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By FenixLuz

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Tenho 26 anos, vivo por conta própria. Estou falida e prestes a perder meu emprego. Um emprego, que possui um... More

Capítulo 1
Capítulo 3

Capítulo 2

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By FenixLuz

Nenhuma palavra!

Ele não diz nenhuma palavra quando sai de cima de mim, quando sai de dentro de mim. Ele simplesmente se afasta, colocando distância. Recompõe-se, rapidamente, e então pega a minha camisa e o meu sutiã, que estão jogados pelo chão do escritório, largados de qualquer jeito e entrega-me as peças. Eu ainda estou me erguendo de sua mesa de trabalho e abaixando a minha saia, quando noto que seu olhar me manda para o banheiro privativo.

Jesus!

Ele ordena com um simples olhar. Mas, eu não quero pensar sobre isso, esse é o menor dos meus problemas. O maior deles é o pesar culposo e inconveniente que ocupa todo o espaço entre nós. É o gosto amargo do ato errado que acabamos de cometer.

O que eu quero mesmo é sumir, desaparecer. Me sinto extremamente envergonhada. Quero escapar deste escritório luxuoso e da presença do homem que, agora, me consome. E o banheiro é a minha chance de fugir da situação e do constrangimento, que cai como uma pedra de cem toneladas sobre a minha moral.

Que horror. Como pude perder a cabeça desse jeito?

Meu peito se aperta e o pânico começa a tomar conta do meu corpo. Percebo que o que quer que tenha acontecido, dentro destas quatro paredes, não passou de libertinagem.

Eu compreendo todos as nuances dessa palavra, eu a conheço, convivi com a "Senhora Libertinagem" por muito tempo, mas isso está e vai ficar no passado.

Eu, mais do que ninguém, entende que acabei de usar minha liberdade, meu livre arbítrio, da pior forma possível. Eu não preservei o senso de respeito por uma carreira que almejo desesperadamente e ultrapassei os limites. Eu acabo de jogar meu futuro no lixo e, infelizmente, não é a primeira vez que isso acontece. Eu faço escolhas erradas. E elas são tão grandes e desastrosas, que não sobra quase nada para recomeçar.

Eu sempre tive sonhos com o Sr. Collins, ou melhor, eu sempre tive sonhos eróticos com o Sr. Collins, porém nesses sonhos não havia o depois. Eu nunca precisei me preocupar com o ato ou consequências do pós-coito.

Pós-coito? Isso lá é jeito de falar, ou pensar? Eu tenho o quê? Cem anos?

Mas, como devo pensar?

Talvez, a palavra correta seja: sexo? Não... Não mesmo!

A palavra correta está mais para: trepada. Isso, agora, sim!

Recapitulando, então: "Eu nunca precisei me preocupar com o ato ou as consequências da trepada".

Jesus Cristo! Eu estou pirando!

Vamos lá, voltando aos meus sonhos eróticos... Como eram apenas sonhos eróticos, a realidade se mostraria cor de rosa e o pecado da luxúria, cometido por nós dois, seria transformado em deleite e satisfação carnal.

Mas o que é que eu estou fazendo? Eu estou filosofando?

A culpa é totalmente minha. Eu sou a mulher dessa relação. Cabe a mim dizer: NÃO! E, se eu não disse é porque eu queria, eu desejava, eu cobiçava.

Eu não possuo amor próprio. Porra!

Sou uma vagabunda!

Ao entrar no banheiro e fechar a porta, eu me sinto totalmente diferente. No espelho, a imagem refletida é de outra mulher, não sou EU. Não pode ser EU. Não me reconheço.

Uma consternação começa a se apoderar das minhas entranhas, enquanto eu mantenho o olhar fixo no espelho. Olhos nos olhos. Um desalento aflito e negro espalha-se como peste perniciosa, como praga silenciosa. Eu estou com medo da imagem refletida, estou com medo do que vejo no espelho e mesmo assim, não tenho forças para desviar o olhar.

