H2O: Meninas Sereias

Galing kay buriti0308

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Quatro amigas adolescentes - Sn, Cléo, Nanda e Rikki - que, após uma visita à misteriosa Ilha Mako, se transf... Higit pa

1° TEMPORADA
{01} Metamorfose
{02} Festa na Piscina
{03} Captura do Dia
{05} Tem Algo Estranho no Ar
{06} Feitiço Lunar
{07} O Caso Danman
{08} Águas Profundas
{09} Naufrágio
{10} Peixe Fora D'água
{11} O Medalhão
{12} Doutora Perígo
{13} A Armadilha
2° TEMPORADA
{14} A Onda Errada
{15} Tempo Ruim
AVISO MUITO IMPORTANTE

{04} Garotas Festeiras

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Galing kay buriti0308

Duas semanas se passaram desde o resgate no mar. Uma frágil, mas sólida, nova normalidade começava a se estabelecer entre as quatro garotas. O maior símbolo disso era Cleo. Após o incidente, seu pai, Don Sertori, chocado com a ação do ajudante e profundamente envergonhado, tornou-se um defensor vocal das práticas de pesca sustentável. Cleo, por sua vez, começou a ver seus poderes não apenas como uma maldição pessoal, mas como uma extensão de sua ligação com o oceano - uma ligação que agora poderia usar de forma prática.

Foi assim que ela conseguiu um emprego no Parque Marinho da Costa Dourada. Não era um cargo glamouroso; ela seria auxiliar de alimentação e limpeza dos tanques secundários. Mas para Cleo, era um sonho. Estar perto dos animais marinhos, aprender com os tratadores, e, secretamente, sentir que poderia talvez usar sua habilidade de hidrocinese ou sua nova afinidade aquática para ajudar de alguma forma. A ironia de uma sereia trabalhar em um parque marinho não passava despercebida por nenhuma delas, especialmente por Rikki, que não perdia a chance de fazer piadas sobre "trabalhar de casa".

---

Enquanto isso, na superfície cintilante do mar, perto dos rochedos familiares da Ilha Mako, duas figuras cortavam a água com graça e velocidade. Nanda e Sn haviam se tornado uma dupla formidável. Nanda, com sua cauda azul-real e movimentos poderosos de ex-nadadora, e Sn, com sua cauda verde-oceano e agilidade sinuosa, complementavam-se perfeitamente. Elas exploravam os arredores da ilha, mapeando mentalmente correntes, cavernas submarinas e os melhores pontos de entrada e saída.

Em um pequeno bote à deriva a uma distância segura, Lewis estava. Ele era o ponto de apoio, o vigia, e o pesquisador de campo. Com um chapéu de sol improvisado e uma pilha de livros sobre mitologia marinha, oceanografia e física térmica ao seu lado, ele anotava observações em um caderno a prova d'água.

Nanda emergiu perto do bote, apoiando os braços na borda. - Alguma novidade nos livros de fábulas, Lewis?

- Nada concreto sobre transformações induzidas por lua cheia em piscinas específicas - respondeu ele, sem tirar os olhos de um trecho sobre lendas polinésias. - Mas tem um monte de histórias sobre 'guardas dos mares' e 'filhas da lua'. É fascinante. Como vocês estão?

- A água está ótima - disse Sn, surgindo do outro lado do bote, fazendo Lewis dar um pulo. - Mas a Nanda está com a cabeça em terra firme.

Nanda franziu a testa para Sn, mas não negou. - É a festa do pijama. A da minha mãe.

- Ah, sim, a tradicional festa do pijama das Gilbert - lembrou Lewis, fechando o livro. - Todo ano, sua mãe insiste. Você adorava.

- Eu adorava quando tinha doze anos - corrigiu Nanda, com um suspiro. - Agora é só... complicado. Vão vir garotas do time de natação. Vão querer falar sobre treinos, competições, coisas que eu... - Ela não terminou, mas o olhar dela para sua cauda submersa dizia tudo. - E tem o novo emprego da Cleo. Ela está tão animada, mas e se ela se molhar? E se alguém desconfiar?

