Sleep Tight

By sosjkwy

35 7 0

A angústia e o medo borbulhavam a cada fuga. Mesmo em clara vantagem, o risco de perderem algum dia existia e... More

Baby, come and lay with me tonight

35 7 0
By sosjkwy


Playlist da história: The Sin: Vanish - Enhypen

🦇

Notícia de última hora!

O grupo de vampiros mais procurados atualmente, denominado de "ENHYPEN", foi visto fugindo em uma vila ao norte de Riverfield. Infelizmente, mesmo sofrendo alguns ataques, não foi possível capturar nenhum deles.

Se caso forem vistos por QUALQUER pessoa, liguem para as autoridades IMEDIATAMENTE e se ESCONDAM em suas casas!

Ass: Vampire Now

🦇

   Fugir não era exatamente complicado, mas também não era algo simples. A partir do momento em que suas vidas mudaram drasticamente por suas próprias decisões — não erradas, mas altamente mal vistas pelas pessoas —, eles sabiam que não iam conseguir voltar a ter a mesma vida que tinham. A necessidade de sempre estar um passo a frente dos que o perseguiam, a repulsa de se sentirem tão negados por humanos que não o criticaram antes e, principalmente, o medo genuíno de perder algum membro do grupo por um descuido ou uma emboscada bem planejada. Os sete vampiros concordavam na ideia de não se arrepender do "pecado" que cometeram, mas não podiam negar a ideia de querer que as coisas pudessem ser diferentes. Pudessem ser melhores.

   Mas só desejar não era suficiente, por isso a realidade atual deles era se esconder em lugares que conseguiam achar e esperar que fossem passar despercebidos por um bom tempo, como a cabana abandonada que estavam fazia alguns dias, longe o bastante da cidade que tinham sido vistos e perseguidos para parecer minimamente seguro. Por enquanto.

— Já tá em vários jornais, a nossa nova aparição e mais uma perseguição sem sucesso — Sunoo quebrou o silêncio que estava na sala naquela final de tarde, enquando olhava fixamente para o celular descartável em mãos — Muitas pessoas tão zoando os agentes, dizendo que não conseguem capturar nem um de nós mesmo depois de meses.

— Bom, eles não têm culpa que nós somos muito mais rápidos que eles. E fortes. E bem mais espertos também — Sunghoon deu de ombros com indiferença, mas não conseguiu esconder o sorriso de canto que apareceu em seus lábios.

— Sério, eles não conseguiram nos pegar nem quando fomos atropelados por aquele fazendeiro.

— Riki, isso não é motivo de piada. Se jogar na frente daquela caminhonete foi bem imprudente, você e os outros três idiotas podiam ter morrido ou, pior, serem pegos e torturados — Jungwon se pronunciou com um tom mordaz, encostado na parede e olhando para fora da casa pela fresta da cortina.

— Amor, não precisa ficar tão tenso.

— Eu não tô falando com você agora, Park Jay.

— Eu sei, Won. E já pedi desculpas antes, mas só tô dizendo isso porque às vezes parece que eles nem tentam. São uns fracotes, isso sim — O loiro mais alto comentou com os ombros encolhidos e passou os dedos rapidamente pelos arranhões que tinha no rosto, resultado do acidente citado nessa mesma conversa.

   Mesmo sendo criaturas que se curam mais rápido que os humanos, eles não conseguiam curar todos os machucados, principalmente os mais graves, como a maioria imaginava, e o cansaço de suas rotinas caóticas também dificultava esse processo. Era raro os momentos de tranquilidade que podiam ter um com o outro.

   Heeseung sentiu sua mão ser apertada com mais força pelos dedos de Jake e automaticamente virou seu rosto para encarar o homem bonito, se deparando com uma expressão conflituosa. O Lee sabia que aquele assunto incomodava muito o outro, por ser tão recente e por Riki e os auto denominados por Jungwon como "outros três idiotas": Jay, Sunghoon e o próprio Heeseung terem saído bem machucados daquilo. Alguns podiam achar que aquela angústia do moreno era porque, como sete vampiros ligados por sangue e por alma, quando um se machucava, o resto também sentia, mesmo que fosse em uma intensidade menor. Porém Heeseung sabia bem melhor, sabia que Jake não conseguia os encarar — encarar ele — sem pensar que por um minuto, as chances deles escaparem e saírem vivos eram menor do que eles serem pegos. Realmente, foi muita imprudência deles. Ele se sentia péssimo por preocupar tanto seu amado daquele jeito, mas também sabia que, na situação deles, era algo inevitável.

