Hey, meus amores! Estou de volta. Com o TÃO ESPERADO CAPÍTULO!!!!!!!
Juro que quase me afoguei de tanto chorar com esse daqui. Espero realmente que gostem e sintam o que tentei passar.
Estou postando por 3g roteado da minha irmã, então me amem.
Acho que não tem nada mais a dizer. Um muito obrigada especial a bluedarker, que me entrevistou sobre a fic, eu estou MUITO animada para que seja postada! Vou publicar o trabalho delas e o link quando estiver disponível, para que leiam, conversamos sobre o futuro da fanfic e outras coisas bem legais. No twitter, a louiskitten91, que foi uma fofa comigo e disse coisas incríveis! E a anafla e a jesusol, do grupo unholers, que são uns amores. E, claro, a minha namorada, manoela, que sempre me apoia, independente de tudo.
Esse capítulo vai ser basicamente pensamentos e drama. Obrigada, mamãe ama vocês.
Dèjá vu – do francês "já visto". Uma falha cognitiva neurocerebral, conexões falsas criadas pelo cérebro que emitem impulsos nervosos sensitivos, fazendo com que se tenha a impressão de já ter presenciado determinada cena. O cérebro porta diversos tipos de armazenamento memoriais, de curto e longo prazo. Quando exposto a situações irrelevantes ou de estresse crônico, a memória de curto prazo armazena informações que logo serão descartadas. No entanto, um lapso temporal faz com que haja um erro na transmissão sensorial dessas memórias, fazendo com que sejam armazenadas na memória de longa duração. Quando exposto a uma nova situação, semelhante em diversos aspectos com a anterior, a memória é ativada, originando percepções equivalentes.
No entanto, o dèjá vu não é única e especificamente relacionado a ciência. É relacionado ao passado, presente e futuro – a conexão entre a realidade e a fantasia. O ocorrido e o imaginado. Era a ligação tênue entre os sentidos mais primitivos, comumente ignorados. Eram as possibilidades do inusitado, do paralelo. Universos distantes e paralelos, onde infinitos outros seres revivem as lembranças, mandando intervalos remanescentes que atingem o espírito. Ao mesmo tempo, todas as explicações e nenhuma sequer.
Louis não acreditava em dèjá vu – a ciência inexplicavelmente intrigante não era suficiente para lhe convencer da existência de outros universos. Acreditava no destino, incerto e descrente. Tudo acontecia por uma razão. Cada escolha contribuía para o percurso natural da vida. Louis não acreditava em outras vidas, ou outras ilusões. Para si, a universalidade única prescrevia o inevitável e o inédito.
No entanto, sua mente nublou-se quando a voz alcançou seus ouvidos. Teve de piscar, sentindo o arrepio percorrer toda sua coluna. Ele já tinha passado por aquilo. Já tinha ouvida estas mesmas palavras. Os mesmos sentimentos tinham desabrochado. Seus dedos tremiam, e seu maxilar doía por forçá-lo a se fechar. Estava confuso, enquanto os soluços implodiam em seu pulmão. Os olhos, agora úmidos pelas lágrimas que escorriam sem ser detidas, piscavam com rapidez. Sua cabeça pesava.
Um maldito dèjá vu – ele já havia estado naquela situação antes.
E então, lembrou-se. Um lampejo, um átimo de segundo. Sua boca estremeceu. Não gostaria de se lembrar, mas, paralisado pela recordação, se viu novamente no quarto branco. A angústia apertando seu peito, a garganta se fechando interruptamente. Seus dedos coçaram, as cicatrizes ainda abertas machucando-o.
Sim, ele já tinha presenciado aquilo.
"– Louis?".
Piscou. Estava novamente na sala escura. O silêncio só era quebrado pelas respirações desreguladas. Louis engasgou, tentando afastar as memórias, desmembrando-as, enquanto pulsavam em sua mente. O velho quarto de hospital misturava-se com o cômodo caliginoso. Entretanto, os sentimentos em seu peito mesclavam-se de maneira inegável. Lembrava-se, tão claramente quanto podia, vivendo em flashbacks contínuos e interruptos.
Dor. Tristeza. Arrependimento. Alívio. Angústia. Desespero. Agonia.
Louis soluçou alto. Harry o fitou, atônito. Seu próprio subconsciente tentava desesperadamente acordar do transe, livrar-se da ilusão. Mas os gritos agonizados só mostravam o quão real ele era. Louis realmente estava ali – o seu Louis.
