O sol brilhava forte sobre as colinas da Judéia, mas na bela casa da família de Sn, a vida sempre foi de muito respeito e cultura.
Você era judia, de linhagem pura, criada sob as leis e tradições do seu povo. Mas seu pai, Samuel, era um mercador muito rico e astuto. Ele não só negociava tecidos finos, especiarias e óleos perfumados, como também tinha bons contatos com as autoridades romanas. Ele sabia como viver no meio do mundo, mantendo a fé, mas prosperando financeiramente.
Por causa disso, vocês viviam bem. Tinham uma casa grande, perto da cidade alta, onde moravam os nobres. Você cresceu aprendendo a ler, a escrever, a costurar bordados finos e a entender de política e etiqueta.
— Minha filha — dizia seu pai, olhando para você com orgulho. — O mundo é difícil. Mas uma mulher inteligente, com beleza e educação, consegue abrir portas que nem o dinheiro abre. Seja forte, mas seja doce.
E você era exatamente assim. Havia algo diferente em você. Um olhar sereno, uma voz calma, mas que tinha autoridade. Você respeitava os romanos, mas não tinha medo deles. Sabia seu lugar, mas também sabia o seu valor.
Porém, como toda a população, você também sentia o peso da ocupação. Via as cruzes, via os soldados, e sentia no coração a esperança de que um dia o Messias viesse libertar o povo. Mas ao mesmo tempo, era prática: a vida tinha que continuar.
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Um dia, a notícia correu: A Governadora, a esposa de Pôncio Pilatos, Cláudia Prócula, havia chegado de Roma para ficar com o marido. Mas diziam que ela estava muito triste, sentia-se sozinha naquela terra estranha, e não se adaptava bem com as outras mulheres romanas que eram frias ou interesseiras.
Ela precisava de uma dama de companhia. Alguém que soubesse se portar, que falasse bem o aramaico e o latim, e que tivesse um espírito leve.
O próprio Pilatos, procurando algo para agradar a esposa e também manter boas relações com os líderes judeus, perguntou quem seria a pessoa ideal.
— O mercador Samuel tem uma filha... — comentou um dos assessores. — Dizem que ela é a mulher mais educada e bela da região. E tem uma paz que acalma qualquer um.
E assim, um mensageiro veio até a sua casa com um pedido oficial: "A Excelentíssima Senhora Cláudia Prócula deseja que Sn venha habitar na fortaleza Antônia e seja sua companheira e amiga."
Seus pais ficaram orgulhosos, mas também preocupados.
— Filha, você vai entrar na casa do leão — disse sua mãe, arrumando seu manto. — Lá é o mundo dos romanos. Tem poder, tem sangue, tem intrigas. Tenha cuidado.
— Eu vou, mãe. Eu sinto que posso ajudar ela — disse você, com um sorriso confiante. — Ela deve estar muito sozinha.