— Jaeyunie — Heeseung chamou o homem e agarrou delicadamente seu queixo, para que seus olhos gentis se encontrassem com as íris azul piscina — Meu bem, estamos aqui, ok? Estamos bem.

— Sim, estamos aqui. Os sete estão aqui, juntos e seguros — O Sim murmurou mais como se fosse uma pergunta do que uma afirmação, por isso Heeseung fez questão de acenar com a cabeça várias vezes e dar um beijo em sua bochecha, transmitindo sua completa sinceridade.

— Quer um copo de água e depois ir para a cama, para que a gente possa se abraçar a noite toda?

— Sim, por favor.

🦇


   Heeseung sonhou com as luzes da grande cidade cegando seus olhos, com o barulho das sirenes dos carros dos agentes e com a sensação da adrenalina se misturando com seu sangue pela correria sem fim. Só que ele sabia que aquilo não era apenas um sonho e, sim, suas memórias do dia em que eles fugiram de Seul em plena noite movimentada. Isso fazia algumas semanas, mas sentia como se tivesse sido ontem. Os sete estavam se comportando como humanos normais — alguns deles tinham até pintado seus cabelos para não serem facilmente reconhecidos — mas, de algum jeito, a divisão especial os acharam.

   Deveriam ter estranhado o modo que aquele barbeiro olhou para ele, Jungwon e Jay, mas talvez estivessem focados demais em saber o que aquele garoto perdido estava fazendo ali para se apegarem aos detalhes. De qualquer forma, o drone que Jay notou pela janela do apartamento horas depois de terem chegado foi indício o suficiente para perceberem que tinham sido seguidos e descobertos. A ligação de Sunghoon, que tinha saído com Jake para tomar um café e comer algo, dizendo que foram atacados só intensificou isso. Só de lembrar do seu namorado explicando os acontecimentos — já quando tinham escapado e estavam juntos e relativamente seguros —, que estava sentado na frente da confeitaria e bebia sua bebida em paz quando viu uma bala, tão afiada e rápida que parecia uma faca, passar bem do lado do seu rosto e acertar sua caneca, fazia o sangue de Heeseung ferver e repensar sua ideia de não machucar aqueles policiais sem noções.

   As coisas aconteceram rápidas depois disso. Os sete se reuniram e arrumaram suas coisas na velocidade da luz, saindo pela rua antes que pudessem ficar cercados. Eles tiveram que se separar em alguns momentos, como quando Sunoo e Jungwon foram para cima de um prédio e Riki causou um pequeno acidente sem qualquer vítima como forma de despistar os agentes enquanto Sunghoon e Jay roubavam um carro qualquer, mas todos os sete conseguiram escapar são e salvos. Na verdade, aquela não era uma memória totalmente ruim. Era em uma época que eles tinham tanta confiança que conseguiam ganhar que riam na cara dessas pessoas com bastante sarcasmo. Não que esse fato tenha mudado, o grupo continuava fugindo e continuavam saindo vitoriosos no final, mas se tornou tão emocionalmente cansativo. Já que, aproveitar a companhia um do outro e suas próprias vidas eternas simples, pareciam coisas bem mais distantes de acontecer.

   Afastando essas memórias da sua mente sonolenta, Heeseung piscou os olhos algumas vezes para que ficasse mais desperto e levantou seu tronco com seus cotovelos. De primeira já estranhou a falta de um outro corpo ao seu lado, mas logo se lembrou — como sempre — que Jake acordava mais cedo que ele, que fosse em um cochilo no meio da tarde ou de uma soneca longa pela noite. O homem arrumou seus cabelos de qualquer jeito e saiu do quarto descalço, querendo estar ao lado de seu amado mais do que nunca.

   Por algum motivo, sentia um aperto no peito e uma saudade grande de Jaeyun. Talvez pelas lembranças que sonhou, principalmente a que o Sim quase foi acertado.

— Ei, gente — Ele cumprimentou os três vampiros sentados na mesa da sala, Ni-ki, Jay e Sunghoon, que jogavam algum jogo de cartas — Onde tá o Jaeyun? E os outros?

