito em um papel de cor azul, a caligrafia não era conhecida, e se J fosse a inicial da pessoa quem escreveu o bilhete, então seria um verdadeiro desafio saber quem havia sido gentil com ela, pois em sua pequena roda de amigos - na qual eram apenas virtuais e moravam em outras partes da cidade, ou em outros estados - ninguém tinha o nome iniciado com tal letra.
Olhou ao redor em busca de qualquer pista de quem havia deixado o bilhete, pessoas iam e vinham conversando em tons excessivamente altos, mas ninguém olhava em sua direção.
Pegou o livro e guardou o envelope, sorriu ao se dar conta de que alguém - mesmo anonimamente - havia sido gentil com ela.
''Faltam 9 dias para o Baile de Outono'' a faixa em um dos principais corredores do colégio não a deixavam esquecer dessa maldita festa.
Cinco dias haviam se passado, nenhum bilhete havia aparecido em seu armário novamente, as coisas continuavam como sempre, apenas piorando a cada dia que se passava com os insultos do grupinho de Norminah.
_ Camila? - Ouviu seu nome e ao se virar para saber quem a tinha chamado se deparou com o novo aluno de intercambio.
_ Oi Austin, tudo bem? - Eles nunca haviam trocado mais do que um ''oi'' durante a aula de espanhol, na qual faziam juntos, por isso a morena estranhou ter sido chamada.
_ Tudo e com você? - Limitou-se a assentir. - Sei que é estranho lhe pedir isso, principalmente porque nossas interações nunca passaram de um ''Oi'', mas se não for pedir muito, gostaria de ir ao Baile de Outono comigo?
Sua expressão era um misto de surpresa e confusão, não conseguia acreditar que alguém havia lhe convidado para o baile.
_ Eu... Eu prometo pensar. - Respondeu sem ter uma certeza, era bom demais para ser verdade.
_ Ah, tudo bem. - Respondeu com um pouco de tristeza. - Posso lhe acompanhar até sua casa?
O sinal para a dispensa dos alunos havia sido tocado a poucos instantes, Mila assentiu começando a caminhar ao lado do intercambista, seria bom ter um amigo - mesmo que inesperado - para conversar durante o caminho até sua casa.
Enquanto andavam pelas ruas da cidade conversando sobre gostos musicais que tinham em comum, a ideia de que talvez fosse Austin quem teria lhe desejado boa sorte na prova há alguns dias não deixou de habitar os pensamentos da mais nova.
Mais um envelope de cor preta caiu aos pés de Mila após dois dias, olhou para os lados em busca de quem o tivesse deixado ali, mas como da ultima vez, foi em vão.
''Você é boa demais para ele...'' - J.
Leu e releu o bilhete perguntando-se se a mensagem se referia ao fato dele ter aceitado o convite de Austin de ir ao baile.
_ Quem é você afinal de contas? - Sabia que não receberia uma resposta, mas naquele momento teve certeza de que Austin não tinha nada haver com o bilhete de boa sorte.
''Alguém que te admira...'' - J.
Mais um bilhete, dessa vez dentro do armário após três exaustivas aulas.
Juntou as sobrancelhas perplexa, seja quem fosse esse tal de J, ele havia escutado quando a latina questionou-se sobre sua verdadeira identidade.
Suspirou e guardou os livros de qualquer jeito, fechando a porta com certa força, se fosse uma brincadeira já estava perdendo a graça.
_ KARLA CAMILA CABELLO. - Sofia gritou a plenos pulmões, aparecendo na sala com o notebook em mãos.
_ Aconteceu alguma coisa? - Deixou o sanduiche natural no prato em cima da bancada e foi até a irmã.
_ Aconteceu, e aconteceu algo muito grave. Pode me explicar o que é isso daqui? - Virou a tela no notebook pra irmã e a mesma arregalou os olhos ao ver as postagens recentes de um grupo numa rede social.
'' Acabei de falar com o Austin, o intercambista, ele me confirmou que após o Baile a vadia da Camila prometeu ir para a cama com ele.'' Um garoto havia publicado como post principal tendo mais de 150 comentários abaixo.
''Bem a cara daquela vadia latina dar para o primeiro que passa.''
''Me disseram que ela não é mais virgem desde os 13 anos.''
