O LADO OBSCURO

By siriusms

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Em Westmoor, uma pequena cidade no interior da Califórnia, uma sequência de assassinatos brutais está chocand... More

chuva sobre Westmoor

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By siriusms

Era uma sexta feira, exatamente onze horas.
A chuva castigava Westmoor. A cidade não via notícia de água havia muitos dias. Os telhados ressoavam sob o ritmo constante, pontilhado por trovões e relâmpagos que clareavam por instantes, as ruas escuras da pequena cidade.
Em um beco, um homem corria desesperadamente. Vestia trapos imundos e cambaleava de forma desajeitada como se estivesse embriagado. Logo atrás, uma figura alta e encapuzada o perseguia em silêncio. Outro relâmpago cortou o céu e iluminou a cena: o homem de trapos tropeçou e caiu numa poça d'água.
A figura sombria se aproximou. O mendigo com barba desgrenhada e cabelos longos e sujos - agora colados ao rosto pela chuva - arrastou-se para baixo de uma coberta próxima, tentando em vão se esconder. Mais um clarão o denunciou, revelando seu rosto marcado pela miséria.
Não houve tempo para súplicas. Uma adaga cortou o ar e cravou-se em seu pescoço. O mendigo caiu agonizando, os olhos arregalados pelo desespero. A sombra encapuzada se aproximou. O homem estendeu a mão, tentando afastar o assassino, mas sua fraqueza o condenava.
O encapuzado, impassível, puxou outra adaga de dentro do sobretudo que lhe cobria o corpo como uma capa pesada. Com um golpe certeiro, enterrou a lâmina no crânio da vítima. O silêncio que se seguiu pareceu reconfortar o assassino, como se, por alguns instantes, o mundo ao redor deixasse de existir.

Ergueu o olhar para os prédios ao redor, mas não viu testemunhas. Calmamente, retirou as adagas ensanguentadas, guardou-as, e sacou de outro bolso uma garrafa de bebida. Arremessou-a contra o corpo sem vida; o vidro se estilhaçou ao colidir com o osso da mão do mendigo. Então, riscou um isqueiro e o lançou sobre o cadáver, que começou a queimar lentamente, a fumaça se misturando ao cheiro de chuva.
Por alguns minutos, permaneceu imóvel, observando as chamas. Nos reflexos vacilantes do fogo, seus olhos cintilavam com algo entre fascínio e tranquilidade - como se aquela visão lhe desse uma estranha sensação de ordem no caos.
Até que, de repente, luzes se acenderam em algumas janelas. Ele recuou um passo, como se a realidade tivesse o puxado de volta. Então correu, virou a esquina e desapareceu.
O corpo ainda fumegava quando um grito ecoou de dentro do prédio vizinho .

A chuva sessou e o dia ja ia raiando, só se ouvia as últimas gotas da chuva que fez a pequena Westmoor quase se inundar, dentro da casa, totalmente adormecido o homem no sofá se remexia, totalmente alheio com a ogasarra que os pássaros faziam. Com indiferença, ele coça o rosto e, se revira mais uma vez, buscando amenizar o desconforto.
A TV que ainda estava ligada, iluminava o ambiente com tons azulados e a voz abafada da apresentadora que trazia a previsão da semana.
"É com você, Renata. A previsão continua de chuva forte para todo o fim de semana. Quem planejava fazer piquenique é melhor mudar de planos..."

BOOOM.

A casa mergulhou no escuro absoluto.

Bernad acordou com um sobressalto, os olhos piscando diante da escuridão súbita.

- Droga... faltou luz de novo.

Levantou-se devagar, guiado mais pela memória do que pela visão. Conhecia cada passo, cada móvel, cada canto daquela casa velha - nunca mudara nada. Seus pés encontraram o caminho até o armário. Ajoelhou-se e abriu a segunda gaveta, a que sempre guardava objetos aleatórios: alicate, canivete, pegadores... e velas. Pegou uma, encontrou a caixa de fósforos em cima do armário e riscou um palito. A chama dançou por um segundo antes de estabilizar.

Seu rosto surgiu na penumbra da vela: traços marcados pelo cansaço de noites mal dormidas, mas ainda havia beleza ali. Barba feita, cabelo escuro até a altura das orelhas, pele morena. Um rosto que já fora mais vívido.

Caminhou até os fundos da casa, encontrou a chave do gerador e girou. A energia voltou com um estalo e as lâmpadas piscando. Voltou para o sofá e se sentou com as mãos no rosto, tentando capturar os fragmentos do sonho que o acordara.

- Que estranho... parecia real... como se tivesse acontecido em outra vida.

O sonho o incomodava. Havia sangue. Vozes abafadas. E uma sensação sufocante de culpa que ele não sabia de onde vinha. Lembrava vagamente dos pais. Ou melhor, da ausência deles. A morte deles era um borrão na memória - nem sua avó soubera explicar direito.

Talvez o sonho tenha vindo só porque ele voltou à casa onde tudo começou.

- Acho que não - murmurou, e ao levantar o rosto, percebeu um corte no pulso.

- Merda... deve ter sido no armário.

Passou o dedo pelo sangue seco e se levantou, indo direto para o quarto.

---

Agora ja acordado ele resolveu começar os seus preparativos matinais. tomou Banho,botou sua gravata,colocou o café e Ligou a TV para ouvir as notícias enquanto preparava o desjejum. A voz do apresentador surgiu como um soco.

