Depois de Sete anos

By katsuragiiy

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A história acompanha Misato Katsuragi e Kaji Ryoji, de Neon Genesis Evangelion, após sete anos de afastamento... More

{ O Elevador }²
{Episódios de praia}³
{ Apartamento, pós praia.}⁴
{ Apartamento, continuação ⁵}
{Repetindo tudo ⁶}

{ O primeiro reencontro }¹

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By katsuragiiy

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Fanfic: Depois de Sete Anos

O elevador da NERV sempre foi pequeno demais.
Misato entrou distraída, ajustando a jaqueta, quando a porta se fechou atrás dela - e um cheiro conhecido invadiu o ar.
Ela congelou antes mesmo de olhar. O coração disparou como se estivesse de volta à juventude.

- Ora, ora... - a voz masculina soou carregada de ironia e saudade. - Se não é a Major Katsuragi.

Misato virou o rosto devagar, encontrando aquele sorriso debochado. Kaji Ryoji. O mesmo olhar, o mesmo ar relaxado, a barba por fazer. Sete anos e ele parecia ainda mais perigoso.

- Kaji... - ela murmurou, forçando um sorriso que não escondia o aperto no peito. - Achei que já tinha se enfiado em algum buraco pra nunca mais voltar.

Ele arqueou uma sobrancelha, dando um passo para perto.
- E perder a chance de ver como você continua maravilhosa? Nem morto.

Ela engasgou num riso nervoso, virando o rosto para esconder o rubor.
- Continua o mesmo... sempre com essas cantadas baratas.

- E você continua caindo nelas - ele sussurrou, baixinho, fazendo-a prender a respiração.

O elevador parou no andar errado, mas nenhum dos dois se moveu. Por alguns segundos, apenas trocaram olhares carregados de lembranças. Misato desviou primeiro, ajeitando o cabelo como se isso fosse esconder a fraqueza.

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Dias depois, o reencontro aconteceu fora da NERV. Um velho amigo da faculdade se casava, e lá estavam os dois, brindando como se o passado não existisse. O vinho correu solto, a música os cercou, e entre provocações e olhares demorados, acabaram saindo juntos da festa, já cambaleando na madrugada.

- Quem diria... nós dois, bêbados outra vez, como naqueles velhos tempos - Kaji riu, tentando equilibrar-se.

- É... - Misato respondeu, a voz carregada de algo mais que álcool. - Como se nada tivesse mudado.

O silêncio os alcançou. O vento frio da noite arrepiava a pele, as folhas secas rolavam pelo chão iluminado por lâmpadas distantes. Havia algo pesado entre eles, mais forte que qualquer lembrança da festa.

Kaji parou de andar, virando-se para encará-la.
- Eu passei todos esses anos tentando entender por quê. Por que você terminou. Foi traição? Foi cansaço? Foi... o quê?

Ela respirou fundo, os olhos marejando. O álcool tornou impossível segurar a verdade.
- Não foi nada disso, Kaji. Eu terminei porque... eu me odiava. Porque pensei demais, duvidei de mim mesma... e de nós. Eu achei que não merecia você. Então fugi.

Ele permaneceu em silêncio, os olhos fixos nela. Misato desviou, sentindo a garganta arder.

- Eu estraguei tudo... mas nunca deixei de te amar. - As palavras saíram baixas, quase implorando. - Nunca.

Kaji se aproximou devagar, sem a máscara de ironia. Os dedos tocaram o rosto dela com cuidado, e antes que pudesse se defender, ele a puxou para um beijo urgente.

Foi um beijo quente e desesperado, com o gosto forte do vinho ainda presente, misturado à sensação de reencontro. As mãos dele prenderam sua cintura, e ela, trêmula, agarrou a jaqueta dele como se tivesse medo que ele desaparecesse de novo.

Quando se afastaram, estavam ofegantes, os rostos colados, olhos marejados.

- Eu também nunca deixei de te amar - ele disse, sério, quase num sussurro. - Você sempre foi a única, Misato.

Ela deixou escapar um riso frágil, não mais forçado. Apoiou a testa na dele, fechando os olhos, permitindo-se, por fim, descansar no calor que sempre buscou.

Naquele instante, o silêncio da noite não era vazio. Era um lar reencontrado.

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(continuação)

O beijo terminou, mas as pernas de Misato ainda tremiam. Talvez fosse o álcool, talvez fosse ele. Provavelmente os dois. Kaji riu baixo, encostando a testa na dela.

- Você está tropeçando sem nem andar... vai cair em algum bueiro antes de chegar em casa.

- Cala a boca... - ela murmurou, envergonhada. - Eu não preciso de babá.

Kaji arqueou a sobrancelha e, sem aviso, abaixou-se. Antes que ela protestasse, ele a ergueu de costas, jogando-a sobre os ombros.
- Pronto. Serviço de "cavalinho" exclusivo. Aceitamos gorjeta em beijos.

- Kaji! Me põe no chão! - ela bateu nos ombros dele, rindo e corada. - Você vai acordar a cidade inteira!

- Ah, Major Katsuragi... depois de sete anos, você continua leve como uma pena. - Ele deu alguns passos exagerados, fingindo desfile, e ela teve que morder o lábio para não rir alto demais.

Apesar da vergonha, a verdade é que se sentia... segura. A última coisa que lembrava, já encostada na porta do apartamento, foi o jeito como ele a colocou no chão com cuidado, ajeitando uma mecha do cabelo dela. E depois, o silêncio pesado quando ele foi embora sem pedir nada.

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Na manhã seguinte, o mundo girava mais do que deveria. Misato praguejou contra o sol, contra a própria cabeça e contra as garrafas de vinho que aceitou. No espelho, tentou ajeitar o cabelo, colocar o sorriso de sempre.

