Acordo.
Minha cabeça latejava como uma ferida aberta, pulsando loucamente como se fosse explodir a qualquer momento, meu maxilar doía por não ter colocado a contenção para dormir e minha boca estava seca, tateio minha cama em busca do travesseiro que usava entre as pernas por sempre ter odiado dormir com os joelhos encostando e então lembro. Meu coração se agita e o gosto azedo de bile preenche minha boca a fazendo arder, engulo.
Me sento na cama e massageio as têmporas usando os polegares, estava tremendo de frio, ainda me lembro do dia de ontem, era impossível esquecer, aquela cena iria me atormentar por muito tempo, ver o corpo da garota mais popular da cidade embalado em plástico na orla oeste de mørkhein em um domingo de manhã não é algo que você planeja, ainda me lembro do rosto pálido azul, a boca entreaberta com os lábios roxos, provavelmente após ter dado seu último suspiro, os olhos abertos cobertos de areia e o cabelo desarrumado.
O gosto azedo volta, seguro mais uma vez. Lilian havia sido morta, assassinada, e eu havia descoberto o corpo, era estranho, parecia errado, claro, a situação não era certa portanto era errada, mas era estranho. Eu já estava acostumada a lidar com esse tipo de coisa, tanto por ser filha do xerife como por de dois em dois anos algum assassinato acontecer na cidade, uma cidade tão pacata como mørkhein, não era de se esperar, ou talvez fosse, o clima frio assim como as pessoas, os prédios estilo soviéticos e o alto índice de fumantes e alcoólatras por metro quadrado não era assim tão agradável, não era uma cidade agradável, mas claramente não era Gotham city.
Meu celular toca, olho para a tela e me irrito com o som que a vibração faz sobre a madeira, era cooper, provavelmente queria saber se eu estava bem após tudo o que tinha acontecido.
Estendo a mão e pego o celular, atendo.
— alô — a voz de cooper era tensa porém controlada.
— cooper... — digo ainda sonolenta.
Escuto um suspiro aliviado do outro lado da linha. — você está bem?
— sim. — respondo, de certa forma estava bem, fisicamente bem, embora ainda não conseguisse me livrar daquela imagem queimada no fundo do meu cérebro.
Ele fica em silêncio por alguns segundos. — eu tô preocupado... — era a primeira vez que eu ouvia ele falar algo assim. — você a viu?
— sim. — não consigo falar nada além disso.
— que merda cara.
— não vi muito. — minto, as palavras saem desconexas tentando fazer sentido.
— se quiser eu posso te comprar um pedaço de torta... — ele era tão bom em demonstrar carinho e preocupação mas tentava.
— tá.
— bom..., só queria checar mesmo, sinto que não quer conversar sobre, mande abraços ao seu pai.
Desligo o celular, cooper era um bom garoto, por mais que não parecesse, ele se importava, éramos amigos desde que nasci, a mãe dele cuidava de mim como se fosse a minha, suspeito até que ela e meu pai haviam tudo um caso mas nunca me importei em ir atrás de saber, éramos amigos a muito tempo então decidimos não tocar no assunto.
Levantei da cama, minha visão ficou escura por alguns segundos, segurei no criado mudo até me estabilizar, fecho os olhos com força e então abro, escuto a voz do meu pai me chamando no andar debaixo, caminho até a porta, pego um grande roupão peludo e me cubro, mørkhein sempre foi uma cidade fria, mas o clima parecia mais mórbido que nunca, ou talvez fosse a casa de madeira com alicerces de seixos, totalmente o oposto do resto da cidade, talvez os imigrantes russos que construíram 80% dos prédios da cidade soubessem melhor sobre isolamento térmico do que seja lá quem fosse que construiu essa casa — provavelmente um norte americano.
Olho pela janela, a neve havia parado de cair, o chão estava completamente branco, coberto por uma densa camada fria, os prédios cinzas de seis andares que variam a cidade continuavam como sempre, sem personalidade, tristes e velhos, assim como seus moradores. Mais uma vez escuto meu nome.
— já vou! — grito, minha voz ecoa pela casa, caminho até o corredor e desço as escadas, meu pai estava com as calças do uniforme e sem camiseta preparando café da manhã.