O que foi que eu fiz? A pergunta soa dentro de minha cabeça como a sentença da minha culpa. Uma enorme e dolorosa culpa.

Ah, não! Não vá começar a chorar! Por favor. Você não é nenhuma virgem e lágrimas não se encaixam nessa situação vexatória, de ter que enfrentar uma reunião de trabalho sem calcinha. Claro, ela foi destruída pelo seu empregador, que também é seu chefe direto, no calor do sexo sórdido. E não deixemos de acrescentar, o fato infame, de ter a porra dele escorrendo por suas pernas. Você sequer lembrou de exigir um preservativo. Vaca!!!

Minha consciência grita enfurecida. Transtornada dentro do meu cérebro, ela irradia agonia e ódio para todos os pedacinhos do meu corpo. Ela criou vida própria, tornou-se um ser majestático, e o pior, é que ela está certa em tudo que brada.

Parabéns, Meg Elizabeth Marshal! Você acaba de foder, de uma vez por todas, a sua miserável e maldita vida!Realmente, você conseguiu ser fodida de todas as maneiras possíveis.

Quanto tempo eu permaneci naquele banheiro, não sei dizer. Comecei a me recompor devagar. Limpei-me entre as pernas, arrumei meu cabelo, vesti o sutiã e abotoei todos os botões da minha camisa branca, todos, até em cima, no pescoço, tentando esconder as marcas da paixão. Paixão?

Não foi paixão!

Mas que inferno, eu estou me iludindo. Estou querendo minimizar um comportamento desprezível, dentro do ambiente de trabalho, arranjando desculpas sem sentido.

O que foi que eu fiz?

- Meg? – uma batida seca contra a porta, juntamente com a voz de Cindy – A reunião vai começar.

- Estou pronta – respondo abrindo a porta imediatamente. O que vi no rosto dela, não gostei, nem um pouco.

- Uau, parece que você levou um belo de um esporro – as palavras saíram sarcasticamente prazerosas – E agora está tentando se recuperar. Bem, pelo menos você não foi demitida... Ainda – ela se vira e começa a se afastar.

Será que eu posso explodir? Nós nunca fomos amigas ou confidentes, mas eu não esperava esse tipo de atitude.

- Como pode ter tanta certeza de que eu não fui demitida? – minhas palavras são picantes, quase agressivas.

- Talvez, o Sr. Collins faça isso depois... Depois que você servir a água e o cafezinho na reunião – um pequeno e discreto riso ressoa – Ah, e tem os "petit four", também.

Ela continua andando, calmamente, em direção a porta.

- Vamos esperar para ver o que acontece até o fim do dia, ou quem sabe, você queira fazer uma aposta?

Eu não respondo nada, porém sinto meu corpo estremecer. Eu dependo desse emprego e dependo muito, não posso me dar o luxo de perdê-lo. Minha situação financeira, há muito tempo, não é uma situação, é uma catástrofe, uma tragédia de proporções cataclísmicas. E se eu tiver que apresentar uma prova disso é só dizer para qualquer pessoa – coisa que eu nunca admitirei – que só existe uma refeição, por dia, no meu cardápio.

O que foi que eu fiz?

A pergunta pulsa repetidamente, como uma britadeira, em meus neurônios travados e anestesiados, enquanto uma gigantesca dor de cabeça começava a punição pelo ato impensado, intenso e excepcionalmente emocional que eu já vivi.

O que foi que eu fiz?

-----------------------------------------------------------.

- Acredito que terminamos – diz finalmente o Sr. Collins, encerrando a pauta.

Graças a Deus!

Três horas e quarenta e sete minutos de uma reunião cheia de egos, disputas e negociações ferozes. Jesus Cristo, esses homens são amigos. Eu já os assisti fazendo simples brincadeiras, ou marcando partidas de tênis para os fins de semana. Todavia, quando se sentam ao redor desta mesa, para discutir interesses, tornam-se implacáveis. E o pior e mais glacial deles é, por coincidência, o meu chefe.

