A encomenda

By Bicalhimann

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Gizelly Bicalho chegou ao Rio de Janeiro com o objetivo de matar a filha do empresário Sebastião Ferreira (a... More

Capítulo 1
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Capítulo 35
Capítulo 36
Capítulo 37
Capítulo 38
Capítulo 39
Capítulo 40
Capítulo 41
Capítulo 42
Capítulo 43
Capítulo 44

Capítulo 2

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By Bicalhimann

GIZELLY

Cachoeiro de Itapemirim / Espírito Santo
Há 21 anos atrás...

Seis horas da tarde era o horário pontual para o meu pai reunir meus irmãos, mãe e eu, no intuito de treinarmos as pontarias. Todos os dias, sem exceção. E eu tinha apenas seis anos quando comecei.

- Sua vez, Bilu!- Meu pai disse, assim que meus irmãos miraram os alvos e acertaram.

O objetivo era apagar o fogo do pavio com a bala. A minha vela estava ali, parada e acesa em minha direção. Era uma distância considerável e igual para todos. Petrix foi o primeiro, ele é o mais velho. Depois Bianca, Felipe e agora eu.

- Vai, filha!- Minha mãe me incentivou.

Mirei a arma em direção a vela e fechei um dos olhos. Minhas mãos tremiam, pois eu sabia que levaria um sermão se eu errasse mais uma vez. Não era a primeira vez que eu acertava uma árvore no quintal, ao invés do alvo.

O disparo saiu e aquele barulho alto e oco que o tiro fez, me assustou. Consegui acertar a vela, porém sem apagar o fogo. A mesma foi parar no chão, com a marca da munição.

- Outra vez???- Meu pai foi rude. - Se não serve para atirar, não serve para defender a nossa família.-

- Pai, pega leva. Ela é só uma menina.-

- Cale a boca, Petrix. Ela tem que aprender desde cedo a ser uma justiceira respeitada. Aliás, todos vocês!- Apontou para meus outros irmãos e tanto Bianca quanto Felipe abaixaram a cabeça. - Vão para dentro!- Fiz menção em sair e ele chamou minha atenção: - Bilu, você fica.-

- O que vai fazer, Zé?- Minha mãe perguntou preocupada.

- Entre Márcia!-

Meu coração batia forte e rápido demais. Meu pai não era de nos violentar, e nem precisava. Só o seu tom de voz extremamente áspero e arrogante nos fazia quase urinar nas calças de tanto medo.

Me aproximei quando ele fez sinal com os dados, depois de ter posto a vela no lugar e acendido o pavio de volta. Dei alguns passos ainda me sentindo temerosa, até me pôr à sua frente.

- Você conhece o nosso código de honra, não conhece?!- Balancei a cabeça positivamente. - Um Bicalho tem o dever de ir para um confronto e vencer. Tem a obrigação de fazer um abate, se não o abate será você! Sabe disso?-

- Sim, senhor!-

- Que bom que sabe. Então você vai continuar treinando até acertar. Um Bicalho precisa estar sempre preparado. Só entre para dentro de casa, quando acertar o seu alvo.-

Dito isso, ele se foi em direção ao casarão daquela fazenda enorme, me deixando a sós com as munições e o alvo.

Passei a madrugada inteira atirando, sem poder entrar ao menos para comer ou fazer as necessidades. Eu já não aguentava mais de fome e vontade de ir ao banheiro, quando finalmente consegui apagar aquela bendita vela. Fiquei tão feliz, que comecei a pular em comemoração. E quando me virei, vi a imagem do meu pai através da janela, com uma xícara de café nas mãos. O sol já estava nascendo atrás dos montes.

Me contive no mesmo instante e me aproximei da casa. Ele então saiu, segurando uma segunda caneca.

- Tá vendo como você é capaz?- Disse, me oferecendo o café. - Papai tá orgulhoso.-

Depois daquele dia, não errei um alvo sequer. Completei meus vinte e sete anos, com centenas de encomendas assinadas por mim. Minha mãe foi atingida por um tiro em um dos confrontos entre nossa família e outra na região, mas não sobreviveu. Já fazem cinco anos que ela nos deixou.

Meu pai se aposentou do cargo de pistoleiro, mas continua aceitando trabalhos encomendados para meus irmãos e eu. Bianca é a Mão Sangrenta, Felipe o Martelo, Petrix o Bala no alvo e eu como Bilu. Todos apelidados pelo nosso pai.

