Witness || Muke

By mukeaway

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"Olá senhor Hemmings, eu sou o agente Michael Clifford, e estou aqui para proteger o senhor custe o que custa... More

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Hiatus
Novidades!!

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By mukeaway

 Michael se remexeu de um lado para o outro na cama, nunca tinha dormido tão bem, na verdade já fazia um tempo que deixara de dormir, passava as noites acordado pensando sobre o caso e em Luke com medo de que o seu envolvimento com o garoto atrapalhasse no seu desenvolvimento, mas agora tudo parecia bem, tudo parecia certo. E pela primeira vez ele pode deitar a cabeça no travesseiro sem preocupações, e o melhor, com Luke ao seu lado.

O moreno se virou na cama, dando agora por falta do calor do corpo de Luke que deveria estar ali. Lentamente abriu os olhos, se acostumando com a fraca claridade que invadia o quarto, olhou para o lado oposto da cama onde o loiro deveria estar deitado, mas nada.

Não era costume de Luke acordar cedo, se bem que Michael nem fazia ideia de que horas eram puxando o relógio de pulso que havia colocado na cabeceira. Olhou o horário, ainda era cedo, não muito, mas para o loiro era cedo. Luke costumava acordar na hora do almoço. Estranho.

Michael se levantou, vestindo sua camisa social azul, arrumou a gravata e pegou o paletó que estava em cima da cadeira. Talvez Luke tivesse acordado cedo para preparar alguma coisa para comer, era uma boa explicação e a única que fazia sentido no momento.

O moreno desceu as escadas enquanto vestia as meias e o sapato, o que fora uma má ideia levando em conta que quase caira duas vezes. Aproveitou para checar a sala e ver se Luke estava lá, porem nada. Foi até a cozinha, se deparando com a mesma vazia, ok agora as coisas estavam realmente estranhas.

Clifford resolveu ir até o quintal, talvez o garoto estivesse tomando um ar fresco ou decidido nadar um pouco, qualquer coisa. O coração de Michael já batia rápido, por Deus que Luke não tivesse feito uma bobagem.

Nada no quintal.

Nessa altura o agente já estava quase arrancando os próprios cabelos. Onde Luke tinha se metido?

- As câmeras de segurança! – Michael falou para si mesmo, correndo para dentro da casa e subindo para um quarto que sempre ficava trancado, era onde ficavam as câmeras de segurança da casa.

Antes que Michael pudesse voltar a fita da câmera seu celular começou a tocar. Puxou o aparelho verificando na tela "Romanoff", qual a boa nova dessa vez?

- Clifford, venha agora para a agencia – o agente pode ouvir Romanoff falar do outro lado da linha, nem esperando Michael dizer alguma coisa.

- Mas eu estou ocupado agora...

- Agora, Clifford! – e o agente desligou.

Boa coisa não era e Michael sentia que tinha alguma coisa a ver com Luke. O agente passou as mãos nos fios negros desejando que o loiro estivesse escondido em algum canto da casa, mas ele sabia que não.

- Eu não acredito que ele fez isso – Michael falou para si mesmo tendo a certeza que Luke tinha ido atrás do amigo – Ele prometeu...

O coração de Michael estava apertado dentro de seu peito, estava tomado por preocupação e medo. Esperava que o amado estivesse na casa de Ashton ou de Calum são e salvo e que seu coração estivesse preocupado a toa, mas era difícil.

"Porque você tinha que fazer isso Luke?"

-x-


O carro de Michael parou na frente da agencia cantando pneu, o agente tinha praticamente voado até o local infringindo muitas leis de trânsito durante o caminho pouco se importando, estava mais preocupado em saber de Luke. Esperava e torcia com todo o coração de que o seu loiro estivesse na agencia junto com Romanoff sã e salvo.

Michael colocou os óculos de sol que estavam na porta luvas, não queria ninguém lhe parando durante o caminho como sempre acontecia. Saiu do carro apressado, apresentando o distintivo no leitor indo a passos largos para o elevador recebendo alguns olhares, era sempre assim, o seu tempo na agencia e a reputação que ele tinha causavam esses olhares, Michael era um verdadeiro mistério para quem não conhecia o garoto.

- Dia, agente Clifford – uma mulher falou quando Michael entrou no elevador, a qual o agente não fez questão de responder fitando a porta em silencio. Só tinha uma coisa que se passava nos pensamentos de Michael e o que realmente importava. Não uma coisa, mas uma pessoa. Luke Hemmings.

O agente engoliu pensando no seu protegido, estava rezando com todas as forças para que o garoto estivesse naquele prédio ou que Romanoff desse uma boa noticia dizendo que Luke estava salvo em algum lugar e que os piores pensamentos de Michael estivessem errados.

