Eu saio por aí pela cidade, chego até o centro, mas sinto alguém me seguindo. "Ah, não é possível que Dário mandou alguém atrás de mim agora?"
Eu paro por um momento, me viro para trás e vejo dois homens de terno. Eu bufo de raiva, mas então, quando me viro pra frente de novo, tem outros dois caras bem ali na minha frente. Meu corpo gela... porque esses caras estavam tão perto de mim? a não ser que... ah, não.
Os dois caras que estavam na minha frente me pegam pelos dois braços. Não dá nem tempo de eu pensar direito e eles já me arrastam pro carro preto que estava logo do lado da calçada. Eu tento gritar lá dentro, mas antes disso eles colocam um pano na minha boca e nariz me fazendo desmaiar.
Eu acordo em um quarto, em um lugar que eu nunca tinha visto. Nisto, descobri que eu fui sequestrada por outro chefe de uma organização chamado Enzo, um dos chefes da 2º maior organização Russa que fez isso comigo porque queria se vingar de Dário.
Como ele queria vingança então fez sumir uma das coisas mais valiosas de Dário. Mas Enzo faz parecer que eu quis ir embora, que eu fugi — com carta de despedida, passagem e tudo arquitetado meticulosamente.
Claro que Dário foi atrás de mim, mas Enzo foi muito esperto, porque Dário realmente achou que eu tinha fugido para sempre. Me pergunto o que Dário fez para Enzo se esforçar tanto assim.
E eu? Eu tentei fugir, escapar, mas Enzo sempre ameaçava a minha vida, a de Charlotte e a de Dário. Ele coloca na minha cabeça que, se eu voltar para Dário, ele não acreditaria em mim e me mataria.
Enzo disse que não compensaria me matar porque eu poderia ser útil, então ele me treinou para que eu fosse um tipo de auxiliar da sua esposa Elaine e da filha deles, Eva.
Eu ajudo elas; quando eu saio com elas, eu sou tipo a guarda-costas. Eu também me tornei um tipo de membro distante da organização desse cara — não oficial, porque assim outras organizações, inclusive a de Dário, não vão saber onde eu estou.
Me tornei uma pessoa fria e séria estando incluída nisso. Minha vontade de ainda continuar viva fica no pensamento de que eu ainda vou voltar a minha vida de antes. Sei que minha vida não era o comum mas era a MINHA vida anormal. E eu desmorono como uma torre que perde uma peça quando tiram algo de mim. E não tiram pouca coisa de mim, e sim, tudo.
Eu queria ir embora, fugir, voltar para Dário e Charlote. E eu tentei por inúmeras vezes, juro que tentei, vivia cogitando uma outra fuga, mas achava que Dário me mataria se me visse novamente porque, afinal de contas, ele acha que eu fugi desde aquele dia. Em minha volta armaria uma guerra mundial entre as organizações já que Enzo teve ajuda de vários membros de outros países, o que me faz questionar o porquê tantas pessoas querem prejudicar Dário.
Eu sei como Dário é, e ele não me escutaria no momento em que me reencontra-se e não sei se eu ficaria viva para tentar explicar. A fera que ele tem dentro dele é mais forte por muitas das vezes... ou foi isso que colocaram na minha cabeça.
Claramente eu não estou mais morando em Berlin, Alemanha. Por que Dário me encontraria fácil e Enzo não quer isso é claro... então eu estou em Moscou, Rússia. Agora eu moro na casa de Enzo, afinal eu sempre tenho que estar com sua esposa e filha. Enzo também tem alguns rastreadores em mim e algumas pessoas para me observar, para que eu não fuja.
Enzo sempre ameaça matar Charlotte ou fazer mal a ela, ele diz que poderia pegá-la na escola, que teria oportunidade de fazer qualquer coisa com ela, com a minha filha... minha princesa... e eu morreria se algo acontecesse com ela.
Uma das coisas que mudaram drasticamente em mim foi o meu cabelo — minhas ondas loiras longas viraram fios lisos escuro e curtos a altura da orelha, meu rosto conseguiu uma pequena cicatriz na bochecha, além de meus olhos que parecem sem muita vida e minhas olheiras bem aparente por conta das madrugadas em que eu fico acordada com pensamentos...conturbados, vamos assim dizer. Meu jeito de agir também mudou, porque agora eu era parte de algo que eu sempre tentei evitar me envolver...
E com o tempo 5 ANOS se passaram. Minha rotina é: Eu acordo, treino em casa, e auxilio Elaine e Eva, e durmo (ou tento).
Elaine é um pouco diferente e arrogante, tem problemas psicológicos e toma vários remédios, liga mais para a aparência dela e de Eva do que qualquer coisa. Seus cabelos são negros como um beco à noite, sua pele é branca porque não toma sol, tem preenchimento labial mas é só isso de modificação estética, e ela tem 37 anos. Eu sei lidar com ela, e ela não é uma pessoa ruim apesar de sua personalidade.