— o que já conversamos sobre gritos em casa? — ele diz e coloca duas xícaras na mesa.
— desculpe senhor.
— desculpada, sente-se, preparei panquecas, vou ter que sair cedo hoje. — parecia estressado, se parecia um pouco mais comigo assim.
Me sento na cadeira e bebo um gole do café, era café com leite de amêndoas, açúcar e canela, já na xícara dele era apenas café preto puro.
— então... Sobre ontem. — digo apertando a alça da xícara.
— sem assuntos do trabalho na mesa senhorita.
— certo.
— você vai pra escola e não vai falar sobre nada que aconteceu ontem para ninguém, ok? — ele coloca os pratos na mesa e se senta, então apoia a mão na minha e aperta me reconfortando. — sei que vão acabar te perguntando algo, mas tente não tocar no assunto, quanto mais detalhes se espalhar pior será. Só contei a cooper por que ele estava preocupado contigo, mas ninguém sabe ainda.
Apenas concordo com a cabeça e começo a comer, passamos alguns minutos assim, em silêncio, como todas as manhãs, vejo meu pai devorar as panquecas com pressa, conseguia notar as olheiras roxas embaixo dos olhos verdes e o cabelo ruivo desgrenhado, sentia pena dele mas nunca cheguei a falar nada.
Ele se levanta, acende um cigarro, coloca a camisa e abotoa, então coloca o colete azul marinho com o broche de xerife escrito "xerife mørkhein de mørkhein", lembro que quando era mais nova achava engraçado o fato de termos o mesmo sobrenome da cidade, alguém muito velho da linhagem do meu pai havia fundado a cidade, mas não era relevante hoje em dia, ninguém mais se lembra, esse fato apenas nos trouxe uma casa de madeira, o cargo de xerife e anos de bullying como recompensa.
Ele acaricia minha cabeça e da um beijo na minha testa, consigo sentir o cheiro do cigarro de menta, eu sei que ele se esforçava para ser um bom pai.
— até mais tarde querida, Tome cuidado.
— tchau pai... — digo e vejo ele sair. — cuidado. — gostaria de dizer que o amava mas não tive coragem.
Comi o resto das panquecas e enguli o café, então começei minha rotina da manhã, peguei uma garrafa de água e fui até o aquecedor, me sentei na frente dele enquanto bebia água gelada deitada no chão, até tínhamos uma lareira mas só ligavamos no natal. Me deitei no chão, as tábuas frias de madeira ardia minhas canelas, o roupão peludo se abriu, senti o frio cortante em minhas pernas e braços, estava só de calcinha, meus mamilos ficaram duros por conta do frio e os pêlos na minha barriga arrepiaram, fiquei alguns minutos assim mas então me levantei, lembrei de algo importante.
— merda! — balbuciei.
Corri até meu quarto subindo as escadas as pressas e fui até o criado mudo, olhando em todas as gavetas, revirei minha cama, jogando os lençóis e os travesseiros no chão, fiquei de quatro e me contorci para debaixo da cama, batendo sem querer a nuca na madeira ela.
— cadê?...
Entao achei, uma bolinha de papel do tamanho de uma uva, abri e tinha um número de celular escrito, com "Conrad" embaixo, amassei denovo e botei encima do criado mudo.
Olhei para o relógio que ficava encima da minha cama, um infantil rosa claro que fora instalado quando eu tinha 10 anos, era um pouco torto, depois de eu tentar arrumar tantas vezes apenas desisti, eram quase 7 da manhã.
Vasculhei no meu guarda roupa o uniforme, peguei a blusa azul claro de botão com o brasão da cidade no peito, a saia preta e a gravata cinza, corri até o banheiro e liguei o chuveiro enquanto tirava o roupão, os pelos ruivos do meu braço se arrepiaram com o frio repentino, os encarei no espelho enquanto os tocava, passando a mão suavemente por eles, sempre achei o corpo humano algo fascinante, então entrei embaixo da água quente, o vapor invadiu o banheiro e se dissipou pelo quarto, havia prendido o cabelo antes de entrar, não podia perder tempo, logo sai e sem me secar nem nada coloquei a mesma calcinha e a saia, botei a blusa e a gravata, então procurei o sapato enquanto penteava o cabelo, pensei em por uma meia calça grossa por conta do frio mas então olhei o relógio mais uma vez, estava atrasada, escovei os dentes, bebi água mais uma vez, peguei a mochila e sai de casa às pressas, quase correndo, nunca odiei tanto o fato da neve congelar o chão tão facilmente mas mesmo assim tentei correr o mais rápido que pude tentando não cair no chão.
