Angels and Demons

By badlanded

198 16 6

Ellen era uma simples aspirante a caçadora até que um dia toda a sua vida muda. Ela terá de ajudar alguém que... More

Prólogo
1
2

3

55 3 2
By badlanded

A porta abriu-se sorrateiramente e um risinho miúdo entrou na saleta chegando aos meus ouvidos. Abri os olhos e espectei uma visão que mesmo no País das Maravilhas pensei não ser possível. A porta estava entreaberta não obedecendo à lei gravitacional. Comecei a rir, e a rir, e a rir, e a rir sempre sem parar até me aperceber que o risinho anterior já se tinha juntado ao meu e ai, ainda ri mais. Uma cabeça de cabelos cinza opôs a porta e eu fixei o olhar nela numa acção mutua. Então o corpo pertencente à cabeça entrou também ficando de cocaras no tecto.

- Perdes-te o coelho foi?

O que entrara era Dante e a pergunta era para mim visto que não havia mais ninguém ali no entanto o par de grandes asas que lhe pendiam das costas não me deixaram responder. Provavelmente fiz uma cara idiota uma vez que me ele encarou de maneira diferente. Eram negras com o dobro do tamanho do demónio e pareciam fogo, um fogo dançante que hipnotizava, mas eram penas. Uma delas soltou-se e esvoaçou até mim. Com cuidado apanhei-a , negra mas suave, absolutamente magnifica. Ele caiu de repente. A gravidade deve-se ter cansado de ser ignorada. Sentou-se no chão como se não soube-se o que lhe tinha acontecido, já sem o sorriso, e mirou o céu azul que se via da porta agora completamente aberta.

- Temos de ir - ele quebrou o silencio com uma afirmação tão leve e sem vida que se desfez no ar sem provocar nenhuma reacção em mim.

- O que tem este sítio de errado? - a minha pergunta fez-me lembrar de outra mais pertinente - Onde estamos já agora?

- Na sexta divisão... - ao dizer isto as suas asas foram como que sugadas para dentro das costas o que intensificou a minha expressão de ignorância.

- Preperprefeitamente.

Ele fixou os olhos vermelhos em mim enquanto a sua cara inexpressiva se transformava numa ostentação pura de tristeza. Mirou o céu uma ultima vez e levantou-se. Eu permaneci sentada mesmo depois de dada a ordem para me levantar. Os seus cabelos começaram a esbranquiçar, pegou-me no braço com força e levantou-me.

- Agarra com mais força, pode ser que me partas o braço!

O meu pedido foi aceite durante aquilo que me pareceram horas. Ele não parecia ser agressivo quando estava com a minha mãe, porque é que o estava a ser agora. Quando a vil criatura me largou e eu caí no chão pude constatar que o meu braço se encontrava roxo e pela primeira vez reparei que o que tinha vestido não eram as minhas roupas, mas sim um vestido preto cheio de cornucópias bordadas a prata e folhos.

- Temos de ir! - a repetição daquelas palavras perturbou-me.

- Para onde? O que raio se está a passar?Que merda é que tu fizeste e porque é que sou eu que tenho que acartar contigo?! - as palavras gritadas acalmaram dando espaço à única pergunta cuja eu realmente queria a resposta - Porquê ela?

- Não são só as linhas que tração destinos.

- Não são só as estrelas que iluminam caminhos.

Algo vermelho escorreu-lhe dos olhos, porém ele virou-se demasiado depressa para perceber o quê. A porta até então aberta fechou-se sozinha provocando um estrondo. Rastejei até a um canto da sala e deitei-me. Dante fez o mesmo mas ao contrário de mim, ele virou-se para a parede. Um vazio encheu o meu coração. Tinha a cabeça a mil quando, não sei bem como, me lembrei de uma canção que costumava cantar quando era mais nova e à falta de outra coisa cantei para não fazer nada mais estúpido.

Eu estava a pintar um quadro
O quadro era uma imagem tua
E por um momento pensei que estavas lá
Mas novamente, não isso não era verdade

E todo este tempo eu menti
Menti em segredo para mim
Eu colocai tristeza nos locais mais escondidos
Da minha alma

Eu estava a correr longe daqui
Será que um dia correrei fora de uma tela?
Eu estava a dançar longe na chuva
Eu cai num mundo diferente, num mundo feliz

A canção foi abalada pela imagem de um corpo flutuante. Do nada, a vil criatura deitada de frente para a parede começou a pairar lentamente sussurrando qualquer coisa, a qual eu não consegui destingir à primeira. Cheguei mais perto e, após ter repetido a palavra umas quatro vezes em tons diferentes consegui perceber o que dizia. "Aleska". Aparentava ser um nome, agora se era de pessoa ou não, não sabia, o que me intrigou bastante.

Ficai algum tempo a mirar o demónio. Não se podia negar a beleza dele. O seu rosto, a sua pele, o seu cabelo. De olhos fechados parecia quase uma boneca. Pena que não gosto de bonecas. Naquele momento indaguei para mim mesma se o pedaço de carne com forma humana que se encontrava à minha frente era possuidor de vida, e confesso que se não fosse o facto de se encontrar a boiar no ar teria de verificar se tinha ou não razão. Repentinamente ele afastou-se do canto num movimento de quem estava sem dúvida a ter um pesadelo deixando destapado um livro do qual eu não me tinha apercebido. Na capa estavam escritos uns símbolos esquisitos que pareciam ser enoquianos.

