A Amada Do Monstro

By fifthisart

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Entre as linhas de pensamentos de Camila Cabello sempre existia a ingenuidade de pensar em si mesma como pers... More

Prólogo
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Last Stand
Bravado
Comes and Goes
Between us
BITE
Anaesthetic
Dark Times
I Bet You Look Good On The Dancefloor
I Love you.
A Drop In The Ocean
In A Manner Of Speaking
Blue
L$D
A Sunday Smile.
Youth

Do You Remember

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By fifthisart

2013
Miami, FL
Jauregui's Haus
// Céu nublado, chuva fina // 20:17pm

POV Narrador.

Camila possuía o seguinte pensamento sobre a Família Jauregui: todos aparentavam ter Toxoplasma cravados no fundo de seus crânios.

Jogue uma moeda.
Coroa? Relaxe.
Cara? Você tem parasitas no cérebro.
Isso mesmo. Metade de nós carrega o parasita Toxoplasma gondii. Mas não vá atrás da furadeira ainda.

O Toxoplasma é microscópio. O sistema imunológico humano geralmente acaba com ele, portanto se você o carrega, provavelmente nunca ficará sabendo. Na verdade, toxoplasma nem mesmo quer estar no seu cérebro. Preso no interior do seu crânio grosso, sob ataque das defesas imunológicas, ele não pode botar ovos, o que corresponde a um grande fim de jogo evolucionário.

O Toxoplasma preferiria viver no sistema digestivo do seu gato, alimentando-se de ração felina e botando ovos. Então, quando o bichano fizesse cocô, os ovos acabariam no chão, a espera de criaturas rastejantes. Ratos, por exemplo.
Um comentário rápido sobre os ratos.

Basicamente funcionam como trens de parasitas, levando-os de um lugar a outro. Eles vão a todas as partes do mundo e se reproduzem como loucos. Pegar uma carona no Expresso dos Ratos é uma das principais evoluções das doenças com intuito de se disseminarem.

Quando o Toxoplasma contamina um rato, o parasita começa a provocar mudanças no cérebro do hospedeiro. Se um rato normal esbarra em algo com cheiro de gato, entra em pânico e sai correndo. Ratos infectados por Toxoplasma, porém, gostam de cheiro de gato. O xixi do gato os deixa curiosos. São capaz de passar horas e horas a procura de sua origem.

Que, no fim, é um gato. Que os come.
E tudo isso deixa o Toxoplasma satisfeito, porque o Toxoplasma quer muito, muito mesmo, viver no estômago de um gato.

Maníacos por parasitas têm uma expressão para o que os gatos representam para o Toxoplasma: hospedeiro final.
Um hospedeiro final é onde o parasita pode viver feliz para sempre, recebendo alimento de graça e reproduzindo em larga escala. A maioria dos parasitas vive em mais de um tipo de animal, mas todos estão a procura do hospedeiro final, o vetor definitivo.... O Paraiso dos parasitas.

O Toxoplasma utiliza-se do controle da mente para alcançar seu paraíso. Obriga o rato querer ir atrás de gatos, para serem devorados. Assustador, não? Não tanto para Camila. Porque nada disso funcionaria, sem nós, seres humanos, não é mesmo?

Bem, talvez. Ninguém tem certeza do que o Toxoplasma causa nos seres humanos. Quando pesquisadores reuniram um grupo de pessoas com e sem Toxoplasma, submeteram-nas a testes de personalidade, observaram seu hábitos e entrevistaram seus amigos, essas foram as conclusões:

Homens infectados pelo Toxoplasma não se barbeiam todos os dias, não costumam usar gravatas e não gostam de seguir regras sociais. – O que se explicava o pequenos fios de barba que Camila conseguia ver no rosto do Pai de Lauren e sua tão costumeira blusa polo com seu shorts não ligando mínima se estava mantendo o estilo ou não, ele possuía mais coisas interessantes para mostrar do que panos sobre o seu corpo. E seu irmão, com cara de total desinteresse, achando toda aquela social um tédio sentado no sofá perto da cozinha mexendo no celular.

Mulheres infectadas pelo Toxoplasma gostam de gastar dinheiro em roupas e tendem a ter mais amigos. – o que se aplicava em todas a mulheres da Família Jauregui, pode ser por ordem de idade ou não, mas todas elas pareciam ter um apreço por dinheiro e faziam amigos com facilidade, alias, Camila estava ali exatamente porque mãe de Lauren queria aumentar seu ciclo de amizade e da porta, ela conseguia ver Alexa, melhor amiga de Lauren, sentada no sofá trocando os canais na televisão em busca de algo interessante. Já Taylor, a Jauregui mais nova, estava conversando com um dos amigos de Chris. De acordo com a pesquisa também, os outros acham que mulheres infectadas são mais atraentes do que as não-infectadas. – Apenas olhe para Lauren. – Em geral, os pesquisadores descobriram que pessoas infectadas são mais interessantes.

Por outro lado, pessoas sem o Toxoplasma no cérebro gostam de seguir regras. Se você lhe empresta dinheiro, a chance de que devolvam é maior, Elas comparecem ao trabalho com pontualidade. Os homens envolvem-se em menos brigas. As mulheres têm menos namorados. – o que Camila achava que se aplicava muito a ela.

Isso poderia ser resultado do controle de mente pelo Toxoplasma?
É estranho demais, não é mesmo? Deve haver outra explicação.

Talvez algumas pessoas sempre tenham odiado chegar pontualmente ao trabalho e apreciem ter felinos por perto porque os gatos não gostariam de chegar pontualmente ao trabalho, se tivessem de trabalhar. Essas pessoas adotaram gatos e depois adquiriram o Toxoplasma.

Talvez outra metade da humanidade, a que gosta de seguir regras, geralmente escolhe cachorros. Pega. Senta. Parado.
Assim, seus cérebros permanecem livres do Toxoplasma.

Talvez sejam dois tipos de pessoas que já fossem diferentes.
Ou talvez não.

Esse é o problema em relação aos parasitas: é difícil saber se são galinha ou ovo. Talvez sejamos todos robôs, andando por aí cumprindo as ordens dos nossos parasitas.

Mas se você tem gatos, você realmente ama seu gato? Ou é o toxoplasma na sua cabeça que o obriga cuidar do bichano, o hospedeiro final, para que um dia também possa chegar ao paraíso dos parasitas?

Aliás, Lauren não aparentava ter gato.

"Olá, sejam bem-vindos" disse Clara já indo em encontro a Sinu com um abraço carinhoso e fazendo isso sucessivamente com todos até chegar há Camila.

Ao olhar Clara, Camila sentiu-se vendo uma visão borrada de Lauren.
Lauren em um espelho embaçado – a cor exata, traços semelhantes, mas um duplo de século mais velha, a pele, a feição, tudo lembrava um pouco. Clara era uma mulher esplêndida, uma mulher que escolhera envelhecer com elegância. Suas formas eram uma espécie de origami: cotovelos em ângulos agudos, clavículas de cabide. Usava um vestido justo azul celeste e tinha a mesma atração de Lauren: quando estava em um aposento, você ficava virando a cabeça na direção dela.

