Chego em casa exausta, ainda coberta de tinta dos jogos internos da escola. A ligação apressada do meu pai ecoava na cabeça, mas tudo que eu queria era respirar um pouco. Decido ficar na varanda, longe da bagunça e do barulho.
— Filha, que bom que chegou — ouço a voz da minha mãe vindo da sala.
— Oi, mãe. O que aconteceu? — pergunto, enquanto tiro o tênis com pressa, sentindo a inquietação crescer.
— Vamos nos mudar — ela diz com uma calma absurda, como se estivesse comentando sobre o tempo. — Vai tomar um banho e comece a arrumar sua mala.
— Mudar? Como assim mudar? Mudar pra onde??
Meu coração dispara. Passei a vida inteira aqui. Essa cidade, esses amigos, essa rotina — tudo faz parte de quem eu sou. Por que mudar agora? E por quê tão de repente?
— Vamos para o Pará, meu amor — meu pai entra na sala, ficando ao lado da minha mãe, como se aquela frase fosse algo simples.
Mas nada parecia simples naquele momento.