"Eu não vou aguentar. Isso não pode estar acontecendo de novo, por favor, Luke. Eu não vou suportar falhar mais uma vez."

Antes que Michael pudesse desabar dentro daquele elevador a porta finalmente se abriu no andar que ele queria, nem esperando a mesma abrir completamente e saindo apressado. O agente estava afobado e um pouco ofegante, os cabelos mais rebeldes do que nunca o que faziam as pessoas olharem para ele preocupadas. Michael não estava com as melhores das aparências e pouco se importava para isso.

Foi andando até a porta da sala do agente Romanoff, entrando na mesma sem bater sentindo seu coração quase saltar de seu peito pedindo para se deparar com a única pessoa que ele queria ver no momento.

Mas não foi isso que ele encontrou.

Romanoff estava sozinho na sala, apoiado na mesa de trabalho com uma expressão séria e pensativa, se assustando com a entrada repentina de Michael.

Se Luke não estava ali então onde ele poderia estar? Será que Romanoff sabia do paradeiro do garoto?

- Não Michael, o Hemmings não está comigo – o agente falou como se estivesse lendo os pensamentos do rapaz – E eu sinto muito, mas também não fazemos ideia de onde ele esta.

- Como assim vocês não fazem ideia?! – Michael falou irritado, tirando os óculos escuros e jogando em cima da mesa parando de frente para o agente – Vocês são completos inúteis!

- A responsabilidade de cuidar do garoto dentro da casa era sua Clifford, não venha falar nesse tom comigo como se a culpa fosse minha! Onde você estava quando o garoto sumiu? Hein?

- E-eu – e o agente tinha razão, a única pessoa ali culpada do desaparecimento de Luke era ele e isso ele não podia negar sentindo seu coração se apertar cada vez mais dentro de seu peito.

- Eu sabia que isso ia acontecer... Eu devia ter te tirado do caso assim que vi o envolvimento de vocês dois, sabia que isso iria acontecer de novo... Você não aprendeu nada com o Troye? Achei que aquilo tivesse aberto seus olhos, só espero que Joseph não tenha feito à mesma coisa em Luke que fez com Troye.

- Não fale dele... – Michael falou em um sussurro sentindo todo seu corpo tremer. Todo esse tempo com Luke tinha se esquecido completamente de Troye e do que havia acontecido e agora aquelas lembranças o atingiam em cheio como um tiro, se bem que o tiro teria sido melhor do que relembrar.

- Eu só estou dizendo que não quero que o que aconteceu com o Troye se repita e-

- NÃO FALE DELE! VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO ROMANOFF. – o agente gritava sentindo cada parte de seu corpo tremer e as lágrimas escorrerem por seu rosto – Você tem mais culpa do que eu Romanoff.

- Eu não sabia que essa historia ainda mexia tanto com você Michael... – o agente falou visivelmente preocupado, olhando com pena para o agente. Michael tinha dado as costas para Romanoff e agora estava apoiado na parede chorando de soluçar e o agente não sabia o que fazer, não fazia ideia de que a morte de Troye ainda mexia tanto com o garoto.

- Nunca mais fale dele, nunca mais. – Michael limpou o rosto com as costas da mão, respirando fundo como se nada tivesse acontecido e se virando para Romanoff que ainda estava com um semblante de preocupação no rosto – Luke não é e nunca será como o Troye e o que aconteceu com ele nunca mais vai se repetir enquanto eu continuar vivo.

- Você está realmente gostando dele... – Romanoff falou mais para si mesmo do que para Michael – A historia esta se repetindo, por Deus, não posso acreditar nisso. Eu sabia que devia ter te tirado do caso Elliot desde que Troye morreu, eu errei de novo com você Clifford.

- Isso não tem nada a ver! E chega desse assunto, chega! – Michael bateu a mão com toda a força possível na mesa em que Romanoff estava sentado, o agente respirava ofegante como se a qualquer momento fosse precisar de uma bomba de oxigênio – Se você não vai fazer nada para procurar Luke não sou eu que vou ficar aqui sentado o dia inteiro esperando alguma merda acontecer.

- A culpa não foi minha Clifford, você só está fazendo seu trabalho e é bom que ache logo o garoto, se não serei obrigado a te tirar do caso e não falta muito pra isso acontecer.

- Eu já entendi Romanoff, não precisa jogar mais culpa sobre meus ombros, eu já tenho o suficiente e a dor de não saber como Luke esta já é torturante o bastante para mim.