- Cleo é mais esperta do que você pensa - disse Sn, secamente. - Ela sobreviveu a uma rede de pesca. Uma mangueira de tanque de peixes é fichinha. E quanto à festa... é só uma noite. Você sobrevive.

- Fácil para você dizer. Sua ideia de festa é um duelo de xadrez em silêncio absoluto - retrucou Nanda.

Sn deu de ombros, um pequeno sorriso nos lábios. - E é incrível. Mas ponto seu. Preocupação inútil gasta energia. Vamos focar no que importa: a caverna. Ainda não exploramos o fundo da Piscina da Lua direito.

A menção do local da transformação fez os olhos de Lewis brilharem. - Sim! Há potencial para marcas, inscrições, qualquer coisa que dê uma pista sobre o como e o porquê!

Decididas, Nanda e Sn mergulharam novamente, deixando Lewis em seus estudos. Elas nadaram em direção à entrada submersa da caverna, uma jornada que já era familiar. A luz do sol filtrada pela água criava jogos de luz e sombra dramáticos nas paredes de rocha.

Dentro da Piscina da Lua, o ambiente era sempre o mesmo: silencioso, solene, carregado de uma energia latente. A água era incrivelmente clara. Dessa vez, ao invés de apenas flutuar, elas decidiram inspecionar o fundo de pedra. Nada parecia fora do comum, apenas rocha lisa e algas esparsas.

Foi quando o brilho de Sn captou algo. Um lampejo dourado, sutil, preso em uma fenda no fundo, perto de onde a luz da lua atingia o centro. Ela nadou até lá e, com cuidado, pegou o objeto.

Era um colar. Simples, mas bonito. Uma corrente cercada por pequenas pérolas pratas, e o pingente era arredondado, um pequeno porta retrato, e entre a corrente e o pingente uma pedrinha rosa-pérola

Sn mostrou-o para Nanda, que franziu a testa, intrigada. Quem teria perdido um colar ali, no fundo daquele lugar remoto? Alguém como elas? A possibilidade era eletrizante.

Elas guardaram o colar com cuidado - Sn o enrolou em seu punho fechado - e saíram da caverna, retornando ao bote de Lewis com sua descoberta.

---

Na ampla e organizada garagem da casa de Sn, transformada em um laboratório improvisado, o grupo se reuniu (menos Cleo, que estava em seu primeiro dia de treinamento no parque). O colar estava sobre uma toalha de microfibra, centro das atenções.

- Não abre - disse Nanda, frustrada. O medalhão parecia soldado, ou talvez preso por anos de sedimentos marinhos. - Parece antigo.

Lewis, equipado com luvas e uma lupa, examinava-o. - A corrente é ouro 18k. O fecho é bem feito, mas simples. Não dá para saber quanto tempo está lá sem análise, mas a água salgada danificou o mecanismo de abertura.

Enquanto isso, Rikki estava em outra missão. Com um conjunto de conta-gotas e pequenos frascos, ela aplicava gotas de diferentes líquidos no dorso de sua mão, observando o relógio.

- Água da torneira: dez segundos, formigamento óbvio - ela ditava, e Lewis anotava em uma planilha. - Suco de laranja: 15 segundos. Refrigerante: 12. Leite: nada.

- O que sugere que a reação é com a molécula de água em si, não com os minerais ou impurezas - teorizou Lewis, animado. - Isso é incrivelmente específico!

- Ótimo, então posso tomar Coca à vontade, de canudinho - resmungou Rikki, aquecendo a cauda. - E o tal colar?

- Achamos no fundo da Piscina da Lua - explicou Sn. - Pode ser um acidente, alguém que perdeu nadando lá anos atrás. Ou...

- Ou pode ser uma pista - completou Lewis, seus olhos brilhando. - De quem? De outra... pessoa como vocês?

A possibilidade pairou no ar, carregada de esperança e um pouco de medo. Elas não estariam sozinhas?

