Manual De Um Homem Apaixonado

By LayBispo5

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É certo que, quando se trata de poder, há muitas ramificações. Existe o poder absoluto - esse ninguém possui... More

Vidas e vidas
Chocolate branco
Uma nova manhã
Nova perspectiva

Meu vício. Nosso vício

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By LayBispo5

O nome de um homem ele vem de algum canto das cacholas de um pai louco ou uma mãe disturbada, e poucas das vezes de tios solteirões, avós aposentados que mal lavam suas próprias meias; o meu veio do meu irmão. 

Ele adorava um tal personagem bíblico que um anjo chamado Miguel lutou pelo corpo dele depois de morto; nisso disse o nome a minha mãe e insistiu tanto que ela me nomeou Miguel, é certo que talvez naquele momento ela estava embriagada de drogas e álcool. 

Isso tudo, ele me contou, enquanto também chupava um baseado dos grandes. 

De pensar agora que não devia tê-lo matado daquela forma. Mas ele me irritou á beça. E cara, quando digo a beça, foi a beça. Imagine que você tem uma linda garota, ou um lindo garoto, contando com o fato de que nesse momento eu não sei qual gênero você escolheu para seguir os lindos passinhos da vida — e como isso ficou interessante. Na minha época não podíamos escolher assim. Juro que queria ter nascido agora, podíamos até ter a mesma idade, não? Quantos anos tem, leitor? Enfim... Imagine sua linda garota ou lindo garoto; e a sua juventude aflorada e desinibida. Os primeiros passos do amor! 

Deve tá pensando "Ele caiu em amores com ela?"

Não, não. 

Ele conta que você é um doente sádico do caralho. Imagine aí, essa pessoa te odiar a ponto de colocar a polícia inteira do país atrás de você. E isso acaba com a sua vida. Com os seus planos. Com os seus malditos planos.

Agora se passou um bom tempo. Tempo suficiente. Se ele estivesse aqui, eu o perdoaria, quem sabe. Não aqui. Aqui, agora. Por que nesse exato momento, só consigo ver o sangue jorrando, esse está mais escuro do que nunca. 

Giro no calcanhar e me aproximo, da mesa, deslizo o dedo sobre a garganta do homem, onde o sangue pulsa para fora, pego um pouco no dedo. É. Também está espesso. Talvez ele estivesse prestes a ter uma trombose muito horrenda. Ia morrer de qualquer jeito.

O rosto pálido tem os olhos mais morto do mundo. Morto. Literalmente mortos. Ele vê o que? O meu rosto de pele firme e corada, barba rala, o cabelo negro, o sorriso de canto? Ou nada. Ele não vê nada. 

Pensei que esse resistiria por mais tempo, mas não, ele não resistiu. Implorou e implorou para deixar esse mundo de uma vez. E eu como um bom guia o conduzir o mais depressa possível à amada anfitriã. A querida morte.

Alguém já te contou meu deslumbrante leitor, que um homem ele percebe que a vida é muito mais bela do que parecia ser, um segundo antes de sua morte? Não? Ah, mas é! Não que eu já tenha tido essa experiência. Na verdade, já tive. Uma vez quase morri afogado quando tinha 12 anos, mas naquele momento não tinha vivido o suficiente para pensar em uma vida, lembrei mais do meu kit de golfe novinho, que ia ficar para meu irmão. Mas de todas as pessoas que deitou nessa mesa, como esse homem aqui, todas elas imploraram para viver.

E por que? Porque a vida em um instante se transformou em algo tão mais raro e importante quanto uma pedrinha de diamante. 

Mas você deve estar se perguntando quem sou eu, e por que tanta baboseira... Ah, é meu carma! Sabe que agora diante dessa mesa, vendo esse corpo estirado, dando sacolejos, a veia espirrando esse belo sangue que escorre até a cuba no chão, é a minha vida... Oh, eu não sou nenhum demônio. Ou talvez seja. Bem, não sei. Talvez você me diga.

Sexta à noite, a rua está escura, mas aquele letreiro em vermelho pisca, vivido. Vermelho. Tenho um certo apego por essa cor. É incrível como ela faz meus olhos brilharem e meu peito queimar. 

Recostado sobre a parede do prédio da esquina eu observo o homem arrastando a garota. Ela está bêbada, bêbada demais para ter noção que não devia de forma alguma ter bêbedo exatamente nesse bar e exatamente hoje. Ou talvez esse seja o seu dia. Já ouviu alguém dizer isso? Que tem o dia de cada um. Céus, é para rir!

Por que não existe isso. Por que sei? Por que eu escolho. E às vezes depende muito do meu humor. Como agora, estou feliz. É, eu acho. Feliz! Por que essa palavra me soa estranho? Não sei. Não sei dizer.

O homem depois de colocar a garota no carro arrasta o veículo. 

