Acordei sobressaltada,tive um pesadelo horrível. Sentei na cama e pus a mão da testa,estava suando muito.Olhei para o relógio do celular e eram 05:48 da manhã. Não me lembro de ter pesadelos,nem quando eu era criança. Levantei e fui até o meu banheiro. Lavei bem o meu rosto e voltei para a cama.Me deitei e fiquei olhando para as estrelas de adesivo brilhante colado no meu teto.Acabei por dormir de novo.Acordei já eram 8:00,levantei e fui ao banheiro tomar um banho e me arrumar.Coloquei um short jeans claro e uma blusa de listras brancas e vermelhas.Deixei meu cabelo solto para que ele secasse naturalmente. Fui até o quarto do Lucas e o mesmo já tinha saído.Lucas trabalha na empresa do papai durante o dia e estuda a noite.Clarice estava toda esparramada na cama,mas ela tinha que levantar e fazer o exercício de casa.
Me sentei na beira da cama e acareciei seus caracóis cor de mel e a chamei calmamente.
Eu:Filhinha,já são 09:30,vamos acordar.-ela se remexeu e virou o rosto.-Amor você tem dever de casa.
Clarice:Mamãe eu não estou me sentindo muito bem.-reamungou virando para mim.
Eu:O que você tem?
Clarice: Minha cabeça dói muito e estou muito enjoada.-disse se sentando na cama.
Eu:Deixe- me ver.- ela estava febril.
Clarice nunca foi uma criança de ficar doente.Raramente pegava um resfriado,mas também quando adoecia,era motivo para ir para hospital e tudo.Mas isso só aconteceu três vezes em oito anos.Ainda bem.
Clarice:Mamãe eu...-não deu nem tempo de terminar a frase,vomitou tudo ali mesmo.
Eu:Calma,calma.-A segurei em meus braços e chamei minha mãe.
Mamãe não demorou muito e apareceu no quarto do Lucas.Ela olhou espantada para a Clarice,que estava branca igual a papel.
Eu:Mãe fica com ela por favor.Eu vou limpar essa bagunça e vou lugar para a pediatra dela.-disse entregando a Clarice para a minha mãe.
Daniela:Vem meu bem.Vamos tomar um banho.-disse pegando ela no colo e a levando dali.
Eu desci as escadas e fui até a área de serviço. Diana(auxiliar da família, a muitos anos) estava na cozinha preparando o café da manhã , quando me viu sorriu e me cumprimentou.
Diana:Bom dia Agtha.-disse sorrindo , enquanto coava o café.
Eu:Oi Diana.Quase não te vejo mais.-disse pegando o pano de chão.
Diana:Pois é. O que houve?-disse apontando para o pano.
Eu:Clarice passou mal e eu vou limpar.
Diana:Deixa,eu limpo. Vai ficar com ela.-disse pegando o pano da minha mão.
Eu:Que isso, eu limpo. Mamãe está com ela.
Diana:Não discuta.Vai ficar com ela.
Eu:Obrigada Diana.-disse sorrindo e indo lá para cima.
Minha mãe já tinha acabado de dar banho nela, e a mesma se encontrava dormindo.
Eu:Obrigada mãe.-disse me sentando ao seu lado na cama.-Cadê as crianças?
Daniela:Lucas foi para a empresa, Valentina está na escola e o Felipe foi para a empresa com seu pai e seu irmão.
Eu:Para a empresa?
Daniela:É,hoje é o dia de visitar o trabalho do papai e levar um desenho para a professora.-diz acariciando os cabelos da Lice.
Eu:Ah sim.Acredita que ela dormiu com o Lucas.Foi dar um beijo de boa noite e acabou dormindo.-digo rindo.
Daniela: O Lucas gosta muito da Clarice.Não sei porque, mas não tem um dia que ele não fale dela.
Eu:Ela também ama muito ele.Estou preocupada mãe.-disse suspirando.
Daniela:Minha filha, você tem que tomar um rumo.Você vai casar...- a interrompi.
Eu:Não sei se vou mãe. Esse ciúme do Gabriel. Ele nunca fez isso,agora que eu preciso dele,ele vem e fala um monte de besteira,um monte de grosseria.Não sei se esse é o homem para quem eu escolhi casar.-disse limpando algumas rebeldes lágrimas.
Daniela:Oh minha filha.Ele está com medo de perder vocês duas.-disse olhando para a Clarice.-Ele as ama muito.Mas se ele estiver passando dos limites conversa com ele.
Eu:Eu tento,mas ele só quer discutir e brigar.Por isso que eu vim para cá. E ele nem se dignou a falar qualquer coisa.
Daniela:Ele está sendo um idiota.Mas vai voltar atrás e te pedir desculpa.Você vai ver.Mas aconteça o que acontecer vou estar com você.Sempre.-diz me abraçando e me dando um beijo.