— Jake e Sunoo foram patrulhar pelos arredores para ver se os policiais estavam pertos e o Wonie foi buscar mais água no poço aqui do lado — Jay comentou totalmente focado nas cartas em suas mãos, abrindo um sorriso de canto quando pensou em uma estratégia.

— O quê? Vocês deixaram o Jaeyun patrulhar sozinho?

— Acabei de dizer que ele e o Sunoo estão juntos.

— Sim, mas... — O Lee murmurou contraído e abraçou seu corpo com seus braços, se sentindo muito mal de repente.

— Eles vão ficar bem, Hyung. Os dois são bem mais responsáveis que a gente e você não nasceu grudado com o Jake hyung — Riki falou e mostrou um sorriso irônico para ele, recebendo um revirar de olhos e um bufo irritado.

   Não que ele não acreditasse nas palavras do mais novo — na verdade, eles sabia que as pessoas mais responsáveis do grupo eram os dois junto com Jungwon —, apenas se sentia desolado por nenhum motivo específico. Provavelmente a preocupação de Jake passou para ele e por isso estava tão paranóico, sendo assim, tentou relaxar e não ficar pensando tanto enquanto se sentava no sofá e assistia seus amigos gritarem um com o outro por culpa do jogo.

— Você tá trapaceando, seu moleque.

— Não seja tão mesquido, Jay Hyung. Lembra do nosso lindo ditado: Grandes mulheres não choram. Se você chorar, isso te torna apenas uma mulher pequena e com péssimo espírito de perdedor.

— Que vontade de te tacar na frente daquele caminhão de novo.

— O Jungwon te mata se você fizer isso.

— Eu não conto se você não contar, Hoon.

🦇

ALERTA!

Alguns individuos suspeitos foram vistos ao norte do pais, onde a ameaca com vampiros ainda e recente. As autoridades ja foram avisadas e estao se mobilizando para proteger todos os humanos que podem estar correndo risco de vida.

Fiquem em casa, fechem suas janelas e NAO confiem em nenhum vampiro. ELES SÃO O VERDADEIRO PERIGO!

Ass: Vampire Now

🦇

— Tenta falar com eles de novo.

— Eu já tentei mais de dez vezes, Heeseung. Eu não ouço nad-

— Não importa. Tenta de novo, quantas vezes forem necessárias.

— Para. Você precisa se acalmar primeiro, se não só vai piorar a situação — Jay disse com sua voz mais firme, começando um carinho nos braços de Jungwon já que sentiu o namorado ao seu lado estar chegando ao limite.

— Por que eu pareço ser o único em completo pânico aqui? A questão não é se a situação vai piorar ou não, ela já está ruim — Heeseung exclamou e passou as mãos pelo cabelo novamente, andando de um lado para o outro tentando formar um plano ou qualquer coisa que o ajudasse naquele momento — A gente não consegue falar com eles. Eu não consigo falar com ele e você quer que eu fique calmo? Tá me zuando, né?

— Não. Você mesmo disse, ele não tá respondendo nem você, então não adianta ficar tentando com o risco dos oficiais interceptarem o sinal e nos acharem.

   Como se não pudesse ficar mais complicado, aquela conclusão piorou a dor de cabeça do Lee. Porque, não importava a situação, Jaeyun sempre fez questão de respondê-lo pela ligação de sangue que os sete tinham, que os permitia se comunicar mentalmente por um período de tempo. Se isso não estava sendo possível, então algo estava acontecendo. Algo muito grave. Isso já era óbvio, na verdade, pois nenhum dos dois homens voltou da patrulha e já tinha passado mais de meia hora do horário combinado. Talvez ele e Sunoo foram vistos por cidadãos e assim os policiais começaram a procurar por eles, talvez eles tenham conseguido achá-los e já estava os levando para longe do grupo com algemas nas mãos ou, pior, talvez os oficiais não quiseram poupar a vida deles e os levar para a capital, preferindo matá-los logo que foram capturados.

   Heeseung sentiu a súbita vontade vomitar só de pensar nessa possibilidade.

— Mas- mas não podemos ficar sem fazer nada. Quero dizer, e se eles precisarem da nossa ajuda... — Ni-ki murmurou com as mãos trêmulas e respiração pesada, com as costas tão curvadas que ele parecia querer se fundir consigo mesmo.

