Abominável

By AnneMurre

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Lina sempre viveu em uma gaiola de ouro graças a seu pai e seus irmãos protetores. Ela jamais imaginou que um... More

Lina
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Ayla
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Kelan
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Kelan
Ayla
Kelan
Ayla

Kelan

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By AnneMurre

O rei Thomas chegou com sua esposa logo pela manhã. Eles tentaram conversar com a Ayla mas ela falou muito pouco e passou a maior parte do tempo olhando para o nada

— onde ela estava? — ele me questionou

— no meio do mar, era uma cabana de palha sob uma pedra

— ela disse algo?

— não

Para ser bem sincero eu não queria falar muito sobre tudo que vi naquele lugar. Os momentos que eu a segurei morta em meus braços seriam para sempre meu pior pesadelo

— vou deixá-los sozinhos – falei indo em direção a porta

— Kelan — a Ayla disse me chamando

— sim, princesa

Me aproximei da cama onde ela estava deitada sob as cobertas e pela primeira vez em todas essas horas ela se moveu para pegar minha mão

— fique comigo, por favor

— nós vamos deixá-los — a rainha Lina disse puxando o marido para fora do quarto

— deite aqui

— Ayla...

— você não dorme a quantos dias? — questionou

— eu não sei

— tire as botas e deite aqui, por favor

Não estava a fim de debater, então apenas fiz o que ela pediu

— como me encontrou?

— se eu te contar você não vai acreditar

— me conte — sorriu

Eu ainda tinha a bússola no bolso, então tirei e mostrei para ela enquanto contava a história sobre uma senhora que apareceu no Porto e me entregou

— parece a história de um conto de fadas

— não, em um conto de fadas eu jamais te encontraria afogada em uma cabana no meio do oceano 

Ela levou a mão ao meu rosto passou os dedos no meu cabelo os penteando para trás

— eu dei o melhor de mim, lutei muito para ficar viva mas fracassei e se não fosse por você ter me encontrado...

— não — pedi — não diga isso, eu jamais deixaria você morrer

Ela se aproximou e apoiou a cabeça no meu peito com cuidado. Eu peguei sua mão e observei os pulsos com ataduras e os arranhados

— eu preciso encontrar seu tio, não posso ficar aqui

— você precisa dormir um pouco, vamos deixar para resolver isso amanhã

— não consigo, eu ...

— shh... — colocou o dedo nos meus lábios — feche seus olhos

— você sempre foi tão teimosa

— eu sei, agora feche os olhos

Prometi para mim mesmo que iria sair assim que ela voltasse a dormir mas ao sentir seus dedos entre os fios do meu cabelo e a respiração calma no meu pescoço os meus olhos foram fechando até que eu dormi.

Acordei meio perdido no tempo e ao olhar pela janela vi que já tinha amanhecido. Dormi a noite toda com ela segura em meus braços e por mais que aqui me deixasse extremamente feliz eu me senti culpado.
Levantei com calma, fui ao banheiro e depois de calçar os sapatos saí

— saindo às escondidas, Kelan?

— majestade — me assustei vendo o rei em pé no corredor com os braços cruzados — eu... não... ela... eu...

— pare de gaguejar

— desculpa, senhor

Ele se aproximou de mim ainda com os braços cruzados e parou na minha frente

— desde que você era apenas um garotinho eu soube que me traria problemas

— não aconteceu nada, eu juro. Ela me pediu para ficar e nós estávamos conversando mas acabamos dormindo

Em todos esses anos que o conhecia eu nunca tinha sentido medo dele, até esse momento. Minhas mãos estavam soando tanto que precisei limpar na calça

— um dia você vai ter uma filha e vai entender o quanto é ruim ver que ela não é mais um bebê

— eu não...

— relaxa, garoto — sorriu apertando meu ombro — só estou amolando você

Soltei a respiração que nem notei que estava presa

— como ela está?

— ainda frágil e machucada demais

— não tivemos nenhuma notícia do meu irmão, mas já mandei um comunicado aos outros reinos

— vou encontrá-lo

— não, você deve ficar com a Ayla agora

— mas...

— ela passou por muita coisa, merece uns dias de felicidade você não acha?

— mas comigo?

— prefere que seja outro no seu lugar?

— não — respondi cheio de ciúmes — claro que não

— vamos levá-la para casa

Após dois dias lá nós finalmente a levamos de volta para o reino da terra. Assim que chegamos ela foi para seu quarto e deitou na cama

— olha quem está aqui — peguei o pequeno gatinho e a entreguei

— oi avelã, eu senti sua falta

Ela o abraçou e ficou em silêncio

— o que quer comer?

— não estou com fome

— mas você precisa comer mesmo assim

Depois de ficar muitos dias sem comida ela não vinha aceitando bem os alimentos e acabava vomitando

— vou buscar algo

— Kelan...

