Não esqueça de votar e nem de comentar! 🌟
O reino de Solaris era perfeitamente pequeno, mas sem sombra de duvidas uma grande potência econômica com um índice de qualidade de vida altíssimo.
Enquanto todos os outros países do mundo seguiram em frente e superaram a monarquia, o povo de Solaris era tão apaixonado e patriota que não aceitaram quando os Kim's tentaram colocar o pequeno país na modernidade, então já eram gerações e gerações de Kim's no poder, cada um sempre levando adiante o legado do anterior e trazendo ainda mais prosperidade para a nação. As pessoas os amavam e confiavam.
Mas dentro desses vários anos de reinado, sempre houve uma regra especifica, criada por seus ancestrais durante um momento de vulnerabilidade:
O casamento arranjado.
Já era um costume dos Kim's e este sempre era encaminhado pela mulher Kim mais velha da familia, seja a mãe ou avó, independente de quem estava reinando.
Anos depois, quem estava no trono era Kim Seojin, ele havia assumido o trono assim que completou sua graduação na universidade e casou-se com a sua esposa, uma mulher amável e cuidadosa, quem ele teve certeza que se apaixonou na primeira vez que botou os olhos na mulher, seu nome era Mio Hikari.
Juntos eles tiveram duas filhas, as princesas Kim Minji e Kim Saeko. Minji era a mais velha, o deleite do reino, cresceram acompanhando a vida da pequena por meio de artigos, já que seus pais haviam escolhido que as filhas levassem uma vida privada até que completassem seus estudos, para que elas pudessem participar da escola do reino sem problemas e até mesmo a universidade.
A vovó Kim, como a matriarca da familia, abaixo apenas da atual familia real, já havia escolhido o parceiro perfeito para sua neta. Um rapaz alguns anos mais velho que era um cavalheiro, mas... Os planos dela caíram por terra quando a pequena Kim deu uma noticia um tanto chocante para seus familiares.
Era uma terça-feira qualquer, Minji havia acabado de voltar da casa de uma amiga pois estavam fazendo uma pesquisa para a escola, ela estava inquieta e apenas brincando com as ervilhas em seu prato.
— Está tudo bem, amor? - a rainha, Hikari, perguntou para a filha.
Minji era sempre muito comunicativa no jantar e contava o seu dia inteiro para os pais e a avó. Ainda que ela já estivesse com dezesseis anos e essa fosse a idade esperada para uma possível fase de rebeldia, mas Minji havia sido tão bem criada e livre para explorar os próprios interesses, que isso não aconteceu e ela se manteve uma garota responsável e amável com todos ao seu redor.
— Eu não aguento mais mentir para vocês... - Minji disse em um fio de voz, céus, ela estava tão assustada.
— Mentir, amor? Você é tão comunicativa conosco, minha princesinha... - Minji poderia chorar ao ouvir seu pai sendo tão afetuoso, temia tanto por tudo que estava colocando a perder.
— Eu sei que sim, mas eu tenho omitido algo de vocês... - Minji finalmente teve a coragem de tirar os olhos da comida em seu prato ao sentir as mãos de Saeko lhe fazendo um carinho, Saeko era um pouco mais nova que Minji, ela tinha doze anos, mas ela sabia o que Minji tinha para falar, até mesmo ofereceu o cartão da conta bancária que ganhou para que juntasse a própria poupança, mesmo que ela não precisasse disso e tivesse tudo que uma princesa do seu nível poderia querer e ter, tudo para uma realidade em que a situação da sua irmã mais velha saísse um pouco de controle, ela não estivesse desamparada, a quantia que tinha ali era suficiente para as duas, já que Saeko jamais deixaria sua irmã mais velha sozinha.
— Eu tô com você, Min. - Saeko afirmou, Minji soltou uma risada e passou as mãos pelos cabelos da mais nova, mesmo que tudo pudesse ser destruído nessa noite, Minji estava relativamente em paz porque tinha o apoio da sua irmãzinha.
— Estamos começando a nos preocupar, criança! - a vovó Kim disse, suas sobrancelhas se unindo em desconfiança, mas ela confiava em Minji, sua neta era uma pessoa boa demais para ter feito algo ruim de verdade.