"Camila, como você está querida?" Os braços de Clara passaram pelo pescoço de Camila em um abraço tão breve quanto um suspiro. "Por favor, entrem" convidou a todos em seguida, que entraram timidamente em sua casa.

Clara guiou todos até a sala e logo convidou-os para se sentar, para que pudesse buscar algo para servi-los como aperitivo antes do jantar. Camila se sentiu perdida entre sentar no sofá, cumprimentar a todos e procurar por Lauren, sua cabeça estava a mil. Porém, optou fazer o mesmo que se seus pais e saiu cumprimentando todos que estavam no local. Educação, Camila pensou, depois os interesses. Ela não conseguia deixar de pensar que a terceira opção lhe pareceu certa em sua cabeça por alguns instantes.

Primeiro, começou com a Alexa, que soltou um sorriso carinhoso e aconchegante para Camila como se já a conhecesse de outros encontros. Mas então, se lembrou que agora fazia parte de uma girlband que estava começando a fazer sucesso e que sua melhor amiga estava junto a ela. Óbvio que Alexa seria simpática.

Mas havia gostado dela.
Apesar de Camila sempre gostar de praticamente todo mundo que é simpático com ela. – quem não?

Depois foi Chris, que desprendeu um pouco sua atenção do celular e levantou do sofá para dar boas vindas a quem ia o cumprimentar. Deu um grande abraço em Camila que se sentiu confortável com aquilo. Ela não conseguia não pensar em como aquele abraço tem algumas características com os que a Lauren da, pensou isso porque sentia muito falta de seus abraços. Chris estava bem vestido, usava uma camisa cinza chumbo com uma gravata preta e uma calça social escura combinando com os sapatos. Estava um verdadeiro rapaz, bonito, mas nunca tanto quanto Lauren.

Em seguida Camila cumprimentou Taylor, que parecia muito contente em vê-la. Taylor deu um agradável abraço nela e disse que era bom a ver pessoalmente e que agora poderiam conversar um pouco, pois nunca tinham tempo nos bastidores das apresentações para isso. O primeiro pensamento de Camila foi que provavelmente Lauren não havia comentado para ninguém da Família que elas estavam meio afastadas, o que seria ainda mais intenso quando se vissem. O que deveriam fazer? Fingir? Lauren conseguia fazer isso melhor do que ela.

Depois de cumprimentar o amigo de Chris que também iria os acompanhar no jantar, logo Camila foi aparada por um sorriso encantador vindo de Michael, o qual deu um abraço apertado e aconchegante. Para Camila, além de Lauren, Mike era o único Jauregui que conhecia um pouco melhor, sem contar que achava ele uma das pessoas mais encantadoras que se pode conhecer. Ela sabia da onde Lauren havia puxado todo aquele charme encantador que ela possuía.

Não demorou muito para que Clara aparecesse na sala com uma bandeja com suco e alguns copos, que logo tratou de destituir para todos. Camila pensou em negar o suco, mas não queria deixar uma má impressão. – que ela não sabe também como negar um suco poderia ser uma má impressão, mas tudo bem, continuou acreditando – e aceitou o suco com uma tentativa esforçada de esboçar seu melhor sorriso no rosto.

Caju!

Tomou alguns goles e ainda permaneceu de pé olhando ao redor. Caminhou em passos curtos até o espaço da família, o lugar onde havia fotos de todos os Jauregui's reunidas em cima de um balcão perto da lareira. Ali, conseguiu ver algumas fotos de criança de Lauren que nunca havia visto antes. Queria aperta-la ao vela vestida com uma sainha cor rosa e uma blusinha preta, o que parecia ser uma roupa de balé, ela tinha um sorriso fofo daqueles que da vontade de agarrar. Camila se reprimiu ao perceber que o seu sorriso estava aberto demais por estar contente ao ver Lauren ali, tão pequeninha, tão inocente e inofensiva, apenas feliz e sorrindo. Isso ficaria ainda melhor se a Lauren de hoje em dia parecesse ser assim, ser inofensiva, inocente... Mas ela se mostrava ser totalmente o oposto disso agora.

Camila saiu do seu transe ao ouvir Clara encerrar alguma conversa temporariamente com sua mãe para chamar Lauren.

"Lauren, desça, os convidados já chegaram e Camila está aqui" Clara disse alto do sofá e voltou a conversar com todos que dava atenção, era engraçado pensar naquilo como se Lauren achasse essa situação incrível. Mas Camila não conseguia deduzir nada. Apenas sorriu de volta para Clara, que apresentava um desconforto por ela estar isolada de todos, como se estivesse esperando por Lauren para se socializar. Camila soltou para Clara o sorriso que solta para mulheres petulantes, o sorriso 'Ei, relaxa', ela conseguiria sobreviver a essa social sem sua filha por perto. Era o que esperava de si mesma, pelo menos.

O que fez Camila finalmente pensar.
Afinal, onde está Lauren?

Camila se deslocou lentamente para perto da escada, arrastando-se, como se seus ossos doessem, uma delicadeza febril se abatendo sobre ela. Estava nervosa, sentiu uma onda de incomodo nada bem-vinda e nada cavalheiresca. Aquela situação não poderia transformar Lauren em sua melhor amiga adorada de todos apenas porque era emocionalmente oportuno.

Ok, ela está ressentida.

Se encostou em um dos balcões e de longe começou a reparar nos grupos divididos de conversas que havia se formado na sala e o como ela não conseguia se encaixar em nenhum no momento, porque estava apreensiva demais esperando Lauren surgir de algum lugar e devora-la com seus olhos de quem tudo quer.

Para se distrair focou nas conversas ao redor de longe.
Ficou quieta como uma espécie de monstro Frankenstein, com medo e perturbada pelas tochas dos aldeões. Sua avó e sua mãe, conversavam animadamente sobre culinária cubana com Clara.

Uma nota pessoal de Camila sobre o possível relacionamento de sua mãe e Clara: pessoas hispânicas tem uma tendência de fazer qualquer pessoa que seja hispânica ser mais agradável, pelo simples fato de ser hispânica.

Sinu era hispânica.
Clara possuía origem hispânica.
Logo, se dariam muito bem, assim, simples, como se o sangue cubano fosse uma união obrigatória entre elas.

Discutiam sobre o prato principal do jantar: Picadinha a Cubana. – é claro que teriam comida cubana no jantar. É uma comida típica de Cuba e muito comum da gastronomia de lá. Numa panela é colocado azeite e fritado a cebola junto com o alho. Então é adicionado carne, pimentão, tomates, azeitonas, uvas passas, orégano, pimenta e sal. – vantagens de se prestar atenção em conversas sobre culinária é que você acaba descobrindo coisas que podem te ajudar na sua provável descoberta gastronômica no futuro.

Era estranho acompanhar as reações de Clara, ela estava revezando na interpretação de diferentes personagens femininos: mulher poderosa, ajudante carinhosa, para ver qual produzia melhor resultado, porém Sinu e sua avó, conseguiam entender aquilo de alguma forma, deve ser algo secreto no comportamento de pessoas que se tornam pais de alguém, Camila pensou.