''A convidaram para fazer um filme pornô, ela recusou pela grana ser pouca, puta daquele jeito qualquer grana é lucro.''
_ Esses são apenas alguns dos diversos comentários maldosos que estão fazendo contra você, quer me contar o que está acontecendo ou terei que ir novamente até seu colégio conversar com o diretor?
_ NÃO! - Clamou em desespero. - Por favor Sofia, não faz isso.
Sofia sabia que a irmã era vitima de preconceito na escola em que estudava, mas pensava ter resolvido tal problema após ter uma conversa seria com o diretor e o mesmo lhe garantir que tais acontecimentos não iriam ocorrer novamente.
O que de fato aconteceu foi totalmente o contrario, os insultos passaram de simples xingamentos para agressões físicas, principalmente da parte do grupo de Dinah que levaram alguns dias de suspensão quando o diretor as flagrou xingando a estrangeira de porca cubana.
Camila tinha medo de que outra visita da irmã ao diretor lhe provocasse agressões mais serias, já que não teria sido uma ou duas vezes que sua vida foi ameaçada.
_ Tem um comentário em sua defesa. - A maior informou após consolar e secar as lágrimas da irmã.
''O mundo seria um lugar melhor se as pessoas se preocupassem mais em cuidar das próprias vidas ao invés de inventarem mentiras uns dos outros...''
O perfil continha apenas uma única letra como 'nome', não continha foto ou qualquer outra informação.
_ Obrigada J. - Sussurrou a latina ao ler o comentário em sua defesa.
_ VOCÊ ESTÁ FICANDO LOUCO? - A cubana enfurecida empurrou o intercambista contra o conjunto de armários, atraindo a atenção dos demais alunos. - Quando eu disse que transaria com você?
_ Mila, do que está falando?
_ Não se faça de cínico Austin, vi a postagem naquela merda de rede social, acha que sou trouxa? Vai ganhar fama de garanhão as minhas custas?
_ Mas não foi isso o que me disse logo após aceitar meu convite? Alias, você mesma falou que só iria comigo para ter alguém pra transar depois.
Nada daquilo era verdade, as insinuações só haviam sido feitas após o garoto notar a grande movimentação de alunos ao redor deles.
_ Você é um mentiroso.
_ E você uma vadia latina. - A multidão de alunos se calou não acreditando na cena que acabaram de presenciar. Camila respirava ofegante devido a raiva que lhe atingiu, enquanto Austin massageava a bochecha direita após levar um tapa.
_ Senhorita Cabello, queira me acompanhar, por favor. - A voz do diretor se fez presente em meio a multidão.
A menor passou pelos demais alunos de cabeça erguida e sem demonstrar qualquer tipo de medo, a raiva era maior do que qualquer punição que poderia receber.
_ Foi um belo show vadia cubana. - Camila bateu a porta do armário com força, não estava mais com paciência para aqueles insultos, não hoje.
Havia pego o resto do dia de suspensão, passou em seu armário apenas para pegar os livros e estudar em casa. Virou-se e encarou a mais alta.
_ Vai se fuder Dinah.
_ Eu escutei direito? Você mandou mesmo minha namorada ir se fuder?
_ Mandei, e se quiser ir se fuder junto fique a vontade Normani.
Sentiu um tapa lhe acertar o rosto e a parte de trás da cabeça bater contra a lataria dos armários.
_ Jamais nos desrespeite dessa forma novamente, não é assim que se trata suas lideres.
Sem dizer mais nada as duas saíram dali, Troy e Ally apenas observava a cena de longe rindo como se fosse uma comédia, Lauren não estava com eles.
O corpo da menor escorregou pelos armários em direção ao chão, era uma cruz pesada demais para uma jovem tão desprotegida carregar. As lágrimas molharam seu rosto dificultando sua visão, o envelope preto ao lado de sua coxa esquerda quase passou despercebido.
''Você é melhor do que todos eles jamais serão um dia...'' - J.
''Faltam 5 dias para o Baile de Outono''
Mila havia se ausentado do colégio por dois dias, quando retornou encontrou mais dois envelopes dentro do armário.
'' O colégio não é a mesma coisa sem sua presença...'' - J.
''As coisas começarão a mudar a partir do momento que você retornar...'' - J.
