Pov Sunshine
Minha semana está sendo uma loucura por conta do casamento e tudo que envolve ele.
Mesmo sendo uma festa de casamento pequena está dando um grande trabalho.
Minha mãe, tia Jane e Helena estão na linha de frente, e juntamente com elas eu e o Thomas estamos organizando.
Faltava apenas duas semanas para o grande dia, e eu estava bastante ansiosa. Já havia escolhido meu vestido e sapatos, e estava feliz com eles.
Como seria um casamento pequeno decidimos por poucos padrinhos, Milla e Aisha e Kevin e Sarah.
E a lista de convidados foi bastante reduzida, só a nossa família e alguns amigos.
Queríamos comemorar realmente só com quem amamos ou fizeram parte da nossa história.
E decidimos passar a nossa lua de mel na casa de campo do Thomas, aproveitar um tempo a sós naquele lugar maravilhoso com uma cachoeira a nossa disposição.
E também já resolvemos praticamente toda a nossa mudança para nossa casa. Thomas já colocou o seu apartamento a venda e estava passando mais tempo comigo em casa.
Nós só iríamos para a nossa casa definitavente após a lua de mel. E antes do casamento ainda tinha a festa de um ano da Luna.
É um verdadeiro milagre ela estar viva e completando um ano, e deve ser comemorado. Ela está cada dia mais linda e esperta. Luna parecia tanto com a Amélia, uma verdadeira cópia da mãe bebê.
Helena anda tão decepcionada com a falta de participação dos pais da Amélia na vida da Luna, eles não fazem questão nenhuma de estar perto da neta.
Aprendi na pele desde cedo que família é muito mais que sangue, família são as pessoas que nos amam e escolhem sempre estar com a gente.
Bryan adotou a Luna como sua filha, e a ama com todo seu coração, sem nem mesmo ter um laço de sangue com ela.
Assim como meus pais, que formaram a nossa família, eu não conseguiria imaginar minha vida sem a Aisha por perto, porque ela é minha irmã e sempre vai ser.
Meu pai me amou e me adotou como sua filha, mesmo eu sendo fruto de outro relacionamento da minha mãe.
Mesmo não concordando com a forma que fizeram, nunca me faltou amor e James foi e sempre será meu pai, assim como o Robert.
E graças a Deus hoje eu tenho a minha família completa comigo, mesmo depois de tantas mágoas e ressentimentos.
E sei que lá do céu a minha vó está tão feliz pela nossa família estar completa e feliz. Só lamento tanto ela não ter presenciado isso em vida.
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Escuto o sino da porta e sorrio ao ver Natasha adentrando a lanchonete com uma menina linda nos braços.
Me levanto e a abraço rapidamente antes de nos sentarmos juntas.
- Oi Sunshine, obrigada por vir. - Disse ela ajeitando a criança no colo.
- Oi Natasha, imagina. Como você está? - Perguntei.
- Estou bem e você? - Perguntou ela.
- Estou bem. Quem é essa mocinha linda? - Perguntei e mocinha sorriu grande me fazendo derreter.
- Essa é a Felicity, minha filha. - Disse ela e eu sorri.
- Oi Felicity, você é tão linda! Eu sou a Sun. Quantos anos você tem? - Perguntei.
- Quantos anos você tem filha? - Perguntou ela.
Felicity fez dois com os dedos envergonhada nos tirando uma risada.
- Isso tudo! Já é uma mocinha mesmo. - Disse.
- Sim e logo ela completa três, e já está falando muito, só que agora está envergonhada. - Disse ela.
- Sei como é, mas em pouco tempo tenho certeza que vamos estar conversando muito uma com a outra, não é Felicity? - Perguntei e ela balançou a cabeça concordando nos fazendo rir.
- Vamos pedir um café e lanchinho pra ela? - Perguntei.
- Claro. - Disse Natasha.
Fizemos os nossos pedidos e aos poucos Felicity estava ficando mais a vontade.
- Como estão as coisas? - Perguntei.
- Não muito boas sabe? Tudo é questão de tempo e é um pouco assustador, ainda mais tendo a Felicity que ainda depende tanto de mim. - Disse.
- Desculpa perguntar, mas e o pai dela? - Perguntei.
- Infelizmente ele morreu antes dela nascer, não estávamos mais juntos, mas foi muito difícil. - Disse ela.
- Eu sinto muito por isso! - Disse segurando a sua mão por cima da mesa.
- Tudo bem, já tem tempo. Ela só tem a mim. - Disse ela.