Sua atenção depois foi direcionada a Chris e Alexa, que depois de ficarem entediados, começaram a conversar sobre aplicativos de celular. O que mostra que o tédio tem um dom de unir as pessoas também. Pareciam divertidos e entretidos na descoberta do Candy Crush, um jogo que estava fazendo muito sucesso. E que sabíamos que logo irritaria todo mundo, porque todo jogo que pode ser conectado ao Facebook, provavelmente irá te irritar muito no futuro. – Sabe os convites para participar de algo que chegam através das notificações te fazendo acreditar que pode ser algo importante? Então... Essas notificações podem ser convites dos seus amigos para ganhar moedas no jogo, para isso, eles lhe enviam convites para que você tenha o aplicativo e jogue ele no teu celular fazendo o mesmo que eles, como uma doença, você vai o passando para frente para ter alguns benefícios no jogo sem ter que pagar por isso, fazendo propaganda gratuita sem perceber até todo mundo saber que o aplicativo existe. Bem-vinda ao grande mundo da publicidade, onde nem tudo é sobre você e sim sobre o Candy Crush e outros aplicativo que, com certeza, irão surgir no futuro para te irritar, esteja preparada para isso.

Alejandro e Mike por sinal, possuíam o típico papo de homem que cresceu sonhando com carros, esportes e uma família linda, aquela coisa meio tradicional mesmo. O que se você olhar para o redor, podia ver que a maioria desses sonhos estavam se concretizando. Camila ficava feliz em saber que fazia parte dessa conquista, assim como imaginou que Lauren também ficaria. Estavam se dando bem na vida ainda cedo, isso era orgulho para qualquer pai, sua criação tão adorada sendo de alguma forma importante para o mundo. O orgulho surge, quando para nos tornarmos quem somos, precisamos de uma ponte de comportamento para enfrentar vida e as pessoas mais habituadas a nos mostrar as coisas como funcionam, são nossos Pais. Somos mais parecidos com eles do que você imagina.

Sofi estava em uma conversa animada com Taylor e o amigo de Chris sobre o como é legal o desenho animado que tem assistido na televisão nos finais de semana. Era meio constrangedor para Camila ver que sua irmã de 5 anos estava conseguindo interagir melhor com as pessoas do que ela. Distraída, o barulho das conversas perderam o sentido quando ela ouviu uma porta no andar de cima se abrindo com um ruído de sucção, como uma geladeira.

Passos foram ouvidos do lado de cima, passos lentos, delicados e meticulosos se aproximavam cada vez mais da escada, cada vez mais de Camila.

Camila POV.

Quando Lauren me olhou, antes de descer todos os degraus da escada e cumprimentar toda a minha família, eu pude ver alguns traços de sua vulnerabilidade em seu rosto, seus olhos não estavam tão superiores quanto antes, pareciam estar no fundo aliviados de ver minha presença ali, segurando a taça de suco que sua mãe havia me oferecido.

Gostava de enxergar a Lauren vulnerável brigando consigo mesma em como deveria se comportar. Ficou parada perdida por alguns segundos, provavelmente planejando como não cometer algum erro, antes de retornar a descer o resto de degraus que faltavam até chegar há todos. Me agradeci mentalmente por ter escolhido ficar perto das escadas, com certeza ela não esperava me ver ali e eu confesso que gostava de ter esse meu lado com ela. Gosto de surpreendê-la, gosto de ser o avesso, gosto de ser o que ela não esperava. Eu realmente apreciava isso.

Eu não me divertia com a vulnerabilidade dela, como sei que a maioria de pessoas no mundo fariam em minha posição. Eu sabia que estava no fundo sofrendo por causa dela, mas não me sentia feliz em ver que ela se sentia fraca por estar sendo tão vulnerável em me deixar perceber que estava surpresa em me ver em sua sala de estar. Isso significava que ela se importava, e seu ego gigantesco provavelmente estava elevado demais para ver que vulnerabilidade soa como verdade e se sente como coragem. Verdade e coragem nem sempre são confortáveis, mas elas nunca são fraqueza.

Olhou para mim como se sua mãe não houvesse anunciado minha presença, olhou como se estivesse ali apenas para confirmar se eu estava mesmo em sua casa. Lauren conseguia ser minuciosa quando queria. Se aproximou de mim silenciosamente. Nesse meio tempo, pude notar minha mãe nos observar, eu sabia que ela faria isso, estava desconfiada desde a ultima conversa que tivemos. Mas Lauren e eu não seriamos um ataque surpresa, caso ataque fosso o que tínhamos em mente. Bem, isso até Lauren me surpreender.

Ela fez contato visual e me abriu um o sorriso mais gentil e tímido que podia, depois inclinou a cabeça como um gato esperando para ser acariciado, veio até mim e colocou seus braços ao meu redor, fingindo que o que acabamos de fazer foi normal, um agradável ritual singelo. Abraçou meu pescoço o que me fez se aproximar e abraçar sua cintura e lá estava eu, abraçada com Lauren como se nada tivesse acontecendo.

Não sei qual deveria ser minha reação: chocada, consoladora, desapontada? Eu nunca tinha passado por isso antes. Fomos... Otimistas, talvez seja uma forma gentil de definir esse comportamento completamente estranho. Eu desenvolvera uma incapacidade de demonstrar qualquer emoção negativa. Era outra coisa que fazia com que eu parecesse uma cretina. – meu estômago podia estar cheio de enguias oleosas e você não saberia nada pela minha expressão, e ainda menos por minhas palavras. Eu era um problema constante: controle demais ou nenhum controle.

"Bem-vinda" soltou com sua voz rouca.

"Obrigada" disse calma. Fingir calma é estar calma, de certa forma.

"Vou cumprimentar os outros" soltou já caminhando em direção as outras pessoas que estavam no local.

Claro que eu estava com raiva. Eu tinha ficado com raiva. Mas era incrível que ao vela de longe, sendo simpática e sorridente com todos me fazia repensar sobre tudo. Cheguei a pensar que poderia ter ficado louca, talvez não existisse nenhum clima entre nós e eu apenas tenha criado toda aquela situação na minha cabeça. Mas eu sabia que tinha algo errado, tinha que ter. Apesar de tudo, eu não vou deixar o pior de mim estragar minha amizade.

Lauren cumprimentou a todos como um beija-flor pousando de flor em flor, mantinha sua delicadeza e sua risada dolorosamente fofa. – um misto entre risada de criança e olhar um bebê panda, era assim que você se sentia quando ela esboçava seu riso. – abraçou e conversou um pouco com todos enquanto meus olhos não conseguiam se desprender dela. Era torturante a ver tão solta, quando o meu interior estava em um naufrágio que sucumbiria qualquer um. Eu queria me sentir daquela forma também.

Está vestida com uma calça vinho. – que por sinal estava muito agradável aos olhos.– uma blusa escura e sua eventual jaqueta preta de couro. Seus cabelos castanhos estavam um pouco ondulados e estava sem nenhuma maquiagem no rosto, o que a dava uma beleza natural ainda mais chamativa. Tanto que flagrei o amigo de Chris a encarar diversas vezes.

Mas se entrássemos em uma disputa.

Eu ganharia.

