RUBRA - The Freak Circus

By autoranevelinah

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+18! HARÉM REVERSO Sob a sombra da lona rubra, artistas de beleza cruel e olhos inumanos passam a girar ao se... More

UM
DOIS
TRÊS
QUATRO
CINCO
SEIS
SETE
OITO
NOVE
DEZ
ONZE
DOZE
TREZE
QUATORZE
QUINZE
DEZESEIS
DEZESSETE
DEZOITO
DEZENOVE
VINTE
VINTE E UM
VINTE E DOIS
VINTE E TRÊS
VINTE E QUATRO
VINTE E CINCO

VINTE E SEIS

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By autoranevelinah

A cabeça dele voltou para a posição original com uma calma aterrorizante. Por trás dos buracos negros dos olhos da máscara, eu senti, mais do que vi, o interesse dele se acender. A respiração dele mudou, tornando-se mais profunda, mais rasgante.

- De novo - a voz dele saiu rouca, arrastada como se tivesse sido moída entre pedras.- faça de novo... Visitante.

Eu fiquei paralisada, a boca meio aberta, tentando processar o que acabara de ouvir. O sangue gelou nas minhas veias. Não era um desafio, era um pedido. Um pedido lamurioso, cheio de uma necessidade doentia. Ele não se ofendera. A dor e a humilhação não o tinham afastado, pelo contrário, pareciam ter despertado uma fome nele.

- O que...? - sussurrei, dando um passo para trás, mas ele acompanhou o movimento.

Antes que eu pudesse escapar, a mão dele disparou. Seus dedos cerraram em volta do meu pulso com uma força brutal, como se fossem tenazes de ferro quente. O aperto foi imediato, cortando a circulação, prendendo mim no lugar. Eu tentei puxar o braço de volta, mas ele era imóvel, uma rocha intransponível.

- Eu disse de novo - ele repetiu, aproximando-se. O cheiro dele era uma mistura intoxicante violeta, um aroma floral suave e atalcado e algo metálico, como sangue seco. - Ah...Me bata, Visitante. Faça doer. Me puna por eu ser incoveniente pra você - sua voz era suplicante.

Minhas bochechas esquentaram.

- Você é doido - a minha voz tremia, uma mistura de confusão e um pavor visceral que, confusamente, começava a se misturar com outra coisa. - Vou embora daqui. Solta meu braço!

Ele não soltou. Pelo contrário, ele puxou. O movimento foi tão violento que eu perdi o equilíbrio, meus calcanhares tropeçando no carpete felpudo. O mundo girou e, no próximo segundo, minhas costas colidiram com força a algo frio e duro. O espelho rangeu com o impacto, mas segurou. Eu estava presa entre o vidro gelado e o corpo quente e rígido dele.

A superfície do espelho congelou minha espinha através da blusa fina, mas a frente do meu corpo estava pressionada contra a dele. Eu podia sentir o peito dele subir e descer contra o meu, a dureza dos músculos sob o tecido de seu traje. O pânico tentou tomar conta da minha mente, gritando para que eu lutasse, batesse, mordesse. Mas quando olhei para cima, para aquela máscara branca e preta, minhas pernas falharam.

Havia uma energia dominante emanando dele, uma aura de controle absoluto que paralisava qualquer resistência racional.

- Solta... - comecei, mas a palavra morreu na minha garganta.

Ele não me deu tempo para terminar. A cabeça dele desceu e a boca dele cobriu a minha.

Não vi o momento em que ele moveu a máscara para o lado, mas foi feito.

Não foi um beijo, foi um ataque. Seus lábios eram firmes, exigentes, esmagando os meus com uma fome que eu nunca tinha experimentado antes. Eu mordi os lábios dele num reflexo de defesa, tentando ferir de verdade, mas ele apenas grunhiu, gostando da minha ação, um som baixo vindo do fundo da garganta, e aprofundou o beijo. Sua língua invadiu minha boca, explorando, saboreando como se eu fosse uma refeição que ele esperava desde quando nos vimos.

