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Lá estava Cellbit, encarando as enormes portas de madeira da mansão da federação, chamar isso de mansão era eufemismo, aquilo era um castelo. Grandes muros feitos de pedra, portas feitas de madeira bruta e grandes vitrais brancos com o símbolo da federação por todos os lados.
Cellbit ainda se arrepende de ter aceitado algo vindo da federação, mas ultimamente as coisas tem cido difíceis pra ele, parece que os demônios não andam se mostrando mais com tanta facilidade ultimamente.
Ele levou suas mãos até o batente da porta, que tinha um formato de urso, e deu duas batidas fortes, ele podia ouvir o som ecoando pelas paredes de pedra do castelo, não demorou muito até alguém atender.
- Senhor Cellbit? - Um mordomo o atendeu, ele usava roupas completamente brancas e uma máscara sem rosto, meio assustador ele diria.
A "federação" como eram chamados, era uma das organizações mais ricas do reino de Quesadilla, o motivo de toda a sua riqueza é um mistério. Tudo que se sabe sobre a federação é que desde que ela colocou os pés no reino, eventos sobrenaturais começaram a acontecer com mais frequência, Cellbit acreditava que era apenas uma coincidência.
- Olá, Cucurucho me enviou uma carta, vocês estão tendo problemas com.. Demônios?
- Me siga senhor. - O Mordomo começou a guiar Cellbit pra dentro da mansão.
O castelo era ainda mais intrigante por dentro, estatuas do Cucurucho feitas de mármore, tapetes brancos, símbolos da federação por todos os lados e aqueles mordomos sem rosto andando pelo castelo. O clima era estranho, todos pareciam robôs, se moviam e falavam de forma estranha.
O Mordomo, que se apresentou como Walter Bob, levou Cellbit até uma sala na ala leste, a sala era coberta por estantes de livros e contava com apenas uma mesa no canto da sala, onde Cucurucho estava sentado.
- Cell, sente-se - Cucurucho disse apontando com a cabeça pra cadeira do outro lado da mesa, Cellbit se sentou. - Sua irmã não vai se juntar a nós?
Cellbit normalmente realizava seus trabalhos junto de sua irmã, Bagi, mas ela tinha outros problemas pra resolver com o caso de uma garota possuída.
- Não senhor, ela tem outro caso pra resolver, mas ela deve chegar em algumas semanas. - Cellbit pegou seu caderno de sua mochila e começou a anotar "Caso federação". - O que você sabe sobre o demônio?
- Ele apareceu na mansão a algumas semanas e matou um de nossos trabalhadores. - Cucurucho não parecia ter pesar algum em suas palavras. - É tudo que sei sobre ele.
- Ele se apresentou com algum nome? - Cellbit disse sem tirar a atenção de suas anotações.
- Roier.
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Depois da conversa com Cucurucho, Walter Bob apresentou Cellbit para alguns dos empregados e o levou até o lugar onde ele vai dormir a partir de agora.
O quarto ficava bem no topo da torre oeste da mansão, tinham estantes vazias e duas camas visivelmente desconfortáveis, pelo menos ele tinha uma cama pra dormir, em sua última missão ele foi obrigado a dormir em um silo, usando palha para se cobrir.
Ele tirou um tempo para organizar seus pertences em uma das estantes e arrumar sua cama.
Cucurucho disse que ele estaria livre pra investigar o castelo amanhã de manhã, então ele teria uma noite pra descansar da longa viagem antes de começar a trabalhar.
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Cellbit acorda de um pesadelo no meio da noite, nada fora do normal, Cellbit tem pesadelos com muita frequência, ele acredita ser uma das consequências de trabalhar com demônios.
- Ah.. minha cabeça dói. - Ele diz se sentando na cama
Cellbit percebe olhando para o chão dois ratinhos olhando pra ele totalmente parados.
- Que porra... - ele se vira para acender sua lamparina.
Dando uma olhada melhor nos ratos, eles pareciam estranhos, eles vestiam roupinhas brancas minúsculas e pareciam ter um bracelete preso nas patinhas.
Cellbit não teve mais muito tempo para observar já que os ratos começaram a correr na direção da porta.
- Ei! Espera! - Ele se levantou rapidamente e começou a correr atrás dos roedores de roupinha.
Um dos ratos eventualmente se prendeu em um corredor sem saída.
- Peguei vocês. - Cellbit disse, mas seu corpo congelou completamente quando sentiu uma mão em seu ombro.
- ¿Qué estás haciendo aquí? (O que você tá fazendo aqui?) - Cellbit se virou pra ver um garoto de óculos e cabelo bagunçado segurando um dos ratos pela calda.
- Porque esses ratos tão de roupa?
- Ellos son.. uhh. mis mascotas! (Eles são.. uhh. Meus bichinhos de estimação!) - O garoto parecia nervoso, Cellbit pode perceber. - Esos pequeños bribones escaparon de la jaula cuando fui a alimentarlos. Gracias por encontrarlos por mí. (Esses merdinhas fugiram da gaiola quando fui alimenta-los. Obrigado por achar eles por mim.)
- Quem é você? - Cellbit estava desconfiado, o garoto ainda parecia nervoso.
- Doied, Yo... uhh.. trabajo aquí. (Doied, eu.. uhh.. trabalho aqui.)
- Você não usa a mascara de trabalhador que os outros usam. - Cellbit chegou mais perto do garoto, examinando ele.
- Mi cargo es más alto que el de esos idiotas de blanco. (Meu cargo é maior que os daqueles idiotas de branco.) - Ele pareceu ofendido. - ¿Vas a interrogarme ahora? Que yo sepa, solo estás aquí para deshacerte de ese maldito demonio. (Vai me interrogar agora? Que eu saiba você só está aqui pra se livrar daquele maldito demônio.)
- Você está certo. - Cellbit limpou a garganta, o que quer que esteja acontecendo aqui, não era parte de seu trabalho e ele não deveria se importar.
- Ve a hacer tu círculo de sal o lo que sea que ustedes, los demonólogos, hagan. (Vá fazer seu círculo de sal ou sei lá o que vocês demonologias fazem.) - Doied saiu levando os ratos consigo.
Cellbit não deveria se importar com o que quer que esteja acontecendo, mas algo dentro dele dizia que tinha algo muito estranho com aquele garoto.
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Cellbit demorou pra achar o caminho pro seu quarto "porque os esse lugar tem tantos corredores que não levam a lugar nenhum?" Mas agora ele finalmente poderia se jogar na cama e-
- Que porra...
Seu quarto estava tomado por uma luz vermelha e totalmente revirado, todas as suas coisas e até os móveis estavam jogados por todo lado. Entrando no quarto ele pode perceber seu caderno de anotações aberto em cima da cama, que foi a única coisa que permaneceu intacta, com algo escrito em vermelho vibrante, a letra parecia quase brilhar na escuridão do quarto.
A luz vermelha foi desaparecendo aos poucos enquanto Cellbit se aproximava da cama e lia as palavras escritas no caderno.
"ellos mienten"