Até Que Seja Amor

By Karnstein_Carmilla

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Entre encontros inesperados e sentimentos que nasceram no silêncio, Gerluce e Arminda nunca imaginaram que um... More

Oito Minutos de Desordem
Noite de Confusões
Tempestade Interna
Erro Irresistível
O Preço da Rejeição
Se For Para Me Perder, Que Seja em Você
Conselhos
Confissões e Promessas
Três Palavras e um Naufrágio
Desejos
Aceitação
Uma Mentira
Transbordando em Você
Flores e Espinhos
Uma Descoberta
O que sobrou de nós
No Limite do Perdão
Sinto que estou me afogando
Ciúme
O Luar
O tempero do amor
Entregue a você
Quando o passado bate na porta
A cuidadora
Ressaca
A Bíblia e a Fera
A Verdade Nua e Crua
Você é Meu Refúgio
Corpos Distantes, Almas Conectadas
O Luxo e a Simplicidade
Sonho
Química Surreal
Segredos
Areia Movediça
Mãos Entrelaçadas
Submissão
Sob Vigilância
Cana Dura
Cookies
O Intruso
Xeque Mate
Death
Torta de Limão
O casamento
Aviso

Faíscas

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By Karnstein_Carmilla

Oi... 🥹

Essa é a minha primeira fanfic, então foi escrita com o coração acelerado e cheio de carinho. Sempre sinto que a história de Gerluce e Arminda merece mais momentos, mais olhares desmoralizados, mais sentimentos ditos, ou quase ditos. E foi esse desejo que nasceu essa história.

Essa fanfic é uma versão romântica do que eu imagino que poderia existir entre elas: um amor construído nos detalhes, nos silêncios, nas trocas sutis e nas emoções que às vezes ficam escondidas.

Escrevi com muito cuidado e carinho, respeitando a essência das personagens, mas permitindo que elas vivam aquilo que meu coração sempre quis ver acontecer.

Espero que vocês leiam a mesma sensibilidade com que escrevi. 💖






O sol da tarde entrava pelas janelas da mansão. Para Gerluce, aquele silêncio era um luxo raro, interrompido apenas pelo som do tricô de Dona Josefa. No entanto, ela sabia que a paz tinha hora para acabar.

O som dos saltos batendo contra o piso de madeira anunciou uma tempestade. Arminda não caminhava; ela desfilava uma autoridade que parecia ocupar todos os cantos do cômodo. Gerluce nem precisou olhar para saber quem era. O perfume caro e a presença imponente denunciavam a filha de Dona Josefa antes mesmo dela abrir a boca.

— Gerluce! — A voz de Arminda chicoteou o ambiente. — Ainda nesse quarto, Gerluce? Eu já não disse que o chá da velha deve ser servido exatamente às quatro? São quatro e cinco. Cinco minutos de desleixo, Gerluce. — Arminda disse, encostada na batente da porta, os braços cruzados e um sorriso de canto que sempre desestabilizava a outra.

Gerluce suspirou, ajeitando o lençol nas pernas de Dona Josefa, que observava tudo com seus olhos miúdos e atentos.

— Dona Arminda, a Dona Josefa prefere terminar...

— Não me venha com desculpas! — Arminda interrompeu, aproximando-se com seu perfume inebriante. — Pago para seguir horários, não para ouvir justificativas. E olhe esse uniforme, está todo amarrotado. Você parece uma desmazelada.

Antes que Gerluce pudesse baixar a cabeça, uma voz firme e cansada ecoou da poltrona:

— Já chega, Arminda! — Dona Josefa parou o tricô e encarou a filha. — Deixe a menina em paz. Ela não tem um minuto de sossego com a sua marcação. O chá atrasou porque eu pedi, e o uniforme dela é ótimo. Pare de implicar com a garota por qualquer bobagem!

— Eu só estou zelando pela ordem desta casa! — resmungou Arminda.

— Você está zelando pelo seu mau humor, isso sim — retrucou Dona Josefa, voltando ao seu trabalho manual. — Deixe ela trabalhar.

Gerluce olhou para Arminda, esperando a próxima explosão, mas Arminda não falou nada, ficou ali encarando Gerluce sem desviar o olhar.

Gerluce sentiu um frio estranho na barriga. "Por que ela tem que ser tão bonita até quando está sendo insuportável?", surgiu, desviando o olhar rapidamente para as próprias mãos, tentando controlar a respiração que havia ficado pesada. Ela se policiava: era errada, era perigosa e, acima de tudo, era sua patroa.

Ponto de vista Gerluce

Eu deveria estar aliviada pela defesa de Dona Josefa, mas meu corpo decidiu me trair. Enquanto Arminda batia boca com a mãe, eu não conseguia desviar os olhos dela. Reparei a curva perfeita do seu pescoço, no modo como o batom vermelho destacava o desenho dos lábios dela quando ela ficava irritada.

"O que você está fazendo, Gerluce?", gritei mentalmente. "Ela acabou de te chamar de desmazelada e você está achando ela bonita?". Senti uma onda de calor que não tinha nada a ver com o clima de verão. Era um sentimento estranho, uma atração que me dava medo. Eu me repreendia o tempo todo, repetindo para mim a mesma que ela era minha patroa, que ela era impossível, que ela me odiava.

Mas por que meu coração insistia em errar a batida toda vez que ela chegava perto?


Gerluce sentiu o rosto esquentar. Mas não era apenas a raiva de sempre. Enquanto Arminda falava, Gerluce se via hipnotizada pelo perfume, pelos movimentos dos lábios perfeitamente pintados de vermelho da patroa. Ela notou como o corte do vestido de linho moldava os ombros de Arminda e como aquela postura arrogante, por um segundo, pareceu... fascinante.