Eu analiso o carro seguir até sumir, depois caminho pela rua; alcanço meu carro do outro lado e entro; dou partida e sigo o mesmo trajeto que os pneus da Toyota fez. 

É sempre o mesmo lugar. Depois a pobre menina aparece em um noticiário, em alguma vala. 

Se sou um Salvador da pátria? 

Longe disso.

 Não ligo para a pátria nem a puta que a pariu. Agora eu só anseio por algo.

 Sangue. 

Você deve está me comparando a qualquer coisa que já viu em filmes ou até a algum louco sádico que foi preso e sua história bombou pelo mundo. Não, não, não me compare a tal coisa. Não sou nem de perto o mocinho. E acho que também não sou o bandido. Depende de como você ver. 

Enquanto dirijo olho pela janela, a cidade está bela. Mais bela do que nunca. Mais bela do que a uma semana atrás. Tinha aquela coisa de que havia uma ameaça de uma bomba nuclear. Foi terrível. Bom, pense nisso: A uma semana atrás a humanidade estava prestes a ser extinta. 

Eu? 

Eu fiz nada.

 Apenas esperei e esperei enquanto fumava um cigarro, e olhava pela janela o momento em que ia queimar. Queimar ou seja lá o que que ia acontecer.


Quando chego ao local, avisto a Toyota já parada em frente ao chalé. Precisei me manter afastado dele o máximo possível ou eu mesmo iria arruinar meus planos para ele.

Estaciono atrás, pego a minha mochila e coloco nas costas. Caminho em direção a porta. Daqui, já consigo ouvir o barulho lá dentro. Ele deve está agora mesmo, retirando as roupas da garota. Ou não. Sabe lá Deus o que ele tá fazendo. Bom, não me importo tanto com isso.

Na varanda, retiro a bolsa e pego o quite de arame cortante. Primeiro coloco na saída da varanda, o bom disso é que meu grampos se fixam em qualquer lugar. Ele tem garras e são muito firmes. Poderia passar um javali que ainda não quebraria essa coisa.

Depois caminho em redor da casa, devagar, os passos de nuvens flutuantes. Há duas janelas laterais. Nelas eu apenas coloco um único fio de arame no meio.

Eles não matam mas fazem um belo estrago.

Depois eu volto. Me preparo, ajeito as luvas, o boné. E então me aproximo da porta. Bato duas vezes de leve. O arame entre os meus dedos esperam pacientes.

Assim que o homem abre a porta e olha. Levo as duas mão e acerto um soco no seu nariz, em seguida enrolo o arame em seu pescoço. Ele tenta escapar. 

Se debate. 

Quase me levar junto, pelo fato de ser forte e alto, mas eu aperto mais e cada vez mais. Finalmente o homem tomba e cai de joelhos. Leva uns segundos ainda tentando lutar mas logo sua cabeça pende.

Sabe quando precisa parar de enforcar!? Quando o sujeito está entre a semi consciência e a consciência, se não parar nesse momento pode acabar matando o sujeito. E não é isso que queremos... Ou não, não é isso que eu quero. 

Tenho algo bem melhor preparado para ele.

Agora você deve tá muito mais confuso do que antes. Não, não, não fique. Somos dois predadores convivendo nessa cadeia alimentar. O fato é que eu estou no topo e ele em algum canto abaixo.

Os passos seguintes, claro nos trouxe aquí, na minha mesa de ferro. Ela é boa, tem os entalhes perfeitos para o sangue correr e atingir a cuba em baixo. Já viu a de um médico legista? É idêntica. Não tanto. 

E agora você deve estar achando que estou tentando criar uma empatia contigo, longe de mim. E se estiver se perguntando se sou alguém que tenta limpar a escória do mundo, não, também eu não sou. 

Foram tantos inocentes quanto culpados. Não me envergonho disso. Acabei de te dizer que estou no topo. Um predador. 

Já pegou um leão chorando com remorso por que comeu sua presa? É, é óbvio que não. 

Ó criatura, nem te devo qualquer satisfação. Não, não ligo se agora estar me achando um dos homens mais hediondo. De forma alguma estou tentando captar teu fascínio.

Esse sou eu.

Eu faço porque gosto, pois isso impulsiona minha alma; pulsa em minhas velhas e — pera, vamos lá, você vai entender. 

Veja agora... 

Tem algum vício? Se tem, imagine agora passar um tempo sem isso e então ser liberado em meio a tantos do objeto de teu fascínio. Ou não, julgando que tu não tem vício algum. Imagine a fome. Uma fome gigantesca. E então parado em meio ao mundo escasso, de repente uma chuva do que tu mais aprecia. É. É isso. É a isso o que se assemelha. Me veio agora a mente, o vampirismo, se de fato existisse... Sabe do que digo... Mas não, acho que essa ânsia é ainda mais avassaladora.

Bom, por isso, essa alma está aquí diante de mim, dando seus últimos pinotes da vida.

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