Katherine
Thomas estava sentado na cama, mexendo no celular e me mostrando alguns vídeos no Instagram, quando meu celular vibrou na mesa de cabeceira.
Peguei sem muita cerimônia, e era Liz no grupo marcando algo.
Liz
"Encontrinho em grupo com a minha segunda família maravilhosa!"
Liz
"Hoje no final do dia no barzinho perto da faculdade como nos velhos tempos"
(Chris digitando...)
— A Liz anda pensando que a vida é um morango. — Falei sem esconder o sorriso.
Thomas que estava colado a mim e leu também a mensagem, coloca a mão debaixo da coberta e sinto um tapa bem na minha bunda, me fazendo soltar um grito.
— E você na nossa cama desde manhã, só levantou pra tomar banho porque o criado te pegou no colo direto pro banheiro, recebeu café da manhã na cama, depois lanchinho na cama, ainda me fez desembaraçar seu cabelo enquanto comia. Ta achando que a sua vida é o quê?
— Minha vida ta longe de ser um morango, até porque vida de madame é bem melhor. — respondi com um sorriso de otária completamente de quatro pelo ser a minha frente.
— A gente devia ir, não vejo o Phil e o Chris faz tempo. — Falou fazendo cafuné no meu cabelo enquanto pegava de volta o celular dele e entrando no grupo pra ver o que falavam.
O Chris já estava inventando alguma desculpa.
Phil
"Gente a Liz anda muito emotiva e não quer falar, mas a verdade é que hoje seria um encontro de despedida pra mim."
Liz
"😭😭😭"
Phil
"Liz, amor, não é despedida, é só um até logo. E vai ser bom ver todo mundo junto."
Liz
"Você fala isso porque é você que vai viajar 😭"
Chris
"Eu tinha um compromisso hoje, mas acho que consigo dar um jeito."
Peguei meu celular, digitando antes que pensasse demais.
Kate
"Eu vou sim. A Liz não aceita um não mesmo."
Liz respondeu quase instantaneamente.
Liz
"FINALMENTE UMA PESSOA SENSATA NESSE GRUPO."
Ela mandou o horário, depois começou a lamentar com humor exagerado, emojis dramáticos e comentários sobre como ia chorar em público.
Quando a conversa começou a se perder em memes e piadas, senti Thomas se mexer ao meu lado. Ele esticou o braço e, sem cerimônia nenhuma, tirou meu celular da minha mão. Fez o mesmo com o dele segundos depois e largou os dois na mesa de cabeceira.
— Ei... — protestei, mais por obrigação do que por vontade.
— Já confirmamos. — disse ele, aproximando o rosto do meu. — Agora você é minha.
Thomas me puxou com facilidade, me fazendo deslizar de volta para o centro da cama. O beijo veio intenso, sem pressa. O corpo dele se encaixou no meu com naturalidade demais para alguém que ainda fingia autocontrole.
As mãos dele firmes, percorreram meu corpo, como se conhecesse todos os lugares, entrando dentro da minha blusa e massageando um dos meus seios nus e me fazendo arfar na sua boca.
Seu toque foi o suficiente para sentir minha intimidade encharcar e procurar instintivamente mais atrito.
Afundei os dedos no cabelo dele, sentindo o jeito como ele reagia. Ele murmurou algo contra minha boca e em algum momento, Thomas encostou a testa na minha, respirando pesado, os olhos escuros me encarando como se estivesse gravando cada detalhe
— A gente ainda tem tempo... — ele disse, num tom que era meio aviso, meio provocação.
O encarando de forma provocativa, peguei no cós do seu samba calção, única coisa no corpo dele e fui direto pressionar seu pau que já se encontrava duro.
— Tempo de sobra. — girei meu corpo de modo a ficar em cima dele e sem quebrar o contacto visual minha língua percorreu um caminho por todo o seu peitoral, até cada trinca do abdómen, fazendo minha blusa naturalmente subir enquanto eu descia e minha bunda exposta só com uma calcinha de renda preta ganhar vida e abanar a cada movimento que eu dava.
As mãos dele deslizaram pelas minhas coxas, firmes, me puxando mais para perto, como se quisesse me lembrar exatamente onde eu estava.
Ou melhor, com quem.
Ele inspirou fundo quando sentiu meu peso sobre ele, o olhar escurecendo ainda mais.
— Você faz isso de propósito... — murmurou, a voz baixa, carregada.
Inclinei a cabeça, provocando.
— Faço.
