Encontrada

Par PaulaVinhal

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"Os livros são tudo o que tenho. É como se, todos os dias, me perguntassem com suas capas brilhantes: 'quem v... Plus

Capítulo 01 - Um novo início
Capítulo 02- O Visitante
Capítulo 03- Existe um mundo lá fora, querida.
Capítulo 04- Violet ou não, Eis a questão
Capítulo 05- Prazer, sou America Singer Schreave
Capítulo 06- Poucas e boas verdades
Capítulo 07 - Eu te amo
Recado
Capítulo 08- Bônus!
Capítulo 09- Dívidas
Capítulo 10 - Rota de Fuga
Capítulo 11 - Sozinha
Importante!
Capítulo 12 - Diga alguma coisa
Capítulo 13- Comigo
Pergunta?
Capítulo 14 - A...migos?
Capítulo 15- Além das Fronteiras
Bônus! - O dia em que tudo mudou
Capítulo 16- Cartas para você
Capítulo 17 (parte I) - Culpada
Capítulo 17 (parte II) - Culpada
Capítulo 18 - Descanso
Capítulo 19 - Mudanças
Aviso
Capítulo 20 - Bem vinda ao Brasil!
Capítulo 21 - Novos planos
Capítulo 22 - Te peguei
Capítulo 23 - Canções de um exílio ( parte I)
Capítulo 23 (parte II) - Canções de um exílio
Capítulo 24 - Contra o tempo
Spoiler + Pergunta
Capítulo 25 - Não desta vez
Capítulo 26 - Queluz
Capítulo 27 - O outro lado da moeda
Capítulo 28 - Sérios problemas
Capítulo 29 - Mundos opostos
Red - Livro novo
Capítulo 30 (parte I) - Aqui estamos
Capítulo 30 (parte II) - Aqui estamos
Bônus - O Convite
Capítulo 31 - Doce, doce mundo cruel
Capítulo 32 - O Baile de Máscaras
Capítulo 33 - Estamos juntos nessa
Capítulo 34 - A última dança
Capítulo 35 - Válvula de escape
Capítulo 36 - Onde as ruas não têm nome
Capítulo 37 - Quando as mentiras se tornam verdades
Capítulo 38 - Eu tornei-me a morte, destruidor de mundos
Capítulo 39 - Sonhos de ilusão
Capítulo 41 - Cartas na manga
Capítulo 42 - Acerto de contas
Capítulo 43 - Isso bastou para mim também
Capítulo 44 - Princesa perdida
Capítulo 45 - Ligados
Booktrailer
Capítulo 46 - Jogo de artimanhas
Capítulo 47 - Vida longa à rainha
Capítulo 48 - Aprender a perdoar
Capítulo 49 - Aquela garotinha egoísta e covarde
Capítulo 50 - Esse é o meu caminho
Capítulo 51 - O Coração de uma nação
Capítulo 52 - Os sacrifícios em nome de uma causa
Capítulo 53 - Eu acho que não
Capítulo 54 - Somos feitos de grandes momentos
Capítulo 55 - Oh Senhor, leve esta alma, coloque-me no fundo do rio
Capítulo 56 - O refúgio dos Deuses
Capítulo 57 - Eu vou voltar por você
Capítulo 58 - Das cinzas nos ergueremos
Capítulo 59 - Efeito borboleta
Capítulo 60 - Àqueles que amamos e perdemos
Capítulo 61 - Reinado
Capítulo 62 - Não deixarei você partir
Capítulo 63 - Sempre e para sempre
Epílogo
Agradecimentos

Capítulo 40 - Uma atitude inesperada

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Par PaulaVinhal

Kota

Eu vi.

E preferi nunca ter ligado a televisão naquele momento.

A simples ideia de uma bomba no Centro Comercial de Madrid já é algo capaz de me fazer vacilar, minha mente viajando momentaneamente para as pessoas que estariam no local. Mas saber que ela era um dos alvos fez com que eu fosse apunhalado cem vezes com uma faca de lâmina afiada e grossa, em lugares diferentes para causar mais dor e impacto. Saber disso me destruiu.