Após se socializar com todos, caminhou até mim novamente e se pôs na minha frente com uma expressão serena. Ás vezes tenho a impressão de que é seu jogo pessoal, de que ela está em alguma espécie de competição não declarada de impenetrabilidade. Franzi o cenho ao perceber que ela não dizia nada e que realmente esperava que eu iniciasse algum diálogo sobre algo, que provavelmente seria sobre seu comportamento estranho. Em resposta, ela me lançou aquele olhar como quem diz que eu não estava sendo razoável, como se ela estivesse tão certa que não estou sendo razoável que chego a me perguntar se estou.

É surreal, e eu não sou de usar a palavra surreal do modo errado.

Porém sei que tudo ficará bem. É só que a coisa toda é tão distante do que eu havia imaginado... Quando imaginava a minha vida. Não quer dizer que esteja ruim, só... Se alguém me desse um milhão de chances de adivinhar aonde minha vida iria me levar, eu não teria adivinhado. Acho isso alarmante.

Antes que pudesse pronunciar algo, percebo Alexa vindo até nós e travo qualquer possível diálogo, qualquer coisa que eu falasse para Lauren agora, provavelmente soaria como um início de uma discussão cautelosa, o tipo de discussão que quer existir, mas não pode por causa do ambiente em que estamos.

"Olá meninas" Alexa disse para nós com a mão cheia de castanhas. "Alguma de vocês aceita?" Estendeu a mão para caso aceitássemos. O que não aconteceu.

"Não, obrigada" dissemos em uníssono.

"Certo" Alexa deu uma pequena pausa para mastigar uma das castanhas. "Vocês poderiam me ajudar a colocar a mesa ou estão tendo alguma conversa importante?" Era possível ver sua ponta de curiosidade de longe. Alexa tinha internet e provavelmente sabia da existência e do significado de Camren. Eu não sabia o quanto Lauren havia falado de mim para ela. Mas desconfio que não tenha falado sobre isso. Lauren é uma grande fã de omissões.

"Claro que podemos" respondo por mim e por ela, que apenas concorda com a cabeça. Ótimo, climão, tudo que eu precisava para deixar a noite melhor.

Seguimos Alexa até a cozinha que abriu um dos armários, pegou alguns copos e caminhou até a mesa os distribuindo em seus respectivos lugares.

Existia um problema, eu não conhecia a casa, como poderia ajudar? Perguntar algo para Lauren? Sem chances, Alexa? Também não, era óbvio que deduziria que existe algo errado pelo simples fato de não ter perguntado para Lauren.

"Você pode pegar os pratos?" Lauren questionou com uma voz pacífica segurando vários talheres na mão.

Pensei em várias maneiras em como responder sua tentativa de diálogo:

A) "Se eu soubesse onde fica, eu pegaria". (Manipuladora, desafiadora)

B) "Claro que posso" (Ansiosa, submissa)

C) "Vá se foder!" (Agressiva, amarga)

D) "Onde vocês guardam os pratos?" (Serena e relaxada).

Resposta: D.

Lauren passou por mim e abriu um dos armário e entregou uma quantidade de pratos de porcelana em meus braços para que eu levasse até a mesa. Me preocupei por um tempo, com medo de tropeçar e perder praticamente todo o jogo de pratos que estava em minha mão, mas consegui manter a linha até distribuir os pratos na mesa.

Minha mãe e Clara servirão as travessas com os pratos principais e chamaram todos para virem jantar.

Outra pior sensação: decidir o lugar que sentaria.
Demorou alguns segundos até eu me decidir onde sentar, até que percebi todos me olhando já sentados. Sério, o que estava acontecendo comigo.

"Camila, não vai se sentar?" Taylor pergunta sorridente ao me ver perdida em mim mesma.

"Oh, desculpe, eu vou" Todos soltaram uma risada divertida sobre a mesa ao me ver perdida onde se sentar.

"Sente aqui" Chris me convidou puxando uma cadeira ao seu lado, o que causou aparentemente uma onda de desconforto em Lauren, mais um sorriso tímido no rosto de nossos País. Eu sei que na cabeça deles seria uma fofura eu e Chris numa mesma frase.

"Claro" sorri simpática e caminhei até a cadeira vazia em seu lado.

Ao me sentar reparei que Lauren estava com o semblante fechado, não parecia nada animada com a investida de Chris, o que eu não entendia. Estava sentada a minha frente e raramente nossos olhares se encontravam a partir do momento que o jantar ia acontecendo.

Quando acontecia de me observar, os olhares de Lauren eram territoriais, franzia o cenho toda vez que percebia seu irmão puxar algum assunto comigo. Sua irritação começou ser tão evidente, que pude notar Alexa perguntando disfarçadamente se estava tudo bem. E a ouvir mentir que estava, porque não conseguia se abrir nem mesmo para sua melhor amiga.

Inteligência Emocional.
Como era bom tê-la.

É muito importante compreender que inteligência emocional não é o oposto da inteligência, não é o triunfo do coração sobre a cabeça.

É a única interseção de ambos.
Algo que Lauren custava em compreender.

A comida estava deliciosa e o assunto na mesa estava vingando cada vez mais. Não demorou muito até o assunto chegar em Fifth Harmony. O que me fez contrair um pouco sobre a cadeira ao notar Lauren iniciando um discurso sobre como estava sendo sua experiência.

"Acho que tudo não poderia estar melhor, é uma das melhores fases da minha vida, onde eu sinto que tudo está realmente bem" Lauren sorri carismática antes de dar uma garfada no prato principal. Sério isso? Eu acho que teria que entrar no teu jogo.

"Me sinto assim também" Soltei sentindo o grave orgulho de ser levada a sério por todos. Os olhares pareciam sorrir ao me ver concordar com Lauren.

"E você faz algo além de cantar querida?" Minha mãe perguntou interessada para Lauren,

"Nas horas vagas eu gosto pintar, é um dos meus hobbies favorito ultimamente, mas agora ando sem tempo" deu uma risada dócil. Lauren tinha um cérebro brilhante e explosivo, uma curiosidade voraz. Mas suas obsessões tendiam a ser alimentadas pela competição: ela precisava surpreender os homens e deixar as mulheres curiosas. Claro que Lauren sabe técnicas de pintura, falar espanhol fluente, fazer jardinagem, tricotar, correr maratonas, negociar ações, pilotar um avião e parecer uma modelo enquanto faz isso. Ela precisava ser aquela Lauren o tempo todo.

"Isso é tão legal, eu sempre tentei pintar, mas nunca fui boa nisso" disse Alexa dando um falso suspiro tirando risada de todos.

"Treino, com isso você pode se tornar a nova Picasso se quiser". Tentei conter o riso enquanto terminava de mastigar. Pior desfecho para Lauren: um suspiro derrotado satisfeito vindo de alguém que não acredita em si mesma e suas habilidades.

"Isso mesmo querida" Mike a incentivou. "Com treino chegamos as estrelas". Sorri ao ver que Lauren ficou tímida com o apoio do Pai.

"Ou ao seus olhos..." completei a fala sem perceber em um som quase inaudível, que Taylor sentada perto de mim não ignorou.

"Como?" me perguntou. Alto demais. O que fez todos da mesa olhar em nossa direção. Não fique nervosa Cam...