Minha boca desceu mais um pouco, devagar, sentindo a respiração dele mudar, os músculos contraírem sob a pele.
Desci sem pressa, consciente do efeito que estava causando. Cada movimento meu arrancava uma reação dele, o corpo rígido, as mãos fechando o lençol.
Cheguei até o cós do calção e fui retirando devagar. Voltei a subir, encontrando o seu pau apontando duro pro teto, assim que ele sente meu toque deixa escapar um gemido baixo, enquanto eu sinto seu pau pulsar na minha mão.
Subi lentamente, como quem provoca porque sabe que tem o controle, e sem pudor algum comecei a movimentar a minha bunda sabendo que ele tinha uma visão privilegiada dela, e comecei um vai e vem imaginando que estava cavalgando nele enquanto passava a língua nos meus lábios mostrando a sede que eu tinha de abocanhar o seu pau.
Ele tentou me puxar de volta pra cima, mas eu segurei o pulso dele com firmeza.
— Não agora — murmurei, perto o suficiente da ereção pra ele sentir minha respiração. Thomas soltou um rosnado, mas parou como um soldado obediente.
Minha excitação já escorria pelas minha coxas enquanto eu comecei a mover a minha mão num vai e vem no seu pau, meu olhar sempre cravado no dele e arrancando gemidos baixos dele que me deixavam mais molhada.
Mantive o ritmo, deliberada, calculada, usando o meu corpo contra o dele como se fosse uma arma. Meus seios raspavam na sua coxa deixando meus mamilos ainda mais eretos. E com um sorriso de lado sem aviso abocanhei seu pau de uma vez.
Thomas praguejou baixo, o corpo arqueando contra a minha boca, as mãos finalmente me agarrando com força, como se tivesse perdido a paciência de vez.
Tentei impedir, mas Thomas encheu um punho de cachos me imobilizando e eu sorri com o pau quase na metade da minha boca, sentindo todas as veias quase saltando de tão inchadas.
— É disso que você gosta? Me provocar até me fazer perder a cabeça? — perguntou sem esperar alguma resposta, apertando mais suas mãos em volta ao meu cabelo. — Eu vou foder essa boca até você entender que quem manda nessa cama aqui sou eu.
E no mesmo segundo senti minha garganta ser forçada com o tamanho do seu pau e um vai e vem bruto começar. Meus gritos saíam abafados e eu já sentia minha boceta piscar de prazer e me molhar toda.
Comecei a respirar com dificuldade enquanto um sorriso perverso surgia no rosto do Thomas a cada estocada, dos lábios dele não saía outra palavra se não meu nome.
— Cavalga com mais vontade como se eu tivesse te fodendo gostoso por trás.
Como um comando, aumentei o ritmo do meu rebolado, sentindo cada movimento da minha bunda pelo peso que ela carrega, e cada movimento fazia minha intimidade vibrar mais ainda.
Assim que Thomas percebeu meus olhos revirando, enfiou sem dó de uma vez seu pau, atolando toda a minha garganta me fazendo engasgar e saiu por completo da minha boca.
Eu já estava sensível demais, tendo pequenos espasmos, quando sem muito esforço Thomas me botou sentada na sua cara rasgando minha calcinha e fazendo minha lubrificação pingar perto da sua boca.
Sem me dar tempo de ficar com vergonha, sua língua passou direto no meu clitóris me fazendo arquear e joguei a cabeça pra trás.
Soltei um gemido alto quando em simultâneo senti dois dedos me invadirei e tremi com força, sentindo minha buceta apertar em volta dos dedos de Thomas.
Eu estava sentindo uma pressão nova, me fazendo involuntariamente tentar fechar minhas pernas e sendo impedida pelas mãos grandes de Thomas que imobilizou sem muito esforço.
Sua língua circulava num ritmo intenso por toda a minha extensão e o seu vai vem ia direto no meu ponto G. Estava com uma sensação errada, mas gostosa demais. Não era só prazer, tentei recuar e meu cérebro estava ficando em alerta com medo que fosse o que eu estava pensando.
Thomas foi acelerando como se soubesse o que estava por vir me colando no lugar.
— Aguenta — ele diz baixo. — Não foge agora.
Sem perceber, Thomas volta a abocanhar minha buceta e dessa vez chupando com força, acrescentando mais um dedo na minha entrada. Meu grito sai desesperado enquanto sinto meu corpo contrair num espasmo mais forte que o orgasmo, e sem conseguir controlar um líquido transparente sai com bastante potência como um jato pelo rosto e peito do Thomas.