"O que está acontecendo comigo?", pensou Gerluce, desviando o olhar bruscamente para o chão. "Ela está me humilhando e eu estou reparando nela? Pelo amor de Deus, Gerluce, recomponha-se!"

— Você está me ouvindo ou o vento levou seus miolos? — Arminda insistiu, cruzando os braços.

— Estou ouvindo perfeitamente, Dona Arminda — respondeu Gerluce, a voz um pouco mais rouca do que o normal. — Vou preparar o chá agora mesmo. Com licença.

Assim que Gerluce saiu do quarto, a postura de Arminda desmoronou. Ela se encostou no batente da porta, fechando os olhos por um breve segundo. O coração batia em um ritmo que ela se recusava a considerar.

Implicar com Gerluce era sua única defesa. Como explicar que a visão daquela mulher cuidando de sua mãe com tanta doçura a desarmava completamente? Como admitir que a simplicidade de Gerluce era mais atraente do que qualquer riqueza que Arminda possuísse?

— Ela é só a empregada, Arminda... — sussurrou para si mesma, tentando retomar a compostura. — Uma abusada. Uma irritante... linda abusada.

Dona Josefa, que parecia não ouvir nada, comentou baixinho sem tirar os olhos das agulhas:

— O chá fica mais doce quando a gente para de colocar tanto veneno na língua, minha filha.

Arminda bufou, sentindo o rosto arder.

— A senhora está caducando, mamãe!

Minutos depois, Gerluce voltou com a bandeja. Ao entregá-la na mesa de cabeceira, suas mãos se roçaram acidentalmente com as de Arminda, fazendo derramar parte do chá na bandeja. Foi um toque rápido, mas elétrico.

Gerluce recolheu a mão como se tivesse levado a um choque, o rosto ardendo em um tom de brasa, o coração dispara. Arminda, por sua vez, soltou uma risada seca e nervosa para disfarçar o estremecimento que percorreu sua espinha. Os olhos se voltaram com os de Gerluce por um segundo eterno, onde a raiva e o... desejo? Se misturaram de forma perigosa.

— Cuidado... — murmurou Arminda, desta vez sem o veneno habitual, apenas com uma voz rouca que fez as pernas de Gerluce fraquejarem.

Dona Josefa, deu um sorriso discreto. Ela via muito mais do que aquelas duas imaginavam.

— Peço desculpas, Arminda. Vou refazer — disse Gerluce, no automático.

O silêncio que se abalou foi gélido. Arminda deu um passo à frente, uma expressão fechada. — Para você é Dona Arminda, esqueceu? Não te dei essa intimidada hoje.

Gerluce engoliu em seco, sentindo o coração martelar contra as costelas. — Sim, senhora. Perdão, Dona Arminda.

Ponto de vista Gerluce

Aproximei-me da mesinha para colocar a bandeja, tentando ser o mais invisível possível. Mas, sem movimento, minha mão roçou nela. Foi coisa de um segundo. Um toque de pele com pele.

Senti um choque percorrer meu braço, algo tão forte que quase dei um pulo para trás, fazendo derramar parte do chá na bandeja. Olhei para Arminda e, por um instante, o tempo parou. Ela não desviou o olhar. Pelo contrário, ela me encarou de um jeito que não era de raiva. Havia uma intensidade ali, uma busca, algo que parecia que ela também estava... queimando?

— Cuidado... — ela murmurou. A voz dela saiu rouca, sem o veneno de antes.

— Peço desculpas, Arminda. Vou refazer — eu disse, as palavras saindo no automático, como se o cansaço tivesse finalmente vencido a barreira do protocolo.

O silêncio que se silêncio foi gélido, daqueles que fazem a gente sentir o peso do ar. O clique das agulhas de Dona Josefa parou no ar. Arminda deu um passo à frente, uma expressão subitamente fechada, os olhos faiscando de uma forma que me fez querer recuar, mas meus pés não deixam de ser colados ao chão.

— Para você é Dona Arminda, esqueceu? — A voz dela veio baixa, cortante como uma lâmina de vidro. — Não te dei essa intimidada hoje.

Senti o sangue subir para o meu rosto instantaneamente. O "Dona" que faltou na minha frase parecia ter aberto um abismo entre nós, e a forma como ela enfatizou a palavra me fez sentir minúsculo sob aquele perfume caro dela. Engoli em seco, sentindo o coração martelar contra as costelas, um ritmo descompassado que eu tentava desesperadamente esconder.

— Sim, senhora. Perdão, Dona Arminda — respondi, baixando o olhar para os meus próprios pés.

Eu me policiei imediatamente. Como eu pude ficar tão distraído? Eu não poderia me dar ao luxo de esquecer quem ela era — e quem eu era naquela casa. Mas, por um segundo, enquanto ela me repreendia, minha mente traidora só conseguia focar em como a voz dela ficou mais grave quando estava brava, e em como aquele autoritarismo todo, de um jeito que eu odiava admitir, começando a me afetar de uma maneira que não era apenas medo.

Recolhi a bandeja com as mãos trêmulas e saí da sala o mais rápido que pude, sentindo o olhar de Dona Josefa — e o de Arminda — queimando minhas costas.

Eu precisava sair dali antes que ela percebesse que aquilo me afetava. Eu precisava de água fria no rosto. Eu simplesmente não esqueci aaquele perfume. O que eu não sabia, enquanto fugia para a cozinha, era que Arminda estava lá atrás, no mesmo cômodo, luta contra o mesmo incêndio que eu.




Desculpe se ficou um pouco longo, acabei me empolgando... espero que tenha gostado! Logo voltarei com o segundo capítulo!💖

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