"Não, é que..." me enrolei um pouco para achar um desfecho que poderia me tirar daquela situação. "Eu digo que os olhos da Lauren parecem estrelas, porque são brilhantes como uma, me lembrei disso apenas" ri sem graça sentindo os olhos de Lauren presos em mim de uma maneira muito intimidante. Ela ainda parecia estar brava por causa das investida explicitas de Chris. Como se ela tivesse esse direito...

Alexa me analisava sentada ao lado de Lauren com um sorriso contido no rosto.
Eu podia ver seu cérebro de garota zumbindo, transformando toda a minha timidez em admitir aquilo em um romance efervescente e escandaloso, entre eu e Lauren, ignorando qualquer realidade que não se encaixasse na narrativa.

Após o fim do jantar, me dispus para ajudar Taylor com a louça. Alexa recolhia os pratos e os objetos para colocar na pia e eu a ajudava me concentrando totalmente no que estava fazendo. Eu realmente não queria quebrar nada.

Depois de tudo na pia, voltei minha atenção ao redor. Alexa agora conversava algo com Sofi, minha mãe e minha avó conversava com Lauren e Clara, e Chris batia um papo interessado com seu amigo, meu pai e Mike.

"Posso te ajudar?" Perguntei a Taylor.

"Claro Mila, se puder ir secando a louça seria de grande ajuda".

"Claro que posso" sorri. "Onde posso pegar um pano?"

"Na segunda gaveta daquele armário" apontou com uma das mãos molhada.

Fui até o armário e puxei a gaveta retirando de lá o primeiro pano de prato que me veio a mão. Quando voltei minha atenção a Taylor, percebi Lauren se aproximando e desligando a torneira e arrancando as luvas e a bucha de sua irmã e tomando sua posição. Caminhei até onde estava, não muito preparada para encarar Lauren, mas com um fio de coragem. Eu estava raiva, mas não uma raiva digna de um livro para largar o que iria fazer afim de não ter nenhum diálogo. – ou uma briga – com ela

"Pode ser esse?" Me aproximei de Taylor mostrando o pano, ignorando totalmente a presença de Lauren.

"Pode sim" ela concordou com a cabeça em seguida. "Tudo bem se eu deixar vocês duas aqui? Preciso ir ao banheiro".

"Claro que sim" disse despreocupada. Uma óbvia falsa despreocupação.

Taylor sorriu em resposta e caminhou para fora da cozinha, deixando apenas Lauren, eu e o silêncio desconfortável que se instalou no ar. Respirei fundo e me aproximei da pia, ela esfregava os pratos com força, como se esperasse retirar uma sujeira ali que nem ao menos existia mais.

"Cuidado, vai acabar quebrando" a reaprendi, não era uma boa forma de iniciar uma conversa, mas era pelo menos o inicio de algo.

"Eu não preciso de aulas de como lavar louça" sua voz era ríspida. Uma personalidade completamente diferente da Lauren do jantar. Sem delicadeza, sem sentido, apenas ressentida por algo que eu nem conseguia saber o que.

"Ok..." Respirei fundo novamente. Eu não posso me irritar. Peguei um dos pratos que ela havia largado no seca pratos, e passei o pano com cuidado para obter o melhor resultado. "Onde posso guardar?" Perguntei mostrando o prato.

"No lugar mais óbvio que você achar" Lauren disparou sem nem me olhar. Fiquei a encarando confusa por um tempo, até finalmente ter sua atenção. "No armário Camila" apontou com a cabeça o armário certo, como se isso fosse óbvio, e voltou seus olhos para a louça e o sabão sobre as luvas. Caramba, como eu iria saber?

Me aproximei e coloquei o prato no seca pratos e joguei o pano em cima da pia.

"Olha aqui, você pode até me ignorar Lauren, eu francamente venho suportado isso com muita maestria como podemos perceber, mas não vou aceitar que você seja grossa comigo, esse papel era para ser meu e se eu não estou nele é porque eu estou tentando evitar mais um momento para chamar de delicado entre nós, mas você está me ajudando? Claro que não, como sempre.". Ela me ouvia quieta, como se passasse a se repreender por pensamentos. "Eu venho tentado te entender a dias" suspirei. "Semanas Lauren" disse com um pouco mais de urgência do que pretendia, com a sensação de estar segurando um teto que desabava, mas isso a fez olhar para mim. "E tudo que você faz é isso, me ignora ou me repreende por alguma coisa que eu fiz, alguma coisa que eu normalmente nem sei o que é, e tudo isso por causa de um ato idiota que você fez". Tentei reprimir a raiva, eu estava a engolindo com muito cuidado porque também não queria fazer nenhuma cena, nenhuma surpresa no fim do jantar. "E pra que? Você não pode me culpar pelos desejos reprimidos que você tem". Me aproximei dela à vendo encarar fixamente um ponto em sua frente. "Para de se esforçar para ser uma babaca, porque você está conseguindo". No fundo eu queria consertar tudo aquilo, aquela sensação era horrível, devastadora que me trazia um desconforto inimaginável. Coloquei uma das minha mãos sobre suas costas e me aproximei como um animal inofensivo, a vendo ficar rígida graças ao contato e a aproximação. "Eu nunca pensei que diria isso... Mas você pode fechar os olhos para as coisas que você não quer ver. Mas você não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir".

"Se fosse simples assim, eu iria não ver você de gracinha com meu irmão" soltou ignorando tudo que eu havia dito anteriormente.

"Você é impressionante" a olhei pasma. "Você acha que transferir a culpa para mim dos seus atos vai te deixar mais confortável? Ótimo, vamos lá, siga em frente com isso Lauren, apenas não espere que eu te ajude na sua farsa quando você quiser ignorar tudo isso, te abraçando como se fôssemos boas amigas, porque a única coisa que consigo ver em você agora é o teu pior estragando nossa amizade". Falei brava. "E sabe qual é o pior disso tudo? Eu nem sei o porque você está fazendo isso".

Lauren não conseguiu responder porque Taylor adentrou no ambiente novamente interrompendo nosso confronto. Peguei o pano de prato da pia e entreguei a sua irmã a qual dei um sorriso desconsolado e caminhei em direção a saída da cozinha ainda podendo ouvir.

"Está tudo bem?" Taylor perguntou a Lauren que lavava a louça silenciosamente.

Ela fez um pausa, eu sei que estava prestes a mentir. O pior sentimento: quando você tem que simplesmente esperar e se preparar para a mentira.

"Sim, está" ela começa sua mentira. Eu nem presto atenção.

Lauren POV.

Que época estranha, esta. Tenho de pensar dessa forma, tentar examiná-la a distância. Há algo terrivelmente errado com Camila. Estou certa disso agora. Sim, ela está brava comigo, mas é algo a mais. Parece dirigida a mim, não uma tristeza, mas... Sinto ela me observando ás vezes, enquanto ouço Alexa falar de alguma festa que estava querendo ir, ergo os olhos e vejo seu rosto contorcido de desgosto, como se tivesse me flagrado fazendo algo medonho em vez de apenas estar conversando sobre qualquer coisa com minha melhor amiga. Está aparentemente tão irritada, tão instável que fiquei me perguntando se seu humor está relacionado a algo físico. – uma daquelas alergias a trigo que deixam as pessoas loucas ou uma colônia de esporos de mofo que se alojou em seu cérebro. Eu queria ir até ela e resolver tudo como parceiras. Mas eu estava mordida por um orgulho que me consumia como uma boa xicara de chocolate quente, em dias que eu gosto de chocolate – raros. Mas não o fiz, eu sabia que isso a irritaria. Provavelmente estava cheia de argumentos engatilhados na garganta para soltar contra mim. Algumas vezes me pergunto se esta é a raiz de seu desgosto comigo: ela me deixou ver suas deficiências e me odeia por eu conhecê-las.
Certo, admito, talvez ela tenha alguns motivos para estar assim.

