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By lyavxfnfc

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FIRST TRUE LOVE
๐€๐‚๐“ ๐Ÿ; ๐™œ๐™ž๐™ง๐™ก๐™จ ๐™ก๐™ž๐™ ๐™š ๐™œ๐™ž๐™ง๐™ก๐™จ.
Mad Max | 001
Halloween | 002
Doces ou travessuras? | 003
Ciรบmes? | 004
Aulas de skate. | 005
Quebrando regras. | 006
Provas. | 007
Minha namorada? | 008
Selar portal. | 009
Snow Ball. | 010
๐€๐‚๐“ ๐Ÿ; ๐™ž ๐™ก๐™ž๐™ ๐™š ๐™ฎ๐™ค๐™ช.
Perfeiรงรฃo? | 011
Nostalgia. | 012
Startcout. | 013
Sleepover. | 014
"Nรฃo รฉ mais o mesmo" | 015
Nรฃo tem fim. | 016
A sauna. | 017
Faรงa um desejo. | 018
Intriga de famรญlia. | 019
Lembranรงa | 020
Reencontro | 021
Never ending story | 022
๐€๐‚๐“ ๐Ÿ‘; ๐™จ๐™ค๐™ข๐™š๐™—๐™ค๐™™๐™ฎ ๐™ž ๐™ช๐™จ๐™š๐™™ ๐™ฉ๐™ค ๐™ ๐™ฃ๐™ค๐™ฌ
Promessas | 023
Desculpas | 024
Amaldiรงoada | 025
Garantia | 026
A casa de Vecna | 027
Portal na รกgua | 028
Entre dois mundos | 029
O plano | 030
O รบltimo eu te amo | 032
Batimentos cardรญacos | 33
Velhos tempos | Capรญtulo final
Capรญtulo bรดnus | Especial de Natal

Voltar no tempo | 031

864 91 19
By lyavxfnfc

GO BACK IN TIME
ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ🛹 ་༘࿐

— Isso é permitido? — perguntou Max, curiosa.

Assistíamos Nancy cerrar o cano do revólver, curiosas enquanto o resto do grupo fazia outras coisas para contribuir no plano.

Havíamos passado na The War Zone, na intenção de comprar os equipamentos necessários como, armas, isqueiros e gasolina.

— Na verdade, eu acho que isso é crime — disse Nancy, focada no que fazia. — Mas, também garante uma coisa...

— O quê? — questionei.

— Eu não vou errar.

O barulho do metal separando do revólver soou, e eu senti um arrepio intenso percorrer pelo meu corpo. As mãos suadas pelo nervosismo, próximas às de Max pois segurávamos a outra parte da arma para ajudar a Wheeler.

Meu lábios esticaram em um sorriso quando olhei para Dustin e Eddie. Munson esfregava a mão nos cachos do garoto, que se esforçava para sair de seus braços.

Sorri, pois era bom saber que alguém ainda conseguia se distrair. Mesmo quando estávamos prestes a enfrentar Vecna — o mesmo homem que quase matou Max, e matou adolescentes indefesos em seus momentos vulneráveis.

— Eu, Steve e Robin acabamos lá — avisou Alice ao se aproximar. — E vocês?

Olhei para Nancy antes de ter certeza da resposta, assistindo a Wheeler passar o olho pela arma, limpando com um sopro os resquícios de pó que ficaram quando cerrou o cano.

— Também acabamos — respondemos eu e Max em uníssono.

— Então... acho que é isso — murmurou Robin quando ela e Steve pararam ao lado de Alice. — Agora só falta colocar em prática.

Engoli em seco, bebendo a água do copo antes posicionado no chão e sentindo o líquido rasgar minha garganta enquanto descia lentamente, com dificuldade.

Os Sinclair's e Grace se aproximavam com seus devidos equipamentos erguidos e, Dustin e Eddie logo atrás com seu escudo coberto de pregos.

Me levantei quando Wheeler e Mayfield fizeram o mesmo, jurando escutar minhas pernas implorarem por mais alguns minutos de descanso.

— Tudo pronto? — questionou Nancy, olhando para os quatro recém aproximados.

Todos assentiram, e então começamos a caminhar em direção ao trailer. Os passos se embolando um no outro, como se fosse um aviso para que ficássemos onde estávamos.

Mas, sendo um aviso ou não, ignorei, pisando novamente no chão do trailer e me sentando ao lado da ruiva.