Algum ser desprezível, em vez de tentar ajudar, se deu o trabalho de filmar cada segundo, atentando aos detalhes. A filmagem foi feita de um lugar alto, que imaginei ser um prédio, e foi ao ar em um dos jornais poucas horas depois do atentado. Apesar da confusão, não foi difícil distinguir o carro Oficial, com uma montanha de seguranças protegendo um pequeno corpo que eu conhecia tão bem. O suspiro de alívio ficara preso na minha garganta, queimando enquanto era substituído por outro de puro terror, quando vi Gisele sair do carro e correr na direção do restaurante, tentando alcançar alguma coisa. Logo depois disso, a bomba explodira.

E, desde então, não tenho sequer uma notícia ou palavra vindas dela. Já tentei visitá-la no hospital, mas Velásquez soubera bem como fazer a segurança daquele lugar, de forma que não consegui passar da recepção do primeiro andar. Estava virando um mestre na arte da meditação, inspirando e expirando profundamente quando sentia vontade de bater em alguém por me deixar no escuro. Antes, eu poderia recorrer ao Adam, e ele usaria todo o seu poderio de Príncipe de Portugal para conseguir o que queria. Mas agora...

Um beijo estalou contra a minha bochecha, fazendo- me remexer na cadeira para não denunciar que tinha me assustado com aquilo. Apoiei o tablet na mesa e ergui o olhar para Violet, que começara a preparar o seu café da manhã, pegando um pouco de cada coisa deliciosa disposta em cima da mesa.

-- Bom dia, meu amor -- Um sorriso amável surgiu em seu rosto, antes de ela voltar a se concentrar no que estava fazendo. Se não tivesse dito nada, eu provavelmente continuaria as minhas buscas na internet, completamente alheio a sua presença. Nesse momento, uma diferença chamou minha atenção. Analisei o seu corpo de modelo de cima a baixo, reparando que ela não usava as roupas sociais de grife costumeiras, trocando a calça e blusa de seda por um vestido cor de rosa, simples e delicado. As joias exuberantes deram lugar a uma pulseira de ouro e os anéis em sua mão esquerda, solitários. A constatação me fez franzir o cenho.

-- Não vai para a agência? -- questionei.

-- Bobagem. Eles precisam mais de mim do que eu deles. Sou da nobreza, não preciso trabalhar, faço isso apenas por amor à profissão. Além disso, -- ela interrompeu a sua fala para dar uma mordida na melancia. -- Pensei em passar o dia com você. Faz tempo que não temos um momento a sós, nem parece que somos casados.

A risada amarga foi contida a tempo.

-- Não somos casados.

Violet soltou um suspiro, e inclinou-se na minha direção. Suas mãos seguraram a minha em cima da mesa, e seu dedo contornou suavemente a linha ao redor da aliança no meu dedo.

-- Isso significa que você me pertence. -- Ela ergueu a própria mão, mostrando as alianças, uma de casamento, e a outra de noivado. -- E estas aqui servem para lembrar que eu pertenço a você.

Eu observei-a por um bom tempo, sem dizer uma palavra. Aos poucos, a postura de Violet foi esvaindo, e ela curvou um pouco os ombros. Ainda sob o meu olhar, Violet desviou os olhos e tirou uma mecha do cabelo de trás da orelha, tentando esconder o rubor que ardeu em sua face antes que eu pudesse ver. Mas eu vi. E aquela foi a primeira vez que vi Violet Lavinsk ficar envergonhada. Meus pensamentos voaram para Gisele, o modo como ela sempre enrubescia quando eu recitava um poema para ela, ou falava sobre arte. Ela tinha um sorriso incrível, que esticava os seus lábios mesmo quando ela insistia em tentar não fazê-lo.

Era incrível como os meus pensamentos sempre voltavam a uma esfera inicial: ela. Tão simples quanto respirar, Gisele permeava meus sentidos na forma de poesia, uma bela canção, porém perdida. Perdida em um mundo de feras que insistiam em tirar um pouco mais dela a cada dia, cada segundo. Eu era uma dessas feras, talvez até a pior delas.

Porque eu a destruí.