Moramos no interior do Espírito Santo e sempre que abatemos uma vida, ganhamos a nossa comissão. Meu pai fica com uma quantia e o resto é nosso. Faço uma boa grana sendo pistoleira, e como não tenho com o que e quem gastar, costumo me divertir com as meninas do nightclub no centro da Cidade.

Hoje era mais um dos dias comuns aqui na fazenda. Com o passar dos anos, o dinheiro foi entrando e meu pai investiu em gados e plantações apenas de fachada. É claro que temos os funcionários aptos para cuidar de tudo, mas nosso forte mesmo é fazer a justiça com as próprias mãos. Ouvi barulho de algum carro entrando pelo terreno e continuei em meu quarto. Estava assistindo algo aleatório na tv, quando a porta do veículo foi aberta e logo fechada. Em seguida uma voz masculina se fez presente.

- Posso falar com o Mão Santa ou com a Mortífera?-

Ao ouvir o codinome da minha mãe, pus o som da tv no mudo. Logo Petrix chamou pelo nosso pai, e não demorou muito para eu ouvir sua voz.

- Pois não!-

- Mão Santa? Sou Ayrton. Gostaria de fazer uma encomenda.-

- Entre, por favor!-

Os três entraram, pois ouvi os passos no início do corredor onde tem a sala de estar. Meu pai ofereceu um assento e eu passei a prestar atenção na conversa.

- Eu ouvi muito dizer sobre os pistoleiros nessa região e me deram esse endereço. Sei que vocês tem palavra e quando pega uma empreitada, cumprem até o final.-

O homem parecia nervoso.

- Somos nós!- Meu irmão respondeu empolgado.

- Seu desafeto é dessas bandas?- Meu pai voltou a perguntar.

- Do Rio de Janeiro.-

Me sentei, encarando o chão, esperando meu nome ser chamado.

- Me diz quem é essa pessoa, onde quer que faça o abate, e quando. Meus filhos vão resolver.-

- No Rio mesmo, pode ser no tempo de vocês, mas que seja logo. Já faz alguns dias que eu estou na Cidade e vou voltar na próxima semana para o Rio. Quero vingar a morte da minha filha.-

Levantei da cama devagar e fui caminhando em direção a eles. Ouvi quando o homem respondeu mais algumas perguntas do meu pai e entregou o que parecia ser uma foto.

- Quantos anos essa menina tem?- Meu pai perguntou.

- Por volta dos vinte e cinco, vinte e seis.-

- Bilu!-

- Estou aqui.- Me apresentei com um sorriso de canto. - Achei que não fosse me chamar nunca, pai.-

- Se quiser eu faço esse abate amanhã mesmo, pai, sou doido pra conhecer o Rio de Janeiro.- Petrix falou e eu o encarei com o cenho franzido.

- Você já fez o seu essa semana, Bala no Alvo.- Nosso pai o respondeu. - A Mão sangrenta já está para voltar e o Martelo vai hoje para Vitória tratar daquele negócio. Esse abate é da Bilu.-

- Então!- Chamei a atenção do homem aparentemente ansioso. - Me diz aí o nome do sujeito, foto, e tudo que tiver de informação porque ele já era.-

Cruzei os braços e ele estendeu a mão trêmula com a foto.

- É uma moça, essa do canto...-

Encarei a foto enquanto ele respondia tudo que eu perguntei. Havia três moças na foto, todas morenas, porém duas de olhos verdes (a do canto esquerdo e a do meio). Ouvi algo como RK e então encarei o homem que continuava falando.

- Todos conhecem ela pelo apelido e ela trabalha com o negócio de internet.-

- Ok... Agora eu quero saber o que ela fez pra ter a alma encomenda.-

- Eu sou motorista da família e minha filha foi trabalhar lá na casa. Tem pouco tempo, mas o meu patrão, o pai dessa menina, aquele desgraçado seduziu a minha filha e a engravidou. Ele a fez abortar o filho e ela acabou morrendo na maca do hospital.-

- Falaram pra você, que foi ele?-

- A minha filha disse o nome dele antes de morrer.-

- Mas então o certo é matar o cara que fez isso com ela e não a filha.-

- Eu quero que ele sinta a mesma dor que eu estou sentindo. A Ana Clara era a minha única filha e eu só tinha ela. Eu quero que o doutor Sebastião chore lágrimas de sangue em cima do caixão da filha, assim como eu chorei.-

Encarei meu pai e meu irmão, e então encarei a fotografia outra vez. O homem chorava e ainda tremia. E quando levantei meu olhar, ele já estava se recompondo.