- E a sua família? - Perguntei.
- Não tenho, não tive pai e minha mãe faleceu alguns anos atrás. - Disse ela.
- Eu sinto muito mesmo. Não tem nenhuma rede de apoio? Ninguém para te ajudar com a Felicity? - Perguntei preocupada.
- Não, eu nem sempre fui uma pessoa fácil de lidar, e nem cultivei muitas amizades. Mas graças a minha mãe tenho uma boa condição financeira e tenho como pagar babá quando preciso. - Disse ela.
- Entendo. - Disse.
- Eu venho conseguido lidar e me virar bem até agora, só que não é o agora que me preocupa e sim o depois. Eu não sei quanto tempo eu tenho, pode ser meses, mas pode ser semanas também. Tem dias que eu acordo sentindo tanta dor... Quando chegar a hora, eu só preciso estar tranquila pra partir. E eu só vou estar tranquila se souber que a minha menina vai ficar bem, em uma família boa que possa amá-la assim como eu amo. - Disse ela emocionada me encarando com muita intensidade.
- Você está sugerindo... - Disse sem conseguir terminar.
- Sim. Eu queria que você cuidasse e adotasse ela assim que eu me for. Eu sei que deve estar achando isso uma loucura, nós não nos conhecemos. Mas todas as vezes que foi no grupo de apoio e contou a sua história... Você me tocou. Sei que você sonha em ter filhos e isso pode ter sido tirado de você por conta do câncer. Eu só tenho essa sensação, sinto no meu coração que você e seu noivo são as pessoas certas pra isso. Não quero que Felicity acabe em um abrigo. - Disse ela.
A encaro sem palavras ainda, mas totalmente atordoada com seu pedido.
- Me perdoa, eu só estou... Eu realmente não esperava isso. - Disse.
- Eu entendo, eu vim com uma bomba dessa pra cima de você. Não quero que me responda agora, só te peço que pense com carinho e converse com seu noivo também. - Disse ela.
- Vou fazer isso. Eu realmente sinto muito por você estar passando por isso Natasha.- Disse.
- Eu também. - Disse ela.
Me levanto e vou até ela a puxando para um abraço apertado. Felicity fica imprensada entre a gente e reclama.
- Desculpa linda. - Disse me afastando sorrindo pra ela.
Voltamos a nos sentar e nossos pedidos chegaram. Comemos e Natasha me contou sobre a sua gravidez e o primeiro aninho da Felicity.
E escutei com atenção, depois a seu pedido contei um pouco mais sobre a minha história.
Terminamos o nosso café e eu paguei a conta.
- Eu preciso ir ao banheiro, pode ficar com ela enquanto isso? - Perguntou Natasha.
- Claro. - Disse.
Ela se levantou e deixou a Felicity no meu colo e foi até o banheiro. Ajeitei ela no meu colo e ela se virou pra mim com olhos curiosos.
- Gostou do lanchinho? - Perguntei.
- Sim. - Disse ela e bateu palminha me fazendo sorrir grande.
Ela estendeu a mão e pegou nos fios da minha peruca e riu, depois levou a sua mão até o meu rosto e fez um carinho desajeitado.
Sorrio e a agarro e dou vários beijos no seu rosto a fazendo gargalhar.
- Que risada gostosa! - Disse fazendo cosquinha na sua barriga.
- A mais linda do mundo. - Disse Natasha chegando.
- Com certeza. - Disse.
- Vamos pra casa filha? - Perguntou ela estendendo o braço pra Felicity.
Felicity se jogou pros braços da mãe, me levanto e abraço mais uma vez.
- Vou pensar na sua proposta, te prometo que te retorno com uma resposta o mais rápido possível. - Disse.
- Obrigada, de verdade. Adorei falar com você e a Felicity adorou o passeio. - Disse ela.
- Eu também. - Disse.
- Vou indo, nos vemos depois. - Disse ela e saiu.
Suspiro e pego meu telefone, vejo uma mensagem do Thomas dizendo que estava trabalhando e que me veria mais tarde.
Saio da lanchonete e caminho até o meu carro, entro e dou a partida. Faço o caminho até a minha casa.
Chegando eu entro ainda atordoada com o encontro com a Natasha e o pedido dela.
Acabo esbarrando forte com o meu pai e só não caio porque ele me segura.
- Filha, está tudo bem? - Perguntou ele.
- Oi pai, sim. Só estou um pouco distraída, desculpa. - Disse.
