Dulce: Já voltou, Poncho? Nem deu tempo de comer.
Lorena: Assim vai ficar fraquinho, papai, tem que comer.
Poncho: Oi meus amores, ainda não comi, mas é que encontrei alguém lá fora que quer muito te ver, Lo.
Lorena: Quem?
Poncho: Lembra que eu te falei que a irmãzinha Any não queria mais ser irmãzinha?
Lorena: Lembro... Quando ela voltar, vai estar usando roupa igual a titia e sem pano na cabeça, né?
Poncho: Isso mesmo - Ele se aproximou mais e pegou na mão da filha.
Lorena pensou por um momento e chegou a uma conclusão.
Lorena: Meu coração tá batendo muito - Ela colocou a outra mão no peito - É ela que voltou e tá querendo me ver? - Falou ansiosa.
Dulce observava a conversa sorrindo. Achava linda a forma tão pura e intensa com que Lorena amava Anahí.
Poncho: Sim, filha. Ela voltou e está lá fora, eu vim te perguntar se você quer ver ela.
Lorena: Claro que eu quero, eu tô com muita saudade. - Os olhos de Lorena brilhavam, emocionados.
Poncho: Chama ela por favor, Dulce.
Dulce assentiu e abriu a porta.
Dulce: Oi, pode entrar, Any.
Any respirou fundo e entrou rapidamente, parando de frente para Lorena, um pouco distante da cama. Ela sorria e seus olhos estavam marejados, assim como os da menina.
Any: Oi, minha pequena. - Falou com a voz embargada.
Lorena: Any! Você voltou mesmo. - estava emocionada.
Any: Claro que voltei, meu amor. Eu te prometi, lembra? - Ela andou rapidamente e abraçou Lorena.
As duas estavam muito felizes com seu encontro. Dulce e Poncho também ficaram encantados ao presenciar aquele momento.
Lorena: Você tá muito linda sem aquela roupa de freirinha. - Falou enquanto a abraçava apertado - Seu cabelo é lindo e cheiroso. - Ela passou as mãos no cabelo dela - E também muito macio.
Any: Obrigada, você que é linda. - Any se separou do abraço para olhá-la. Secou as lágrimas dela e as de Lorena também. - Como você tá? Fiquei tão preocupada.
Lorena: Eu tô bem, minha barriga já melhorou. E tô muito feliz porque você voltou.
Any: Eu também. Me perdoa por ter ido sem me despedir, eu precisava muito viajar.
Lorena: Eu senti muita saudade, mas sabia que ia voltar. E você não é mais freirinha, o papi me falou. Foi por isso que teve que viajar? Para comprar roupas novas? Podia ter comprado aqui mesmo, eu ia te ajudar. - Concluiu com sua simplicidade de criança.
Os três adultos riram do comentário.
Any: É, foi quase isso. - Respondeu controlando o riso.
Poncho: Gostou da surpresa, Lo?
Lorena: Amei. Agora preciso sair desse hospital para ir passear com a Any.
Poncho: Logo você vai sair. Mas tem que esperar o médico liberar.
Lorena: Tá bom né, fazer o que? - Reclamou - Senta aqui do meu lado, irmãzi... quer dizer, Any - apontou para a cama. -É difícil não te chamar de irmãzinha. - Lorena fez um caretinha.
Any: Chama como você quiser - Any sentou ao lado dela.
Dulce: Já era, agora que a Any voltou, a Lo nem vai querer saber de mim. Eu nem fui convidada para sentar na cama - Fingiu ciúmes, mas estava muito satisfeita por ver Lorena bem e feliz.
Lorena: Ah titia, pode sentar aqui do outro lado.
Dulce: Tô brincando, aproveita sua Any. - Deu uma piscadinha para a menina.
Poncho: Eu vou até a lanchonete e já volto.
Dulce: Vou com você, assim a Any e a Lorena podem aproveitar juntas. Se incomoda de ficar com ela, Any?
Any: É tudo que eu quero. Hoje meu dia vai ser da Lorena! - Falou toda sorridente.
Lorena: Ebaaa!! - Elas se abraçaram outra vez e se encheram de beijos.
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Dulce e Poncho foram até a lanchonete do hospital, pediram sua comida e estavam conversando. Poncho resumiu para Dulce o que tinha acontecido a respeito de Any desde que ela voltou.
Dulce: Essa reação dela com você é mesmo muito estranha. Não tem motivos para isso, você respeitou ela quando disse que seria freira. Eu sei que depois teve toda aquela história da gravidez, a Belinda foi com você no velório da Madre, a Any e a irmã Maite acharam que vocês estavam namorando de verdade logo depois de terminar tudo com a Any. Será que é por isso? - Tentava entender, mas estava cada vez mais confusa.