A conversa derivou então para assuntos mais mundanos. Lewis, folheando sua agenda, comentou: - Ah, Nanda, boa sorte na festa do pijama amanhã. Vai ser um caos total com as garotas do time, hein?

Rikki, que estava tentando aquecer um fio de água que saía de uma torneira sem evaporá-lo totalmente, ergueu a cabeça. - Festa do pijama? Que festa do pijama?

Nanda ficou ligeiramente constrangida. - Ah, é... nada demais. Só uma coisa que minha mãe faz todo ano.

- Quando é? - insistiu Rikki.

- É... hoje à noite - admitiu Nanda, evitando o olhar de Rikki.

A expressão de Rikki foi uma obra-prima de perplexidade e uma pontinha de mágoa. Seus olhos se arregalaram, depois narrowaram. - Hoje. À noite. E eu não fui convidada.

O silêncio na garagem ficou espesso. Sn observava a interação com interesse clínico. Lewis parecia querer sumir dentro de sua planilha.

- Rikki, não é... não é bem sua praia - tentou Nanda, desajeitadamente. - É cheio de garotas falando de garotos, fazendo as unhas, vendo filmes românticos...

- E? - o desafio na voz de Rikki era claro. - Você acha que eu não sei fazer unha? Ou que eu não tenho opinião sobre filmes românticos? (Spoiler: a maioria é ruim). O ponto é: você não me convidou.

Nanda corou. - É que... você nunca pareceu se importar com esse tipo de coisa.

- Não me importo com a festa, Nanda! - Rikki explodou, levantando-se. - Me importo com ser incluída! Somos um grupo, certo? Temos um segredo que pode mudar o mundo. Mas para uma festa de pijama na sua casa, eu não passo no teste?

Foi Sn quem quebrou a tensão, com sua voz lógica e calma. - Ela tem razão, Nanda. É uma inconsistência lógica. Se somos um grupo unido por um segredo existencial, a exclusão em eventos sociais triviais cria uma fissura desnecessária. Além disso - ela acrescentou, um leve sorriso nos lábios -, a presença da Rikki provavelmente tornaria a noite muito mais interessante.

Nanda olhou para Rikki, viu a ferida genuína por trás da raiva, e sentiu um aperto no peito. Ela tinha caído no mesmo padrão de todos na escola: via Rikki apenas como a rebelde, a solitária, e não pensou que ela pudesse querer simplesmente... estar incluída.

- Você está certa - disse Nanda, com sinceridade. - Eu sinto muito, Rikki. A festa é hoje, às oito. Você está mais do que convidada. E você também, Sn. Lewis... bem, é festa do pijama, então...

- Estou dispensado, e agradeço - disse Lewis rapidamente, levantando as mãos. - Tenho dados para cruzar. Mas obrigado.

Rikki manteve a expressão séria por mais um segundo, mas um canto de sua boca se moveu. - Tudo bem. Eu vou. Mas aviso: se tiver algum jogo de "verdade ou desafio" idiota, eu vou fazer as perguntas.

- Justo - disse Nanda, com um suspiro de alívio.

E eles riram. O grupo estava intacto, e mais forte.

---

A noite na casa dos Gilbert era... colorida. A sala de estar havia sido transformada. Almofadas gigantes no chão, um buffet de pizza, pipoca e doces, uma TV gigante pronta para uma maratona de filmes, e um cantinho de beleza completo com esmaltes, máscaras faciais e um kit de maquiagem profissional da mãe de Nanda.

As convidadas começaram a chegar: Julia e outras três garotas do time de natação, todas com pijamas combinando e sacolas de viagem cheias de produtos. A atmosfera era de risos altos, fofocas da escola e uma energia tipicamente adolescente.

Nanda, usando um pijama de seda azul impecável, recebia a todos com um sorriso tenso. Sn chegou, vestindo um conjunto de camisola e calça de algodão surpreendentemente normal, carregando apenas um livro. Rikki apareceu por último, usando um pijama de shorts e camiseta larga do Iron Maiden, que fez as nadadoras pararem por um segundo.

