- Amelia... Amelia... - Diz com uma voz rouca e baixa, aproximando-se de mim e pondo as suas mãos na minha cintura, espremendo-me contra o seu tronco, no qual faz a minha temperatura subir, ele parecia conseguir ver sem precisar de ter os olhos abertos, será que o devia acordar ou não?
- Senhor Omar, acorde! – Berrei e por estarmos muito próximos, acho que ele ouviu porque franziu as sobrancelhas e abriu as pálpebras, a sua cara ficou com um ar confuso pois não estava a perceber nada do que se passava.
- Amelia...
- Podes largar-me?
- Ah... Claro, desculpa... - Tira as mãos de mim e afastasse.
- O que raio, vieste aqui fazer assim?! Sonâmbulo, ainda por cima.
- Eu sei que sou... Mas nunca ninguém me acordou até agora...
- Porquê?
- Normalmente diz-se que não se deve acordar. – Fala sentando-se na ponta da minha cama.
- Hum... E porque vieste logo ao meu quarto?
- Não sei, o meu subconsciente?
- Então o teu subconsciente e tu podem sair daqui, se faz favor.
- Qual é o problema? Não queres conversar?
- Quê?! Ora deixa-me ver, se eu quero falar com o meu raptor que não me deixa dormir nem ir embora e que não me diz o porquê de eu estar aqui. Então não, obrigado. – Pus a mão no seu braço, parei um pouco, pois senti o músculo no braço dele, com a roupa dele, não dá para saber com exatidão como ele é, só que ele é alto, mas voltei ao normal e puxei por ele, para ele se levantar da cama e ir embora do meu quarto, mas não se mexeu nem um pouco.
- O que estás a tentar fazer? – Perguntou-se a rir da minha figura, eu a puxá-lo com toda a força e nada.
- Estou a tentar pôr-te para fora do meu quarto.
- Então já é o teu quarto, quer dizer que gostas de estar aqui.
- Não é isso, é porque não tenho outro remédio se não ter de ficar neste quarto.
- Hum... - Diz desviando o olhar dele para o chão.
- Já que não saís, então responde-me, porque raptaste-me? Por favor, eu preciso de saber. – Digo pondo-me de cocaras para ele me ver, já que está a olhar para o chão.
- Tu és linda... - Fala baixo e passa a mão pela minha bochecha, que em faz desviar dele e levantar-me, porque se não o fizer, vou-lhe dar sinais de que estou interessada nele e a verdade é que ele me intriga.
- Pára! Diz de uma vez! Eu quero voltar para casa! Eu não sou tua escrava para tu fazeres o que quiseres!
- Não digas isso, tu não és minha escrava e nunca serás...
- Omar ou Senhor Omar... - Ele interrompe-me.
- Podes-me chamar só Omar.
- Foi o Rashul que disse que devia-te chamar Senhor.
- Ele segue demasiado as regras, devia relaxar mais, assim como tu. – Aproximasse de mim, outra vez, agarra-me pela cintura.
- O que pensas estar a fazer? Larga-me!
- Está descansada que eu não posso fazer nada contigo até ao casamento, apesar de tu quereres.
- Casamento?! E eu não quero nada contigo nem no próximo apocalipse.
- Não digas disparates, o teu corpo não condiz com a tua boca.
- Disparates?! Tu é que falas em casamento e eu é que digo disparates?!
- No dia em que chegaste ao Dubai, foi o mesmo dia em que eu cheguei de uma viagem de negócios.
- Daí, eu não te conheço na mesma e estou a ver que não quero.
- Não digas isso. Porque eu soube a partir desse momento em que te vi, que queria que fosses minha esposa. – Diz ajoelhando-se ao pé de mim.
- Acho que estou ouvir coisas, o quê?!
- Tu vais casar-te comigo. – Fala com um sorriso nervoso, o que era fofo, mas não me posso distrair do meu foco.
- Hã, acho que estou a dormir. Casar... Casar contigo. Não sei quem tu és, não sou daqui, só estou aqui numa viagem de finalistas, volto para casa dentro de semanas e devem estar à minha procura.
- Eu sei isso tudo, mas está tudo resolvido.
- Eras tu que andavas a seguir-me?
- Sim... - Fala coçando a cabeça.
- Mas quem pensas que és?! – Frustrada porque parecia estar num pesadelo.
- Sou Omar Dali Vhair, dono de uma das maiores petroleiras, Vhair Petróleo, tenho vários terrenos e o teu futuro marido, por isso respeita-me!
- Tu não me podes obrigar a isto, eu não te conheço nem tu a mim.
- Aí é que te enganas. – Diz se levantando do chão.
- Lá por me teres perseguido durante uma semana, não quer dizer que me conheças.
- Também te investiguei, Branca de Neve.
- Não me chames assim. Como sabes isso?! – Digo conforme ele se aproxima, encurralando-me contra a parede.
- Eu sei muito mais do que pensas, Amelia. E vais poder-me conhecer depois de casarmos.
- Tu és doido, as pessoas têm de se conhecer antes de haver casamento.
- Não é preciso... - Passando a mão pelo meu cabelo.
- Eu vim parar a um manicómio, além disso tu tens quê? Uns trinta e tal anos?
- Eu tenho 29 anos, não temos assim tanta diferença de idade, isso não importa. – Ele respira a milímetros do meu rosto.
- Mas para mim importa e eu não gosto que decidam nada por mim.