- Então quer dizer que a filha vai morrer no lugar do pai... O certo é nós matar o cabra.-

- Bilu...- Meu pai chamou minha atenção. - Aqui quem manda não somos nós. É o mandante.-

- Eu quero olhar bem na cara dele.- O homem voltou a dizer. - Olhar pra ele e dizer: Você matou minha filha, agora toma o troco.-

Abri um sorriso sacana.

- Ta certo! Tem o endereço aí?-

- É esse aqui.- Ele tirou um pedaço de papel amassado do bolso e me entregou. - Eu moro nos fundos da casa, mas estou sempre por perto. Posso facilitar a sua entrada.-

- Não! É melhor a gente nem se cruzar. Eu vou, faço o meu serviço e volto. Você não vai me ver.-

- Eu trouxe uma parte do pagamento. São as minhas economias, estava juntando pra pagar a faculdade da minha filha. Mas que garantia vocês me dão?-

- Homem!- Meu pai respondeu presunçoso. - Aqui nós temos um código de honra. Se a Bilu não cumprir o trato, ela quem vai. Eu mesmo dou cabo da vida dela.-

O homem arregalou os olhos, provavelmente espantado ao ouvir um pai falar assim de uma filha. E eu soltei um sorriso com sua expressão.

- Bom, vou fazer uma mochila e pegar o próximo ônibus para o Rio de Janeiro. A viagem é longa! Só vou precisar de um tempo pra fazer o serviço, depois que eu chegar lá. Cidade grande é outra coisa, preciso me instalar, me precaver, essas coisas...-

- Tudo bem!-

- Mas não se preocupa não, você vai ter sua vingança. A filhinha do seu patrão já era.-

****

Naquele mesmo dia, mais tarde, meu pai ligou para sua irmã que vive no Rio de Janeiro e avisou que eu passaria alguns dias na Cidade. Ela prontamente ofereceu o seu apartamento como moradia durante esse tempo. Ele então me deu uma quantia em dinheiro para as despesas e a passagem já comprada. Peguei o ônibus às sete da manhã do dia seguinte e foram dez horas na estrada. Até que cheguei na rodoviária e o motorista da minha tia já me esperava.

Reconheci o homem pela marca e placa do carro e ele me reconheceu pela roupa. Eu usava o meu inseparável conjunto de calça e jaqueta de couro, uma blusa simples e bota nos pés. Toda de preto. Nos cumprimentamos e ele deu partida para São Conrado.

Assim que chegamos, me encantei com o edifício de luxo e a cidade. Eu não estava acostumada com a grandeza do lugar, Cachoeiro de Itapemirim é um cubículo perto disso aqui.

O motorista ia na frente e eu logo trás. Saímos do elevador, onde dei de cara com um hall único e uma porta. Parecia a cobertura. Ele tocou a campainha e uma funcionária apareceu.

- Boa tarde, seu Jorge!-

- Boa tarde, Creusa! Trouxe a sobrinha da dona Graça.-

- Ah, ela está esperando na sala.-

O homem me deu espaço para entrar e antes dele voltar para a garagem do prédio, em seu posto, o agradeci. Sou xucra, mas não sou mal educada. Segui a funcionária de nome Creusa, até onde encontrei duas mulheres. Arregalei os olhos, pois uma delas estava na foto em que o mandante me deu.

- Que alegria ter você aqui.- Minha tia disse alegre, se erguendo do sofá.

- Tudo bem, tia?- Ela me apertou em um abraço.
- Como a senhora está?-

- Melhor agora, vendo você. A pequena Gizelly.- Suas mãos vieram para o meu rosto. - Está a cara da sua mãe.- Sorri sem jeito e encarei a outra por cima dos seus ombros. - Ah! Essa é a Ivy, minha filha e sua prima. Quando vim para o Rio, estava grávida dela.-

- Prazer, Gizelly!- Ela estendeu a mão.

- Eu já vi você.-

- Deve ter sido em alguma foto.- Ela disse confusa.
- Eu não lembro de ter visto você antes.-

- Ah, claro que foi.- Minha tia voltou a dizer. - Ivy trabalha com a internet e é muito famosa. Deve ter sido isso, não é?!-

- Foi, foi sim.- Menti.