O garoto menor deu outro passo vacilante. Sua mente estava melancólica. Estava travando inúmeras lutas internas, forçando-se a andar. Seus músculos, enquanto implorantes pelo contato, pelo calor, pelo toque que tanto ansiava, ao mesmo tempo recuavam, resguardando-se em si próprios. Louis sentia-se ofegante, como se estivesse correndo maratonas infinitamente. Queimavam, inflavam.
Ele não se importava. Apertou as mãos trêmulas, uma destas segurando protetoralmente o quadro contra seu corpo. Engoliu em seco, obrigando-se a andar. Cada passo dado aumentava a tensão. Fechavam-se em uma bolha, e era difícil respirar. Mas Louis não se importava – ele precisava de Harry, tão desesperadamente quanto precisava respirar.
A distância diminuía gradativamente. Harry se virou, inconsciente. Seu coração falhava uma batida a cada passo dado. A escuridão parcial submetia-o a aguçar a visão para que pudesse enxergar a sombra do garoto. Entretanto, não era como se realmente precisasse vê-lo – Harry guardava em sua mente a imagem perfeita de suas formas.
A luz da janela iluminava um filete do chão. Ninguém ousava quebrar o silêncio – palavras não era necessários naquele momento. Ao estarem no mesmo ambiente, os corpos se atraíam. Peças complementares, polos opostos feitos para se unirem. A química criava um campo de tensão irrefutável. Duas almas permistas, magoadas, quebradas, implorando para se curarem. Era inevitável, afinal. Foram feitos para sanarem todo o suplício um ao outro – mesmos que fossem seus próprios motivos. Não eram duas partes de um todo – eram únicos, indivisíveis.
Harry não percebeu quando a primeira lágrima escorreu. Sentiu o rosto perder a cor, e não conseguia respirar suficientemente. Não conseguia vê-lo, mas o sentia. Sentia sua presença, seu cheiro, incrustado em sua pele. Suas células imploravam para tê-lo, para guardá-lo em seus braços e protegê-lo de todos os males do mundo. No entanto, não podia fazê-lo – o único e maior mal que poderia atingir Louis era si próprio.
Então esperou. Com todo seu coração e mente. Levou como a penitência infernal. Louis era inalcançável. O anjo que descera ao inferno para salvá-lo e levá-lo ao paraíso. Louis era a redenção para todos seus pecados – era o branco, ele era o preto. Louis era o bem, Harry era o mal. E, de maneira perpétua, pertenciam um ao outro.
Assemelhava-se a cada vez – tornando-se única, de certa maneira. Quando os olhos se encontravam, unindo-se de forma afável. A fusão amalgamada de dois amantes perdidos, se alcançando. Onde nada mais interessava, que não fosse a união verídica e completa. Mais que amor – havia a admiração.
Louis já não pensava mais. Suas pernas bambeavam ao sustentar seu corpo, e seus braços guiavam-no em busca do contato que tanto ansiava. Seus olhos turvos avistavam a aproximação da poltrona, enquanto captava a forma perfeita, da maneira que se lembrava. Não pensava em nada mais que não fossem os olhares, os beijos, as juras de amor. Se fosse uma ilusão, então Louis se entregaria de bom grado para a eternidade daquela utopia.
As respirações misturavam-se em ofegos e arquejos. E então, Louis tropeçou nos próprios pés ao trombar na poltrona. Conseguia sentir a aura de calor atingir sua pele. Seu peito se encheu de serenidade, e ele apenas não via como poderia ser errado.
Eventualmente, "lar" não se tratava de um lugar, e sim de uma pessoa. E Louis estava voltando para casa.
Harry sentia o estômago revirar-se. Suas mãos tremiam desoladamente, e seu rosto molhava-se sem que pudesse impedir. Sentia-se fraco, finalmente entrega a saudade e a dor. Estupidamente submisso ao seu próprio sofrimento, implorando por misericórdia.
Louis havia parado acima de seu corpo. Seus olhos se fecharam, e ele deixou que seu corpo fosse dominado e controlado por seus impulsos. Ao fundo, as badaladas da catedral tocavam incessantes, e, em outras casas, pessoas se abraçavam, comemorando o natal. Seu braços estavam pesados, e seus músculos contraíram-se. Jogou-se para frente, em um ímpeto.
E o abraçou.