- Só um minuto, me espere aqui! – Romanoff falou verificando seu celular e saindo apressado da sala deixando um Michael confuso para trás.

"Eu só espero que você esteja bem, só isso."

Michael encostou-se a mesa assim como Romanoff estava até alguns minutos atrás, cruzando os braços sobre o peito como sempre fazia batendo o pé nervosamente.

E esperou.

Esperou.

Esperou.

Quando já estava quase desistindo e resolvendo sair daquela sala para finalmente procurar Luke, o agente mais velho entrou na sala com um semblante de que não trazia noticias boas. Olhou para Michael piorando ainda mais a expressão, forçando um sorriso o que só irritou ainda mais o garoto.

- Posso ir agora?! – Michael falou impaciente.

- Michael... – o agente respirou fundo como se estivesse escolhendo as palavras certas – Acharam Luke e bom... Acho melhor você mesmo ver o que aconteceu, já levaram ele para a casa e esta sobre cuidados médicos e por segurança não levaram ele para o hospital, por mais que ele precisasse muito...

- O que?! Romanoff o que aconteceu com Luke? Onde ele estava?! – era como se o coração de Michael fosse explodir dentro de seu peito a qualquer momento e o sentimento de culpa e preocupação o corroendo em cada parte de seu corpo, se odiando cada vez mais só de pensar no que poderia ter acontecido com seu protegido. – Por Deus, me responda!

- Eu acho melhor você mesmo ver, eu te levo até lá você não está em condições de dirigir.

E Michael realmente não estava se fosse pegar o carro provavelmente causaria um acidente do jeito que todo seu corpo reagia àquela informação, seu pensamento era todo em Luke e nada mais.

-x-


Michael mal esperou o carro parar, já descendo do mesmo assim que já estava na frente da casa. Assim que entrou se deparou com uma ambulância parada no jardim, seu coração parou por um momento. Luke.

O agente correu até a sala se deparando com dois enfermeiro subindo as escadas, Michael praticamente os empurrou para o lado subindo os degraus tropeçando nos próprios pés. Luke deveria estar no quarto. O rapaz não sabia se tinha coragem de ver como o garoto estava, não sabia se poderia aguentar o peso da culpa, mas a preocupação era maior.

E o agente entrou no quarto.

Seu coração se despedaçou em mil pedaços com a cena que estava vendo.

Era pior do que tudo que ele podia imaginar.

Culpa.

Luke estava deitado na cama, estava sem camisa com uma faixa cobrindo toda sua barriga a mesma estava com algumas manchas de sangue e haviam muitos hematomas pelo peito do garoto e conforme Michael subia o olhar a cena piorava. O rosto do garoto estava completamente inchado, seu nariz estava com muitos curativos e ele estava cheio de hematomas pelo rosto, com alguns cortes e seu lábio estava cortado e inchado, era uma cena de partir o coração. O loiro ainda respirava com um pouco de dificuldade com os lábios entre abertos.

E Michael sabia quem tinha feito aquilo.

Joseph.

O agente sentiu seu sangue ferver, cerrando os punhos e se controlando para não sair daquele quarto e ir até Joseph metendo uma bala bem no meio de sua testa. Se ele pelo menos soubesse aonde ele estava...

Michael saiu completamente de seus pensamentos quando ouviu o seu protegido gemendo de dor, abrindo os olhos lentamente olhando de um lado para o outro. O agente não sabia se devia se aproximar ou não, esperando que o médico fizesse o trabalho dele junto com os enfermeiros que entraram com alguns medicamentos e mais curativos.

- Ei, meu nome é doutor Hodge e eu estou cuidando dos seus ferimentos, você já está em casa e a salvo. – o médico falou cuidadoso para Luke que o olhava sem entender nada enquanto Michael observava de longe – Eu tenho que limpar os cortes na barriga, eles estão bem feios então o senhor vai precisar tomar muito cuidado, ok? – Luke assentiu com a cabeça ainda meio atordoado, estava um grande hematoma na testa provavelmente levou uma forte pancada naquela região – Vai arder um pouco.

O medico pegou uma tesoura de cima da bandeja que um dos enfermeiros segurava, começando a cortar a faixa que cobria a barriga de Luke retirando a mesma com cuidado enquanto o garoto resmungava de dor. Michael teve que cobrir a boca para não deixar nenhum som escapar quando viu os cortes na barriga de Luke, eram cortes profundos e que estavam com uma aparência horrível, eram muitos cortes e não seguiam um desenho sendo feitos aleatoriamente deixando a cena ainda mais horrível e dolorosa. O coração de Michael se apertou e o mesmo sentiu seu estomago doer como se alguém o tivesse socado ali, aquilo tudo era culpa do agente.