"Você entendeu?" perguntou Alexa me fazendo desprender de meus pensamentos.

"O que?" perguntei confusa.

"O que eu disse Lauren..." Ela bufou. " Você está tão distraída" e olha na direção que eu estava olhando e sorri. "Está olhando para Camila?" provoca.

"Não, claro que não" me defendo rapidamente, como se olhar para Camila fosse um pecado. "Eu estava observando Sofi, e como ela irá ficar uma menina inteligente" Minto em partes. Porque agora eu realmente prestava atenção em Sofi. Dava para entender porque mulheres sempre ameaçam devorar crianças: Dá vontade de morder! Eu a comeria com uma colher.

"Sei..." comentou desconfiada.

Revirei os olhos e ela riu, voltando a conversar sobre a festa que queria ir até eu perder minha atenção para Camila novamente.

Alexa é na verdade a única pessoa em todo o mundo com quem eu sou totalmente eu mesma. Não sinto necessidade de explicar meus atos para ela. Não esclareço, não duvido, não me preocupo. Não conto tudo a ela, não mais, mas conto mais a ela do que qualquer outra pessoa. Conto a ela tudo que eu posso. E o assunto Camila ainda não era um assunto necessário de ser compartilhado. Não sei porque eu achava que estava conseguindo manter meu relacionamento com Camila sobre controle, mas parece que tudo está totalmente diferente agora.

"Não viaja" disse sorrindo, um sorriso tímido de alguém que escondia algo e que no fundo concordava com alguma provocação.

"Deveríamos chama-la para o seu quarto, as coisas estão começando a ficar entediante por aqui" Alexa sugeriu observando Camila brincar com Sofi de longe.

"E o que poderíamos fazer lá?" Questionei.

"Lá a gente descobre". Alexa me entrelaçou nossos braços e me puxou em rumo a Camila. Tentei recuar como um garoto tímido com medo de falar com a garota que gosta. Mas me rendi caminhando junto a ela.

Camila brincava animada com Sofi que ria das palhaçadas que a irmã fazia. Não percebeu nossa aproximação até Sofi apontar com a mão que estávamos atrás dela.

Me olhou com olhar que sei que olharia: o de que não estava recuperada ainda para discutirmos novamente. Mas eu não queria isso.

Na verdade, eu estava buscando soluções dentro da minha cabeça para pedir desculpas sobre tudo, sobre o último insulto ao ato de tentar beijá-la. Ficar brava porque meu irmão estava aparentemente dando em cima dela não fazia menor sentido, eu estou meio que chateada comigo no momento por ter gerado uma discussão por causa disso.

"Ei Camila" Alexa começou. "Vamos subir um pouco lá para cima?" Percebi Camila pensar um pouco sobre a proposta. Talvez uma desculpa convincente de que não queria nos acompanhar.

"Sim... Mas fazer o que?" Sua desconfiança era evidente, provavelmente não esperava nenhuma aproximação da minha parte até o fim da noite.

"Conversar" Alexa disse sorridente.

"Ok, vamos" e virou-se para Sofi. "Ei baixinha, vou conversar com elas um pouco, porque você não vai um pouco com a mama?" Sofi concordou e deu um beijo no rosto de Camila e caminhou animada até Sinu.

Voltou sua atenção a nós e sorriu timidamente. Ok, esse sorriso me quebra, preciso consertar tudo, rápido.

Os conselhos de Keana ficaram martelando sobre minha cabeça a cada degrau que subia da escada até meu quarto. Foi um pequeno percurso mas que me fez refletir sobre muitas coisas.

Abri a porta e esperei que todas passassem por mim para fecha-la novamente. Portas abertas, uma claustrofobia ao contrário que eu adquiri ao longo dos meus 16 anos de vida, definitivamente me incomoda.

Alexa sentou-se na minha cama e Camila ficou observando ao redor. Seus olhos corriam pela minha cama, pelos objetos na instante, nos pôsteres colados na porta, mas principalmente, nos pôsteres colados atrás da porta. Uma sessão de fotos do Justin Bieber retirada de revistas adolescentes, ok, eu precisava urgentemente tirar isso da minha porta. Ainda mais depois de ver aquele sorriso provocador que surgiu em seu rosto, aquele que dizia: ora, ora, então temos uma Belieber aqui.

"Senta aqui do meu lado Camila". Alexa a chamou. Não recusou e caminhou até minha melhor amiga sentando ao seu lado. Puxei a cadeira da escrivaninha e a posicionei em frente a cama, sentando e apoiando meus pés no colchão.

"Então meninas, eu vou ficar perguntando coisas sobre como é ser famosa, porque está um tédio lá em baixo e tenho curiosidades para serem saciadas" Camila riu com o lado descontraído de Alexa. Quase consegui entrar no clima, se não tivesse tão apreensiva em consertar as coisas entre nós.

"Eu acho que ainda não somos famosas" Camila disse timidamente. "Mas acho que iremos ficar" disse esperançosa.

"Ah, mais vocês já tem muitos fãs e isso são privilégios de pessoas famosas" Alexa comentou rindo. "Eu só acho que com o tempo vocês irão ficar mais famosas. Assim como One Direction" sorriu com o próprio pensamento. "Eu nem acredito que vocês conheceram os meninos falando nisso, quando Lauren me contou, me lembrei na hora do show que fomos" Ops.. Um detalhe que havia esquecido de contar para Camila, eu já havia ido no show do One Direction.

"Do show que foram?" Camila questiona Alexa mas percorre seus olhos por mim rapidamente.

"Sim, do One Direction aqui em Miami" sorriu novamente.

"Lauren foi em um show do One Direction" Camila repetiu como se a informação fosse surpreendente. "Eu também fui nesse show"

"Eu nunca disse que eu não gosto de One Direction" comentei timidamente.

"Mas também nunca me falou que chegou a ir num show deles, e que gosta de Justin Bieber... Acho que tem muitas coisas que eu ainda tenho que descobrir sobre você" Seu rosto mostrava um semblante surpreso.

"Você nunca stalkeou Lauren no Instagram?" disse Alexa. "Lá tem uma foto nossa com nossas amigas a caminho do show".

"Confesso que não, é um aplicativo que eu tenho, mas não uso com muita frequência" Camila soltou como se tivesse se perguntando porque nunca fez isso. "Acho que devo fazer isso então... Mais alguma dica sobre Lauren?"

"O Tumblr, lá sempre tem como ela se sente" Alexa soltou rapidamente me fazendo revirar os olhos.

"O Tumblr eu já sei" Camila alternava entre observar Alexa e dedicar sua atenção a mim. Era estranho que falassem de mim como se eu não estivesse presente.