Cheguei segundos antes da primeira aula, cooper estava no lugar de sempre, sentado no canto inferior esquerdo da sala, usando o moletom preto por cima do uniforme e o cabelo preto ondulado bagunçado, ele me encara com aquele rosto impassível, os olhos que não deixavam transparecer nenhuma emoção, me sento em silêncio ao lado dele como de costume, ele não me pergunta nada e nem diz nada sobre a ligação, me pego pensando se havia sonhado com a ligação ou alucinado por conta do remédio para dormir.
Lanço alguns olhares para ele e então ele quebra o gelo.
— você vai acabar morrendo de hipotermia.
Fico confusa, afinal por mais que o humor mórbido dele não me seja incomum acabo sendo pega de surpresa por conta das circunstâncias.
— estava atrasada, não consegui por a meia calça.
— nem um casaco?
— esqueci.
— não vou te emprestar o meu.
— tá, eu não ia pedir mesmo.
— você vai direto pra casa hoje ou vai ficar na enfermaria?
— depende...
— da enfermeira chefe né? Você sequer sabe o nome dela?
Dou de ombros.
— se não tiver que dar uma de ajudante hoje, pode ir lá em casa? Tenho um trabalho de artes para entregar e preciso de um modelo vivo.
— pode ser, eu vou ter que ficar pelada ou alguma bizarrice assim? — digo rindo baixo, gostava de irritar cooper.
Ele cora. — não. — ele da um soquinho no meu ombro. — idiota.
A professora entra, logo em seguida o diretor, e então, meu pai, fico séria e me porto, consigo sentir o clima ficando tenso na sala, o rosto do diretor e da professora estavam pálidos, cooper olha para mim confuso.
— caros alunos, um minuto de atenção por favor... — o diretor fala.
Consigo notar Pamela e Conrad olhando para a cadeira vazia onde geralmente ficava Lilian.
— é com pesar que informamos que mais um assassinato ocorreu na cidade, gostaria de a todos que se reúnam no ginásio no intervalo para termos um minuto de silêncio em nome da nossa aluna e colega Lilian Palmer.
Um burburinho assustado começa a se espalhar pela sala, consigo notar o rosto de Pamela ficar em choque e logo então ficar vermelho de choro, Conrad esfrega a mão em silêncio pelo cabelo platinado, parecia tenso.
— silêncio! — meu pai os interrompe — é de em suma importância que todos aqueles que tiveram contato com Lilian Palmer nas últimas 24 horas vá até a delegacia dar seu depoimento, se algum de vocês sabe algo de importante peço que me informe.
Os dois saem da sala e a aula começa, vejo Pamela se levantar imediatamente segurando o choro e saindo de sala, alguns minutos se passam e eu decido ir atrás checar, não que eu me importasse com ela, era mais curiosidade, mas eu poderia usar a desculpa de ser ajudante da enfermeira para caso alguém perguntasse.
Vou para o corredor, vejo meu pai e o diretor conversando, tento me esquivar para não ser vista e abro a porta do banheiro, o banheiro era grande, tinha em volta de 7 a 8 cabines, muitas pias e um espelho que tomava a parede inteira, a parede por sua vez era quadradinhos de cerâmica rosa claro, caminho devagar até o som de choro em uma das cabines, então entro na cabine vizinha, sento no vaso e encolho meus pés.
Consigo escutar um susurro baixo, como se alguém falasse ao telefone.
— Sim... Sim..., no intervalo..., ele já foi aí então? — ela susurra.
Me aproximou um pouco mais para ouvir melhor.
— estou bem..., ela era minha melhor amiga..., não sei sei, não, é uma péssima ideia don, vão suspeitar..., eu sei docinho, outra vez, ou talvez quando todos forem embora, eu preciso estar lá.