Michael tinha sido totalmente imprudente e anti-profissional, ele estava se envolvendo demais com Luke deixando todo aquele romance atrapalhar no seu desenvolvimento e trabalho como agente. Ele não podia deixar aquilo acontecer de novo.

Não podia deixar que o mesmo que aconteceu com Troye acontecesse com Luke.

- C-como isso arde – Luke falou com a voz extremamente fraca e rouca em seguida gemendo de dor enquanto o Dr. Hodge passava alguma coisa nos cortes.

Michael não aguentava mais ver aquilo, seu coração não aguentava mais. O agente saiu do quarto se deparando com o agente Romanoff no corredor, ele estava com um semblante sério no rosto.

- Foi Elliot né? Não precisa me dar uma bronca e nem um sermão, o que eu vi lá dentro já basta pra me fazer mal. – Michael falou enfiando as mãos no bolso engolindo a seco.

- Michael – Romanoff chamou a atenção do agente fazendo o mesmo o olhar – Mataram a mãe dele.

- O que?! Não... – era visível o quanto Michael já estava atordoado com toda aquela historia, mas naquele momento, parecia que o chão do rapaz havia sumido. Ele olhava de um lado para o outro totalmente desorientado se odiando completamente.

- Aquele garoto já sofreu demais por um dia, mas acho que você sabe o que precisa fazer não é? – e Michael sabia exatamente o que deveria fazer.

- Talvez eu devesse esperar ele se recuperar, ele já está muito mal Romanoff.

- Michael... Não se deixe envolver ainda mais e criar sentimentos mais fortes pelo garoto, ele é só uma testemunha, só mais um caso. Lembre-se do que aconteceu com o-

- Tudo bem Romanoff, eu farei isso ainda hoje.

-x-


Michael ficou do lado de fora o tempo todo enquanto os médicos e enfermeiros tratavam de Luke, só podia ouvir os gemidos e resmungos do garoto durante o dia. Pelo menos ele estava melhorando, a única coisa que deveria tomar cuidado eram com os cortes na barriga que pareciam estar infeccionados já que Luke foi abandonado no meio do nada sem camisa alguma coisa deve ter contaminado os cortes e agora era a parte mais complicada. O nariz de Luke também estava quebrado assim como duas costelas, era questão de tempo para se recuperar.

O garoto perguntara de Michael umas mil vezes e cada vez que o agente ouvia seu nome sendo pronunciado pelo o garoto seu coração falhava, sua respiração ficava descompassada e ele já começava a suar frio. Ele não queria ter que terminar tudo com Luke, por mais que não tivessem alguma coisa realmente, ele tinha que fazer aquilo pelo bem do garoto. Michael gostava demais de Luke para deixar alguma coisa acontecer novamente com ele e se isso voltasse a acontecer o agente nunca conseguiria se perdoar, se bem que nem naquele momento ele conseguia se perdoar.

Ainda não entendia como podia ter pisado tanto na bola, não deveria ter liberado os agentes para a busca do menino Irwin e nem ter dormido, ele nunca havia dado tanta brecha... Nem mesmo com Troye...

E era isso que ele não poderia deixar acontecer. Não podia deixar aquele mesmo erro se repetir, não aguentaria perder mais uma vida, mais uma pessoa que amava para as loucuras de Joseph.

- Agente Clifford? – o doutor Hodge falou aparecendo ao lado de Michael, segurava uma pequena maleta de trabalho e estava com algumas manchas de sangue pelo jaleco. O agente engoliu a seco só de imaginar o que acontecera naquela sala – O senhor Hemmings vai precisar de muito repouso, ele está com uma seria infecção nos cortes na barriga em alguns tivemos que dar alguns pontos, mas nada que precise se preocupar. Um enfermeiro ficara encarregado da limpeza dos curativos, tanto dos da barriga quanto os do rosto e também com os antibióticos e analgésicos. Já informamos a agencia sobre a permanência de um enfermeiro aqui e se o senhor não se importar claro...

- Se ele precisa então por mim tudo bem, por quanto ele vai ter que ficar?

- Só alguns dias ou até a infecção ser tratada. Não temos muitas opções já que não nos deixaram leva-lo até o hospital, lá o tratamento seria bem mais rápido...

- Eu entendo... – Michael engoliu a seco novamente encarando as próprias mãos – Mais alguma observação?