- Vamos almoçar? – pergunta o Sr. Thompson.

Eu gosto do Sr. Nolan Thompson. Loiro, olhos azuis, cabelo rebelde quase despenteado. Ele até parece um surfista. Dos três homens, ele é o divertido. A convivência com ele parece ser fácil. Não que eu tenha convivido com ele. Foram apenas conversas profissionais e, também, uma pequena e rápida carona até a universidade, por causa de um temporal horroroso, que caiu bem na hora da saída.

- Já com fome, Nolan? - retruca o Sr. Bowen.

O Sr. Willian Bowen, bem... Esse é mais parecido com o meu chefe. Totalmente arrogante, austero e seguro de si. Porém, me pergunto, se qualquer outro homem que tivesse a aparência física que tem o Sr. Bowen não seria assim.

Ele realmente é extraordinário. Seus olhos castanhos escuros são da mesma cor de seu cabelo, ele tem ombros largos enormes e braços extremamente fortes. Ele malha, e muito, para ter esse corpo de puro músculo, atleticamente perfeito e desenvolvido. E a sua tatuagem deve ser enorme e eu... Eu confesso, tenho curiosidade sobre ela. Só é possível ver alguns detalhes. Arabescos, que sobem pelo seu pescoço e terminam quase, atrás da orelha.

O Sr. Bowen tem traços italianos, é muito charmoso e, além disso, fofocas apontam que ele é um "galinha", pervertido sexual. O tipo de homem que vive cercado por mulheres lindas e as usa como bem entende, e o pior, é que elas deixam, gostam e imploram por mais.

Olha só quem está falando. Eu!

Sim. Uma mulher sem calcinha, que foi usada como objeto sexual, a cerca de quatro horas. Tem coisa mais patética?

- Ele está sempre com fome, Will – diz meu chefe, o insuportável.

- Qual é? Parece que vocês se esqueceram que eu nasci no Texas.- argumenta o Sr. Thompson – Eu sou cowboy. Só porque moro em Nova York e aturei os dois em Harvard, não quer dizer que esqueci das minhas raízes. Cowboys são homens fortes e precisam de comida para continuarem fortes.

Alguns risos fáceis e debochados ecoam na sala de reunião, o clima está leve e nenhum deles parece notar que eu ainda estou presente. Estou arrumando o ambiente, empilhando copos e juntando as xícaras utilizadas pelos participantes, como uma boa e prestativa copeira, até que o Sr. Thompson se dirigi a minha pessoa, transformando a situação em uma guerra fria.

- Está vendo o que tenho que aturar, Meg? – diz ele com um sorriso genuíno.

Meg. Ele me chama pelo meu primeiro nome e não por Srta. Marshal. Meu chefe não vai gostar dessa intimidade.

- Escolha bem seus amigos – ele continua divertidamente - Não cometa o erro que eu cometi.

- Tenho poucos amigos, Sr. Thompson – respondo discretamente, afirmando uma grande verdade – Mas é um bom conselho para se guardar.

- É um ótimo conselho – acrescenta ainda sorrindo - A propósito, conseguiu chegar a tempo de fazer a prova? Fiquei preocupado, acho que não lhe ajudei muito com a minha carona.

O primeiro olhar inquisitivo, que pousa sobre mim, é do meu chefe. Nesse momento minha sentença é declarada: "culpada". Eu percebo quando ele aperta a mandíbula, travando seu bonito maxilar. Ele chega a levar as mãos ao nó da sua gravata, para soltá-lo, como se estivesse buscando por ar.

Merda.

Merda, merda, merda!

Eu tenho que responder. Tenho que dizer alguma coisa. Mas o quê?