Pura e simplesmente. Em um instante, tudo desapareceu – não havia mais o mundo a sua volta. Não sentia a gravidade agindo sobre seu corpo, ou as moléculas de oxigênio penetrando e expandindo seu pulmão. Embora seus sentidos tivessem aguçado-se em ultimato, nada mais sentia. Nada lhe atingia, nada lhe importava. Tudo que seu interior clamava era que se afundasse mais e mais contra o corpo esguio e ósseo de Harry. Sentia o seu próprio estremecer com o choro, agora incontrolável. Seus braços pequenos rodearam a cabeça de Harry desajeitadamente, puxando-a para seu peito. Apoiou-se contra sua cabeça, afundando o rosto contra os cachos secos, que, embora cheirassem a cerveja e mofo, nunca exalaram um cheiro melhor. Jogando seu peso contra a poltrona, sentia as lágrimas escorrerem e pingarem sobre o braço, algumas perdendo-se no caminho de seus braços. Inspirava profundamente, tentando controlar os impulsos que lhe sacudiam. Quando se tocaram, pulsos elétricos percorreram suas veias. E havia feito para ser assim.
Enquanto isso, Harry estava paralisado. Esperava quaisquer reações, menos a que se seguiu. No entanto, não ousaria reclamar, sequer dizer algo – apenas queria prolongar o máximo que pudesse daquele momento. Gravar a ferro e fogo em sua memória. Lembrar-se do cheiro, do toque, de cada sensação. Seu peito acalorava por senti-lo uma outra vez. Seus olhos fecharam-se involuntariamente. Desistira de entender, sobretudo. Tudo que lhe importava era Louis.
Sua cabeça apoiada contra o peito do menor parecia acalmá-lo de todos os demônios que o atormentavam há tantas semanas. Sentia-o tremer enquanto o abraçava desesperadamente. Harry só queria retribuir, consolá-lo, dizer que tudo ficaria bem. Não sabia – tinha medo de feri-lo uma outra vez. Engoliu o próprio soluço. Estava escuro, mas, de uma maneira inexplicável, sentia-se iluminado, como nunca outrora. Seu interior pujava de alegria, como mil fogos de artifício. Seu coração batia descompassadamente. Harry finalmente se sentia vivo.
Louis apenas queria apertá-lo mais e mais, até que se unissem em um só corpo. O quadro, esquecido em uma de suas mãos, cruzava nas costas do maior. Harry deixou-se levar. Com delicadeza, ergueu os braços, hesitante. Pouco a pouco, aproximou-se da cintura do menor. Quando a tocou superficialmente, ouviu-o suspirar. Seus olhos apertaram um pouco mais, enquanto o rodeava por completo. Seus braços, emoldurados perfeitamente, encaixaram-se de forma ideal. Criado para aquilo. Prendeu os pulsos, apertando-o contra sim.
Unidos, feitos para nunca se separarem. Como tinha de ser. Louis sentiu cócegas, apertando-o contra si com toda sua força. Preocupou-se em estar machucando-o. Quando percebeu que não estava retribuindo, algo dentro de si se quebrou novamente. Mas, então, sentiu seus braços, firmes, contra sua cintura. Primeira suave, depois arrebatadoramente. E então, o alívio. Sentia-se, afinal, protegido. Completo. Sua mente clareou, e de seu peito foram arrancados dezenas de quilos. Sentia-se flutuar.
Ambos choravam. Harry, passados alguns segundos, puxou-o para mais próximo de si, tanto quanto conseguia. As mãos prenderam-se tal qual um cadeado, jurando a si mesmo nunca mais deixá-lo partir. Permaneceram na mesma posição por infinitos segundos – ou seria horas? Não ligavam. O mundo havia parado. O universo estagnara, realocando-se em sua órbita correta. Eram parte de um mesmo satélite, acoplados sob uma mesma estrela. Louis era sol, Harry era sua lua.
– Harry.
O sussurro de Louis penetrou seu ouvido, instalando-se em sua mente, ecoando. Suspirou. Sonhava, a cada maldita noite, com sua voz, escutando-a em sua cabeça. A melodia suave de anjo, chamando por seu nome. Balançou a cabeça, afundando-se contra o tecido. Ele apenas desejava que aquele sonho não acabasse. Que a realidade não o puxasse de volta.
– Eu estou aqui, meu amor, eu estou aqui. – murmurou repetidas vezes, ouvindo-o soluçar novamente. Chorou junto. Mas não era um choro de tristeza. Estava lavando sua alma.
