MERDA . . . ᵏⁿʸ

By innocedoll

60 5 1

Ela só queria sobreviver. Mas o universo tinha outros planos quando a jogou em um Japão feudal habitado por d... More

2-0

1-0

36 3 0
By innocedoll

A noite estava silenciosa demais.

Michikatsu limpou a lâmina lentamente, sentado à beira do pequeno riacho que cortava a floresta. A lua se refletia na água como um espelho prateado, e por um momento ele permitiu que seus pensamentos vagassem para seu irmão, para o caminho que escolheu, para a sensação incômoda de que algo sempre faltava.

O som de galhos se partindo o tirou do devaneio.

Seus dedos fecharam-se instantaneamente sobre o cabo da espada. Ele não precisou olhar para saber. A presença era familiar demais, aquele cheiro de putrefação, aquele arrepio na nuca.

Um demônio.

Michikatsu levantou-se com a graça calculada de quem passou anos aperfeiçoando cada movimento. Seus olhos percorreram a clareira até encontrarem a criatura, um demônio de aparência grotesca, com quatro braços e uma boca que se abria horizontalmente como uma ferida aberta.

— Um samurai... — a voz do demônio era úmida, viscosa. — Faz tempo que não como um guerreiro.

Michikatsu não respondeu. Não havia necessidade. Sua lâmina já estava em posição, seus pés encontraram o terreno firme, sua mente silenciou como fazia antes de cada batalha.

O demônio atacou primeiro.

Michikatsu esquivou-se com um giro, sua espada cortando o ar num movimento fluido. A lâmina encontrou carne, mas não o suficiente o demônio já havia recuado, rindo com aquela boca horrível.

— Rápido — a criatura reconheceu, quase com admiração. — Mas não rápido o suficiente.

O próximo ataque veio de dois lados ao mesmo tempo. Michikatsu bloqueou um braço, desviou do outro, mas o terceiro o pegou desprevenido garras rasgando seu ombro, lançando-o para trás. Ele rolou no chão, sentindo o sangue quente escorrer pelo braço, e levantou-se a tempo de ver o quarto braço vindo em direção ao seu rosto.

Não haveria tempo para esquivar.

Então algo pequeno e marrom-acinzentado voou direto na cara do demônio.

— 𝘗𝘪𝘱, 𝘯𝘢̃𝘰! — uma voz jovem ecoou na clareira, em uma língua que Michikatsu não reconheceu completamente, mas que soava estranhamente familiar em algumas palavras.

O demônio grunhiu, confuso, tentando afastar a criatura que agora lhe arranhava os olhos. Era pequena um esquilo? mas ágil, movendo-se como se tivesse asas.

Antes que Michikatsu pudesse processar o que estava acontecendo, uma figura surgiu da escuridão como se tivesse sido projetada por uma mola.

Ela era pequena surpreendentemente pequena e vestia roupas que ele nunca tinha visto. Uma espécie de traje curioso que deixava seus braços completamente expostos e terminava em uma saia incrivelmente curta, revelando pernas que se moviam com uma agilidade impressionante. Seus cabelos escuros, cortados acima dos ombros, balançavam enquanto ela corria, e havia algo no movimento dela que lembrava mais um animal do que um humano flexível, graciosa, impossivelmente rápida.

— 𝘊𝘶𝘪𝘥𝘢𝘥𝘰! — ela gritou, e desta vez ele entendeu as palavras, mesmo com o sotaque estranho. — Ele tem quatro braços!

Michikatsu abriu a boca para dizer algo para alertá-la, para mandá-la fugir mas ela já estava em movimento novamente.

A menina, porque era uma menina, ele percebeu agora, com rosto de traços delicados e jovens saltou sobre um tronco caído como se fosse um simples degrau, seus pés encontrando impulso na madeira podre para lançá-la diretamente na direção do demônio. No ar, seu corpo curvou-se numa flexão impossível, desviando por centímetros de um dos braços da criatura, e quando ela caiu, foi em posição de corredora, mãos no chão, pronta para o próximo movimento.

O esquilo, porque era um esquilo, Michikatsu confirmou com seus próprios olhos continuava atacando o rosto do demônio, jogando o que pareciam ser pequenas pedras e castanhas com uma precisão irritante.

— 𝘗𝘪𝘱, 𝘢𝘨𝘰𝘳𝘢! — a menina ordenou.