Eu tentei empurrá-lo. Minhas mãos bateram contra o peito dele, fazendo força para afastá-lo, mas era como tentar empurrar uma parede de tijolos. A resistência física dele só serviu para aumentar o calor que se espalhava pelo meu corpo, uma traição completa dos meus sentidos.

Minhas mãos, que deveriam estar empurrando, começaram a relaxar, os dedos se curvando para agarrar o tecido da roupa dele, puxando-o para mais perto em vez de afastá-lo.

A mão dele que não segurava o meu pulso desceu pelo meu corpo, descendo pela minha cintura com uma pressão possessiva. Os dedos dele roçaram na lateral do meu seio, apertando a carne macia com força, e eu soltei um gemido abafado contra a boca dele. O som foi vergonhoso, um pedido de misericórdia que soava mais como um convite. Ele ouviu. Ele entendeu.

Ele quebrou o beijo por um segundo, apenas para mudar o ângulo, e então desceu os lábios para o meu pescoço. Seus dentes roçaram na pele sensível, mordiscando, deixando um rastro de fogo e pequenas pontadas de prazer-dor que me fizeram estremecer. Eu estava ofegante, o peito arfando, procurando ar que parecia ter sumido.

- Você gosta disso... Me aceitou de bom grado- ele sussurrou, a voz carregada de uma certeza arrogante. - Ou.. adora ser forçada?

- Não... - a palavra saiu fraca, sem convicção.

Como ele consegue dizer isso? Sem nenhuma vergonha. Incrível como que um simples gesto pode mudar o que acontece a seguir.

E por Deus, eu não me arrependo.

Sua mão subiu novamente, desta vez sem cerimônia, cobrindo meu seio esquerdo e apertando com brutalidade. A palma da mão dele roçou no meu bico endurecido através do tecido da blusa, e uma onda de choque elétrico percorreu meu corpo, indo direto para entre minhas pernas. Eu estava molhada, escorrendo, uma umidade vergonhosa que manchava a calcinha. Ele sentiu o relaxamento dos meus músculos, a entrega involuntária da minha postura.

- Sua mentirosa - ele riu, um som sombrio e excitado.

A mão dele dele no meu pulso soltou-se, apenas para descer e agarrar minha bunda com força, puxando meu quadril contra a dele. Eu podia sentir o volume duro dele, empinado contra a barriga dele, pronto e esperando. O atrito dos tecidos, o cheiro dele, a frieza do espelho nas minhas costas e o fogo na frente criaram uma tempestade sensorial que apagou qualquer pensamento coerente.

Ele beijou-me novamente, e desta vez eu não tentei empurrar. Eu respondi. Minha língua duelou com a dele. Eu estava me afogando naquele beijo, nos sons sujos que nossas bocas faziam ao se colarem. As mãos dele estavam em todo lugar. Ele não pediu permissão.ele tomava.

E, Deus, como eu queria ser tomada.

A falta de ar começou a queimar nos meus pulmões. Minha visão estava ficando escura nas bordas, as estrelas dançando atrás das minhas pálpebras fechadas. Eu não conseguia respirar, não conseguia pensar, só conseguia sentir. A mão dele deslizou encontrando a minha coxa, e eu arquei as costas contra o espelho, pronta para desabar, pronta para qualquer coisa que ele quisesse fazer comigo. O mundo se reduziu à pressão dos lábios dele e à mão que subia, implacável, em direção ao meu centro pulsante.

Finalmente consegui afasta-lo, em um momento em que voltei a realidade. Ele se moveu, mas seus olhos - aqueles buracos negros por trás da máscara - acompanharam cada milímetro do meu recuo com uma intensidade que me sufocava.

O ar parecia ter ficado espesso, difícil de engolir. Eu sentia meu peito subir e descer num ritmo errático, os pulmões subitamente pequenos demais para o oxigênio daquela sala.