Eu:Ai mãe como eu te amo.Amo muito mesmo.-digo apertando mais ela.
Daniela:Também te amo bonequinha. Vamos tomar café, por que eu vou trabalhar e a senhorita ligar para o pediatra.
Descemos e fomos tomar café juntas. Conversamos bastante e depois ela foi para o trabalho.Eu liguei para a pediatra da Clarice e ela me disse que isso pode ser uma virose.Mas se não melhorar é para levar na emergência. Já eram 12:13 e a Clarice ainda dormia.Achei melhor ela descansar bastante mesmo.
Estava na sala vendo televisão quando a valentina chegou,irritada diga-se de passagem.
Eu:Oi Vale.O que aconteceu?-perguntei ne ajeitando no sofá.
Valentina:Eu o odeio.Odeio com todas as minhas forças.-disse jogando a mochila no sofá.
Eu:Odeia quem?
Valentina:O Rafael.Ele é ridículo.
Eu: E quem ele é? Seu amigo?-perguntei desligando a TV.
Valentina:Não mais.Não quero nunca mais vê-lo.-disse chorando.
Eu:Vale você só tem 12 anos,não diga uma coisa dessas.O que ele te fez?
Valentina: Ele gosta da senhora perfeitinh, a loira de olhos azuis a toda linda Catarina.-disse gesticulando com as mãos.
Eu:Ah então isso tudo é ciúmes.Você gosta dele não é?-digo a chamando para se sentar no meu colo.
Valentina: Gostava.Do verbo não gosto mais.-disse cruzando os braços
Eu:Vale,você é tão linda. Você é ruiva de olhos azuis.Me diz quantas meninas ruivas você conhece?
Ela parou,pensou e depois sorriu de lado negando com a cabeça.
Eu:Viu? É uma questão de tempo, quando ele vê que perdeu a ruiva mais linda do mundo,ele vai voltar a falar com você.
Valentina:Obrigada Agtha.-disse me abraçando.-Cadê a Lice?
Eu:Lice está doente,tá lá em cima dormindo.Daqui a pouco ela acorda e você fica lá com ela.
Valetina:Okay.Vou tomar um banho para almoçar.
Eu:Ah Valentina... Quem te trouxe?-perguntei da sala.
Velentina:O papai, mas ele não vai vir agora,só depois. Ele disse que vai levar o Felipe na escola e depois volta.
Eu:Obrigada.
Ainda fiquei um tempo na sala,até ir lá em cima ver a Clarice.Cheguei e ela estava despertando.
Eu:Oi amor.-disse me sentando ao seu lado.
Clarice: Oi mamãe.-disse fazendo uma careta.
Eu:O que foi?
Clarice:Está doendo aqui.-ela apontou para a barriga.
Eu:Vou te dar um remédio,para.dor e febre.Mas antes você precisa comer alguma coisa.-ela me olhou e cobriu o rosto com o edredon.
Clarice:Não estou com fome.
Eu:Sem essa dona Clarice.Diana dez uma sopinha deliciosa para você. Vamos mamãe te leva no colo.
Ela descobriu o rosto e eu a peguei no colo.Descemos e ela comeu a sopa de legumes com muito esforço,mas comeu.Depois foi assistir televisão com a Valentina. Meu celular vibrou no meu bolso. Iara.
*Agtha,abre a porta...
*To na casa doa meus pais.
*Eu sei,abre logo a porta.
*Ai que coisa... Já vai.
Fui até a sala e abri a porta principal. Iara estava carregada de sacolas e quando me viu me agarrou, literalmente.
Iara:Saudades de você desmiolada.-disse pondo as sacolas no chão.
Eu:Eu também... quase não nos vemos.-disse fazendo bico.
Iara: Para com esse bico... Cadê minha afilhada?
Eu:Está vendo televisão. Ah cuidado que ela está doente.
Iara:O que ela tem?
Eu: A pediatra disse que é virose,mas sei lá...-fomos parana sala e as duas se agarraram que nem Deus separa.
Passamos a tarde conversando brincando, e matando as saudades. Iara e fazia falta,nossos horários nunca batiam.Mas fins de semana nós sempre nos encontravam,hoje foi uma excessão,porque era não trabalha e nem eu,então ela veio ver a afilhada.
Já eram 16:30 e a Clarice tinha dormido de novo,ela realmente não está legal.Nunca dorme o dia inteiro.
Eu:Estou preocupada com a Clarice, ela nunca dorme o dia inteiro.-disse mexendo nas unhas.
Iara:Qualquer coisa leva ela no hospital,eu te levo se for preciso.
Eu:Vou ver como ela está.-subi e fui no quarto ver como minha filhinha está.