— Okay, eu vou falar, mas eu preciso deixar explicito que isso não muda nada do meu comprometimento com o reino que vou herdar, ou com a forma que eu os amo ou com quem eu sou.
— Céus, você está namorando, Minji? - o rei perguntou, não preocupado com o reino ou algo assim, mas sim em como Minji ficaria de coração partido quando a data do seu casamento chegasse.
— Sim. - Minji respirou fundo depois que respondeu, metade do caminho havia sido andado, faltava apenas o resto.
— Com quem, filha? - Hayun, a avó de Minji, perguntou, não queria nem pensar muito profundamente sobre isso, Minji ainda era nova e ainda tinha uns bons anos antes de ir para a faculdade e ainda tinha anos até concluir sua graduação e tivesse que selar o acordo que Hyun havia fechado quando Minji tinha doze anos, qualquer fosse o relacionamento que sua neta estivesse, provavelmente terminaria antes mesmo do fim do ensino médio.
— Com Jang Wonyong. - Minji respondeu em um sussurro.
— Ah, sim, querida... - os três mais velhos responderam e por meio minuto se distraíram dessa informação, Minji iria morrer com o seu coração acelerando do jeito que estava.
— Wonyong... Não é uma garota? Sua amiga da escola? - Hikari perguntou em choque.
Minji finalmente sentiu a força deixando as suas pernas o frio na barriga lhe possuindo, mas ela assentiu.
— Vocês têm algo contra isso? - Minji perguntou em um impulso de coragem.
Não era uma pergunta sobre o relacionamento e sim sobre ela gostar de mulheres.
A pessoa que Minji esperava demorar para lhe aceitar, foi a primeira a segurar sua mão.
— Essa é a menor preocupação que tenho, filha. Há quanto tempo você sabe que gosta de meninas? - A vó Hayun perguntou e fez carinho em Minji, sua geração podia mesmo ser cabeça dura e demorar para entender essas questões de sexualidade, mas ultimamente o reino vinha enfrentando alguns problemas relacionados a homofobia, muitas meninas e meninos muito mais novos estavam sofrendo abuso dentro de casa apenas por demonstrarem gostar do mesmo gênero, além de muitos casos de violência contra pessoas homossexuais, e vinha sendo uma dor de cabeça para os três mais velhos naquela sala de jantar, eles se preocupavam com as pessoas que estavam sofrendo esses ataques e principalmente com aqueles que sofriam violência dentro de casa e até mesmo fora, então politicas fortes de punição estavam sendo implantadas no reino.
— Há alguns anos, mas eu não ia fazer nada sobre isso... - Minji se sentia infinitas vezes mais leves ao receber o apoio de sua avó.
— Mas você a conheceu, não é? Tudo bem, Minji, o amor é a coisa mais linda que pode acontecer conosco. - Hayun sabia que poderia ter um momento de dificuldade e que Minji se lembraria muito bem do que estava sendo dito quando chegasse o momento do casamento arranjado, mas ela preferia acolher sua neta agora. Elas não eram Kim Hayun e Kim Minji, rainha mãe e princesa real de um reino, elas eram apenas uma avó e uma neta naquela noite.
Minji não conseguiu refrear um sorriso ao pensar na garota que chamava de namorada quando assentiu mais um vez para sua vó.
— Se já tem anos que você sabe, então você sempre foi e será a nossa princesinha, amável, carinhosa e responsável. Você tem o meu apoio para tudo, meu amor. — Hayun disse com um sorriso e Minji se levantou correndo da mesa e se jogou nos braços da mais velha, enchendo ela de beijos, ignorando o silêncio de seus pais.
Quando ela terminou de agradecer a avó, a atenção da garota foi para os pais,
mesmo que eles estivessem lhe olhando com olhos carinhosos, ela precisava saber com certeza.
— E vocês? - ela perguntou para os pais.
Tudo que ela sentiu depois disso foram as três pessoas que ela mais amava em sua vida, lhe abraçando e falando que estava tudo bem, que eles continuavam lhe amando.
Depois eles deram um grande discurso pedindo para Minji tomar cuidado, mesmo que as politicas do reino estivessem surtindo efeito e a violência homossexual tivesse diminuído drasticamente, ainda acontecia e eles não queriam que Minji passasse por aquilo.
Minji pediu licença pois precisava conversar com Wonyong e contar as novidades.