Louis não podia contar quantas vezes imaginara aquela cena, em sua mente. Devaneios e sonhos, misturados a seus pesadelos. Ele apenas ansiava estar naqueles braços novamente, mais uma vez. Sonhava com o dia em que Harry acalmaria seus prantos, beijaria suas lágrimas. O dia em que sentir-se-ia completo novamente. Finalmente, era como se não houvesse mais tristeza – como se nunca mais fosse sentir frio, porque sentia-se plenamente aquecido.
O menor afastou-se lentamente, tornando a abrir os olhos. Harry gemeu interiormente, não querendo quebrar o contato. Temeu que Louis tivesse se arrependido, mas, ao sentir os lábios suaves contra sua bochecha, sentiu o corpo derreter-se. Sorriu involuntário. O primeiro sorriso genuíno que dava em meses. O sorriso que repuxara sua pele, fazendo-lhe doer a bochecha. Não se importava. Louis também o fez. Sorriu torto, mínimo, mas um sorriso que iluminou tudo a sua volta. Se inclinou e depositou um longo beijo sobre a covinha de Harry. Depois desde, começou a distribui-los sobre toda a extensão de sua face. Sobre seus olhos, nariz e testa. Sobre seu queixo. Beijos demorados, saboreando a textura. Harry mantinha os olhos fechados, e sorria. Sorria tanto que machucava. Sorria da mais pura felicidade.
Cada beijo dado selava uma nova e silenciosa promessa. Carinho. Confidência. Zelo. Admiração. Proteção. Segurança. Amor.
Perdão.
Louis se afastou, os olhos marejados, as mãos espalmadas contra seus ombros. Harry o fitou lentamente, absolvendo o azul-celeste, agora brilhante, de suas órbitas. Para o cacheado, os olhos de Louis eram pequenas joias. Duas belas e preciosas safiras. Mergulhou na imensidão do mar calmo que refletia no brilho das íris. O Tomlinson, por sua vez, embebedava-se das esmeraldas que o fitavam. O lampejo era doce e admirável.
Se inclinou com leveza, aguardando. Harry o entendeu – esticou-se, tocando seus lábios com afeto, provando, novamente, do mel brando. Arrepiaram-se. Tal qual a primeira vez. Cada toque naquela noite era uma nova primeira vez. Estavam se apaixonando novamente.
Louis repreendeu um suspiro em sua mente. A boca macia de Harry amoldava-se com uma perfeição assustadora contra a sua. Um beijo singelo, carregado de sentimento e palavras não ditas. O garoto menor levou suas mãos até o rosto do outro, acariciando com o dedão. Harry apertou levemente seus braços contra a cintura deste. Era carinhoso e paciente.
Harry conseguia sentir o gosto doce, misturado com o salgado das lágrimas. Cereja e menta. O gosto mais prazeroso que havia de experimentar. Louis, por sua vez, podia sentir o gosto amargo de cigarros e álcool, unidos ao sabor natural dos lábios agridoces. A mistura perfeita – nada se equivaleria àquela peculiaridade.
Foi Louis quem – surpreendentemente – aprofundou o beijo. Harry prontamente lhe cedeu espaço, entreabrindo os lábios, deixando-o guiá-los. Quando as línguas se chocaram, houve um suspiro mútuo. Travavam uma dança calma e harmoniosa. O Tomlinson apertava suas mãos contra o rosto, o trazendo para perto de si, enquanto Harry movia um braço para suas costas, espalmando-a. Apertavam-se bilateralmente, e, caso se conectassem em um só corpo, sequer perceberiam. Há muito desejavam aquilo – esperavam por aquele momento.
As bocas chocavam-se saudosas, afagando-se em luxúria. Não se preocupavam em respirar, mantendo-se colados o máximo que podiam, desesperadamente. Há quanto esperavam por aquele beijo – aquele específico beijo. O beijo de reconciliação. O beijo recheado de saudades, de desculpas, de dor. O beijo que os unia novamente em um só. O beijo que os lembrava do quanto se amavam, e de quanto sentiam falta um do outro. Para Louis, de todos os beijos já trocados, aquele era o melhor e inegavelmente mais amoroso deles.
Fosse minuto ou fosse hora, não perceberam o tempo passar. Afastavam-se milimetricamente para que respirassem, ofegantes, mas tão logo voltavam a colar os lábios, nunca tendo o suficiente. Louis usava os dedos para acariciar e afundar-se nos seus tão amados cachos, enquanto Harry fazia desenhos abstratos em suas costas, percorrendo os dedos de maneira aleatória por sua extensão. Queria se tocar, se sentir, não importava como. Não importava nada – nem o passado, nem o futuro. Naquele momento, só queriam usufruir de seu presente.