A mãe de Nanda, Elaine, estava em seu elemento. - Meninas, sejam bem-vindas! Comam à vontade! Rikki, querida, adorei sua... camiseta. Muito rock and roll!

- Obrigada, senhora Gilbert - respondeu Rikki, com um sorriso que era 50% educação, 50% provocação.

As quatro sereias se agruparam instintivamente em um canto, observando o resto. Cleo chegou um pouco atrasada, ainda com o cheiro do parque marinho, mas com os olhos brilhantes. Ela contou rapidamente sobre os golfinhos, sobre os tanques, sobre como era incrível. Era a Cleo mais animada que elas viam em semanas.

A festa seguia seu curso previsível, até que a campainha tocou novamente. Elaine foi atender e voltou com uma expressão confusa, seguida por... Igor e Miriam.

- Olá, meninas! - anunciou Miriam, entrando como se fosse a anfitriã. Usava um roupão de seda caríssimo sobre um pijama que parecia mais um vestido de noite. - Ouvimos que tinha uma festa e resolvemos dar uma passada! Espero que não se importem.

Igor estava atrás dela, com um sorriso maroto. - É, a gente tava passando...

Nanda, Sn, Rikki e Cleo trocaram um olhar instantâneo. Problema.

Elaine, sempre educada, disse: - Claro, quanto mais, melhor! Entrem!

A chegada deles mudou a dinâmica. As garotas do time, impressionadas com Miriam (e um pouco assustadas por Igor), começaram a gravitar em torno deles. A festa do pijama virou, de repente, um evento social da escola, com Miriam como centro das atenções e Igor fazendo piadas duvidosas.

As quatro sereias ficaram à margem, se entreolhando com crescente irritação.

- Isso é um desastre - murmurou Nanda para Sn.

- Ineficiência social máxima - concordou Sn, observando Miriam com desdém.

- Eu posso 'esquentar' a situação, se quiserem - sussurrou Rikki, maliciosamente.

- Não! - sussurraram Nanda e Cleo em uníssono.

Foi quando perceberam que Igor estava circulando, parecendo particularmente interessado nas bolsas e pertences das garotas, enquanto Miriam distraía a todos com histórias exageradas sobre uma viagem a São Paulo. O padrão era claro para quem conhecia o casal dinâmico: distração e furto.

Nanda tomou uma decisão. Ela se aproximou de Igor, que estava perto do buffet.

- Igor, preciso falar com você. Na cozinha.

Igor pareceu surpreso, mas seguiu-a, com seu sorriso arrogante. - O que foi, Gilbert? Quer um abraço de boa noite?

Na cozinha, longe dos outros, Nanda perdeu toda a doçura. Sua voz saiu baixa e firme como aço. - Independente do que você está tramando, Igor, não continue. Pegue suas coisas e saia. Agora.

- Tramando? Eu só vim para a festa! - ele tentou, mas o olhar gelado de Nanda o fez hesitar. Ela não era mais apenas a garota organizada do time. Havia uma autoridade nela, uma frieza que vinha de ter congelado cordas de guincho e enfrentado o mar aberto.

- A porta da frente ou a janela? - perguntou ela, simplesmente.

Igor engoliu em seco. - Tá bom, tá bom. Essa festa é uma droga mesmo. - Ele saiu da cozinha e, com um aceno desdenhoso para Miriam, foi embora.

Com o cúmplice fora, Miriam ficou exposta. Ela tentou manter a pose, mas notou que as quatro garotas a observavam fixamente. O clima esfriou.

Foi então que uma das nadadoras, curiosa, apontou para o colar que Nanda, por descuido, tinha deixado em cima de uma mesa lateral, ainda enrolado na toalha. - Nossa, Nanda, que colar lindo! É antiguidade?

Todas se viraram. Miriam foi uma das primeiras. Seus olhos se fixaram no colar, e um brilho de reconhecimento - e cobiça - passou por eles.