Por mais estranho que poderia parecer, o ultimo bilhete estava certo. Os insultos pelas redes sociais haviam diminuído consideravelmente, Normani ainda pegava seu dinheiro do lanche, mas não jogava-a mais na lixeira. Austin tinha ido até ela para pedir desculpas pelo o ocorrido, mas antes que ele abrisse a boca, a latina virou as costas e foi em direção a sala onde teria aula.
A única coisa que não havia mudado era sua solidão durante as aulas e os intervalos, ninguém queria ser amigo dela e talvez eles estivessem certos, afinal quem iria gostar de ser amigo de uma puta cubana?!
Uma movimentação começou no pátio perto do chafariz, alguns alunos se aglomeravam por ali, aos poucos Camila foi se aproximando para saber o que estava acontecendo.
_ Senhorita Hansen pode me dizer onde estava na tarde de ontem? - Um homem pediu anotando algumas coisas em um bloco de papel.
_ Eu estava em casa com a minha namorada Normani.
Ally e Troy olharam para elas incrédulos.
_ Senhorita Brooke e Senhor Ogletree conseguem compreender que as acusações contra vocês são muito graves? - O diretor perguntou ao lado do que pareceu ser um investigador ou policial.
_ Compreendemos sim, senhor. - Troy respondeu.
_ Senhorita Jauregui, pode me informar onde estava?
_ Eu... Eu...
_ Ela estava comigo. - Mila interveio e todos a olharam sem entender, até mesmo a morena de olhos claros não acreditava no que ela havia dito. - Estávamos tomando sorvete no shopping.
_ Sendo assim, Allyson e Troy queiram me acompanhar, por favor. - O homem que estava com um crachá escrito ''Investigador'' no paletó saiu sendo acompanhado pelo casal de namorados.
_ Senhorita Hamilton e Hansen, quero conversar com as duas na minha sala agora. - As duas garotas também acompanharam o diretor até sua sala.
Aos poucos os alunos foram de dissipando, deixando Lauren e Camila sozinhas.
_ Por que fez isso? Sabe que não estava com você ontem, mentir para a policia é crime, sabia?!
_ Seja lá o que seus amigos aprontaram, sei que não tem culpa. Fiz por você o que gostaria que fizessem por mim.
_ Se pensa que irei me tornar sua amiga e ir com você ao baile, está muito enga...
_ Não estou pensando em nada disso ok? - Interrompeu a mais velha já sem paciência. - Fiz por gratidão.
_ Gratidão?
_ Foi a única pessoa que não riu de mim e nem me julgou por ser de descendência latina, nunca me defendeu, mas também nunca me discriminou.
_ Ah, se for por isso então... - Respondeu meio surpresa - Obrigada por ter dito aquilo ao investigador. Nos vemos por ai.
Camila limitou-se a assentir e saiu andando com os livros em mãos até a sala de aula onde teria a terceira aula do dia.
''Eu conheço todos os seus problemas, não tenha medo, deixe-me ajudar...'' - J.
Não se tratava de um bilhete com simples frases, era parte de uma das musicas favoritas de Camila. Seja quem fosse esse tal de J. a conhecia mais do que ela pensava.
_ Como foi o trabalho hoje? - Perguntou mordendo um dos pedaços de pizza.
_ Se lembra da garota que falei que tinha contratado? - A menor assentiu. - Creio que ela tem futuro no ramo dos negócios, a menina é um gênio em matemática, sem falar quem nos últimos três dias me sugeriu ideias de marketing que realmente fizeram a diferença.
_ Vocês conversam muito?
_ Coisas aleatórias, gostos em comum, família, mas a maioria dos assuntos é sobre o trabalho.
''Faltam três dias para o Baile de Outono.''
Era quarta feira, os alunos estavam organizando os detalhes finais do baile que seria realizado na sexta a noite.
Camila já não tentava descobrir mais quem era o tão misterioso J., receber seus bilhetes havia se tornado a melhor parte do seu dia.
Não se surpreendeu quando ao abrir o armário viu outro envelope de cor negra lá, mas se surpreendeu ao ler o que estava escrito.
''Aceita ser a minha acompanhante no Baile de Outono...?'' - J.
Olhou para os lados repetidas vezes em busca de alguém, virou e revirou o envelope procurando por algo a mais. Ela queria aceitar, mas tinha medo que fosse apenas mais uma brincadeira para diversão de todos os outros alunos.