Poncho: Pode ser... Mas se ela não queria ficar comigo, eu não estava traindo. Não faz sentido.
Dulce ficou pensativa, mas não chegou a nenhuma conclusão.
Dulce: O jeito é vocês conversarem e ela te falar exatamente o que aconteceu.
Poncho: Se ela quiser conversar... -Respondeu, desanimado - Sem contar que agora ela está namorando. Eu nem consigo acreditar que estão juntos, apesar que sempre soube que esse dr. Bernardo a via com outros olhos. Agora eu perdi a Any para ele. E nem sei porquê.
Dulce: Eu não sei como, mas vou tentar te ajudar. - Sabia que Poncho amava Any de verdade e queria muito vê-lo feliz.
Poncho: Obrigado, sei que posso contar com você.
Dulce: Sempre! - Sorriu e ele retribuiu com um fraco sorriso.
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Quando Dulce e Poncho voltaram para o quarto, Any e Lorena estavam dando gargalhadas.
Dulce: Pelo jeito o papo está bom.
Lorena: Eu estava falando para a Any que quero ir na casa dela e ela falou que comprou um montão de sapatos. Eu falei que vou dar umas dicas de moda para ela, agora que ela não é mais freirinha tem que andar sempre na moda.
Any: Essa pequenininha se acha gente grande, né? - Falou dando risada. Poncho ficava bobo vendo aquele sorriso que tanto amava e tanto lhe fez falta. Mas era difícil saber que ela agora era de outro homem.
Dulce: A Any está linda, tenho certeza que está por dentro da moda.
Any: Olha, confesso que conheci um mundo novo nas lojas de roupas e sapatos e estou amando.
Dulce: Precisamos ir às compras juntas - Dulce gostava muito de Any e queria se reaproximar dela, assim talvez também conseguisse entender melhor toda aquela mudança com relação a Poncho.
Any: Claro, vamos sim. Quando a Lo puder passear nós vamos juntas.
Lorena: Eba! Posso ir, papi? Mas você não vai, é um passeio de mulheres femininas.
Poncho estava distraído, parecia hipnotizado olhando para Any, que percebeu e naquele momento também o olhava em silêncio.
Lorena: Papi? Eu sei que ela é linda, mas pode prestar atenção em mim?
Poncho: Oi, filha? -Despertou, olhando a menina.
Any ficou sem graça. Estava cada vez mais difícil ficar perto de Poncho e fingir indiferença.
Any: Eu preciso ir...
Lorena: Você falou que o dia era todo meu, não é justo - Fez bico.
Any: Eu queria muito ficar mais, meu amor, mas esqueci que aqui é um hospital, não posso ficar tanto tempo.
Lorena: Então quando eu for para casa você fica o dia inteiro lá?
Any: Eu... - Ela olhou para Poncho, sem saber o que responder.
Poncho: Você pode ficar o tempo que quiser com a Lorena lá em casa, Any. Vai ser ótimo para ela, se não for te incomodar, claro.
Any: Será um prazer. - Ela não conseguiu deixar de sorrir, o que o fez sorrir também- Então combinado, Lo. Mas enquanto estiver no hospital, apenas visitas rápidas, tudo bem? Você precisa descansar.
Lorena: Fazer o que né... - Ela cruzou os bracinhos e Any se aproximou, enchendo-a de beijos. Depois se despediu de Dulce com um beijo no rosto e ficou sem saber o que fazer perto de Poncho.
Any: Tchau Dul, tchau Alfonso - Acenou de longe e saiu, controlando mais uma vez a vontade de beijá-lo e abraçá-lo.
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Any voltou para visitar Lorena no dia seguinte, mas, como combinado, ficou pouco tempo no hospital. Lorena reclamou, mas aceitou que Any ficaria mais com ela quando estivesse em casa.
No outro dia, Anahí foi para o hospital logo cedo junto com Angelique, que tinha conseguido a vaga de emprego e naquele dia começaria a trabalhar no hospital.
As duas encontraram Poncho na entrada, Dulce tinha dormido no hospital com Lorena naquela noite e ele estava voltando para lá para ficar com a filha.
Poncho: Bom dia. - Cumprimentou as duas.
Any: Bom dia. - A cada vez que ela o via, mais difícil era se controlar para não o abraçar e beijar - Essa é minha prima, Angelique. - Apresentou - Angel, esse é o Alfonso, pai da Lorena.
Angel: Ah, o famoso Poncho! - Ela sorriu e o cumprimentou com um beijo no rosto. Any lançou um olhar raivoso, tentando se comunicar para ela se conter nos comentários. Também ficou enciumada por ela tê-lo cumprimentado com o beijo.
Poncho: Sou famoso? - Ele riu.