A porta abre, ela para de falar imediatamente, consigo escutar a ligação encerrando, passos se aproximam e a torneira é ligada, então desligada, passos se afastam.
Escuro Pamela dando descarga, me levanto rápido e abro a cabine devagar indo em direção a pia, ela abre a cabine e olha para mim, disfarço fingindo estar arrumando o cabelo.
Ela se aproxima e abre a torneira.
— você está bem? —pergunto.
— o que você acha? — ela diz irritada e lava o rosto que ainda estava vermelho.
fico em silêncio.
— desculpa..., é só que eu não esperava essa notícia...
— ninguém esperava.
Ela suspira. — a quanto tempo está aqui?
— como assim?
— no banheiro, a quanto tempo está no banheiro?
— entrei agora, vim lavar a mão e arrumar o cabelo. — minto.
— certo.
— eu já ia sair, melhoras. — aperto levemente o ombro dela e saio.
Fico repassando a conversa na minha cabeça, quem seria "don"? Algum tipo de namorado? Pamela era tímida demais para falar com qualquer garoto, porém claramente tinha uma queda por Conrad.
Falando nele, no caminho da sala acabou esbarrando em Conrad sem querer enquanto vagava nos meus pensamentos.
— desculpa. — digo e continuo andando, então paro ao sentir ele agarrando meu braço.
— Claire espera! — ele diz aflito, nunca tinha visto ele assim, era sempre tão frio e arrogante com todos. — podemos conversar?
Vejo Pamela se aproximando e passando por nós enquanto me encara.
— claro, sobre o que seria? — pergunto, afinal não tínhamos intimidade o suficiente para conversar, eu só havia atendido ele na enfermaria uma ou duas vezes.
— você não me ligou... — ele balbucia.
Talvez, mais do que uma ou duas vezes.
— eu sei.
— mas por que?
— Conrad acho que você tem outro assuntos pra se preocupar no momento.
Ele suspira.
— seu pai sabe?
— sobre o que?
— sobre nós dois. — ele susurra.
— não. — respondo com honestidade, porém me lembro de ter deixado o número dele encima do criado mudo.
— ele não pode saber, ninguém pode saber.
— não acho que Lilian iria reclamar. — balbucio e reviro os olhos, então sinto ele apertar meu braço mais forte.
— não diga o nome dela.
— vocês tinham terminado.
Ele fica em silêncio.
— né?... Conrad me responde, vocês tinham terminado né?
Ele fica em silêncio, puxo meu braço e me solto dele, então dou dois passos para trás.
— Claire...
Me afasto mais.
— Claire, espera!
— idiota. — começo a caminhar devolta até a sala, consigo sentir Conrad me encarando.
O sinal toca e os alunos saem da sala, fico do lado de cooper enquanto todos caminham até o ginásio.
— o Hartman tá te encarando. — cooper diz. — e a esquisitona também.
— e quando não estão.
Ele da uma risada baixa, mas tenta disfarçar, eu sorrio, era raro ver cooper rir, principalmente fazer ele rir.
— sabe, eu vou te ajudar no seu trabalho de artes, não tô muito afim de ir pra enfermaria hoje.
Ele sorri. — obrigado senhorita mørkhein.
Sorrio e reviro os olhos. — denada Alex.
— não me chama de alex! — ele esbarra em mim de propósito.
— é seu nome ué. — digo rindo. — Alex! — repito devagar pausadamente.
— tabom engraçadinha pode parando. — escuro a voz do meu pai vindo de trás de nós dois.
— senhor mørkhein — cooper diz e acena.
— cooper, como vão as coisas? — ele pergunta e põe a mão no ombro de cooper, meu pai era quase o dobro do tamanho dele, afinal tínhamos quase a mesma altura desde sempre, cooper só era um pouco mais alto.
— acho que vão bem.
— preciso conversar com vocês dois mais tarde.
— sim senhor! — cooper responde.
— agora vão, é importante prestar um minuto de silêncio pra colega de vocês.