Entrei no quarto e sentei na ponta da cama.Pus minha mão da sua testa e a febre parece ter voltado e com força total.Quando finalmente olhei seu rostinho ela estava chorando.
Eu:Clarice... O que houve filha?-perguntei descobrindo seu corpo e notando que ela estava encolhida e chorando muito.
Clarice:Mãe, está doendo muito.-disse chorando muito.
Eu: Calma meu amor.Mamãe vai te levar no hospital.-disse abrindo o armário e tirando um lençol.
Enrolei ela no lençol e a peguei no colo.Desci com ela e peguei minha bolsa.
Eu:Iara me leva na emergência por favor?-digo pegando minha bolsa e checando os documentos da Clarice.
Iara:Levo,vamos.
Saímos de casa e entramos no carro da Iara.Eu me sentei com a Clarice no banco traseiro e liguei para minha mãe. Queria poder estar calma,pela minha filha. Mas tudo o que eu to nesse momento é calma.
Ligação on...
Eu:Mãe?
Daniela: Oi filha. Tudo bem?
Eu:Mãe eu estou indo pro hospital com a Clarice,ela piorou muito.-disse suspirando.
Daniela:Ai meu Deus!Quem está te levando.-posso ouvi-la sussurrar algo do tipo"minha neta piorou,vou para casa".
Eu:Iara.Mãe estou com medo de ser alguma coisa grave.-disse contendo as lágrimas
Daniela:Não vai ser nada de mais.Vou te encontrar no hospital.
Eu:Tudo bem.Beijos.
Daniela:Beijos.
Ligação off...
Guardei o celular na bolsa.E fiquei esperando chegar no hospital.Clarice tinha apagado de novo e isso estava me preocupando muito.Chegamos bo hospital e estacionamos e eu sai do carro com a ajuda da Iara.Clarice acordou e começou a se remexer e a chorar de dor.
Eu:Amor,consegue andar?-disse pondo ela no chão.
Clarice:Não mamãe.Dói muito.-disse chorando mais ainda.
Eu:Pronto,pronto mamãe está aqui. Vai ficar tudo bem.
Seguimos para a parte de dentro do hospital.Estava aparentemente fazio mas as aparências enganam. Entreguei minha filha nos braços da minha melhor amiga e fui até a recepção preencher as malditas e famosas fichas.Não demorou muito e o nosso número foi chamado.Seguimos para uma sala que se encontrava um homem de meia idade,talvez uns 60 anos?!Não importa, ele nos mandou sentar e depois fez as famosas perguntas.
Gilberto:Boa tarde.
Iara/Eu:Boa tarde.
Gilberto: Então o que está acontecendo?
Contei todos os sintomas e não escondi nada.Ele pediu para eu deitar a Clarice na maca do consultório. Ela estava chorando muito e se contorcendo de dor.O médico ouviu os batimentos cardíacos e a respiração. Quando ele apalpou sua barriga ela começou a gritar e esperniar de dor.
Clarice: Mamãe, manda ele parar.
Eu:Shii... Vai ficar tudo bem.Ele está te examinando.-disse acareciando seus cabelos.
Depois que ele a examinou, voltou para a mesa e nos deu a resposta.
Gilberto:Bom, vou providenciar um quarto para sua filha.Ela tem que operar imediatamente.
Eu:O que?Operar?Por que? O que ela tem?- nesse momento meu sangue gelou, achei que ele fosse dizer que era uma simples virose,mais não
Gilberto:A vesícula dessa menina está comprometida.Não sei nem como ele está se aguentando. Se não a operármos logo,poderá ser fatal.
Eu:Ai meu Deus.-disse chorando.
Gilberto: A senhora tem que se acalmar, passar tranquilidade para ela.O meu amigo vai operá-la,ele é um ótimo cirurgião. Vai dar tudo certo.
Iara:E quando vai ser a cirurgia?
Gilberto:Se possível hoje mesmo.
Depois de conversar mais um pouco. Ele nos encaminhou para o quarto e lá colocaram soro e alguns remédios na veia da minha menina.Ela estava tão cansada que nem reclamou.Só quero dormir e ficar agarrada a mim.Minha mãe chegou logo e a Iara lhe contou tudo.Toda vez que eu começava eu caia no choro.O médico me disse que caso de vesícula nessa idade é 1 em 100.O não ajudou muito no meu estado.Clarice estava cada vez faz pálida e sua barriga inchada. Avisei ao Gabriel o que estava acontecendo e ele está vindo para cá. Nos resta esperar a chegada da pediatra dela,para começar a cirurgia.
Eu não sai de perto dela nem um minuto. De vez enquando ela acorda e chora de dor,mas a enfermeira vem e aplica um tipo de cedativo.Vê-la nesse estado me deixa tão mal.Eu queria estar no lugar dela,se alguma coisa acontecer com ela não sei se eu aguento.Preciso dela,preciso da minha filha.Ela é minha vida,no.momento em que ela nasceu o meu mundo de resume a ela.Morro e mato por ela.