- Bom, eu vou te mostrar a casa e o quarto que você vai ficar. Mas antes quero te oferecer algo importante.-

- O que?-

- Seu pai disse que você vai ficar aqui por alguns dias, e pediu que eu te oferecesse algo pra fazer.- Franzi o cenho. - Então pensei que você pudesse ser a motorista da Ivy, pelo menos até ela achar um outro... Ela dispensou a Bárbara, a motorista antiga. Tiveram um rolo e depois não deu certo. Conclusão: sacrificaram o trabalho da moça.-

- Mãe, não precisa entrar em detalhes.-

- Ok... Ela não gosta que fale dessa moça. Mas e aí, Gizelly, você aceita?-

- Bom, se foi meu pai quem pediu... Mas aceito com uma condição.-

- Pode dizer!-

- A senhora me chamar de Bilu.-

- Eu não gosto dos apelidos que seu pai deu pra vocês. E espero que vocês não estejam fazendo aquelas coisas feias do passado... Foi por isso que eu vim embora, pra viver longe daquela violência.-

- Que história é essa de violência, que eu não estou sabendo?- Minha prima perguntou curiosa.

- Não é nada, filha. Coisas que a nossa família fazia no passado e eu não concordava. É pra isso que está na Cidade, Gizelly? Se for, vou mandar meu motorista te levar de volta para a rodoviária.-

- Não, tia, fica tranquila. Eu só vim mesmo dar uma espairecida. Briguei com a Mã... Com a Bianca.-

Ela pareceu não se convencer, mas logo abriu o sorriso.

- Ok, vamos lá ver seu quarto. Bilu.-

Sorri de volta e andei pelo apartamento com ela.

....

Depois desse momento, sentamos na mesa para o café da tarde. Minha tia fez perguntas sobre todos e eu tive que me desdobrar para esconder todos os nossos podres. Era um custo para eu falar o nome dos meus irmãos, sem tocar nos apelidos. Foram anos os chamando pelos codinomes, que por um momento esqueci como eles se chamavam verdadeiramente.

Quando terminamos, Ivy me chamou para ir à rua. Entramos no carro grande e moderno, e antes de eu dar partida, ela chamou a minha atenção:

- Você sabe mesmo dirigir?-

- Sei sim! Tenho carta desde os meus dezoito anos.-

- Carta?-

- CNH, carteira de motorista... Aqui nessa Cidade, vocês são tão modernos assim ao ponto de não saberem o que significa carta de motorista?- Liguei o carro e saí com ele da garagem.

Ela riu antes de responder:

- Não chamamos assim, aqui. Onde você mora? Na roça?-

- Sim, qual o problema?-

- Problema nenhum, só é engraçado. E por que Bilu?-

- Meu pai me deu esse apelido.-

- E que coisas feias são essas do passando que minha mãe disse?-

- Você é muito curiosa, Ivy.-

- Só fiquei intrigada, minha mãe ficou nervosa.-

- Onde estamos indo?-

- Ah, deixa eu pôr o endereço no gps.- Vi de canto, quando ela se inclinou e manuseou a tela de led no painel do carro. - Estou admirada com o seu desempenho nesse carro do ano.-

- Por que? Já disse que sei dirigir.-

- Ele é atualizado e você é uma camponesa.-

- Você acha que sou uma camponesa? E que nunca dirigi um carro moderno?-

- Não sei, talvez não. Na roça só tem camionetes, carroças...-

- Tem muita coisa que você não sabe, Ivy.-

- ISSO É UMA ARMA???- Seu grito me assustou.

- Quer me fazer bater no primeiro dia?- Perguntei irritada, escondendo o cabo da pistola por dentro da jaqueta.

Ela estava em minha cintura e eu não tinha visto que ela ficou aparente, assim que me sentei.

- Por que você está com isso aí?-

- Na minha cidade todo mundo anda armado. É comum!-

- Mas aqui não é a sua cidade. Você tem autorização? Se a blitz nos parar, estamos fodidas.-

- Por que estamos fodidas? Eu tenho porte, preparo...- A encarei profundamente. - E muita mira.-

Ela arregalou os olhos e eu ri, voltando minha atenção na estrada.

O restante do caminho foi feito praticamente em silêncio. Ivy estava pensativa, até que se virou para mim, depois de um longo tempo em transe.