_ Me prove que é mesmo real. - Respondeu em tom alto o suficiente para qualquer um que estivesse há pelo menos dois metros de si escutar.
_ Falando sozinha vaca cubana? - Camila revirou os olhos, feliz demais para levar aquela ofensa a serio, então apenas pegou o dinheiro do bolso e entregou as garotas.
_ Mostre-me que isso não é apenas uma brincadeira, e então aceitarei ir ao baile com você. - Falou, mas dessa vez em um tom mais baixo quando o grupo se afastou.
_ Kaki, o Austin te convidou para ir ao baile? - Sofia perguntou ao ver a irmã aparecer na cozinha.
_ Não, na verdade não nos falamos desde que descobri quais eram as reais intenções dele, por quê?
_ Chegou algo pra você essa tarde, o porteiro me entregou assim que cheguei do trabalho, está em cima da sua cama.
A cubana estranhou tal fato, mas foi até seu quarto para saber do que se tratava.
Abriu a boca diversas vezes sem conseguir pronunciar qualquer palavra. Um buquê de rosas vermelhas estava sob o colchão, um envelope negro era visível entre os botões de rosa.
''Essa é a prova de que sou real...'' -J.
''Faltam 12 horas para o Baile de Outono.''
O baile seria as oito da noite, os alunos haviam sido dispensados das aulas, permaneceram ali apenas aqueles nos quais precisavam ajudar em algo ou tinham duvidas sobre a matéria, Camila era uma delas.
_ Camila, poderia assinar aqui pra mim? - O professor entregou a ela uma lista de presença, na qual logo tratou de assinar. - Senhorita Jauregui, que prazer lhe ter em minha aula.
_ Preciso tirar algumas duvidas sobre química orgânica, não entendi muito bem alguns exercícios.
_ Assim, mas antes pode assinar essa lista pra mim? - A mais velha pegou a prancheta com a lista juntamente com a caneta e em uma caligrafia perfeita assinou a folha abreviando o primeiro nome e colocando três pontos no final do sobrenome.
Mila se questionou se por três pontos após uma frase - ou assinatura - havia se tornado moda, pois em todos os bilhetes que recebeu haviam três pontos nos finais das frases.
Abriu o armário pela ultima vez no dia, guardou seus livros como de costume e ao olhar para a porta metálica notou uma rosa presa a mesma juntamente com outro envelope preto.
''Finalmente saberá quem sou hoje a noite, lhe pego as oito em ponto...'' - J.
Estranhou a rosa ter sido presa na parte interna da porta, pois até então sabia que os envelopes eram colocados pela pequena abertura que todos os armários tinham. Não era a primeira vez que descobriam sua senha - ou simplesmente violavam a tranca - mas era a primeira vez que não o faziam apenas por alguma pegadinha.
Olhou-se no espelho pela decima vez em menos de cinco minutos, sentia-se estranha por estar usando vestido, sempre preferiu jeans e all star ou até mesmo o uniforme do colégio, sentia-se vulnerável com aquele pedaço de pano.
_ Você está linda. - Sofia encostou na soleira da porta, a menor sorriu sem jeito. - A pessoa que irá te levar deve gostar muito de você.
_ Ou apenas quer brincar com os meus sentimentos como tantos outros.
Ao chegar em casa durante a tarde, recebeu uma caixa do porteiro, sendo informada que alguém havia deitado tal caixa para ela. Ao abrir - já dentro do apartamento - leu o pequeno bilhete escrito em folha azul - como eram todos os outros que recebia - que informava o que e o porque do presente.
''Sei que não comprou vestido para o baile, aceite isso como presente e use durante a noite...'' - J.
O vestido de tecido fino e cor azul ficava um palmo acima dos joelhos da latina, mas ficava perfeitamente moldado em suas curvas.
Finalizou a maquiagem no exato momento em que o interfone tocou, olhou no relógio e o mesmo marcava 8:00pm, seja quem fosse esse tal de J., era pontual.
_ Era o porteiro, disse que tem um motorista lhe esperando para leva-la até o baile na escola a pedido de um tal de J.
_ Avise que já estou descendo. - Pegou o colar com o pingente de libélula que havia ganhado da irmã e pôs no pescoço.