- Evitar emoções muito fortes, ele não pode se estressar e nem fazer nenhum esforço por conta dos pontos e ele está bastante debilitado emocionalmente. Acabou de perder a mãe, mas parece que essa ficha ainda não caiu... É bem estranho – disse doutor Hodge com uma expressão de preocupação no rosto – Mas agora seria bom o senhor entrar lá e conversar um pouco com ele, ele perguntou bastante do senhor e acho que seria bom para ele te ver.

- Tu-tudo bem... – Michael falou um pouco desnorteado recebendo alguns tapinhas no ombro do médico que em seguida saiu do corredor descendo as escadas acompanhado dos dois enfermeiros.

"Chegou a hora"

Michael respirou fundo encarando a porta fechada do quarto de Luke, ele sabia que o garoto não podia passar por fortes emoções, mas ele tinha que fazer isso. Por mais que estivesse sendo um cretino e morrendo por dentro, era preciso.

Bateu duas vezes na porta meio receoso e desejando que o garoto estivesse dormindo para ter que voltar outra hora, mas ao mesmo tempo queria que ele estivesse acordado para acabar logo com aquilo. Era um conflito interno.

- Entre – Michael pode ouvir a voz de Luke respondendo, já estava bem mais firme de quando o agente tinha ouvido mais cedo, sentindo um pequeno alivio interno.

A porta foi sendo aberta lentamente por Michael que sentia seu coração batendo cada vez mais rápido em seu peito, se deparando com um Luke sorridente para ele. Foi o bastante para destruir tudo dentro de si, aquele sorriso era seu ponto fraco assim como os azuis intensos dos olhos do loiro, era demais para Michael.

Luke estava sentado na cama agora com uma aparência bem melhor, os hematomas e curativos ainda estavam lá, mas era visível o quanto o garoto estava melhor mesmo com todos aqueles machucados Hemmings ainda estava lindo aos olhos de Michael. "Nem pense nisso Clifford, foco."

Michael se sentou na beirada da cama ao lado de Luke, não sabia exatamente por onde começar e o loiro só sabia sorrir para o agente, deixando a situação cada vez pior.

- Como você está se sentindo? – foi à única coisa que o agente conseguiu dizer.

- Bem melhor agora – Luke disse rápido e sincero como uma facada no peito do moreno – Eu estava preocupado com você e que estivesse com ódio de mim por ter fugido daquele jeito para ir atrás do Ash e tudo mais...

- Era sobre isso que eu queria falar com você, Luke. – Michael fitava as próprias mãos, não conseguia encarar Luke e ver aqueles machucados tão de perto aquilo só aumentava a culpa dentro de si.

- Não precisa me dar um sermão, por favor, Michael. Acho que o que eu passei lá já foi o bastante e ver a minha mãe... – Luke parou respirando fundo piscando os olhos rapidamente segurando as lagrimas que estavam se formando – Eu já me sinto culpado o bastante, não preciso de mais culpa.

- É exatamente isso Luke e por favor, me deixe falar primeiro – Michael falou percebendo que o garoto ia falar – A culpa não foi sua, de jeito algum, foi minha! Eu que falhei na minha missão de te proteger, eu deixei meus sentimentos falarem por mim e acabei deixando isso atrapalhar no meu serviço e por isso que não podemos continuar com isso, com essa relação. Eu não posso perder outra pessoa de novo...

- Como assim? – Luke olhava confuso para Michael – Perder outra pessoa? Quem você perdeu? E Michael, isso não tem nada a ver! Foi culpa minha, você não pode fazer isso comigo principalmente agora que eu mais preciso de você!

- Eu... Eu... – o agente não sabia o que falar olhando para qualquer canto da sala que fosse procurando alguma saída – Eu nunca te contei sobre isso, mas... Teve um caso, o Troye, ele também era uma testemunha assim como você e ia depor contra o Elliot e eu tinha que protegê-lo assim como faço com você. Mas eu falhei, eu me envolvi demais com ele, eu amei Troye e ele me amou e Elliot descobriu. Um dia eu tive uma missão de ultima hora e deixei Troye sobre os cuidados de Romanoff, mas era tudo uma armadilha de Joseph e ele atraiu o Troye para o lugar que ele estava e também acabou me raptando... Ai ele sabia do meu caso com ele e matou o Troye a sangue frio na minha frente como um recado para mim – Michael sentia as lagrimas escorrendo por seu rosto e como cada palavra e cada lembrança o atingiam como laminas em brasas – E eu não posso deixar que a mesma coisa aconteça com você! Já estamos caçando Elliot há tanto tempo e parece uma caçada no escuro, ele sempre está um passo a frente e parece que nunca vamos pegá-lo... Eu não aguento mais isso, ele está lá na nossa cara, mas não conseguimos prende-lo. E por isso, por nossa incompetência eu não posso me envolver mais com você Luke, eu não quero que você acabe morrendo por um deslize meu.