No trabalho, Ritsuko estava à sua mesa, impecável como sempre, digitando relatórios. Assim que a viu, arqueou a sobrancelha.

- Vejo que alguém exagerou ontem.

- Eu? Imagina... - Misato forçou a voz animada, apesar das olheiras. - Só estou um pouquinho... cansada.

- Cansada? - Ritsuko suspirou, descrente. - Ainda bem que fui embora cedo. Aposto que a festa virou um circo depois que eu saí.

Misato riu nervosa, desviando o olhar. Circo era pouco.

Foi nesse momento que Kaji entrou no setor, ajeitando o crachá. Estava com a mesma expressão de ressaca que ela, mas não parecia disposto a esconder. Sorriu ao vê-la.

- Major Katsuragi. - O tom arrastado, cheio de malícia. - Está radiante hoje.

Ela bufou, tentando manter a compostura.
- Você está é com cara de morto-vivo.

- Morto, mas feliz. - Ele se aproximou, deixando a voz baixa, perto do ouvido dela. - Ontem valeu cada gole.

O coração dela disparou, mas o rosto se armou em falsa irritação.
- Você não muda mesmo, Kaji.

Ele sorriu, passando perto o bastante para a mão dele roçar de propósito na dela sobre a mesa. Misato estremeceu, mas não afastou.

- E você continua adorando fingir que não gosta.

Ela respirou fundo, cruzando os braços, fingindo indiferença.
- Um dia ainda vou te processar por assédio.

- Até lá... vou continuar tentando - ele respondeu, piscando.

Ritsuko, ao fundo, levantou os olhos por um instante, mas nada disse. Talvez soubesse mais do que deixava transparecer.

Misato, por sua vez, sentia o peso da confissão da noite anterior queimando dentro dela. Não queria assumir que ainda o amava - não tão cedo, não com todos olhando. Mas era impossível negar o calor em cada toque, a fraqueza em cada cantada boba.

E assim, como sempre, eles voltavam a dançar naquela linha tênue entre provocação e desejo.

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No dia seguinte.
O dia seguia arrastado, e Misato ainda sentia o calor da noite anterior percorrendo cada gesto. Kaji se aproximava dela com aquela naturalidade provocadora que sempre a deixava em alerta.

- Major Katsuragi... - ele sussurrou perto dela, inclinando-se com aquele sorriso malicioso. - Esse vestido está um pouco torto. Deixe-me ajeitar o zíper.

Antes que ela pudesse protestar, ele se inclinou mais do que devia, a mão roçando suas costas e o zíper, provocando um arrepio instantâneo.

- Kaji! - ela exclamou, tentando afastá-lo, mas a mão dele segurou levemente sua cintura, mantendo-a próxima. - Poxa, sério, para com isso no trabalho!

Ele apenas sorriu, os olhos brilhando de malícia.
- Trabalho? Eu chamo de... "manutenção de charme". E você sabe que gosta.

Misato bufou, cruzando os braços, corando como não fazia há anos. Cada toque deixava seu coração disparado, e ela se pegou tremendo ao mesmo tempo em que queria manter a pose irritada.

Após alguns minutos de tensão silenciosa e olhares furtivos, Kaji finalmente se afastou, sorrindo provocativamente, deixando Misato tentando recuperar a compostura.

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Mais tarde, Misato decidiu fazer uma pausa e foi até a cafeteria da NERV. Pedindo um café, sentou-se sozinha em uma das mesas, tentando organizar os pensamentos e disfarçar a inquietação que a dominava.

Foi então que Ritsuko apareceu, carregando sua própria bebida, e se sentou frente a ela. Observou Misato por um instante, notando o rubor leve nas bochechas e o jeito de mexer nervosamente no cabelo.

- Misato... - começou Ritsuko, com a voz baixa e firme, mas acolhedora. - Me diz a verdade... você está apaixonada por ele de novo?

Misato engoliu em seco, desviando o olhar. O coração disparou com a pergunta direta.
- Ritsuko... - murmurou, tentando manter a compostura. - Não é nada disso. Eu... é só... confusão de hoje, não tem nada a ver com sentimentos.

Ritsuko ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços, mas com um leve sorriso no canto dos lábios.
- Confusão ou não... eu consigo ver quando você está se enganando, Misato. Você ainda gosta dele, não é?

Misato bufou, desviando o olhar e batendo levemente na xícara.
- Não... eu não... - disse, tentando disfarçar, mas a voz soou fraca, traindo-a.

- Pode até negar - continuou Ritsuko, inclinando-se levemente para frente - mas eu sei quando você não consegue mentir para si mesma. Ele é um bom homem, Misato. Você não precisa ter medo de sentir isso.

Um misto de vergonha e alívio tomou Misato. Por um lado, estava sendo exposta, mas por outro, sentiu-se compreendida. Ritsuko conhecia seu coração melhor do que ninguém.

- Eu... - começou Misato, ainda corada, mas não completou a frase. Preferiu apenas beber um gole de café, tentando engolir a emoção.

Ritsuko sorriu discretamente, satisfeita e ao mesmo tempo preocupada. - Apenas tome cuidado, Misato. Ele é bom, e você merece alguém que realmente te valorize.

Misato suspirou, apoiando a cabeça na mão, perdida em pensamentos. Era impossível negar o que sentia por Kaji, e agora, por mais que quisesse manter seu ar irritado e defensivo, sabia que Ritsuko estava certa.

O jogo entre ela e Kaji não era mais apenas brincadeira ou provocação. Era algo profundo, que ela ainda precisava aceitar, mas o primeiro passo já havia sido dado - admitir, mesmo que apenas para si mesma, que ainda o amava.

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