— Eu vou sair pra ir atrás deles.

— Não. Heeseung, para e pensa por instante.

— Sim, Hyung. Você ir lá pra fora só vai te deixar em risco também, é melhor não.

— Vocês tão se ouvindo? Jay, um dos seus melhores amigos tá lá fora. Você também, Sunghoon, seu melhor amigo e namorado estão lá fora — Ele apontou para cada um dos citados, vendo suas expressões se tornarem mais doloridas a cada palavra — E vocês tão me dizendo para ficar aqui parado, esperando, como se a possibilidade deles estarem morrendo lá fora não fosse real? Não fode.

   Sabia que estava sendo injusto e egoísta, era claro que seus amigos estavam enlouquecendo de preocupação igual ele, mas tentavam manter a calma para que a situação não piorasse e também por puro comportamento de auto preservação. Não queriam pensar pelos caminhos piores, não queriam acreditar que seus pesadelos podem ter se tornado realidade.

— Não consigo esperar mais, tenho que encontrar eles.

— Heeseung, por favor-

Chega! Chega, todos vocês — A cabana de madeira ficou em completo silêncio depois do grito alto e raivoso de Jungwon, que foi encarado pelo quatro homens presentes imediatamente — Ninguém mais vai sair dessa casa e ponto final. Heeseung, todos nós estamos preocupados, mas surtar ou sair pra procurar eles só vai nos prejudicar e eles também. De agora em diante, deixamos a televisão ligada caso apareça mais alguma notícia e as mentes abertas caso um dos dois falem algo pela ligação. Ficamos aqui, esperamos e quando eles chegarem, os recebemos de braços abertos. Sem mais nenhuma discussão, entenderam?

— Sim.

   A espera foi torturante, mesmo que não tenha durado nem uma hora direito. Durante esse tempo, que Heeseung tentou pensar em outras coisas para não entrar em um espiral de possibilidades horríveis, ele se lembrou em como eles foram parar naquele lugar. Naquela situação, naquela vida de fugitivos.

   Nunca foi algo proposital, eles nunca imaginaram que suas ações causariam tudo aquilo. Porém também não era uma grande surpresa, já que aquela sociedade julgava e criticava antes de ouvir e acolher. Uma das vítimas desse sistema foi Sooha, a garota que Sunoo encontrou nos trilhos do metrô uma vez. Sem esperança na vida, sem qualquer bote de salva-vidas abaixo de si para que a amortecesse quando caísse por culpa das mesmas pessoas que os perseguiam agora. Foi fácil virar amigo dela e ajudá-la quando o Kim a apresentou, mas foi difícil quando tiveram que tomar uma decisão que mudaria todos os cursos de suas vidas. Sooha não se livraria da cruz que carregava apenas com coragem e companhia, precisava de muito mais. Ela precisava de outra vida.

   E foi assim que eles fizeram algo que juraram nunca mais fazer séculos atrás, a morderam e concederam o grande destino de ser uma vampira também. Ela implorou por isso e eles cederam à sua vontade, provavelmente o pior erro de todos. Um que não tinha volta. Dias depois, o governo descobriu e mudou a classificação dos vampiros de estavelmente fora de perigo para alerta vermelho: monstros perigosos que devem ser caçados e mortos. Passaram a visão de que os sete vampiros era ladrões e que tinham roubado a inocência humana de Sooha contra sua vontade, concluindo que todos da mesma espécie poderiam fazer algo do tipo. Entretanto, não fazia sentido. O governo e os oficiais não estavam tentando proteger a Sooha e o humanos, não quando queimaram a casa que a mulher tinha se abrigado com sua família esperando o caos diminuir para que fugissem para longe, só para
vê-los sofrer em agonia. Só para mandar uma mensagem de aviso e de vingança para eles.

   Os próximos são vocês. Vamos achá-los e matá-los, sem dó ou piedade.


   Heeseung não soltou nenhuma lágrima na primeira noite de deles como fugitivos, pois estava muito ocupado consolando Jaeyun que quase não respirava de tanto chorar em seu colo. Inesperadamente, Ni-ki também chorou, mesmo que tenha tentado esconder para se manter forte pelo grupo. Sunghoon e Sunoo estavam mais calados do que nunca, de mãos entrelaçadas e se apoiando indiretamente, e Jay se segurou com a mandíbula tensa para não fazer algo imprudente, como invadir o local e matar todos. Mas ele não se mexeu, pois pela primeira vez ele precisava ser o apoio maior do grupo porque Jungwon não conseguia. Jungwon parecia uma casca vazia de si mesmo, revisando suas ações e se culpando por todas elas.