Thomas segura meu quadril me deitando na cama enquanto massagea minha buceta e o líquido ainda saia sem parar.
Senti que quase perdia os sentidos de tanto prazer e os espasmos não paravam porque Thomas continuava me estimulando.
Sua língua foi parar no meu pescoço, enquanto seus cabelos pingavam com o meu líquido. Senti uma mordida forte no pescoço seguido de um sorriso.
— Esse é o primeiro de vários squirtings comigo, amor.
A quantidade de líquido esguinchado que jorrei presumi que fosse uma ejaculação que aliás, nunca experinciei na minha vida.
— Hoje já descansou o suficiente. Quero ver você cavalgar da forma que me provocou mais cedo, mas dessa vez no meu pau. — Thomas fala deixando um tapa alto na minha bunda.
Com a ajuda dele, sorri bastante satisfeita e de tão molhados que a gente estava, minha buceta escorregou no seu pau sem esforço algum nos fazendo gemer juntos.
Comecei a movimentar com experiência suficiente que sei que deixa qualquer um louco e Thomas rosnou esmagando meus seios com as mãos enquanto deixava mordidas por todo o meu corpo.
Seu jeito bruto me deixando louca, me fez acelerar meus movimentos e rebolar como uma doida no cio.
— Isso, cavalga como se fosse minha puta particular. — uma de suas mãos encontrou meu pescoço e a outra outro tapa na bunda, vários gemidos escaparam dos meus lábios sem parar. — Você gosta quando eu te tomo pra mim com força né?
Minha resposta veio nos gemidos de prazer e os movimentos que dei no seu pau e senti mais um tapa forte na bunda.
— Porra Kate, como amo esses seus gemidos.
Thomas pressionou minha bunda me mobilizando e começou a movimentar o seu quadril contra mim, me fodendo num vai e vem selvagem.
Nossos gemidos se misturaram e os sons dos nossos corpos completamente lubrificados era demasiado eróticos pra eu aguentar mais tempo.
Thomas levantou minha bunda com as duas mãos me abrindo ainda mais permitindo um acesso mais fundo e sem dó, estocou cada vez mais duro e rápido, e meus gemidos eram apenas gritos com frases desconexas. Sentia meu orgasmo se aproximando e quanto mais fundo sentia seu pau dentro de mim mais sede eu tinha por mais.
Gritando o seu nome meu corpo explodiu num orgasmo forte e com mais algumas estocadas, Thomas me seguiu vindo dentro e me preenchendo toda.
Desabei por cima dele e com carinho Thomas me puxou pra ele mesmo a gente estando completamente suados. Fechei meus olhos ainda apreciando os pequenos espasmos do orgasmo, quando começo a sentir o pau de Thomas ainda dentro de mim ficando duro novamente.
— Sua buceta ainda está esmagando meu pau. Acho que dá para um segundo round.
— Thomas... — repreendi, mas meu corpo me traiu e o meu quadril rebolou sem permissão no pau dele me fazendo soltar um gemido.
O sorriso de Thomas se abriu me virando pra ficar de baixo dele e sussurrou no meu ouvido.
— Eu vou acabar com você...
***
Chegamos no bar juntos e atrasados.
A Liz foi a primeira a nos ver atravessando a porta e quase caiu da cadeira.
— Eu sabia! — anunciou, fazendo meu coração parar por um momento. — Já estava imaginando que o atraso do Thomas era pela a atrasada da Kate.
— Realmente, passei na casa da Kate pra dar carona. — disse Thomas, pegando uma cadeira. — Sabia que ela ia me atrasar, mas fazer o quê. — deu de ombros e eu revirei os olhos sentando entre ele e o Chris, que nem me encarava.
A Liz estreitou os olhos.
— Ah é? — o olhar dela deslizou de mim pra ele e voltou. — Que cavalheirismo súbito.
— Milagre acontece — respondi, pegando o cardápio e cortando o clima antes que ela resolvesse cavar mais fundo.
Charlie pegou na mão de Chris e pousou sua cabeça no ombro dele, dirigindo um sorriso pra gente. Não me passou despercebido o corpo ereto demais do meu amigo.
— Finalmente o grupo inteiro junto! Já estava com saudades. — Charlie falou e concordei com a cabeça, beliscando o Thomas debaixo da mesa.
— Realmente... — Ele fala a encarando. — Só de pensar que mais dia menos dia podemos ficar anos sem ver a gente reunida desse jeito.