Não era necessário a questionar se estava nervosa, com medo, pois era possível enxergar isso através de seus olhos. Suas orbes encaravam o vazio, parecendo procurar em sua mente barulhenta um botão que a lembrasse apenas dos pensamentos bons.

Eu sabia pois era exatamente assim que eu me sentia.

Aquele pressentimento ruim me consumia e minha cabeça latejava, minha respiração acelerava toda vez que aquela voz me dizia que eu poderia estar prestes a perder Max. Prestes a perder meu primeiro amor verdadeiro.

O motor do veículo era o único barulho presente.

A tensão era palpável e, quando meu olhar cruzava com o de qualquer um ali dentro, eu conseguia o ler, e dizia "vai ficar tudo bem", e eu devolvia, mesmo sabendo da incerteza — se vai ficar ou não.

Após alguns minutos tentando me distrair com o bloco de papel em minha mão — que Alice havia nos dado para nos comunicarmos lá dentro, pois quanto menos barulho melhor —, Steve diminuiu a velocidade, e então consegui avistar a antiga casa de Vecna através da janela.

Max me olhou por alguns segundos antes de se levantar e depois de Harrington estacionar. Seu olhar foi um aviso para que eu me levantasse também, então fiz, sentindo a mão de Alice me puxando pela blusa quando passei por ela.

— Olha, pirralha  — começou, na tentativa de um ar sério enquanto olhava em meus olhos. — Se você se machucar, se arriscar mais do que deve, ou... se você se atrever deixar aquela coisa atingir você de alguma forma... Eu juro que te mato, ouviu? Quero você sem nem mesmo um arranhãozinho.

— Não posso prometer nada — murmurei, segurando um riso.

— Tá cheia de graça, não é? — Estreitou os olhos antes de me puxar para um abraço, dando batidinhas meio agressivas em minhas costas, me fazendo reclamar entre seus fios loiros. — Vejo você daqui á algumas horas, quando tudo estiver resolvido. Quando a gente tiver matado aquele homem metade monstro desgraçado.

Ri enquanto nos afastávamos, Alice fazendo o mesmo, porém sua risada era mais fraca.

Eu sabia que esse era seu jeito de tentar amenizar situações como essa.

— Promete logo, vai — insistiu, segurando meus ombros.

— Tá... — Bufei, revirando os olhos. — Eu prometo.

— Ótimo.

— Toma cuidado — falei quando comecei a me afastar novamente. — Tomem cuidado.

Escutei Dustin devolver, pedindo o mesmo, e então olhei para Alice pela última vez, antes de deixar o trailer e me juntar a Lucas, Erica, Grace e Maxine.

Encarando a construção antiga antes de adentrarmos, senti o pressentimento voltar e o arrepio se juntar ao meu corpo mais uma vez, desejando que fosse a última.

O veículo começou a se afastar e nós começamos a nos aproximar da casa.

Max foi a primeira a entrar e logo depois fui eu.

A ruiva retirou os sapatos para a redução de barulhos, sem se importar se sua meia ficaria suja depois disso. Fiz o mesmo, me curvando para desamarrar e deixando o All Star perto da porta.

Ergui a lamparina, segurando firmemente o bloco e a caneta na outra mão.

Nos espalhamos pela construção, esperando um sinal de que Vecna estava presente no outro lado. No lado sombrio.

A iluminação azul iluminou meu rosto quando atravessei uma das portas, se misturando com a luz da lamparina.

Até que Erica surge atrás de mim, com seu irmão mais velho logo atrás, mordendo o lábio inferior.

Achei o Vecna.

Li em minha mente o que estava escrito no papel erguido pela garota, assentindo e começando os seguir.

Os dois me levaram para a sala da casa onde Maxine já estava. A ruiva observava a lamparina no meio do cômodo, brilhando, indicando o que precisávamos.

Ouvi os passos apressados de Grace pelo atraso. A expressão neutra lentamente se tornando uma de terror quando percebeu.

Observei a Sinclair pegar de volta o bloco de papel, retirando a tampa de sua caneta de cor preta e rabiscando.

Fase um?

Eu e Lucas confirmamos ao balançar a cabeça, e então a mais nova andou mais rápido até deixar a casa.

Assisti Mayfield respirar fundo antes dirigir os passos na direção do pequeno sofá.

Lucas encarou a luz por alguns segundos antes de seguir os passos da irmã caçula. Grace observou a nuca do garoto e, quando ele estava ficando longe demais, ela correu em sua direção antes que tivesse que andar sozinha pelo corredor escuro.

E de repente, éramos apenas nós duas.