Não adiantava mais fingir. Tinha plena consciência de que fui o preâmbulo da sua ruína, apaixonando-me por ela, fazendo-na o meu mundo e querendo tornar-me o dela, quando na verdade eu estava tentando -- inconscientemente -- ofuscar uma complexidade que ainda não fui capaz de entender. Gisele tinha brilho próprio, e eu, como uma mariposa muito tempo aprisionada na escuridão, fui atraído para ela.

Agora eu conseguia ver o motivo da minha insônia. Ultimamente, Violet não tem sido... Violet. O seu comportamento, a forma de se vestir... Tudo isso fazia uma clara alusão a minha menina. Ela se parecia com Gisele até na forma de suspirar, o que fez com que a saudade e a agonia apertassem ainda mais o meu peito.

-- O que você tem em mente, Violet?

-- Perdão?

-- Sei o que está fazendo -- ergui as sobrancelhas. -- Só não entendo o porquê de você querer se igualar à Gisele.

-- Eu não estou fazendo isso, Kota. -- Violet soltou uma risada nervosa, e eu me inclinei na cadeira para apoiar meus cotovelos nos joelhos, ficando mais próximo dela.

-- Não? -- a descrença era clara no meu olhar.

Violet baixou a cabeça, repousando as mãos no colo. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, provavelmente pensando em mais uma desculpa para a sua atitude. Quando ela voltou a olhar para mim, vi o brilho nos seus olhos pelas lágrimas que ameaçavam a se formar.

-- Estamos casados há quase um ano, Kota, e você não demonstrou nenhuma mudança de conceito ao meu respeito. Mal parece o homem que pediu a minha mão em Illéa. Eu sei que na época você não me amava, e eu também não nutria sentimentos por você. Acho que todo mundo sabia que a nossa união era por pura convenção, mas... -- pude ver que ela engolira em seco -- com o tempo passei a sentir algo... mais. Já não era a mesma quando Amélia se tornou parte da sua vida.

"Quando nós éramos crianças, nossos pais tinham que fazer um grande esforço para nos separar, o plano era que fôssemos melhores amigas para sempre. Mas, apesar de eu sempre ter tido tudo o que queria, Amélia era o verdadeiro centro das atenções, era para ela que as pessoas olhavam quando queriam seguir um exemplo. Eu a invejava por isso. Em Illéa, tive a oportunidade de mudar a situação. Mas então ela entrou na sua vida e mais uma vez roubou aquilo que deveria ser meu. "

Ergui as sobrancelhas, completamente surpreso. Não esperava que Violet fosse abrir o jogo dessa forma, talvez eu tivesse que pressionar um pouco mais para conseguir uma mísera migalha de pão. Mas ela contou tudo e um pouco mais. Mal podia acreditar que Violet e Gisele já foram amigas! Os fatos começaram a se encaixar na minha cabeça, e eu descobri que não era algo impossível de acontecer; Gisele fugiu com ela para Illéa, e a forma como Violet incorporou a minha menina requeria anos de prática ou muito tempo de observação.

-- Ainda o amo, Kota -- Violet continuou. -- Nunca fui uma romântica incurável como Amélia e sempre admirei a capacidade dela de ver a paixão em até mesmo uma árvore -- uma risada fraca deixou os seus lábios pintados de rosa claro. -- Mas acho que esse amor que eu sinto por você é mais do que uma simples futilidade, já que eu estou fazendo a coisa que mais odeio para que você preste atenção em mim. Eu me sinto desprezível por isso.

-- Como... -- recostei-me na cadeira e abri a boca em espanto. Como pude ser tão burro? A mudança viera lenta e gradativamente, como um animal assustado testando o ambiente hostil e o predador vestido com pele de cordeiro. Estive tão envolvido em meu próprio casulo de frustração pessoal que não notei as coisas ao meu redor. Não notei Violet. Como poderia? Passei a ignorar a sua presença com o tempo, focando minha atenção em uma única causa, uma que, na verdade, parecia não precisar mais de mim. Violet era obstinada, fazia o que queria e sempre estava no topo, nunca se incomodando para se rebaixar ao nível de alguém. Me identifiquei imediatamente com ela nesse sentido: sempre esperamos que os outros façam o melhor para nos alcançar. -- Você está agindo como ela para chamar a minha atenção?