- ...um corpo foi encontrado na divisa do bairro Mendonça por moradores que saíam para colocar o lixo. A polícia investiga o caso...

Bernad franziu o cenho.

- Droga... vão precisar de mim.

Desligou a TV, vestiu o blazer e saiu... apenas para ter que voltar segundos depois. Esquecera as chaves. Suspirou, pegou o molho no aparador e correu até o carro. Ligou para Mike no caminho.

- Mike?

- Alô? Quem fala?

- Sou eu. Bernad.

- Cara! A gente tá precisando de você urgente. Você tem que ver isso, é coisa de cinema.

- Tô a caminho. Chego em dez minutos.

Desligou sem mais perguntas.

As ruas de Westmoor estavam silenciosas como sempre, exceto pelos curiosos que, com certeza, já se aglomeravam no bairro Mendonça. A cidade era bonita, bem cuidada, mas guardava segredos. E aquele caso prometia ser um deles.

Ao estacionar, viu o que temia: imprensa.

Cinco câmeras se voltaram para ele no mesmo instante em que abriu a porta do carro.

- Sr. Bernad, o que vai fazer a respeito do caso?

- Ainda não sei - respondeu, seco.

- Algum comentário sobre o culpado?

- Com licença.

Passou empurrando uma das repórteres com o ombro, sem perceber.

Dentro da delegacia, Mary, a recepcionista, olhou para ele por cima dos óculos. Tinha um ar sério, sempre com a expressão neutra como se estivesse julgando tudo em silêncio. Era uma mulher atraente, com pele morena clara, cabelos lisos presos num coque alto e uma postura impecável atrás do balcão.

- O chefe está te esperando na sala dele - disse ela, sem sequer desviar os olhos da tela do computador.

- Obrigado, Mary.

Entrou no elevador, apertou o número sete. Uma música suave começou a tocar. Três minutos depois, as portas se abriram. Caminhou com passos decididos até a sala do chefe.

- Bom dia chefe,mandou me chamar?

O homem por trás da mesa assentiu, sério, era um homem com barriga farta,pele morena,sem barba,mas com um bigode robusto, cabelos curtos e óculos quadrados.

- Mandei. Já viu o relatório?

- Não, acabei de chegar.

O chefe hesitou, respirou fundo.

- Bernad, em todos os meus anos aqui... nunca vi nada parecido. Te chamei primeiro pra dizer que não quero esse relatório saindo deste departamento. Entendeu?

- Mas por quê?

- A imprensa não vai descansar até sair algo oficial, ou fofocas. E descubra que diabos fez àquilo não vou descasar até ver o culpado preso.

Bernad assentiu e saiu. Seu coração acelerava sem explicação.

"Por que estão todos tão perturbados com essa morte?"

A resposta veio quando entrou na sala de perícia. O cheiro o atingiu primeiro. Depois, a visão. Teve que se concentrar pra entender. Quando conseguiu se recompor,viu Mike, inclinado perto do corpo.

Mike era moreno, com porte forte, mas não exagerado. O corte de cabelo dava a ele um ar moderno, e o chapéu estiloso que insistia em usar parecia destoar da cena. Desde que perdera o cachorro, meses antes, Mike andava mais sensível - o tipo de homem que disfarçava as emoções com profissionalismo, mas que sentia cada morte como um corte novo na pele.

- Obra de uma adaga - disse Mike, concentrado.
Isso não é normal. Você acha que foi vingança?

Mike hesitou, pensativo.

- Sabe o que eu pensei? Se ele... sentiu tudo antes de morrer.

- Não sentiu - respondeu Bernad, com convicção.

Mike o olhou e respondeu, sei que não... vi que a perfuração no pescoço foi uma perfuração limpa e com queimaduras e tem cinzas dentro do corte,oque indica que o corte foi antes de tocar fogo nele, mas me refiro se ainda as pessoas sentem... macabro

Bernad o encarou, impressionado.

- Você tem o dom, cara. Nem cogitei isso.
O que mais você encontrou?

Mike se aproximou do corpo.

- Tem uma marca estranha no pulso. Olha isso.

Bernad examinou.

- Parece familiar...
Não sei. Acho que já vi em algum lugar.

- Coloco no relatório?- Perguntou mike fazendo suas anotações.

- Melhor não. Pode não ser nada, é não acho que isso ser familiar seja relevante pra esse relatório.
Virou-se.

- Vou pra cena do crime agora. Você Vem?

- Claro.

●●●

O rádio do carro ainda chiava.Mike dizia que consertaria "amanhã".as ruas estavam deserta, A chuva retornava a apertar. Vestiram as capas por cima dos ternos e seguiram.

- É logo ali, embaixo da passarela - disse Mike. - Bem escondido. Inteligente. Difícil de encontrar.

Bernad assentiu, sombrio.

- Nunca uma morte mexeu tanto comigo.

Na verdade, era uma meia verdade.

Ano passado, a morte de uma criança o abalara profundamente. Mas agora... havia algo diferente. A cena era como um outro caso que ele já resolvera, ou seria apenas um dejavú, eles se aproximaram.

Mike coçou a cabeça.

- Se o corpo da vítima já estava daquela forma, imagina a cena do crime...

- Vamos descobrir - respondeu Bernad, os olhos fixos no beco escuro à frente.

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