Estufei o peito e deixei o ar ir embora, e então andei até a poltrona na frente de Max.

Um pequeno sorriso tentou fazer parte de seus lábios quando ela me olhou, me observando sentar no braço da poltrona.

Franzi o cenho quando escutei o barulho da caneta arrastando no papel, levantando a cabeça e avistando uma ruiva concentrada no que fazia.

Oi, Fraser.

Sorri, surpresa com sua ação descontraída.

Não demorei para fazer o mesmo, abrindo a caneta e sentindo o cheiro da tinta no primeiro segundo.

A cor vermelha manchou o branco, e então as palavras se formaram.

E aí, Mayfield.

Seus olhos brilharam, mesmo quando se camuflavam na intensa luz azul.

Após mais alguns segundos escrevendo, a ruiva virou o bloco.

Tô feliz que você está aqui, comigo.

Me apressei para responder:

É claro. Sempre vou.

Max esticou os lábios ao ler e eu senti as borboletas voarem livremente em minha barriga quando dessa vez, depois de muito tempo, ela não desviou o olhar.

Passei a folha velha para trás, apoiando o bloco no joelho para escrever melhor.

Quer ir pra minha casa na sexta, como nos velhos tempos?

As borboletas morreram quando sua expressão fechou.

Pelo seu tempo escrevendo uma resposta, imaginei mil coisas por si só. Como sua perfeita caligrafia dando um toque mais fofo para um fora.

Mas, quando a ruiva virou a folha outra vez, deixei uma risada baixa escapar.

Era um desenho onde Max fazia uma breve demonstração de meu quarto, colocando nele apenas a escrivaninha, a televisão — onde costumávamos assistir filmes de terror emprestados por Alice — e a cama, onde uma Mayfield mais alta do que deveria estava ao lado de uma Fraser segurando uma fatia de pizza.

Abri a boca, esquecendo por um segundo que estávamos evitando falar.

De repente, uma luz em forma de círculo chama minha atenção, apagando e acendendo uma parte da parede.

Nos aproximamos da janela para ter certeza, e avistamos Erica direcionando a lanterna para a janela onde estávamos. Lucas e Grace estavam fazendo um sinal de confirmação com a mão para afirmar.

Poderíamos começar a fase um.

Olhei para Max, esperando sua aprovação. Sua cabeça se movimentou em um sinal de afirmação, e então ergui a lanterna para dar o sinal que os três esperavam.

Mayfield suspirou, me olhando de volta antes de deixar o cômodo e seguir para o sótão.

Acompanhei seus passos após apagar a lanterna, e em seguida a porta do lugar sombrio rangeu, fazendo o medo em meu corpo intensificar quando deu visão para o sótão abandonado.

Atravessei a porta, escutando os próprios passos sob os degraus de madeira da escada. Aqueles que davam a impressão de que iriam se partir ao meio quando nossos pés os esmagavam.

A música de seu fone parou.

— Chega de música. Chega de joguinho — vociferou, mas não obteve nenhum sinal sinistro de resposta vinda do mundo invertido. — Tá me ouvindo? Você me quer ou não? Eu tô aqui.

A lâmpada no centro da lamparina se acendeu sem a necessidade de Max fazer, e então o sentimento de medo fez o mesmo, resultando em batidas mais fortes e mais altas dentro de meu peito.

Era ele.

— Eu sei que você tá ouvindo — começou, encarando a luz. — Eu sei que você lê meus pensamentos. Até mesmo os piores... Talvez principalmente os piores.

A ruiva soltou o ar devagar antes de colocar a lamparina em cima do pequeno caixote no meio do lugar.

O inferior de meus lábios úmidos pediam por trégua, mas eu ignorava e continuava a morder, sentindo a dor como uma pequena distração do que acontecia em minha frente.

Max se sentou na superfície de madeira, especificamente no espaço que estava coberto por um tapete, sem se importar com o fato de que o pano estava coberto com sujeiras recentes e de anos atrás.

— Eu pensei no que você disse. Sobre como eu queria que meu irmão morresse — continuou, envolvendo os próprios joelhos. — Eu pensei que você só quisesse me incomodar. Me irritar. Mas não era isso, né? Só tava falando a verdade. O Billy fazia da minha vida um inferno. Em toda chance que ele tinha. Então, às vezes... eu deitava pra dormir a noite e, eu rezava... Eu rezava pra alguma coisa acontecer com ele. Uma coisa horrível. Eu sabia que ele dirigia rápido, então eu imaginava ele batendo... morrendo naquele carro ridículo.