O esquilo obedeceu instantaneamente, mergulhando em direção aos olhos da criatura. O demônio ergueu os braços para se proteger, deixando seu torso exposto por um instante.

Foi o suficiente.

Michikatsu moveu-se antes que seu cérebro pudesse ordenar décadas de treinamento falando mais alto. Sua lâmina encontrou o pescoço do demônio num golpe limpo, preciso, final.

A cabeça da criatura voou, seu corpo começando a se desfazer em cinzas.

O silêncio voltou a pairar sobre a clareira.

Michikatsu ficou imóvel por um momento, a respiração pesada, o ombro pulsando com a dor do ferimento. Seus olhos, no entanto, estavam fixos na figura diante dele.

A menina levantou-se lentamente, sacudindo a poeira das roupas. Ela era minúscula a cabeça dela mal chegaria em seu peito, ele percebeu, e seu rosto... seu rosto era como algo saído de um sonho.

Michikatsu já tinha visto mulheres bonitas. Como samurai, como guerreiro, como alguém que frequentara círculos onde a beleza era valorizada e exibida. Mas nunca tinha visto nada como aquilo.

Ela era como uma boneca esculpida por um artista divino, pele brilhante que parecia quase luminosa sob a lua, bochechas naturalmente rosadas como pétalas de flor de cerejeira, olhos grandes e brilhantes que refletiam a luz prateada como dois céus estrelados. Seus lábios, levemente entreabertos pela respiração ofegante, revelavam um pequeno adorno de metal no lado esquerdo um detalhe que deveria parecer estranho, mas que nela era simplesmente... encantador.

Os cabelos escuros, curtos e desalinhados pela batalha, emolduravam seu rosto de uma maneira que a tornava ainda mais marcante. Ele se lembrou, vagamente, de ter ouvido alguém dizer uma vez que mulheres de cabelo curto eram menos atraentes. 𝘘𝘶𝘦 𝘵𝘰𝘭𝘪𝘤𝘦. Nela, o cabelo curto acentuava cada traço, cada expressão, cada movimento daquele rosto que parecia esculpido por mãos divinas.

Ela era bela. Não apenas bonita, bela. De uma forma que roubava o fôlego, que fazia o peito apertar, que despertava algo primitivo e protetor em qualquer um que a olhasse.

Michikatsu sentiu seus dedos apertarem a espada com mais força, não por medo da garota, mas por uma sensação estranha que não soube nomear.

O esquilo, Pip, ela o chamou voou de volta para ela, pousando em seu ombro com um guincho vitorioso. A menina riu, um som suave como sinos de vento, e passou os dedos pela cabeça do pequeno animal.

— 𝘝𝘰𝘤𝘦̂ 𝘦́ 𝘵𝘢̃𝘰 𝘪𝘮𝘱𝘳𝘶𝘥𝘦𝘯𝘵𝘦 — ela murmurou, e ele percebeu que era a mesma língua estranha de antes. Mas então ela ergueu os olhos e o encontrou, e seu rosto iluminou-se de uma forma que fez algo estranho no peito de Michikatsu.

— 𝘝𝘰𝘤𝘦̂ 𝘦𝘴𝘵𝘢́ 𝘧𝘦𝘳𝘪𝘥𝘰! — ela exclamou, correndo em sua direção antes que ele pudesse reagir. — 𝘋𝘦𝘪𝘹𝘢 𝘦𝘶 𝘷𝘦𝘳...

Ela estava perto demais.

Michikatsu sentiu o cheiro dela algo leve, limpo, talvez flores ou frutas, ele não sabia identificar e seu corpo tensou-se instintivamente. A mão dela pairou sobre seu ombro ferido, hesitante, como se tivesse medo de tocá-lo e causar mais dor.

— Não é grave — ele conseguiu dizer, a voz saindo mais áspera do que pretendia.

Ela ergueu os olhos para ele, e Michikatsu sentiu como se o ar tivesse sido sugado de seus pulmões.

Aqueles olhos.

Grandes, brilhantes, com cílios longos que pareciam borboletas pousadas. Havia algo neles que era ao mesmo tempo inocente e profundo como se ela carregasse segredos que nem ela mesma conhecia. A lua refletia-se em suas pupilas, criando um brilho quase sobrenatural.