- Você já matou alguém?-

- Que pergunta é essa?-

- Você tem uma arma.-

- É só pra me defender. Esse mundo é muito perigoso, e eu sou só uma camponesa.-

Ela assentiu e virou para frente. Segurei o riso.

- Chegamos! Entra nessa rua, no fim dela fica o estúdio. É só uma reunião de urgência com a empresária, e vamos pra casa jantar.-

Encostei o carro na entrada do lugar, e saí do mesmo junto com Ivy. Logo atrás, encostou outro carro. Quando a motorista saiu do veículo, a reconheci. Ela também estava na foto do mandante.

- A Rafa! Chegou.- Ivy tirou-me de meus devaneios.

Escondi ainda mais a minha arma e me encostei no carro de braços cruzados.

- A Lella ainda não veio?-

- Mandou mensagem no grupo e disse que já está chegando... Olha, essa é minha prima, Bilu. E agora minha motorista.-

A moça se aproximou com um sorriso cordial.

- Prazer, sou a Rafa!-

Trocamos dois beijos como cumprimento e a encarei.

- Você é mais bonita pessoalmente.- Falei, sorrindo de volta.

- Você já me viu?-

- Sim, na foto.-

- Ah, que coisa... Às vezes esqueço que tenho seguidores.-

Seguidores?!

- Mas me diz, Rafa, sabe alguma coisa dessa reunião extraordinária?- Ivy chamou a atenção da moça e passaram a conversar.

Disfarçadamente, observei com detalhes a feição da garota. É linda! Sorrir com os olhos, simpática e bem humorada. Peguei a foto em meu bolso e sem que elas vejam, comparei as figuras. Descartei Ivy que estava no meio dessa e de uma outra. Uma delas é o meu alvo, e se for essa Rafa, será um desperdício. Pois ela é uma gracinha.

Guardei a foto quando mais um carro chegou. Ouvi quando uma das meninas disse: "é a Lella" e então pus as mãos no bolso.

A próxima mulher que apareceu, era a terceira da foto. Muito bonita também, e bastante elegante.

- Boa noite, meninas! Desculpe a demora, passei no escritório da RK antes...-

RK

No mesmo instante, aquelas duas letras ecoaram na minha cabeça, pois em algum momento o mandante falou delas. Então lembrei instantaneamente das palavras dele:

"Todos conhecem ela pelo apelido e ela trabalha com o negócio de internet."

- Bilu?- Ivy chamou minha atenção. - Você dá uma viajada as vezes, né?!-

- Estava pensando numas coisas.-

- Enfim, essa é a Lella, a nossa empresária.-

- Lella? Esse é o seu nome?- Perguntei, estendendo a minha mão.

- É um apelido, um nome artístico na verdade. Faço uso dele há anos e já até esqueci meu verdadeiro nome.-

- E você trabalha com a internet?-

- Sim, sou empresária dessas duas e de mais alguns artistas.... Agora, Bilu é um apelido um tanto infantil, não?!-

Soltei um meio sorriso.

- Faz sentido, me chamam assim desde criança.-

- Bom, prazer em conhece-la e que bom que a Ivy encontrou outra motorista. Eu já estava ficando louca com a dona Graça preocupada com os horários dela sozinha nos eventos... Vamos todas subir? Não quero sair daqui tarde.-

- Eu vou ficar.- Falei para Ivy. - Vou ligar para o meu pai e avisar que já me instalei. Te espero aqui.-

- Ok, não demoro.-

- Tchau, Bilu, prazer.- Rafa se despediu.

- O prazer é todo meu.-

Assim que elas adentraram o triplex, peguei meu telefone celular e disquei o número. Meu pai atendeu no mesmo instante.

Ligação on: Pai

- Estava esperando você ligar. Como foi a viagem?

- Bem! Cheguei cinco horas da tarde e já estou na rua com a sua sobrinha. Por que pediu para minha tia arrumar um emprego pra mim? Não sabe que eu já estou de saída?

- Precisava disfarçar, falei com ela que você ficaria aí algumas semanas. Cidade grande requer mais atenção, Bilu, você não vai poder sair atirando assim que encontrar a moça.

- Eu já encontrei... Aliás, acabei de conhece-la. O nome dela é Lella, ou pelo menos todos a chamam assim.

- Muito bem! Faça o que tiver que fazer.

-------×-------
Zé Carlos / Mão Santa
Pai da Gizelly

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