O gosto metálico do líquido vermelho chegou em minha língua quando fui longe demais. O canto de minha boca latejando, mas não achei o suficiente.

Mais uma vez, mordi a pele de meu lábio inferior, fazendo o líquido sair ainda mais. Mas eu não sentia nada.

Apenas conseguia focar em cada palavra que saía entre seus lábios rosados e trêmulos.

— Eu só... — Sua voz foi perdida, mas a recuperou após um longo e pesado suspiro. — Eu queria ele fora da minha vida. Pra sempre. Eu queria que ele sumisse.

O frio que antes eu sentia, se tornou um calor insuportável, que me fez ter vontade de tirar a jaqueta que cobria meus braços, mas não fiz. Estava vidrada.

— No dia que ele morreu... acho que foi por isso que eu fiquei parada olhando. Não porque eu tava com medo, ou era fraca. Mas porque eu não sabia se ele merecia ser salvo.

A lembrança daquela noite veio à tona inevitavelmente, e de repente a cena de uma Max assustada se acendeu em minha memória. Uma Max congelada, presenciando a morte do irmão.

— E eu fico tentando me perdoar — revelou com a voz chorosa, falhando entre as frases. — Eu tentei, mas... não dá. Não dá. E agora... Agora, quando eu deito a noite, eu... rezo pra alguma coisa acontecer comigo. Pra uma coisa horrível acontecer comigo.

Puxei o ar com força, mas não parecia haver mais nada.

— É por isso que eu tô aqui. Porque... Porque eu quero que você me leve — murmurou, uma das lágrimas que escorria como cascatas descendo por seu queixo. — Eu quero que... você me faça sumir.

Senti o líquido se juntando nos cantos de minhas orbes e pisquei quando estava quase transbordando, as deixando molhar minhas bochechas e escorrer até meu pescoço também sendo atingido pelo líquido salgado em dois fios.

Logo mais dois. Logo mais. E, de repente, Max parou de falar.

O silêncio pairou e restou apenas o barulho de meus passos se aproximando de seu corpo sentado.

— Max?

Nenhuma resposta.

— Max... — murmurei, como se fosse uma súplica para que ela respondesse dessa vez.

Outra vez, nenhuma resposta.

Me curvei ao seu lado para conseguir enxergar seu rosto melhor, enxergando seus olhos embranquecidos, já distantes.

Fase dois começou.

— Max, você tá aí? Consegue me ouvir? — indaguei mais na intenção de ter certeza que poderia dar início, balançando minha mão na frente de seu rosto. — Max?

Tive a certeza que precisava.

Caminhei até a janela quebrada, mirando a lanterna para a rua, onde Erica esperava o sinal e, acendi e desliguei cinco vezes, esperando uma resposta.

A Sinclair devolveu, confirmando o começo da segunda fase do plano ao pressionar e soltar o botão de ligar da lanterna diversas vezes.

Tentei buscar ar em meu pulmão enquanto caminhava de volta para o lado da ruiva.

Me agachei, ajoelhando ao seu lado e, após alguns minutos, cedendo quando meus joelhos reclamaram e me sentando no tapete.

Meus olhos arregalavam quando sua respiração se agitava.

Em meus pensamentos eu repetia para mim mesma várias e várias vezes:

Acabe logo.

Minhas mãos trêmulas pousando no ombro de Mayfield, como se ela pudesse sentir o toque e isso a fizesse se sentir protegida do que quer que estava acontecendo em sua mente.

Acabe logo.

Quero ir para casa. Para casa com ela.

De repente, o rosto de Alice surgiu em minha mente e suas palavras de hoje mais cedo, típicas de uma irmã mais velha protetora.

Minha irmã mais velha protetora.

Apenas assim, quando minha mente me entregou sem muito esforço uma imagem borrada de algo ruim acontecendo com a loira, percebi que nunca disse que a amo.

Posso hesitar ao admitir em sua frente, mas a amo e daria minha vida pela dela, sem pensar duas vezes.

Sorri levemente ao relembrar dos jantares onde Alice implicava comigo e Max ria da situação, de vez em quando me defendendo quando eu a lançava um olhar cabisbaixo de propósito, apenas pra fazer drama.

Nunca costumei pensar muito sobre um poder favorito. Quando aquelas conversas de "qual superpoder você escolheria" surgiam, eu apenas respondia o primeiro que vinha em minha mente, mas, agora, com certeza seria o poder de voltar no tempo. Era tudo que eu mais desejava no momento. Voltar para quando éramos felizes, mesmo com os poréns.