𝘌𝘭𝘢 𝘦𝘳𝘢 𝘤𝘰𝘮𝘰 𝘶𝘮 𝘤𝘰𝘦𝘭𝘩𝘰, ele pensou. Pequena, delicada, com aquelas bochechas coradas e aquela expressão de curiosidade inocente. Alguém que despertava instantaneamente o desejo de proteger.

Foi então que os olhos dela se arregalaram.

Você... — ela apontou para ele, e então para a armadura que ele vestia. — Isso é uma armadura de samurai?

Desta vez ele entendeu perfeitamente. O tom de excitação na voz dela era inconfundível.

— Sim — ele respondeu, cauteloso.

O rosto dela iluminou-se como o sol rompendo as nuvens.

SAMURAI! — ela gritou, pulando no lugar com uma energia que parecia completamente inadequada para alguém que acabou de lutar contra um demônio. — Um samurai de verdade! Pip, você viu? É um samurai!

O esquilo guinchou algo que poderia ser interpretado como entusiasmo ou irritação.

Ela se aproximou ainda mais perto demais, novamente e inclinou a cabeça para examinar sua armadura com uma curiosidade quase infantil.

Incrível — ela murmurou, mais para si mesma do que para ele. — Eu já vi uma armadura assim antes... num museu, acho? Ou num filme? Não me lembro direito...

Seus dedos pairaram sobre o metal, hesitantes, como se quisessem tocar mas temessem ofender.

É pesada? — ela perguntou, erguendo os olhos para ele novamente. — 𝘋𝘦𝘷𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘮𝘶𝘪𝘵𝘰 𝘱𝘦𝘴𝘢𝘥𝘢. 𝘊𝘰𝘮𝘰 𝘷𝘰𝘤𝘦̂ 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘦𝘨𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘮𝘰𝘷𝘦𝘳 𝘤𝘰𝘮 𝘪𝘴𝘴𝘰? 𝘝𝘰𝘤𝘦̂ 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘦𝘨𝘶𝘦 𝘤𝘰𝘳𝘳𝘦𝘳? 𝘌 𝘱𝘶𝘭𝘢𝘳? 𝘋𝘢́ 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘥𝘰𝘳𝘮𝘪𝘳 𝘤𝘰𝘮 𝘪𝘴𝘴𝘰?

Michikatsu piscou.

— O quê?

E a espada! — ela continuou, como se ele não tivesse falado nada. — Posso ver a espada? É muito afiada? Você já matou muitos demônios com ela? Quanto tempo levou para aprender a usar? Você tem um mestre?

As perguntas vinham numa torrente impossível de acompanhar. Ela falava rápido, animada, os olhos brilhando com uma excitação genuína que era quase cegante de tão pura. Seu corpo inclinava-se para frente, para os lados, para cima ela parecia incapaz de ficar parada, movendo-se como se tivesse energia demais para conter.

Michikatsu, que enfrentara demônios e homens sem hesitar, sentiu-se completamente desarmado.

— garota — ele interrompeu, erguendo uma mão. — Você...

[Nome]! — ela corrigiu instantaneamente, sorrindo. — Meu nome é [Nome]! E este é o Pip.

O esquilo guinchou, parecendo cumprimentá-lo.

— [Nome] — Michikatsu repetiu, testando o nome na língua. — Você acabou de lutar contra um demônio. Sem armas. Sem treinamento. Por quê?

A pergunta pareceu pegá-la desprevenida. Ela piscou algumas vezes, as bochechas coradas ficando ligeiramente mais rosadas.

Bem... — ela olhou para o lado, envergonhada. — Eu vi que você estava em perigo. E eu... eu não podia simplesmente deixar ele te machucar. Não é?

A resposta era tão simples, tão pura, tão absurda em sua inocência, que Michikatsu não soube o que dizer.

Ela arriscou a vida por um completo estranho. Porque "não podia simplesmente deixar".

— Você podia ter morrido — ele disse, a voz mais grave do que pretendia.

[Nome] inclinou a cabeça, confusa, como se a ideia não tivesse passado por sua mente.

— Mas não morri — ela apontou, lógica. — E você também não morreu. Então deu tudo certo, não deu?

O esquilo guinchou concordando.

Michikatsu sentiu algo estranho em seu peito. Uma sensação que não experimentava desde... desde quando? Desde que Yoriichi e ele eram crianças e brincavam juntos sob o sol? Desde antes de tudo se complicar, antes das expectativas, antes do peso do nome Tsugikuni?

Ele não sabia.