   Foi difícil superar, mas ficou menos pesado com o tempo. Quando começaram a se acostumar, quando perceberam que os errados com certeza não eram eles. Entretanto, o Lee não se importava em se transformar no monstro que achavam que eles eram caso seu amado estivesse machucado. Ele jurou, se Jake aparecesse com algum arranhão, ele quebraria o pescoço de cada agente que aparecesse na sua frente.

   Hee, você tá acordado?

— Jaeyun — Ele ofegou e levantou de uma vez da poltrona, chamando atenção dos outros homens que o olharam com expectativa — Jaeyunie, você tá aí? Você e o Sunoo estão bem? Por favor, me diz que você tá bem, eu-

   Amor, respira. Desculpa a demora, mas eu e o Sun já estamos voltando. Avisa para os outros.

— Sim, claro. Vem rápido.

   Sempre.

   Depois que ele contou a notícia para o grupo era como se o ar tivesse ficado menos rarefeito, porque todos finalmente conseguiram respirar fundo e relaxar os ombros. Eles não tiveram que esperar muito, já que depois de dez minutos a porta se abriu e Jake e Sunoo entraram com seus cabelos bagunçados e as bolsas cheias, sendo cercado imediatamente por seus companheiros. Heeseung puxou Jaeyun para colar seus peitos e poder sentir seu cheiro com tanta ansiedade que o moreno tomou um pequeno susto.

— Sentiu tanta a minha falta?

— Você nunca, eu falo sério quando digo nunca, realmente nunca mais vai sair do meu lado. E principalmente sair sem mim — O Lee disse quando encontrou seus olhos com o do amado e sentiu suas emoções vierem com força total, se sentindo um pouco frustado quando apenas recebeu uma risada em troca — Eu tô falando sério, Jaeyun. Eu quase morri quando percebi que vocês não chegaram no horário e não respondiam pela ligação.

— Desculpa por te preocupar, meu amor. Mas eu tô aqui agora, né? — Jake mostrou um sorriso tranquilizador e acariciou as bochechas alheias, sentindo seu corpo ser abraçado novamente e com mais força.

— A gente realmente sente muito, galera. Não queríamos preocupar vocês, mas fomos longes o suficiente para não conseguirmos falar com vocês.

— Por que vocês se afastaram tanto assim? Eu disse para não irem além da cidade.

— A gente sabe, mas queríamos arrumar comidas melhores, já que pensamos que todos mereciam — Sunoo explicou e ergueu sua bolsa com várias frutas, pães e até alguns pedaços de queijo — Vimos alguns policiais, mas não nos aproximamos o suficiente para perceberem a gente.

— Tá vendo, Ni-ki? É assim que se faz.

— Não entendi sua frase.

🦇

   Já era madrugada. Não que ele se importasse — afinal, eles eram criaturas da noite —, mas Jaeyun sempre preferiu dormir mais cedo que a maioria, por isso se sentia cansado naquele momento. Porém era um cansaço bom, mostrando que a festa que fizeram só entre eles depois dele e Sunoo chegarem foi bem proveitosa. Depois que o desespero dos que ficaram na cabana pensando na razão do sumiço deles passou, os sete vampiros conseguiram aproveitar a companhia um do outro entre risadas, amor e comidas gostosas. Fazia tempo que não se divertiam assim, então foi realmente bom. Foi curativo.

   E como o outro tinha dito, Heeseung não desgrudou dele nem por um segundo depois que viu ele entrar por aquela porta.

— Eu realmente pensei no pior. Não sei porquê, mas eu tive um sonho estranho e quando acordei você não tava aconchegado do meu lado. Eu surtei, talvez um pouco demais.

— Não foi demais, Hee. Eu que peço perdão por não ter te acordado pra avisar que ia sair ou por deixar vocês preocupados só porque ficamos mais tempo fora do que o normal — O Sim se ajeitou ainda mais no colo do namorado e continuou a massagem em seus ombros, mostrando sua expressão mais gentil — Talvez minha paranoia tenha passado pra você.