Ouço batidas na porta do quarto, Iara e minha mãe levantam para abrir.Eu nem me dignei a levantar,só fiquei ali sentada e acareciando minha filhinha. Olho se canto de olho e vejo que é o Gabriel.Ele se senta do outro lado da cama e pega na outra mão da minha filha.Noto que ele está chorando , muito até. Agora tive a confirmação, o Gabriel ama verdadeiramente a Clarice.Já tive outras provas,mas nenhuma como essa.
Levantei minha cabeça lentamente e o olhei, o mesmo me olhava intensamente. Ele se levantou e veio até mim,se ajoelhou e sussurrou.
Gabriel:Me desculpe.Não queria isso.-disse chorando.
Eu:Não se culpe,você não foi responsável por isso.-digo acariciando os cabelos da Lice.
Gabriel:Vamos passar por isso,ela vai melhorar e nós vamos ser felizes.
Não falei nada porque não sabia o que falar.Eu só não achei apropriado dizer que não quero mais casar com ele,pelo menos não agora. Simplesmente sorri e lhe dei um beijo na testa.Ficamos um tempo ali com a Clarice ,até nela acordar.
Clarice: Mamãe.-disse baixinho.
Eu:Estou aqui meu amor,estou aqui.
Clarice: Papai?-disse abrindo mais os olhinhos.
Gabriel:Oi minha princesa.Papai está aqui com você.
Enquanto ele conversava com a Clarice, minha mãe me chamou e me disse que eu tinha que contar a ela que ela iria operar.Achei o certo também,afinal ela precisa ser forte.
Eu:Filha?! Deixa a mamãe te falar o que você tem.-disse me sentando na cama e pegando em sua mãozinha.-Amor você tem um problema muito sério em que um órgão.
Clarice:O que é órgão?-perfuntou curiosa.
Eu:É um amigo do cérebro que nos ajuda a viver.A vesícula ,que é esse órgão que deu probleminha,vai ter que ser tirada de dentro da sua barriga.Você vai operar e tirar essa vesícula.
Clarice: Isso dói?-perguntou chorosa.
Eu:Não amor,você toma uma anestesia e vai dormir.Ai quando você acordar a sua vesícula já não vai estar dentro de você.
Clarice:Eu vou morrer?-só de ouvir essas palavras meu corpo se arrepia todo.
Gabriel: Não amor,não vai não. Você vai ficar ótima
Uma batida na porta nos chama atenção. O doutor Gilberto junto com a pediatra da Clarice,entram e nos dizem que está na hora.
Gilberto:A mocinha acordou.Vamos lá?-disse de pé em frente a cama.
Clarice olhou para mim e.começou a chorar.
Clarice: A minha mãe vai comigo?-perguntou chorando e agarrada ao meu braço.
O medico me olhou a espera que eu respondesse sua pergunta.
Eu:Amor,mamãe não pode entrar,só quem é médico que pode.Mas eu estou aqui no quarto esperando você. E assim que você melhorar nós vamos comer muito chocolate. Está bem?-perguntei chorando.
Clarice: Tá bem.Eu te amo mamãe.
Eu:Você não sabe o tamanho do meu amor por você. Mamãe vai estar sempre com você. Eu te amo muito mesmo.-disse espalhando beijos por sua bochecha.
Ela acentiu e se despediu de todos e foi para a sala de cirurgia.Meu coração está na boca, estou chorando muito.Parece que só passa besteira na minha cabeça. Minha mãe me abraçou mas eu não me contive. Queria minha filha,queria ela saudável correndo pela casa,cantando do chuveiro,ou brigando comigo.
Daniela:Shiii... Calam minha filha.Ela vai ficar bem.
Eu:Eu sou uma péssima mãe, ela não merecia estar aqui.-disse entre soluços.
Daniela: Você não é uma péssima mãe. Não se culpe,isso poderia acontecer com qualquer um.-disse alisando meus cabelos.
Iara me abraçou por trás e ficou me dizendo palavras de conforto.Gabriel estava sentado na cadeira chorando também. Ele está sentindo o mesmo que eu.Uma enfermeira veio nos nos dizer que a cirurgia durava cerca de duas horas e meia...vão ser as piores duas horas da minha vida.
Já se passaram duas horas e quarenta minutos e ninguém vem nos dizer nada.Até que um médico que eu nunca vi,entra no quarto chamando nossas atenções.
XxX:Vocês são da família da menina Clarice?
Gabriel:Somos.Quando vamos vê-lá?
XxX:Eu lamento muito.Mas ela não resistiu.
PS:
Calma,não me odeiem por isso.No próximo capítulo saberam de tudo.
Beijo da Lalá :)