- Tudo bem, mas acho que você está precisando conversar, vem comigo. - Disse ele me levando até o sofá e em seguida sentou comigo.
- O que aconteceu? - Perguntou ele.
- Eu estava tomando café com a Natasha, ela faz parte de um dos grupos de apoio que eu frequentei algumas vezes por causa da campanha. Ela está em estágio terminal, não há mais nada a ser feito. - Disse.
- Eu sinto muito Sun. - Disse ele.
- O pior é que ela tem uma filha, conheci ela hoje, Felicity. Só tem dois anos e é um amor e logo vai ficar órfã. - Disse.
- É realmente muito triste, não consigo nem imaginar o sofrimento dela, das duas né. - Disse ele.
- Sim, é uma situação muito difícil. E ela não tem família e nem mesmo um amigo próximo. A maior preocupação dela é partir e deixar a Felicity sozinha... - Disse sentindo o meu coração mais pesado em pensar na Felicity em um abrigo.
- Imagino como deve estar o coração dela, é uma situação horrível. - Disse ele.
- Oi, está tudo bem? - Perguntou minha mãe descendo as escadas.
- Sim, não é nada comigo mãe. - Disse secando uma lágrima que deixei cair.
- Como assim? Você parece triste. James, o que foi? - Perguntou ela se aproximando.
- Não se preocupe mãe, estou assim porque encontrei uma amiga de um dos grupos de apoio e ela está em estágio terminal e tem uma filha pequena. Essa situação toda mexeu comigo, só isso. Depois falo melhor com vocês, preciso de um banho. - Disse me levantando.
- Tudo bem, mas sabe que pode falar com a gente sobre qualquer coisa sempre que precisar. - Disse ela.
- Eu sei, obrigada. Eu amo vocês! - Disse e subi direto pro meu quarto.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem pro Thomas falando que precisava conversar com ele.
Depois me desarrumei e tomei um banho rápido, me vesti e escutei batidas na porta.
Ao abrir vejo a minha mãe e ela não diz nada, só me abraça e eu retribuo.
- Será que agora você pode me contar o que está te preocupando, não é só isso que você nos contou né? - Perguntou ela assim que nos afastamos.
- Não. - Disse e me sentei na cama sendo seguida por ela.
- Natasha quer que eu e o Thomas fiquemos com a Felicity quando ela se for... - Disse.
- Sério? - Perguntou surpresa.
- Sim, conversamos muito hoje. Ela acredita que eu sou a pessoa perfeita para ficar com a Felicity, no pouco que me conheceu no grupo de apoio. E isso me pegou de surpresa, eu nunca iria imaginar que ela me pediria isso. Ela tentou abordar isso de uma forma calma, mas deu pra perceber o desespero dela. - Disse.
- Eu consigo entender ela, é compreensível o desespero dela Sunshine. E ela não vai conseguir descansar enquanto não tiver certeza de que a filha dela vai estar bem e segura. E a perspectiva de um abrigo não dá essa segurança pra ela. - Disse ela.
- Eu sei, mas entende como isso me pegou de surpresa. Como eu poderia esperar algo assim? Como eu posso simplesmente aceitar assim? Não é uma brincadeira, ela está pedindo para eu também ser a mãe da Felicity. E sabe que isso não envolve só a mim como o Thomas também, vamos nos casar já já. Não é uma decisão fácil, mas ela me deixou em uma situação horrível pra uma possível recusa, mesmo que eu entenda seu desespero. - Disse.
- Você precisar conversar com o Thomas sobre isso, mas o mais importante é que você siga seu coração Sunshine, sei que vai tomar a melhor decisão, independente de qual seja ela. - Disse ela.
- Você sabe o quanto esse assunto ainda me machuca, sabe, filhos... Sempre foi meu maior sonho, e eu quero construir uma família com o Thomas. Até pouco tempo eu ainda nutria esperanças de que poderia engravidar... Mas eu já aceitei que não é mais uma possibilidade. E eu aprendi com você e meu pai que eu posso sim realizar esse sonho de outra forma, que eu posso amar sim uma criança que não tem o meu sangue, assim como vocês amam a Aisha e a mim. - Disse.
- Com certeza filha, há várias formas de ser mãe, mas pode ter certeza que o amor é igual. Então conversa com calma sobre isso com o Thomas, pois caso vocês decidam acolher a Felicity, saibam que não vai ser uma adoção comum e vocês vão enfrentar algumas dificuldades, até porque o processo até a partida da Natasha vai ser difícil e pode levar bastante tempo. - Disse ela.