— Talvez. Ou talvez essa situação só realmente começou a me afetar agora, quando lembrei de todas as vezes que eu quase perdi você ou um dos meninos, mas não tinha me tocado na hora — Heeseung murmurou e passou seus dedos delicadamente pelas laterais do outro, tentando se segurar em algo tátil, algo real.

— Sobre isso, eu infelizmente não posso te fazer esquecer. Até porque, nem eu consigo esquecer na maioria dos dias — Jaeyun falou melancolicamente, logo distribuindo alguns selares na boca e bochechas do Lee — Mas eu quero te fazer esquecer de hoje, desse pequeno incidente infeliz. Exatamente como você fez comigo alguns dias atrás.

— Como posso lembrar de outra coisa quando você tá tão lindo na minha frente?

   Seus lábios se juntaram com sorrisos combinando, não conseguindo segurar a felicidade quando estavam juntos. Jake subiu suas mãos para a lateral do pescoço e fios na nuca de Heeseung, enquanto ele puxou ainda mais o corpo alheio e o envolveu com seus braços nas costas do moreno. Eles se beijaram sem interrupções, sem parada para respirações ou palavras. E não era nada sexual ou fervente, não. Os dois homens entrelaçavam suas línguas como se aquilo fosse o que fariam viver, como se quisessem se fundir simplesmente pelo fato de que seus corações só encontravam a pura plenitude quando batiam em um mesmo ritmo.

   Eles eram a casa, o significado de amor verdadeiro e a paz um do outro.

— Sabia o que eu queria fazer? — Heeseung sussurrou quando os dois deitaram a cabeça de lado nos travesseiros, não parando de se tocar ou de se olhar — Se a gente precisa fugir pra sempre, eu queria que a gente fosse pra uma ilha. Uma só nossa, que a gente pudesse respirar em paz o tempo que quisesse e sem esse medo de perder algum de nós.

— Teria que ser uma ilha perdida no mapa.

— Isso, eu queria a nossa própria ilha perdida.

— Então, eu já vou começar a pensar em como fazer nossa própria casa nessa nossa própria ilha — O Sim comentou com um sorriso tímido, mas verdadeiramente apaixonado, e afastou uma mecha clara da testa do namorado — Morando só nós dois, como se fôssemos casados, com filhos e um cachorro.

— O ambiente de praia da nossa ilha ficaria perfeito para o nosso futuro casamento — Heeseung encostou suas testas e mostrou seu olhar mais sincero para Jaeyun, tão brilhantes que o cegou por um instante.

   Aquela ideia, por mais linda que parecesse, ainda estava longe de acontecer. O governo não os dava alguma trégua e talvez nunca dessem, não até que matassem todos os sete. Porém isso também era uma ideia impossível de acontecer, pois eles fugiriam e lutariam para um futuro com todos eles juntos e vivos. O destino deles não estava condenado, não quando ele já se mostrou estar ao lado deles tantas vezes no passado. Jake sentia ainda mais isso em momentos como aquele, deitado na cama do quarto iluminado pela Lua com a respiração de Heeseung no pescoço e seus braços o aquecendo, enquanto ouvia as vozes e risadas de sua família bem ao fundo nas paredes da casa.

   Eles podiam ser fugitivos, mas também eram sobreviventes. E fariam questão de ganhar todas as batalhas e guerras lado a lado, das pessoas que amavam acima de tudo.

— Eu te amo muito, Jaeyunie.

— Eu também te amo, Hee. Eu vou estar aqui quando você acordar, então durma bem, ok?

Continue Reading

You'll Also Like

47.5K 5.8K 15
Jake Shim. Um garoto australiano consideravelmente popular, era o que todos diriam, porém ele tinha um segredo.... Segredo esse que só seu melhor ami...
2M 165K 51
S/n é uma garota de origem brasileira. Casada com Kim Taeyhung, o CEO da empresa M.K "Modelo Kim" mais famosa do mundo. Taeyhung odeia S/n por ter ac...
93.7K 12K 26
[EM ANDAMENTO] [MPREG] Antes de descobrirem quem o outro realmente era, os dois cometeram o melhor erro de suas vidas: passaram uma madrugada juntos...
Wattpad App - Unlock exclusive features