— Cara vira essa boca pra lá. Liz já anda surtada o suficiente. — Phil falou dando uns tapas nas costas de Thomas.
— Será que a gente nunca mais vai se reunir? — Falou a Liz e a Charlie que cortou.
— Claro que não né Liz, a gente pode combinar encontros mensais e onde quer que a gente esteja combinamos um dia que temos que ter só para o grupo.
— Fofo. — soltei sarcástica. Nunca gostei de promessas porque ninguém sabe o dia de amanhã e nunca fui muito sentimentalista com essas coisas mesmo sabendo que sentirei a falta de todos.
Parece que a Charlie sentiu meu sarcasmo e não gostou. A gente já anda com a amizade bem tremida não queria deixar transparecer que ando ressentida e esqueci de me policiar quando o assunto é Charlie.
Qualquer coisa que eu fale com algum outro tom implícito ela pode levar pra outro lado e o mesmo comigo, por isso mesmo me apressei em me retratar.
— A gente não sabe nem se vamos acordar amanhã, mas espero que a gente não perca essa amizade galera.
— Brinde a isso! — Thomas soltou levantando a cerveja que o garçom acabou de deixar e a gente segue a deixa e brindamos todos.
Eu dou uma cutucada no braço de Chris ao meu lado e ele me olha de esguelha.
— Qual foi? Acordou mal humorado?
— Nada não, uma dor de cabeça que já já passa. — Com essa resposta não insisti, entendi que ou não era o momento pra conversar ou simplesmente Chris não ia me falar o que estava rolando, então respeitei.
Voltei a pegar na minha bebida pra me refrescar e assustei com o berro que a Liz deu me fazendo parar a meio com o movimento de beber e a encarei como se ela fosse uma louca.
— Katherine Jhonson! O que é isso na sua mão?! — Encarei minha mão confusa sem entender o que estava acontecendo e não vendo nada na mão. — Eu estou vendo mal ou esse anel não estava nesse dedo quando a gente se encontrou da última vez.
Thomas, ao meu lado, virou o rosto devagar demais para a minha mão.
Olhei de novo para o meu dedo.
Ah.
Merda.
— Que anel? — tentei, fingindo naturalidade, puxando a mão para mais perto do corpo.
Erro número um.
— Esse. — Liz apontou, já meio em pé na cadeira, dramática como sempre. — Esse anel lindo, brilhando na sua mão esquerda, que não existia até ontem.
Phil abriu um sorriso lento.
— Hm. — Ele inclinou a cabeça. — Interessante.
Thomas não disse nada.
Só passou o braço pelas minhas costas e pousou a mão exatamente sobre a minha, deixando o anel ainda mais visível.
Erro número dois.
Ou talvez não.
— Ué — ele falou, calmo demais. — Qual o problema?
Liz arregalou os olhos.
— QUAL o problema?! — ela repetiu. — Thomas, você tá me dizendo que vocês vão jogar isso assim, na mesa, como se não fosse nada?
— Não é nada. — ele deu de ombros se aproveitando do surto da Liz. — É só um anel.
— "Só um anel", ele diz — Liz levou a mão ao peito apontando pro Thomas como uma acusação. — Katherine Johnson, você vai mesmo fingir que isso é normal?
Suspirei.
— Liz... — comecei. — Não é...
— Vocês estão namorando. — Phil concluiu, sorrindo.
— A gente... — parei. Suspirei. — Não era pra virar anúncio oficial agora.
Thomas soltou uma risada baixa ao meu lado.
— Não? — ele perguntou, divertido.
— Não! — virei pra ele. — Era pra ser... sei lá... mais calmo.
— Calmo como? — ele arqueou a sobrancelha. — Em seis meses? Um ano?
— Thomas...
— Gente — Liz colocou a mão no peito. — Eles estão discutindo o timing do anúncio. É oficial.
Phil riu.
Olhei automaticamente para o Chris.
Ele estava encostado na cadeira, expressão cansada, mas quando nossos olhos se encontraram, ele sorriu. Não foi grande, nem exagerado mas foi aquele sorriso tranquilo de quem está genuinamente feliz.
— Finalmente parou com o cu doce né Kate? — ele disse, simples. — Fico feliz por vocês.
Abri um sorriso de orelha a orelha, sem conseguir esconder a minha felicidade. Era como ter a autorização do meu irmão mais velho, e sei que antes da gente ser um grupo. Chris era meu único amigo e como ele era uma prostituta ambulante tinha os melhores conselhos do tipo de homem que eu não deveria me apaixonar.