— o que foi?

— eu não quero, de verdade

A ignorei e busquei uma tigela de sopa de cenoura na cozinha. Como suas mãos estavam machucadas eu segurei a tigela e fui dando em sua boca

— está bom — falou de bocha cheia

— e você disse que não queria comer

— tudo bem, mas agora chega eu já estou cheia

Após comer ela voltou a deitar e ficou me observando em silêncio

— eu queria sair para o jardim um pouco

— você mal consegue andar com os pés machucados

— me sinto mais presa do que sempre fui

Olhei para ela e observei seu rosto decepcionado. Não pensei muito quando levantei e a peguei no colo

— Kelan, o que está fazendo?

— te levando para o jardim

— jura? — sorriu

— sim, vamos avelã

Peguei o gato também e após entregar para ela nós saímos. Caminhei todo o percurso até o jardim com ela em meu colo agarrada ao meu pescoço. Assim que chegamos eu a coloquei sob uma árvore encostada

— sente aqui comigo — pediu

— fique aqui só um minuto, eu já volto

Corri na cozinha e peguei uma cesta com suas coisas de chá. Assim que voltei ela me olhou e deu o maior sorriso do mundo

— chá, princesa?

— sim, obrigada

— voce quer avelã?

Ele miou e coloquei um pouco em uma xícara pequena que ela tinha. Nós ficamos em silêncio observando o sol se pôr

— pensei que não veria outro sol se por

— pare de falar essas coisas, por favor — pedi sentindo meu coração doer

— eu tinha ido procurar você aquele dia

— não deveria ter feito isso, se colocou em risco

— eu sei, mas você tinha desaparecido

— eu não tinha desaparecido, estive aqui o tempo todo

— mas longe de mim

— pensei que você ia ficar mais segura assim

— como eu ficaria mais segura com você longe?

— não sirvo para ser seu guarda, você me distrai

— não sei como posso te distrair, nem sou tão legal assim

— você é a melhor pessoa que conheço, e a mais bonita também. Quando estava desaparecida eu só conseguia pensar nas coisas que queria te dizer e que nunca disse

— então diga agora que estou aqui

Olhei para ela que me encarava com os olhos verdes brilhantes cheio de esperança e pensei no quanto meu coração disparava só de ouvir seu nome. Eu era completamente apaixonado por essa garota desde a primeira vez que a vi

— Eu me afastei porque quando estava ao seu lado não existia mais nada no mundo. Nenhuma estrela no céu jamais seria capaz de competir com o brilho que você tem nos olhos. Você é tão linda que parece uma miragem, é a pessoa mais bondosa que conheço e eu sei que não sou o suficiente, sei que não tenho nenhum titulo da realeza, dinheiro, não tenho nada para te oferecer, só o meu coração e eu juro por tudo no mundo que ele seu. Me desculpa por ter sido emocionado demais com meus sentimentos a ponto de permitir que alguém a fizesse mal. Eu me odeio demais por isso e prometo que nunca mais vou permitir que algo assim aconteça

Ela ficou parada alguns segundos me olhando sem dizer nada e enfim sorriu. Eu observei igual uma estátua enquanto ela engatinhava na minha direção e subia no meu colo

— Kelan — segurou meu rosto fazendo com que eu a olhasse nos olhos — Não quero um título da realeza, só quero você, sempre quis. Você não tem que se sentir culpado pelo que aconteceu, o único culpado é o idiota do meu tio

— você podia ter morrido

— mas não morri, estou aqui agora e não vou mais a lugar algum

Ela pegou as minhas mãos que continuavam estáticas ao lado do corpo e levou até seu rosto. Passei os dedos pela pele macia e fechei os olhos

— você é tão cheirosa

— você também

Fui com a mão em direção aos fios de seu cabelo e enfiei os dedos entre eles e a puxei para mais perto

— pare de ser uma distração para mim enquanto tento te proteger

— não

Ela enfiou o rosto no vão do meu pescoço e me deu um beijo que me deixou todo arrepiado

— Ayla...

Cansei de me segurar. Levantei seu rosto a trazendo até minha boca e passei o braço ao redor de sua cintura a puxando mais para perto. Ela derrete em meus braços e eu a seguro como se fosse o bem mais precioso do mundo. Nosso beijo era bom, perfeito para ser mais exato e eu não queria me afastar nunca mais. Não sei quanto tempo nos beijamos, mas quando eu me afasto já está escuro

— está tarde, tenho que te levar para dentro

— me prometa uma coisa

— claro, o que é?

— que você não vai se afastar

— nunca mais, eu prometo

Nem se fosse obrigado eu me afastaria. Estive tão perto de perdê-la que agora jamais iria a lugar algum.

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