Angel: Sim, quer dizer - Any ainda a fuzilava com o olhar - A Lorena é famosa, então consequentemente... - Poncho a cortou.
Poncho: Só por isso?
Angel: Acho que é. - Não continuou o assunto para Any não matá-la de raiva - Bom gente, vou trabalhar. Até mais tarde, Any.
Any acenou com a mão e seu olhar se encontrou com o de Poncho.
Poncho: Ela sabe sobre nós?
Any: Não existe "nós". - Respondeu diretamente, deixando Poncho novamente magoado pelo jeito dela.
Poncho: Você entendeu. Sobre o que tivemos um dia. - Sentiu um aperto no peito ao falar aquilo. Não era nada fácil saber que não havia mais nada entre eles.
Any: Sabe. Mas o que importa, né? É passado, só me importa o presente.
Poncho: Se não importasse você não me trataria desse jeito. Será que pode me explicar o motivo disso? O que aconteceu nesse tempo que você ficou longe para te fazer voltar assim?
Any: Claro, vou te contar. - Sorriu, irônica - Eu aproveitei esse tempo para conhecer tudo que eu não pude conhecer durante os anos que passei no internato, fui a um cinema de verdade várias vezes, à praia, muitas baladas de verdade também, enfim, aproveitei a vida. -Falou de propósito, já que eles tinham feito essas coisas juntos e ela quis mostrar que teve experiências melhores sem ele. - E você? Abandonou outro filho? Porque a Belinda estava grávida que eu sei, ou vai negar?
Poncho: O quê? - Ficou surpreso por ela ter falado aquilo, não sabia que Any sabia da suposta gravidez. - Você só pode estar maluca. Eu nunca abandonaria um filho.
Any: Abandonou uma por dois anos... - Lembrou, cutucando a ferida.
Poncho: Você sabe muito bem como é quando a gente quer fugir de um problema e vai para longe, né? Porque pelo jeito fez igual! - Any cerrou os olhos, ofendida com a acusação - Eu achava que você tinha ido para se concentrar na vida religiosa, mas agora vejo que não foi isso e nem sei porque foi, só sei que de repente você mudou da mulher que me amava para uma que me detesta! Você deve ter tido um bom motivo para fugir também e abandonar todos que te amam, inclusive eu e a Lorena!
Any: Eu nunca abandonaria a Lorena, eu fiz questão de garantir que voltaria, tanto que ela acreditou em mim. Ela sabe que sou confiável, que tenho palavra, ao contrário de você! -Acusou, dura.
Poncho: Quando que te dei motivos para perder sua confiança, me fala? - Ele já estava alterado. Aquele jeito dela insinuar e ofender sem que ele tivesse feito nada estava tirando toda sua paz e o ferindo por dentro.
Any: Me responde primeiro, cadê seu filho que a Belinda estava esperando? E por que não me contou que ia ter um filho com ela? - Ela já estava quase aos berros e o olhava com rancor, se controlando para não chorar. Na cabeça dela, ele sabia muito bem o que tinha feito e estava se fingindo de inocente, o que dava mais raiva. Parecia que continuava tentando enganá-la e ela não podia suportar aquilo.
Poncho respirou fundo, entendendo que talvez fosse esse o motivo. Ela descobriu sobre a gravidez e ficou magoada por ele não ter contado. Começava a fazer um pouco de sentido toda aquela reação. Mas ele não pôde se explicar, porque antes que conseguisse falar Bernardo chegou até eles.
Bernardo: O que está acontecendo? Vocês estão praticamente gritando, isso é um hospital - Repreendeu, porém tentando ser discreto. Havia pessoas ao redor os observando, curiosos. - Any, tá tudo bem?
Any: Não, Bê! - Ela o abraçou. Poncho respirou fundo mais uma vez tentando se controlar e virou de costas, não queria ver aquela cena.
Bernardo: O que foi?
Poncho saiu de perto, voltando para fora do hospital. Precisava se acalmar primeiro para depois ir ver sua filha.
Any: Eu fiquei nervosa com algumas coisas que ele disse, mas já passou - Secou uma lágrima discretamente. Era horrível brigar com Poncho quando na verdade tudo que ela queria era estar feliz ao lado dele.
Bernardo: Não gosto de te ver assim. Mas tenho uma boa notícia. - Separou-se do abraço para olhar para ela.
Any: Qual?
Bernardo: A Lorena vai ter alta hoje.
Any: Que notícia maravilhosa - Ela sorriu - Minha pequena vai ficar muito feliz, ela está entediada nesse hospital.
Bernardo: Vamos lá? Eu estava indo vê-la, a pediatra também vai para dar algumas orientações e assinar a alta dela.
Any: Vamos! - Eles foram caminhando abraçados até o quarto onde Lorena estava.
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