*Flashback On*

Michael podia ouvir os gritos de agonia o cortando por dentro, era mais torturante do que tudo ele tinha passado até agora. Os gritos e chamados de Troye aumentavam toda a dor que ele estava sentindo e ele nada podia fazer. As lagrimas corriam por seu rosto sem parar, ele não conseguia ver já que seus olhos estavam tampados por uma venda, mas só o que ele ouvia já era o bastante.

- Michael! – mais um grito percorreu a espinha de Michael o matando por dentro. – Por favor Mike, faça eles pararem!

- Cala a boca – disse Joseph seguido de outro grito de dor de Troye, o agente não estava mais aguentando aquilo. Sentia-se tão impotente, tão inútil, tão... Ah! – Tirem logo essa venda do olho do nosso convidado mais lindo, eu quero ver os namorados se olhando quando eu fizer isso.

- Fizer o que?! – falou Michael em seguida recuperando a sua visão dando de cara com o amado de joelhos de frente para ele, estava com o rosto completamente desfigurado e cheio de sangue e seu corpo estava com marcas profundas de cortes e marcas de queimadura expondo a carne viva. – Por Deus Troye, o que fizeram com você?! – o coração de Michael já não batia mais, a culpa o consumia por dentro junto com o ódio que estava sentindo.

- Estraguei o lindo rostinho dele né? Me perdoe – Elliot falou sarcástico se aproximando dos dois parando ao lado de Troye e pegando no rosto ferido do mesmo causando alguns resmungos de dor – Isso que da você me trair, baby.

- Você é doente! – Michael gritou cuspindo na cara de Joseph – Me ouviu? Doente!

Joseph se afastou um pouco de Michael, indo para trás de Troye e limpando seu rosto com uma expressão de nojo e odio. Seus olhos estavam com um brilho aterrorizante e o sorriso no em seus lábios o davam um ar mais sarcástico, se é que aquilo era possível.

- M-Michael – Troye falou com a voz falha, o agente pode ver as lágrimas escorrendo dos lindos olhos azuis que tanto amava e admirava se perdendo nos lábios feridos do amado – Eu te amo!

- Já se despediram demais – Joseph falou sacando a arma que estava na cintura, Michael não teve nem tempo de reagir ouvindo o barulho do disparo do tiro que acertou em cheio o garoto que caiu no colo de Michael já sem vida.

*Flashback off*

- Mas... – Luke olhava para Michael confuso como se estivesse tentando entender o que o agente estava falando – Você me falou que não se relacionava com ninguém... Você nunca me falou desse tal de Troye, isso não faz o menor sentido.

- Porque eu enterrei isso dentro de mim tão fundo que nem mesmo eu lembrava, mas com os acontecimentos de ontem e hoje tudo isso veio à tona dentro de mim. Mas de qualquer forma Luke, isso tem que acabar aqui e agora, eu sinto muito – Michael se levantou limpando as ultimas lagrimas que ainda escorriam em seu rosto.

- Não! – Luke falou firme – Não vou deixar você terminar "tudo" por um erro meu, por uma simples paranoia sua!

- É pelo seu bem Luke, não torne isso mais difícil – Michael respirou fundo soltando o ar entre os dentes, aquilo estava o matando por dentro e Luke só fazia piorar. – Pela primeira vez eu tenho que agir como um agente do FBI e fazer o que é certo. Você sabe que isso não iria para frente de qualquer jeito...

- Eu não sou esse tal de Troye! E nunca vou ser, pare de viver do passado. – Luke falou firme sentindo as lagrimas começarem a escorrer por seu rosto.

- Ninguém será como o Troye e é exatamente por isso que eu estou fazendo isso tudo Luke, para que você nunca seja como ele!

- Não fale assim como se eu fosse morrer! – Luke já estava ficando exaltado e Michael podia perceber isso pelo tom de voz do garoto.

- Pare de complicar ainda mais as coisas, você não precisa fazer isso – Michael falou com a voz baixa e falhando um pouco, estava se segurando para não pegar Luke nos braços e beija-lo até não ter mais ar.

- Por favor, Michael, eu acabei de perder minha mãe já estou sofrendo o bastante e a única pessoa que pode me ajudar nesse momento é você – o agente se virou olhando para Luke que estava chorando dando a ultima facada em Michael que desejava não ter que ver aquela cena e cada lagrima que escorria dos olhos de Luke era mais uma faca entrando no peito do agente – eu me sentia morto dentro dessa casa e foi você que me deu uma razão, eu sei que faz pouco tempo, mas... Eu preciso de você Michael, eu- Luke respirou fundo limpando as lagrimas que escorriam sem parar – Eu gosto de você, eu realmente gosto de você. Foi você que me abriu os olhos e mostrou quem eu realmente sou. Eu trai minha namorada com você, um homem caralho.