Mas sabia que, quando olhou para aquela garota de rosto de boneca e olhos brilhantes, sentiu algo que há muito acreditava estar morto dentro de si.

— Você é... — ele começou, mas não terminou.

[Nome] sorriu para ele, um sorriso tão puro e aberto que parecia iluminar a noite inteira.

Obrigada por salvar o dia no final — ela disse, apontando para a pilha de cinzas que fora o demônio. — Eu só distraí ele, mas você que matou de verdade! Você é muito forte!

Ela disse isso com tanta admiração genuína, com tanta sinceridade, que Michikatsu sentiu seu rosto aquecer ligeiramente.

— Você é... estranha — ele concluiu, sem conseguir pensar em outra palavra.

[Nome] riu, aquele som de sinos novamente e inclinou a cabeça.

— Estranha? Talvez. Mas estranha é legal, não é?

O esquilo, Pip, pulou do ombro dela para sua cabeça, aninhando-se entre os cabelos escuros como se fosse o lugar mais natural do mundo. [Nome] nem pareceu notar, acostumada demais com o peso do pequeno animal.

Michikatsu olhou para ela para a garotinha de roupa estranha e esquilo voador, para a criatura de beleza etérea que arriscara a vida por ele sem hesitar, para aqueles olhos que brilhavam com uma luz que ele não via há muito tempo e soube, com a certeza de quem passou a vida inteira lutando, que algo havia mudado.

Ele não sabia o quê. Mas algo havia mudado.

 ۶♡ৎ 

[Nome] não parava de falar.

Michikatsu já havia percebido isso nos primeiros momentos, mas agora, enquanto tentava processar o ferimento no ombro e o fato de que uma garota minúscula e seu esquilo voador haviam acabado de ajudá-lo a derrotar um demônio, a percepção se aprofundava.

Então você treina desde criança? — ela perguntou, os olhos brilhando enquanto caminhava ao lado dele ou melhor, enquanto quicava ao lado dele, porque ela parecia incapaz de andar de forma simples. — Meu Deus, que dedicação! Eu tentei fazer aula de karatê uma vez, mas dormi na primeira aula e nunca mais voltei.

Michikatsu franziu a testa.

— Dormiu?

É que era depois do almoço — ela explicou, como se fosse perfeitamente razoável. — E eu tinha comido muito. Aí o sensei ficou falando e falando, e a sala era quentinha, e eu apaguei. Acordei com todo mundo me olhando.

O pequeno esquilo em sua cabeça guinchou, parecendo rir.

Pip, não ri! Foi constrangedor! — [Nome] reclamou, mas estava sorrindo.

Michikatsu observou a interação em silêncio. Era estranho e ao mesmo tempo estranhamente cativante ver alguém tão à vontade com sua própria estranheza.

Ah! E a espada! — ela voltou ao assunto anterior, seus olhos encontrando a lâmina que ele ainda segurava. — Ela tem nome? Eu li uma vez que samurais davam nome para as espadas. É verdade?

— Alguns dão — ele respondeu, sucinto.

E você? Deu nome para a sua?

Michikatsu hesitou.

— Não.

Por que não?

Ele não tinha uma resposta para isso. Ou talvez tivesse muitas, e nenhuma que quisesse compartilhar com uma estranha.

[Nome], no entanto, não pareceu notar seu silêncio. Ela já estava pulando para a próxima pergunta.

E como você aprendeu a lutar tão bem? Você tem um mestre? É um daqueles clãs famosos de samurai? Eu li sobre os clãs! Os Taira, os Minamoto... você é de algum deles?

Michikatsu sentiu uma pontada de irritação não por ela, mas pela direção que as perguntas estavam tomando.

— Meu nome é Michikatsu Tsugikuni — ele disse, na esperança de que isso a satisfizesse.

[Nome] piscou.

Tsugu... o quê? — ela fez uma pausa, os lábios formando um pequeno "O" enquanto processava o sobrenome. — Tsugikuni? Tsugikuni...

Ela repetiu o nome algumas vezes, os lábios se movendo silenciosamente enquanto tentava acertar a pronúncia. Era um esforço tão genuíno, tão infantil em sua concentração, que Michikatsu sentiu os cantos da boca ameaçarem se curvar.

Tsugikuni — ela finalmente conseguiu, iluminando-se num sorriso vitorioso. — Michikatsu-san!

O sufixo soou estranho em seu sotaque, mas havia algo na maneira como ela disse o nome dele com tanta naturalidade, tanta simpatia que fez algo estranho no peito do samurai.