_ Se tentarem fazer qualquer coisa contra você, me ligue e irei até lá acompanhada pela policia.
_ Não podem me machucar mais do que já machucaram. - Despediu-se com um beijo na irmã e desceu com o elevador até o térreo, onde um homem de terno a esperava.
_ Senhorita Cabello?
_ Sim, sou eu.
_ Meu nome é Smith e irei te levar até o baile onde a J. está. - Estanhou por ele ter se referido a pessoa como 'a J.' e não como 'o J.' já que era assim que Camila sempre se referia a pessoa misteriosa. - A Senhorita J. estará lhe esperando na festa.
Informou o motorista abrindo a porta de atrás após alguns minutos dirigindo. Agradecendo com um aceno de cabeça e um sorriso, andou em direção a entrada iluminada do colégio.
A musica era alta e as batidas contagiantes, era a primeira vez que estava de fato em uma festa - mesmo sendo realizada na escola - abriu um sorriso ao ver um garoto vindo em sua direção, mas o mesmo desviou de seu corpo e foi rumo a mesa de bebidas.
Suspirou, deveria ter ficado louca mesmo a ponto de aceitar o convite de alguém que nunca trocou uma palavra com ela sem ser em forma de bilhetes.
_ Olha que está aqui, a puta cubana. - A voz de Normani foi alta o suficiente para fazer Camila levantar o olhar e notar Norminah e Trolly parados a sua frente. - Não avisaram que é proibido a entrada de animais nesse local?
_ Amor, não fale assim. - Todos olharam para Dinah sem entender o porque de tal atitude. - até mesmo as vadias latinas tem o direito de se divertir, nem que seja sozinha.
_ Onde está seu par? Esqueceu a vassoura em casa?
A latina deu um passo para ir embora dali, onde estava com a cabeça quando aceitou ser acompanhante de um desconhecido? Foi ali apenas para ser ainda mais humilhada.
_ O par dela está bem aqui. - Uma voz rouca soou atrás de si, o grupo a sua frente quase teve os olhos saltados da orbita. - Desculpe o atraso.
Um braço passou pela cintura da pequena enquanto um beijo era depositado no topo de sua cabeça.
_ Resolveu fazer caridade agora, Lauren? Isso não faz seu estilo.
_ O que não faz meu estilo é andar com pessoas arrogantes e mesquinhas como vocês.
Mila não demonstrava reação alguma, a surpresa por tal acontecimento era grande demais para ela falar ou agir.
_ Como ousa? Quer ser excluída do nosso grupo de amigos?
_ Que grupo de amigos Dinah? Quando Troy e Ally foram acusados de trafico e consumo de drogas vocês foram as primeiras a pularem fora, todos sabemos que eles só se envolveram nisso para arrumar mais grana pra vocês.
Lauren respondia as garotas com astucia, sem vacilar no tom de voz, por outro lado, o rosto de Normani e Dinah ficavam vermelhos de raiva.
_ Você não é mais...
_ Não sou mais o que? Amiga de vocês? - Debochou - Por favor, sabemos que só fui aceita por ser filha de policial, assim as livraria de serem fichadas. Nunca foram minhas amigas de verdade.
_ Espero que se divirta com a puta cubana.
_ O nome dela é Camila, e vocês terão sorte se um dia serem 5% de tudo que ela é.
_ Seus pais sentirão vergonha de...
_ Meus pais sentirão vergonha do que Ally? De ter uma filha lésbica?! - A latina sentiu um aperto na cintura. - Como seus pais se sentiram ao ter que lhe buscar na cadeia por ter sido acusada por trafico de drogas? Troy, seu pai ainda acha que você é o garoto que sonha em ser engenheiro? Dinah, sua mãe já conseguiu recuperar todo o dinheiro que perdeu na jogatina ou vocês ainda estão falidos? E Normani, seus pais já aceitaram sua opção sexual? A Dinah já conheceu os sogros? Não ousem cuidar da minha vida quando não dão conta nem das suas.
_ Lauren... - Camila chamou em um sussurro. - As pessoas estão olhando.
_ Me desculpe Camz, vamos sair daqui. - Puxou-a pela mão, parando rapidamente e voltando-se em direção ao grupo de ex amigos. - Normani?