- Mas eu não gosto de você Hemmings, você não entende né? Foi tudo um passatempo para mim, eu não queria ter que te falar a verdade, mas é isso e eu deixei me envolver demais em apenas uma brincadeira – Michael mentiu sentindo cada parte de seu corpo doer com essa mentira, Luke não era apenas um passatempo, nunca. O agente queria agarrar Luke nos braços e falar que também gostava do garoto, mas não podia – E eu não quero me envolver mais com você, eu estou aqui para proteger sua vida e é isso que eu vou fazer. Apenas o meu trabalho.

- Michael, você não ta fazendo mais sentido nenhum! – agora o tom de voz de Luke já estava elevado e o menino estava com o rosto completamente vermelho – Por Deus, pare de mentir para mim e para de estragar tudo! Nós estávamos tão bem...

- Eu não vou mais discutir isso com você Hemmings. Eu vou voltar para minha posição de agente do FBI e você para sua posição de testemunha, sem mais nenhum afeto ou qualquer coisa do tipo. Entenda que o que quer que tínhamos acabou – Michael não esperou a resposta de Luke saindo em passos largos do quarto batendo a porta atrás de si, desabando assim que fechara a mesma. Todo seu coração doía, seu peito parecia que tinha levado mil facadas e que nunca iria se recuperar.

Ele não queria ter que terminar o que quer que tivesse com Luke, ele queria ficar com o loiro em seus braços e viver como se tudo fosse normal. Mas não era normal e sua vida nunca seria, as pessoas a sua volta sempre iriam sofrer se tivessem algum envolvimento com ele e ele não queria isso para Luke, ele merecia algo melhor.

-x-


Uma semana havia se passado.

A pior semana na vida de Michael.

Ele agora agia como deveria ter feito desde o inicio, fazia rondas pela casa, observava Luke de longe e fazia seu turno na porta do quarto do garoto quando ele estava dormindo. Michael mal dormia, mesmo que quisesse ele não conseguia.

Nos primeiros dias pode ouvir Luke chorando no quarto e o acompanhou nas lagrimas, sentindo falta do calor do corpo do loiro contra o seu, dos lábios, do gosto de Luke, de olhar no fundo daqueles olhos azuis...

Luke nem mesmo olhava na cara do agente, sempre ignorava a presença do mesmo como se ele nem estivesse lá. Ashton e Calum passaram na casa e quando Michael foi avisar Luke da visita dos dois, o garoto nem fez questão de olhar para o agente, passando reto e indo direto para o portão ver os amigos. Mas Michael não o culpava, o loiro estava totalmente certo e deveria até trata-lo pior.

E agora o menor estava sentado no sofá, já estava bem melhor assim como suas feridas e hematomas. A maioria já havia sumido e ele já podia andar de um lado para o outro sem sentir dor, a infecção já estava controlada e havia um dia que o enfermeiro havia ido embora. Agora era da conta de Michael passar os remédios nos ferimentos e era a pior parte do dia, o agente torcia para aquele momento demorar a chegar para não ter que ver o ódio e raiva no olhar de Luke quando olhava para ele, era torturante.

Michael observava o garoto de longe, no canto da sala o admirando a distancia. Era o máximo que podia fazer e a única coisa.

- Agente Clifford, temos uma visita aqui na porta – outro agente disse no ponto que ficava ligado ao ouvido do agente.

O moreno saiu da sala indo até o portão em passos largos, deveria ser mais algum amigo de Luke como sempre, já estava acostumado e agora tinha que barrar as visitas.

Quando chegou ao portão se deparou com uma cena incomum. Havia uma garota de cabelos negros e compridos ali, o agente nunca a tinha visto mas seu rosto lhe era familiar.

Alex.

O agente se lembrou da moça na ficha de Luke. Era a tão famosa namorada do garoto, que ótimo.

- Eu vim aqui ver o meu namorado! – a garota falou impaciente – Soube que a mãe dele morreu e o pai dele me deu a permissão de vir aqui, então vocês podem parar de graça e me deixarem entrar.

- Por Deus, como esse pessoalzinho consegue o endereço daqui?! Achei que era pra ser um lugar secreto – Michael falou mais para si mesmo do que para os outros ficando irritado pela simples presença da menina ali – Entra logo.