Então, o segundo olhar inquisitivo se junta ao primeiro, sufocando-me. O Sr. Bowen, expressa sua curiosidade por todo o rosto, seus olhos se arregalam por um ou dois segundos, antes dele perguntar:

- Uma carona? – as palavras saem baixas, mas totalmente audíveis, ele também está sorrindo – Interessante.

- Cale a boca, Will – brinca o Sr. Thompson e olha para mim – Então, você conseguiu, Meg?

- Sim... Quero dizer... Uma parte – estou gaguejando e totalmente mortificada com a situação – Eu... Eu fiz uma parte dela. Obrigada, mais uma vez... Pela carona.

Agora, estamos falando sobre a origem de todos os problemas que estou carregando no momento. A porra, da prova, do abominável professor Edgard Lenght. A qual eu só consegui responder uma questão inteira e metade da seguinte. E uma nota expressa igual a "2".

Eu não olho para o meu chefe, todavia, eu sei o que ele pensa sobre mim. É o mesmo que eu também penso.

Sou uma vagabunda!

E falando sério, eu posso culpá-lo?

Não. Claro que não! Eu cabei de trepar com ele e agora, ele sabe que eu peguei uma carona com um de seus melhores amigos e também parceiro de negócios. Então, eu posso entender o seu raciocínio curto e certeiro. Sem falar, é claro, no outro seu melhor amigo e também parceiro de negócios que está olhando para mim, com suspeitas maliciosas e se achando o próximo da lista.

- Não era você que queria almoçar? – rosna meu chefe olhando para o Sr. Thompson – Não vou ficar esperando a tarde toda.

Ele bate na mesa, displicentemente, um tapa, um aviso de que o que quer que tenha ocorrido, terminou. Ele mostra que é o dominante e que está em seu território. Ele se levanta e os dois homens o acompanham.

- Boa tarde, Meg – diz o Sr. Bowen.

- Tchau, Meg – diz o Sr. Thompson.

Meu Deus. Agora são dois me chamando de "apenas" Meg.

Eu aceno com a cabeça e tenho em meu rosto um pequeno sorriso forçado. Quando finalmente eles saem e me encontro sozinha na grande sala de reuniões, me dou conta de que eu não quero ficar sozinha. Não quero ficar sozinha comigo mesma.

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"Markus Collins"


As portas do elevador se abrem e os três executivos entram.

Consternado, enfurecido. Markus não cabe em sua pele. No momento uma criatura bestial agiganta-se dentro dele e luta para sair. Silenciosamente é travada uma batalha entre a razão e uma loucura insana que ele não compreende, que ele não sabe de onde vem, ou sequer, como conseguiu tomar posse de seu autocontrole e duro equilíbrio.

Ele odeia o que está acontecendo.

Tentando liberar seus pensamentos, movimenta o pescoço, de um lado para o outro, até que estala. O barulho, visivelmente é a confirmação de uma enorme tensão muscular. O ar ao seu redor é deficiente, escasso.

- Cara, você precisa relaxar – fala Will – Está todo duro.

- Também, não é para menos. Ele se transforma quando entra em uma reunião. Tipo, Dr. Jekyll e Mr. Hyde - retruca Nolan provocando – Até hoje, eu não sei qual deles é o pior: o médico ou o mostro.

Nolan nunca esteve tão perto da verdade, porém o motivo que está levantando o monstro não tem nada haver com Wall Street e negócios milionários. O motivo é uma morena de cabelos longos que usa saias lápis elegantes e justas.

- Agora está explicado por que seus ossos estão estalando e o esqueleto está todo duro, Markus. Ganhar sempre em Wall Street, ainda vai te matar – diz Will, lançando uma piada infame – E por falar em duro...

Ele desvia o olhar de Markus e pousa direto em Nolan, depois ergue seu braço forte e com a mão aperta o ombro do amigo, que é pelo menos treze centímetros mais baixo.