- Porque não queres ser gentil e me conhecer, em vez de me atacares.
- Não quero saber de nada disso, quero voltar para casa, por favor... Eu sou muito nova, não conheço nada disto, leva-me daqui, por favor... - Já estava a implorar.
- Não! Há muito tempo que procuro uma esposa como tu e não vou abrir a mão disso.
- Como eu, porquê eu?! Eu não sou um objeto, escolhe outra rapariga, por favor...
- Amelia poderás fazer o que quiseres comigo, terás poder de uma rainha, terás súbitos ao teu dispor assim como eu... - Agarrando a minha cara com as duas mãos.
- Ah... Apesar de parecer muito tentador, eu não tenho esse tipo de ambição, não quero-me casar nem contigo nem com ninguém.
- É isso que aprecio em ti.
- Que tal me perguntares daqui a uns anos e entretanto irmos falando?
- Não! Está decidido! Não vais conseguir-me dar a volta.
- Então vais ter de me forçar a fazer tudo o que vais querer que eu faça.
- É mesmo, porque eu sei que te sentes atraída por mim.
- Mesmo se tivesse, não quer dizer que nos tenhamos que casar.
- Mas já é um começo... - Aproxima-se mais da minha boca, sinto o seu bafo fresco, toca os seus lábios ao de leve nos meus, colando-os, depois movendo-os, inserindo a língua dentro da minha boca, é tudo tão natural, que parece que já o fiz mais vezes, mas esta é primeira vez e ele está a roubar-me isso, ele suspira fundo entre os beijos e eu não consigo me controlar, parece viciante até que ele pára, para respirar, ponho a mão no seu peito para o afastar e não cometer o erro outra vez.
- Não tens direito de fazeres isto! – Digo ofegante e dando-lhe uma chapada na cara, logo em seguida agarra-me pelo pulso.
- Não ouses fazer isso outra vez, não estás na América.
- Mais uma razão para não me casar contigo...
- Podes dizer o que quiseres, mas não vai mudar o teu destino, que é ao meu lado. E no fim de contas não podes negar a atração existente entre nós.
- Tu és impossível, conheço-te a menos de um dia e gostava mais de ti quando estavas calado ou sonâmbulo.
- Tu és bem atrevida, mas não me importo porque gosto de desafios.
- Estás a ver, tu nem me vês como mulher mas como desafio.
- Eu não te vejo como mulher?! Nem sabes o que já pensei em fazer contigo, mas ainda não somos casados. – O que me faz engolir em seco.
- Tu não podes fazer isto, eu sou menor de idade e eu sou uma cidadã americana, precisas da aprovação do meu pai, além disso nunca direi sim no casamento, porque não te quero nem o teu dinheiro, só quero ir para casa como já referi inúmeras vezes e ficar com o meu pai e minha amiga e talvez ir para a faculdade.
- Quem diz que não podes ter os dois mundos... - Olhando para os meus lábios e passando a mão pelo meu rosto, em seguida pelo pescoço, enquanto isso, chego com a mão à gaveta da mesa-de-cabeceira, tiro de lá uma pequena lata de spray pimenta que o meu pai me ofereceu, com o dedo indicador carrego no botão e deito na direção dos seus olhos, ele fecha os olhos automaticamente e afaste-se de mim, largando-me, sem ver nada, vai contra a cama.
- Desculpa, mas não quero, obrigado.
- Au! Queres-me deixar cego?! – Diz enquanto se queixa da dor no pé e do facto dos seus olhos estarem a arder, assim aproveito que é de noite, ele não vê nada, pego na minha mochila que tem o essencial, as outras malas tinham coisas que depois eu poderia comprar assim que chegasse aos EUA, apesar de eu não ter os documentos, o telemóvel e o computador, ele esqueceu-se de ver o que tenho na bolsa dos meus pensos de quando estou de período, pois escondi lá dinheiro, apesar de ter também na carteira, mas a minha mãe além de ser positiva, sempre me ensinou a ser prevenida para que tudo corra bem.
- Adeus e até nunca.
- O que estás a fazer?! Não podes ir-te embora... – Antes que ele dissesse mais alguma coisa, amordacei-o para se calar, se não teria os seguranças todos à minha porta e ainda atei-lhe as mãos à cama com peças de roupa minha, deixei-o lá, saí do quarto em silêncio, não havia nenhum segurança à vista, o que era bom e estranho, andei devagar e com atenção e com a lata de spray pimenta na mão, quem disse que não pode voltar a dar jeito, aquela hora era difícil reconhecer os corredores, andei para aí, um quarto de hora até que consegui ver umas portas grandes de onde vinha uma corrente de ar, querer dizer que dá para o exterior, abria uma delas, o que fez um pouco de ruído, mas deviam estar a dormir, ou então tinha muita sorte porque não apareceu ninguém, quando estou do lado de fora, sinto a descida de temperatura, de noite, aquilo era muito mais fresco do que dia, tentei-me aquecer e a verdade é que só via muitas camadas de areia, ou seja, o deserto, andei um pouco a volta, junto as paredes da mansão, até que encontro uma moto 4x4 com outros veículos, eu já tenho a carta de condução e sabia andar de bicicleta por isso não devia ser muito diferente ou difícil, e como a moto é a única com as chaves, arranquei assim que me sentei no assento, não estava habituada aquilo, mas era a minha saída daquele cativeiro e podia não ter mais nenhuma.