- É, é um velho colar da família - mentiu Nanda rapidamente, tentando pegá-lo.

- Nossa, deixa a gente ver! - pediram outras garotas.

Em meio ao burburinho, alguém (nunca ficou claro quem) derrubou um copo de refrigerante no colo de Cleo. O líquido gelado a atingiu em cheio.

- Ah! - Cleo deu um pulo.

Um... dois... O pânico subiu em seu rosto. Ela não podia se transformar ali, na frente de todas! Três... quatro...

Instintivamente, sem pensar, ela agiu. Olhou para a mesa central, onde várias garrafas de refrigerante e sucos estavam abertas. Com um movimento quase imperceptível das mãos sob a mesa, ela puxou.

As garrafas não explodiram, mas suas tampas saltaram com força, e o conteúdo jorrou para cima em pequenos gêiseres coloridos, arqueando e caindo em uma chuva pegajosa e fria sobre... Miriam, que estava mais perto.

- AAAAAH! MEU PIJAMA! - gritou Miriam, encharcada de suco de laranja e guaraná.

O caos foi instantâneo. Garotas gritando, pulando, tentando se esquivar. A atenção de todo mundo se voltou para Miriam, que estava vermelha de raiva e constrangimento, coberta de líquido.

Nanda viu sua chance. Ela agarrou Cleo pelo braço e a puxou para o corredor, em direção ao banheiro. - Vai! Seca-se! Agora!

No banheiro, Cleo estava tremendo, a calça do pijama encharcada. O formigamento já estava forte em suas pernas. Nanda pegou o secador de cabelo mais potente que encontrou e ligou no máximo, direcionando o jato de ar quente para as pernas de Cleo. - Rikki! Um pano seco! - ela gritou pela porta.

Rikki apareceu em segundos, jogando uma toalha limpa. - Aqui! E a sala está um desastre, mas a Miriam é o centro das atenções.

Enquanto Nanda ajudava Cleo a se secar freneticamente, Sn saiu da sala. Ela viu Miriam, ainda resmungando, pegando sua bolsa e se dirigindo à porta da frente, claramente decidindo ir embora.

Sn interceptou-a na entrada. - Miriam.

- O que você quer? Já estragaram minha noite! - Miriam bufou, tentando abrir a porta.

- O colar - disse Sn, sua voz plana e autoritária. - Devolva.

Miriam congelou por uma fração de segundo. - Não sei do que você está falando.

- O colar que estava na mesa. Sumiu exatamente quando você se aproximou e o caos começou. Devolva. Agora. - O olhar de Sn era penetrante, como se ela estivesse analisando cada microexpressão no rosto de Miriam.

- Você está insinuando que eu roubei? - Miriam tentou soar indignada, mas sua voz falhou.

- Não estou insinuando. Estou afirmando. - Sn deu um passo à frente. - Dê-me o colar, e você pode sair por esta porta sem que eu chame a polícia por furto em uma residência. Ou podemos resolver de outra maneira.

Miriam hesitou, seu olhar fugidio. Então, com um resmungo de raiva, ela enfiou a mão no bolso do seu roupão e puxou o colar. - Toma! É só um colar velho e feio mesmo!

Ela jogou o colar no chão, na frente de Sn, e abriu a porta, desaparecendo na noite.

Sn pegou o colar cuidadosamente. Estava intacto. Ela voltou para a sala, onde Rikki estava organizando as outras garotas para limpar o suco, distribuindo panos secos com uma eficiência surpreendente. A mãe de Nanda ajudava, ainda um pouco confusa com o caos súbito, mas divertida com a "animação" da festa.

Quando a poeira baixou e as garotas, ainda rindo nervosamente do incidente, se reagruparam para ver um filme, as quatro sereias se retiraram por um momento para o quarto de Nanda.

Cleo estava seca e segura, ainda pálida. Nanda segurava o colar.

