Um amor premeditado

By Chiaritta

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"Um amor premeditado" é o título de um drama/romance erótico que conta a história de amor vivida por dois jov... More

O primeiro dia de aulas.
A tarde na biblioteca
Um dia de chuva.
A video chamada
A primeira zanga
A hora do almoço
A alcunha
A surpresa
Bons sonhos
Hora de acordar
A mesma moeda
No Intervalo
Chamadas fantasma
Hora do banho
Flor de Nerine
Parte de mim
Dia de cinema
No cinema
Mudança de planos
Nas alturas

Confia em mim.

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By Chiaritta

Entramos para a casa de banho...

Chão de mármore branco, azulejos pretos, um contraste muito bem feito..
-"Tu adoras combinações com preto..." - Disse eu..
Ele: Por acaso é uma cor muito interessante.. Ela não transmite nada óbvio, dá-te a liberdade de interpretar o que ela te vai transmitir, acho isso fascinante nas cores neutras.

- "Pois é.. Faz todo o sentido.." (Risos) Agora põe-me no chão...

Pôs-me no chão e disse: Mas se dizes isso por causa da decoração da casa, só me responsabilizo pela do meu quarto. As outras partes da casa foram decoradas pela minha mãe e pela Tia Fina, mais pela minha mãe, claro!
- Tirou a toalha do Porta toalhas (que estava bem ao lado da porta), amarrou-a na cintura, andou até ao fim da casa de banho em direção ao banheiro e permaneceu de pé, aéreo, como se estivesse a viajar em pensamentos. Aproximei-me dele e pus os braços a volta do seu tronco, ele pôs o braço a volta dos meus ombros e deu-me um beijinho na testa, eu fiz um beicinho e olhei para ele. - "E essa cara?" Perguntou ele...
- "Tenho fome.." Respondi-lhe...
- "Já vamos comer, porquinha... Aguenta um pouco." - Afastou-se e segurou-me a mão: "Anda, vamos despachar-nos.." Disse ele enquanto puxava-me para o banheiro.

Tirei a toalha e atirei-a para o grande lavatório, que não ficava tão longe do banheiro. Ele fez o mesmo e logo a seguir pusemo-nos "debaixo d'água", ele abraçou-me por trás e deu um suspiro... - "O quê que tu tens?" Perguntei-lhe preocupada..
Ele: Nada... Porquê?
Eu: Tens andado muito tenso, pensativo e apreensivo..
- "Como assim?" Perguntou-me..
Eu: Estás a ver aquele sentimento de quando fazemos algo e por algum motivo não queremos contar à uma pessoa mas sabemos que devemos contar e ficamos corroídos por não encontrar o momento certo e a forma certa de contar para a pessoa?