Charlie apertou a mão dele e se inclinou um pouco pra frente, sorrindo também.
— Vocês combinam muito, já vejo todo mundo indo à loucura quando saberem que é oficial! — falou dando um gritinho. E eu sorri automaticamente relembrando da Charlie patricinha metida e fofoqueira que eu tanto amo.
— Charlie por favor, não vai anunciar nos seus grupinhos e ainda ter pessoas falando sobre mim mesmo depois de terminarmos a faculdade.
— Vou tentar! — Falou com um sorriso cúmplice.
A conversa na mesa acabou se espalhando em várias ao mesmo tempo.
Liz falava demais. Phil ria. Thomas discutia alguma bobagem com o garçom sobre qual cerveja era melhor. Chris escutava mais do que falava.
Foi quando a Charlie se levantou.
— Vou ao banheiro rapidinho. — avisou, pegando a bolsa.
Alguma minutos depois, percebi que tinha ficado com aquela sensação estranha no peito.
Levantei antes de pensar demais.
— Já volto. — falei. Thomas assentiu, distraído.
Antes de eu entrar no banheiro a porta abriu e a Charlie saiu, ajeitando a bolsa no ombro.
— Ei. — falei, quase no impulso.
Ela levantou o olhar e sorriu.
— Posso te perguntar uma coisa? — comecei a parando no corredor. E ela assentiu.
Respirei fundo.
— Eu fiquei pensando nisso já tem um tempo. Desde a última vez que a gente se viu — fiz um gesto vago com a mão. — Depois daquele dia eu fiquei meio travada com você.
Ela franziu levemente a testa.
— Aquele dia do desmaio?
Assenti.
— É. — engoli em seco. — Não pelo que aconteceu em si. O problema foi... o depois. Você não mandou mensagem. — falei, simples. — Nem pra mim, nem pra Liz, nem no grupo. Não pra saber se eu tava bem, nem pra pedir pra alguém ver como eu tava. E isso ficou meio atravessado pra mim.
— Eu sei. — disse, enfim. — E eu pensei nisso depois e fiquei envergonhada de falar sobre.
Esperei.
— Eu tava com uns problemas bem pesados em casa. — explicou. — Eu meio que entrei no modo automático. Não foi falta de preocupação. — acrescentou rápido. — Foi falha mesmo. Eu devia ter ligado. Mandado mensagem. Qualquer coisa. Desculpa Kate.
Assenti devagar.
— Eu não fiquei com raiva. — falei. — Mas acho que aquilo mexeu comigo mais do que eu percebi na hora. E eu só não queria que isso virasse um elefante invisível entre a gente.
Ela me olhou, sincera.
— Obrigada por falar. De verdade. — disse. — Eu sinto muito por isso, Kate. Não quero que você ache que eu não me importo.
Fiquei em silêncio por um segundo, depois inclino o corpo um pouco na direção dela.
— E esses problemas em casa... — comecei, com cuidado. — Se você quiser falar, sabe que não precisa segurar sozinha, né?
Ela deu de ombros, minimizando.
— Nada demais. Coisas acumuladas. — respondeu. — Já tá se resolvendo.
— Mesmo assim. — acrescentei. — Eu, a Liz, o pessoal... a gente tá aqui. Nem sempre pra resolver, mas pelo menos pra ouvir.
Ela bufou, jogando os cabelos pra trás.
— Nada demais. Coisas acumuladas, já tá resolvendo.
Assenti, mas senti que ainda tinha algo entre nós que precisava ser dito.
— E... — continuei, meio hesitante — se por acaso tiver alguma frustração com... comigo, ou qualquer coisa que eu tenha feito... é melhor falar. Porque senão só aumenta pra gente sem perceber.
Ela me encarou, com um meio sorriso ácido surgindo no rosto:
— Minhas frustrações não são por causa de você, Kate. Pode ficar descansada. — Não gostei da maldade com que ela falou.
Meus olhos se estreitaram de leve, mas eu não consegui evitar rir de canto.
— Ah, então quer dizer que com a Liz só não faltou oportunidade ainda já que poderia ter surtado com qualquer pessoa? — respondi, arqueando uma sobrancelha, com aquela ironia afiada que eu não controlo quando me cutucam. — Hum... curioso.
Ela fez uma careta e bufou.
— Só lembra que não é sobre você.
— Então... não faz ser sobre mim. — soltei, meio a chocando com a resposta direta.