Assim que a porta se fechou atrás de Minji, os três adultos se encararam e eles tinham apenas uma coisa em mente: O acordo.
— Bem, acho que terei que encontrar uma esposa para a minha neta. - Hayun disse e levou um pedaço da torta de morango, servida como sobremesa, até a boca.
Todos entenderam que com relacionamento ou não, Minji não estava livre de um casamento arranjado.
•••
Hayun sorriu e acenou para a mulher que lhe esperava no topo das escadas em frente a mansão Pham.
— Minha amiga! - Hayun disse para Mai Pham, uma amiga de longa data
Hayun havia virado amiga dos Pham logo quando seu marido virou rei de Solaris, os Pham eram donos de uma empresa de tecnologia que sempre foi a mais importante e a pioneira em trazer avanços tecnológicos em todas as areas que o reino precisasse, então uma amizade foi formada ali.
Mas Hayun logo engravidou e precisou se engajar mais nos deveres de rainha e Mai também, deu a luz a uma linda menininha, ambas ocupadas demais para fazer com que seus filhos mantivessem a amizade.
Anos depois, o reino agora estava nas mãos do filho de Hayun, então ela queria aproveitar e se aproximou novamente dos Pham, para quebrar a distância que as duas famílias tinham, ainda que continuassem sendo grandes parceiros de negócios.
E Hayun não poderia estar mais feliz, seu filho havia ganhado a primeira filha, a herdeira do reino e havia feito de sua mãe uma avó, e agora, meses depois, aqui estava ela para parabenizar a herdeira dos Pham também.
— Eu vi que a sua netinha nasceu, Hay... Imagino que ela seja uma fofura, não pude ver as fotos, é claro, mas ainda assim. - Mai disse assim que soltou a amiga de um abraço forte, a rainha mãe soltou um sorriso e puxou uma pequena foto de sua neta e entregou para Mai, que soltou uma risada animada ao ver o neném.
— O nome dela é Minji, Kim Minji, meu filho que escolheu. Ela é o bebê mais lindo que já conheci em toda a minha vida, Mai!
— Tão linda! Consigo ver que ela vai ser uma ótima rainha, já parece tão forte! - Mai respondeu e enganchou seu braço no de Hayun, lhe direcionando para dentro da mansão. - Eu vou lhe apresentar minha netinha, agora.
Mai levou Hayun até o quarto que era a da herdeira dos Pham, uma sensação de orgulho quando Hayun quase chorou ao ver sua neta.
— Tão fofa! E o nome? - a Kim perguntou.
— Pham Hanni! Espero que ela pegue o temperamento do pai, porque o da mãe... Eu sinto dó do meu genro, ela é mandona demais, o pai é a delicadeza que faltou em minha filha. - Mai falava e Hayun precisava conter uma risada para não acordar a bebê que dormia no berço em frente a elas.
— Se eu puder lhe dar um conselho, minha amiga, não deixe que essa criança caia nos olhos da imprensa. Deixem com que ela viva uma vida tranquila e livre do peso de ser herdeira de um império... Meu filho foi assediado a vida inteira pelos jornais, ele não pôde ir para a escola pois sempre tinham pessoas em cima dele, eu terei certeza de assegurar que minha neta não passe pelo mesmo, ainda que meu povo só a conheça quando ela sair da universidade, assim vai ser.
Mai ainda não havia pensado nisso, mas a a posição social dos Pham era quase igual a dos Kim, por conta da parceria entre as famílias que já duravam décadas, então todos os os olhos estavam sobre as famílias dessas mulheres, e Mai havia visto como a saída da maternidade havia sido turbulenta, será que ela queria mesmo isso para Hanni?
Anos depois, Hanni conseguia se lembrar bem da primeira vez que conheceu a vovó Kim. A mulher era simplesmente amável e lhe tratava como uma neta.
Hanni tinha apenas oito anos de idade, mas os pedidos da sua avó foram ignorados, a garota havia herdado toda a personalidade da mãe, era mandona e bem resolvida, nunca esperava ninguém para brincar consigo e definitivamente não tinha medo de se sujar, já que toda vez que Hayun ia visitar Mai, a criança estava toda coberta de lama e correndo com o cachorro Golden Retriever pelos jardins. Mas ela havia herdado o suficiente do pai para que ela fosse uma das crianças mais carinhosas e respeitosas que Hayun já havia visto em toda a sua vida.