E de fato, o Tumblr é minha casa na internet.
O site tem sido nosso melhor método de indireta e como existia essa guerra fria entre nós, lá era o melhor informante de como estávamos nos sentido. E definitivamente não somos a melhor definição de felicidade que existe no momento.

O papo estava cada vez mais progressivo, foi um momento raro pelas últimas semanas onde nunca mais nos vimos distraídas e conversando naturalmente uma com a outra, sem ressentimentos, sem nada constrangedor que pudesse nos aborrecer no futuro. Alexa era boa nisso, em fazer nós nos aprofundarmos em alguma conversa sobre moda, pessoas que poderíamos conhecer, quem nós queríamos conhecer e outras bobagens de se estar tornando uma figura pública. Porém preciso confessar o quanto aquilo me deixava de certa forma feliz, vela daquela forma, arriscou até contar uma piada nesse meio período, uma piada que claro eu ri. Eu não sei o que acontece, eu sempre rio das piadas dela por mais ruins que possam ser.

Alguns toques soaram na porta do quarto e logo avisei que estava aberta e que poderia entrar. Sinu abriu a porta com cuidado e atrás dela estava Alejandro já com Sofi no colo e eu sabia o que aquilo significava.

"Mi hija, vamos?" Sinu chamou por Camila o que me fez olhar no relógio no mesmo instante. 23:28 da noite, um horário potencialmente claro de alguém que se sentia desconfortável em estar até tão tarde na casa de alguém, eu precisava fazer algo. Ainda estávamos de férias das apresentações, não poderia deixar Camila ir embora com toda a má impressão que havia recolhido mais cedo.

"Então, estive pensando..." Comecei chamando a atenção de todos, inclusive de Camila que sequer imaginava minhas intenções. "Porque Camila não dorme aqui hoje? Eu posso leva-la para casa amanhã, tudo bem?" Perguntei para Sinu quando na verdade deveria ter perguntado para Camila se ela queria isso.

"O que você está fazendo?" Cochichou baixo o suficiente para que apenas eu ouça, não entendo nada da minha reação.

"Tentando consertar as coisas" Rebati tão baixo e rápido quanto ela, fazendo apenas nós duas ouvirmos.

"Claro que sim, Camila precisa interagir um pouco com as pessoas" Comentou Sinu. Eu não sabia como andava as coisas com Camila na casa dela, mas ela parecia meio disfuncional, como aparentemente sua mãe indicava.

"Eu não trouxe pijamas" Camila e suas desculpas bobas. Não trazer seu pijama definitivamente não seria uma bom argumento para negar um convite como o meu.

"Que bom que tenho vários" Respondi ironicamente a vendo levantar as sobrancelhas. Se ela estava querendo fugir de mim, definitivamente não iria conseguir. Não dessa vez.

"E onde Alexa irá dormir?" Tentou mais uma vez. "Você só tem um colchão como podemos ver" apontou para bi-cama.

"Ei, eu posso dormir com a Taylor, adoro dormir com ela, não se preocupe" Alexa percebeu que algo precisava ser resolvido entre nós. Ela me conhecia, sabia quando estava acontecendo algo errado, ainda mais porque eu nunca faria tanta questão de querer que alguém ficasse tanto assim para dormir em minha casa. Ela não tinha o titulo de melhor amiga atoa, vai por mim.

"Ok, tudo bem vocês venceram!" Ela declarou evitando sorrir demais ao notar minhas investidas para que ela ficasse.

Acompanhamos a Família Cabello até a porta para nos despedirmos de todos com abraços e sorrisos. Sinu informava minha mãe da temporária estadia de Camila e recebia como resposta um sorriso caloroso dizendo que tudo está bem e que assim que Camila almoçasse amanhã eu a levaria segura para casa. Depois de todos irem. Sentamos um pouco na sala e continuamos a conversar sobre aleatoriedades. Alexa não demorou muito para começar a bocejar e logo soltou.

"Meninas, eu vou dormir, será que Taylor ainda está acordada?" perguntou Alexa.

"Não, eu mandei mensagem para ela no celular avisando que você iria dormir com ela, e ela me disse que já estava indo dormir porque irá fazer algo amanhã cedo com uma amiga" falei e todas me olharam estranhamente. "O que?" questionei.

"Você mandou SMS para sua irmã que está a alguns metros de você dentro da sua própria casa, Lauren?" Alexa disse rindo. "Ótimo exemplo de dialogo".

"Lauren não é muito fã de diálogos..." soltou Camila olhando ao redor até alcançar meus olhos.

"Nós não íamos dormir?" disse desviando o assunto fazendo todas rirem.

"Vamos, Lauren, Vamos" Alexa se levantou puxando por Camila.

Subimos as escadas e caminhamos até a porta do quarto de minha irmã. Tudo estava um tanto quieto e pelo que conhecia dos hábitos de Taylor, provavelmente já estava dormindo. Alexa abriu a porta devagar, deu um abraço em mim e em Camila, que soou animada, jovial, do modo como sempre é quando fala com Alexa, do modo como costumava ser comigo. Minha amiga entrou com as pontas do pé com fins de não fazer barulho e acordar Taylor. Assim que a porta foi fechada, olhei para Camila que logo saiu em direção ao meu quarto sem dizer nada. Ela ainda estava com raiva de mim por minhas crises. Achei que estivesse com uma fachada convincente, mas aparentemente não estou.

Assim que atravessamos a porta do meu quarto e eu fechei a porta, ela olhou a redor novamente e eu só conseguia pensar em que dizer, qual seria a coisa certa a se dizer naquele momento, quando...

"Eu não trouxe pijama, então acho que irá ter que me emprestar um" Ela evitava algo, parecia como eu: escolhendo com cuidado cada palavra que era usada.

"Vou pegar um para você" Falei com uma voz suave, tranquilizadora, uma voz que vestia um cardigã. E caminhei até um dos meus armários e puxei um dos meus pijamas mais infantis. Uma camisola com uma ilustração de um panda fofo e aparentemente gentil. "Pode ser esse?"

"O que você me der eu vou gostar" Foi essa frase que me fisgou, a simplicidade dela. Entreguei a ela que ao receber a camisola, sorriu em resposta e foi até o banheiro do meu quarto para se trocar.

Enquanto ela se trocava, arrancava minha roupa rapidamente me despedindo e vestindo meu pijama. Puxei a bi-cama e busquei alguns lençóis limpos e travesseiros, Camila gostava de dormir com bastante coisa ao seu redor. Após arrumar tudo, sentei na ponta da cama a sua espera e fiquei imaginando planos e arquitetando maneiras que pudessem fazer Camila perdoar meus atos impulsivos dos últimos tempos. No fundo eu estou disposta a deixar isso para lá, a acreditar que realmente foi uma analogia doentia, produzida pelo estresse pelo qual nós duas estamos passando. Algumas vezes eu esqueço que todo o estresse que eu sinto, Camila também sente.

Minha mãe sempre dissera aos filhos: se você está prestes a fazer algo, e se quer saber se é má ideia, imagine impresso no jornal para todo mundo ver.