Ele aperta o ombro de cooper e dá dois tapinhas no topo da minha cabeça
Caminhamos em silêncio no corredor agora já vazio, porém burburinho era inevitável, seguimos até a grande porta dupla do ginásio e abrimos devagar, então passamos por trás da arquibancada e sentamos em um canto, o silêncio era palpável, todos olhando um para o outro ainda confusos com o que havia sido dito na sala de aula, alguns soluços ecoavam pelo ginásio, tão baixos que mal podiam ser ouvidos.
O diretor estava na frente de todos, provavelmente havia pedido um minuto de silêncio antes de eu e cooper entrar, ele havia me olhado com cara feia quando sentamos, permaneço em silêncio, não por que me importo com a situação ou por respeito, apenas porquê nada saia da minha garganta, havia se formado uma bola tão pesada que meu pescoço poderia pender para frente.
Encaro cooper, acho que ele sentia o mesmo, ele coloca o gorro do moletom puxando a corda que fazia o mesmo esconder ainda mais seu rosto, morde os lábios segurando uma risada e se afunda na arquibancada, levo a mão até a boca e aperto as bochechas também disfarçando, não era um momento apropriado para rir mas toda a situação era um pouco engraçada, afinal a maioria das escola nem sequer gostava de Lilian, estavam apenas fingindo.
Após alguns minutos que se pareceram horas, todos se levantam e começam a sair em direção ao refeitório.
— você acha que eles vão sair perguntando pra cada um? — cooper pergunta.
— acho que não. — respondo, mas eu sabia, tão certa quando o sol nasceria amanhã, que iriam ir atrás de Pamela e Conrad.
— provavelmente já foram na casa dela, atrás de alguma pista sabe.
Encaro ele. — eu não sei onde ela mora, mas com certeza meu pai não foi lá ainda.
Ele para, como se quisesse dizer algo, mas então volta a andar.
— sabe de algo?
— não sei bem...
Encaro ele mais uma vez.
— é que a gente morava no mesmo prédio, uma vez eu... — ele olha em volta e me puxa pra um dos cantos, então susurra. — uma vez eu vi ela super cheirada no corredor, não tava falando nada com nada.
— não sabia que ela se drogava.
— pois é, nem eu..., enfim! — ele me puxa para a fila do almoço.
Ambos pegamos as bandejas azul escuro que sempre estão arranhadas embaixo, colocamos na bancada de ferro e arrastamos, colocamos um prato encima e ao lado um saquinho com uma colher, arrastamos mais uma vez e a tia da cantina joga de forma brusca um purê de batata quase verde, carne de hambúrguer que mais parecia a sola de um sapato e ervilhas; cooper continua arrastando para a melhor parte, no caso, a única, um único potinho de sorvete sabor azul que davam em dias "quentes" ou em ocasiões especiais, era notável que não estava nos planos da escola dar esses sorvetes hoje, mas por conta do caso, deram.
Caminhamos até uma mesa no fundo, me sento e fico olhando a mesa dos "populares", que hoje só se encontra Conrad, Pamela e a garota que Lilian havia conseguido para ser a terceira patricinha depois que vimos Heathers na aula de literatura, lembro que eu fui a primeira opção porém recusei, nunca lembravam da terceira mesmo, se não me engano o nome dela é Eliza lane, alta, pálida, magra, loira mas não tão loira quanto Lilian era e estupidamente burra.
Antes de por o purê de batata bizarro na boca meu celular vibra, coloco novamente a colher encima do prato e o pego, era meu pai, "querida vou investigar a casa da garota com o resto da equipe, chegarei mais tarde, durma na casa de cooper, irei falar com Polly mais tarde, é mais seguro."
— meu pai quer que eu durma na sua casa. — digo para cooper que devorava o potinho de sorvete azul.
— tudo bem, minha mãe tava querendo companhia mesmo, provavelmente vamos sair mais cedo também.
— meu pai disse que ia até a casa da Lilian, quais as chances dele e da tia Polly ficarem "conversando" antes da gente chegar?
Ele ri. - acho que ele não sabe que éramos vizinhos.
O celular vibra mais uma vez, "é no mesmo prédio do cooper, se quiser eu passo aí, dou carona pra vocês e vamos todos juntos até lá."
— é ele descobriu, vamos ter carona pelo visto.