Michael não fez muita questão de barrar a menina, talvez a visita dela fosse fazer bem para o namoradinho gay. O agente acompanhou a garota até a sala a qual a mesma entrou aos gritos chamando o nome de Luke.

- Alex! – Luke se levantou em um pulo indo em direção a garota em passos lentos a abraçando a mesma com força – Como eu estava com saudades de você, meu amor.

"Não foi isso que pareceu quando você gemia meu nome enquanto eu comia a sua bunda" Michael pensou vendo aquela cena nojenta.

- Eu também, bebê! Eu vim correndo de Londres quando seu pai me ligou contando o que aconteceu com a sua mãe! Como você esta? – a garota falou fazendo caricias no cabelo de Luke descendo para o rosto e parando a mão ali enquanto beijava o rosto do mesmo.

- Estou melhorando, principalmente agora com você aqui – Luke puxou a garota selando seus lábios em um beijo caloroso. O agente sentiu seu peito sendo esmagado contra seu corpo e uma forte pancada no estomago, virando o rosto para o lado para não ter que ver aquilo – Acho melhor subirmos para termos um pouco de privacidade.

O casal se separou dando as mãos e passando na frente de Michael enquanto iam para as escadas indo a caminho do quarto. O moreno respirou fundo pelo nariz soltando o ar pela boca tentando manter a calma e contando até dez enquanto subia a mesma escada acompanhando os dois sentindo o coração se apertar em cada passo.

Luke entrou no quarto aos beijos com Alex, batendo a porta com força. Michael foi em passos lentos até o lado da porta aonde era seu posto, teria que ficar ali até os dois resolverem sair, já imaginando o que iriam fazer, mas rezando para que só fossem colocar o papo em dia e mais nada.

"Eu não tenho que ouvir isso, por favor, não."

Michael nem teve tempo de fazer seus pedidos aos deuses, pois logo os barulhos de gemidos foram ouvidos ecoando por toda a casa como uma orquestra.

O agente sentiu seu coração ser pisado e esmagado sem dó nem piedade. Colocando as mãos sobre os ouvidos para não ter que ouvir aquilo, caindo ao chão se apoiando na parede e fechando os olhos cantando uma musica do MCR internamente.

Aquilo era demais para ele.

Por mais que tivesse sido um cretino não tinha que ser obrigado a ouvir aquilo, por Deus não.

- Ah Lukeeey – Alex gemeu alto fazendo o estomago de Michael se embrulhar.

O agente nem percebeu quando as lagrimas começaram a escorrer por seu rosto, a dor que sentia dentro de seu peito tinha que ser aliviada de algum jeito se não ele iria acabar explodindo.

Luke não podia ser tão carrasco a esse ponto de transar com a menina para Michael ouvir, não podia ser isso. O moreno achava que o garoto não tivesse mais nenhum sentimento por ela, mas pelo visto estava errado. Quem na verdade nunca passou de um passatempo era ele, o garoto só estava usando o agente esse tempo todo para se aliviar de alguma forma.

E agora a única coisa que Michael podia sentir era dor. Apenas dor.

Tinha sido tão patético esse tempo todo. Não podia acreditar que o garoto realmente tivesse sentido alguma coisa por ele, era estúpido demais.

"Você é e sempre será só mais um na vida das pessoas."

E as lagrimas não paravam de escorrer pela pele pálida do agente que sentia o gosto salgado das lagrimas em seus lábios. Era como se mil facas estivessem passando por seu corpo tamanha a dor que sentia.

E um tiro tivesse sido disparado direto em seu peito.

Mas ele preferia que tivesse sido um tiro.

Qualquer coisa era melhor do que ter que presenciar aquele momento.

"Você é patético."

Michael apertou ainda mais as mãos contra os ouvidos como se estivesse tentando tampar os próprios pensamentos que o estavam perseguindo junto com os gemidos contínuos que vinham do quarto.

Não acreditava em como pode realmente gostar de Luke e ter sido tão idiota, mas ele estava fazendo a coisa certa, por mais que doesse.

E o pior, ele ainda gostava de Luke e talvez mais do que antes.


-x-


Oi gente! Como vocês estão? QUASE 760 VIEWS WHAAAAT!!! Vocês não conseguem imaginar a minha alegria a ver esse número aumentando, e eu espero do fundo do meu coração que continue assim. You all been amazing so far <3 Vou postar um anunciado na minha nova fic Wild, se você ainda não leu, dá uma checada nela! Então se vocês puderem ver e responderem meu anúncio através de votos eu agradeço... Enfim, vocês vão saber o que é quando eu postar. Até a próxima gente!! Xo'a


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