Violet enrusbeceu novamente, e não consegui decifrar se era pela vergonha ao dizer um fraco "sim" ou pela raiva que sentia de si mesma.

-- Bom, pelo jeito funcionou. -- comentou. Violet levantou-se da mesa sem terminar o café da manhã. Ela tentava esconder as suas emoções novamente, e quando pegou a sua bolsa em cima do sofá da sala principal e os raios solares iluminaram o seu rosto, pude ver que todas as suas habilidades de teatro não conseguiram protegê-la efetivamente como antes.

Alcancei a porta primeiro do que ela, parando em sua frente. Uma linha surgiu entre as suas sobrancelhas, e eu aproveitei o seu momento atônito para puxá-la e levá-la comigo em direção ao segundo andar. Violet não apresentou nenhuma resistência, e apenas abriu a boca quando ela parou na porta do closet enquanto eu adentrava o cômodo, abrindo os botões da minha blusa social.

-- Kota, o que está fazendo? -- virei-me para ela, que cruzara os braços sobre o peito e apoiara o quadril na porta do closet.

Olhei de relance para a janela atrás dela, vendo a manhã ensolarada. Terminei de tirar as minhas roupas e, quando fiquei apenas de cueca, escutei Violet puxar uma respiração ao mesmo tempo em que murmurava um "Dios mio*". Sem me importar em recolher as peças do chão, procurei por uma camisa mais confortável e bermudas, parando apenas quando obtive o conjunto completo. Me dando por satisfeito, saí do closet e voltei para o andar de baixo, com Violet ao meu encalce.

-- Sabe, Violet, -- um sorriso começou a surgir em meus lábios e, pela primeira vez em todo esse tempo em que estive com a minha esposa, ele foi sincero. Abri a porta da frente da nossa grande casa. -- Estamos casados há quase um ano e você ainda não demonstrou nenhuma mudança de conceito a meu respeito -- devolvi suas palavras e Violet arregalou os olhos, momentaneamente espantada. -- Que tipo de mulher não leva o marido para conhecer a cidade em que ela nasceu? E eu ainda nem sou fluente no espanhol!

Os músculos do rosto de Violet relaxaram e sua expressão suavizou.

-- Talvez eu estivesse tentando colocar um pouco de juízo na cabeça do meu marido fanático e acabei me esquecendo da minha função de guia turística -- Ela brincou.

Não conseguia dizer se aquilo era uma encenação, ou se realmente eu e Violet estávamos nos divertindo com uma situação tão simples e tão leve. Definitivamente, era algo fora do comum! Estendi minha mão para ela, que aceitou prontamente. Meu plano era aproveitar aquele dia ao máximo, fosse como for. A alternância de humor rápida poderia servir como um peso na minha consciência, mas ela estava com tantos quilos que um dia poderia me prender ao chão apenas com o leve toque de uma pena. A parte de mim agarrada ao passado e ao temor pelo que aconteceria no futuro foi jogada dentro de uma garrafa e lançada em um rio de lágrimas, como Alice no País das Maravilhas. Mas estas eu manteria. Gisele voltou a minha mente com um olhar reprovador, quase me fazendo encolher sob ele. Não faça isso, Kota, ela dizia. Pisquei forte algumas vezes, vendo a imagem se dissipar. Então, determinado, eu coloquei-a dentro da garrafa, sem a certeza ou esperança de que um dia eu a tiraria de lá.

Tinha que aceitar que eu a perdera. O doce pássaro queria voar, mas eu, desesperado, fiz e pensei no impossível para não deixá-lo escapar. Mesmo que de uma forma errada, Violet passou pela mesma situação e conseguiu vencer. Ela parou de se importar com as pessoas que um dia machucaram-na ou que viriam a fazê-lo um dia. De alguma forma, sentia que ela poderia me ajudar no processo, ser algum tipo de âncora. Me via agora soltando leve e lentamente os meus braços, aos míseros poucos, até estar pronto.

Pronto para deixar Gisele partir.

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*Dios mio: Meu Deus.

****************
Comentem, amoras :)
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