Nada nunca havia sido assim. Ninguém nunca tinha sido colocado em perigo como estamos nos colocando agora.

Minha irmã e meus amigos estão no mundo invertido, caçando um monstro para o tacar fogo e furar sua pele nojenta com tiros, e, Max está aqui, o distraindo, podendo levitar a qualquer momento.

Passos pisando nos degraus ecoaram, me despertando dos pensamentos.

— Vim checar se está tudo... bem. Bom, bem não está, mas, se está tudo indo como o combinado.

Era Grace. Grace e seu jeito atrapalhado que não a largava nem nos momentos mais necessários.

— Ela está em transe, então... — informei, voltando o olhar para Maxine. — É, tá tudo indo de acordo com o plano.

Lucas apareceu atrás de Grace. A respiração ofegante do garoto quase ecoando pelo lugar.

Um barulho fora da casa chegou em meus ouvidos.

Olhei para os dois, checando se escutaram o mesmo, recebendo a resposta ao ler suas expressões e assistindo Grace descer as escadas rapidamente, provavelmente indo checar.

Sinclair se aproximou da janela, a luz do poste refletindo em seus olhos semicerrados que se esforçavam para enxergar o que acontecia lá fora.

— O que aconteceu? — questionei, evitando sair do lado de Max. — Erica está bem?

Lucas se virou lentamente, parecendo envolvido demais nos próprios pensamentos para me responder. Passos pesados se aproximando e, de repente, um de seus amigos do basquete, Jason, estava na ponta da escada.

— Jason, você não pode entrar aqui agora — avisou Sinclair.

O loiro o ignorou, adentrando mais e intercalando seu olhar curioso entre eu e Max.

— O que vocês estão fazendo?

— Você tem que sair daqui — reforçou para o loiro, que o ignorou pela segunda vez.

— Foi isso que vocês fizeram com a Chrissy? — questionou entre dentes, se curvando levemente e passando a mão na frente dos olhos da Max, na intenção de acorda-la.

Sua mão pousou sob seu outro ombro, e então eu senti meu sangue mudar, esquentando, a paciência indo embora, deixando comigo apenas a raiva.

— Não encosta nela! — exclamei, meu tom saindo mais alto do que planejei.

O loiro nem mesmo me olhou, me fazendo retirar seu toque de Max com minha própria ação. Uma ação rápida mas que o fez levantar, me encarando antes de direcionar seu olhar para Lucas novamente.

— Jason, olha, a gente pode resolver isso lá fora, tá bom? Por favor, só não aqui — pediu Sinclair, se aproximando do ex amigo. — Jason, você tem que sair daqui!

— Ou, pra trás! Se afasta! — gritou o loiro ao enfiar a mão no bolso de seu casaco e, quando sua mão voltou, segurava um revólver, me fazendo arregalar os olhos.

Lucas ergueu as mãos de imediato.

— Calma, não precisa fazer isso. Não tem que fazer isso — garantiu ao dar passos para trás, voltando para onde estava antes.

— Acho bom mesmo — Jason murmurou. — Tem mais alguém na casa?

— Não.

— Vira de costas — exigiu o loiro.

— O quê? — questionou Lucas, confuso.

— Vira agora! — gritou outra vez, me fazendo fechar os olhos com força pelo susto.

O garoto se virou lentamente, ainda com as mãos erguidas.

— Esvazie os bolsos — ordenou, sua voz cada vez mais firme.

— Mas...

— Esvazie!

Sinclair puxou os bolsos para fora e o barulho das coisas caindo do pano, ecoou. Apenas coisas como papéis de bala e pilhas extras que Dustin havia nos dado.

— Legal... — Respirou fundo, apertando os dedos ao redor da arma. — A gente vai fazer assim... Eu agora vou voltar pro topo da escada e vou ficar olhando vocês acordarem ela desse transe esquisito.

— Não dá, cara — negou Lucas ao se virar novamente. — Se a gente acordar ela...

— Você quer morrer, Jason? — interrompi, olhando para o loiro que desviou o olhar de Lucas assim que ouviu minha voz. — Porque, se acordarmos ela, é exatamente isso que vai acontecer. Não apenas com você, mas com toda a cidade. Hawkins inteira.

— Não — hesitou, voltando o olhar para Sinclair. — Se não acordarem ela agora, vocês morrem, Sinclair. Apenas você e sua amiga esquisita.

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