— Vovó Kim! - Hanni deu um grito animado e infantil enquanto corria para a Kim mais velha, o seu enorme companheiro de estimação, Bolt, no seu encalço. - Como a senhora está? Já faz um bom tempo desde a sua ultima visita! Eu vou chamar a minha vó, tá bom?
Hayun começou a rir ao ver a consciência que Hanni tinha das situações ao seu redor e como ela era bem articulada, falava como se fosse uma mini adulta.
— Não precisa, amor, já foram chamar Mai para nosso horário do chá.
— Uh! Horário do chá! - Hanni começou a saltitar animada.
Durante seus encontros para o chá, em alguns deles, Mai levava sua neta, na esperança de que ela aprendesse a se portar melhor, mas ela sempre terminava tagarelando sobre seu dia na escola, ou sobre como Bolt lhe ajudou a não cair no chão, batia a colherzinha dentro da sua xícara com achocolatado e derrubava farelos de biscoito na própria roupa.
Hayun devia se sentir ridicularizada, porque a própria neta já era uma pequena dama na hora do chá quando elas recebiam convidados importantes, mas tudo que ela conseguia pensar era como Hanni era adorável e o quanto ela adoraria que a menina fosse amiga da sua neta, Minji era polida demais, certa demais, pedia desculpas até para as sombras caso tropeçasse e morria de medo de sujar os seus laços e saias. Mas Mai e Hayun já haviam decidido não apresentar as duas meninas, ambas eram de famílias muito importantes, e as crianças mereciam serem levadas ao parquinho e ao cinema para que cultivassem memórias juntas, e ambas sendo quem eram não iam conseguir proporcionar esses momentos, então tomaram essa decisão para não causar chateação entre as duas meninas.
Hanni estava distraída mexendo o achocolatado na pequena xícara e mordiscando um biscoito salgado, quando ouviu a senhora Kim dizer para a sua avó:
— Se meu filho houvesse tido um filho, eu com certeza negociaria muito bem para que casássemos Hanni com ele.
Mai soltou uma risada e assentiu, adorando imaginar uma união, além da parceria com as duas famílias.
— Mas eu quero me casar com alguém da sua familia, vovó Kim... - Hanni disse com tristeza, a única coisa que ela sabia sobre casamentos era sobre a importância da familia, como ela um dia se tornaria filha e neta de outros pais sem ser os seus, porque ela seria uma filha para os pais de seu futuro marido.
Hanni sabia de tudo isso em sua cabecinha de criança, em plenos oito anos de idade, mas o que ela queria mesmo era ser neta de verdade da senhora Kim, uma mulher que sempre lhe tratou bem.
O comentário assustou as duas mulheres e ambas olharam para a criança, Mai incentivou Hayun a fazer perguntas.
— Posso saber por que, Hanni? - Hayun perguntou com um tom cheio de calma e curiosidade.
— Porque eu quero ser da sua familia, ué. A senhora me trata bem e eu queria ser sua neta de verdade, você me dá até presentes! - Hanni respondeu como se fosse óbvio, esperando Hayun lhe dizer que iria casar ela com qualquer pessoa que fizesse parte da familia Kim.
— Ah, sim! Bem, você pode ser minha neta mesmo que não casemos você com algum neto meu, Hanni. Até porque, eu tenho duas netas, como que eu casaria você com a minha neta mais velha?
Naquela época, Hayun ainda tinha uma cabeça fechada, então ela imediatamente respondeu isso, e nunca, em toda a historia dos Kim no trono, houve um casamento entre duas pessoas do mesmo gênero. Minji não seria a primeira, Hayun acreditava nisso fielmente antigamente.
— Por que ela é uma menina como eu? - Hanni perguntou, já havia ouvido seus pais falaram sobre e até mesmo as professoras da escola, e outro dia mesmo havia visto duas moças se beijando quando foi tomar sorvete com a sua babá, ela questionou e todos lhe disseram que não havia nada de errado, que essa era apenas mais uma forma de amor.
— Sim, amor. - Hayun respondeu.
— Mas eu não me importo de casar com a sua neta, mesmo que ela seja menina. Ela é bonita? - um sorriso se abriu em Hanni, ela gostava muito de meninas bonitas e respeitava muito todas as meninas ao seu redor.