Ele soltou-me levemente do abraço e disse: "Sim.. Estou a ver."
Eu saí do abraço, virei-me para ele e disse: "Tu tresandas a este sentimento."
Ele: Não sabia que os sentimentos tinham cheiro. (Risos)
Eu: Tu entendeste muito bem o que eu quis dizer...
Ele fechou os olhos, passou as duas mãos na cabeça, levando o cabelo todo pra trás, respirou fundo e disse: "Eu sei, eu sei..." - Abriu os olhos, com a mão direita fez um carinho no meu rosto e disse: "Está tudo bem, Nera! Relaxa.."
"Epah, se tu o dizes. Ok.... Tens falado com os teus pais?" - Perguntei-lhe enquanto passava o shampô no cabelo..
Ele: Sim.. Falei com a minha mãe ontem, inclusive ela disse-me que vem no próximo mês, fiquei muito feliz!
- virei-me de costas para ele, comecei a enxaguar o cabelo e disse entusiasmada: Isso é ótimo! Tu deves estar com muitas saudades deles.. Mas ela vem sozinha? O teu pai e as tuas irmãs não vêm?
Ele disse num tom brando e desmotivado: Nada.. A Rita ( irmã mais velha ) já se casou, tem um filho e já vês.. Deixar a casa custa-lhe. O meu pai está quase sempre aqui em viagens de negócios e tal, na maioria das vezes consigo vê-lo, então não reclamo. A Ruth ( irmã mais nova ) não gosta de vir pra cá, diz que não tem amigos aqui e que fica muito sozinha, eu não a culpo porque de facto ela era muito nova quando os meus pais resolveram mudar-se, tinha 5 anos e agora já tem 14...
Eu: Ish ... Compreendo perfeitamente.. Quando eu terminei o ensino médio, os meus pais mudaram-se para outra cidade, queriam que eu fosse estudar para o Lubango, eu não quis e preferi ficar aqui, já os meus irmãos mais novos ficaram super entusiasmados, vivem lá já faz dois anos e eles adaptaram-se super bem e já têm um monte de amigos... As crianças enquadram-se mais facilmente à um meio novo ou desconhecido ...
Ele: Os teus irmãos têm quantos anos?
- " O Victor tem 7, o Edson tem 10 e o Alex tem 15" - Respondi-lhe enquanto passava o sabonete nos braços ...
Ele: Ah, mas Lubango fica já aqui.. Tu podes ir a qualquer altura, ir hoje e voltar amanhã ou depois. Não é o meu caso...
- "Yaaa! A tua família está mesmo bué longe.." - Disse eu enquanto me enxaguava..
Ele: Pois é... Mas já estou feliz por saber que a minha mãe estará aqui no próximo mês.
Eu: Claro! Não deixa de ser uma boa notícia. Mas.. (...)
Ele olhou para mim com cara de desconfiança e perguntou-me: "Mas, o quê?!"
Saí debaixo do chuveiro e enquanto enxugava o cabelo, respondi-lhe: "Ah, sei lá... Quando a tua mãe estiver aqui, já não vamos estar juntos sempre, né ?
- "Mas é claro que vamos! Vamos estar juntos os três." Respondeu-me enquanto passava para o chuveiro.
"OS TRÊS ?!" Questionei espantada...
- "Ricardo, tu não sabes se ela vai gostar de mim ou não, quer dizer... Tu és o único rapaz dos teus pais e normalmente as mães fazem muitos ciúmes desses filhos." - Disse-lhe enquanto saía do banheiro.
Ele: Não, a minha mãe é uma pessoa muito querida, eu acho que vocês vão dar-se muito bem...
Eu: Não sei não...
"Relaxa." Disse ele enquanto sorria..

Andei até ao lavatório e perguntei-lhe: "Ela ja sabe que tu já tens namorada?" - Disse enquanto enrolava-me na toalha..
"Vou contar-lhe pessoalmente!" Respondeu-me de imediato.
Pus as mãos na cintura e perguntei-lhe: "Porquê que ainda não lhe disseste?"
Ele: "Oh, não achei que tivesse mal algum em não lhe dizer. Não deixei de fazê-lo por uma razão específica..." Respondeu-me enquanto esfregava os braços..

Achei estranho mas parei e disse mentalmente à mim mesma: Hoje é sexta-feira, o dia já começou tenso, vamos evitar paranóias desnecessárias e aproveitar o resto da tarde em paz, ta bem, Nera? Ok, Nera!"

Ainda que com a insatisfação expressa no meu rosto, ponderei e disse: "Ok, de facto, não tem mesmo mal nenhum." Virei-me e caminhei em direção à porta, abri-a e passei para o quarto. Caminhei até a poltrona aonde eu tinha pousado a minha bolsa e a pasta do Ricardo, peguei na minha bolsa, abri-a e tirei o meu telemóvel, já eram 13:40, meu estômago roncou, já passava da hora do almoço. Gritei do quarto: "Ricardo, ainda vais demorar muito????"
Ele respondeu-me da casa de banho: "Já vou, espera um pouco.."
Revirei os olhos em descontentamento, pus minha bolsa e a pasta do Ricardo no meu colo e sentei-me na poltrona. Entrei para o WhatsApp e fiquei a conversar com umas amigas enquanto esperava que ele saísse do banho. Uns 5 minutos depois, senti umas vibrações vindas da pasta dele, era o telemóvel dele. Pousei o meu telemóvel no meu colo, abri a pasta dele e tirei de lá o telemóvel, era a ligação de um número estranho mas tinha o indicativo de Portugal, podia ser uma chamada de algum parente dele mas ainda assim, achei que seria pouco conveniente atender, então preferi deixar chamar até desligar. Alguns segundos depois, a chamada desligou e no ecrã apareceu a notificação de 6 chamadas perdidas daquele número, e a seguinte mensagem do mesmo: "É bom que tenhas uma boa explicação pelo facto de não estares atender as minhas ligações."