- Conte tudo – sua voz pinga curiosidade – E não nos poupe dos detalhes sórdidos, eles são, geralmente, o melhor da história.

- O quê? – questiona sem entender.

- Você me entendeu, Nolan. Estou perguntando sobre a carona e... Meg – ele dá uma conotação toda especial ao nome feminino, fazendo a pronuncia sexy.

- Qual é, Will? Dá um tempo – e novamente Nolan sorri divertido – Cara, você é que precisa relaxar, você precisa de tratamento, sabia? Só pensa em sexo.

- Ok. Então, quer dizer que nenhum de vocês nunca notou o traseiro maravilhoso e arrebitado que aquela garota tem?

- Cale a boca, seu tarado.

Mais risadas entre os dois. Markus apenas escuta. Seu corpo rígido encostado na parede do fundo do elevador.

- As saias que ela usa são matadoras – continua Will. Ele para, pensa seriamente por uma fração de segundos e depois solta uma gargalhada – Puta que pariu, acabo de descobri porque Markus se dá tão bem nas negociações, pelo menos comigo.

Nolan e Markus olham diretamente para ele, mas não perguntam nada. Eles sabem o que vem por aí – mais depravação.

- Eu juro, no meio dessas intermináveis reuniões do caralho – Will continua, explicando – Eu já imaginei aquela mulher deitada, sobre a mesa do meu escritório, gemendo alto, enquanto eu a fo...

- Chega, porra! – e a ordem para se calar sai mais alta do que Markus esperava – Foda-se. Nós já entendemos.

Se alguém, de fora do convívio, presenciasse tal cena, pensaria que eles estariam a ponto de se socarem. Porém, esses homens são velhos amigos, dividiram quartos em Harvard, guardam segredos um dos outros, livram-se, mutuamente, de encrencas e são fiéis como cães, quase como irmãos. Não, na verdade, eles formam uma irmandade fechada e sólida.

- Aí está o ponto. Entende o que estou dizendo? Você precisa relaxar – afirma Will novamente, dessa vez a seriedade marca sua voz – Você está sempre tenso, Markus.

- |Ok, o negócio é o seguinte...

Markus desliza a mão pelos cabelos e puxa a respiração tentando se acalmar. É isso, ou confessar aos seus melhores amigos, que ele acabou de fazer exatamente o que Will imaginou, ou seja, trepar com a deliciosa Meg, em seu escritório.

Jamais, porra!

O que aconteceu foi uma merda sem tamanho e nunca, nunca mais voltará a acontecer. Markus já pensou em tudo, durante a reunião, seu cérebro dividido entre duas questões. A compra de mais uma mina de diamantes e a foda com sua funcionária.

Ele tem um esquema.

Pessoalmente, tratará de deixar Meg bem longe dos seus olhos e do seu pau - é claro - antes que todo o ocorrido acabe virando um processo de assédio sexual. E só Deus sabe qual o valor de uma indenização desse tipo. Sem falar, no seu nome e no nome da empresa, exposto a lama judicial dos tribunais e aos comentários maledicentes e estoicos dos paparazzis de plantão.

Markus não estudou com afinco, trabalhou duro e se esforçou para ser o melhor CEO, que a empresa de sua família precisava, para acabar dessa forma. Não, de jeito nenhum isso irá acontecer. Nunca.

- Vocês estão falando de uma das minhas funcionárias – diz ele friamente – Acredito que algum respeito seria apropriado. Não acham?

- E desde quando você se importa? – pergunta Will franzindo a testa.

- Desde sempre.

- Não mesmo! – intercede Nolan, com cara de espanto – Não me lembro de você ter nos mandado calar a boca, em nenhuma das inúmeras vezes que falamos dos peitões da Cindy.

Ops... Isso era um ponto. Markus nunca argumentou a favor de qualquer funcionário.

- Isso é totalmente diferente e...

