Sukha

By adinosour

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Ellie sempre fora encantada pelo futebol, enquanto Dina mantinha os olhos voltados para os palcos e partitura... More

II - Eye Of The Tiger, Survivor
III - Yoko Ono, Moby Rich
IV - Flor de tangerina, Alceu Valença
V - She, Dodie Clark
VI - Used to this, Camila Cabello
VII - Apocalipsis, Isabela Merced
VIII - Cor de Marte, Anavitória
IX - Lovin kind, Isabela Merced
X - All night parking, Adele
XI - Remedy, Adele
XII - Take on Me, Bella Ramsey
XIII - Love On The Brain, Rihanna
XIV - Pra você guardei o amor, Anavitória
XV - Nonsense, Sabrina Carpenter
XVI - Quiet, Camila Cabello

I - Home, Edward Sharpe

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By adinosour

Suas primeiras memórias envolviam futebol (e Riley, claro). Era natural ter a bola em seus pés, fazer embaixadinhas e driblar qualquer um que ameaçasse roubar seu domínio; jogar era sua terapia: calava seus pensamentos, freava suas ações, esgotava seu corpo e sua mente. Riley estava sempre ali também, a protegendo das outras crianças — e de si mesma. Achava que seriam apenas as duas e seu esporte favorito, até que foi adotada aos doze anos. Então, Joel e Sarah lhe mostraram que o amor, o diálogo e o acolhimento podiam ser tão deleitosos quanto uma partida.

Não sabia dizer o motivo de Joel tê-la escolhido dentre tantas crianças. Sempre fora pavio curto, frequentemente batia boca com pessoas do seu convívio e havia registros de brigas em seu histórico — o oposto de Sarah e seu pai. Desde que os viu pela primeira vez, notou a conexão e o zelo que compartilhavam, e foi automático temer não se encaixar, não alcançar aquele nível de proximidade com ambos. Temia ser mandada de volta ao orfanato.

Mas aprendeu que os Miller não desistem facilmente. E, após 10 anos com os dois engraçadinhos, tinha certeza de que sua casa era onde eles estivessem.

— Sapatona patética?!

Revirou os olhos quando a voz da cacheada ecoou pelo vestiário, mas não conteve um leve sorriso nos lábios.

— Você é muito chata.

Ouviu a gargalhada da mais nova antes de vê-la. Os cabelos bem cuidados brilhavam tanto quanto seu sorriso. Observou-a adentrar o ambiente assim que terminou de amarrar seu All Star surrado, sem demonstrar intenção de levantar do banco.

— Você sempre responde. É divertido.

Não escondia quem era, do que gostava e por quem sentia atração e sua família nunca se opôs a isso. Mas era divertido fazer cara feia para a irmã mais nova, principalmente se fosse para fazê-la sorrir. Ellie demonstrava amor perturbando.

— Como foi?

A menor sentou-se ao lado da jogadora, o olhar buscando Ellie, revirando os olhos antes de empurrar-lhe o ombro quando esta respondeu apenas com um dar de ombros. A risada anasalada veio em seguida.

— Foi bom, tipo, muito bom. Não é nada parecido com o que tô acostumada. O peso da bola é diferente, até a porra do gramado! — ela sorria, o tom de voz mais alto, as palavras se embolando devido à empolgação. — Merda, isso é gostoso pra caralho!

— Olha a boca.

As duas voltaram a atenção para a porta do vestiário. A figura imponente, de cabelos e barba grisalhos, observava as duas com um sorrisinho de canto, o olhar carinhoso.

— Parabéns pela estreia, Estrelinha.

— Foi só o primeiro treino. — Ellie lembrou, mas ele a ignorou.

— Logo o mundo vai conhecer Ellie Williams.

— Miller, pai. Ellie Miller.

Os três trocaram sorrisos após a fala da baitola.

{...}

Atualmente

— E é por isso, Jesse, que você não vai me arrastar pra um jogo de futebol.

Cruzou os braços e olhou para o de olhos puxados, com expressão convencida.

— Ah, qualé, você precisa conhecer o estádio antes de fazer show nele!

— É pra isso que existe a internet e a opção "imagens".

— Dina, isso foi uma fala "idosa que cairia em fake news". — viu a amiga revirar os olhos, mas continuou. — E você não precisa entender de futebol pra assistir.

— Não é questão de entender. É que é chato ver homens suados correndo e disputando uma bola como se a vida deles dependesse disso.

— A vida não... a carreira, possivelmente.

Estava decidida a não assistir futebol. Não conseguia entender o que havia de tão interessante para justificar passar 1h30 (geralmente um pouco mais) observando 20 homens correndo atrás de uma esfera bicolor, enquanto outros dois ficam parados em frente a um retângulo com rede atrás.

Não que não gostasse de homens — descobriu-se bissexual antes mesmo de se envolver com Jesse —, mas homens suando no meio de uma multidão que grita como se não precisassem usar a voz no dia seguinte? Não, definitivamente tinha coisa melhor para fazer.

— Ah, e homens? Não, corazón, é futebol feminino.

Bom, talvez as coisas não fossem tão melhores assim...

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