- Você quase se transformou - disse Rikki para Cleo, sem rodeios, mas com uma ponta de admiração. - Mas aquilo com os refrigerantes... foi genial. Distração nivel máximo.

- Foi puro instinto - admitiu Cleo, com um sorriso trêmulo. - E funcionou.

Nanda olhou para o colar em sua mão, depois para Cleo. - Você deveria ficar com ele - disse, estendendo-o para sua amiga. - Você quase perdeu a cauda por causa dele hoje. E... você tem um coração maior que o meu para guardar segredos. Eu o guardaria em uma caixa forte. Você vai guardá-lo próximo.

Cleo pegou o colar, sentindo o metal frio contra sua pele. Havia algo nele, uma história silenciosa. Ela o colocou no pescoço, o medalhão pousando sobre seu osso do peito. - Obrigada.

---

No dia seguinte, Cleo estava no parque marinho, alimentando os peixes-palhaço no tanque de toque supervisionado. Seu uniforme azul estava impecável, e o colar estava escondido sob a gola. Ela ainda sentia o friozinho do metal.

Enquanto jogava a ração, ela viu uma senhora idosa do outro lado do tanque, observando os peixes com um sorriso suave. A senhora tinha cabelos grisalhos presos em um coque, pele marcada pelo sol e vento, e olhos de um azul profundo que pareciam ver muito além da superfície da água.

A senhora levantou os olhos e os encontrou com os de Cleo. Seu sorriso se aprofundou. Ela caminhou lentamente ao redor do tanque até ficar ao lado de Cleo.

- Um dia lindo, não é? - disse a senhora, sua voz era áspera, mas suave, como se tivesse cantado para as ondas por muitos anos.

- Sim - concordou Cleo, sorrindo. - Eles estão com fome hoje.

- Sempre estão - a senhora riu baixinho. Seu olhar pousou no colar. O medalhão, que havia escapado por um momento da gola de Cleo. A expressão da senhora mudou. O sorriso não sumiu, mas tornou-se nostálgico, cheio de memória. - Que colar bonito... e incomum.

Cleo, instintivamente, tocou no medalhão, escondendo-o novamente. - Obrigada. É... um presente.

- Um presente do mar, eu diria - disse a senhora, seu olhar agora fixo no rosto de Cleo, como se estivesse procurando algo. - Ele tem o brilho da água sob a lua cheia. Você o encontrou na Ilha Mako, não foi?

Um choque elétrico percorreu a espinha de Cleo. Ela ficou paralisada, seus dedos congelados no metal. Como ela sabia? Como ela podia saber?

A senhora viu o pânico nos olhos de Cleo e seu próprio sorriso se tornou suave, reconfortante. - Não tenha medo, querida. Alguns segredos são mais antigos que as próprias ilhas. - Ela deu um passo para trás, seu olhar ainda carregado de uma sabedoria profunda e tranquila. - Guarde-o bem. Ele pertence a uma guardiã.

Antes que Cleo pudesse perguntar qualquer coisa, dizer qualquer palavra, a senhora simplesmente virou-se e começou a caminhar, afastando-se pelo caminho de pedra do parque, misturando-se aos turistas.

Cleo ficou plantada no local, o coração batendo forte, a mão ainda apertando o medalhão. A certeza inundou-a, fria e clara como a água da Piscina da Lua.

Aquela senhora sabia. Sabia sobre Mako. Sabia sobre o colar. Talvez soubesse sobre elas.

Ela não era apenas uma visitante qualquer. Aqueles olhos azuis... eles tinham visto o que Cleo via. Eram ou tinham sido, de alguma forma, parte do mesmo segredo.

Cleo olhou para o mar além dos tanques, vasto e cheio de mistérios. Elas não estavam sozinhas. A história delas era mais longa, mais profunda. E agora, pendurado em seu pescoço, ela carregava um elo com essa história. Um elo que, de alguma forma, uma guardiã mais velha reconhecera.

Era assustador. Era confuso.

Mas, pela primeira vez, também era um pouco... reconfortante.

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