- Não... Eu... eu não deveria ter feito isso - murmurei. Minha voz soou estranha, um segredo que escapou antes que eu pudesse contê-lo.

Passei a mão pelos cabelos, tentando desesperadamente organizar os fios e, junto com eles, os destroços da minha dignidade. Meus dedos tremiam. Eu conseguia sentir o calor da pele, o rastro do que tinha acabado de acontecer queimando como uma marca.

- Que porra... - soltei um suspiro pesado, fechando os olhos. Eu precisava de um segundo de escuridão para não ter que encarar a realidade à minha frente.

A vergonha logo foi atropelada por uma onda de raiva. Era mais fácil ficar brava com ele do que lidar com o vazio no meu estômago. Ele tinha testado cada uma das minhas defesas, avançando centímetro por centímetro, até que eu não tivesse mais para onde recuar. A culpa era dele. Tinha que ser.

Olhei para ele, esperando qualquer sinal de remorso, mas o bilheteiro apenas me observava. Um sorriso lento e mudo se desenhou em sua máscara- uma risada sem som ecoou. Ele desviou o rosto, achando graça. o perfil banhado por aquela luz pálida, e disse com uma calma que me deu náuseas.

- Você gostou.

Não foi uma pergunta. Foi uma constatação fria, um espelho colocado na frente da minha maior fraqueza. Meu rosto queimou instantaneamente. Eu queria gritar que era mentira, queria encontrar uma justificativa lógica, mas o meu corpo ainda vibrava, traindo cada negação que minha mente tentava construir. Ele sabia.

- Eu odeio você - disparei. As palavras saíram ácidas, tingidas pelo veneno da minha própria frustração.

Girei sobre os calcanhares antes que ele pudesse ver qualquer outra rachadura na minha máscara. O som dos meus passos no chão era a única coisa que me mantinha ancorada enquanto a urgência de fugir tomava conta de mim.

- Eu vou embora.- gaguejo - E não encoste mais em mim - rosnei, a voz tremendo de raiva... Ou talvez vergonha.

Ele não respondeu. Apenas me observou, imóvel, como se saboreasse o espaço que eu tentava colocar entre nós. Pela primeira vez desde que entrei na tenda, ele não avançou. E aquele controle deliberado me aterrorizou mais do que qualquer investida.

Virei-me bruscamente e comecei a caminhar em direção à saída. Meus passos ecoavam altos demais no corredor de espelhos, o coração martelando contra as costelas. Idiota. Todos ali eram loucos. Monstros.
Passei pelo espelho central e congelei.

Meu reflexo havia desaparecido. O ar abandonou meus pulmões.

Lentamente, com o corpo rígido de pavor, voltei os olhos para o vidro.
E lá estava ela.

A Flor.

O vestido rosa antigo caía sobre o corpo como pétalas mortas. Os cabelos escuros emolduravam um rosto pálido, etéreo... e dolorosamente idêntico ao meu. A mesma linha da mandíbula. Até o ritmo da respiração - o meu ritmo - era reproduzido com perfeição cruel.

Ela me encarava do outro lado do espelho com uma tristeza profunda, resignada. Como quem olha para o próprio destino se repetindo pela milésima vez.

- ...não... - sussurrei, a voz falhando.

Ela ergueu a mão devagar e encostou os dedos no vidro, exatamente no ponto onde os meus tocariam se eu ousasse me aproximar.

Atrás de mim, o silêncio do Bilheteiro tornou-se mais denso. Pesado. Expectante.

Senti sua presença como uma lâmina encostada na nuca. Ele não se mexeu, não falou, mas eu sabia - com cada fibra do meu ser - que ele observava. Que ele aguardava, com uma paciência predatória, para ver o que eu faria agora.

E, pela primeira vez, entendi que o verdadeiro espetáculo daquela tenda não era o que acontecia nos espelhos.

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