— Um pouco cheia de si, não?
— Não Charlie. A gente não estaria tendo um monte de brigas desde o início da amizade nem você estaria me acusando de dar em cima do seu namorado de graça se não houvesse algo sobre mim que você não anda gostando. A conclusão lógica é procurar saber o que é e a gente resolver. Como estou tentando agora.
— Sempre a mais madura emocionalmente né Kate? — Suspirei já ficando sem paciência, mas me segurando. A ideia era esclarecer todas as confusões.
—Amiga de verdade, eu sei que posso ser uma filha da puta às vezes, se você guardou alguma coisa de algo que eu fiz no passado com você, a hora é agora.
— Kate você é uma amiga perfeita não se preocupe que são problemas pessoais. — Charlie afirmou com tanta certeza que só me irritou mais.
— Cara, você afirma assim sabendo bem que não existiria briga entre a gente se eu fosse perfeita. Quer tirar uma com a minha cara numa conversa séria? — Falei como uma mãe chamando atenção à uma filha e ela sorriu em resposta.
— Também sei ser irónica.
— Ótimo! Se é ironia significa que tem algo contra mim, o que é?
— Kate, nada! Eu estou vivendo um mini inferno na minha vida e me aproveitei de você pra jogar minhas próprias frustrações. Fui descontando porque te achei um alvo fácil e se fosse a Liz ou qualquer outro eu ia ser mandada diretamente pra terapia, mas eu e você somos mais parecidas do que julgam e sabia que no final você iria me compreender. Portanto desculpa mais uma vez, eu me arrependi e não irei te magoar nem hoje nem nunca.
As palavras dela não doeram.
Mas também não passaram ilesas.
— Alvo fácil... — repeti, mais baixo, mais pra mim do que pra ela.
Respirei fundo antes de responder, passando a mão pelo cabelo.
— Eu entendo você estar mal. De verdade. — falei. — Só não entendo usar alguém que tá do seu lado pra descarregar isso. Principalmente alguém que você diz saber que vai te compreender no final.
Ela abriu a boca, mas eu continuei.
— Porque compreender não apaga o impacto. Só explica.
O sorriso dela diminuiu um pouco.
— Eu sei. — disse, sincera. — E eu sinto muito por isso, Kate. Não era justo.
Balancei a cabeça devagar.
— Não foi. — concordei. — Mas... eu aceito o pedido de desculpa. Só não quero que vire padrão. Eu não quero ser o lugar seguro pra você e ser seu saco de pancada. Se me conhece sabe que eu não tenho sangue de barata.
Ela assentiu na hora.
— Não vai virar. Prometo.
Ficamos em silêncio por um instante. Um silêncio menos tenso, mais pesado de entendimento.
— E pra constar... — acrescentei, olhando direto pra ela — eu não quero te compreender sempre depois do estrago. Prefiro entender antes.
Ela soltou um meio sorriso.
— Justo.
Suspirei, sentindo o peso sair um pouco dos ombros.
— E eu não quero te magoar também. — falei. — Nem hoje, nem nunca. Mas isso só funciona se a gente parar de fingir que nada acontece.
— Eu sei. — respondeu. — E obrigada por não desistir de mim.
Antes que eu respondesse, passos se aproximaram pelo corredor.
— Vocês sumiram. — a voz do Chris surgiu atrás da gente.
Ele parou ao lado da Charlie quase automaticamente, olhando de um rosto pro outro.
— Tá tudo bem? — Chris perguntou me encarando.
— Tá. — ela respondeu primeiro, tranquila. — A gente só tava conversando.
Ele pareceu avaliar por um segundo, depois assentiu. Deve estar traumatizado da cena do barco.
Logo em seguida, o Thomas apareceu, encostando na parede do corredor com aquela calma atenta que ele tinha quando estava preocupado.
— Eu vim conferir se precisava entrar em modo resgate. — disse, olhando pra mim. E depois encarando com desgosto a Charlie sem tentar esconder a inimizade que ele criou sozinho contra a mulher.
Sorri de leve.
— Ainda não. Mas bom saber que existe.
Ele sorriu de volta, vindo até mim.
— Então vamos voltar? — sugeriu.
Assenti.
Voltamos todos juntos pro bar.
E, enquanto o som da música deixava de ser abafado e o riso das pessoas voltava a preencher o espaço, eu pensei que algumas conversas não resolvem tudo.
Mas pelo menos impedem que as coisas apodreçam em silêncio.