Tsugikuni... — ela repetiu mais uma vez, como se estivesse guardando o nome num lugar especial da memória. — Que bonito. Tsugikuni. Parece nome de pessoa importante.

— Não sou — ele respondeu rápido demais.

[Nome] inclinou a cabeça, confusa.

Como assim? Você luta contra demônios, tem uma armadura linda, uma espada afiadíssima... parece bem importante para mim.

Ela disse isso com tanta simplicidade, com tanta falta de malícia, que Michikatsu não soube como responder.

O esquilo Pip pulou da cabeça dela para seu ombro, e então para um galho próximo, parecendo entediado com a conversa.

Pip, volta aqui! — [Nome] chamou, mas o pequeno animal ignorou, ocupado demais observando algo na escuridão.

Foi então que Michikatsu notou.

O céu.

A escuridão profunda da noite começava a dar lugar a tons de azul e roxo no horizonte. O sol estava nascendo.

— O dia chegou — ele murmurou.

[Nome] seguiu seu olhar e seus olhos se arregalaram.

Nossa! Já está amanhecendo? — Ela olhou em volta, como se só agora percebesse quanto tempo havia passado. — Preciso ir!

Ela se virou para ele, um sorriso largo no rosto, as bochechas ainda mais coradas sob a luz suave da aurora.

Foi muito legal te conhecer, Michikatsu-san! E obrigada pela conversa! E pela luta também, claro! Você é muito forte!

Michikatsu franziu a testa.

— Espera. Você vai embora assim? Sozinha? Com demônios por perto?

Ah, mas o sol já está nascendo! — ela apontou, lógica. — Os demônios vão ter que esconder agora, não vão?

— Ainda assim — ele insistiu, sem saber exatamente por que se importava. — É perigoso.

[Nome] riu, aquele som de sinos novamente.

Não se preocupa! Eu sou rápida! E tenho o Pip comigo! — Ela assobiou, e o esquilo voou de volta, pousando em seu ombro. — E além disso...

Ela hesitou por um momento, e pela primeira vez desde que se conheceram, Michikatsu viu algo mais em seus olhos. Algo mais profundo, mais antigo, mais triste. Mas passou tão rápido que ele quase duvidou ter visto.

... além disso, tem alguém me esperando — ela completou, a voz mais suave. — Bom, não exatamente me esperando, mas... é complicado. Preciso voltar.

Ela deu um passo para trás, depois outro, sempre sorrindo.

Foi um prazer lutar ao seu lado, samurai! Cuide desse ombro, tá?

E antes que Michikatsu pudesse dizer qualquer coisa antes que pudesse perguntar quem ela era, de onde vinha, por que vestia roupas tão estranhas, por que seu coração batia um pouco mais rápido na presença dela [Nome] se virou e correu.

Ela corria como o vento.

Michikatsu ficou ali, imóvel, observando aquela figura pequena desaparecer entre as árvores com uma velocidade impressionante, o pequeno esquilo voando ao seu lado como uma sombra marrom-acinzentada.

O sol continuou a nascer, pintando o céu de laranja e rosa.

E Michikatsu Tsugikuni permaneceu parado, uma mão pressionando o ferimento no ombro, os olhos fixos na direção que a garota de cabelos curtos e sorriso fofo.

Ele não sabia quem ela era.

Não sabia de onde veio.

Não sabia para onde estava indo.

Mas sabia, com uma certeza absurda, que a encontraria novamente.

Continue Reading

You'll Also Like

170K 16.9K 77
𝕾𝖎𝖓𝖔𝖕𝖘𝖊: Alyssa tinha apenas cinco anos quando aprendeu que monstros existem, que deuses mentem e que algumas pessoas entram na sua vida para...
92.8K 7.5K 55
Erick Pulgar, o camisa 5 do Flamengo, carrega em campo mais do que talento - carrega a fúria que vive rendendo cartões e dores de cabeça ao técnico...
402K 40.7K 71
jasmine só tinha uma coisa em mente e era recomeçar a vida dela com a filha em um novo apartamento, mas quando thiago passa pelas portas e ela descob...
37.5K 4K 35
O Jogo Inacabado conta a história de Jorge e Mellanie, que se conhecem desde a infância e transformaram a amizade em amor, casamento e família. Após...
Wattpad App - Unlock exclusive features