Permaneci com o telemóvel dele na mão, super intrigada: "Quem será essa pessoa? Será a mesma que tem estado a ligar desde manhã? O que será que quer com ele ? Porquê que ele não atende?(...)" Entretanto, vejo o Ricardo a sair da casa de banho, de toalha amarrada, assim que viu-me com o seu telemóvel na mão, veio disparado na minha direção e tirou-mo: "O quê que estás a fazer com o meu telemóvel na mão? Não sabes que isso é invasão de privacidade?" - Disse ele num tom alterado, todo agitado.
Eu permaneci sentada, ergui o meu rosto, olhei para ele e disse calmamente: Acalma-te... O teu telemóvel chamou e eu tirei-o da pasta para ver quem era. Caso fosse alguém importante, eu o levaria até a casa de banho e entregar-to-ia mas como vi que era um número sem nome, achei que não era tão importante então ia deixar que saísses do banho e ia avisar-te sobre a chamada.
Ele, num tom mais brando, disse: "Não gosto que mexam nas minhas coisas sem a minha permissão..."
- "Eu podia até estar com vontade de mexer no teu telemóvel mas, tem um código de desbloqueio, sabes?!" Disse-lhe num tom irônico.
Ele permaneceu especado a olhar para mim mas parecia estar a a procura de argumentos para contestar a minha atitude, então, antes que ele dissesse mais alguma coisa para prolongar o clima de tensão que já pairava, eu disse: "Dás-me algo para vestir? Não trouxe nenhuma muda de roupa." Levantei-me, pousei a pasta dele e a minha bolsa na poltrona, aproximei-me dele, dei-lhe um selinho na boca, andei até ao guarda-roupas e abri-o: "Ora, vejamos o que temos aqui.." Disse eu enquanto olhava para as roupas dele..
Ele seguiu-me com o olhar e ficou com cara de parvo a olhar para mim: "Tu tens muito jeito!" Disse ele muito sério..
Eu: "Ah, relaxa... Eu não vi nada de errado, fica descansado!" -Disse-lhe enquanto procurava por alguma roupa para vestir..
Ele aproximando-se de mim, atirou o telemóvel para a cama e disse: "Não tem nada de errado pra veres no meu telemóvel."
- "A tua atitude confirma este argumento.." Respondi-lhe num tom sarcástico.
Ele: "Poupa-me do teu cinismo, por favor. Não me estragues o resto do dia."
- Tirou do guarda-roupas uma camisa branca de mangas compridas e entregou-ma: "Toma, veste mazé, pá."
Recebi a camisa e disse: Tu próprio é que queres estragar o teu dia, com esse mau gênio e com essa atitude de quem tem algo a esconder..
- "Para de dizer que eu tenho algo a esconder!" - Disse ele seriamente, enquanto vestia as boxers.
Já com a camisa posta, eu respondi-lhe enquanto abotoava-a: "Então para de agir como se tivesses.."
Fechei o último botão e perguntei-lhe: "Estou gira?!" - Dei uma volta, para que ele visse como me tinha ficado a camisa...
"Estás um mimo!" - Respondeu-me enquanto vestia as calças..
Andei até a cômoda, bri uma das gavetas e tirei de lá umas boxers.
"Isto vai servir-te?" Ele perguntou-me enquanto vestia as calças.
"São elásticas!" Respondi-lhe enquanto vestia-as..
Ele começou a secar o cabelo com a toalha e disse: "Vais mazé alargar as minhas cuecas com esse rabo gordo!"
Eu: Cala-te, está bem? Vamos mazé comer porque eu já não me aguento de tanta fome!

Ele passou o desodorante nas axilas, foi até a cama, pegou no seu telemóvel, pôs no bolso e saiu porta a fora.

Não me apetecia andar de chinelos, fui até à cômoda, tirei um par de meias e calcei-as. Andei até a poltrona aonde estava o meu telemóvel, peguei nele e saí do quarto.
Ricardo já tinha descido as escadas, enquanto eu descia conseguia ouvir o som dos talheres a bater no prato, pensei: "Guloso de um raio pah.. Nem espera pela outra..."