As bochechas de Hayun se avermelharam e Mai chamou a atenção de Hanni, não pelo comentário, mas ela estar sendo um pouco atrevida com a Kim.
— Ela é bonita sim... Mas tanto você, como ela, irão encontrar maridos gentis e cavalheiros. - Hayun respondeu apesar do choque.
— Oh... Okay. Mas se você não encontrar um marido para a sua neta, você lembra de mim? - Hanni perguntou um tanto cabisbaixa, mas não podia perder as esperanças de entrar para a familia da senhora Kim.
Hayun sorriu e fez carinho nos cabelos de Hanni, colocou de lado todos os seus preconceitos, como Seojin vinha lhe pedindo e disse:
— Claro, Hanni, você está no primeiro lugar da minha lista, caso eu não ache um marido para a minha neta.
Mas Hayun sabia que encontraria, por isso ela havia feito essa promessa para a pequena Hanni.
— Okay! - e Hanni voltou a tomar seu achocolatado muito mais feliz.
Conforme Hayun acompanhava o crescimento de Hanni, ela foi percebendo como ela falava de garotos, daquela forma bem direta e decidida. Nunca era um "Vovó, eu conheci um menino bonito hoje." mas sempre um "Vó, eu não aguento mais esses meninos fedidos e suados dando em cima de mim!!" e ocasionalmente um "Vovó! A menina nova da minha turma é tão linda!."
Em uma das tardes do chá, Hanni já era bem mais composta e sabia se portar, participava com mais opinião sobre o que Hayun tratava com Mai, mas ainda sim a pequena Pham usava um short jeans e uma camiseta larga, uma perna apoiada na cadeira e a outra relaxada enquanto ela esfriava o achocolatado.
Hayun sempre admirou a forma que Mai e Hanni se relacionavam, a neta nunca deixava de contar nada para a avó, não importava o quão embaraçoso isso pudesse ser, Hanni não omitia nada de Mai.
— Ah, vó! Eu finalmente entendi algo bem legal sobre mim! - Hanni contou tão animada que as duas mulheres encararam a agora adolescente, Pham Hanni, no auge dos seus treze anos.
— O que, amor? - e Mai perguntou com a mesma animação e curiosidade.
— Eu finalmente entendi porque sinto tanto desgosto dos meninos, é bem simples na verdade, eu gosto mesmo das meninas! - Hayun se assustou em seu assento, olhou para Mai, queria saber qual seria a reação da avó de Hanni.
Mas tudo que Mai fez foi rir e bagunçar os cabelos da neta.
— Meu amor, acho que a essa altura, apenas você não sabia.
As bochechas de Hanni ficaram vermelhas e ela ficou com vergonha por estar na frente da vovó Kim, por isso ela engoliu o resto do achocolatado e se levantou da mesa que tinha no jardim de inverno de Mai, deu um beijo nas duas mulheres e voltou para seu quarto.
— E você simplesmente aceitou? - Hayun perguntou um tanto chocada.
— Minha amiga, ela vai continuar sendo a minha neta para sempre. Não me interesso por quem ela se atrai, eu me preocupo é se ela vai continuar sendo essa boa pessoa que ela já é, e honesta, então enquanto ela mantiver isso nela, nada que ela faça pode fazer com que ela me decepcione. E não sou eu que estou beijando menininhas por ai, não é?
Mai terminou com uma risadinha e Hayun apenas assentiu, nos últimos anos, sua cabeça finalmente estava começando a acompanhar os passos da geração de Hanni.
— Além de que, quando você me aconselhou a manter ela longe dos holofotes, nós criamos um espaço muito seguro para ela, e toda vez que ela nos confrontava sobre esses assuntos, nós normalizamos para ela, assim como deveria ser normalizado, ela nunca precisou esconder a falta de atração que ela tinha pelos garotos, e muito menos a atenção mil vezes maior que ela dava para as garotas. Nós sempre vimos isso, mas como criamos esse ambiente seguro para ela, esperamos ela se entender e vir nos contar. Não há nada de grande sobre isso, Hay.
Naquela tarde, Hayun voltou para o palácio com uma lição aprendida e depois disso, desconstruir qualquer pensamento homofóbico em sua cabeça foi fácil.