- Claro que é. É muito diferente – fala Will, cortando Markus e indo direto ao coração da questão - Sobre Cindy, falamos que ela é uma peituda siliconada, cretina, metida e ambiciosa, porém eficiente, Já sobre Meg, estamos falando do seu jeito discreto, da sua bunda deliciosa, perfeita para morder, e do que, supostamente, nosso sortudo amigo Nolan, fez com ela.

- Eu não fiz nada com ela, cara – diz Nolan, rindo para valer e divertindo-se com o tema.

- Seu sacana, filho da puta. Se não tivesse feito nada, não teria esse sorriso torto estampado no rosto – argumenta Will – Vamos lá, assuma e nos conte de uma vez os detalhes sórdidos.

- Jesus, sua curiosidade chega a ser chata. – responde Nolan acentuando a última palavra – A garota é decente... E por ela ser decente, não direi mais nada. O assunto morreu.

A frase era para atingir e morder o cérebro de Will, talvez até tenha chegado lá, mas quem sentiu a lança perfurar dolorosamente os neurônios, foi Markus.

Seu nervosismo era tão estarrecedor que ele juraria, diante do Papa Francisco, que o mundo é vermelho... Vermelho sangue. Mares, rios, oceanos, florestas, prédios, avenidas, tudo, tudo, malditamente, vermelho sangue.

Suas mãos se fecharam fortemente, tornando-se punhos e seu desejo é arrebentar, demoradamente, a cara sarcástica e feliz, de seu amigo Nolan. Até moer os ossos do rosto, até afundar o nariz e transformá-lo em gel, até ter a certeza de que nenhum fodido cirurgião plástico, por melhor que seja, poderia consertar o estrago feito.

Porra! Porra!

Ele trepou com ela!

Nolan colocou suas mãos em Meg!

Veja só se a vida não é mesmo uma merda? Você sente uma puta atração por uma mulher, em especial e, ao perder a cabeça, descobre que seu amigo, também já perdeu a razão pela mesma mulher que faz seu pau inchar.

Essa situação não vai passar em branco. Markus não perdoa deslizes. Ele terá uma conversa séria com sua funcionária.

Isso, exato. Com a funcionária!

Essa mulher é uma simples funcionária substituível. E nada mais.

Apenas uma funcionária...

Isso, se eu conseguir reverter o processo de assédio sexual...

É óbvio que ela vai me processar... A não ser que ela aceite uma substancial quantia em dinheiro, por seu silêncio.

As ideias ferviam em sua mente.

O processo é certo, não há dúvidas. O que esperar de uma mulher, que tão facilmente, trepa com os principais parceiros de negócios do seu chefe? A desculpa? Uma inocente carona.

O que aconteceu no escritório, poucas horas atrás, não passou de um lugar inusitado e um homem diferente no meio das suas pernas. Talvez, o homem que seria o seu bilhete da loteria?

Ela sabe iludir e passar uma imagem de certinha, meiga e comportada.

Porra! Porra!

Ele trepou com ela!

Nolan colocou suas mãos em Meg!

O maldito mundo é vermelho. Completo e totalmente vermelho. Mas, não podia terminar assim. Ele precisava da certeza e arriscaria uma última e certeira pergunta, ou melhor, uma afirmação.

- Admita de uma vez, Nolan – saiu como um rosnado baixo, por maior esforço que Markus fizesse para passar indiferença – Vocês foderam.

- Até você, Markus? – questiona Nolan, balançando a cabeça descrente e exibindo, ainda, o grande sorriso - Eu espero insistência por parte de Will com seus detalhes sórdidos. Mas, nunca de você.

O sinal sonoro do elevador dispara avisando que chegaram ao térreo.

- E eu já disse, a garota é decente.

Nolan foi o primeiro a deixar o elevador, seguido por Markus. A conversa terminada. Todavia, ainda ouviram a última frase apimentada, sobre o assunto, dita por Will.

- É claro que foderam. Eu não tenho dúvida alguma.

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