- Pode deixar, obrigada mãe! - Disse.
- De nada meu amor. - Disse ela.
- Eu te amo! - Disse.
- Eu te amo muito mais! - Disse ela e deixou um beijo na minha testa antes de deixar o quarto.
Suspiro e jogo meu corpo pra trás deitando na cama. Não sei quanto tempo fico encarando meu teto pensando, mas acabo caindo no sono.
Acordo assustada com o barulho de uma chuva forte que caia, levanto e vou até o banheiro.
Faço as minhas necessidades e aproveito pra me refrescar em um banho rápido.
Assim que termina visto o meu pijama e saio do quarto. Desço e percebo que a casa estava silenciosa.
Vou até a cozinha e me assusto ao ver o Thomas comendo um sanduíche sentado a mesa.
- Oi, há quanto tempo está em casa? - Perguntei me aproximando.
- Oi amor, deve ter quase uma hora. Como você está? - Perguntou ele e eu selo nossos lábios antes de sentar ao seu lado.
- Estou bem. Por que não me acordou quando chegou? - Perguntei.
- Você estava em um sono pesado, preferi deixar você descansar. Também fiz um pra você. - Disse ele me estendendo outro sanduíche.
- Obrigada. Como foi o trabalho? - Perguntei.
- Cansativo, mas tudo correu bem. Só fiquei preocupado com a sua mensagem. Como foi com a Natasha hoje? - Perguntou ele e eu suspirei.
- Um pouco intenso demais. Nem sei por onde começar. - Disse e comecei a comer.
- É sobre ela que quer conversar né? Você está estranha, o que aconteceu?- Perguntou ele.
- Ela levou a sua filha também, Felicity, ela tem dois anos e é uma criança linda. - Disse sorrindo fraco.
- Nome bonito. - Disse ele.
- Sim, e ela é linda também. E como você sabe, Natasha está em estágio terminal. - Disse.
- Sim, imagino como deve estar sendo difícil pra ela, ainda mais com uma filha tão nova. - Disse ele.
- Pois é, não está sendo nada fácil pra ela, ainda mais que não tem ninguém para ajudá-la. Ela não tem mais família, e nem mesmo amigos próximos, e Felicity não tem mais o pai. Ela vem se virando com babás nesse últimos meses, mas a preocupação dela está sendo no depois, em quando ela faltar pra Felicity. - Disse.
- Entendo, não tem como não se preocupar. Imagino como essa história está mexendo com você meu amor. Mas como ela pretende lidar com isso? - Perguntou ele.
- Era exatamente sobre isso que eu queria conversar com você. Ela quer que a gente seja tutores legais da Felicity, para quando ela se for... Ela quer que fiquemos com ela amor. - Disse e percebo que ele ficou surpreso.
- Sério? - Perguntou ele.
- Sim, eu também fiquei surpresa Thomas. Mas ela realmente quer isso. Ela falou que sentiu que éramos as pessoas certas pra isso. Diz que ficou tocada com a minha história e que confia em mim mesmo não me conhecendo direito. - Disse.
- Nossa! Eu realmente não esperava por isso. O que falou pra ela? - Perguntou ele.
- Que iria conversar com você a respeito disso e que iria pensar também. Não é algo tão simples, é a vida de uma criança... E é uma coisa que temos que decidir juntos, nós somos uma família agora, e eu não posso embarcar nessa história sem seu apoio amor. - Disse.
- Você acha que somos capazes Sun? E principalmente, você quer? - Perguntou ele.
- Eu não sei, no pouco que a conheci, Felicity é um amor e me parte o coração saber que ela em breve pode perder a mãe. Não sei o que fazer... Eu quero muito ajudá-la. - Disse.
- Então vamos ajudá-la Sun. Sabe o que podemos fazer? Vamos chamar a Natasha e Felicity para um almoço ou algo assim, para eu poder conhecê-las e conversarmos mais sobre o assunto, certo? - Perguntou ele segurando a minha mão.
- Certo. Eu amo você, sabe disso né?- Perguntei e sorri fraco.
- Eu te amo muito mais! - Disse ele deixando um beijo na minha bochecha.
Oii gente. Espero que tenham gostado do capítulo.
O casamento da Sun e do Thomas está se aproximando 👏🏽👏🏽
E em meio aos preparativos a Sunshine foi pega de surpresa pelo pedido da Natasha.
Esse encontro dela com a Natasha com certeza vai mudar a vida dela e do Thomas.
Votem e comentem.
Bjos ❤️