- Undruxgedmedfam, que porcaria é esta?- falar em voz alta não foi inteligente mas felizmente não acordei Dante. Sempre gostei se coisas sobrenaturais e quando encontrei em alfabeto da língua dos anjos no meio das tralhas do meu pai não descansei em decorado, o que é certo é que estava um pouco enferrujada portanto saber ler os símbolos não serviu de nada.

Dentro da capa de couro preto encontravam-se folhas escritas provavelmente à mão com caracteres tão distintos que não consegui identificar nem a sua origem. As folhas eram de um material grosso e amarelado e já estavam a desfazer-se. Em algumas páginas existiam desenhos de pessoas, animais e outras coisas, algumas impercetíveis. Folheei o livro até encontrar um desenho que me chamou a atenção. Eram várias pessoas, todas diferentes, algumas carregavam ceptros, outras espadas e ainda havia quem carregasse pequenos instrumentos musicais. No centro do desenho estava um homem velho e semi-nu que emanava talvez uma luz. Por baixo da imagem podia-se ler uma legenda: Bellum Angelorum (Guerra dos Anjos)

Pela primeira vez em todo o livro não só identificai a língua escrita como conhecia o seu significado. Latim, foi aquilo que quis aprender quando me deram a oportunidade de aprender uma língua. Virei a página e deparei-me com a história quem pensava ter de arrancar à força da boca de Dante.

Mengulhado erat mundus in tenebris et caligine sunt angeli caeli rexit cohabitare limitaretur ad alias species generi humano praesidio et sine perdileta solicitudo nec semper nec evolutione future . Libenter se putant Daimones yerunt gubernari ab aliquo superiori nolle progressionis auctor belli adversus Angeli finita .Angeli fortis, sed magis vincunt daemones facti belli ducibus angelis caeli restinguere dividinduos in septem partes diviserunt . Core, Gladio, Historia, Lorem, Stella, Ager et Inferno.

(O mundo estava mergulhado na escuridão e nas trevas, quem governava os céus eram os anjos que se limitavam a conviver pacificamente com as outras espécies e a proteger a raça humana, desde sempre a sua favorita, sem se preocupar nem com a evolução nem com o futuro. Os demónios que gostavam de pensar mais à frente fartaram-se de servir alguém que não pensava na progressão e começaram uma guerra contra os anjos. Os anjos eram fortes, mas os demónios eram mais e acabaram por ganhar a guerra e a dividir o céu em sete parte. Núcleo, Espada, Historia, Casa, Estrela, Campo e Inferno.)

- Anger! - o som repentino da minha voz acordou Dante que caiu instantaneamente. Eu apenas olhei enquanto ele se levantava e dava conta da minha presença na sala.

- Essas folhas são pele humana.

Apesar do tom irónico com que foi dito não consegui evitar largar o livro de forma imediata, reação há qual ele não conseguiu evitar rir. Mesmo com repulsa, voltei a pegar no conjunto encadernado de folhas de couro aparentemente humano.

- O que é que anger significa? Estamos num campo?O que raio undruxgedmedfam quer dizer?

- Para mim anger significa vehuntalmalsmed, para ti, não faço a mínima ideia - fez uma pausa para apanhar uma bugiganga qualquer do chão - e aconselho-te a não repetir essa palavra muitas vezes enquanto estiveres aqui em cima.

- Repetir o quê?

- Anjos...

Não percebi muito bem o sentido daquilo. Estamos no céu mas não podemos falar em anjos.

- Uma coisa não tem nada a ver com a outra...

Dante foi interrompido por um barulho brusco do lado de fora da saleta. Levantei-me devagar enquanto ele fletiu os joelhos fazendo sinal para me manter calada. Previ que fosse-mos modar-nos de novo, por isso dirigi-me cuidadosamente até ao demónio, no entanto ele pôs-se de joelhos e começou a procurar algo no chão. Eu não me Movi nem larguei o livro, e pouco depois ele puxou um fio de lã dourada que fez um quadrado abrir-se no pavimento almofadado.

Lá dentro estava escuro, mesmo assim era menos assustador que os barulhos exteriores, que soavam incessantes. Não senti nada onde apoiar os pés, não havia, ou se havia estava demasiado para baixo. Ou seja, tive de me apoiar com as mãos no piso de cima, depois de mim entrou Dante. Assim que o corpo dele ultrapassou a abertura o quadrado fechou-se. Surpreendente, não me entalei. Ele não se apoiou em nada, apenas mergulhou na escuridão sem fazer um ruído que fosse.

Continue Reading

You'll Also Like

3.8K 288 47
Allan Hell é um garoto de 17 anos que nasceu metade humano metade demônio, junto de seu irmão Greg ele caça demônios, em meio às suas viagens para ca...
1.6K 125 20
Classificação: 12 Linguagem imprópria Iniciado: 24/04/2025 Terminado: / / Essa fanfic/fic trata-se de S/n uma estudante normal, até que em um d...
2.8K 193 21
Daphne conhece os irmãos Winchester, que lhe salvam a vida? Conseguirá ela tornar-se uma caçadora?
Wattpad App - Unlock exclusive features