Lauren Jauregui, participou do programa de televisão The X-Factor, foi selecionada para fazer parte da girlband Fifth Harmony, ainda com o orgulho ferido por causa de um fora, mergulhando em um tórrido potencialmente caso amoroso com sua colega de banda Camila Cabello.

Era a encarnação do maior medo de todo o escritor: um clichê.

Agora deixe juntar mais clichês para sua diversão: aconteceu aos poucos. Eu nunca quis magoar ninguém. Ficou mais sério do que eu esperava, então não poderia ser apenas um caso, mas também não poderia ser mais do que isso. Era mais que uma massagem ao meu ego. Eu realmente sentia algo por Camila, eu só não conseguia explicar uma definição para isso. Talvez, porque eu sentia medo dessa definição.

Camila saiu do banheiro com suas roupas na mão, me levantei e caminhei até ela é pegando sua muda de roupas e deixando em um canto no balcão. Passei por ela entrando no banheiro e escovei os dentes, em seguida reparei que ela havia feito isso, porque a tampa da pasta de dente não estava da forma que eu havia deixado. Quando voltei para o quarto, senti cada segundo do silêncio constrangedor que se formava. Apaguei a luz depois de a ver já deitada na cama de baixo e com o auxílio da lanterna do celular, fui até minha cama me cobrindo com a coberta.

"A sua ideia teria dado mais certo se você evitasse esse silêncio" Ouvi a voz de Camila ecoar pelo quarto escuro.

"Ao mesmo tempo que eu quero falar sobre isso, no outro tempo eu não quero" soltei.

"Você pelo menos esta falando comigo, está dando uma trégua ao seu temperamento difícil pelo menos"

"Não diga como se estivesse sendo fácil para mim, Camila, porque não está" suspirei.

"E para mim está Lauren?" Pude sentir seu corpo se virando e olhar em minha direção, mesmo que eu não tivesse certeza disso. "Se coloca no meu lugar, não tinha como acontecer daquele jeito".

"Eu não sei se quero falar sobre o que aconteceu, eu quero falar sobre como podemos superar o que aconteceu" suspirei novamente. "Sobre o que não aconteceu, na verdade".

O silêncio tomou conta do quarto novamente. Camila não me respondeu nada por um bom tempo, não sabia se havia desistido da conversa ou se o sono havia tomado conta do seu corpo.

Esse desejo. – de sair da situação sem culpa – era desprezível. Quanto mais desprezível eu tornava, mais desejava Camila, que sabia que eu não era tão ruim quanto parecia. Senti o meu lado da cama se afundar um pouco e corpo de Camila colidir com o meu. Seu rosto colado em meus cabelos, o calor do hálito logo abaixo do meu nariz, a tolice daquilo. Não dizia nada, apenas abraçou minha cintura e passou a dividir o mesmo travesseiro que eu. Então eu quis beija-la, do modo como eu a beijaria da primeira vez caso tivesse conseguido a chance: nossos dentes se batendo, o rosto dela inclinado para o meu, seus cabelos fazendo cócegas em meus braços, um beijo de língua molhado, eu sem pensar em nada além do beijo, porque seria perigoso pensar em qualquer coisa além do quão gostoso era. A única coisa que me impediu de arriscar tudo naquele instante não foi como aquilo era errado. – foi tudo muito errado, desde sempre –, mas como agora era realmente perigoso.

"Me desculpa..." Eu falei. Não obtive a resposta que eu queria, na verdade, obtive a pior resposta que poderia ter dela: seu choro baixo, sua vontade intensa de reprimir aquilo. Me virei e a abracei. Aquilo me matava, arrancava pedaços de mim, me agonizava como se alguém estivesse me sufocando.

"Desculpa, eu sei que não deveria estar assim, é que isso mexe tanto comigo, tanto..." Ela tentava recuar o choro. "Eu não quero ficar mais assim Lauren, eu não aguento mais ficar assim, daqui a pouco todo mundo vai começar a se perguntar o que está acontecendo conosco e eu não quero ter que explicar para as pessoas que nos conhecem que você está assim, porque eu deixei escapar no impulso que eu beijaria você e ter que lidar com sua reação sobre isso está sendo torturante, desculpa por querer isso as vezes, eu não controlo caramba" falava com raiva e ao mesmo tempo magoada. "Eu sei que uma pessoa como você não se interessaria por uma pessoa como eu, mas tentar me beijar por dó ou me usar como distração não é uma coisa legal, dói cara, eu não sou uma pessoa sem valor para ser tratada assim".

"Camz, Camz..." Tentei quebrar seu próprio monólogo. "Não foi isso, foi a bebida, desculpa ter chegado em você dessa forma, eu não sei o que aconteceu" ela recuava o choro e passou a prestar atenção em mim. "Eu só não quero que nós fiquemos assim, eu não sei o que está acontecendo, mas o fato de quase ter acontecido algo, nos deixou assim..." Dessa vez eu segurava o choro. "Eu acho que devemos ignorar isso, pelo menos agora, pelo menos até nós entendermos o que está acontecendo".

"Se eu fizer isso, se eu ignorar tudo, deixar isso para lá, você voltará a ser minha amiga?" Camila pediu como uma criança que implorara a mãe um brinquedo novo em troca de um bom comportamento.

"Sim, apesar de nunca ter deixado de ser" respondi estupidamente por falta de argumentos.

"Isso é tão ruim para você?" Ela me questionou. Eu sabia que ela estava falando sobre o beijo.

"Não, você assim é ruim para mim, eu só estou topando qualquer coisa imediata para não te ver assim". Respondi rapidamente.

A porra da energia drenada de meu corpo enquanto meus pensamentos frenéticos tentavam descobrir como fazê-la feliz, e cada ato, cada tentativa era recebida com um suspiro triste. Um suspiro de você simplesmente não entende.

"Ok, Lo" ela usou meu apelido, isso me deixava em partes um pouco mais aliviada.

"Ok?"

"Ok!"

Eu estava envergonhada com a lembrança de mim – a garota pequena, rastejante, curvada, bajuladora que me tornara. Então eu não era romântica; não era nem sequer agradável. Passou alguns minutos e pude sentir a respiração pesada de Camila, o que indicava que havia dormido, não só em minha cama, mas em meus braços.

Camila é um enxame em minha cabeça: Camilacamilacamilacamila! E quando imagino a mente dela, ouço meu nome como um tímido Ping cristalino que ocorre uma vez por dia, talvez duas, e some rapidamente. Só queria que ela pensasse em mim tanto quanto penso nela.

Isso é errado? Já nem sei mais.

-xx-

Olá gente, eu sei, postei tarde, mas enfim, o capítulo ficou gigante como vocês perceberam, por isso demorei. E bem, vou postar agora nos domingos ao invés de postar nas quartas porque agora que minha aulas voltaram na faculdade, eu estou sem tempo algum para fazer as coisas em dias de semanas. Aí escrevo o capítulo no decorrer da semana e posto no domingo, yay! Espero que tenham gostado e se gostou, comentem galera, eu gostaria de saber o que vocês tem achado e se puder, votem também. É isso aê. Quem quiser, pode falar comigo no twitter (cnotcabello) e obrigada a todos que tem comentado da Fanfic por lá e divulgando, vocês são umas lindas. É isso, até o próximo. 


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