_ O que você quer? Veio pedir desculpas? - O tapa acertou-lhe a face morena.
_ Jamais desrespeite Camila novamente, não é assim que se trata uma princesa.
Os alunos abriam passagem conforme Lauren andava de mãos dadas com Camila em direção a saída do ginásio onde acontecia a festa. Pararem em frente ao chafariz iluminado com luzes de LED.
Ao olhar para a mais nova, percebeu uma lágrima descendo por seu rosto.
_ Você está chorando? Me desculpe, não ligue para o que elas disseram, você é...
_ Não estou chorando por causa delas.
_ Não?
_ Não, já estou acostumada com os insultos.
_ Então qual o motivo da lágrima?
_ É a primeira vez que alguém me defende dessa forma, no meio de todo mundo.
A mais velha sorriu sem jeito, apertando-a em um abraço.
_ Me desculpe por ter demorado tanto para lhe defender, não queria que pensasse que estava brincando com você.
_ Você é a J.?
_ Sim, J de Jauregui. Pensei que tinha descoberto quem era sua admiradora secreta quando assinei a lista de presença na sua frente.
_ Não consegui comparar a caligrafia. Por quê três pontinhos?
_ Porque três pontinhos quer dizer muitas coisas.
_ Como sabia o meu endereço e a senha do meu armário?
_ Sua irmã me contou. - A latina se afastou imediatamente. - Quer dizer, não diretamente.
_ Como conhece a Sofia?
_ Trabalho com ela.
_ Então você é a assistente que ela vive elogiando?
_ Ela vive me elogiando? Me sinto honrada.
_ Digamos que ela gosta do seu trabalho.
_ Ela é uma boa chefe.
_ Ela sabe que você estuda comigo?
_ Não, talvez foi por isso que consegui algumas informações tão facilmente. Ela sempre me conta coisas relacionadas a você, disse que toda semana trocava a senha do armário devido as invasões, e que sempre contava a senha a ela, caso um dia precisasse abri-lo e pegar algo seu. Descobri seu endereço quando dei uma carona pra ela na volta do trabalho.
_ Você é o príncipe que me salva dos mau feitores? - Uma musica lenta e romântica começou a tocar.
_ Não, eu sou a princesa que lhe defende de pessoas arrogante, que deixa bilhetes anônimos em seu armário e espera escondida para ver sua reação ao ler o papel, que tentou te conquistar com gestos simples como não rir de nenhuma pegadinha feita contra você e que deixa o dinheiro do seu lanche cair propositalmente no chão para que não passe o dia com fome. Sou aquela princesa que cria um perfil falso em uma rede social apenas para te defender dos comentários maldosos, e entrega os amigos traficantes para a policia quando eles resolvem colocar drogas escondidas nas suas coisas; sou alguém que trabalha com a irmã da pessoa que gosta para tentar saber um pouco mais sobre ela e que sorri quando lembra-se da latina que lhe tira o sono. Mas acima de tudo, sou a princesa que quer te fazer ver a magia do mundo e realizar todos os seus sonhos, desde os mais bobos até os mais loucos.
A latina sorriu abobalhada, nem nos seus sonhos mais insanos imaginaria que Lauren Jauregui se declararia para ela de tal forma.
_ Eu não sei dançar muito bem, mas poderia me dar a honra de uma dança? - A mais velha sorriu com o pedido tímido, mas segurou na mão na menor e iniciou uma dança lenta.
_ Peço desculpas pela demora em me declarar, mas estava esperando o momento certo.
_ Shiii, não fala nada não.
A latina fechou os olhos e aproximou seus lábios dos da morena, suas mãos foram para o pescoço da maior enquanto as dela foram para sua cintura.
O toque era suave, ambas tentavam aproveitar o sabor e a textura dos lábios uma da outra da melhor forma possível. Era apenas um encontro de bocas que se moldavam perfeitamente uma a outra.
Ao fundo a musica favorita de Camila tocava, ela sorriu ao separar o beijo e a de olhos claros fixou seu olhar nos olhos castanhos, cantarolando o refrão da musica.
_ Girl let me love you and I will love you until you learn to love yourself...
_ Girl let me love you a heart of numbness, gets brought to life, I'll take you there.
Elas sorriram entre si, tendo a certeza de quem uma não conseguiria mais viver sem ter a outra para amar.