A madrugada era gélida, e o ar que entrava pela janela balançava as cortinas, sem incomodá-los. Louis, sentindo o pulmão gritar, afastou-se, colando suas testas e permanecendo com os olhos fechados. Estavam inchados de tanto chorar, mas, naquele momento, sentia-se tão feliz quanto nunca. Harry o imitou, respirando pesadamente. Permaneceram no silêncio, mas o garoto sabia que tinha que quebrá-lo.
– Feliz natal. – Louis murmurou, e Harry soltou uma risada baixa, afagando sua cintura.
– Feliz natal, Loueh. – arrastou. Em sua voz, era perceptível seu sorriso – Eu perdi seu aniversário. – comentou. Ambos conversavam em voz baixa. Estavam perdidos em seu próprio universo, compartilhando o calor e as mesmas emoções.
– Está tudo bem. Eu amei o presente. – de repente a garganta do Tomlinson tornou a se fechar, desta vez, de felicidade. Sua voz se perdeu, tornando-se um tanto abafada – E-eu não sei como agradecer. É lindo.
– Shi, não precisa, meu amor. – Harry o interrompeu, abrindo os olhos. O verde e o azul estavam próximos, encarando-se, mergulhando um ao outro – Não sabia o que fazer. Queria algo que... bem, que o lembrasse de mim. – confessou, corando – Pedi ajuda a Zayn, e ele concordou. Foi um professor muito paciente. – sorriu ao recordar-se – Quando ele perguntou o que eu queria desenhar, fiquei com dúvidas. Não saberia escolher a cena perfeita. – murmurou. Louis depositou beijos cálidos em seus lábios, também sorrindo. Uma lágrima perdeu-se em seu rosto, mas era de emoção.
– E então decidiu desenhar a primeira vez que me viu? – o rosto de Harry esquentou e, para o garoto menor, nada naquele mundo seria tão lindo.
– O momento em que meus olhos te encontraram, naquela multidão. Me perguntei se não estava delirando, quando te vi. Parecia lindo demais para ser real.
Louis alargou o sorriso, não se importando se seu rosto doía. Continuava a abraçar Harry, e suas pernas já estalavam por estarem na mesma posição por tanto tempo. Ele apenas não ligava – o verde orbitante dos olhos que o encaravam com tanta adoração eram, com certeza, mais importante.
O quarto mergulhou no silêncio novamente. Permaneceram se encarando. Louis esquadrinhava o rosto de Harry, ressaltando em sua mente cada detalhe, gravando-os. A simetria perfeita de cada ângulo. Parecia magro demais, para sua preocupação. Sua mandíbula ressaltava-se de tal maneira que cortou o coração do mais velho. Tinha vontade de guardá-lo em seus braços para sempre. Harry, por outro lado, se perguntava se, no mundo, havia alguém com tamanha beleza de Louis. Seu peito se apertava com a possibilidade de perdê-lo novamente.
– Lou, eu... – começou, a voz embargada, mas Louis o calou, colocando o dedo indicador sobre sua boca.
– Não. Não precisa. – murmurou docemente – Vamos ter muito tempo para isso depois. Eu só... estava sentindo sua falta. Acho que não consigo mais sem você. – admitiu. Harry sentiu algo em seu estômago explodir de felicidade.
Com um movimento repentino, puxou Louis para seu colo. O garoto desequilibrou-se e caiu, soltando um grito surpreso, seguido de uma risada. Passou os braços pelo pescoço do cacheado, apoiando sua cabeça contra o peitoral, inalando seu cheiro. Harry acomodou-o, aninhando-o contra si, os braços o segurando de forma protetora. Beijou o alto de sua cabeça, murmurando para si, em silêncio, agradecimentos inteligíveis.
Harry não era um homem devoto, mas, naquele momento, sentiu que poderia se ajoelhar e fazer a maior de todas as orações. Porque ele já havia perdido as esperanças. Já havia desistido, entregado a batalha. No entanto, ali estava, uma outra vez, com Louis em seu colo. A coisa mais preciosa em toda sua vida. Fosse Deus ou qualquer outra coisa – não importava. Harry jamais seria capaz de agradecer o suficiente por ter sua vida de volta para seus braços.
– Eu te amo, Louis. – sussurrou em seu ouvido, o peito apertado. Puxou-o para mais perto. O garoto arrepiou-se, soltando um suspiro breve.
Finalmente havia voltado para casa.
– Eu te amo, Harry.