Eva tem 8 anos, a mesma idade de Charlotte hoje em dia. É uma menina muito regrada, Eva tem cabelos grandes e escorridos em um tom castanho claro e sua pele pode ser facilmente bronzeada. faz muitos extras curriculares então a maioria das vezes que eu saio é só para levar ou buscar ela de suas milhares de aulas. Mas ela sabe ser criança as vezes, Enzo não trata ela como uma criança nem respeita sua infantilidade, isso é o que o pai de Dário fazia com ele, mas o pai dele fazia pior só, e Dário não se tornou alguém fácil de lidar.
Enzo é frio mesmo sendo irônico, rígido, autocrático, autoritário e repugnante, tem 49 anos, e parece ter mais idade do que tem, cabelos e barba pouco grisalhos loiros, posturado, sempre roupas sociais, alto. Ele me dá repulsa com seu cinismo mas é só andar na linha que fica tudo bem.
Às vezes eu me pego observando Eva e materializando Charlotte nela mesmo sendo bem diferentes em questão de aparência. Charlote, pelo o que eu me lembro e vejo, tem cabelos em cachos tão loiros quanto o meu, bochechas rosadas e olhos cinzentos como os de seu pai. Não sei o jeito de Charlotte, mas acho que seria parecido com o de Eva...
Me dor de não saber das coisas de Charlote como o jeito dela, o que ela gosta de fazer, qual sua cor, matéria ou aula preferia deslastra meu peito. Eu só vejo uma foto de Charlotte por mês, que Enzo pedem para tirarem escondido e me mostrarem. E como eu estou morando em outro país, não tem nem como eu acabar me esbarrando casualmente com ela ou Dário.
O ponto principal é que eu só não fujo porque, agora depois d e tanto tempo, Dário pensa que eu fugi e não que eu fui sequestrada e imposta a essa vida. Eu sinto que ele me mataria assim que me visse, porque uma vez ele me falou que, se eu fugisse de novo, da próxima vez que me encontrasse, me quebraria para depois me matar. Conhecendo ele, não daria nem tempo de eu explicar tudo antes de ele, sei lá... me esfolar.
Mas se eu encontrasse ele de novo e tivesse a chance de explicar tudo eu falaria tudo o que eu planejei falar todos esses anos de forma clara. O quanto eu amo ele e Charlote, o quanto eu tentei e tentei muito. E como eu me arrependo de ter feito ele prometer que não me seguiria naquela tarde...
Vai ter um evento que une todas as famílias das 1ª e 2ª maiores organizações dos países europeus, e será aqui na Rússia. Como sou a auxiliar de sua mulher e filha, eu vou junto, como sua auxiliar e guarda já que Enzo vai todos os anos com sua família.
Apesar de eu estar aqui há 5 anos, esse é o primeiro ano que eu vou nesse evento porque é na Rússia, eu não ia antes porque eu não posso viajar. Dário nunca foi a esse evento, e eu nunca soube deste evento mesmo estando com ele. Enzo disse que ele só ia quando mais jovem e que a última vez que compareceu foi com 15 anos então fazia 15 anos que ele não ia.
Ainda se passa pela minha cabeça a possibilidade de Dário ir, e mesmo que ele fosse , não sei se me reconheceria, porque eu mudei tanto... e eu evitaria ele ao máximo, com certeza. Mas existe uma linha tênue porque eu quero muito minha princesa Charlote de volta.
Então nós: eu, Enzo, Eva e Elaine.chegamos ao tal evento. Eu e outro colega Joaquim um dos seguranças, sempre estamos atrás de Enzo e sua família. O resto dos seguranças, que inclusive são todos homens, ficam por perto em pontos específicos.
Eles usam roupas chiques de festa, é claro, e eu os acompanho com um vestido preto minimalista elegante, meu cabelo curto dificulta eu fazer qualquer penteado então eu o deixo solto bem penteado com uma franja e, inclusive, um óculos sem grau para ter menos chance ainda de talvez alguém me reconhecer. E claro, sempre com os equipamentos de comunicação na orelha.
Ando pelo salão de baile que brilha com uma exibição de riqueza e poder. Lustres de cristal lançam uma luz brilhante sobre as figuras reunidas os chefes e suas famílias de organizações europeias, e uma comitiva de guardas fortemente armados em cada canto do salão e fora também. O ar zumbia uma energia tensa, uma negociação silenciosa de alianças e ameaças mascaradas por sorrisos educados e gentilezas forçadas.
Eu me movo com graça praticada. Um leve tremor percorreu minha mão enquanto eu ajustava o fone de ouvido alinhando discretamente contra a têmpora, transmitindo informações sobre como seria o baile e a planta do salão de festa.
Observando mais um pouco o salão para ter ideia do perímetro se algo der errado eu penso na quase nula possibilidade de encontrar Dário. Agora não sei mais o que faria se o visse de perto.
Junto desta quase nula possibilidade vem Charlotte, já que é uma festa famíliar, ela viria... e se eu ver ela? não sei se vou aguentar. Essa chance é quase nula, então... porque algo assim aconteceria, né?
No final, continuo achando que Dário me mataria só de olhar para o meu cabelo que está totalmente diferente. Ele amava meu cabelo, com certeza era uma das partes de mim que ele mais elogiava... tenho que parar de pensar tanto.