Continuei a descer até ao rés do chão: Mesa toda posta, uma jarra de sumo natural de laranja e dois pratos já servidos. (A comida cheirava muito bem)
Eu aproximei-me da mesa e pousei o telemóvel, esfomeada, sentei-me depressa e enquanto já segurava nos talheres prestes a atacar, perguntei: "A Tia Fina deixou os pratos já servidos?!" - "Ela é um anjo mesmo!" - Suspirei satisfeita.
Ricardo sentou-se do meu lado e disse: "Na verdade, quem serviu fui eu. Fi-lo agora mesmo..."
Já com a boca cheia de comida, eu disse: "Não fizeste mais do que a tua obrigação." - Mas saiu tão abafado, que ele nem percebeu.

Ele: O quê?
Eu: Esquece. (Ainda com a boca cheia de comida)
Ele: Come só primeiro, depois fala.
- Fiz um "fixe" com a mão e continuei a deliciar-me do delicioso estrogonofe da Tia Fina.
Tive sede e reparei que não tinha copos na mesa: "A Tia Fina esqueceu-se de pôr copos na mesa." Disse-lhe enquanto puxava a jarra de sumo para perto de mim.
Ricardo: Eu vou buscar dois!
Eu levantei-me da mesa e disse: "Não precisa. Deixa que eu faço isso. Diz-me só aonde é que ficam..."
Ricardo: Logo que entrares para a cozinha, na parte de cima do segundo armário à direita.

- Afastei-me da mesa e caminhei até a cozinha. Uma cozinha muito bonita, decorada de castanho claro e preto. Os electrodomésticos eram pretos e os móveis eram castanhos. Dirigi-me até ao segundo armário à direita, foram poucos passos desde a porta até ao mesmo. Olhei para a parte de cima e vi a parte dos copos, abri a porta do armário, tirei dois copos e caminhei de volta à sala. Aproximei-me da mesa, pousei os copos e sentei-me.
Ricardo estava muito silencioso, olhei para ele e deparei-me com o seu olhar fixo em mim, não parecia nada contente.
Sem saber o que se estava a passar, perguntei: "O que foi?"
Ele respondeu-me todo autoritário: "Tu deves achar que eu sou um burro ou algum palhaço, né?"
(WTF?! Do nada?)
Permaneci calada a olhar para ele com cara de quem não sabe de nada. Na verdade, eu não sabia mesmo de nada...
Depois de alguns segundos, ele atirou o meu telemóvel na minha direção e disse: "Toma lá a merda do teu telemóvel, e vê se respondes as mensagens do teu amiguinho Kevin, porque ele mandou-te duas mensagens enquanto estavas na cozinha e eu pude ver que não foram as únicas que ele mandou hoje.

Fiquei estupefacta! Mas ao mesmo tempo, apetecia-me rir dos ciúmes dele... Controlei os meus risos (que só lhe iam deixar mais irritado) e disse: Tu mexeste no meu telemóvel, sem a minha autorização..
Ele: Isto não interessa! O facto em questão aqui, são as mensagens que ele te mandou. Ele mandou-te uma mensagem quando estávamos a caminho de casa, porquê que não me disseste?
Eu pousei os talheres, entrelacei as minhas mãos, apoiei nelas o meu queixo e disse: Isso mudaria alguma coisa?
Ele: Mudaria muita coisa. Pelo menos eu não estaria com a impressão que tenho agora à teu respeito.

Eu fiquei boquiaberta com tamanha explanação!
"Não há razões para estares tão irritado com a mensagem que ele mandou." Disse-lhe num tom calmo.
Ele alterou a voz e disse num tom bem alto: "AS MENSAGENS!"
- Agarrei no meu telemóvel e fui ler as famosas mensagens de que tanto falávamos.
A primeira dizia: "Não vais dizer nada, pois não?!"
A segunda dizia: "Fica ciente de que eu não vou desistir de te ter!"

Não resisti, soltei um riso. Era hilariante ver a pessoa por quem eu estou apaixonada, sentir ciúmes de alguém que mesmo me enviando mensagens tão bonitas, não me despertava NADA!

Ricardo interpretou mal o meu riso e disse: "Estás a conseguir deixar-me muito irritado!"
Eu: Por favor né ?! Para de fazer tempestades num copo d'água...
Ele: Tempestades num copo d'Água? Mas tu leste bem as 3 mensagens que ele te enviou? Isso são mensagens que um homem só envia, quando sabe que tem hipóteses com uma determinada mulher.
Eu: Ricardo, acorda para a vida! Tu é que lhe fizeste ver "hipóteses" ao mostrares o tamanho da tua insegurança e falta de confiança.
Ele: Não tentes virar o jogo! Porquê que não admites de uma vez que sentes algo por ele?

(Aquilo soou-me tão absurdo, que eu fiquei simplesmente sem resposta.)

"Mas, de onde é que vais buscar ideias tão estúpidas?" - "Vou ignorar-te! Deixa-me comer em paz..." Disse-lhe enquanto segurava os talheres.
Ele: Não desconverses...
Eu: Ricardo, eu também vi uma data de mensagens estranhas no teu telemóvel, e nem por isso desatei a tirar um monte de conclusões e a fazer-te perguntas desnecessárias!
Ele permaneceu nervoso e tenso, olhou para mim e disse: "Se já aconteceu algo entre vocês, é bom que me digas agora, porque se eu descobrir por outras pessoas, não será nada bonito..."

(Nessa altura, eu perdi completamente o apetite.) pousei os talheres, senti os meus olhos ficarem encharcados, eu só pensava: Não chores, Nera, não chores...
Era frustrante vê-lo a magoar-me cegamente, com palavras duras e injustas, por causa de um motivo totalmente descabido.
Desviei o meu olhar do dele e disse: "Estás a ser muito mau comigo... Estás a magoar-me."

Ele pereceu-me cair em si, mas ainda parecia nervoso. Levantou-se da mesa e num impulso veio na minha direção, puxou a minha cadeira para trás, agachou-se e abraçou-me, bem forte: "Desculpa, Nerine. Mil desculpas, não sei o quê que me deu. Estou só muito inseguro, eu admito. Tenho muito medo de te perder, eu não posso perder-te por nada nesse mundo." - Disse ele com a voz trêmula e atordoada...

Naquele momento ele parecia mais frágil do que eu, mas ainda assim, eu continuava sem entender o porquê da atitude dele.
Afastei-o ligeiramente, ele pôs-se de joelhos, olhei nos seus olhos e perguntei-lhe: Porquê que não confias em mim?
Ele abaixou a cabeça e disse: Eu confio! Eu sei que tu nunca tiveste nada com este rapaz... Não sei o que me deu, desculpa-me.
Eu: Eu desculpo, mas... Não me referi ao facto de estares com ciúmes do Kevin. Tu não confias em mim o suficiente para te abrires comigo. Eu sei que temes dizer-me algo que te está a sufocar, só não sei porquê que não desabafas comigo.

- Saí da cadeira e fiquei de joelhos também, na frente dele. Ele pôs as mãos no meu rosto e disse: "Eu tenho medo que tu não queiras mais saber de mim, assim que eu te contar. Não me peças para contar-te isso, por favor (abraçou-me) não me sinto preparado.. Para ficar sem ti."
Retribuí o abraço, pus os meus braços à volta dos ombros dele, dei-lhe um beijinho na testa e disse-lhe: Eu vou dar-te o meu apoio, confia em mim, não tenhas medo!

Ele sentou-se no chão e reparei que ficava cada vez mais fragilizado, era como se todo o meu consolo funcionasse para levá-lo mais abaixo em vez de confortá-lo.
Sentei-me também e voltei a abraçá-lo: "Não chores, amor!" Disse-lhe com o coração partido ao vê-lo naquele estado. - Não precisas de falar sobre isso hoje, ok?! Falaremos só quando te sentires pronto.
Ele deu um suspiro profundo... Saiu do meu abraço, limpou as lágrimas e acenou com a cabeça "que sim"!

(Naquele momento eu estava muito preocupada... Sentia-me impotente, queria ajudá-lo mais do que tudo mas ele não me deixava, por achar que entre nós ele era o único que tinha medo de perder o outro... Mal sabia ele o quão enganado estava.)

Estendi-lhe a mão e disse: Vamos acabar de comer, ta ?!
Ele sorriu e concordou... Levantou-se e deu-me a mão, para que eu me levantasse.
Voltamos para a mesa e ele sentou-se bem do meu lado... Acabamos de comer e fomos para a cozinha lavar a louça...
Enquanto lavávamos a louça, eu reparei que ele olhava para mim como se estivesse prestes a contar-me algo mas por alguma razão, recuava sempre.
Preferi não insistir e deixar que ele se abrisse ao seu tempo....

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